Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

domingo, 22 de outubro de 2017

Um pouco do autor.





Um pouco do autor.

Há tempos, me tornei uma cópia de escritor de temas, artigos, tudo baseado no Movimento Escoteiro que conheci desde 1947. Época em que tive a honra de ser aceito como lobinho da matilha marrom. Os anos passaram e quando passei a frequentar a elite escoteira nacional, comecei também como tantos a dar sugestões, sentindo a necessidade de manter viva na memória o escotismo como o conheci. Desde 1968 que escrevo sobre tudo. Nunca desisti das minhas escritas. Para alguns sem valor para outros uma confirmação do que acreditam como eu.
  
“Histórias que os Escoteiros não Contaram”, foi o título inicial. Nem me lembro mais porque dei este nome, quem sabe por que fui o primeiro a escrever fascículos desta maneira. Me copiei de antigas publicações do Delta, um comissário de um condado inglês que me trouxe muitos dividendos. Comecei a escrever em 1986. Não parei mais. Surgiram outras fases, e minha escrita foi aumentando até chegar aos dias de hoje com mais de cinco blogs escoteiros e mais dois enveredando por caminhos diferentes, o que não é o caso deste introito.

Os fascículos são escritos muitas vezes de forma sucessiva, tentando mostrar o crescimento interior e a evolução dos acontecimentos. Narrado por um "Velho" Escoteiro figura não muito vulgar ao nosso meio, por ser cheio de surpresas, egocêntrico, com manias próprias da idade (nem sempre isto acontece), tem um coração enorme. Acompanhado de sua esposa a Vovó, uma alma cheia de luz, sempre a seu lado, e para completar o trio, um Chefe Escoteiro iniciante, interessado em aprender e que se tornou um amigo inseparável do "Velho".

Aqui não há nomes, indicações de locais, datas. Tudo é fictício, irreal, fatos narrados até podem ser comparativos com varias situações, mas não existe nenhuma forma de censuras a quem quer que seja. Os fascículos não pretendem ensinar, apesar de que alguns acham isto. E fico feliz em que pensem assim. No entanto o intuito é de divertir, conhecer personagens interessantes no nosso meio escoteiro. Claro sempre existe uma “pitada” aqui e ali, destinada a melhorar nossas performances no dia a dia de nossa labuta escoteira.

Repito os fascículos não são para contestação. Como disse não sou um escritor e nem tenho facilidades de expressar com clareza o que penso. Como já dizia Baden Powell, meu conhecimento da escrita foi adquirido na Universidade da Vida. Aceito críticas, sugestões e do fundo do coração desejo que nossos dirigentes alcancem o sucesso que estão buscando. São nossos sonhos desde que entramos para este movimento maravilhoso.

Fiquem a vontade, e olhe, tente ler os artigos conforme sequência numerada. É mais fácil de entender.

Sempre Alerta

Os personagens.

O Chefe Escoteiro é aquele que está na ativa e se preocupando com os rumos do Escotismo. Ele não se preocupa em ser um chefão. Quer apenas ajudar aos jovens na sua trilha de aventuras.

O "Velho" não está presente, já participou do Movimento, acredita ainda em toda a metodologia criada pôr Baden Powell, mas aceita as mudanças com  ressalvas. É um “chato”, excêntrico e tradicionalista pôr natureza!

 Vovó é aquela que ficou em casa, vendo a vida passar junto ao  seu marido dando tudo de si para o Escotismo esquecendo-se dela mesma e cuidando da família. Existem mulheres assim. São minoria, mas existem!

O Chefe Escoteiro, o Velho e a Vovó fazem o triunvirato das histórias dos fascículos. Todas as personagens são fictícias. O escotismo hoje é totalmente diferente do passado. Não pretendemos sugerir aqui onde se basear para a prática do melhor escotismo. Mas você pode ter uma melhor compreensão de tudo para que suas ideias sejam clareadas e sua mente compreenda melhor como praticar e conhecer o escotismo.


Contatos por e-mail - elioso@terra.com.br

Contos de Fogo de Conselho. Tião Macalé. Vulgo Zé Neguinho. (Uma história quase real).


Contos de Fogo de Conselho.
Tião Macalé.
Vulgo Zé Neguinho.
(Uma história quase real).

                  Ele me deu um encontrão propositadamente. Olhou-me com aquele olhar galhofeiro e sorriu debochando. – Escoteiro de araque e ainda por cima um pateta que não olha onde anda! – O convidei para ir ao campo do Zé da Bola. Foi uma luta gostosa, de tapas de socos e no final cansados sentamos embaixo da trave feita de tronco de Ipê, cada um rindo e dizendo que valeu. Ficamos amigos e nem sei por quê. Era um marginalzinho a moda antiga. Roubava para comer e ajudar sua Mãe Dona Filomena que doente não tinha ajuda de ninguém. Sempre me parava na esquina da Sete de Setembro pedindo para que contasse historias de escoteiros, de acampamentos e aventuras. Sentávamos na sombra na praça redonda da Matriz e ficávamos ali por horas. Fiz tudo para ele ser um Escoteiro, mas nunca aceitou. – Vado Escoteiro, isto não é prá mim, tenho outros sonhos. Cresci continuamos amigos e um dia ele desapareceu.

                   Com dezenove anos após servir a Pátria como soldado e sem emprego resolvi vender livros. Pagavam o hotel alimentação as despesas de transporte e mais nada. Com destino a Dom Silvério peguei o trem da Leopoldina em Caratinga. Cochilava pela longa viagem e o trem parou em uma estação. Uma gritaria na plataforma. Olhei dezenas de soldados armados de fuzis e tinha um com uma metralhadora ponto trinta apontada para o meu vagão. Alguém gritou alto: Zé Neguinho! Quem fala é o Delegado Nonato.  Você me conhece e me deve sua vida.  Sei que está aí neste vagão. Desça com as mãos para cima! Zé Neguinho aqui? Olhei de lado. Era ele. Cresceu, ficou forte, muito forte, o cabelo grande sempre amarrado em um rabo de cavalo. Ele me viu. Deu uma gargalhada – Vado Escoteiro? O Vado Escoteiro valente da porrada? É você? Era chamado por ele assim. Levantei e dei nele um abraço.

                      O Delegado gritou de novo – Vamos evitar passageiros feridos Zé. Desça logo – Ele gritou – Me dá dez minutos delegado, prometo me entregar sem reagir. Sentado ao meu lado um senhor de idade. – Ele olhou para ele e disse: - Suma! O velhote desapareceu. Ele sentou comigo. Ficamos mais de dez minutos lembrando o passado. Nunca na vida contei “causos” do passado sob a mira de fuzis. Lembra-se da descida do Bairro do Pastoril? Eu lembrava. Uma turma querendo me dar uma surra. Ele chegou com um pau na mão. Desceu a burduna na turma e gritou - Bateu nele bateu em mim! Só eu posso dar porrada nele! Contava e dava gargalhadas. Os demais passageiros com medo não entendiam nada. Ele se levantou e me deu um abraço, apertado. Chegou a doer. Vi que seus olhos encheram-se de lágrimas. – Adeus meu amigo. Acho que nunca mais vamos nos ver! Desceu do trem e foi cercado por dezenas de policiais. Ainda o vi na plataforma me dando um último adeus!


                     Era este o seu destino? Tornar-se um marginal? Não teria sido melhor aprender nos escoteiros? Ninguem me soube informar o que ele fez. Zé Neguinho me marcou muito. Não foi escoteiro. Deveria ter sido. Nunca o esqueci. De vez em quando procuro aqui na internet se vejo alguma noticia dele. Deve ter morrido. Se fosse hoje poderia ter descido e conversado com o Delegado. Quem sabe poderia ter ajudado. Não o fiz. O destino não se mede pelas palavras e sim pelas ações do que se fez ou faz. Espero que ele tenha conhecido a felicidade. Seu sorriso sempre foi contagiante e dizem que quem sabe dar um lindo sorriso é feliz.

Nota de rodapé: - Dizem que quem escreve, escreve o que quer. Quem conta um conto aumenta um ponto. Pois é, tenho muitas histórias e quem não tem? Hoje na flor da idade me lembro delas. São muitas, corro com meus dedos procurando um teclado para escrever. Zé Neguinho? Um cara durão, não escoteiro, mas meu amigo de lutas que nunca esqueci.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Divagando... A fraternidade.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Divagando... A fraternidade.

                   Dizem-me coisas interessantes. Coisas escoteiras é claro. Dizem-me tanto que fico pensando se isto é real. Alguns se ressentem por encontrar um ambiente alegre e fraterno no início e depois aos poucos tudo vai mudando. O padrão não deveria ser este dizem. – Chefe, há um desejo de ser alguém, muito mais do que pode ser e isto não pode ser normal. Onde está nossa lei? Ele ou Ela não sabe que temos uma? Onde anda o primeiro, o quinto e o décimo artigo? E tantos outros? Porque esta rigidez de comando, de ser o melhor?

                  Outros são diferentes. Falam bem de coisas escoteiras. Dizem que estão no melhor dos mundos, que encontraram ali sua verdadeira identidade. Que ali tem irmãos e não só amigos, que são fraternos e que tentam ajudar uns aos outros. Quanto tempo isto dura? Garantiram-me que para sempre. Dois lados, duas moedas, dois pensamentos duas ações. Um são infelizes mesmo tentando ajudar outros têm a felicidade presente em cada momento e isto motiva a fazer o que fazem para sempre.

                  Porque esta diferença em agir, em participar com um verdadeiro espírito de eu abraço você, você me abraça e juntos seremos felizes para sempre? Não foi o fundador que acreditou que o escotismo podia modificar o mundo, dar o verdadeiro sentido da amizade do amor da ajuda ao próximo? Fraternidade o que é? Em linguagem simples disseram que a fraternidade é um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de liberdade e igualdade e com os quais forma o tripé que caracterizou grande parte do pensamento revolucionário francês: - “Liberdade, igualdade e fraternidade”.

                 Temos muitas definições e uma que me toca profundamente é que a fraternidade significa a união de seres, que possuem o mesmo objetivo par atingi-lo, mesmo não percorrendo o mesmo caminho juntos trocam conhecimentos se respeitando mutuamente como irmãos. Mas me pergunto, no escotismo não devia ser assim? Sei que a maioria tem este pensamento, mas cá entre nós, tem cada peça de fazer inveja que onde estão e onde atuam mais atrapalham que ajudam.

                 Sei não, mas acho que precisamos dar um passo para que as pessoas se aproximem mais, se respeitem mais e que esqueçam que não são os donos da verdade. Cada um tem conhecimentos que o outro não tem. Queira ou não para muitos o escotismo é um bicho de sete cabeças. Dizem para nós que nada conhecem e esquecem que em seu coração em seu sorriso em seu abraço tem tanto de escotismo que nos faz bem só em olhar.

                 Sábio foi Baden-Powell que disse que mesmos espalhados por todo o mundo os Escoteiros são irmãos. Têm os seus sinais secretos pelos quais se reconhecem, e são prestáveis e hospitaleiros para todos. Um Escoteiro seria capaz de te oferecer o que tivesse de melhor para te dar de comer e para te alojar, mas esperaria tanto que lhe pagasses por isso como que lhe cuspissem na cara. Um Escoteiro é capaz de sacrificar a sua vida para salvar o seu amigo ou mesmo para salvar um estranho... Especialmente se esse estranho for uma mulher ou uma criança.

                 E ele continua: - Os Indianos chamavam ao Kim o «Pequeno Amigo de Todo o Mundo», e todos os Escoteiros deviam esforçar-se por merecer esse nome. O espírito é que conta. A nossa Lei e Promessa de Escoteiros, quando realmente as pomos em prática, afastam todas as ocasiões de guerras e lutas entre as nações. Eita BP. Suas palavras nunca serão esquecidas. Melhor mesmo é esperar a mudança que todos esperamos no mundo. O Escotismo pode ser a fonte inesgotável desta fraternidade mundial.

                 Encerrando por aqui. Palavras simples e verdadeiras nem sempre são muito apreciadas. Vejamos o que disse dois grandes homens da história sobre a fraternidade: - Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes. Não ajudarás os assalariados, se arruinares aqueles que os paga. Não estimularás a fraternidade se alimentares o ódio. Abraham Lincoln. E Chico Xavier arremata: - O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amassemos uns aos outros. – Simples assim!

Nota de rodapé: - Nos últimos dois dias tirei um tempo para conversar com alguns amigos e amigas de minha página. Não foram muitos. “Alguns responderam com monossílabos, outros dizendo o de sempre – ‘SAPS” e outros dizendo bom dia e boa noite e silenciaram. Em alguns senti fraternidade em outros frieza. Recebo muitos pedidos de amizade. Aceito todos. Penso que quando me procuram querem confraternizar e dizer o que sentem do escotismo. O medo à dúvida de ser abordado de maneira indelicada faz muitos fugirem. Mas eu me pergunto: - Porque então continuar como amigo na minha página?


sábado, 14 de outubro de 2017

A fantástica “Banda” do Maestro Munir.


Conversa ao pé do fogo.
A fantástica “Banda” do Maestro Munir.
(Baseado em fatos reais).

                  Quando menino escoteiro eu tinha um sonho. Ou melhor, dois, acampar no Pico da Bandeira e participar da Banda do Munir. Com treze anos um dos sonhos foi realizado. Um caminhão da prefeitura nos levou até Caratinga. Lá pegamos a Maria Fumaça para Caparaó (Águas que rolam nas pedras). Minha alegria não tinha limites. Afinal estive no Pico da Bandeira. Uma linda história para contar, mas fica para outra vez. Agora precisava entrar na Banda. Osso duro. Munir era magro e alto. Usava o chapéu Escoteiro virado, mas muitas vezes preferia uma boina preta tipo Montgomery. Eu nem sabia quem era esse tal Montgomery. Usava o uniforme caqui curto e uma bota cano longo. Sujeito estranho o Munir. Chamá-lo de Munir era briga na certa. Senhor Maestro Munir! Ele encarava você nos olhos, uns dois minutos, você não sabia onde esconder.

             A Banda treinava todas as quintas feiras entre sete e dez da noite atrás do cemitério do Azarão. Um campinho de futebol onde o barulho não incomodava. Os seniores diziam que os defuntos não podiam reclamar. Risos. A Banda não era grande, se não me falha a memória tinha quatro tambores simples, dois tambores-mor (daqueles enormes mais de um metro de altura) cinco tarois, oito caixas claras, quatro bombos, seis cornetas e dois clarins. Clarins? O meu sonho. Um dia iria tocar um. Mas precisava ter curriculum na banda para encostar um dedo nele. Munir era severo. Ria pouco. Um olhar dele gelava todo mundo. A Banda dos Escoteiros era famosa. Nas festividades todos aguardavam ansiosos a Banda. Passava em frente ao palanque das autoridades onde fazia evoluções e depois ia em algumas ruas para saudar os moradores que saiam para aplaudir a Banda dos Escoteiros.

            Munir tinha pose dos oficiais ingleses. Um estilo militar que só eles têm. Com sua varinha, seu chapéu virado, sua bota cano alto a marchar à frente da Banda fazia gestos como se estivesse regendo uma grande orquestra. Alí ele era o Rei. Era exigente o Munir. Marchar bem, com honra, respeito, garbo e boa ordem. Bastava um erro para ficar fora da banda por meses. Sua palavra era a lei. Ninguém desfazia nem mesmo o Chefe João Soldado. Eu ia sempre aos treinos da Banda. Ficava abobalhado olhando cada um com seu instrumento. Trinta minutos de ordem unida. Munir não gritava. Seus gestos eram graciosos. Sabia com perfeição fazer os sinais manuais de formaturas. Apito? Detestava. Na frente da banda um sinal seu e ela parava de tocar ou então em frente marche! Se alguém errasse valha-me Deus! Eu olhava tudo, caixas, tarol, tambores, bombos, cornetas, mas meu xodó era o clarim. Jasiel e Marquinhos eram os donos dos dois. Sentiam-se importantes demais para olhar para mim. Eram seniores corneteiros. Uma dádiva de poucos.  

          Só faltava ao treino da Banda quando ia acampar. Este era sagrado. Uma excursão, bivaque, acampamento sempre estiveram em primeiro lugar. Um dia achei um galho em um pé de Manga, e bem talhado ficaria igual a um clarim. Preparei meu instrumento medieval com carinho. Quatro meses com meu canivete suíço.  Ficava em casa horas com ele na mão. Levava a boca, fingia que tocava, balizava e sorria. Sonhava em tocar a Alvorada, o Silêncio, o reunir, debandar e tantos outros toques. Decorei todos. A Patrulha me absorvia. Eu amava minha patrulha Lobo. Entre ela e a Banda só tinha uma escolha. A patrulha. Um dia tomei coragem. Cheguei em frente do Munir. Conferi meu uniforme, tinha que estar no ponto como se fosse uma inspeção. Munir era exigente. Posição de Sentido, meia saudação – Sempre Alerta Senhor Maestro Munir, gostaria de participar da Banda! – Tinha treinado em casa em frente ao espelho como falar com ele. Se errasse ele nem na minha cara ia olhar mais.

          Tomei um susto. Ele olhou para mim. Nem piscou. Cara fechada. Ficou também em posição de sentido. Bateu um calcanhar sobre o outro. Plok! Sinal Escoteiro estilo militar. - Quinta! As sete em ponto! Se chegar atrasado não venha nunca mais! – Sai gritando de alegria. Contava para todo mundo. A Patrulha me parabenizou. E agora como você vai fazer? – Fácil disse. Os treinos são as quintas e dificilmente saímos em atividade neste dia. Nos desfiles todos vão, portanto dá para conciliar. – Não dá não disse o Romildo Monitor. Quinta não vamos acampar em Bom Jesus? É feriado lá e aqui. Minha nossa! Eu pensei e agora. – Bom Jesus ficava a vinte e cinco quilômetros de distancia. Sabia que íamos de bicicleta. Não podia perder meu primeiro dia na Banda e nem o acampamento. Bom Jesus tinha meninas lindas. Perder?

              Na quinta às quatro da tarde voltei sozinho a minha cidade no meu cavalo de aço. Correndo como um louco estrada a fora. Cheguei no campinho as cinco para as sete. Suando, cansado, mas com um sorriso no rosto. Posição de sentido e lá estava eu me apresentando ao senhor Maestro Munir. No primeiro dia só treino de ordem unida. Recebi um tambor três semanas depois. Quando terminou voltei correndo para o acampamento em Bom Jesus. Demorou dois anos para treinar o clarim. Seis meses para adquirir a “embocadura”. Toquei clarim por muito tempo. Quando servi o exército era com muito orgulho o corneteiro do dia. Nunca faltei a um treino, desfile e nem tampouco nas minhas atividades ao ar livre. Encontrei Munir muitos anos depois em Colatina. Ele bem velho, eu com meus trinta e cinco anos. Olhou-me com aquela cara feia, ficou em pé, em posição de sentido. “Ploc” ouvi seu calçado bater. Sempre Alerta! Ele disse. Eu fiz o mesmo. Maestro Munir! Que prazer! Já com aquela idade ainda tinha medo do Senhor Maestro Munir. Ele riu. Nunca o tinha visto dar um sorriso. Abraçou-me. – Sabe Vado Escoteiro, eu sempre gostei de você. Nunca o esqueci. Aquele abraço foi demais. Uma alegria. Nunca o vi dar um abraço em ninguém. 


             Os tempos são outros. As bandas escoteiras desapareceram. Não existem mais Maestros como o Munir. Sei de muitos grupos escoteiros que venderam ou doaram sua banda. Não sou contra. Aplaudo. Dá para conciliar e treinar sem incomodar. Até hoje tenho saudades dos desfiles. Quando vejo uma banda fico “arretado” e “arrepiado”, adoro isto. Na minha juventude a Banda símbolo era a dos Fuzileiros Navais. Tive o prazer de vê-la tocar muitas vezes. Mas os tempos foram passando, as bandas ficaram no esquecimento. As histórias de uma banda nos Grupos Escoteiros hoje quase não são contadas. Se eu pudesse, se meu corpo ajudasse eu teria um grupo. Um Grupo Escoteiro fantástico. Meninos vibrantes. Acampamentos mil. E mais o que? Claro, uma banda. Ia com certeza achar um Maestro Munir por aí. Que vida louca seria. Mas sonhos são sonhos. Com a minha idade não dá mais para que meus sonhos se tornem novamente realidade.

Nota de rodapé: -  Sempre Alerta corneteiro! Toque por favor, para eu dormir o toque do Silêncio. E ao amanhecer o toque da alvorada! Adoro e se quiser toque também o canto da lua, deixe-a ouvir e rasgar o céu da noite cheia de estrelas. Mas escoteiro, não esqueça da alvorada quando o sol vermelho escondido pelo orvalho da noite despontar. Toque o reunir, toque o que quiser neste céu de brigadeiro. Quantas saudades... Se quiser faça silêncio, vou tocar para você o mais lindo toque da canção da alvorada! Sei que irá adorar! Ah! Meus lindos tempos de corneteiro que nunca esqueci.  

sábado, 7 de outubro de 2017

Vado Escoteiro, está rindo de que?


Vado Escoteiro, está rindo de que?

                         Boa pergunta. Hoje é sábado dia de escoteirar e eu aqui sem ter aonde ir e nem poder caminhar. Uma chuvinha fina cai refrescando o ar. Pela manhã fiz uma reunião importante. Presente meu pulmão, minha perna e algumas partes que me pediram para não expô-las ao ridículo. Comecei me vangloriando do passado, pernas que percorriam quilômetros em cima de uma bicicleta, que andou por boa parte dos recantos do Brasil. Olhei para meu pulmão e disse para ele onde um dia me levou. Em ar rarefeito em minas e cavernas, em picos e montanhas e em tantos lugares e ele nunca me decepcionou. Com os demais falei o que não devia e por este motivo fica em “OF” atendendo ao pedido deles.

                          Eles ficaram calados. Sabiam que não tinham argumentos para retrucar. Não sabiam o que pedir, aonde ir e o que fazer. Lavrei ata dobrei a bandeira, arrumei meu lenço (detesto ele fora do lugar) e após um cafezinho e um biscoito de maisena liberei a todos para continuar a fazer o melhor possível. Sem perceber vi que o tempo estava partindo. Minha avó Rosilda por parte de pai gostava de um ditado popular. Sorria para mim sem dentadura (mas era linda sim senhor) e dizia: Vado, perguntaram pró tempo perguntando quanto tempo o tempo tem, e sabe o que ele respondeu? O tempo? O tempo tem tanto tempo quanto tempo tem. Meninote, onze anos, franzi a testa e não entendi nada. O tempo passou e hoje entendo agora muito bem.

                          Gosto de me considerar um matuto mineiro, do “inté”, do “nois faiz” do “Cotero” que até hoje não se acostumou com tantas coisas modernas. De novo repito que não sou letrado, viajado nas “estranjas” e nem “deploma” eu tenho. Aos sábados é sempre assim. Todos escoteirando e eu “coçando”. Isto me faz uma “baita farta”. O jeito é “escapilitar” e botar a mente para escoteirar. No faz de conta pego meus dedos que mesmo tremendo ainda obedecem e mando que eles teclem o que a mente mandar teclar. Às vezes saem coisas boas, outras não. Sei que gostaram quando comentam ou compartilham. Curtir é uma obrigação e agora apareceu os tais símbolos smiley, emoji, emoticons que são de matar!

                          Mas o que vou escrever agora? Perguntam meus dedos e minha mente. Sinceramente? Não sei. Lembrei quando no passado quando desciam a ripa na chulipa pelos meus erros de português de concordância e o escambal. Melhorei? “Necas de catibiriba”. Ficava tão triste que pensava em voltar a estudar na Escolinha do Bairro. Iam me aceitar? De raiva peguei meu bastão de um metro e sessenta, duas e meia polegada de circunferência, ponteira e aço e um belo totem da Patrulha Lobo e fui ao meu portão abri e fiquei ali em posição de sentido vez ou outra fazendo a saudação. Vado! A bandeira em saudação! A vizinhança sorria...

                         Cansei, sentei na minha cadeira de braços, fechei os olhos, ouvi baixinho os pingos da chuva que caia na telha e logo sorri. Lindos acampamentos de outrora, chuvinha fina, a gente sentado em volta do fogão, um cafezinho saindo, o som da mata com os respingos pequenos e insistentes e Monte Alto contando Histórias. Viajei no tempo. Olhos tristes ao lembrar, mas alegres por ter estado lá. Voltei à realidade deixei minha mente procurar no dicionário se existiam palavras que eu gostava de usar. Badenianos, Caqueanos, Matutagem, Escoteirar, ombrear, sebo nas canelas, mochila no costado, pé na taboa, apoquente a dor de dente, Trilha do Elefante, Mata do Tenente, escorregar na lagartixa e o melhor que mais gosto... Fraternos abraços!

                         Três horas. Quantos jogos já foram realizados? Quantos tombos no costado? Lembrei-me de um visitante que percorrendo as salas do Palácio de Buckingham encontrou uma preciosidade escrita na parede: “Senhor, ensina-me a ser obediente às regras do jogo... Ensina-me a não proferir nem receber elogio imerecido... Ensina-me Senhor a ganhar, se me for possível. Mas Senhor, se eu não merecer, acima de tudo, ensina-me a perder”! Demais não? Entro e vou para a sala. Assistir o que? A mente continuar a passear no passado. Gente fiz coisas demais!

                        Sem perceber lembro-me do poeta e o que ele escreveu bate fundo no meu coração nesta hora: - Lá onde mora o amor, não há dor, não há tristeza, lá tem cor, lá tem riqueza, lá tem bem, lá tem nobreza. Lá onde mora a amizade não há rancor, nem falsidade, lá tem respeito, lá tem verdade, lá tem afeto, lá tem cumplicidade. E fecho a crônica dizendo:


- “Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra. Minha história acabou um rato passou quem o pegar poderá dele aproveitar. E assim terminou a história”...

Nota de rodapé: - “Acorde! vá trabalhar ou escoteirar! você só tem um dia na vida, portanto aproveite cada minuto. Dormirá melhor quando chegar a hora de dormir, se tiver trabalhado ativamente durante o dia inteiro”. A felicidade será sua se você remar a sua canoa como deve. Desejo de todo o coração que tenha sucesso e na linguagem escoteira: “BOA REUNIÃO E BOM ACAMPAMENTO” – Baden-Powell.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A origem da palavra “Escoteiro”.


Conversa ao pé do fogo.
A origem da palavra “Escoteiro”.

                       O termo escoteiro de acordo com o dicionário é definido como: Escoteiro; adjetivo e substantivo masculino. Desimpedido, sem bagagem, sozinho; membro de associação de meninos (as) ou adolescentes organizada de acordo com o sistema de seu idealizador Baden Powell.

                      “A Adoção no Brasil do termo “escoteiro” deve-se ao Dr. Mário Sergio Cardim, principal fundador da Associação Brasileira de Escotismo (ABE), com sede em São Paulo e do Escotismo feminino no Brasil. Sua utilização nesse sentido não é conhecida em nosso país, quando o Dr. Mário Sérgio Cardim descobriu que o substantivo “escoteiro” representava não apenas o “só″, bem como “pioneiro” e “lépido”, conforme lições de Herculano, Camilo, Gaspar Nicolau, Blutteau, citada pelo filólogo Candido Figueiredo.

                      Depois de uma palestra na “Rotisserie Sportman”, com Olavo Bilac, Amadeu Amaral e Coelho Neto, decidiu-se o Dr. Cardim pelo termo “escoteiro”, mais parecido com “scout”, e já empregado em Portugal (escutas), pelo Hermano Neves na tradução do livro de Baden Powell “Scouting for Boys”.
Submeteu a confronto os vocábulos “pioneiro”, “adueiro”, “vanguardeiro”, “bandeirante” e “escuta” que eram então propostos.

                      Esse termo foi oficializado pela Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, em seus estatutos impressos na casa Vaberden, em 1915, registrado na 1ª circunscrição de São Paulo, naquele ano, de acordo com a lei. Conforme o Relatório de 1914/16 da A.B.E., o Dr. Mário Sergio Cardim sustentou pelas colunas de “O Paiz” uma amistosa discussão com o Dr. Olympio de Araújo, membro da Academia Mineira de Letras, que defendia o termo “bandeirante”.

                     Afirma o referido relatório, na página 4: “Provamos então que “escoteiro” significa também corajoso, esperto, destro, etc.…, e que, “bandeirante” tinha o inconveniente de poder denunciar uma preocupação regionalista.” As organizações escoteiras que funcionaram no Brasil, antes da A.B.E., segundo nos consta, usavam ainda denominações em idioma estrangeiro, como é o caso do “Centro de Boys Scouts do Brasil” no R.J.

                     Também foi o Dr. Mário Sergio Cardim que utilizou pela primeira vez o termo “Sempre Alerta” para tradução de “Be Prepared”. Além do texto acima, também me socorro de um texto postado recentemente, por Fernando Robleño, que diz o seguinte.

                “O vocábulo “escoteiro”, diferentemente do que se prega, não foi inventado pelas associações escoteiras. As primeiras aparições do termo “escoteiro” datam antes mesmo de Baden-Powell ou, no caso do Brasil, antes de Sergio Cardim (que, como todos sabemos, escolheu essa palavra, entre outras, para definir os praticantes do escotismo). Em 1879, por exemplo, a palavra “escoteiro” apareceu na obra “Cancioneiro Alegre”, de Camilo Castelo Branco. Pode ser visto, também, em “Lendas Indígenas”, de Gaspar Duarte, em 1858.

                        O vocábulo “escoteiro”, que até então era de uso comum, foi tomado de posse pelas associações escoteiras, todas elas. O termo só foi dicionarizado em 1780, e a inclusão do sinônimo “integrantes de um corpo ou unidade escoteira (sem fazer referência a uma associação) décadas mais tarde.”. Além disso, mais do que entender a origem do termo escoteiro, oportuno termos presente o significado do termo que lhe deu origem = SCOUT, que, traduzido do inglês literal, é o explorador, mateiro.

 BP define SCOUT como:
Um explorador ou esclarecedor militar, que, como sabem; é em geral, no exercito, um soldado escolhido por sua inteligência e coragem para ir adiante das tropas, descobrir onde se acha o inimigo e, informar ao combatente tudo o que puder averiguar a seu respeito. Mas, além desses exploradores que prestam serviços na guerra, há também os exploradores que servem na paz – homens que em tempos de paz executam tarefas que requerem a mesma dose de coragem e de engenhosidade. São os homens que vivem nas fronteiras do mundo civilizado.”

                     Scout é uma palavra familiar para as crianças da Inglaterra. Em 1900, ainda antes da libertação de Mafeking, apareceu uma série de histórias intituladas ‘The Boy Scout Scarlett’ e, a ‘New Buffalo Bill Library’ editada pela The Boy Scout na mesma ocasião.” Feitas estas considerações iniciais, está esclarecido que antes mesmo de BP, originariamente, o termo SCOUT era adotado para denominar o explorador, o mateiro e, SCOUTING, a ciência de explorar.


                    Que fique bem claro que os termos SCOUT (escoteiro) e SCOUTING (escotismo) não se originaram do Movimento Escoteiro criado por BP, mas ao contrário, BP utilizou estes termos porque pretendia que os jovens do Movimento Escoteiro fossem capacitados para se tornarem tão aptos quanto os SCOUT, através da prática do SCOUTING. Portanto, SCOUT e SCOUTING, e, ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

Nota de Rodapé: - Muitos ainda acreditam que o termo “Escoteiro” foi usado pela primeira vez no Escotismo. Neste artigo deixamos ao imaginário de cada um sobre esta palavra tão sobejamente dita com orgulho por nós que praticamos o Escotismo. ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

sábado, 30 de setembro de 2017

Sábado, não fui escoteirar... Fazer o que?


Sábado, não fui escoteirar... Fazer o que?

                     Hoje é sábado. Por experiência sei que se postar alguma história poucos vão ler. Muitos ainda não chegaram da sede. Outros saíram de lá para visitar amigos e parentes. E tem aqueles que vão comer uma pizza ou um churrasco. Certo eles. Eu também fiz muito disto. Hoje não mais. Passei uma tarde modorrenta vendo a chuva cair. Abri meu bate-papo, papeei um pouco. Logo todos desistiram de conversar com o Velho Escoteiro que nem assunto tem. Pensei em ir para a cama. Dormir tão cedo assim?

                      Ligo a TV. Nada de novo a não ser um futebol raquítico da segunda divisão. Ainda bem que meu cruzeiro foi campeão. Não vi o jogo. Não tenho mais paciência para ver um jogo até o final. Voltei ao meu Computador. Pensei em escrever. Uma ideia me veio à mente: - “Porque não dizer a todos que sou candidato a presidente do Brasil”? Mãos na tecla. O tema era interessante. Já tinha reservado quinze reais para minha campanha. Muito? Também achei. Vou fazer ela de ônibus. Direi quais são minhas metas. Velho não paga passagem e Irei de ponto em ponto dizendo que sou candidato. Será que vão me ouvir e votar em mim?

                      Fiquei pensando nos meus quinze merreis. Dinheiro demais. Vai fazer uma falta danada. Se os partidos querem três bi o que eu vou fazer com quinze merreis? Fiquei pensando se fosse eleito. Tudo pode acontecer vocês não acham? Iria morar no Jaburu ou no Alvorada? Duvida cruel. Não sei se sabem, mas Jaburu e Caburé se revezam na feiura. Eu conheço os dois. Tem uma vantagem são calmos e se souber tratá-los com cortesia deixam se acariciar sem reclamar. O presidente Temer adora o Jaburu. Ele encontra com seus comparsas pela madrugada. Tenho pena da Marcela. Sempre dormindo sozinha.  

                     Mas e se for realmente eleito quem vai ser o vice? O Ministro da Fazenda? Da Educação? Será que irei precisar de tantos ministros como hoje? Melhor pensar nos meus amigos aqui da Face. Ou até mesmo os sem Face. Será que eles aceitam meu convite? Irão querer avião da FAB de graça? Passagens internacionais? Será que vão querer ir ao Jamboree sem pagar? E o segundo escalão? Escoteiros? Escoteiras? Seniores e Guias? Ou quem sabe os pioneiros e pioneiros? Difícil ser presidente. Estou quase desistindo.

                     Apago tudo. Não quero ser presidente. Vai dar muito trabalho. Até que andar no Avião Presidencial aquela aeronave Airbus A319CJ deve ser um barato. Irei mudar o nome dela para Escotismo Presidencial. Já pensou? Vou colocar a Flor de Lis antiga. A nova é torta e sem graça. Dizem que é estilizada. Deve ser estigmatizada isto sim! Apaguei tudo. Chega destas bobices de ser Presidente do Brasil. E agora o que vou fazer? Conversar no Bate papo? Com quem? Quem irá gostar de bater um papo com o Escoteiro velho chato maniento que nem assunto tem?

                      Começo a rodopiar no Google. Nada e nada. Tudo sem graça. A chuva continua lá fora. Chove a cântaros. Minha filha e meu genro estão na sala vendo novelas. Um dia fui noveleiro hoje não mais. Pois é... Continuo pensando que posso mudar o Brasil. Mudar? Como? E o Congresso Nacional? Eita turma danada. Ganham os tubos, cada um tem mais de trinta capangas e ainda querem mais. Sabiam que gastam por dia vinte e onze bilhões de reais por ano? E ainda querem se candidatar para roubar de novo. Parando. Se um dos congressistas ler o que escrevo vão mandar me prender.


                       Chega por hoje. O Velho sente saudades dos sábados e das reuniões. Quase não parava na sede. Era bom demais pegar um ônibus um trem e sair por aí sem destino. Será que vou fazer isto novamente na minha nova roupagem quando voltar por aqui? Dizem que demora. Passe-se mais de cem anos para um novo nascimento. Não vai ser mole retornar e encontrar a mesma EB e os mesmos estilos de ser servido. Escotismo, que saudades. Ainda bem que reencarnando não vou lembrar-me do passado. Isto é bom ou ruim? Sei lá, mas não dizem que uma vez escoteiro sempre escoteiro?

Nota de rodapé: - Escrever hoje o que? Assunto? Sábado danadamente modorrento. Quem sabe dizer a todos que resolvi me candidatar a Presidente do Brasil. São quinze mil seguidores e outros tantos nos meus blogs. Trinta mil votos da para começar? Mas será que vão mesmo votar em mim? Boa bisca você Chefe. Lá não é o seu lugar!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os Caqueanos estão voltando.


Conversa ao pé do fogo.
Os Caqueanos estão voltando.

                  Urra! Bravoô! Anrê! Os Caqueanos estão voltando às origens. É bom? Para mim é ótimo, para alguns outros tanto faz e para aqueles que instituíram a vestimenta é sinal de contrariedade. Verdade? Nada disto, estou apenas “farreando” um assunto já gasto e que não importa a quase ninguém do escotismo moderno. O Escotismo que a EB está criando e que a maioria aceita sem pestanejar. Mas isto não é o correto? Acho que sim. Li aqui outro dia um comentário de um Escotista já antigo, daqueles que passaram por muitas funções e que é claro nas suas palavras: A disciplina do escoteiro e do Chefe é ponto de honra para o Escotismo Nacional!

                  Um bravoô para ele! (hoje estou dando muitos bravos, tenho que maneirar). Eu não sou assim, sou meio indisciplinado. Bem melhor explicar para todos entenderem. A disciplina em nosso movimento é fantástica. Mas não temos o direito de discordar? Se tudo que se faz, se modifica se ordena fosse democrático, com consultas, com pesquisas e respeitando a individualidade, eu assino em baixo que a disciplina tem que ser respeitada.

                  Não vou voltar novamente o que penso da vestimenta. Foi imposta e aceita por quase oitenta por cento do nosso efetivo. Ninguém pode confeccionar. Tem de comprar da EB e pronto. Deu-se liberdade para quem quisesse ficar com o caqui e sem pestanejar deram uma guilhotinada no traje. Pobre traje! Mas vá lá que muitos estavam bagunçando o coreto e precisa de uma podada para nos fazer iguais como membros sócios da EB. Sinceramente? Eu até aceito a vestimenta, mas como está sendo usada por alguns, desculpe. Não dá para aceitar. Qualquer um pode ver que a sociedade não nos vê com bons olhos. Porque pelo menos não ter uma norma firme, de apresentação pessoal, sem imitar o que não deve ser imitado?

                 Pois é. Eu fico feliz que os Caqueanos. Eles estão retornando. Muitos orgulhosamente e garbosamente já se apresentam conforme pede o figurino do uniforme. Você não vê camisas fora da calça, não vê meiões caídos, não vê calçado colorido e se orgulha quando um se apresenta na sua melhor pose. Li outro dia um artigo de um entendido em apresentação pessoal que disse: A apresentação pessoal diz muito da nossa personalidade, daí ser tão precioso vestir-se bem. Diz que somos julgados o tempo todo e se não apresentamos conforme a situação pede, podemos ser mal interpretados. Quando você não está corretamente vestido está sendo visto com “maus olhos” pelas pessoas que observam você.

                 Mas vamos parar por aqui. Afinal os “çabios” da EB determinaram como vestir a vestimenta. Abriram mão para a modernidade (?), criaram uma apresentação que foi adotada por muitos e inclusive Velhos Escoteiros como eu. Desculpe, fico triste quando vejo alguém fazendo a promessa, recebendo a IM, liderando um curso escoteiro com a camisa fora da calça, meia curta de várias cores, chapéus ou bonés tirados da imaginação. Ah! Volta a Gilwell? Assim?

                 Mas aí estão eles. Os Caqueanos. Até o chapéu de abas largas está de volta. Estupendamente na molécula craniana. Legal mesmo. Interessante, alguns estados Brasileiros aderiram pouco à vestimenta. Outros ficaram no caqui. Meu estado de origem não se vê nenhum caqueano. Por quê? Ah! Liderança que segue sem pestanejar. E depois me disseram que quem decide é a unidade local. Os grupos. Quantas histórias eu podia contar das imposições, dos elogios dos chefes que já fizeram sua escolha, e os meninos? Sigam o Chefe e sejam felizes.

                 Parabéns a você se veste um caqui ou uma vestimenta com orgulho e boa apresentação. Parabéns a você que se apresenta bem uniformizado. Ainda bem que tem vestimenteiros que sabem usar seu uniforme. Palmas longas e sinceras aos do Mar e do ar que sabem se apresentar bem com suas performances de raízes que nunca perderam. A gente sabe e se não sabe devia saber que a primeira impressão que temos de um escoteiro, é normalmente formada quando você o vê, como ele se apresenta e melhor ainda quando lhe dá um aperto de mão.

                 Eu um Velho Chefe Escoteiro gagá, já mais prá lá do que prá cá, ainda me sinto no direito de dizer: - Sou um caqueano de raízes. Sou um caqueano que ama seu uniforme. Dele nunca irei me separar. Nenhum líder ou Rei irá dizer o que eu devo usar. Ele o caqui fez de mim o que sou. Com ele fui e sou um escoteiro feliz, um acampador emérito, um aventureiro que conquistou o que sempre sonhou para si. Obrigado a Deus e a Baden-Powell por ter me dado o amor escoteiro. Setenta anos escoteirando, setenta e sete vivendo. Ainda bem, pois a felicidade escoteira mora em meu coração.



Nota de rodapé: - O sorriso é fundamental quando nos apresentamos. Cara fechada fecha as portas para o sucesso. Com bom humor e um sorriso você pode conquistar o mundo. A primeira impressão que temos de uma pessoa é quando vemos como está vestida, quando você a cumprimenta, pois este gesto simbólico de satisfação faz parte da nossa maneira de ser. Seja você é um exemplo e mostra a todos que estão a sua volta que sabe se apresentar orgulhosamente quando veste seu uniforme ou vestimenta meus parabéns! 

domingo, 24 de setembro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Ser Velho é um barato... Mora!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Ser Velho é um barato... Mora!

                  Hoje domingo lá vou a bengalar por aí. Como sempre minha mente passeia olhando a vida como ela é. Divirto-me com muitos amigos e grandes pensadores, pedagogos e aconselhadores quando escrevo artigos de minhas impressões sobre a velhice. São tantos a especificar o que é velhice que acho que eu mesmo ainda não entendi o que é ser velho. Um grande professor escreveu:

                  - Velha é a pessoa que perdeu a vontade de aprender. Velha é a pessoa cheia de verdades e sem disposição para aceitar a diversidade de opiniões, as diferenças individuais. Velha é a pessoa que faz tudo sempre da mesma maneira e que se irrita quando as circunstâncias a obrigam mudar. Velha é a pessoa que não quer mais ler, estudar, participar. Velha é a pessoa que desistiu de olhar para o mundo e para os outros. Velha é a pessoa que sente piedade de sua própria velhice e curte a solidão do abandono, fechada num quarto de espelhos, culpando o mundo pela sua infelicidade. Assim, ser velho ou velha independe da idade cronológica, pois há pessoas de pouca idade que vivem dessa maneira. 

                 Outro grande pensador e pedagogo escreveu assim: - IDOSA é a pessoa que tem muita idade; VELHA é a pessoa que perdeu a jovialidade. A idade causa a degenerescência das células; a velhice causa a degenerescência do espírito. Por isso, nem todo idoso é velho e há velho que ainda nem chegou a ser idoso.

                 Caramba! Acho que tenho de mudar meus pensamentos. Ora bolas eu gosto de ser chamado de Velho e nem vem que não tem ser chamado de Idoso. Que os digam os famosos articulistas, os famosos mensageiros do bem, mas não adianta, sou mesmo um Velho e por cima chato, cheio de manias e outro dia um dia me disseram que sou egocêntrico. Fui olhar no dicionário e vi que egocêntrico se refere ao egocentrismo, relativo ao ego (?) e descreve alguém que se considera como o centro de todo o interesse. Seus sinônimos são entre tantos: - Egoísta narcisista e metido. Mama mia! Sou tudo isto?

                 Tem gente que morre de medo de ficar velho. Dizem com orgulho que estão passando para a terceira idade. Outro dia tentei calcular quem pertence à Primeira idade e a segunda idade. Francamente me perdi em teses matemáticas e fiz tantos cálculos que preferi parar. Mas diacho, com meus setenta tantos anos não tenho direito de ficar velho? Tenho que ficar idoso e passar para a terceira idade? Será que tem a quarta idade? Risos. Não sei e acho que lá não chegarei.

                  Um amigo muito esperto me disse: Vado escoteiro você sabe quando está ficando velho quando começa a ver a coluna dos obituários nos jornais. Sempre olha a idade dos que se foram para o outro lado da vida e comparar com a sua. Bem ainda não cheguei lá, portanto não estou velho, mas presto uma atenção “danada” quantos anos tinha os que se foram desta para a melhor. E necas de reclamar que estou ficando surdo, tusso muito ao falar, minha operação de catarata sempre adiada, minha respiração ofegante e minhas pernas que não me obedecem mais. Mas não sou velho, sou idoso, dos bons, pois mente fervilha para pensar e escrever.

                 Como diz o velho pensador articulista num mundo de mudanças velozes, cuidar da cabeça é fundamental. Temos que ter coragem e decisão para aprender coisas novas e, principalmente, desaprender as que não nos servem mais. E ainda ter sabedoria para distinguir as novidades passageiras, dos valores permanentes que devem ser mantidos e preservados, apesar das mudanças na tecnologia e na ciência. Honestidade, ética, respeito e lealdade são valores permanentes. Da mesma forma são a família e as amizades. 

                E você? Como se sente? Você é velho (a) ou jovem? Putz! Pegou-me de calças curtas. Sou velho ou idoso? Deixa prá lá. A vida é assim, uns tem e não podem outros podem e não tem. Eu agradeço ao Senhor pelo que tive e tenho. E sempre alerta para todo mundo!



Nota de Rodapé: - Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns as enfrentam com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação. Marcel Proust.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A tropa escoteira dos meus sonhos. (parte I)


Conversa ao pé do fogo.
A tropa escoteira dos meus sonhos. (parte I)

                  Dos meus sonhos? Uma tropa para que eu possa dizer que é minha? Que fui eu quem a fiz? Não. Está não é a tropa escoteira dos meus sonhos. Se eu pudesse, se voltasse no tempo eu não iria me prender a mania de grandeza, de poder, de superioridade. Nunca iria dizer que sou o melhor Chefe que existe, pois não sou. Faria de minha humildade o sinônimo de servir. Nunca vou esquecer que meus melhores dias foram em tropas escoteiras apesar de que fui Akelá e também um Chefe Sênior do qual muito me orgulho. Nesta tropa dos meus sonhos o sorriso seria obrigatório onde todos aprenderiam a liderar e serem liderados.

                Não seria uma tropa onde todos seriam empurrados e nem ficassem preocupados com o apito do Chefe. Meu programa seria simples, feito com diversas mãos principalmente dos monitores. Teria uma boca para falar, mas dois ouvidos para ouvir. Na sede teria um horário de início e fim, mas o meio não. O horário seria conforme o interesse e o sorriso da tropa. Teria elasticidade para mudar se necessário. O relógio seria um complemento e mais nada. Nesta tropa os escoteiros seriam os donos do programa. Meu julgamento se tudo estava perfeito não iria existir. O perfeito é os jovens que iriam dizer. Somente os resultados seriam importantes em um programa feito por todos.
               
                Nesta tropa dos meus sonhos o respeito e a individualidade seria questão de honra para todos e aceito com dignidade. Haveria uma fila para formação, mas esta não seria como uma escala hierárquica para chegar ao topo. Quem sabe um sorteio, quem sabe determinado em um conselho de Patrulha ou uma escolha pessoal exceto monitores e subs. A importância maior é que todos estivessem satisfeitos e soubessem que eram uma equipe unida e fraterna. O Monitor era mais um e não o único. Eu nunca iria determinar ou indicar quem seriam os monitores. Seus amigos da Patrulha seriam os responsáveis para elegê-lo.

                 Sua formação e adestramento seria realizado pelos demais monitores onde eu seria mais um na Patrulha só nossa. Ali eu teria condições de analisar, coordenar, e deixar que todos pudessem assimilar dentro de seu estilo e personalidade sua liderança. Eu nunca seria um Chefe cheio de obrigações e responsabilidades. Faria minha parte como orientador amigo e aconselhador. Nesta tropa dos meus sonhos os monitores teriam parte importante no seu desenvolvimento. Nesta tropa teríamos como objetivos liderar e sermos liderados.

                  Baden-Powell comentava que o Chefe é o líder de seus monitores, ou melhor, o Monitor dos monitores. Se eles fossem bem formados e adestrados a Patrulha teria um alto grau de conhecimento técnico e as reuniões mais divertidas. Eles teriam tempo para conversar e ensinar aos demais. Eu daria a todas as condições de aprender o respeito, o amor, a vida no campo, como atingir o objetivo da formação escoteira e os monitores seriam partes importantes para a aplicação do método de fazer fazendo.

                  Nesta tropa dos meus sonhos eu seria um amigo, mais que um irmão. Faria questão de conhecer a cada um, ter a oportunidade de conversar a sós ou em dinâmica de grupo, desenvolvendo suas potencialidades, ouvir seus pais, visitá-los, As reuniões de sede iriam existir, mas as atividades de campo teriam prioridade. Seja em um fim de semana, seja em um final de sábado ou domingo. Iria ensinar a eles que a aparência faz parte do nosso crescimento e de nossa apresentação pessoal. Seria exigente com o uniforme, mas iria preparar a todos para que compreendessem sem demonstrar que isto teria um caráter de obrigação.

                 Não teríamos a pretensão de ser o melhor. De ser uma tropa padrão. De ganhar tudo nas competições realizadas internamente ou externamente. Faria sim questão da amizade, do sorriso, da educação e cortesia e de ajudar ao mais fraco. A lei seria lembrada constantemente. Eu confiaria em todos eles na minha presença ou fora dela. Eu faria questão de ter sempre a mão uma carta prego, uma jornada no bairro com um propósito definido. Faria questão que cada um dentro de suas possibilidades fossem exemplos na sua escola, na sua rua e no seu bairro e principalmente com o respeito aos seus pais.

                   E os acampamentos? Seriam incríveis. Deixaria que eles depois de treinados e adestrados, acampassem em um sítio próximo ou de um pai ou conhecido sem a presença dos chefes. Viveriam independente e aprendendo que um dia eles seriam donos de sí próprio ou quando formassem uma família. Nos acampamentos com a participação de todas as patrulhas seriam perfeitos. Se possível em local ermo, com matas, com aguadas maravilhosas, com possibilidades de bambus ou eucaliptos para fazerem suas pioneirías e que cada um deles construíssem sem minha presença seus campos de patrulhas com todas as regalias que pudessem idealizar como espelho de suas moradas.

                   Nesta tropa dos meus sonhos, eu faria tudo para dar a eles um pouco de cidadania, de caráter, de honra e de ética. Não iria nunca obrigá-los a fazer atividades que eles não quisessem. A tropa seria deles e de mais ninguém. E eu faria tudo para isto acontecer, para que eles ficassem por muitos e muitos anos, que eles aprendessem e forjassem um caráter escoteiro para que no futuro pudessem se orgulhar do seu tempo de escotismo. Se alguém um dia saísse ele seria ouvido e suas razões anotadas e discutidas com quem ficou na tropa. Seria para mim ponto de honra manter todos fazendo escotismo não só por um ano, mas sim por muitos e muitos anos.

                   Eu teria muito mais para contar se pudesse voltar no tempo e fazer a tropa escoteira dos meus sonhos. Eu daria um belo sorriso quando recebesse um lobo da jângal, pois iria fazer dele mais um da irmandade e fraternidade da tropa. E quando um dos escoteiros atingissem a idade da rota sênior teria a preocupação dobrada. Enfim, iria fazer tudo para que o escotismo de cada um deles fosse também o sonho que tiveram quando um dia entraram para os escoteiros.        

Breve mais relatos da tropa escoteira dos meus sonhos.

Nota de rodapé; - Quem não gostaria de ter uma tropa ou uma alcateia dos seus sonhos? Voce tem o seu? Conseguiu realizá-lo? Sorriu quando viu seu jovem passar para escoteiro ou sênior? Cantou aleluia quando o acantonamento ou acampamento foi festejado por eles e não por você? Pois é, assim somos nós chefes. Todos tem um sonho e tem a liberdade de realizá-los... Se quiserem!