Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

sábado, 29 de abril de 2017

Anjos da Guarda.


Anjos da Guarda.

Entrei no banheiro e lá estava ele com aquela cara de idiota rindo feito um Caburé do Brejo na beira da lagoa - Sempre tive vontade de socá-lo mas meu outro anjo me dizia: Chefe, isto é você. Nada do que fizer vai livrá-lo. Portanto é melhor ignorá-lo. Eu sabia  disto. Não foi a primeira e nem seria a última vez que tenho de ouvir o que não quero. Olhei para ele, ria e gargalhava. - Chefe! Tu tá com uma cara de fuinha que seu melhor lugar é deitado em um  catre daqueles que jogam terra em cima. E gargalhou alto. Fiquei calado. - Ele de novo: - Olhe para você Zé Mané, anda como um bêbado, fala como um poste batido por um carro. Porque não se joga da ponte do Remédios no Tietê? - Continuei calado. - Eu vi você hoje dar uma volta na sua caminhada. Quem te viu e quem te vê. Uma? Toma vergonha na cara, pelo menos duas! - Meu outro anjo apareceu. - Calma chefe, calma, ele faz assim para provocar.

Tudo bem. Aceito. Mas o danado apareceu de novo. - Nem postar mais você aguenta. Escrever muito menos berrou. Isto é bom, ajuda aos seus amigos ou pseudos amigos do face que você acredita que costumam ler seus contos a ter um descanso da sua chatice. Peguei a escova de dente. Ele gargalhou. Vai escovar o que? Se nem dente na frente tem? Quebrou tudo naquele tombo que na sua moleza caiu ao andar nas calçadas. Lavei o rosto. Ele gritou: - Pare de gemer quando respira. Tu tá mais para lá do que para cá. Quer saber chefinho? Não sei se voce vai durar. - Se bater as botas pelo menos vamos nos encontrar para eu rir de sua moleza.

Sai do banheiro. Ele ficou na minha mente. Pedi ao outro anjo ajuda. Fiquei livre do danado. Fui para  varanda e fiquei pensando: - Será assim mesmo que temos de enfrentar nossos anjos da guarda? Não sei. A espiritualidade tem sua explicação. Vou melhorar afinal ainda não fiz meu último acampamento. De uma coisa eu sei, se a minha vida for a melhor coisa que já me aconteceu, acredito que tenho muito mais sorte do que um dia podia imaginar. Lembrei de Clarice que dizia: - Ele acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam. Ou quem sabe Paulo Coelho tem a melhor explicação: - Velho, imagine uma nova história para sua vida e acredite nela. Sorri e olhei para o céu cheio de nuvens espessas que traziam um frio enorme. - Seja o que Deus quiser, a vida para mim será levada ao pé da letra até o fim! Afinal sou um escoteiro ou um rato?  

E Einstein fechou com chave de ouro este meu outro dia de vida: - Há duas formas para viver a sua vida. Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Na Trilha com B.P.


Na Trilha com B.P.

Baden-Powell na publicação The Scouter - 1921

 Um dirigente escoteiro veio a mim outro dia com um esquema para organizar o Movimento de uma forma melhor da já existente. Contemplava certa quantia em dinheiro para gastar com dirigentes, secretárias em tempo completo, etc; mas seu plano consistia em arrecadar contribuições dos distritos (associações locais, no texto original).  Uma parte da ideia consistia na criação de um comitê eleito de forma geral para administrar a organização; a vantagem era eliminar a desigualdade com que os distritos administram seus programas. Seria mais centralizado e organizado, poder-se-ia ter um registro que salvaguardasse o desenvolvimento, um padrão de eficiência nas tropas, mantendo uma supervisão geral.

 Já estava me descrevendo outras vantagens do esquema quando me senti obrigado a poupá-lo do enredo, assim que me adiantei com o seguinte comentário: Meu querido camarada! Mas você não precisa sustentar o escotismo. Por uma razão: o escotismo se estende além do Reino Unido e teu comitê deve representar todas as partes do império. Como a eleição irá fornecer os especialistas necessários para os diversos departamentos do escritório central? Os distritos desejariam gastar dinheiro para manter um escritório central? Acho que não. Estas são meras objeções materiais. Mas existe uma consideração maior: nós somos um movimento, não uma organização.

 Nós trabalhamos através do amor e da legislação, e isto é o que nos diferencia de muitos outros sistemas; pode ser incorreto, mas é nossa maneira e, apesar dela, trabalhamos para fazer algo nos doze anos de nossa existência. Acabo de voltar de uma bela viagem escoteira em outras partes do mundo e confirmei minha convicção de trabalhar por amor ao jovem, lealdade ao Movimento e camaradagem, que é através do espírito escoteiro e é a maneira de nos mantermos na linha correta.  É provável que muitos, como meu amigo, não conseguiram manter o espírito, mas por outro lado, muitos conseguiram e outros o estão adquirindo. A propagação da capacitação de dirigentes (18 autorizados este verão no Reino Unido) está ajudando no desenvolvimento. Nossa maneira de administrar está baseada em um verdadeiro e nobre princípio.

 Um dirigente (o qual faleceu e, portanto, posso falar abertamente) me perguntou em uma ocasião sobre a recompensa monetária pelo, segundo ele, trabalho que realizou para mim na sua qualidade de dirigente escoteiro. Tive que lhe explicar algo que ele me confessou nunca ter entendido: e era que ele trabalhava para os jovens e não para mim.

 A proposta do escotismo é oferecida àqueles que se importam de coração com seu país e sua gente. Os homens que colaboram não são uma força de mestres e servidores, oficiais e soldados, senão uma equipe de patriotas unidos por um ideal comum; e esse ideal é a melhoria dos garotos.
Baden-Powell.

nota: - Um tema interessante para ser levantado hoje junto aos dirigentes escoteiros nacionais. Será que eles não levariam mais a sério o que estão fazendo hoje?

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Frederick Russell Burnham – Major.


Baden-Powell e seus amigos.
Frederick Russell Burnham – Major.

Poucos houviram falar, mas Frederick deu um novo pensamento um novo caminho quando B.P criou o Escotismo. Afinal os amigos de Baden-Powell deram a ele muito do que somos hoje. Para os que querem conhecer sua história, fiquem a vontade.

             Frederick Russell BurnhamDSO, naseu em Tivoli, MinnesotaEstados Unidos, dentro do território sioux, o 11 de maio de 1861 e morreu em Three Rivers, California, o 15 de setembro de 1947. Foi um explorador militar estadunidense, um Major e o Chefe dos Scouts sob ordens de Lord Roberts durante a Segunda Guerra Boer, e um grande viajante. Ficou conhecido pelos serviços prestados no exército colonial britânico e por ter ensinado woodcraft (escutismo)[1] a Robert Baden-Powell, sendo está uma das influências mais notaveis do fundador do escotismo. Burnham começou na atividade aos 14 anos e foi um perito rastreador de índios no Velho Oeste. A amizade entre os dois resultou anos depois na formulação didática do escotismo.

             Após a pacificação do Velho Oeste, em 1893, Burnham partiu para África do Sul para lutar nas guerras coloniais britânicas e lá conheceu o Baden-Powell. Tal como Burnham, Baden-Powell era um batedor militar. Depois de servirem juntos na Campanha dos Matabeles em 1896, Baden-Powell começou uma amizade com e tornou-se num amigo eterno e admirador de Burnham. Foi nesta guerra que Burnham introduziu Baden-Powell ao ponto de ebulição a maneira do Oeste americano e do woodcraft, e aquí que ele usou seu chapéu Stetson e Lenço escoteiro pela primeira vez. No seu livro Correndo Riscos (Taking Chances), de 1944, descreve aquele primeiro encontro quando ele e Baden-Powell exploraram as Colinas de Matobo. Descreve também um pouco conhecido e interessante acontecimento histórico, com a dedicação do Monte Baden-Powell nas Sierras, em 1931.  A dedicação do Monte Burnham nas Sierras foi em 1951.

Shangani Patrol.

                Uma das batalhas mais notáveis a Primeira Guerra de Matabele foi o Shangani Patrol em dezembro de 1893 na qual um grupo de 34 soldados da Companhia Britânica foi emboscado por mais de 3.000 guerreiros. Um dos três sobreviventes do grupo foi Burnham. Os membros da patrulha, particularmente Major Allan Wilson e Captain Henry Borrow, foram elevados após o status de heróis nacionais, representando o empenho diante de insuperáveis dificuldades. O aniversário da batalha tornou-se feriado na Rodésia dois anos depois. Um filme de guerra retratando o evento, Shangani Patrol, foi produzido em 1970.

Lovat Scouts

                Durante a Segunda Guerra Bôer(1899-1902) que a necessidade de ter unidades mais especializadas ou forças especialies se tornou mais aparente. Unidades de batedores tais como os Lovat Scouts (Os Escoteiros Lovat), um regimento das Terras Altas da Escócia especializadas em táticas militares. Lovat Scouts foi criado em 1900 composto de unidades escocesas formadas por Joseph Simon Fraser, o 14º Lord Lovat, um lorde britânico, e a unidade foi comandada pelo Major Frederick Russell Burnham.

               Quando a guerra acabou, os escoteiros Lovat foram desmantelados, mas se reuniram novamente apenas um ano mais tarde, desta vez em dois regimentos. Ambos viram muita ação durante a Primeira Guerra Mundial. Por esta altura, eles já haviam se estabelecido como alguns dos melhores olheiros do mundo, mas também começaram a se especializar como snipers (ou atiradores de elite, como eram chamados na época). Eventualmente, isso levou à formação, em 1916, da primeira unidade de franco-atirador da história do exército britânico. O aparelho em si não durou muito tempo, uma vez que foi considerado muito pequeno para funcionar efetivamente como uma entidade independente.

Monte Burnham

Monte Burnham é uma homenagem ao Major Burnham é um pico localizado na Serra de San Gabriel, no estado americano da Califórnia, próximo da cidade de Wrightwood. O nome atual foi oficializado em 1951, durante uma cerimônia comemorativa. Como símbolo da amizade, desde 1936 a montanha ao lado é chamada Monte Baden-Powell. Major Burnham foi quem decidiu homenagear Robert Baden-Powell, dando ao monte o nome dele. Entre os dois havia uma grande amizade e Baden-Powell era um grande admirador de Burnham.

Condecoração e medalhas militar

SPD do Chefe dos Scouts e escotismo, 2010.
·        1900 – Ordem de Serviços Distintos (DSO) – Reino Unido.
·        1900 – Queen's South Africa Medal – Reino Unido.
·        1927 - Honorary Scout - Escotismo, EUA.
·        1936 – Silver Buffalo Award – Escotismo, EUA.

·        1951 – Mount Burnham – Califórnia, EUA.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A origem da Flor-de-Lis Escoteira.


Conversa ao pé do fogo.
A origem da Flor-de-Lis Escoteira.

                     Em 1924, Lord Baden-Powell escreveu um artigo pouco conhecido, provavelmente editado na revista The Scout, que a seguir transcrevemos: “O emblema é uma flor de lis, símbolo de paz e pureza”. A história da flor de lis enquanto emblema remonta há muitos séculos atrás, senão mesmo milhares de anos. Na Índia antiga, simbolizava a vida e a ressurreição, enquanto que no Egito era um atributo do deus Hórus, cerca de 2000 anos antes de Cristo.

                   Alguns anos atrás, enquanto era ajudante de campo no meu Regimento, descobri que alguns jovens recrutas eram pouco melhores do que rapazes meio educados. Após alguns anos, quando comandava um esquadrão de cavalaria na Irlanda, treinava os meus homens a serem exploradores, para além dos seus deveres ordinários de combater nas fileiras.

                  Ensinei-os a encontrar o seu caminho através de territórios desconhecidos lendo e desenhando mapas e redigindo relatórios daquilo que tinham visto cada homem por si, de noite e de dia; a atravessar rios com os seus cavalos, cozinhar a sua comida, seguir rastos e a manterem-se camuflados enquanto observavam o inimigo. Pensei que algum mérito lhes era devido e conseguir autorização do Departamento de Guerra para conceder a cada homem que se qualificasse como explorador, um emblema que o distinguisse.

                     Escolhi a flor de lis, que apontava no norte nas bússolas, pois, tal como o compasso, estes exploradores podiam mostrar o caminho certo para atravessar um território desconhecido. Quando os Escoteiros começaram, anos mais tarde, usei o mesmo emblema para eles, pois, tal como nos exploradores militares, que através do desenvolvimento do seu sentido de dever e hombridade podiam prestar uma ajuda valiosa ao exército, assim os Escoteiros podiam prestar um igualmente valioso serviço ao seu país.

                      O atual significado que se deve ler da flor de lis é que aponta na direção certa e para cima, não virando nem à esquerda nem à direita, uma vez que estes caminhos poderiam levar de novo para trás. As estrelas nas pétalas também podem ser interpretadas como indicação de caminho a evitar, embora o seu significado mais conhecido seja o dos dois olhos do Lobinho que se abriram antes de se tornar Escoteiro, quando obteve a sua insígnia de 1ª classe ou a 2ª estrela. “As três pétalas da flor de lis relembram ao Escoteiro os três artigos da sua Promessa.” Baden-Powell.

Nota – A nova flor de lis da UEB aqui não é mencionada. 


A Flor de Lis tem várias interpretações. Todas elas merecem nosso crédito, mas não poderia deixar de mencionar como ela foi introduzida no movimento por Lord Baden-Powell. Sei que muitos sabem como foi, mas tem outros que não. B.P deu para nós um escotismo maravilhoso, cheio de símbolos e místicas cujas tradições não podem ser esquecidas ou apagadas. Boa caça!

sábado, 1 de abril de 2017

Bandeiras ao vento, a reunião vai começar! Badenianos, Sempre Alerta, façam a jogada certa, Hoje tem reunião, alegria de montão. Se preparem vão cantando, pois a hora tá chegando. Tem lobos da Alcatéia, tem a Chefe Dulcineia, Tem a Tropa do Alfredo, do querido Chefe Pedro. Quem fica parado é poste, no dia de pentecoste. Vá prá sede bem ligeiro, ande meu caro Escoteiro. Você não pode faltar, a turma vai acampar. Prepare sua teoria, daquela pioneiria. Aprendeu a ser mateiro, agora vai ser o cozinheiro. Lobada use seu giz, desenhando o lobo Gris. Seniores e guias bau, bau, caíram do comando Crow! Eu soube que o Pioneiro, agora é enfermeiro. A pioneira calada, agora virou sua amada. Portanto não percam tempo, não haverá contratempo. O céu vermelho ao sol por é delicia do pastor. No orvalho da madrugada quem canta é a passarada. Mas cuidado se ver nuvens cor de cobre, Se prepare é temporal que se descobre. Leve a capa e a lanterna, não vá quebrar sua perna. E quando a hora chegar procure o seu lugar. Aproveite enquanto dura, lá na grande ferradura, Fique durinho pomposo, seja Escoteiro brioso. Quando a bandeira subir, não deixe ela cair. Pois hoje tem reunião, Alegria de Montão! ESCOTISMO É VIDA, AMOR, FILOSOFIA E MUITO MAIS!

Bandeiras ao vento, a reunião vai começar!

Badenianos, Sempre Alerta, façam a jogada certa,
Hoje tem reunião, alegria de montão.
Se preparem vão cantando, pois a hora tá chegando.
Tem lobos da Alcatéia, tem a Chefe Dulcineia,
Tem a Tropa do Alfredo, do querido Chefe Pedro.

Quem fica parado é poste, no dia de pentecoste.
Vá prá sede bem ligeiro, ande meu caro Escoteiro.
Você não pode faltar, a turma vai acampar.
Prepare sua teoria, daquela pioneiria.
Aprendeu a ser mateiro, agora vai ser o cozinheiro.

Lobada use seu giz, desenhando o lobo Gris.
Seniores e guias bau, bau, caíram do comando Crow!
Eu soube que o Pioneiro, agora é enfermeiro.
A pioneira calada, agora virou sua amada.
Portanto não percam tempo, não haverá contratempo.

O céu vermelho ao sol por é delicia do pastor.
No orvalho da madrugada quem canta é a passarada.
Mas cuidado se ver nuvens cor de cobre,
Se prepare é temporal que se descobre.
Leve a capa e a lanterna, não vá quebrar sua perna.

E quando a hora chegar procure o seu lugar.
Aproveite enquanto dura, lá na grande ferradura,
Fique durinho pomposo, seja Escoteiro brioso.
Quando a bandeira subir, não deixe ela cair.
Pois hoje tem reunião, Alegria de Montão!

ESCOTISMO É VIDA, AMOR, FILOSOFIA E MUITO MAIS!

Badenianos, Sempre Alerta, façam a jogada certa,
Hoje tem reunião, alegria de montão.
Se preparem vão cantando, pois a hora tá chegando.
Tem lobos da Alcatéia, tem a Chefe Dulcineia,
Tem a Tropa do Alfredo, do querido Chefe Pedro.

Quem fica parado é poste, no dia de pentecoste.
Vá prá sede bem ligeiro, ande meu caro Escoteiro.
Você não pode faltar, a turma vai acampar.
Prepare sua teoria, daquela pioneiria.
Aprendeu a ser mateiro, agora vai ser o cozinheiro.

Lobada use seu giz, desenhando o lobo Gris.
Seniores e guias bau, bau, caíram do comando Crow!
Eu soube que o Pioneiro, agora é enfermeiro.
A pioneira calada, agora virou sua amada.
Portanto não percam tempo, não haverá contratempo.

O céu vermelho ao sol por é delicia do pastor.
No orvalho da madrugada quem canta é a passarada.
Mas cuidado se ver nuvens cor de cobre,
Se prepare é temporal que se descobre.
Leve a capa e a lanterna, não vá quebrar sua perna.

E quando a hora chegar procure o seu lugar.
Aproveite enquanto dura, lá na grande ferradura,
Fique durinho pomposo, seja Escoteiro brioso.
Quando a bandeira subir, não deixe ela cair.
Pois hoje tem reunião, Alegria de Montão!


ESCOTISMO É VIDA, AMOR, FILOSOFIA E MUITO MAIS!

quinta-feira, 30 de março de 2017


Olá Escoteiro, posso falar com você?

- Você não precisa ser o melhor Escoteiro do mundo para ser feliz. Para isto basta ser humano, ter sentimentos, ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo ouvir. Tem que gostar de poesia, vibrar com o nascer e o por do sol, amar o cantar dos pássaros, sorrir para o sol, a lua, sentir na pele o orvalho da madrugada, ouvir com sentimentos o canto da Cotovia. Em noites de chuva sorrir ao ouvir a voz do vento e das canções da brisa ao amanhecer. Aprender a sentir o perfume da terra molhada, cantar em noite de festa dos pirilampos, apreciar o som da cigarra cantando sob o céu estrelado. Sorrir para a Coruja e falar baixinho em seu ouvido: O espírito da coruja mora neste acampamento! Amar a natureza e vibrar com o perfume de uma flor. Se assim o fizer meu caro Escoteiro, acredite, você será sempre um Escoteiro feliz!

Aceite, portanto meu fraterno abraço e meu Sempre Alerta do amigo,

Chefe Osvaldo

segunda-feira, 27 de março de 2017

A origem do apelido Baden-Powell


A origem do apelido Baden-Powell

Você sabia que Baden-Powell não nasceu Baden-Powell?  Seu nome inicial era Robert Stephenson Smyth Powell sem o Baden. Quer conhecer a história? Fique a vontade!

                                  Todos conhecem o nome do nosso fundador: Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Entre os Escoteiros, é mais conhecido simples e carinhosamente por B-P. Estas iniciais do seu apelido parecem ter sido feitas à medida para o lema que adotou para o Escotismo: “Be Prepared”. Quando criou e organizou a Polícia da África do Sul, em 1900, os seus homens adotaram o mesmo lema, coincidente com as iniciais do seu comandante. No entanto, Baden-Powell não nasceu com este apelido, mas apenas Powell. Ou seja, nasceu Robert Stephenson Smyth Powell, na família Powell.

                                  O pai de B-P, um professor universitário de renome, falecido em 1860, chamava-se Baden Powell, sendo Baden o nome próprio e Powell o apelido. Alguns anos depois do seu falecimento, a mãe de B-P meteu na cabeça a ideia de mudar o apelido da família para Baden Powell, para homenagear o seu falecido marido e perpetuar o seu nome. O advogado da família tratou da legalização do duplo apelido e, a 21 de Setembro de 1869, através de uma notificação pública, todos os membros da família tomaram o apelido Baden Powell. No entanto, este apelido trazia alguns embaraços ao irmão mais novo de B-P, Baden, que agora se chamava Baden Baden-Powell.

                               O problema resolveu-se em pouco tempo, com a introdução de um hífen no meio do duplo apelido. A mãe de B-P demorou algum tempo para conseguir que os familiares e amigos se habituassem a usar o duplo apelido com hífen, mas a persistência valeu a pena, não escapando, contudo, a que a família se referisse a ela, na brincadeira, como a “senhora hífen”. Em breve, os colegas de escola do nosso fundador trataram de abreviar o seu apelido para B-P, assim como aconteceu com o resto do mundo.

                                E se você gostaria de conhecer melhor parte da história de Baden-Powell, coloco a sua disposição diversos condensados retirados da internet e outros que fiz sobre ele. A historia do escotismo, os comentários de Baden-Powell, Frases e lembranças de B.P. – Pensamento de Baden-Powell e Rastros do fundador. Basta me enviar um e-mail para minha caixa postal ferrazosvaldo@bol.com.br e faça o pedido dizendo: – Enviar o bloco 06. Desculpe só atendo quem fizer o pedido na caixa postal.

Sempre Alerta!  

sexta-feira, 24 de março de 2017

Eleições Escoteiras, para que servem?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Eleições Escoteiras, para que servem?

            Vem aí a realização do Congresso Nacional, ou melhor, Assembleia nacional Escoteira. As regiões em sua maioria já devem ter feito as suas. Muitos chefes estão se candidatando a cargos diversos neste universo de poucos novos lideres. Nas páginas do Facebook já temos candidatos que prometem tudo. Eu sei que a maioria dos membros da associação não dão bola. Não irão lá. Para eles o importante é estar com suas crianças. É preocupante quando a plebe se cala e não se preocupa com seus direitos principalmente em poder sugerir, comentar e votar. A parafernália de artigos nos Estatutos confundem a muitos e os mais sabidos correm para se apinhar no poder. Não podemos nos deixar enganar pelo site pelos sorrisos e pelas posturas dos dirigentes da UEB.

             Muitos daqueles que tem prestigio são sempre condecorados e exercem algum cargo no escotismo são unânimes e dizer que nosso sistema é perfeito. Será? Menos de 0,3% do efetivo nacional vota, decide, sugere e sempre um bom numero destes nem comparece ao evento. Os mais antigos se arvoram do poder. E fazem e desfazem do que acham ser seu escotismo ideal. Aplicam normas, diretrizes, inventam sem ao menos ter a decência de consultar as ULs (Grupos Escoteiros) sobre alterações mudanças, sistemática de novas concepções da formação do jovem e do adulto. Os chefes atuantes em grupos se fecham em sua redoma da sessão e à medida que vê seu caminho cerceado, não reclama e se isto faz tem sempre um “Superior” para lhe chamar a atenção.

              Enquanto isto a maioria dos dirigentes do alto escalão vão continuando no poder. A eles tudo podem, amigos do rei são seus amigos. Reparem que sempre quando acontece estas eleições são eleitos os mais vistosos, os que já ocuparam poder na associação e passam os anos nada muda. Eu mesmo incentivei a alguns amigos para eleger alguém que julgava merecedor e ele hoje na esfera do poder nada fez para dizer que pelo menos tentou mudar as diretrizes que nos são impostas. Exemplo maior foi à implantação da vestimenta. Ninguem foi consultado. Não ouve pesquisa de campo. Na época a vestimenta se tornou um segredo de estado até que em uma Assembleia bem distante em uma apoteose de um “Fashion show” digno de desfiles de moda realizados no Anhembi em São Paulo mais de 20 modelos desfilaram para alegria dos que lá estavam.

               Se a ideia era reorganizar a uniformização que muitos achavam estar meio descuidada, tudo piorou. Fizeram 19 tipos. Mesmo com algumas normas no POR ninguém deu bola. A apresentação se desleixou. Ninguém em sã consciência pode dizer que a sociedade brasileira aplaudiu e o escotismo vai caindo no esquecimento já que nosso principal marketing a postura e garbo não tem respaldo daqueles que um dia admiravam e conheciam os escoteiros.

               Muitos irão a Assembleia Nacional. Se meu conselho valesse já que sou um caqueano de mão cheia, que votem em alguém que se preocupa mesmo a acabar com esta mazela de continuidade onde parece mais a casa do bolinha, onde menina não entra e só entra quem for do clube. Tudo na alta cúpula é feito para dar continuidade aos donos do poder. Mudanças só quando termos um eleito, de alto espirito Escoteiro daqueles forjados no aço de Baden-Powell bater a mão na mesa e dizer: - Vamos deixar que todos associados possam dar sua opinião. Quando sentir que existe mais segurança e menos vaidade, quando sentir que agora temos chefes dignos que se voltam para uma democracia plena. Quem sabe se ainda estiver vivo irei fazer novamente meu registro na UEB e nunca EB.

              A politicagem desavergonhada do nosso Congresso Nacional em Brasília em que políticos que não tem a mínima decência fazem tudo para continuar no poder não pode ser imitada pelo Escotismo a seguir a mesma trilha. Somos todos responsáveis para que a maioria dos jovens do Brasil possam também participar do escotismo, independente de sua classe social ou escolha espiritual. Escotismo não é só para ricos. Não é lugar de fofocas, de donos do poder que não se preocupam com opiniões de outros. Não é lugar para decisões sem consulta e que muitas vezes atuam com falsa ética escoteira. Os resultados estão aí. Somos em população jovem o país com menor numero escoteiro em quantidade e qualidade comparados com outras nações.


              Não sei se você que pode votar seja o que foi eleito por uma região ou então com poderes adquiridos, irá levar a sério minhas palavras. A luta para um escotismo democrático é longa. A escolha é sua. Veja bem em quem vai votar!  

    Precisamos de homens e mulheres dignos para dirigir o escotismo brasileiro. Infelizmente são poucos que lutam para um escotismo democrático que dê possibilidade a todos de votar e ser votado, dar a todos os jovens direitos de praticar o escotismo, independente de sua classe social ou escolha pessoal. Hoje pobre não faz escotismo. Hoje temos um regime representativo que não consulta não pesquisa e nem pensa em estar junto à plebe escoteira em seus grupos para ouvir. Será que algum dia estes Manda-Chuva do poder serão substituídos?

terça-feira, 21 de março de 2017

Inspeção de chefes por monitores existem?


Conversa ao pé do fogo.
Inspeção de chefes por monitores existem?

                    - Quando comento com chefes eles dão boas risadas – Pergunto a eles porque estão rindo. A resposta vem na hora: - Chefe se eu fizesse isto meus escoteiros iriam acabar comigo! – - Eu nunca deixaria. – Eu disse então: – Não tenho nenhum preconceito meu caro Chefe. – Ele de novo: - Nunca fiz chefão e olhe não sei se terei coragem em fazer. Pensei comigo que ele não confiava em seus monitores ou então agiu de forma errônea na formação deles. – Já pensou um Chefe em um acampamento, ficar em frente a sua barraca esperando monitores que virão fazer a inspeção? Sorri baixinho. Para dizer a verdade nem sabia se ele fazia mesmo a Inspeção de Giwell em seus acampamentos. Expliquei para ele que a inspeção de Giwell são inspeções com características daquelas utilizada em Gilwell Park. Todos nós fazemos as inspeções nestes moldes. Pensei com meus botões: - Quantas vezes eu convidei monitores para fazer a inspeção em minha barraca e na minha tralha?

                     Lembro-me certa vez tendo ter conversado com um formador famoso, DCIM sobre este tema e ele coçou a cabeça. – É Chefe, não sei se seria capaz. Até hoje não experimentei. – Disse para mim que ou confiamos ou não confiamos em nossos monitores? Qual o melhor exemplo para eles virem em meu campo e ver como está minha barraca, como está meu material individual, se dobrei bem as mantas, se minha roupa está bem dobrada? Isto não seria exemplo para eles? Eu sempre achei divertido e sorria ao ver o orgulho do monitor me inspecionando. Quando comecei eles me olhavam espantados. Lá estava eu em posição de descansar e quando chegavam ficava em posição de sentido, dava meu sempre alerta e apresentava meu campo. Inventava um nome para meu campo na hora. Eles sabiam que deviam ver meu material de higiene, se minhas pioneiras eram boas e firmes, e se minha barraca foi esticada pela manhã. Se o campo da chefia estava limpo e bem cuidado, se tinha fossas de líquido e detrito e WC com tampas tudo isto como deve ser a higiene de campo.  Amarras e costuras perfeitas. Vasilhame limpo o material de sapa limpo e oleado. Foi divertido. Me copiavam em tudo. No cerimonial um deles comentou: - Chefe seu campo está um brinco! Aí me pergunto: - Serviu de exemplo?

                        Olhe, dizem que não, mas eu também gosto de inspecionar os lobinhos. Sempre em matilhas. – Soube de um grupo que faz semanalmente inspeções nas áreas da sede. Cada tropa matilha ou Clã fica responsável durante uma semana. Limpa, varre, tira a poeira de tudo, e é responsável pelo cerimonial da bandeira naquele dia. Dizem que sempre conseguem excelentes resultados. – Eu sempre gostei de uma boa inspeção não importa onde. Agora já vi chefes fazendo inspeções que não condiz com a lei escoteira. O que faziam? – Levavam palitos papeis e jogavam no chão escondido só para dizer que não são tão bons! – Pense bem, isto é papel de um Chefe? Ele gosta disto? Gosta de ser desleal? O que ele espera com seu ato? Acho que a inspeção deve ser delicada e não ofender e nem ferir ninguém.

                  O Chefe deve ter como meta que ser honesto é questão de honra. Se formos amigos e respeitarmos a todos nas inspeções, eles farão o mesmo com seu Chefe. É na conversa ao pé do fogo à noite com monitores ou em Corte de Honra que troca-se ideias e sugestões sobre inspeções. Em clima amigo de irmão mais velho dando exemplos. Ali é um ótimo lugar para descontrair sem horário determinado. Sempre gostei de boas inspeções na tropa. Sempre acreditei que o respeito e a individualidade são sagrados. Havendo erros o melhor é uma conversa individual com a patrulha ou o monitor. As inspeções de Gilwell são excelentes para se ver como está à patrulha, seu crescimento seja no coletivo ou no individual.

                  Os horários das inspeções nos acampamentos são respeitados. Deixar a patrulha esperando é falta de respeito. Sabemos que tudo foi devidamente explicado aos chefes e assistentes. Até mesmo as inspeções surpresas que são de grande validade. Horários existem para ser cumprido. Dizer que o uniforme sujou não é desculpa para se apresentar sem ele. Afinal lavar o uniforme no campo não é um bicho de sete cabeças. E passar? Fácil. Um dia explico aqui. (nada de levar ferro em brasa para o campo). A assimilação entre a hierarquia Chefe/Monitor deve ser honesta e franca. Me lembro de uma vez em um acampamento na Serra do Cipó quando fui inspecionado. Um Monitor fez questão de puxar minha camisa para dizer: - Está frouxa Chefe! Ele tinha razão, Posteriormente comentei com ele que nunca fazemos isto em público e sim em particular.   

                   Inspeções fazem parte do treinamento e da formação dos Escoteiros. Quanto mais, melhor.  Sem querer ensinar aos “papas” do Lobismo fiz muitas vezes com matilhas. Afinal eles os pequenos lobos devem aprender desde cedo que o uniforme entre outros itens devem ser considerados um orgulho para cada um. Eles devem aprender desde cedo que estar uniformizado com garbo é questão de honra. Dizer que os jogos, a corrida entre outros atrapalham não serve de desculpa. Alguns chefes deixam seus jovens nas atividades ou mesmo nas reuniões de sede usando somente a camiseta. Admito no acampamento, mas sem o lenço. Lenço é complemento do uniforme e vestimenta. Sem eles o lenço deve ser guardado. Afinal todos nós quando vemos uma Alcatéia uma Tropa ou um Clã bem uniformizado não tem quem não se orgulhe. É um paradoxo ficar sem o uniforme quando temos uma reunião por semana. O uniforme e a vestimenta sempre foram o melhor marketing Escoteiro que existe.

           Inspeções... São ótimas para aprendermos a ser Escoteiros. No meu primeiro curso Escoteiro se não me engano em 1959 me lembro do Chefe Francisco Floriano de Paula dizendo: - Olhe não é só porque você vai para o campo que vai virar bicho. Lembre-se que ali você é um ser humano e está fazendo ali a extensão do seu lar. Procure se apresentar como tal! E é verdade. Aprendi que devemos sempre portar como Escoteiros seja em qualquer lugar. Por isto as inspeções tem grandes validades. Afinal somos Escoteiros e cumprimos com nossas normas ou escolhemos as normas que devemos cumprir?


Já pensou algum dia em ser inspecionado pelos seus Escoteiros? E pelos seus lobinhos? Impossível? Sei não. Eu já fui e adorei. Ver o rosto e a seriedade deles quando fazem isto vale muito para quem ama o escotismo como eu!

quinta-feira, 16 de março de 2017

A Corte de Honra está em seção!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A Corte de Honra está em seção!

                     No escotismo sempre encontramos situações que nos fazem analisar e pensar se o caminho percorrido foi o correto. Algumas vezes tomamos decisões que poderemos nos arrepender depois. Veja o que me contou um Chefe Escoteiro da II Tropa do Grupo Ventos do Norte. Disse-me que não sabia se era um bom Chefe – Tinha medo de tomar decisões e elas poderiam não ser as corretas. Mas sabe Chefe, eu nunca prejudiquei ninguém. O Comissário Distrital queria trocar umas ideias e me pediu para passar na casa dele qualquer hora. Gente fina, conversamos temas interessantes. Calmo ponderado conhecia bem o movimento Escoteiro. Na volta resolvi visitar um Chefe em um grupo próximo. Soube que iriam fazer uma corte de honra e ele me convidou para ver. Sabia que não funcionava assim, mas fui até lá.

                    Quando cheguei me disseram que tinha se afastado por motivos profissionais e um assistente assumiu. Os escoteiros estavam à vontade no pátio jogando uma “gostosa pelada”. Estranho. Nunca foi assim. Perguntei a um dos jovens onde estava o Chefe. – Estão em Seção! Seção? Perguntei. – Isto mesmo Chefe. A Corte de Honra está em seção! Estão resolvendo se expulsam o Juan Melchior. Fiquei pensativo. Uma Corte de Honra decidindo a vida de um menino? Resolvi ficar ali e esperar o desfecho da Corte de Honra. Meia hora depois um Monitor saiu correndo da sede e gritando: - Conseguimos! O Juan Melchior foi expulso! Alguns da tropa que jogavam bola nada disseram outros apenas levantaram a cabeça. Seria isto mesmo? Eu pensei. Aguardei o Chefe da tropa. Queria conhecer a história e os erros do jovem.

                   Logo ele apareceu e com três apitos formou a tropa em ferradura. Já o tinha visto em uma reunião distrital. Com a tropa formada ele leu a ata da Corte de Honra (?). Deu um sorriso quando disse que dos sete presentes, quatro foram a favor da expulsão. Nesta hora ele me viu e abanou a mão de longe. Esperei. As patrulhas foram preparar uma atividade e me aproximei. - Chefe! Eu disse. Que crime cometeu o garoto para ser expulso assim? Ele ficou sério e respondeu – Faltar às reuniões, não respeita o Monitor e gosta de falar palavrão. – Mas porque ele não estava presente para se defender? - Porque não quis disse. Mandei para ele uma convocação com A.R. e ele não deu satisfações. Ele falta muito? – Claro, só para ter uma ideia tem mais de dois meses que não aparece!

                  Não tinha mais nada a dizer. Dei um sempre alerta e fui embora. Pelo que vi na tropa deveria ter outros também para ser “expulsos”. Só uma Patrulha com cinco, as demais com três ou quatro patrulheiros. Os Monitores presentes gritavam alto davam ordens mostrando que não tinham nenhuma liderança. Fui para casa pensando. Eu não tinha nenhuma autoridade para agir ou conversar com ele. Pensei até em dialogar, mas com seu estilo arrogante não iria me ouvir. Eu sabia que nestes casos a culpa não é do menino e sim do Chefe. Ele viu que ali não era o lugar dele. Pensou que era diferente, mais aventuras e se enganou. O Chefe novato não se deu conta. Achou que uma atitude drástica serviria de exemplo para os demais. E cá prá nós, se ele não voltou é porque nunca mais voltaria. Neste caso seu julgamento e expulsão não passou de um teatro vulgar para o Chefe se vingar.

                   Pois é Chefe Vado Escoteiro, não se concebe uma Corte de Honra julgando um jovem e decidindo como se estivessem preparados para aquilo. A Corte de Honra é parte importante do Sistema de Patrulhas. É uma comissão permanente que resolve os negócios da tropa. Existem casos que o Chefe assiste, opina, mas não vota, no entanto é dele a decisão final se for o caso. Ela toma decisões sobre programas, acampamentos, recompensas e até mesmo à administração da tropa. Ali o segredo é absoluto. Neste caso mesmo sem ter a autoridade para tal, a Corte de Honra poderia ter sugerido ao Chefe que tomasse as providencias cabíveis pelas faltas. Esqueceram-se dos pais do menino que um dia o levaram ao grupo e nem comunicado foram. Agora expulsar? Porque o Chefe não o procurou pessoalmente em sua casa, conversou com ele em particular e depois com seus pais? Quem sabe ouvir o ponto de vista do rapaz que muitos esquecem.

                     Afinal era um menino de doze anos. Seus amigos iam comentar sobre sua expulsão. Isto seria benéfico para o Grupo Escoteiro? E o Monitor a gritar que ele foi expulso, estava certo? Claro que não. Poderia ver que não havia treinamento de monitores e até mesmo a corte de honra estava sendo desvirtuada. Afinal temos um método baseado na colaboração para a formação. Ter jovens na Tropa de caráter ilibado formação exemplar, nunca foi desejo de BP. Nosso método é muito claro. Não podemos fazer tais escolhas. Nas tropas sabemos que temos jovens de meios econômicos, formação moral e cada um tem sua maneira de ser. Gritar com jovens, ameaçar, suspender e expulsar são medidas que um educador nunca pode tomar. Sabemos que tomar decisões é difícil e por isso usamos a Corte de Honra para discutir relações humanas. Dizia Drummond que fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. É assim que perdemos pessoas especiais.

                    Concordei com o Chefe. Eu sei que somos um movimento de educação e formação do caráter. Trabalhamos para isto. Acredito que muitos chefes perdem jovens por não darem a eles o que eles pensaram ser o escotismo. BP nos deu um manancial. Estão ai diversas literaturas escoteiras que falam do assunto. Se soubermos trabalhar bem nossos Monitores, se procurarmos ver o escoteiro e não toda tropa o sucesso será garantido.  Quem mais precisa do escotismo são os jovens rebeldes e cuja sociedade não dão a eles nenhum valor ou oportunidade. Não somos uma instituição de menores, nada disto. Mas podemos ajudar muito estes jovens rebeldes. Julgar é fácil, corrigir difícil.


                  No escotismo temos uma lei e uma promessa. Quando tomamos decisões elas sempre terão o respaldo do que aprendemos e praticamos. Uma Corte de Honra deve ser valorizada pela sua possibilidade em melhorar os padrões da tropa e não para decidir a vida de um menino. Afinal fizeram da expulsão um ato teatral acrescido de uma vingança. Devemos pensar muito se nossos atos servirão para formar caráter ou para formar jovens que por nossa culpa tomam o caminho do erro no futuro.

A liberdade acompanhada pelo amor opera maravilhas. Pensai bem nisto. A educação pelo medo e pela repressão tem sido uma prática demasiado frequente, e tem destroçado muitas e muitas vidas. Um pai perguntou-me recentemente como é que poderia corrigir o seu filho do hábito de mentir; estava farto de lhe bater até ficar cansado, mas sem resultado. A minha resposta foi: “Era melhor que batesse em si mesmo por ter feito dele um mentiroso”. É o medo que desencadeia o hábito de mentir. A educação está a encorajar o rapaz a exprimir-se o melhor possível e com a maior honestidade, no seu trabalho como nas suas palavras, e não em reprimi-lo e “discipliná-lo”. Baden-Powell.