Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Um pouco do autor.





Apenas um Velho Chefe Escoteiro. Nada mais...

Há tempos, me tornei uma cópia de escritor de temas, artigos, tudo baseado no Movimento Escoteiro que conheci desde 1947. Época em que tive a honra de ser aceito como lobinho da matilha marrom. Os anos passaram e quando passei a frequentar a elite escoteira nacional, comecei também como tantos a dar sugestões, sentindo a necessidade de manter viva na memória o escotismo como o conheci. Desde 1968 que escrevo sobre tudo. Nunca desisti das minhas escritas. Para alguns sem valor para outros uma confirmação do que acreditam como eu.
  
“Histórias que os Escoteiros não Contaram”, foi o título inicial. Nem me lembro mais porque dei este nome, quem sabe por que fui o primeiro a escrever fascículos desta maneira. Me copiei de antigas publicações do Delta, um comissário de um condado inglês que me trouxe muitos dividendos. Comecei a escrever em 1986. Não parei mais. Surgiram outras fases, e minha escrita foi aumentando até chegar aos dias de hoje com mais de cinco blogs escoteiros e mais dois enveredando por caminhos diferentes, o que não é o caso deste introito.

Os fascículos são escritos muitas vezes de forma sucessiva, tentando mostrar o crescimento interior e a evolução dos acontecimentos. Narrado por um "Velho" Escoteiro figura não muito vulgar ao nosso meio, por ser cheio de surpresas, egocêntrico, com manias próprias da idade (nem sempre isto acontece), tem um coração enorme. Acompanhado de sua esposa a Vovó, uma alma cheia de luz, sempre a seu lado, e para completar o trio, um Chefe Escoteiro iniciante, interessado em aprender e que se tornou um amigo inseparável do "Velho".

Aqui não há nomes, indicações de locais, datas. Tudo é fictício, irreal, fatos narrados até podem ser comparativos com varias situações, mas não existe nenhuma forma de censuras a quem quer que seja. Os fascículos não pretendem ensinar, apesar de que alguns acham isto. E fico feliz em que pensem assim. No entanto o intuito é de divertir, conhecer personagens interessantes no nosso meio escoteiro. Claro sempre existe uma “pitada” aqui e ali, destinada a melhorar nossas performances no dia a dia de nossa labuta escoteira.

Repito os fascículos não são para contestação. Como disse não sou um escritor e nem tenho facilidades de expressar com clareza o que penso. Como já dizia Baden Powell, meu conhecimento da escrita foi adquirido na Universidade da Vida. Aceito críticas, sugestões e do fundo do coração desejo que nossos dirigentes alcancem o sucesso que estão buscando. São nossos sonhos desde que entramos para este movimento maravilhoso.

Fiquem a vontade, e olhe, tente ler os artigos conforme sequência numerada. É mais fácil de entender.

Sempre Alerta

Os personagens.

O Chefe Escoteiro é aquele que está na ativa e se preocupando com os rumos do Escotismo. Ele não se preocupa em ser um chefão. Quer apenas ajudar aos jovens na sua trilha de aventuras.

O "Velho" não está presente, já participou do Movimento, acredita ainda em toda a metodologia criada pôr Baden Powell, mas aceita as mudanças com  ressalvas. É um “chato”, excêntrico e tradicionalista pôr natureza!

 Vovó é aquela que ficou em casa, vendo a vida passar junto ao  seu marido dando tudo de si para o Escotismo esquecendo-se dela mesma e cuidando da família. Existem mulheres assim. São minoria, mas existem!

O Chefe Escoteiro, o Velho e a Vovó fazem o triunvirato das histórias dos fascículos. Todas as personagens são fictícias. O escotismo hoje é totalmente diferente do passado. Não pretendemos sugerir aqui onde se basear para a prática do melhor escotismo. Mas você pode ter uma melhor compreensão de tudo para que suas ideias sejam clareadas e sua mente compreenda melhor como praticar e conhecer o escotismo.


Contatos por e-mail - elioso@terra.com.br

A natureza do jovem no escotismo ou fora dele. Por Baden-Powell.



A natureza do jovem no escotismo ou fora dele.
Por Baden-Powell.

- À medida que entramos na nossa carrancuda velhice, temos tendência a esquecermo-nos de que em tempos fomos jovens. A primeira coisa a fazer é, pois, estudar o próprio rapaz; descobrir os seus gostos e antipatias, as suas qualidades e defeitos, e orientar por estes a sua educação. Os rapazes querem variedade. Não fiques surpreendido quando eles se cansam de uma coisa. Mantém-te alerta, tem já pronta a seguinte. Uma criança não pode estar quieta durante dez minutos quanto mais horas inteiras, como por vezes se lhes exige na escola.

- Temos de nos lembrar de que está atacada mental e fisicamente, do «frenesim do crescimento». O melhor remédio para isto é mudar de assunto, deixá-lo sair para uma corrida, ou para uma dança guerreira. Há cinco por cento de bem até no pior dos carácteres. O que é interessante é descobri-lo, e depois desenvolvê-lo até atingir uns 80 ou 90 por cento. O rapaz tem em geral absoluta confiança nas próprias forças. Por isso não gosta de ser tratado como criança nem que o mandem fazer coisas ou lhe digam como hão-de fazê-las.

- O rapaz é geralmente fino como uma agulha. O rapaz não é capaz de se apegar a um trabalho durante mais de um ou dois meses porque precisa de mudança. Quando encontra alguém que se interessa por ele, o rapaz corresponde e vai para onde o levam. Os rapazes são ordinariamente amigos leais entre si, e a amizade é quase um sentimento natural neles. Gosto de comparar o homem que procura levar os rapazes a estarem sob boa influência a um pescador que pretende apanhar peixe. Se o pescador iscar o anzol com a comida de que ele próprio gosta, é provável que não apanhe muitos peixes. Usa, portanto, como isca, o alimento de que os peixes gostam.

- O mesmo se dá com os rapazes, se tentarmos pregar-lhes aquilo que consideramos coisas elevadas, não os apanharemos. A única maneira é estender-lhes alguma coisa que realmente atraia e os interesse. Porque é que a psicologia do rapaz se pode comparar a uma corda de violino? Porque precisa ser afinada no tom exato, e pode então emitir música a valer. Em grande parte, o rapaz adquire a correção do espírito através de ações corretas, na medida em que a ação do homem é inspirada pelo seu espírito.

- É por isso que encorajamos no Lobinho a seguir no Escoteiro, o hábito de praticar boas ações, e é assim que através das ações se desenvolve nele o espírito de ser útil; e por último, como Escoteiro e como homem, é o espírito que o inspira a servir e a sacrificar-se. Se um homem não consegue entender-se em dez minutos com rapazes que não esperam por outra coisa, devia ser fuzilado!

Lord Baden-Powell of Gilwell, do seu livro: - Rastros do fundador!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Luz! Câmara! Ação!



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Luz! Câmara! Ação!

                         Estava pensando em fazer uma transmissão ao vivo no Facebook.  Falar de escotismo... Novidade? - Tem assunto melhor? Estarei vestido a caráter, pose de Baden-Powell com sua linda bengala presente de M’hlala Panzi um Chefe Zulu que o apelidou de “O Lobo que nunca dorme”! Vestirei o meu caqui querido, calça curta sim senhor! Colocarei as poucas medalhas que me deram e depois quiseram tomar. Meus certificados de Agradecimento e de Mérito não vão aparecer. Impossível colocá-los na parede para dar um ar importante neste vídeo da minha imaginação.

                        Tão falado nos meus contos, não posso deixar de lado o meu bastão com ponteira de aço, duas e meia polegada, construído com um belo tronco de uma Jataipeba, escolhida entre as melhores tais como o Pau-Santo, a Abiurana, o Angelim-vermelho e tantas outras. Zé Venâncio foi quem deu o acabamento na ponteira de puro aço inox de Molibdênio vanádio e que por anos manteve intacta a ponta fina que escolhi.

                       Deslumbrado com meu plano, nem prestei atenção à campainha. Sempre tem um chato para não me deixar sonhar. Sou educado, insatisfeito com a interrupção do meu plano fui até lá. Dois caras de terno e gravata azul com o emblema da Rede Globo. – Gritaram: O Doutor José Bonifácio de Oliveira, vulgo Boninho quer o senhor fazendo um vídeo de uniforme para saudar o futuro Presidente, General Bolsonaro. General? Só rindo. Não voto nele nem morto!

                      Nem sei por que me procuram. Até o Boachat me quer no seu programa e recusei. Sabia que dia menos dias o Silvio Santos ia telefonar! O que estava havendo? Meu plano era falar de “escoteiro” num vídeo mixuruca do Youtube. Afinal minha voz parece taquara rachada, não aguento mais do que três minutos e essa turma me quer para ser poste do Brasil? Foi só falar e a rua encheu de carro preto último tipo. Lá estava o Michel Vampiro, o Alkmin Picolé de Xuxu, o Gilmar aquele “soltudo” dizendo que era meu fã. Luciano na calçada gritou: Vado Escoteiro! Dá-me seu apoio e levo seu pálio 2003 batido prú Lata Velha!

                     Deus do céu! O que estava havendo? O Lula gritando com um Cohiba Behike soltando fumaça e na outra uma 51 que bebia no gargalo sorria para mim. A Marina desceu sem graça, num vestidinho de chita só para mostrar que era lá do Sertão Amazonense. E não foi só ela. Uma enorme fila se formou no portão da minha barraquinha bangalô onde não cabe quase ninguém. O primeiro da fila era claro o Bolsonaro, o prendo e arrebento. Em seguida o Álvaro Dias, depois o Arthur Virgílio, O Ciro Gomes, o Cristovam Buarque o Eyamel cantando que é um “democrata cristão”, a Manuela D’Ávila o Enrique Meirelles e o Rodrigo Maia.

                      Vi ao Longe o Collor, o homem do saco roxo, e o Temer com sua capa de Drácula rindo feito um danado pensando que também podia chegar lá. Assustei! Fiquei “inté” com medo de tanta gente fardada. Ainda bem que o Moro e o Bretas não deram as caras.  Gente o que este povo achava que eu sou? Escrevo contos, faço pilheria e gozação com a turma do CAN e da DEN, mas eles merecem! São chatos de galocha! Não vou convencer ninguém para presidente. Façam-me favor, desta turma que está aí se juntar todo mundo não vale um sorriso de um lobinho pata tenra entrando na Alcateia e dando o grande uivo pela primeira vez!

                  Pensei comigo, vou matar esta turma de raiva. Fui lá dentro, coloquei meu lindo uniforme caqui (adoro pacas!) e meu chapéu de abas largas, peguei meu bastão ponteira de aço inox, do lado à faca tipo Stallone, meti três doses do meu uísque Ballantines e duas pedras no bucho e fazendo pose de Baden-Powell retirei meu cachimbo um autêntico Dunhill que não usava a mais de trinta anos, olhei aquela cambada na minha porta e dei o grito Zulu de guerra!

                   Minha pose era do velho Stallone, adoro sua pose de machão mal amado. Gosto de sua voz, firme, forte como se fosse derrotar o mundo. Lembrei-me do que disse ao fazer o Rambo XXIII: - Se o meu maldito corpão aguentar vai ser muito bom. Caso contrario, não vai ser Rambo Lutando, vai ser meu fã numero um o Arnold Schwarzenegger. Não vou gritar com a boca aberta, Banguelo não tem vez. Tentarei ao máximo não tossir, pois caso contrario eu sei que vou cair! Esta turma vai conhecer o Vado Escoteiro, que pegou uma onça pelo rabo e a jogou para Shery Kaan matar a fome!

                  Se o Daiello, o Joesley o Cabral e o Geddel chegar, levo eles para Curitiba. O CAN e o DEN que se vire para registrá-los no PAXTU! Ora bolas, queria fazer um vídeo, um simples vídeo nas páginas do Facebook. Para dizer a verdade, seria sem altivez... Eu nem sabia o que diria. Quem sabe na hora H cantaria o rataplã? E agora esta turma quer meu apoio para desgraçar a nação? Nem morto, nem morto Senhor Presidente da UEB!

                Ops! Acordei! Era a Célia me abraçando. Eita querida mulher, hoje seu aniversário, vou beijá-la, abraçá-la e vou esvaziar minha garrafa de Royal Salute 62 Gun 1000 ml, precinho camarada, só três mil dólares! E depois nas horas dos comes e bebes duro como estou vou oferecer um bom café mateiro, sob um céu estrelado, numa Jangál de mata fechada, a fogueira subindo aos céus e ficarei pensando: Este ano não voto nesta cambada! Nem que O Presidente da Região Escoteira de São Paulo vire bodoque! Upalalá!

Nota – Vez ou outra dá na telha escrever besteira, sem eira nem beira só para divertir. Se você é um autêntico puxa saco desta cambada que quer ser presidente, ou se é um perfeito candidato a formador e diretor da UEB, não vale a pena ler. É com eles que me divirto! Kkkkkk.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As coisas não são como a gente quer.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As coisas não são como a gente quer.

                   Não são mesmo. Já pensou você olhar uma pessoa e dizer o que pensa? Se for seu tipo tudo bem se não forem serão palavras mordazes que ninguém quer ouvir. Não isto não pode acontecer. Temos que refrear o pensamento nossos impulsos. Já pensou você em um curso escoteiro, cansado, vontade louca de dormir e um formador falando, e falando e falando... Será que ele gostaria de ouvir o que tinha a dizer? Seria seu fim como Chefe escoteiro.

                   Isto sem contar seu Chefe, seus amigos antipáticos e até mesmo quando reclama de Deus por não satisfazer seus desejos. Mas ele é diferente, ele ouve ele entende. Ainda bem! Mas hoje não vou falar dos que nos cercam, vou ficar no escotismo. Como faço dele uma filosofia de vida adoro expressar o que penso e o que não posso fazer. Ah! Escotismo. Pensando bem o que seria do amarelo se todos gostassem do azul?

                  Diz a poetiza se todos nós fossemos iguais, ninguém tendo de menos ou demais, quão monótona esta nossa vida seria quanto sossego, quanta calma... Que tédio que paz... Já pensou? Ô Chefe, deixa de ser malandro, bacana, seja um pouco de nós! E a Chefinha, bonitinha, conquistando o Chefe e quem sabe é seu marido? Coisa boa não vai acontecer!

                 E o Dondinho lobinho filhote da chefona, que quer a todo custo das especialidades e sem ter idade o Cruzeiro do Sul? – Putz! Que raiva! E a mamãe Zezé, a mamãe Lurdinha pegando no meu pé? Chefe e meu filho? Só tem trinta especialidades e o filho da Neném tem quarenta? Pô! O melhor é calar. Xarape! Não diga nada pode se magoar ou magoar alguém.

                Eu não sou fã de carnaval. Sempre achei que estes dias eram bons para acampar. Uma vez me oferecem cem reais para tocar meu clarim no Desfile do Ilusão Esporte Club. Famoso na minha cidade na época. Cem paus não eram de desprezar. Eram três dias e com trezentos paus eu iria comprar uma faca nova e um canivete suíço. Aceitei! Vestiram-me uma bata azul na frente do carro alegórico. O cara me beliscando; - Toca. Toca! Que vergonha! O som fanhoso!

               Um dos diretores encheu um lenço de lança-perfume. Enfiaram em minha cara, em questão de minutos toquei tanto que se houvesse ali algum Faraó ele me levaria para ser seu representante do povo... Tocando Clarim! Mas voltemos ao tema. Hoje como sempre recebi diversos pedindo para entrar em minhas páginas. Não nego. Nunca neguei. Mas preciso de nome, de foto de algum a identificar. Nem sempre colocam.

               Francamente não é fácil parabenizar alguém com nome de Periquita Bruxa Louca, Juvenal Xerife Escoteiro ou Maria fulana dos Campos do Arrebol. E as fotos? É educado e gostoso olhar o perfil de alguém. Principalmente uniformizado. Adoro. Mas lá vem os sem camisa, os tatuados (?) os cheios de brinco (Putz!), os fazendo caretas, os caras de gato ou cachorro e aqueles que fazem apologia aos seus candidatos.

              Pensando bem é melhor não abrir mão de falar e dizer o que quiser. Iremos ofender muita gente. Um sorriso nos lábios e um palavrão na mente. E olhe chega de Chefe feroz, dizendo que vai fazer isto e aquilo. E aqueles que não perdoam? E os que se comprazem a ficar discutindo pontos de vista na postagem de alguém? Brucutu! Vou ficando mais doce, deixando o azedo no ar. Bom demais ser velho. Muitos aceitam mesmo não querendo aceitar.

              Vou me demitindo e partindo, indo prús raio que o parta! Abraços fraternos, um aperto de mão, mas como vou abraçar e apertar a mão do fantasma sem foto, a cara do gato, do cachorro ou do papagaio? Gente mil desculpas. Cada um tem livre arbítrio para ser o que quiser! Excelente carnaval. No lugar dele eu preferia um bom e ótimo acampamento escoteiro. Este sim iria me fazer vibrar!

Nota – Meu comentário de hoje é que se você tem no seu perfil a cara do seu gato, do seu cachorro ou do seu papagaio, não leia esta crônica não vale a pena. E se não tiver foto no seu perfil cuidado, pode um dia virar fantasma e sair por aí!

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Lendas para fogo de conselho. A ardilosa Acará do riacho Vermelho.


Lendas para fogo de conselho.
A ardilosa Acará do riacho Vermelho.

                      Podem dizer que é invenção. Podem dizer o que quiserem. Não me importo, juro pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico das Mercês que é verdade. Afinal tenho mais três testemunhas (infelizmente todas já se foram para ao grande acampamento). Seis experientes escoteiros sendo enganados por um peixe? Fiquei deveras preocupado com o acontecido. Isto nunca aconteceu antes. Como uma simples pescaria um peixinho “mixuruca” deu um baile em quatro primeiras classes? E sem me gabar, me considerava um grande pescador.

                        No Rio Doce pesquei todo tipo de peixe. Era “bamba” na pesca do Timburé. O peixe que não era para qualquer um pescar. Um dia até peguei um com as mãos quando mergulhava num remanso lá pelos lados de Derribadinha.

                  Mas vamos contar o que aconteceu. Acredite quem quiser. Nosso Chefe era muito amigo do Seu Chico das Mercês. Ele tinha um sitiozinho lá pelos lados de Malacacheta. Um sitiozinho, mas querem saber? A cavalo precisava de três semanas ou mais para percorrer a divisa com outras fazendas. Gostávamos de acampar lá. Não era longe e ele era um amigo do peito dos escoteiros. Uma floresta fechada linda a sumir de vista. Cinco córregos e ainda o Rio Vertente cruzava de norte a sul em suas terras. Um local perfeito.

                  Nada que menos de duas horas de bicicletas não resolvesse a viagem (parece que eram duas léguas de distancia, mais ou menos doze quilômetros). Em janeiro de 1954 nas férias fomos acampar lá. Só a minha Patrulha Lobo. Grupo fechado em férias, a nossa Patrulha Lobo reclamava de não fazer nada. Porque não acampar? Melhor ainda, vamos levar só sal e óleo e lá nos viramos? Desafio era conosco. Éramos quatro primeiras classes. Experiência era o que não nos faltavam.

                      Primeiro dia, montamos uma cabana para substituir as barracas. Cabia mais de oito escoteiros. Chegamos às três da tarde. Seu Chico sempre rindo. Era uma festa para ele nossa chegada. – Jantem comigo hoje, disse. Obrigado Seu Chico, mas sabe como é. Pretendemos acampar próximo ao Córrego Vermelho e não é perto. - Entendo ele disse. Mas cuidado. Não contem com as acarás de lá. São danadas de espertas. Todos riram. Peixe esperto? Só mesmo o seu Chico para dizer isto.

                     Eram quatro horas da tarde e achei um local com muita minhoca “puladeira”. Perfeito. Era a melhor para a ocasião. Cortamos eu e o Fumanchu duas varas de bambuzinho Chinês e em minutos tínhamos tudo preparado. Romildo e Israel, Tonhão e Alaor ficaram no campo fazendo uma mesa e um fogão suspenso.  Achamos um belo remanso. Água cristalina. Lá no fundo uma bela de uma Acará nadava se mostrando ser a maior e melhor. Enorme. Rabo vermelho. Um jantar perfeito.

                     Joguei a linhada e aproximei o anzol de sua boca. Ela deu uma nadou para trás. Fui mais próximo e ela escondeu em uma galhada. Perdi meu anzol. Fumanchu tentou e nada. Tinha reservas. De novo ela andando de ré. Subia até a superfície pulava e sumia. Aparecia em outro remanso bem abaixo. Corríamos até lá e nada. A maldita sumia e aparecia em outro remanso. Já ia escurecer e não tínhamos pegado nada. Caramba! E as traíras? E os lambaris? Só aquela maldita Acará?

                  Não podíamos desistir. A fome ia chegar e comer capim? Programa de índio. Foi então que resolvemos fingir que íamos embora. Voltamos rastejando pé ante pé e vimos o inusitado. Não era uma, eram mais de vinte Acarás. Elas fingiam ser uma só. Impossível? Já disse, juro pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico. Combinei com Fumanchu. Você joga a linha mais no meio e eu no inicio do remanso. Vamos nos encontrar bem devagar. Pelo menos uma vaia morder.

                    Sabem o que elas fizeram? Uma fila indiana como se estivessem a escrever a palavra “otários” no fundo do remanso. Não acreditei. E elas então ficaram juntas e vieram até a borda da água e fizeram biquinhos como estar dando risadas. Voltamos sem nada. Uma noite sem comer não mata ninguém. Na volta achei um pé de banana maçã. Quebrou o galho. Nossa pescaria mudou de rumo. Agora íamos até o rio Vertente. Lá não teve problemas. Uma pescaria das boas com piaus e corvinas.

                   De vez em quando ia até o remanso e ficávamos olhando as Acarás. Elas sempre vinham à tona e abriam sua boquinha como a dizer: - Otários! Acho que esta foi minha melhor história de menino escoteiro. Sei que ninguém vai acreditar, mas fazer o que? Contei isto à vida inteira em Fogo do Conselho e ninguém acreditou. s escoteiros. Os seniores gostaram tanto da piada (assim disseram) que foram acampar lá e também foram tapeados pelas Acarás.

                   Na tropa e nos Seniores não houve quem não tentasse. Pela primeira vez, a Patrulha Lobo foi enganada por um bando de Acarás. Um peixinho que todos dizem ser mansos e agora eu mudei de opinião.

                E quem quiser acreditar tudo bem, quem não quiser paciência.  Mas não se esqueçam de dizer a todos que eu juro que é verdade. Pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico das Mercês. Nota – O Cavalo Baio nunca existiu. Era uma lenda que Seu Chico contava e ninguém acreditava!

Quem quiser que conte outra, pois entrou por uma porta e saiu por outra!

Nota - Poderia contar outra história. Tenho várias prontas para postar. Mas me lembrei desta pescaria. Foi demais. Um peixe chamado Acará que deu um verdadeiro banho na Patrulha Lobo. Não acreditam? Eu juro pela alma do Cavalo Baio do Seu Chico das Mercês. Não sei se ainda está vivo, mas ele me contou que foi ele mesmo quem adestrou a peixarada par enganar os escoteiros. Risos.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Leis, normas princípios, regras e o escambal!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Leis, normas princípios, regras e o escambal!

                 Eu tive uma época que fazia muita continência para os mais velhos, os chefes, os monitores e quando via um dirigente ficava durinho quem nem pau de sebo nas noites de São João. Mas sempre tive liberdade para escoteirar. Meu livro da vida tem páginas e paginas escoteirando, em uma época de mamãe e papai legal. Mãe! Vô acampar! Posso pegar a ração B? – Vem cá que te ajudo filho! E lá ia eu com a Patrulha, pegando uma estradinha, uma trilha, uma serra montanhosa ou até mesmo um vale florido locais que amava acampar e cantar meu Rataplã.

                 Dizem-me que hoje tudo mudou. A modernidade, a esperteza de “enricar” cobrando para acampar, as diretrizes impostas cerceando a liberdade de ir e vir, o ECA feito pelos homens sem perguntar aos meninos se isto é bom, e os sabidões escoteiros a dizerem para onde o menino sonhador deve ir. Nossa! Eu nunca poderia ser escoteiro hoje. Sêneca bom sujeito dizia que se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre. Se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico. Danado de Sêneca inteligente!

                 Não quero tirar a liberdade de pensamentos de ninguém ou a forma de curtir e expressar o escotismo como gosta de fazer. São tantos a dizerem que o escotismo mudou sua vida, que agora é outro eu prefiro não comentar. Prefiro deixar o tempo passar e ver se daqui a dez, trinta sessenta anos o pensamento é o mesmo. Eu cá no meu canto do mundo, vejo muitos me procurando para ser meu amigo e quando escrevo o que não gostam, se mandam sem nada dizer. Quá! Ancê só ficô um muncadinho chefão? Num gostô? Se manca entonse!

                Pois é, hoje tô mais prá lá do que prá cá! Não preciso mais prestar continência a ninguém. Não me registro em nenhum lugar. Sou um passarinho que gosta de voar sem rumo e direção. Se me querem bem saio de braço dado, como dois irmãos que se querem bem. Ao contrário, se se acham importantes demais, se tem uma visão firme do bom escotismo que deve ser feito, eu digo: - Asta lá vista, Baby! O Barão de Montesquieu era mestre em dizer que liberdade é o direito de fazer tudo que as leis permitem. Mas quá! Que liberdade é essa?

               Eu fui em minha vida escoteira muitas vezes desafiado, amado, desprezado e chacoalhado no meu ego de menino homem sonhador. Dei belas gargalhadas nas minhas andanças escoteiras. Vibrei com a natureza em flor. Em uma jangada de piteira no Rio Paraopeba, dormi o sono do Beija Flor e acordei molhado ao cair da Cachoeira dos Macacos. Bati palmas para o nascimento de um pintassilgo que caiu do seu ninho e eu o voltei para o lugar. Eram “coisas” descobertas que valiam uma vida escoteira e não tudo programado para ser como os homens dirigentes hoje querem.

               Danadamente cresci. Matuto do interior fui jogado como Chefe de um campo sênior. Vibrei! Gritei! Amei cada dia vivendo com aquela rapaziada de um passado que nunca esqueci. Fizeram-me importante. Chamaram-me Comissário e Adestrador. Quatro tacos chefão! Disse o Diretor geral. Logo eu um matuto que só sabia escoteirar. Foi então que comecei a entender Mahatma Gandhi ao dizer que quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhum tirania pode escravizá-lo.

              O menino mineiro escoteiro virou homem. Não mais saia para lobear. Sua bicicleta pneu balão deixou de existir, a carretinha que cantava musicas eternas no óleo das rodas de madeira se calaram. Agora era ver homens se digladiando. Cada um tentando ser mais importante. Sempre a dizer que na sua vida escoteira se dizia o meu menino, o meu Monitor, a minha Patrulha a minha tropa e o meu grupo. Tudo meu. Quanto pagou? Ser Insígnia, diretor, presidente, mostrar que tem mil idéias para fazer o escotismo melhor. Melhor? Como o meu ou o seu?

                Eu naquela luta de “criolo doido” recorria quando podia a um emérito pensador: - Apague Chefe as minhas interrogações. Porque estamos tão perto e tão longe? Faça o favor me ajude a acabar com as leis da física, mesmo sendo escoteiro será que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar? Mineirinho “Turrão” fui empurrando minhas ideias até ver que nem tudo que reluz é ouro.
   
               Hoje vivo de histórias. Chamam-me de contador de histórias. Uma honra! Mas saibam que fiz escotismo. Escotismo dos “bão”. Melosamente digo que entendo pacas. Já não posso mais correr mundo. Botar uma mochila nas costas, escolher o vento sul e o vento norte para achar o meu caminho. Vejo valentes dirigentes até hoje usurpando o poder que Baden-Powell não deu. Não sabem abraçar, dizer desculpe, eu não queria ofender! Não sabem ou desconfiam que a Lei do Criador do Escotismo têm tudo para atender o que ele pretendeu dar aos homens e mulheres de boa vontade.

              Um dia vou “bater as botas” ainda não decidi se vou a escoteira ou natural. Lá no buraco fundo não me olharei no espelho, ele não vai dizer que sou feio, ele não vai dizer nada. Tudo vai se decompor. Se for prú céu eu não sei. Mas de uma coisa eu sei, levo comigo a paz, a fraternidade e o amor. E termino com Allan Kardec: - Todas as leis da natureza são leis divinas, pois que Deus é seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

               Um grande e fraterno abraço. Quem sabe um dia todos irão entender que não tem o melhor, não existe o chefão! Afinal somos ou não somos todos irmãos?


Nota - Quanto escrevo o que não gostam uns ficam outros se vão. Mas eu ainda me dou o direito de discordar, de achar que o caminho da estrada não é o que percorremos. Se tivéssemos um pouquinho de boa vontade, de ouvir o outro que quer falar seria bom demais. Todos são peças importantes no trabalho em equipe, cada um representa uma pequena parcela do resultado final, quando um falha, todos devem se unir, para sua reconstrução. Motivação, parceria, trabalho em equipe, o segredo do sucesso. Nada mais a dizer.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. A volta dos que não foram.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A volta dos que não foram.

- Seu nome? – Osvaldo Excelência.
- Osvaldo de que? – Ferraz Excelência.
- Não me chame de excelência. Não sabe quem sou eu?
- Me disseram que era o Senhor São Pedro. Usei o termo excelência para dar uma conotação de respeito.
- Esqueça! – Excelência quem usa são seus políticos que antes de se pegarem no tapa ou nos palavrões se chamam uns aos outros de excelência!
- Seu nome não consta da minha lista. Ele disse com cara fechada.
- Senhor São Pedro quem sabe podem ter escrito Vado Escoteiro, sou muito conhecido lá na terra assim.

- Anjo Gabriel! – Venha cá. Era um anjo enorme, mas simpático.
- Pois não São Pedro!
- Vá até o Armazém 185.487 próximo a Constelação de Andrômeda. É aquela galáxia espiral próxima a Via Láctea, aquela que tem seu nome derivado da princesa mitológica Andrômeda. Chegando lá procure o arquivo, ou melhor, o Dossiê deste tal Vado Escoteiro. – Não demore, pois a fila está grande demais e amanhã vou viajar para o espaço sideral. Fui chamado pelo Mestre!
- Olhei para São Pedro assustado. Tinha oito anos que estava nesta fila e agora vem me dizer que não estou na lista? – Notei a um quilômetro de distância um vermelhão que parecia ser chamas altas pegando fogo. Seria lá o inferno?

- Licença São Pedro! – Posso lhe dar uma palavrinha?
– Diabos, era um tipo metido a besta daqueles que gostam de uma camiseta, um lenço amarrado nas pontas, claro barrigudo como eu e com a camisa fora da calça. Arre! Olhei melhor e pelo novo lenço sabia que era da Liderança Nacional que mete o bico em todo lugar. Agora até no céu tem disto? - Fale Chefão! Disse São Pedro.

- Chefão? Aqui também?
- Senhor São Pedro, este reles chefinho lá na terra cria caso, fala mal dos Grandes e Poderosos Chefes da UEB, agora chamada de Magnífica e única EB. Ele é metido a escrever histórias e faz artigos dizendo cobras e lagartos da nossa amada direção. Seu séquito seguidor no Facebook é pequeno, uns gatos pingados e mais alguns nos seus blogs fajutos. Nosso Conselho de Ética pediu para não dar colher de chá. Se eu fosse o Senhor, chamava logo o Chifrudo para levá-lo as prefundas dos infernos!

- Minha nossa! Onde amarrei minha égua? Até aqui estes tipos da Comissão de Ética tem voz e voto? Eu nunca tive essa regalia escoteira e agora me julgam como um insurreto maldito? Maldição, pelas barbas do Profeta Maomé. Logo que puder irei declarar guerra a esta cambada que só querem ver minha caveira no Inferno!

- Achei Senhor São Pedro. Era o Anjo Gabriel que chegou para me salvar...
- Me deixa ver! – São Pedro começou a ler. A fila a reclamar. Até aqui a fila não anda. Um chefinho daqueles novos, recém-enfeitado com o Lenço da IM cheio de “meu pé me dói”, deixando a barba crescer pediu para usar da palavra.

- Fale disse São Pedro e seja breve, tem uma fila de mais de 35.000 quilômetros e nem todos irão para o céu. Não tenho comida para todo mundo e muitos anjos escoteiros bondosos irão chegar. A Policia Escoteira Galáctica também vem.

- Pois não Senhor São Pedro. Acho que a triagem que fazem quando chegamos é falha. Só o senhor para atender este mundão de gente? Se morreu, bateu as botas Então que seu destino já esteja traçado. Perder tempo sem uma boa internet não dá. Se quiser posso vender celulares e Smartphone da ultima geração. No Whatsap são identificados na hora.  Preços a perder de vista. Vendo no cartão e cheque pré-datado. Se quiser pode comprar também no novo site da EB – PAXTU!

- Deus meu! Estes vendedores escoteiros estão em todo lugar! Mas gostei dele. Gente boa. Virou para São Pedro e disse: - Pedrinho, Se este paspalho foi Escoteiro dê a ele uma oportunidade. Afinal ele já foi lobo e escoteiro e deve ter feito muitas boas ações!

- Procurei meu bastão com ponteira de aço. Aproximava uma “diabada” vestimentada e tinha de me defender. Lembrei que ele foi confiscado quando cheguei por aquela amor de anja linda sardenta de cabelo vermelho. Era mesmo linda de morrer! Ops! Mas eu já não estava morto? - São Pedro apitou três vezes. Apito? No céu? Nem um chifre do Kudu? – Reunir quem? A chefaiada que toma conta do céu? Pensei eu. - Não era, chegaram 14 demoniozinhos escoteiramente vestimentados.
- Levem este sapo boi para o inferno. Veja com o Doutor Presidente Capeta um bom lugar para ele. Dizem que é indisciplinado, não tem registro na UEB e fica tirando onda de Chefão. A meu pedido que ele queime pelo menos cinco milhões de anos!

- Nem morto! Nem morto! Eu gritava.
- Paspalho dizia a capetada, você está morto! Não volta mais na terra. - Mas me mandaram para a fila de São Pedro! Eu disse. Mereço uma chance! - Não deram bola. Arrastaram-me até a beira de um precipício. Lá em baixo um fogaréu enorme. Eu esperneava, gritava e pedia a ajuda de todos os santos.

- Um senhor idoso simpático, muito bem uniformizado, com um chapéu Escoteiro de fazer inveja fez um sinal para me largarem. – Na sua fleuma escoteira muito usada em Gilwell Park disse: - Vou levá-lo comigo para o Grande acampamento! - E agora José? Pelas barbas de Maomé! Vou para o inferno ou para o Grande acampamento? Já pensou ficar bilhões de anos em volta de uma fogueira cantando, ouvindo historias Escoteiras e comendo banana assada? Será que vou aguentar?

- Pulei no espaço rumo às chamas vermelhas do inferno cantando o rataplã e a canção da despedida. Afinal não era mais que um até logo não era mais que um breve adeus!

- Marido! Marido! Acorda! Não aguento mais esta sua gritaria nos seus pesadelos. Afinal não tem nenhum sonho lindo para sonhar? – Eita mulher amada. Sempre me salvando destes meus pesadelos infernais. Ufa! Levantei e fui tomar um uisquezinho para melhorar meu humor. Um Chivas Regal 18 anos com quatro azeitonas pretas fizeram efeito. Fui para minha varanda e comecei a cantar sob o aplauso dos vizinhos o rataplã. Minha vizinhança é supimpa. Não tem nenhum dirigente escoteiro! Viva!


Nota - Se você não gosta das minha gozações quando tenho pesadelo, melhor não ler. Aqueles mais “chegados” a EB ou UEB sei lá, não irão apreciar meus dotes humorísticos de Velho Chefe Contador de Histórias e Bravatas. Deu sopa? Meto o pau em dirigentes que ainda não aprenderam a verdadeira fraternidade escoteira. Kkkkkk.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As férias Escoteiras do Chefe Tibúrcio.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As férias Escoteiras do Chefe Tibúrcio.

                      Não discuto. Posso dizer sem errar que são merecidas. Afinal enfrentar uma estrutura de um grupo escoteiro juntamente com sua atividades profissionais e familiares durante um ano não é para qualquer um. Conheci um Chefe Escoteiro que quando chegava o fim do ano ele se entristecia nos últimos sábados de reunião. Como não era muito dado a dar ouvidos aos escoteiros ele fazia questão de fazer o programa sozinho. Programa? Imagine! Rabiscava antes de sair uns horários que ele chamava de BOIA. No jargão Escoteiro significava “Bandeira, oração, inspeção e o A eu fico pensando até hoje que podia significar”. Alerta? Avante? Pois é.

                     Ele sabia que ao chegar à turma já estaria dando um arranco numa “pelada” e poucos estariam em seus cantos de Patrulha. Quem sabe uns poucos lá estavam, pois sonhavam em receber um dia o seu Lis de Ouro. Coisa impossível já que naquela tropa isto era um “sonho impossível”. O tal Chefe adorava quando julho chegava, e em dezembro e janeiro ele se mandava com a família para a praia. Ainda bem. Era um Chefe que tinha algumas posses. Um carrinho, uma casinha, um empreguinho que lhe dava um tudo extra para viajar.

                    Um dia, um “Lambisgoia Escoteiro” lhe perguntou: - Tibúrcio, (era o Chefe) você sabe quantas horas se dedica aos seus escoteiros? - Ele olhou de banda com raiva e não disse nada. Ele sabia, já tinham dito para ele. Quatro reuniões de sábados por mês, no caso dele multiplicado por nove meses seriam trinta e seis reuniões. Muitas? Poucas? Mas e as atividades extra sede? Os acampamentos e excursões? Os desfiles? Os “limpa lixo” para se mostrar que são mestres em colaborar com a comunidade? Ele preferia ficar calado. Não tinha assistentes e só ele para suar de “coitado”.

                  No início tentou motivar sua “patroa” para entrar. Deu como exemplo o Zeca Pantufa cuja esposa era uma excelente Chefe de lobinhos. Nada. Ela foi algumas vezes, mas viu que ali não era sua praia. Seus dois filhos vibraram no início, mas agora iam mais por exigência dele. O interessante é que tinha meninos querendo entrar apesar de muitos querendo sair. Querendo não, eles saiam mesmo. Sumiam e não davam mais notícias. Não adiantava ele vociferar que se não viessem até dia tal estariam expulsos.

                Quando fez seu primeiro curso até que deu uma “vibratória” na sua mente. Planejou horrores coisas “fantásticas” para sua tropa. Como diz o velho ditado, “Uma Volta a Gilwell” pode ajudar. Até que sim. Depois viu que os cursos eram mais burocráticos, uma preocupação enorme em ferir os “estatutos do adolescente” Cursos para saber como funciona a Nave mãe, aprender a “mexer” com o tal PAXTU que elegantemente em prestigio a última morada do Chefão, substituiu o famoso SIGUE. Infalível nas suas informações e contra-informações. Técnicas de campo nada!

                Ele pensava porque os escoteiros não aproveitavam nas férias os Campos de Férias que ofereciam estupendas atividades e que sempre vivem lotados. Ele fazer um acampamento escoteiro de longa duração? “Necas de catibiriba”. Adorava suas férias, viajava, descansava e muitas vezes pensou em passar o bastão de chefia para outro. Tocou no Assunto com Nicodemos o Chefe do Grupo e nada. – Não tenho ninguém em vista.  Pensou como Ponte Alto do outro grupo ainda participava com todos nas férias, fazendo acampamentos de longa duração.

               Deixemos Tibúrcio com seus problemas. Ele agora retorna das férias. Sua “patroa” cobra dele muitas atividades sociais nos fins de semana. Seus filhos têm outras escolhas. Ah! Seria bom se eu entrasse de férias escoteiras para sempre! Pensava tristonho quando se dirigia para mais uma reunião. E eu aqui no meu cantinho das minhas criações ainda me “batuto” se devemos ou não ter férias no escotismo. Quantas horas escoteiramos por ano? Vai dar tempo de preparar a escoteirada ou a lobada para conquistar seus sonhos?

              Ainda bem que não tenho férias. Sendo aposentado não faço nada. Chega de escrever, a todos meu Sempre Alerta sem o famigerado SAPS. Já falei dele por aqui. É madeira de dar em doido a preguiça de dizer Sempre Alerta para Servir. Podem rir, eu tenho os meus motivos. Qualquer dia desse retorno para encher a paciência e contar a longa e saudosa história do SAPS. Até as próximas férias... Se Deus quiser!

Nota - As férias estão terminando. Os Grupos Escoteiros de volta as atividades. Poucos acamparam durante as férias e outros sabem que uma parte da escoteirada e lobada não vão estar presentes nesta primeira reunião. Quem sabe muitos irão desaparecer para sempre. É sempre assim, fim de férias novo recomeço. Bem vindos! Boa caça! Avante para o campo e que seja muito poucas, mas muito poucas mesmo as reuniões de sede.

       

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Uma questão de principio ou... Hábito de comportamento.


Conversa ao pé do fogo.
Uma questão de principio ou...
Hábito de comportamento.

                      Estamos vivendo uma fase “Sui Generis! No escotismo Brasileiro. Quem sabe acontece também em países considerados de primeiro mundo. Para alguns o método Badeniano é imutável para outros sujeitos a adaptações. Sinais de novos tempos. Hã! Novos tempos! Isto abre a porta para muitos que chegam ao escotismo e veem aqui um manancial para liberar suas ideias e criatividades. Se você comenta sobre o que disse BP tem vários para contradizer. Sempre com a mesma alegação: - Tempos modernos”.

                     Não sou um estudioso do escotismo em outros países. Lembro-me do Embaixador Juracy Magalhães em 2014 quando disse: - “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil” – Ele ironizava os “entreguistas” nos anos 70 e 90. Agora fazemos o mesmo. Países da Europa e dos EUA são modelos. Os que têm maior número de membros como Indonésia (8,1 milhões) Índia (2,4 milhões) Filipinas (1,8 milhões) Tailândia e Bangladesh com seu milhão não servem como exemplo.

                  Mudar? Alterar? Novas normas e novas metodologias? Pode até ser. Não discuto. Mas quem disse que irá dar os resultados esperados? Temos sofrido uma série de mudanças, de experimentos, afinal somos cobaias? E os países copiados, deram certo? Falar da Inglaterra onde nasceu o escotismo ou dos americanos com sua perfeição de primeiro mundo fico na duvida se serve para nós. E tudo foi mudando. Veio o Traje, a Vestimenta, o novo programa educativo tão decantado, mudaram o símbolo da flor de lis, das especialidades, dos distintivos de classe. Tudo isso diziam para o “bem do escotismo”. Os outros estão mudando Chefe! Precisamos mudar também! Novos tempos!

                  Não discuto quando tudo é discutido com as bases, as Unidades Locais, e quais foram os resultados. Não sei se é o nosso caso. Basta alguém escrever sobre BP sua metodologia, para vir um dizer que hoje se ele estivesse vivo faria diferente. Será que Jesus Cristo se estivesse entre nós hoje faria tudo diferente? Bom para pensar, mas só vendo poderíamos dizer. Cada um tem seu principio de normas ou padrões de conduta. Alguns se calam outros alardeiam.

                 Para aqueles que viveram o escotismo no passado o hábito de comportamento foram mantidos. Viveram assim e acreditam que este é o escotismo verdadeiro. Alguns preferem ficar em OF não se manifestando. Outros aceitam as mudanças sem se manifestar. É um direito. Uns poucos adoram mostrar seus conhecimentos burocráticos tentando provar como se fosse de alguma religião mostrando o que se deve compreender dos versículos bíblicos. - Quais os resultados? Deram certo? Temos exemplos para dar?

                 Não sei se li ou alguém me contou que os Americanos quando pretendem mudar parte do seu programa escoteiro eles escolhem algumas tropas que durante anos são observadas e testadas na nova programação ou metodologia. São anos e anos. Só quando os jovens estiverem na fase adulta eles terão as respostas para a mudança em todo o efetivo. Aqui no Brasil? Muda-se da noite para o dia. E se não deu certo alguns meses depois se muda de novo.

                 Não vou ficar repetindo se o método Badeniano é o melhor ou não. Todos que ingressam no escotismo já devem conhecer. Será que os novos dirigentes tem direito a mudar toda uma história, todo o trabalho de um homem que criou este movimento com tantos adeptos? Reclama-se que não se pode mais fazer campismo, que o aprender fazendo pode ser feito de outra forma, que o jovem de hoje não tem condições de assumir seu próprio desenvolvimento e que o Sistema de Patrulha não é tão importante. BP é ultrapassado, o moderno trazido pelos novos pensadores e pedagogos tem muito mais valor?

                Discute-se hoje tanto que nem sei se este caminho é o sucesso com que todo esperam. Liberdade, fazer fazendo, ouvir os jovens, acampamentos, uniformização, garbo e boa ordem são aos poucos substituídos por outras maneiras que não aquela tradicional do fundador. As reuniões de sede são frequentes. O campo é difícil de ir e nem sempre o líder tem tempo para acompanhar. Brinco com minha consciência que hoje temos muito mais Chefes Turistas que no passado. Eles não se importam com o simbolismo, a mística, nem ligam para o tradicional. Adoram viajar, ser “staff” namorar quando se pode e vestir do jeito que gosta.

                Não sou contra adaptações desde que discutidas e levantando-se em consideração o que pensam as unidades locais. Que tenha contendores de ambos os lados. Do presente e do passado. Seguro-me no que sempre pensei. Precisamos mudar os estatutos, dar direito a todos do escotismo, adultos ou não de poder participar de sua vida escoteira. Dos maiores poder votar e ser votado, de ter direitos em todas as convocações legais e estatutárias e poder discutir e deliberar nos temas propostos.

                Sei que não sou um “expertise” no escotismo. Já temos demais deles atuando. Mas eu gosto de expressar meu pensamento. Não sei se tenho direitos, pois vive tudo que se pensa no escotismo desde menino lobinho até hoje. Disseram: - Perda de tempo Chefe! Perda ou não bato na mesma tecla. Sinceramente não estou vendo resultados a não ser chefes voluntários falando maravilhas do que fazem. Poucos se dão ao luxo de mostrar o que fazem na realidade. Quantos passou para escoteiros? Quantos ficaram e passaram para sênior? Quantos na sua vida atual dão seu testemunho nas vantagens da educação escoteira?

               Enfim, mais uma vez levanto minha voz. Nas letras e ideias somente. A minha voz real não existe mais. Se os tempos bons estão chegando eles não são mais os meus. Vida longa ao escotismo, que ele não caia nas mãos de pensadores e pedagogos demagógicos que irão mudar tudo o que um dia fez o nosso fundador.


Nota – Para não perder o andar da minha caminhada de Velho Chefe Escoteiro, mesmo trôpega, continuo escrevendo o que acredito na minha formação escoteira. Disseram-me que sou um contestador e não existe nada de útil nas minhas palavras. Prefiro me esconder na frase famosa dos mexicanos: “Ai Gobierno soy contra” – “No hay Gobierno? Soy contra também”! Alegria de velhos escoteiros duram pouco. Logo quem sabe estarei assistindo a tudo isso em um palco criado no universo, onde poderei aplaudir ou chorar com os resultados.