Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Um pouco do autor.





Um pouco do autor.

Há tempos, me tornei uma cópia de escritor de temas, artigos, tudo baseado no Movimento Escoteiro que conheci desde 1947. Época em que tive a honra de ser aceito como lobinho da matilha marrom. Os anos passaram e quando passei a frequentar a elite escoteira nacional, comecei também como tantos a dar sugestões, sentindo a necessidade de manter viva na memória o escotismo como o conheci. Desde 1968 que escrevo sobre tudo. Nunca desisti das minhas escritas. Para alguns sem valor para outros uma confirmação do que acreditam como eu.
  
“Histórias que os Escoteiros não Contaram”, foi o título inicial. Nem me lembro mais porque dei este nome, quem sabe por que fui o primeiro a escrever fascículos desta maneira. Me copiei de antigas publicações do Delta, um comissário de um condado inglês que me trouxe muitos dividendos. Comecei a escrever em 1986. Não parei mais. Surgiram outras fases, e minha escrita foi aumentando até chegar aos dias de hoje com mais de cinco blogs escoteiros e mais dois enveredando por caminhos diferentes, o que não é o caso deste introito.

Os fascículos são escritos muitas vezes de forma sucessiva, tentando mostrar o crescimento interior e a evolução dos acontecimentos. Narrado por um "Velho" Escoteiro figura não muito vulgar ao nosso meio, por ser cheio de surpresas, egocêntrico, com manias próprias da idade (nem sempre isto acontece), tem um coração enorme. Acompanhado de sua esposa a Vovó, uma alma cheia de luz, sempre a seu lado, e para completar o trio, um Chefe Escoteiro iniciante, interessado em aprender e que se tornou um amigo inseparável do "Velho".

Aqui não há nomes, indicações de locais, datas. Tudo é fictício, irreal, fatos narrados até podem ser comparativos com varias situações, mas não existe nenhuma forma de censuras a quem quer que seja. Os fascículos não pretendem ensinar, apesar de que alguns acham isto. E fico feliz em que pensem assim. No entanto o intuito é de divertir, conhecer personagens interessantes no nosso meio escoteiro. Claro sempre existe uma “pitada” aqui e ali, destinada a melhorar nossas performances no dia a dia de nossa labuta escoteira.

Repito os fascículos não são para contestação. Como disse não sou um escritor e nem tenho facilidades de expressar com clareza o que penso. Como já dizia Baden Powell, meu conhecimento da escrita foi adquirido na Universidade da Vida. Aceito críticas, sugestões e do fundo do coração desejo que nossos dirigentes alcancem o sucesso que estão buscando. São nossos sonhos desde que entramos para este movimento maravilhoso.

Fiquem a vontade, e olhe, tente ler os artigos conforme sequência numerada. É mais fácil de entender.

Sempre Alerta

Os personagens.

O Chefe Escoteiro é aquele que está na ativa e se preocupando com os rumos do Escotismo. Ele não se preocupa em ser um chefão. Quer apenas ajudar aos jovens na sua trilha de aventuras.

O "Velho" não está presente, já participou do Movimento, acredita ainda em toda a metodologia criada pôr Baden Powell, mas aceita as mudanças com  ressalvas. É um “chato”, excêntrico e tradicionalista pôr natureza!

 Vovó é aquela que ficou em casa, vendo a vida passar junto ao  seu marido dando tudo de si para o Escotismo esquecendo-se dela mesma e cuidando da família. Existem mulheres assim. São minoria, mas existem!

O Chefe Escoteiro, o Velho e a Vovó fazem o triunvirato das histórias dos fascículos. Todas as personagens são fictícias. O escotismo hoje é totalmente diferente do passado. Não pretendemos sugerir aqui onde se basear para a prática do melhor escotismo. Mas você pode ter uma melhor compreensão de tudo para que suas ideias sejam clareadas e sua mente compreenda melhor como praticar e conhecer o escotismo.


Contatos por e-mail - elioso@terra.com.br

“Espírito de Patrulha”.


“Espírito de Patrulha”.

Uma vez quando visitava uma tropa escoteira o Chefe me apresentou aos monitores. Um deles me olhou longamente e perguntou: - Chefe o que é o Espirito de Patrulha? – Não titubeei e respondi:

- O Espírito de Patrulha é a disposição moral, é a atmosfera especial e o ambiente em que a Patrulha se desenvolve, criada entre seus escoteiros. Sua presença se manifesta até nas palavras mais insignificantes nos fatos e gestos de cada jovem. “O mútuo auxílio e abnegação são as duas virtudes principais que irradiam o Espírito de Patrulha.”.

E parodiando Roland E. Philipps completei: - Tendo como base a Promessa e a Lei, os meios para fazer germinar e enraizar profundamente o Espírito de Patrulha são: - A Bandeirola da Patrulha - O Código da Patrulha - O Lema, a Divisa o Grito da Patrulha sem esquecer o Canto de Patrulha e o Diário da Patrulha. Ele gostou da resposta e sorriu para os demais que nada mais perguntaram.

Nota em “Sugestões para o Chefe Escoteiro” você encontra tudo sobre como preparar o Espírito de Patrulha através de seus monitores.

- Peça em PDF no meu e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A origem de Donald e seus sobrinhos Escoteiros.


A origem de Donald e seus sobrinhos Escoteiros.

- Quem quando jovem não se divertiu com Donald e seus Escoteiros-mirins?  Quem um dia não ambicionou a ter um Manual do Escoteiro–Mirim? São histórias que ficaram gravadas em nossas memórias em uma época boa dos Gibis e principalmente dos personagens da Disney que tanto nos encantaram. Conheçam a história deles.

Huguinho, Zezinho e Luisinho.

                        Certo dia, Donald ao chegar a casa encontrou três simpáticos patinhos que traziam uma carta. Na carta, a prima Anita pedia que Donald cuidasse dos "três anjinhos" por algum tempo. Logo de cara, os "três anjinhos" deram-lhe de presente, uma caixa de bombons recheados de pimenta, fizeram mil gracinhas que quase deixaram o Donald maluco. Era o tipo de enredo das colunas publicadas em 1937 nos Estados Unidos, quando os sobrinhos de Donald apareceram pela primeira vez. Eles eram o resultado do trabalho de Alfred Taliaferro, um dos desenhadores da Walt Disney. Este sentiu a necessidade de ampliar o mundo de Donald, que tinha vivido até então na esfera familiar de Mickey.

                       Donald, que era um dos alvos preferidos das brincadeiras dos traquinas sobrinhos de Mickey, acabou por ganhar os seus próprios sobrinhos: três de uma vez só! Nos primeiros tempos, os três patinhos eram terríveis: adoravam atormentar toda a gente, especialmente o tio, e, além disso, detestavam tomar banho e ir à escola! Com o tempo, porém, eles foram criando juízo e, de meninos traquinas, transformaram-se em espertinhos patinhos. Escoteiros-Mirins.

                        Desde as primeiras histórias de Donald, os três sobrinhos já acompanhavam o tio em muitas aventuras. No 1º número da revista O Pato Donald (1950), publicada pela Editora Abril, os três patinhos apareciam com Donald e Tio Patinhas na história "Donald e o Segredo do Castelo". Mas nessa época chamavam-se Nico, Tico e Chico. Só mais tarde receberiam os nomes que têm hoje. De vez em quando Huguinho, Zezinho e Luisinho vestem a roupa de Escoteiros-Mirins, partem para ajudar aos outros e proteger a natureza e os animais.

                       Como Escoteiro-Mirins, consultavam sempre o fabuloso livro que os tirava de quase todas as dificuldades "Manual do Escoteiro-Mirim", o qual apareceu pela primeira vez em Março de 1954. Esse Manual ficou tão famoso que foi necessário publicá-lo "de verdade" com aquela riqueza de informações. O primeiro fez tanto sucesso foi logo seguido de um segundo do volume.


                      Os três sobrinhos tornaram-se Escoteiro-Mirins em Fevereiro de 1951, na revista Walt Disney's Comics Stories (n.125), como criação de Carl Barks. Os três escoteiros tentavam, nesta história, conquistar o posto de Brigadeiro General nos "Junior Woodchucks" (nome inglês original para os Escoteiros-Mirins). Na edição de Setembro de 1951 (n.132) já tinham conquistado o posto de Generais de dez-estrelas.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

As Fantásticas místicas da Insígnia de Madeira e suas contas.


As Fantásticas místicas da Insígnia de Madeira e suas contas.

                    Há uma profusão enorme de membros por todo o Brasil e no mundo de dirigentes de cursos da Insígnia da madeira. Hoje classificados em DCB (Diretor de Curso Básico) e DCIM (Diretor de curso da Insígnia de Madeira) tem uma escola própria oriunda de Gilwell Park para chegarem a tal honraria. Honraria? Claro que sim. A uma boa gama de escotistas interessados a atingir o patamar de Dirigente de Curso e aqueles que conseguem o Titulo máximo se sentem honrados com tal distinção. No passado os DCC (deputado Chefe de Campo) e AKL (Akela Líder) eram considerados os mestres escoteiros e muitos chamados de Velho Lobo, uma terminologia oferecida aos grandes navegadores e homens do mar, tal qual o Lobo do Mar. O Almirante Benjamim Sodré foi um dos precursores a receber este título. Já escrevi sobre ele em outro artigo. Com a implantação em Gilwell Park de cursos escoteiros, foram adicionadas contas para designar o grau de formação do Chefe portador da Insígnia. Interessante notar que as contas originais não eram simétricas, variando de tamanho e espessura, o que é natural vez que o Colar de Dinizulu (o IziQu) foi feito a mão.

                           Nota-se que as contas originais que serviram de base para a produção das réplicas eram menores do que aquelas utilizadas atualmente. De todo modo a Insígnia de Madeira padrão possui duas contas. À medida que o Chefe participa de uma série de cursos e é escolhido por um dirigente máximo ele passa a ter três contas tais como os DCB (diretor de Curso Básico). A Insígnia do Chefe Diretor de Curso da Insígnia de Madeira possui quatro contas. Conta-se que só existem duas Insígnias de seis contas. A primeira usada pelo próprio Baden-Powell. Além dele foi seu amigo próximo desde o tempo do Acampamento de Brownsea Sir Percy Everett que recebeu a honraria pelo próprio B-P como um presente de reconhecimento pelos bons serviços prestados à causa. A Insígnia de Madeira com seis contas de Sir Percy Everett, foi doada ao Movimento Escoteiro para ser usada pelo Escotista que exercesse o cargo de Diretor de Campo de Gilwell Park.

                    Existe uma dúvida que muitos perguntam. - Se temos uma Insígnia de quatro e seis contas não deveria haver uma de cinco contas? Ela existiu sim, era dada exclusivamente para os chefes Escoteiros especialmente designados para levarem o Curso da Insígnia de Madeira para seu respectivo país. Recebia o título de “Deputy Chief of Gilwell Park” sendo considerado um representante de Gilwell naquele país. Segundo Peter Ford, do Departamento de Arquivos de Gilwell Park, não existe um registro fidedigno de quais chefes tiveram o direito de usar a IM com seis contas. Francis Gidney o primeiro Chefe de Campo de Gilwell Park de 1919 a 1923 e diretor do primeiro curso da Insígnia de Madeira em setembro de 1919 não deixou nenhuma anotação dos seus cursos. Durante a gestão de Francis Gidney fizeram o curso em Gilwell os seguintes escotistas de destaque: o Padre Jacques Sevin, fundador da Scouts de France (percursora da atual Scouts et Guides de France), e que dirigiu o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da França, em 1923, em Chamarande nas proximidades de Paris; o chefe C. Miegl, que dirigiu o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da Áustria, entre 8 e 17 de setembro de 1922; e por fim, o chefe Jan Schaap que dirigiu o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da Holanda, em julho de 1923.

                      Apesar do pioneirismo de cada um, conforme dito anteriormente, não há registro de que eles tenham recebido o título de Deputy Camp Chief, nem que tenham usado a Insígnia de Madeira com cinco contas. Talvez o caso mais famoso envolvendo a Insígnia de Madeira com cinco contas seja o de William “Green Bar Bill” Hillcourt, da Boy Scout of America (BSA). O que ocorreu foi que demorou muito tempo para que o Curso de Insígnia de Madeira fosse adotado pela BSA. As primeiras tentativas, tanto por Francis Gidney quanto por John Skinner Wilson, de implantar o curso nos Estados Unidos, não lograram êxito como nos demais países. O próprio William Hillcourt só recebeu a sua Insígnia de Madeira quando fez o curso em 1936, dirigido por John Skinner Wilson no Schiff Scout Reservation, em Nova Jersey, USA. Nessa época a Insígnia de Madeira com cinco contas já não era mais utilizada, e o cargo de Deputy Camp Chief (D.C.C.) já havia sido extinto.

                      Após isso, demorou mais de uma década para que ocorresse, o primeiro Curso de Insígnia de Madeira da BSA. Isso não só por conta da eclosão da Segunda Guerra Mundial, mas principalmente devido a dificuldades de adaptação. Por fim, o curso acabou acontecendo em 1948, quase 30 anos depois dos primeiros cursos de Gilwell Park. Todavia, apesar do uso da Insígnia de Madeira com cinco contas ter terminado quase vinte anos antes, William Hillcourt, sempre alegou que deveria tê-la recebido, por ter sido o diretor desse primeiro curso promovido pela BSA. Importante lembrar além das contas do Anel de Gilwell. Pergunta-se muito quem foi o autor deste Anel. Dizem que foi Bill Shankley, que com 18 anos era um dos dois funcionários permanentes de Gilwell Park. Utilizou o nó “cabeça de turco” da época que os marinheiros faziam formas decorativas com cordas como hobby. Empregou originalmente uma correia de couro de máquina de costura. Apresentou sua ideia ao Chefe de Campo que a aprovou. Isto tudo no início da década de 1920.

                          Não podemos deixar de ressaltar também o pioneirismo dos Chefes George Edward Fox, que era inglês, e que foi o primeiro portador da Insígnia de Madeira a atuar no país (ele fez o curso em Gilwell Park e recebeu a Insígnia entre 1921 e 1924), e do Chefe David Mesquita de Barros, que era português, e que fez o curso de Insígnia de Madeira em 1929, em Capý na França. Atualmente há uma orientação de que o uso de mais de duas contas na Insígnia de Madeira deve estar vinculado à realização do curso correspondente naquele ano, e assim mesmo, apenas pelo chefe diretor desse curso. Por outro lado, existe ainda uma forte tendência em Gilwell Park no sentido de se utilizar a Insígnia de Madeira com apenas duas contas, inclusive para os chefes que venham a dirigir algum curso de formação.

                                Apesar disso é sempre bom recordar o ensinamento de Baden-Powell no sentido de que a Insígnia de Madeira é o grau de formação mínimo para que um chefe escoteiro possa exercer um trabalho de qualidade à frente de uma tropa escoteira. Mas muito mais importante do que o objeto em si, que é apenas um símbolo, é o que ele representa, ou seja, a qualidade da formação do seu portador, bem como a busca constante pelo aprimoramento por parte do Escotista. No escotismo as tradições e místicas são pródigas em tudo que temos e fazemos para desenvolver o escotismo junto aos jovens. Perder tudo isto sem informar a todos os novos chefes que chegaram ou estão chegando seria um desserviço prestado a memoria escoteira.



Místicas e tradições fazem parte do nosso Histórico Escoteiro Mundial. Baden-Powell foi feliz em deixar para nós uma “pitada” de nossas tradições, onde sempre em uma escala de valores nos mostrou que podemos aprender ensinar e como viver entusiasticamente grandes valores e princípios de ideais. Aqui uma pequena parte de tradições e místicas que nunca serão esquecidas.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Lembranças.


Lembranças.

                               O tempo passou. Estranho né, olhar pra aquele uniforme que já significou um mundo de felicidade pra mim e hoje sentir que minha vida não é mais a mesma. Estranho olhar pra aquele lenço que era o motivo que me fazia levantar pela manhã todos os sábados, e hoje não ter de vesti-lo novamente. Estranho não pensar mais naqueles jovens soberbos, não ficar querendo trazer tudo de volta por tempo inteiro. Estranho não ficar abrindo todas as minhas páginas de anotações e procurar saber sobre cada detalhe da minha vida escoteira, se eu dormi se me lembrei se eu chorei ou se eu sorri.

                             Estranho escutar o Rataplã aquela música que me encantou e não lembrar mais de como foi feliz. A música que salpicava meu coração de orgulho de ser mais um Escoteiro do mundo. Estranho como as coisas mudaram, como eu mudei e principalmente como o escotismo mudou. Estranho como muitas pessoas que já passaram pelo que passei e nunca esqueceram quanto foram felizes junto aos jovens que sempre nos querem bem.

                             Eu costumava dizer que seria um Escoteiro eterno, para sempre, que o amor que eu sentia por ele nunca acabaria. Hoje olho dentro de mim mesmo, e sinto que eu ainda amo ele demais. Mesmo longe desejo a todos que dele participam que sintam o que eu senti um bem enorme que sempre me fez bem. No fundo do meu coração eu quero que todos que labutam em suas hostes sejam infinitamente felizes. Um amor como o que eu senti no passado não acaba assim de uma hora pra outra.

                             Acho que eu me conformei sem raciocinar que nunca daria certo pelo meu gênio explosivo. Não foi fácil decidir e aceitar que nunca poderia continuar e foi extremamente difícil partir. Mas eu não tive outra saída, tive que desistir. E desistir eu sempre disse que faz parte dos que correm da luta, que não insistem por seus ideais. Ser Escoteiro puro nos pensamentos palavras e ações foi à coisa mais difícil que já fiz na minha vida.

                              Agora me arrependo e preciso voltar. Eu tenho que voltar! Eu sei que alguém me machucou, doeu, até hoje ainda dói à maneira com que me trataram. Mas eles são poucos e sei que não representam ninguém e que os outros me querem bem. Mas ninguém precisa saber não é mesmo? A partida sempre foi difícil, mas o retorno sempre é feito de felicidade e amor.  Irei colocar meu lenço, meu uniforme, irei até onde estive e tenho certeza que serei bem recebido. Afinal eu fui eu sou e serei por toda vida um Escoteiro de coração! Meus amigos escoteiros estou de volta!


Meta, a gente busca. Caminho, a gente acha. Desafio, a gente enfrenta. Vida, a gente inventa. Saudade, a gente mata. Sonho, a gente realiza.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

As sementes africanas do escotismo.


As sementes africanas do escotismo.

Indo em direção ao Outspan Hotel em Nyeri os visitantes se defrontam com esta placa fixada em uma árvore numa curva da estrada. (foto anexa). O Outspan tem um monte de visitantes: alguns que vão lá enquanto visitam Nyeri a serviço ou negócios, outros que vão em férias, há aqueles que a usam como base para a escalada do famoso monte, e há aqueles que lá vão especialmente para conhecer a famosa "Paxtu", a última casa de Baden-Powell, fundador dos Movimentos Guia e Escoteiro.

B-P visitou a África oriental pela primeira vez - cada um dos atuais países do Quênia, Uganda and Tanzânia - em 1906, e registrou as suas impressões tanto em palavras quanto em imagens em seu livroSketches in Mafeking and East África, publicado em 1907.

Ele não retornou lá até 1935 quando realizou inspeções de escoteiros em gincanas organizadas em todo o país. Ele então visitou o seu velho amigo, Major E. Sherbrooke Walker, M.C., que foi o primeiro secretário particular de B-P após a fundação do Movimento Escoteiro e que tinha posse da primeira Fiança de Escotista (n.t.: nomeação?) emitida. Após numerosas aventuras Erie Walker construiu o Outspan Hotel in Nyeri e o ainda mais famoso Treetops.

B-P mais uma vez apaixonou-se pela "bela visão das planícies até o topo careca e nevado do Monte Quênia", descrita após a sua visita em 1906, e então quando no inverno de 1937 foi aconselhado pelo seu médico a descansar foi para Nyeiri que ele foi.

`Quando ele nos deixou', escreveu Erie Walker em seu livro Treetops Hotel descrevendo a partida de B-P do Quênia em 1938, `Lord Baden-Powell estava envelhecido. (Ele estava com 81 anos). "Quanto mais próximo de Nyeri, mais próximo da felicidade", ele disse, "Eu voltarei para passar o resto da minha vida no Outspan.”.

'E então ele nos pediu que construísse uma casa de campo antes dele voltar para aquela que ele disse seria a sua terceira e última vez. Ele marcou um lugar no jardim. "Quanto", ele disse, custará para construir uma pequena casa com uma sala de estar, uma ampla varanda, dois quartos, dois banheiros e duas lareiras?
Eu fiz um cálculo rápido. "Doze mil pés quadrados, a dez shillings por pé quadrado", Eu respondi, "chega a seiscentas libras". (O que nós construiríamos a este custo agora!).

`Ele consequentemente te adquiriu ações em nossa pequena companhia com aquele valor, com a qual nós construiríamos a casa, mobiliaríamos, e faríamos um jardim privado, com alegres flores, e com uma fonte e banheira de pássaros em frente à varanda. Ele tinha debatido como chamar a casa e pensou em vários nomes. 'Finalmente ele disse: "Eu chamei a minha casa em Bentley `Pax' por que eu a comprei no dia do Armistício após a Primeira Guerra Mundial. Eu acho que vou chamar a minha casa aqui de `Pax', também (too em inglês).”.
`Após isto ela sempre foi conhecida como "Paxtoo", ou "Paxtu”. '

B-P. e Lady B-P comemorou suas bodas de prata em 1937 e escoteiros e bandeirantes de todo o mundo coletaram um fizeram uma coleta para presenteá-los.

`Nós utilizamos parte do presente de bodas de prata dado pelos Escoteiros e Bandeirantes' escreveu B-P em O Scouter de Maio de 1938, 'para construir para nós mesmos uma casa de campo em Nyeri. Nós a chamamos de "Paxtu", desde que ela será uma segunda "Pax" para nós (two=dois em inglês), e uma lembrança permanente da generosa boa vontade do Movimento. '
Em outubro de 1938, ele retornou para Nyeri para viver em Paxtu, e jamais deixou a África Oriental outra vez.

A casa permanece quase igual quando ela foi construída, apesar do velho teto makuti ter sido substituído por um metálico, e o jardim foi drasticamente arrancado em 1964, mas a fonte e a banheira de pássaros permanecem. A casa agora está junta ao bloco principal do hotel com uma série de apartamentos.
Uma descrição da casa foi feita por B-P em uma carta ao ator, Cyril Maude, em1939:-

`Nós nos sentamos aqui sob um contínuo brilho de sol (com mangueiras para regar nosso jardim) e jamais, desde que nós chegamos aqui, quatro meses atrás, falhamos em ter um dia ensolarado para um desjejum na varanda. Eu anexo uma foto da cabana que nós construímos para nós e achamos ótima de todas as maneiras. Uma sala de estar no centro, com toda a frente aberta, com portas de vidro dobráveis. Em cada lado um quarto de dormir com closet, banheiro, lavatórios, etc. e dependências de empregados ao fundo, com um caminho coberto até o hotel, 200 jardas adiante, de onde vem todas as nossas refeições. Nós temos água quente e fria, com luz elétrica e aquecimento, um jardim encantador (cresceu muito após a foto) e uma gloriosa vista através da floresta e planície até o Monte Quênia com o seu pico nevado. '

Por vinte anos, até a morte da Srtª Miss Corbett em 1963, a casa foi habitada por Jim Corbett, velho amigo de B-P, autor de Man-eaters of Kumaon e outros livros conhecidos, e sua irmã Maggie.

Em 1964 Escoteiros e Bandeirantes do Quênia contribuíram para a compra de um marco que foi colocado no jardim em frente à casa, o qual porta a seguinte inscrição:

"Este monumento foi doado pelos Escoteiros e Bandeirantes do Quênia em memória de Lord Baden-Powell of Gilwell, seu their Fundador, que viveu aqui de outubro de 1938 até a sua morte em 8 de janeiro de 1941."


Ao mesmo tempo o sinal na alameda de entrada e a placa esculpida em cedro (ilustração nesta página) na própria casa foram doados pela Associação Escoteira do Quênia para manter viva a memória do Fundador, e para guiar os incontáveis visitantes que vêm de toda a parte do globo para visitar a última morada do Fundador e sua tumba no cemitério perto dali.

Você sabia que B.P viveu seus últimos momentos em uma casa a quem chamava de Paxtu? Foi em outubro de 1938 que ele retornou para Nyeri para viver em Paxtu e jamais deixou a África Oriental outra vez. Próximo a sua casa, os Escoteiros e Bandeirantes do Quênia doaram um monumento que até hoje se encontra próximo onde está escrito: Em memória de Lord Baden-Powell of Gilwell, seu their fundador, que viveu aqui de outubro de 1938 até a sua morte em oito de janeiro de 1941.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tópicos interessantes anotadas por leigos no escotismo.


Conversa ao pé do fogo.
Tópicos interessantes anotadas por leigos no escotismo.

Alguns tópicos interessantes do escotismo visto por olhos de leigos e que anotaram do que escreveu Lord Baden-Powell.

Primeiro:
- Ele (B.P) dedicou-se aos problemas da educação como observador lucido. Em toda a parte, na Africa, na Índia, na Inglaterra, ele descobriu o que há de extraordinariamente semelhante em todas as crianças do mundo. Como diria Claude Bernard, segundo a qual os indivíduos constroem a sim próprios. Para Baden-Powell, que não fez filosofia, a natureza é uma realidade experimental. Daqui resulta para ele, um humanismo mais profundo que as diferenças de raça e classe.

Segundo:
- O que, em primeiro lugar, ele pede ao educador é que seja um companheiro alegre e que saiba distinguir a coragem, a necessidade de ser tomado a sério, o gosto do movimento, a boa vontade e lealdade que são, quase sempre, o apanágio dos rapazes. Este conhecimento da infância e da adolescência a simpatia que lhe merecem, resume-se no grande principio que fazem do saber descobrir as qualidades adormecidas sob os efeitos, a chave para o sucesso da educação. O ar livre é por excelência a escola da observação e compreensão das maravilhas deste grandioso Universo. Ele abre o espírito, ensinado a apreciar a beleza que está diariamente diante de nossos olhos e que não vemos. Ele revela aos jovens das cidades esse mundo de estrelas que se escondem atrás dos arranha-céus, e que as luzes das cidades e as fumaças das fábricas não permitem admirar. Ele proporciona a visão das nuvens vermelhas do pôr do sol, resplandecendo em sua glória, muito além do telhado do cinema.

- Ele fará, por si só, muitas coisas no campo e dará também “uma mão” em muitos trabalhos de pioneirismo (pinguelas, pontes, picadas e caminhos). Sua companhia será sua própria “turma” conduzida pelo seu próprio líder. Ele pode ser um dos da “turma”, mas terá sua própria personalidade. Ele conhecerá a “alegria de viver” pela vida ao ar livre. E isto tem uma grande importância espiritual.

Terceiro.
- Pela palavra Escotismo devem ser subentendidas as características da vida e dos trabalhos dos grandes exploradores e colonizadores, dos bandeirantes e sertanistas, dos descobridores e velhos lobos do mar, e dos pioneiros da aeronáutica, juntamente com algumas dessas vidas, rijas e aventureiras, nós oferecemos aos jovens, um sistema de jogos e práticas que correspondem a seus desejos, instintivos e aspirações e que ao mesmo tempo educativos.

Quarto.
- Até o dia em que começou a exigir. Este dia ele obteve para as crianças espaço e vergonha nossa – Ordenou qual um general, que se os deixassem correr e viver aventuras alegres no seio de uma comunidade fraternal onde se discute uma vida mais honesta ao redor de um fogo sob o céu estrelado.

Quinto.
- Numerosos educadores e profissionais, desde Montessori a Freinet, através de Claparède e Bovet, haviam, separadamente, descoberto as vantagens da autoeducação em oposição aos métodos convencionais de ensino. Entretanto, B.P foi o primeiro a traduzir alguns aspectos de sua própria vida e experiências para um modelo pedagógico e apresenta-los em uma maneira simples, prática e acessível a todos, especialmente aos jovens.


Bem, nada mais a comentar a não ser dizer... Perfeito!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A Tropa de Monitores.


Conversa ao pé do fogo.
A Tropa de Monitores.

Obs. “Um artigo para quem está enfrentando problemas na tropa Escoteira, com saída de jovens, falta de ânimo, monitores que não sabem o que fazer com suas patrulhas”.
      
                    Sabe quando chega a hora de dar uma arrumada nas ideias? Pois é, a gente vai para a sede, olha a tropa e por mais que se dedique parece que nada dá certo. Quando inicia a reunião, faltam um, dois ou mais escoteiros de cada Patrulha. Os monitores perdem o sorriso. A formatura é feita de maneira desleixada. Se você é daqueles que costuma fazer uma inspeção depois da bandeira à apresentação tira todo seu ânimo. Você fica pensando onde está o erro? O que está acontecendo? Quando a tropa iniciou as atividades no inicio do ano, até que houve uma boa participação inicial. Sabemos que durante o ano muitos desistem. Mas isto é certo? Até mesmo escoteiros que você confiava se foram. Você sabe que alguma coisa precisa ser feita, mas o que fazer? Já tentou mudar, novos jogos, técnicas, fez cursos, leu e até agora nada. Até mesmo o curso Ponta de Flecha (?) não adiantou muito.

                     O que fazer então? Se você já fez muitos cursos de formação, conversou com outros escotistas e as ideias a cada dia vão diminuindo a “coisa tá braba”! - Precisa urgente de uma reciclagem e ou então se for IM fazer como a canção de Gilwell que aconselha um curso de novo para reforçar. Mas qual curso? Têm?- Se nada disto adiantou e você é daqueles que não desiste nunca o melhor mesmo é conversar. E olhe que seus bons fluidos e aconselhadores estão bem perto de você. Você me pergunta onde? – Seus monitores meu amigo. Isto mesmo. Eles são a solução de tudo. Mas eles? Olhe meu caro chefe se isto acontece você está agindo como se eles não fossem os responsáveis para conduzir suas patrulhas, aí está o seu primeiro erro. Conduzir não é dirigir mandar ou comandar.

                    Faça um plano simples. Converse com seus assistentes. Diga a eles que vai precisar muito deles, pois durante certo tempo você vai viver mais com seus monitores. O programa não pode parar e os Subs monitores deverão substituí-los nos prováveis impedimentos que irão acontecer. Ideias feitas, programas na cachola parta com um sorriso para a próxima reunião de Tropa. Comece normalmente. Deixe seus assistentes escoteirar. Você ponha mãos à obra. Após o cerimonial chame os monitores, hora de ouvir. Ouvir meu amigo e não falar! - Vá para um local calmo, sem barulho e comece assim – Amigos, vocês estão vendo que a tropa não anda bem. Muitos saindo. Outros desistindo. Crescimento nas etapas mínimo. Quero ouvir vocês e qual seria o melhor caminho para resolvermos a questão.

                  Claro, eles olharão espantados para você. Mas não fale nada só ouça. No inicio eles olharão entre si e pouco dirão. Aos poucos vão se soltar e você pode até ouvir o que não quer. Mas faz parte e, por favor, aceite! Após um tempo razoável pergunte a eles o que fazer para melhorar. Se eles não estiverem acostumados a serem consultados (isto é muito comum hoje), se prepare, pois no início nem saberão o que dizer. Melhor mesmo é conquistar a confiança deles. - Que tal uma excursão no próximo domingo só nossa? Vamos sair cedo, e voltamos à noitinha. Podemos quem sabe treinar um pouco de pista mateira ou fazer um fogão tropeiro, seja sincero, diga que não sabe fazer. Diga que nunca fez e vai ser a primeira vez. Cante com eles, mostre que é amigo e não o dono da tropa. Deixe-os fazer um café, assar umas batatas, quem sabe uma macarronada. Entendeu? Não faça nada, por favor! Deixe que eles pensem e façam. Se você tentar ajudar tudo vai voltar como antes. É importante que você só oriente e claro assistindo sempre o que eles farão. Aprender fazendo meu amigo!

                   A tarde chega quem sabe brincar um pouco? Fazer jogos com três ou quatro não é fácil. Porque não procurar uma sombra, sentar a vontade e contar “causos”. Eles e não você! Quem sabe eles não irão se abrir mais com você? Hora do retorno hora da limpeza do campo. Viu que tudo foi improvisado. Qual o intuito? Se conhecerem melhor. Sempre achamos que conhecemos a todos e muita vez passa despercebidas outras tantas que desconhecemos. Mas na volta não esqueça. Ao chegar à sede, pelo menos meia hora para analisar o que aconteceu se foi válido e se daqui para frente pode surgir à nova Patrulha DE MONITORES, Você o Monitor um deles sub Monitor e olhe pergunte se os sub monitores devem participar de alguma atividade.

                     Bem você deu o inicio. A arrancada foi feita. É hora de partir para um bom programa de treinamento dos monitores. Mas não esqueça, ele é continuo. Nunca para. Lembre-se que o treinamento constante não deve prejudicar as reuniões de tropa, pois elas irão servir se eles, os monitores estão mais motivados, se conversam mais com seus patrulheiros, e se as reuniões de Patrulha acontecem normalmente com a participação de todos nas ideias e sugestões. Durante pelo menos uma vez por mês, faça uma atividade só com eles. Pode ser de poucas horas ou de um dia e claro um acampamento deve ser marcado em breve. Discuta com eles como será este acampamento nos moldes de Gilwell. O que é isto? Fácil. Patrulhas autônomas. Escolhem seu campo, constroem tudo que precisam para desenvolver suas atividades. Terão tempo para as barracas, para o fogão seja suspenso ou não, para as fossas, para a mesa, para os bancos, para o toldo e uma infinidade de pioneiras com você longe deles. No seu campo meu amigo. Lá sim faça o que quiser.

                        Sempre digo para meus monitores que o mais importante em uma tropa é o programa. Ei! Não estou falando do programa de reuniões. Estou falando do programa que eles adoram. Atividades ao ar livre. Sei que você pode ser daqueles que gosta muito de atividades sociais, serviços comunitários, participação em bloco nas atividades religiosas. Não sou contra, mas uma por ano! Repetir sempre? Veja a foto da atividade que fez há dois anos, quando foram fazer uma atividade comunitária. Quantos escoteiros ainda estão naquela foto hoje? Meu amigo, a tropa quer ir para o campo. Querem atividades aventureiras. Quer ter um facão na mão. Querem comer arroz queimado, querem fazer o que muitos contam que fizeram. Sentar em volta do fogo, cantar, sorrir e contar seus causos. Assim dê a eles o que eles querem. Não invente!

              O importante para estancar o desanimo é fazer e não imaginar. Não prometa nada. Você já prometeu tanto e será que os que ainda estão vão acreditar? Deixe seus monitores à vontade para isto. Agora se você é daqueles que gostar de falar, de mostrar seus conhecimentos, de contar seus causos, de ficar espezinhando no campo de patrulha como fazer uma pioneiría, por favor, esqueça este artigo. Ele não é para você. Eu fico triste em saber que você ainda não “pegou” o verdadeiro sentido da coisa. Não está vendo a alta evasão nos últimos anos na tropa? Olhe tentei ajudar, mas se pensa diferente fique a vontade. Não vai adiantar dizer que a evasão hoje no Brasil passa de mais de quarenta por cento ao ano. Mentira? Porque a UEB não publica a verdade? Afinal ela tem tudo nos registros. Mas olhe se quer mudar está na hora. Pode contar comigo sempre. Breve irei publicar um artigo continuação deste.
Abraços fraternos e sucesso!

Chefe Osvaldo


Você está sentindo que nem tudo vai dando certo na sua Tropa escoteira? Os jovens estão desanimados, alguns saindo, uma evasão que não dá para estancar? É hora de ação, de mudar, se você quer dar um jeito nisto e acredita em seus monitores, este artigo pode ajudar você. Olhe só para chefes que não sabem onde estão pisando. Se você é um craque, se sua Tropa é um sucesso este artigo não é para você.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Um pouco de meninos, por favor.


Uma pequena Crônica.
Um pouco de meninos, por favor.

- Vocês dizem: - Cansa-nos ter de privar cm crianças. Têm razão. Vocês dizem ainda: - Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão. Descer... Rebaixar-se... Inclinar-se... Ficar curvado... – Mas estão equivocados. Não é isto o que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão. Para não machucá-las! J.Korczak.

Tenho escrito alguns artigos que alguns amigos fazem questão de comentar. Bom isto. Alguns defendem a EB (Escoteiros do Brasil) diferente das minhas posições pessoais. As dou pensando que passei pela vida escoteira como se tivesse tido a oportunidade de remar minha própria canoa. Eu desejo sempre o melhor para todos os meus amigos e de maneira nenhuma irei dizer que o meu caminho e a minha trilha é a melhor. Mas como diz a Célia minha esposa, hoje eu a copiei: Marido nas minhas três quintas feiras vou virar o mundo de cabeça para baixo. Adoro minha esposa. Somos unha e carne e pensamentos quase iguais. Pensei em virar o mundo pelo avesso. Risos. Mas que mundo? O escoteiro? Difícil. Sou avesso a EB no seu estilo atual.

Ando pensando onde estão os jovens escoteiros e lobos. Vez ou outra alguém comenta sobre eles e até publica uma foto. Procuro sempre um campo de patrulha, meninos vivendo sua aventura, construindo suas pioneiras cozinhando correndo atrás de borboletas e fazendo o escotismo que fiz. Ops! Longe de seus chefes! Mas é uma miragem. E os lobos? Matilhas funcionam? Ora bolas não estão dizendo que eles devem aplicar o sistema de patrulhas, nada disto, mas seria possível ouvir, conversar e perguntar se estão contentes? Um dia Chefe Lomanto comentou comigo: - Chefe Vado Escoteiro, se você dá uma vara e anzol sem isca para o escoteiro pescar, ele acredita. Nunca pescou e nem sabe que sem isca nada se pega.

Chefe isto é feito irão responder alguns. Falam-se em acampamentos, mas o que vejo? Chefes e chefes. Lá estão eles na frente dirigindo, comandando, e sinalizando isto quando não estão em uma atividade regional ou nacional dizendo que desta vez a coisa vai. Vai? Para onde? Eu sei que sem um adulto não podemos praticar escotismo. Bem tem senões. Na minha época em nosso grupo quase não precisávamos deles. Sabe o que entristece? Ver os lobos e escoteiros, perfilados, sentadinhos em fila, ouvindo um Cidadão escoteiro falar. Ou então sem ele ser consultado ser levado para uma atividade que não seria o que ele pensava e foi decidida pelo chefe. E os jogos? Monitores e primos para que? Afinal lá está o incansável chefe explicando o que fazer.

Sei que muitos não são assim, quem sabe este novo escotismo Uebeano pode dar certo. Mister Bob um chefe dirigente já dizia: Chefe, acho que viver é isso. Viver é mudar. Você não é o mesmo de ontem, e nem o mesmo de amanhã. Mas olhe não me leve a mal. Se for para seguir o método de B.P não acredito. A EB está caminhando para um novo escotismo. Nem sei se pode ser chamado escotismo. Mas que ela seja feliz nos seus planos. Posso sempre estar errado, mas meu ponto de vista será sempre o ponto de vista do rapaz. Sem isto o escotismo é uma utopia. A EB não diz, não fala e nem comenta. Mas eu gostaria muito de ver uma pesquisa da Evasão Escoteira. Afinal qual a média de anos que o jovem permanece no escotismo?


Se B.P pensou em um mínimo de dez anos para que o jovem absorvesse todo seu potencial no escotismo, vai longe este número hipotético. Será que um dia vamos ver patrulhas ou matilhas com dois três anos juntas? Ufa! Acho que é pedir demais...


Para onde vamos? Uma vez li em um Livro do João Ribeiro algum que dizia: - Para onde vamos? Até hoje eu me pergunto para onde. Estamos mesmo no Caminho do Sucesso? Não sei. Analisar o passado o presente e prever o futuro não me cai bem. Não sou mago, mas escotismo meu amigo ainda tenho minhas dúvidas.

sábado, 29 de abril de 2017

Anjos da Guarda.


Anjos da Guarda.

Entrei no banheiro e lá estava ele com aquela cara de idiota rindo feito um Caburé do Brejo na beira da lagoa - Sempre tive vontade de socá-lo mas meu outro anjo me dizia: Chefe, isto é você. Nada do que fizer vai livrá-lo. Portanto é melhor ignorá-lo. Eu sabia  disto. Não foi a primeira e nem seria a última vez que tenho de ouvir o que não quero. Olhei para ele, ria e gargalhava. - Chefe! Tu tá com uma cara de fuinha que seu melhor lugar é deitado em um  catre daqueles que jogam terra em cima. E gargalhou alto. Fiquei calado. - Ele de novo: - Olhe para você Zé Mané, anda como um bêbado, fala como um poste batido por um carro. Porque não se joga da ponte do Remédios no Tietê? - Continuei calado. - Eu vi você hoje dar uma volta na sua caminhada. Quem te viu e quem te vê. Uma? Toma vergonha na cara, pelo menos duas! - Meu outro anjo apareceu. - Calma chefe, calma, ele faz assim para provocar.

Tudo bem. Aceito. Mas o danado apareceu de novo. - Nem postar mais você aguenta. Escrever muito menos berrou. Isto é bom, ajuda aos seus amigos ou pseudos amigos do face que você acredita que costumam ler seus contos a ter um descanso da sua chatice. Peguei a escova de dente. Ele gargalhou. Vai escovar o que? Se nem dente na frente tem? Quebrou tudo naquele tombo que na sua moleza caiu ao andar nas calçadas. Lavei o rosto. Ele gritou: - Pare de gemer quando respira. Tu tá mais para lá do que para cá. Quer saber chefinho? Não sei se voce vai durar. - Se bater as botas pelo menos vamos nos encontrar para eu rir de sua moleza.

Sai do banheiro. Ele ficou na minha mente. Pedi ao outro anjo ajuda. Fiquei livre do danado. Fui para  varanda e fiquei pensando: - Será assim mesmo que temos de enfrentar nossos anjos da guarda? Não sei. A espiritualidade tem sua explicação. Vou melhorar afinal ainda não fiz meu último acampamento. De uma coisa eu sei, se a minha vida for a melhor coisa que já me aconteceu, acredito que tenho muito mais sorte do que um dia podia imaginar. Lembrei de Clarice que dizia: - Ele acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam. Ou quem sabe Paulo Coelho tem a melhor explicação: - Velho, imagine uma nova história para sua vida e acredite nela. Sorri e olhei para o céu cheio de nuvens espessas que traziam um frio enorme. - Seja o que Deus quiser, a vida para mim será levada ao pé da letra até o fim! Afinal sou um escoteiro ou um rato?  

E Einstein fechou com chave de ouro este meu outro dia de vida: - Há duas formas para viver a sua vida. Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Na Trilha com B.P.


Na Trilha com B.P.

Baden-Powell na publicação The Scouter - 1921

 Um dirigente escoteiro veio a mim outro dia com um esquema para organizar o Movimento de uma forma melhor da já existente. Contemplava certa quantia em dinheiro para gastar com dirigentes, secretárias em tempo completo, etc; mas seu plano consistia em arrecadar contribuições dos distritos (associações locais, no texto original).  Uma parte da ideia consistia na criação de um comitê eleito de forma geral para administrar a organização; a vantagem era eliminar a desigualdade com que os distritos administram seus programas. Seria mais centralizado e organizado, poder-se-ia ter um registro que salvaguardasse o desenvolvimento, um padrão de eficiência nas tropas, mantendo uma supervisão geral.

 Já estava me descrevendo outras vantagens do esquema quando me senti obrigado a poupá-lo do enredo, assim que me adiantei com o seguinte comentário: Meu querido camarada! Mas você não precisa sustentar o escotismo. Por uma razão: o escotismo se estende além do Reino Unido e teu comitê deve representar todas as partes do império. Como a eleição irá fornecer os especialistas necessários para os diversos departamentos do escritório central? Os distritos desejariam gastar dinheiro para manter um escritório central? Acho que não. Estas são meras objeções materiais. Mas existe uma consideração maior: nós somos um movimento, não uma organização.

 Nós trabalhamos através do amor e da legislação, e isto é o que nos diferencia de muitos outros sistemas; pode ser incorreto, mas é nossa maneira e, apesar dela, trabalhamos para fazer algo nos doze anos de nossa existência. Acabo de voltar de uma bela viagem escoteira em outras partes do mundo e confirmei minha convicção de trabalhar por amor ao jovem, lealdade ao Movimento e camaradagem, que é através do espírito escoteiro e é a maneira de nos mantermos na linha correta.  É provável que muitos, como meu amigo, não conseguiram manter o espírito, mas por outro lado, muitos conseguiram e outros o estão adquirindo. A propagação da capacitação de dirigentes (18 autorizados este verão no Reino Unido) está ajudando no desenvolvimento. Nossa maneira de administrar está baseada em um verdadeiro e nobre princípio.

 Um dirigente (o qual faleceu e, portanto, posso falar abertamente) me perguntou em uma ocasião sobre a recompensa monetária pelo, segundo ele, trabalho que realizou para mim na sua qualidade de dirigente escoteiro. Tive que lhe explicar algo que ele me confessou nunca ter entendido: e era que ele trabalhava para os jovens e não para mim.

 A proposta do escotismo é oferecida àqueles que se importam de coração com seu país e sua gente. Os homens que colaboram não são uma força de mestres e servidores, oficiais e soldados, senão uma equipe de patriotas unidos por um ideal comum; e esse ideal é a melhoria dos garotos.
Baden-Powell.

nota: - Um tema interessante para ser levantado hoje junto aos dirigentes escoteiros nacionais. Será que eles não levariam mais a sério o que estão fazendo hoje?