Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

sexta-feira, 27 de março de 2015

O salvador da Pátria.



Crônicas de um Velho Escoteiro.
O salvador da Pátria.

            Eita! Calma, não sou eu. Imagine eu salvando a Pátria. Tarefa inglória para um homem só. Isto só será possivel com a participação de todos os brasileiros. Não confiem nunca naquele que diz que vai resolver que vai bater que vai fazer o “diabo” para colocar o Brasil nos trilhos. Nem trilhos temos e os que existem estão bichados. Portanto para acabar com os desmandos do Congresso Nacional, da pobreza de liderança do Palácio Presidencial e claro da pouca vergonha da roubalheira que graça de norte a sul, sem esquecer uns poucos magistrados que esqueceram o objetivo de sua função. Isto só será possivel com todo povo brasileiro. Como? Aprendendo a escolher bem seus eleitos. Desde o mais simples vereador ao “mais maió de grande” Presidente. Mas não é o meu tema hoje. Pensei em escotismo. Risos. De novo Chefe? Claro meu amigo, deste eu entendo bem e como entendo. Sem querer ser o tal, fui lobo e Escoteiro. Fui sênior e pioneiro, fui Chefe e Comissário (hoje enchem a boca para falar Presidente) e me deram de graça à quarta conta. DCIM sim senhor. Centenas de cursos realizados por aí.

                       Portanto falar de escotismo ainda mais agora que estou danadamente Velho, (alguns me chamam de velhote, chato, Lobo do mato e vai por aí) fico sem fazer nada e aproveito o tempo ocioso (que tempo desgraçadamente pirado) para meter a ripa na chulipa da UEB. Mas prestem atenção, não sou nunca fui e nunca serei o Salvador da Pátria. Claro que tenho umas ideiazinhas para melhorar isto que está aí. Mas se acontece um milagre e me dessem a honra de dirigir a escoteirada, a primeira coisa que faria seria – TRANSPARÊNCIA! Não faria nada sem colocar todos os Escoteiros na roda. Se houvesse mudanças partiria deles. Como fazer isto? Fácil, muito fácil. Mas pergunte aos donos do poder se querem fazer isto. Never! A boquinha é boa demais! Sei que tem aqueles de boas intenções, mas dizem que de boas intenções o inferno está cheio! Risos. Dizem que somos democráticos. Só se for à maneira deles. Os que conhecem os deslumbres do poder sabem disto.

                       Agora eu me pergunto como fazer isto se boa parte dos nossos chefes não estão nem aí? Eles são daqueles que com sua Alcateia e tropa estão satisfeitos com a vida. Ajudam, acreditam nisto, fazem das tripas o coração para cumprir bem a missão e nem olham o que acontece ao seu redor. São simplesmente ignorados nas decisões importantes que os Donos do Poder implantam. Eles os chefes esquecem-se da falta de colaboração, da presença de um “Cara pálida” da UEB e Região, ficam felizes quando fazem um curso pagando do próprio bolso. Quando procuram o prefeito este na maioria das vezes nem pode receber. Agenda cheia. O vereador amigo coitado não manda nada. Tenta fazer um decreto para doar aos Escoteiros um mísero terreno. Quem vai construir? A meninada é claro. Dizem que temos um pacto Escoteiro de políticos em vários estados e no Congresso Nacional. Sem menosprezar dá vontade de rir. O que já fizeram? Quais os benefícios? Você aí do Acre, eles foram aí visitar você e dar um bom material de campo para  tropa? – Chefe, não é função deles. Não? Então qual é a função deles?

                            Eu francamente não espero nada. Minha luta vem de anos e anos para um escotismo melhor. Todos os anos procuro ver os resultados alcançados. Procuro ver um politico que ao assumir foi na tribuna e disse: Fui eleito! Quero que saibam que fui e sou Escoteiro, e que minha palavra e minha honra vale minha vida! Conhecem algum? Já viram um Presidente ou Ministro no dia da posse dizer isto também? Por acaso nas grandes multinacionais, você conhece algum CEO (chief executive officer, ou então Diretor Executivo; a pessoa com maior autoridade na empresa) que sempre quando entrevistado disse que foi Escoteiro tem orgulho do movimento, que a promessa e a lei nunca foi esquecida, e ajuda o movimento seja participando ou colaborando? Você conhece por acaso um grande conferencista Escoteiro? Tem muitos do esporte, das áreas diversas do entretenimento, da área de educação, da área empresarial e educacional e outros que falam sobre as ONGs (organizações não governamentais).

                      Pois é. Estamos órfãos de pai e mãe. Tem sim muitos sábios na UEB. Tem aqueles que mudaram quase tudo que o passado glorioso criou. Já viram a nova flor de lis? Saudades da velhinha! O chapéu? Bolas não tem mais, a cantina nacional ou regional passa longe. Mas lá tem chapéus esquisitos que BP morreria de rir ao vê-los. E o programa? Quem de vocês conheceu a segunda e primeira estrela? Acabou meu amigo. E a primeira e segunda classe? Acabou também. Você nem imagina o que era colocar no ombro um distintivo destes. Que orgulho moço! E as técnicas Escoteiras, o Sistema de Patrulhas, os Acampamentos de Giwell? Nem se fala deles mais. Os cursos hoje são na maioria um amontoado de burocracias, conhecimentos modernos do Brasil moderno e se você quiser melhor comparação vá lá ao site da UEB. Vá lá! Pois só assim você toma conhecimento. Veja o programa deles e me diga se tem algum que pode ajudar você. Ela meu amigo nunca irá até você!

                    Mas lembre-se sempre. Os Grandes Chefes sempre dirão que você deve andar com suas próprias pernas. Que se quiser usufruir tem de pagar e para isto se mexa e ponha sua comunidade em ação. Um boa praça já disse que não existe almoço grátis. Putz! Comi demais sem pagar nas minhas aventuras de vida. E as coisas vão acontecendo,  ninguém reclama, quando reclama melhor é pegar o boné e retornar ao ponto de partida. Vivem dizendo que o escotismo é a única organização onde o voluntário paga. E paga sorrindo meu Deus! Aceita tudo de mão beijada e ainda dá risadas! Meus amigos e minhas amigas, sou sincero, venho lutando para que nossos chefes pensem, ajam, reclamem e exijam seus direitos. Minha luta é inglória. Todos parecem estar satisfeitos com o que estão fazendo. Mas olhem eu não desisto. Só vou desistir quando partir para as estrelas. Sei que no Escotismo minha pequena contribuição de histórias de honra, de palavras, de amor ao escotismo nunca serão reconhecidas. Para eles eu sou um Zé Ninguém. Mas isto não me preocupa e nunca preocupou. Acredito que ser oposição é um direito, apontar onde podemos melhorar um dever.

                    Fico triste em saber que não existe mais tanta procura de jovens no movimento Escoteiro. Se não fosse as moças já teríamos desaparecido. Fico triste em saber que boa parte das tropas e alcateias vivem com poucos meninos em suas hostes. Fico triste em ver que com este pequeno número é impossível realizar um bom acampamento de Giwell ou mesmo fazer um Sistema de Patrulhas funcionar. Até quando? Enquanto não haver união de todos, enquanto não esquecerem os politicamente corretos que defendem o que está aí com unhas e dentes e não tem nada para provar a não ser bazófias iremos continuar assim.

Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome, pergunto o que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.

terça-feira, 24 de março de 2015

Inspeção de chefes por monitores existem?



Conversa ao pé do fogo.
Inspeção de chefes por monitores existem?

                    - Quando comento com chefes eles dão boas risadas – Pergunto sempre porque estão rindo. A resposta vem na hora: - Meu Chefe se eu fizesse isto meus jovens iriam acabar comigo! – - Eu nunca deixaria. – Eu disse. – Não tenho nenhum preconceito meu caro Chefe. – Ele de novo: - Nunca fiz chefão e olhe não sei se terei coragem em fazer. Pensei comigo que ele não confiava em seus monitores ou então agiu de forma errônea na formação deles. – Já pensou um Chefe em um acampamento, ficar em frente a sua barraca esperando monitores que virão fazer a inspeção? Sorri baixinho. Para dizer a verdade nem sabia se ele fazia mesmo a Inspeção de Giwell em seus acampamentos. Expliquei para ele que a inspeção de Giwell são inspeções com características daquelas utilizada em Gilwell Park. Todos nós fazemos as inspeções nestes moldes. Minha mente voltou no tempo. Quantas vezes eu convidei monitores para fazer a inspeção em minha barraca e na minha tralha?

                     Lembro-me de certa vez tendo conversado com um formador famoso, DCIM sobre este tema e ele coçou a cabeça. – É Chefe, não sei se seria capaz. Até hoje não experimentei. - Você também? Eu pensei. Afinal devemos ou não confiar em nossos monitores? Qual o melhor exemplo para eles virem em meu campo e ver como está minha barraca, como está meu material individual, se dobrei bem as mantas, se minha roupa está bem dobrada? E porque não eles aprenderem que meu campo de chefia é a natureza e o que não for dali está fora de lugar? Lembro que foi divertido nas primeiras vezes. Eles me olhavam espantados. Eu claro estava em posição de alerta e quando chegaram fiquei em posição de sentido, dei meu sempre alerta e apresentei meu campo. Inventei um nome para meu campo na hora. Eles sabiam que deviam ver meu material de higiene, se minhas pioneiras eram boas e firmes, e se minha barraca foi esticada novamente pela manhã. Se o chão em redor estava limpo, se tinha fossas de líquido e detrito e WC. Se as amarras e costuras estavam perfeitas. Se o vasilhame foi limpo conforme se espera de um Escoteiro. Se o material de sapa estava limpo e oleado. Foi divertido. Sempre de olho em mim, rodaram o campo viram tudo e no cerimonial um deles comentou: - Chefe seu campo está um brinco!

                        Olhe, dizem que não, mas eu também gosto de inspecionar os lobinhos. Sempre em matilhas. – Soube de um grupo que tem uma inspeção na sede todas as reuniões. Cada tropa é responsável durante uma semana por ela. A tropa limpa, varre, tira a poeira de tudo, e é responsável pelo cerimonial da bandeira naquele dia. Dizem que lá eles conseguiram excelentes resultados. – Eu sempre gostei de uma boa inspeção não importa onde. Agora já vi chefes fazendo inspeções que não condiz com o que somos. Não precisavam disto nas inspeções de Giwell, mas se divertiam. Achavam que isto os levava a serem respeitados e admirados. Nunca aceite isto, Chefes sujando o campo de patrulha só para dizer que não são tão bons! – Pense bem, isto é papel de um Chefe? Ele gosta disto? Gosta de ser desleal? O que ele espera com seu ato? Acho que a inspeção deve ser delicada e não ofender e nem ferir ninguém.

                 Eu sempre tive como meta ser honesto em minhas inspeções, passar isto para os monitores era questão de honra. Afinal somos amigos e se eu os inspecionava eles deviam fazer o mesmo comigo. Sempre na Conversa ao pé do fogo à noite, conversávamos um pouco sobre isto. Pouco, pois ali não é lugar para treinamento e aprendizado. Sempre considerei que as conversas ao pé do fogo deve ser um lugar especial para contarmos “causos“ Histórias, quem sabe treinar uma palma escoteira, cantar uma nova canção e saborear as antigas. Sempre gostei de boas inspeções na tropa. Respeitando é claro a individualidade de cada um. Comentando em separado com o Monitor como melhorar. Quando você faz uma inspeção de Giwell você sabe como está sua patrulha, se ela está crescendo e pode fazer um comparativo na formação de um Escoteiro e sua equipe.

                  Nos acampamentos antes das inspeções, impreterivelmente no horário (britânico) ficávamos eu e os chefes a conversar e trocar ideias para que a inspeção fosse uma surpresa boa e agradável e que nunca se tornasse motivo de reclamações e revolta. Quem sabe muitas vezes erramos ao fazer exigências e não preparamos os monitores adequadamente? Nunca abri mão de horários, uniformes bem colocados não importando os dias que estávamos acampados. Uniformes completos sim senhor! Quando somos amigos de nossos monitores sabemos como eles são. A assimilação entre a hierarquia Chefe/Monitor deve ser honesta e franca. Lembro e até hoje dou risadas em um acampamento na Serra do Cipó quando fui inspecionado. Um Monitor fez questão de puxar minha camisa para dizer: - Está frouxa Chefe! Acho que ele tinha razão, mas depois comentei com ele que nunca fazemos isto em público e sim em particular. Se ela estava fora de lugar porque não conversar em particular? 

                   Inspeções nunca devem faltar com os Escoteiros. Quanto mais, melhor.  Sem querer me intrometer com os “papas” do lobismo eu fiz também com matilhas. Afinal eles os pequenos lobos devem aprender desde cedo que o uniforme deve ser considerado um orgulho para cada um, que sua apresentação tem de ter o orgulho de ser Escoteiro, que a limpeza não tem hora e nem lugar. Sempre comento que ou você está uniformizado ou então não está. Sempre fui exigente. Para que um uniforme se em marcha de estrada, se em atividades aventureiras, em reuniões de sede se usa uma camiseta ou só um lenço? Não critico os que gostam do lenço. Eu também sempre amei o meu. Mas ele faz parte de outras peças, quando se está só com ele eu não considero que estamos nos apresentando como Escoteiros. Isto hoje em dia está se tornando normal. Quer saber? Não faz parte da minha índole. Dá gosto de ver jovens bem uniformizados. Seja em qualquer situação. Afinal temos tão pouco tempo para fazermos escotismo em um dia só na semana e vamos ficar apresentados de qualquer jeito?


                   Inspeções... São ótimas para aprendermos a ser Escoteiros. Uma vez um Chefe em um curso me disse: - Olhe não é só porque você vai para o campo que vai virar bicho. Lembre-se que ali você não é bicho, é um ser humano e está fazendo ali a extensão do seu lar. Procure se apresentar como tal! E é verdade. Aprendi que devemos sempre portar como Escoteiros seja no uniforme, ou não. Afinal somos Escoteiros e cumprimos com nossas normas ou escolhemos as normas que devemos cumprir?  

quinta-feira, 19 de março de 2015

Baden-Powell Cidadão do mundo! Frases e lembranças de Lord Baden-Powell of Giwell!



Conversa ao pé do fogo.
Baden-Powell Cidadão do mundo!

Frases e lembranças de Lord Baden-Powell of Giwell!

- A felicidade não vem da riqueza, nem do sucesso profissional nem do comodismo da vida regalada e da satisfação dos próprios apetites. Um passo para a felicidade é, enquanto jovem, tornar-se forte e saudável para poder ser útil e gozar a vida quando adulto. - O estudo da natureza mostrará a vocês quão cheio de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para o nosso deleite. - Fiquem contentes com o que possuem e tirem disso o melhor proveito. Vejam o lado bom das coisas em vez do lado pior.
- Mas o melhor meio de alcançar a felicidade é proporcionar aos outros a felicidade.  Procurem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar à hora de morrer, poderão morrer felizes, sentindo que pelo menos não desperdiçaram o tempo e que procuraram fazer o melhor possível. - Mantenham-se fieis a Promessa Escoteira, mesmo quando já tenham deixado de serem rapazes. Que Deus ajude a todos a procederem assim. Do amigo, Baden-Powell.

Levar-se muito a sério enquanto jovem é o primeiro passo para tornar-se um “PEDANTE”. Um pouco de bom humor poderá tirá-lo deste perigo e também de muitas ocasiões desagradáveis. - Aquele que se elogia é geralmente aquele que necessita de ajuda; - Um cidadão equilibrado vale meia dúzias de extravagantes; - Muitos querem seus direitos, antes de os terem merecido. Baden-Powell

“Sempre me pareceu um absurdo que um homem, ao morrer, leve consigo toda a sabedoria que adquiriu na vida enquanto semeava loucuras da mocidade ou vitoriosos sucessos”. E deixe que seus filhos, ou seus irmãos mais moços, passem pelos mesmos trabalhos de aprender tudo de novo e adquiram a experiência a própria custa. Porque não pode aquele passar a estes essa experiência prática, de forma que já comecem a vida com seu cabedal de conhecimentos, e assim alcancem, rapidamente, uma escala mais alta de eficiência e de bom senso? Baden-Powell

"Enquanto você viver neste mundo, tente fazer algo de bom que possa permanecer após sua morte." - "Não se contente com o que, mas consiga descobrir o porquê e como." Baden Powell.

Diante de cada Homem, abrem-se dois caminhos: - O do egoísmo ou o do Serviço. Cada um terá que escolher por si próprio qual será o verdadeiro lema. O egoísmo é mais cômodo; o Serviço envolve sacrifício. Se um indivíduo não é capaz de se sacrificar, Não tem direito de se chamar Homem. Mas se se sacrifica para servir, exprimindo da melhor maneira possível o seu amor, pode estar certo de que a vida será para ele um bem muito real, “Cheia de Felicidade”. Baden Powell.

“A farda escoteira, pela sua uniformidade, constitui agora num laço de fraternidade entre os rapazes do mundo inteiro”. O uso correto do uniforme e a elegância na aparência de cada Escoteiro, individualmente, torna-o um motivo de crédito para o nosso Movimento. Mostra que está orgulhoso de si mesmo e da sua tropa. Pôr outro lado um escoteiro desleixado, mas vestido, pode causar aos olhos do público, uma péssima impressão sobre todo o movimento. Mostrem-me um desses tipos e lhes afianço que provarei que ele é um daqueles que não conseguiu pegar o verdadeiro Espírito Escoteiro e não se orgulha de ser membro da nossa Grande “Fraternidade”.                                              Baden-Powell

Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações. Nenhum homem pode ser chamado de educado, se você tem uma vontade, um desejo e uma habilidade treinada para fazer a sua parte no trabalho do mundo. Baden-Powell.
"Creio que Deus nos colocou neste mundo para sermos felizes e apreciarmos a vida. Mas a melhor maneira de fazer isso é fazer os outros felizes." Baden-Powell.
- Escrevo estas lembranças no meu jardim no fim de um dia perfeito no final de setembro, com o brilho avermelhado do pôr do sol dando um novo tom para as luzes e sombras através das florestas que se estendem abaixo. Olho ao longe e vai chegando uma névoa violeta sobre as alturas distantes onde o tempo vagou. - Existe um cheiro de rosas no ar. É o perfume inebriante. Uma torre de árvores sonolentas aparecem nos olmos próximos, em resposta ao distante cantar de uma pomba. Uma abelha cantarola sonolenta por um mel que não encontra. Tudo é paz em casa ao anoitecer. Á noite agora se fecha no badalar da meia noite.
- Sinto que ela senta-se por mim, no silêncio de camaradagem, que compartilhamos, um pouco da labuta da tarde e a alegria dela. É bom para descansar e honestamente estou meio cansado. Olho para trás e sinto que, apesar de um suspiro, tive um dia daqueles que todos têm, apesar de suas limitações. Não foi um dia ocioso, por isto o desfrutei ao máximo, e assim como eu que tem sorte em ser rico e por ter poucos desejos e menos arrependimentos. Através de uma janela superior, vem à conversa e risadas de gente jovem indo para a cama. Amanhã o seu dia de novo vai chegar.
- Que seja tão feliz quanto o meu foi hoje.  Deus o abençoe! Quanto a mim, vai ser a minha hora de dormir logo. E então é melhor dizer: Boa noite! Baden-Powell.

“Mas as memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo à noite Baden-Powell nosso Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”.
“Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”. Lembranças de Baden-Powell em Browsea.

 Baden Powell era um esplêndido contador de estórias. Tinha um espantoso estoque de anedotas sobre os heróis de todos os tempos. Para seu próprio uso, ele havia criado um código de ética, baseado nos códigos dos Cavaleiros do Rei Arthur e nas suas próprias reflexões. Agora ele pode procurar instilar nos rapazes os mesmos ideais, contando-lhes as façanhas dos heróis admirados pelos jovens e imprimindo em suas mentes a ideia de “Boa Ação Diária”.
Quem assistiu sentiu os grandes debates que BP teve nesta ocasião com os rapazes. Foi ali que viu cristalizar o seu pensamento e a formular um código aceitável para os rapazes: A Lei e a Promessa Escoteira. Ele experimentou jogos que lhe pareciam capazes de por em relevo e dar expressão prática aos traços de caráter que ele desejava que os rapazes possuíssem. Ele pôs à prova a lealdade e a esportividade deles em jogos de equipe com regras estritas. Pôs à prova a coragem deles com alguns golpes e chaves simples de jiu-jitsu, e a disciplina e obediência num jogo em botes - a caça à baleia. Lembranças de Baden-Powell em Browsea.

Caros Escoteiros,
Se vocês já assistiram à peça,  se lembrarão como o chefe dos piratas estava sempre fazendo seu discurso de despedida, temendo que ao chegar sua hora de morrer, não tivesse tempo, talvez,  de tirar do peito o que havia planejado dizer. Passa-se o mesmo comigo, assim, embora não esteja morrendo neste momento, isto irá acontecer qualquer dia destes e desejo deixar-lhes uma última palavra de adeus. Lembrem-se, isto será a última coisa que ouvirão de mim, portanto meditem sobre o que vou lhes dizer. Eu tive uma vida cheia de felicidades, e desejo que cada um de vocês tenha também uma vida igualmente feliz.
Creio que Deus nos pôs neste delicioso mundo para sermos felizes e saborearmos a vida.  Felicidade não vem da riqueza nem de meramente ter sucesso profissional, nem do comodismo da vida regalada e satisfação dos próprios apetites. Um passo para a felicidade é, quando jovem tornar-se saudável e forte, para ser útil e gozar a vida quando adulto. O estudo da natureza mostrará a vocês o quão cheio de coisas lindas e maravilhosas Deus fez o mundo para o nosso deleite.  Fiquem contentes com o que possuem e tirem disto o melhor proveito.  Vejam o lado iluminado da vida ao invés do escuro. Mas a verdadeira maneira de se atingir a felicidade é proporcionando aos outros a felicidade.

Procurem deixar este mundo um pouco melhor que o encontraram e quando chegar a sua vez de morrer poderão morrer felizes sentindo que pelo menos não desperdiçaram seu tempo e fizeram o seu melhor possível.  Deste modo estejam "Sempre Alerta" para viver felizes e morrer felizes - lembrem-se sempre de sua promessa escoteira, mesmo quando deixarem de ser  jovens - e que Deus os ajude proceder assim. Do amigo Baden-Powell. 


sábado, 14 de março de 2015

Pequenina Crônica sobre nosso passado e nosso futuro.


Crônica de um Velho Escoteiro.
Pequenina Crônica sobre nosso passado e nosso futuro.

           Prometi um dia a mim mesmo que só iria postar aqui temas Escoteiros. Imiscuir em outros era entrar em uma seara que não seria meu metiê ou cujas observações não iria levar aos amigos e amigas a acreditarem nos meus escritos. Escrevo muito sobre escotismo por que sem ser um dono da verdade como muitos pensam, conheço muito o movimento Escoteiro. Tenho que conhecer afinal quase quatro anos de lobo, quatro de Escoteiro, três de sênior, dois de pioneiro, Chefe dos três ramos por vários anos, Comissário Regional (hoje Presidente) DCB, DCIM com mais de cem cursos realizados e se não conhecer seria o fim da picada. Pena que comecei a ver coisas que ninguém via. Nem meus amigos chegados que até hoje se refastelam atrás do seu passado com suas contas e suas medalhas não se rebelam com os desmandos que eu vejo no escotismo. Eles não acreditam nisto. De vez em quando me pergunto onde quero chegar. Digo para mim mesmo que estou malhando em ferro frio. Quem sabe estou errado? Será? Tentem olhar mais de perto nossos lideres. Tentem compreendê-los será que podem?

           Temos tido eleições no Brasil a cada dois anos, seja governamentais e ou estaduais. Tudo numa perfeita democracia que não existe em nosso meio Escoteiro. Cada um pode escolher e votar em quem acreditou. Cada quatro anos vivemos um suplicio para alguns e alegrias para outros. Nas épocas de eleições as mentiras, as promessas correm até hoje de norte a sul do Brasil. Escoteiros e Escoteiras aqui mesmo fizeram apologias lindas dos seus candidatos. Até fiquei pensando se um bom Escoteiro entra em uma desta. Mas enfim, se eles se dispuseram a lutar pelo que acreditavam porque não dar uma palma Escoteira? Afinal isto poderia mostrar nosso rumo democrático e isto claro conduzirá a uma nação em que acreditamos. Uma pena que no escotismo isto não acontece. Hoje poucos decidem o que vamos fazer como vamos fazer e se vai dar certo ou não. Ninguém até hoje e muito poucos se rebelaram. Um medo enorme de ir contra a corrente.

             Passado o período de eleições presidenciais e estaduais muitos começaram a perceber que foram enganados. Outros ainda acreditam. Por outro lado quando nós tivemos eleições Escoteiras para poucos votantes, uma Escoteira se rebelou. Achou que estava sendo enganada pelos dirigentes que impuseram um uniforme que ela não escolheu. Abriu uma página aqui e mostrou o que pensava. Ah! Coitada, caíram de críticas em cima dela só porque ela queria se manifestar e convidava os que pensavam como ela a participar também. Não faça isto, converse conosco, vamos lhe dar um novo caminho foi o que se viu por parte dos lideres da UEB e do Estado. – Vá primeiro a Assembleia, lá sim é o lugar certo. Na sua ingenuidade ela foi. Ninguém nem sequer lhe deu a palavra. Depois foi convidada a participar dos Jovens Lideres que eu pessoalmente acredito que podem ser líderes, mas não vejo nada de jovens. Acima de 17 anos até 28 anos. Aos 22 eu estava casado com filho. Tudo que ela a Escoteira pensou ficou em um passado distante.

             Agora vem aí uma passeata, para mostrar que estamos contra o que se vê por aí. Perfeito. Minha opinião é que é muito valida. Eu iria também se pudesse. A saúde não deixa. Eu já sabia que houve enganações, falsas promessas de nossos candidatos, mas muitos acreditaram e as eleições penderam para o lado falso e odioso das vãs promessas que sempre existem nestas eleições. É ruim mesmo ver que foi enganado. Mas cá prá nós, porque ninguém se rebela no escotismo com esta direção que temos? Estão satisfeitos? Os apóstolos que defendem a Presidenta e seus discípulos são aqueles que foram privilegiados com salários mensais, aqueles que recebem vultosas quantias para seus sindicatos, aqueles que são escolhidos para dirigem as empresas governamentais e estarem junto ao poder. Nunca se esquecem de dar uma ajudazinha ao partido ou quem sabe uma pequenina conta no exterior para possíveis fugas de última hora. Olhem não defendo ninguém, se tivéssemos outro governo isto também iria existir. Ainda bem que temos a democracia onde de tempos em tempos podemos tentar escolher aquele que possa pelo menos parecer honesto.

              Chegamos a tal ponto que no maior estado do Brasil temos uma empresa que dá as cartas. Não dá satisfação a ninguém. Um dia ou outro se explica e nada justifica. Antes ela era servil, cobrava, mas dava em troca. Hoje? Esta empresa faz o que quer. O governador que é do outro lado não diz nada. Tentem falar com ela, ninguém consegue. Agora na época eletrônica uma vozinha se faz ouvir: Aguarde em breve sua luz será restabelecida. Caramba! Você quer falar com alguém, mas não pode. Quer explicar que a falta de luz se estende por quase 24 hs, que somente uma chave desligou em frente a sua casa. Mas consegue? Aí você reza para não chover. A rua está às escuras há mais de trinta dias e você não consegue se explicar, pedir, solicitar, implorar. E o governador? Bah! O Governador. Há um descalabro total em todos os governos. Pouco se pode elogiar. Bem ele vai ser candidato a presidente do Brasil!

               Acho que é por isto que sou totalmente a favor da mobilização para este domingo. Como um dia disse Winston Churchill – “Nunca tão muitos foram enganados por tão poucos”. Risos. Disse outra coisa, mas aproveitei para colocar uma frase minha. O povo unido jamais será vencido, não dizem isto por aí? Se calar ajuda estou sendo ajudado pelas Lavas-jatos mensalões, trens com sobre preço e isto vem de muitos e muitos anos. E dizem que o petróleo é nosso. Mal tenho tostões para pagar a gasolina. Por outro lado eu penso comigo, onde o escotismo vai parar? Fizeram questão de mudar quase tudo. Sempre na calada da noite. Nunca consultaram nada a ninguém. Ninguém nunca perguntou ou explicou porque estão destruindo tudo da nossa tradição Escoteira. Tente anotar tudo que foi mudado se é  claro, você conhece o nosso passado. Ninguém foi informado enquanto não recebeu a determinação já pronta e escrito: Faça a partir de hoje assim. Eles os dirigentes sempre a dizerem que estão fazendo isto para nós, nosso crescimento. Mas e os resultados?


                   Vamos todos dar as mãos e se puderem participar das manifestações em sua cidade, claro se acreditarmos que isto é válido. Mas se você é Escoteiro meu amigo ou minha amiga, lembre-se também somos uma organização onde não temos força, não temos voz e nem voto. Somos enganados sempre por aquela mensagem do vá a Assembleia. Precisamos também de uma manifestação sadia, amiga, sem ofender e que leve a uma democracia que eu espero há tempos. Uma vez há muitos e muitos anos um sábio disse que “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”! Agora é a vez de acabar com a politicagem e promessas vãs que acreditamos um dia ser verdades. A manifestação nacional terá enorme valor se medirmos até quando alguém diz a verdade. E isto também vale pelo escotismo, pois é ele que amo, é ele que quero ver grande, é ele que um dia verei as autoridades reconhecerem seu valor e lá quem sabe teremos um dia um Escoteiro tipo um Rui Barbosa a dirigir a União dos Escoteiros do Brasil dentro do principio democrático. Bah! Quem viver verá!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Vacina Bitipiniana para Chefes e Dirigentes Escoteiros. (XP456).


Conversa ao pé do Fogo.
Vacina Bitipiniana para Chefes e Dirigentes Escoteiros. (XP456).

                          Há tempos pensei que poderiam fazer uma vacina especial para chefes escoteiros e dirigentes. Claro, só para os que precisam. Os que já foram vacinados não. Tentei no Instituto Butantã. Não me levaram a sério e jogaram-me porta a fora. Peguei um avião da ponte aérea (fiquei quatro horas no Aeroporto da Pampulha e mais três no Galeão) e fui até o Bio-Manguinhos – Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos no Rio de Janeiro e nada. No Brasil acho que não ia encontrar nenhum, mas tentei a FUNED – Fundação Ezequiel Dias em Minas Gerais. Riram na minha cara e me chamaram de louco. Claro, podem achar que sim, pois nunca foram escoteiros. Só tinha uma saída, pegar um avião da Pan American e ir aos Estados Unidos. Desculpe, sei que a Pan pediu falência a muitos e muitos anos e olhem que diziam que os ônibus espaciais teriam seu logotipo no futuro, mas ela pelo menos tratava com fidalguia os escoteiros. Por isto viajei por ela. Seus diretores todos foram agraciados com a Eagle Scout e quando me viram de uniforme fui tratado como se fosse Baden-Powell em pessoa. Minha nossa!

                  Bem lá chegando procurei a BSA (Boy Scout of American). Um prédio enorme. Secretarias lindamente uniformizadas. Sem estar com um lencinho amarrado nas pontas como no Brasil. Um Executivo Escoteiro me recebeu com honras de Chefe Estado. Serviu uísque dos bons. Gosto de coisas boas e aquele Jack Daniels graças a Deus não era do Paraguay. Adorei. Ele disse que se impressionou com meu uniforme caqui de calça curta e meu chapelão de três bicos. Não disse para ele que agora temos um novo, vários tipos. Podemos escolher. Quase que disse a ele que aqui no Brasil em pouco tempo iram formalizar uma norma, onde se poderia ficar pelado, desde que estivesse com um lenço Escoteiro no pescoço. (desculpe a gosação). Ele achou que eu era o Escoteiro Chefe do Brasil! Risos. Eu? Só ele para achar isto. Bem sem falsa modéstia sou exigente no meu uniforme (quá!). Preferi comentar que aqui no Brasil não tem Escoteiro Chefe, só presidentes e diretores. São muitos! E adoram seus cargos. Ser chamado de Presidente é o máximo. Mas olhe apesar dos seus mais de dois milhões de escoteiros fiquei um pouco decepcionados com eles. O tal Executivo só falava nos mais de 5.000 profissionais que tinham no plano de metas para os quatro milhões, em dobrar a receita atual (dizem que passa de cem milhões de dólares, nossa mãe!). E fazer o maior Jamboree de todos os tempos. Iriam colocar juntos mais de cem mil Escoteiros do mundo todo e tudo de graça! Incríveis estes americanos. Neste eu acho que vou. Como diz um amigo meu de graça até barraco de favela pegando fogo!

Afinal entrei no assunto que me levou até lá. Me ouviu atentamente. Não riu e não chorou. Educado o danado! Esta é a vantagem dos gringos. “Business-Business” Amigos, amigos, negócios a parte. Ainda bem. – Olhe eu disse, procuro uma vacina que contenha em sua fórmula o seguinte:

- Crescimento escoteiro em qualidade e quantidade para o Brasil. Precisamos atingir a meta dos quinhentos mil escoteiros. (quando disse isso ele sorriu pela primeira vez) Necas de setenta ou oitenta e cinco mil que está abaixo de muitos países sul americanos bem menores que o nosso país.
- Mudança geral na maneira de pensar de todos os dirigentes; Que eles procurem ouvir mais e decidir menos. Que eles façam pesquisas amplas sejam transparentes e coloquem uma alínea nos estatutos que todos associados pode votar e ser votados.
-  Que alguns chefes deixem de ficar bajulando para pertencer à corte, que se esqueçam de ser formadores, trabalhem com os meninos, pois esta é a formula correta, que se um dia pertencer à casta de dirigentes que seja de maneira amiga, gentil e fraterna.
- Mudanças completas nos estatutos visando uma participação efetiva de todos os grupos no destino de nosso movimento. Que os direitos sejam iguais.
-  que todos se abracem que aceitem as outras associações escoteiras como irmãos Escoteiros, que esqueçam esta idiotice de só ficar processando daqui e dali com o dinheiro dos associados. Que sejam mais humildes, que procurem trabalhar para facilitar o trabalho dos voluntários, que as taxas sejam as mínimas possíveis. Que esqueçam esta mania de ser chefão, pois Baden-Powell só existiu um. Que lembrem-se sempre que somos uma irmandade e devemos proceder como tal.

                Ele me olhou enviesado e riu. Scout ele disse. Melhor procurar esta vacina em Júpiter ou Saturno. Se não achar lá procure uma montanha com uma bela caverna e hiberne lá para sempre. Torne-se um Yety, ou um abominável homem das neves. Já passamos por isto aqui no passado, hoje não. Não posso ajudar. O que você precisa é de um milagre! E nós americanos temos bombas atômicas, exércitos incríveis, mas não fazemos milagres... Ainda! – Voltei para casa triste. Fazer o que? Afinal somos dependentes e aprendemos a aceitar tudo sem reclamar. O jeito é ficar sonhando. Não dizem que sonhar é de graça? Mas quem sabe um dia aparece esta vacina? Putz grila! Sei não. Vai ser uma guerra se aparecer para os “home” lá de cima. Eles nunca irão tomar esta vacina disso tenho certeza. Já devem estar vacinados com a outra que fazem deles uma copia de Baden-Powell! Vamos torcer ou então aceitar o que está aí. Disse para um amigo que em breve tudo que BP nos deixou ficará na história e quem sabe num museu escoteiro. Quem sabe num futuro distante o Dr. Spock e o Capitão Kirk se perderem no espaço, descerem na terra, em um cemitério abandonado e encontrarem uma placa já marcada pelo tempo escrito: Aqui jaz, um lindo movimento que tentou ser sem nunca ter sido. Eles nunca irão reclamar! E tome mudanças! Ah! Como seria bom se eu encontrasse esta vacina!   

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

John Thurman um visionário?


Conversa ao pé do fogo.

John Thurman um visionário?

 

Quantas vezes eu postei aqui? Inúmeras. Repeteco que eu gosto e toda vez que eu leio me atualizo. Ora, John Thurman escreveu em agosto de 1957, como é atual? Porque os lideres Escoteiros precisam muito de uma dose de sensatez, de ver onde estão pisando, e se possivel parar de inventar e voltar ao bom escotismo de Baden-Powell. A modernidade tem seu valor, mas o passado não deve ser esquecido. Tudo que acharam de moderno hoje e mudaram ainda não deu e nem sei se vão dar resultados. John Thurman foi durante muito tempo Chefe de campo de Giwell Park. O artigo ainda tem muito de atual. Nada que possamos dizer – Não somos mais assim! O mundo mudou. Será?

 

Os Sete Perigos

Por John Thurman - agosto de 1957 (chefe de campo de Giwell Park)

Existem sete perigos para o Escotismo, para os quais, me parece, devemos estar alertas e tomar cuidado:

1. Complacência, do tipo de pessoas que pensam: "há cinqüenta anos temos trabalhado assim e temos feito um bom trabalho, portanto continuemos assim". Recordemo-nos que o trabalho para os rapazes de hoje tem que ser feito pelos homens do presente. Estou tão orgulhoso, como qualquer outro Escotista, do nosso passado, mas isso não nos leva a parte alguma. Há, hoje, muito mais a ser feito do que houve em qualquer outra época e o máximo que o passado pode fazer para nós é inspirar-nos para um maior esforço;

2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito freqüentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcatéias;

3. Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

5. Exclusividade, o perigo de pensar que "os chefes devem provir do próprio Movimento". Penso que necessitamos de gente de fora, com diferentes experiências - homens de bem que tenham a faculdade de crítica construtiva e que tragam sangue fresco para o Movimento; 

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis idéias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.

Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

Feliz palavra de John Thurman. O mundo está mudando, e as mudanças que o escotismo tem feito não estão dando resultados. Muitos rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar.


Afinal estamos em 2015 não? Agora temos um novo escotismo? Feliz o que não quer enxergar além da ponta do seu nariz!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

As aventuras de Juliano e a Jaguatirica Amarela do Pântano do Demônio.


Lendas Escoteiras.
As aventuras de Juliano e a Jaguatirica Amarela do Pântano do Demônio.

           A noite chegou mansa. A fumaça naquela clareira se misturava com o orvalho que soprava de leste para oeste. A pequena brisa da tarde ainda trazia em nossas faces o frescor da primavera. Gil tinha feito uma sopa de macarrão com batata nos “trinques”. Ao lado do fogão tripé, um bule negro de alumínio fazia nosso café noturno borbulhar. Estávamos em cinco. Éramos sete na nossa Patrulha os Tigres Brancos. Agora cinco, eu, Nuno, Gil, Denis, Tiago o Monitor. Maneco e Toninho não vieram. Estavam com caxumba. As duas barracas de meia lona já estavam armadas. Nossas tralhas preparadas para dormir. Estávamos na estrada há dois dias. Um acampamento volante de quatro dias. O Chefe Gustavo nos encarregou de visitar o sitio do Padre Totonho, que agora aposentado da igreja vivia ali seus últimos dias. O convite partiu dele. Quase quinze quilômetros de jornada. Se achássemos um bom lugar, devíamos fazer um relatório e um croqui. Fácil. A Patrulha tiraria de letra. Para chegar lá Denis ficou encarregado do Percurso de Giwell.

             Nuno logo tirou sua gaita cromática da mochila. Ele tocava maravilhosamente. Dominava bem todas as musicas escoteiras e tocava divinamente a Canção ada Despedida. Enquanto ele tocava meus pensamentos viajavam nas dezenas de conversas ao pé do fogo que participei. Algum tempo depois, jogando conversa fora Gil me pediu que contasse de novo a viagem com meu pai no Pântano do Demônio. – Mas já contei duas vezes, falei! – Mais uma, insistiu. Acho que Nuno e Tiago ainda não ouviram. Era uma história real. Aconteceu quando fiz onze anos. Ou seja, há três anos. Não sei se me traziam boas lembranças, Como insistiram contei novamente. Eu sempre gostei de contar histórias. Estávamos sentados em um tronco seco, que já estava ali. Nosso fogão Tripé chamuscava com suas fagulhas as árvores em volta; Sabíamos que lá pelas doze do dia seguinte chegaríamos. Ouvi o canto de uma coruja que “sustava” a nos olhar com seus olhos negros reluzentes Eu sempre amei os animais pássaros e plantas. Nunca fiz maldade com nenhum. Só quando precisávamos matar a fome. Diferente do meu pai. Eu gostava muito dele, mas ele adorava caçar. Nunca me deu chance de dizer para ele que era errado. Um dia li em algum lugar que nós seres humanos estamos na natureza pra auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar. Portanto quem chuta ou maltrata um animal é alguém que não aprendeu a amar.

              Meu pai tinha uma sala separada da casa aonde guardava seus troféus de caça. Na parede ele tinha cabeças empalhadas de Tamanduá Bandeira, Queixada, Jacarés, Ariranha, Cachorro do mato lobo Cinzento, Veado-galheiro e outras dezenas. Eu gostava de olhar a Arara Azul, linda. Não concordava com ele pois sempre gostei de ver as aves voando e os animais soltos nas campinas ou florestas. Lembro-me do Pintassilgo na Mata do Riacho Grande que eu chamava de Doce de Coco, e sempre voava até meu ombro. Eu podia correr cantar, armar barraca, fazer pioneirias e lá estava o Doce de Coco no meu ombro. Todos ficavam abismados. Ele não ia ao ombro de ninguém. Na minha mochila sempre tinha um pouco de alpiste e ele adorava. Não só ele como dois Tico-ticos amarelos que vinham comer em minha mão. Ajeitei-me melhor no tronco, peguei minha caneca e tomei um cafezinho. Gil serviu alguns biscoitos em um prato. Respirei fundo e comecei a contar minha história. Uma das minhas preferidas: - Vocês conhecem meu pai, comecei. Eu o amo muito, mas ele gosta de caçar. Sempre se achou um grande caçador. Soube que quando jovem fez um Safari na África. Ele sabe do meu amor pelos bichos. Não me condena. Sei que gosta muito de mim e quase não me conta suas histórias, suas jornadas, suas aventuras de caçada nas selvas brasileiras. Uma vez me contou que esteve no Alto Amazonas. Não conseguiram caçar nada. Ele, seus amigos Zé Barrica e Zoroaldo o Barbeiro foram aprisionados pelos Kalapálos. Não entrou em detalhes. Só contou que uma unidade de selva do exercito brasileiro os soltaram. Um dia meu pai me chamou até a sala de Troféus. Foi então que me fez o convite.

                 - Juliano, mês que vem eu o Zoroaldo e O Zé Barrica, iremos fazer uma caçada no Pantanal do Mato Grosso. Zoroaldo vai levar seu filho Dondinho. Ele já fez dezoito, mas pensei em convidar você. Sei que não gosta de caçada, mas vai amar o lugar. E olhe meu filho será minha última caçada. Você não precisa matar nenhum bicho. Prometo que vai gostar do lugar. É lindo. Iremos comer pela manhã um Sarrabulho, um prato delicioso, vai beber o Tereré, servida em cuia, e farei para você um caldo de piranha pantaneiro que você nunca mais vai esquecer. Dê-me este prazer meu filho. Adoraria sua companhia. Iremos de avião até Corumbá, fica a margem esquerda do Rio Paraguai. Faz fronteira entre o Paraguai e a Bolívia. De lá iremos de Chalana, subiremos o Rio Paraguai até a Serra de Albuquerque. É lá que iremos encontrar a Jaguatirica, um gato do mato, considerado um dos maiores felinos do brasil.

                    Fiquei pensando naquele convite. Dizer o que? Um pedido do meu pai? Nunca ele me pediu nada. Nunca pensei em vê-lo atirando em um animal qualquer. Mas negar? Afinal seria uma viagem maravilhosa. Eu Escoteiro de Primeira Classe teria oportunidade de aprender muitas coisas. Disse sim ao meu pai. Nunca tinha viajado de avião. Foi fantástico. Fiquei na janelinha. Que coisa maravilhosa meu Deus! Chegamos pela manhã em Corumbá. Ficamos em uma pensão que meu pai já conhecia as margens do Rio Paraguai. À tardinha meu pai e seus amigos compraram tudo que precisavam. Iriamos ficar cinco dias na Serra do Albuquerque. Acamparíamos as margens do Pântano do Demônio. A viagem na Chalana do Capitão Traíra foi de tirar o folego. À tardinha desembarcamos próximo a Serra de Albuquerque. Não demorou duas horas e chegamos ao Pântano do Demônio. Armamos as barracas fiz um fogão tropeiro meu conhecido de longa data. Achei uns troncos finos e entrelaçados deram bons bancos para nós quatro sentarmos. Fui dormir tarde. Eu não sabia das qualidades do meu pai em conhecer a natureza, ao belo por do sol, e principalmente da esfera celeste.

                  Levantamos cedo. Meu pai me disse que ficasse no campo. Ele o os outros iam atrás da Jaguatirica. Na beira da lagoa acharam suas pegadas. Ele disse que era questão de horas. Não foi preciso muito. Viram uma picada a sul do acampamento e eis que uma bela Jaguatirica apareceu. Imponente. Enorme. Toda rajada de amarelo. Não era uma, mas duas. Um casal. Vi que a fêmea estava prenha e o perigo era grande. Meu pai estava com sua Winchester 44 sem balas e os outros também. Não esperavam que elas aparecessem assim. Meu pai assustado gritou para mim – Corra Juliano, corra muito! Vai ser uma carnificina a quem ela pegar primeiro! Olhe, era um belo animal. Olhos grandes, um felino que devia pesar uns sessenta quilos ou mais. Só o pulo dela daria para jogar no chão cinco homens adultos. Não corri. Não era meu feitio. Nunca tinha visto nada igual, mas caminhei em direção a elas calmamente. Meu pai gritou. Zoroaldo, Zé Barrica e Dondinho sumiram no meio do mato.

                  Abri os braços e sorri para elas. Meu pai não estava entendendo nada. A fêmea se aproximou de mim. Lambeu minhas mãos. E depois deitou aos meus pés. O macho ainda desconfiado. Mas chegou mais perto e pude acariciar seu pelo liso e isto me trouxe uma enorme felicidade. Ambas deitaram aos meus pés. Sentei na grama. Fiquei ali acariciando e falando baixo. Meu pai não se aproximou. Acho que naquela hora acreditou que eu tinha pacto com o demônio. Só podia ser para fazer aquilo. Zé Barrica, Zoroaldo e Dondinho estavam estupefatos. Fiquei ali bons minutos com as duas Jaguatiricas. Depois elas se levantaram e foram embora calmamente. Não houve tiros. Meu pai desistiu. Disse para mim que nunca mais iria dar um tiro em um animal. Falei para ele baixinho o que tinha lido há tempos sobre matar os pobres dos animais – Pai, eu li que os animais selvagens nunca matam por divertimento. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes são divertidas entre si.

                 Ficamos lá quatro dias. Maravilhoso. A mata era de tirar o folego. Olhe, sem mentiras, mas outras Jaguatiricas apareceram para brincar comigo. Voltamos pela mesma Chalana do Capitão Traíra. Foi um dos mais lindos passeios que realizei. Dali em diante eu e meu pai mantivemos uma amizade que nunca pensei em ter com ele. Parei de contar a história. Gil, Nuno, Denis e Tiago me olhavam com espanto e admiração. Sabia que um dia iriam pedir para eu contar novamente. As lembranças seriam eternas. Nunca iria esquecer a grande aventura que realizei com meu pai. Fomos dormir. Cedo levantamos e partimos. Muitos sonhos na mente e no coração. Eu gosto do escotismo. Amo tudo que faço. Adoro de coração acampar, viver ao ar livre. Sou mesmo amigo dos animais. Queria vê-los todos eles soltos, os pássaros no céu cantando alto. Quem sabe uma Jaguatirica para brincar comigo nos meus acampamentos da vida? Isto é escotismo. Sempre disse aos meus amigos e a todos que encontro. Escotismo? Sim, uma maneira de ser 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

As canções que um dia cantei para mim


Conversa ao pé do fogo.
As canções que um dia cantei para mim.

¶ Põe tua mágoa bem no fundo do bornal e sorri, sorri, sorri!
O que importa é vencer o mal mantem sua alegria,
Não importa você se zangar, pois o mal há de acabar, e então?¶

                      Eu sempre gostei de cantar canções e hinos escoteiros. Já vi tropas, alcateias cantarem divinamente. Tive a sorte de ver sêniores em marcha de estrada sorrindo de peito aberto e cantando a plenos pulmões, mostrando seu orgulho escoteiro. Quantas e quantas canções ouvi nas centenas noites de Fogo de Conselho que participei, ou em volta de uma pequena fogueira acesa em uma trilha qualquer onde uma alguns gravetos ou pequenas achas alimentava o corpo e a mente da Patrulha. Cantei em montanhas e picos distantes, Vales, colinas verdejantes, embaixo de árvore frondosas, colinas enormes onde armei minha barraca. Emocionei-me muitas vezes a cantar as canções de Giwell com os irmãos Insígnias. Amo muito “Em meus sonhos volto sempre a Gilwell”. Todas as canções que cantei e ouvi cantar não tenho como dizer qual a mais linda, a mais simples, a mais complicada. Quantas e quantas vezes, cansado, voltando de um acampamento e empurrando a carrocinha as canções surgiam naturalmente em minha mente. “Viemos do norte, do sul e do leste”... É e terminar dizendo – “Lavando as panelas são todos irmãos”.

                     Aprendi algumas canções cantadas por este Brasil afora que milhares de chefes fizeram. Poucas eu guardei na mente. Eu mesmo fiz algumas e hoje esqueci. Das tradicionais eu tenho as minhas preferidas. Guin gan guli, o Cucu a lembrar da Noruega, Terra do Belo Olmeiro pensando nos grandiosos lagos do Canadá sem esquecer a Arvore da Montanha. Um clássico que ninguém esquece. Com sono cantávamos baixinho o Kumbayah. Eu tenho certo carinho pela Canção da Promessa. Guingaguli é demais e o espírito de BP? Linda. Melhor ainda o Adeus Montes e Vales, Avançam as Patrulhas, Stoldola (esta eu cantei uma vez fora do Brasil, marcou muito). A Canção do Clã é inesquecível. São tantas e tantas e olhe, tive a honra de conhecer chefes de outros países com canções divinas. Vi violeiros, gaiteiros, trompetistas, um Sênior que tocava maravilhosamente um saxofone, mas sabe, sempre chorei com algumas canções. Não dá para segurar. Falo da Canção da Despedida. Uma vez acampava em um país sul americano e me aparece uma Akelá tocando violino. Tocou de tal maneira que todos de mãos entrelaçadas ficaram calados, mudos só ouvindo. Lágrimas caindo. Lindo demais.

                   Tive a honra de ver muitas alcateias e tropas cantarem divinamente. Ali estava presente o espírito de BP quando ele lembrava-se dos seus tempos na África e nas noites estreladas em volta de uma fogueira. Ali nunca faltou uma bela canção. É maravilhoso ver meninos cantando e vivendo o que cantam. Um violão, uma guitarra, uma harmônica, um saxofone ou mesmo uma flauta simples engradece qualquer canção escoteira. Quando a gente canta a canção entra em nossos corações, bate fundo lá dentro e vai para o cérebro ficar guardada em um chips escolhido para armazenar canções Escoteiras. Eu já disse, mas não deixo de repetir, nada é tão maravilhoso que um céu estrelado, uma clareira em uma floresta perdida, achas de lenha queimando, o calor adotando todos a sua volta e as fagulhas se espalhando no céu. Então alguém por um simples gesto canta uma canção. Demais! Nenhum espetáculo se sobrepõe aquele momento. É sublime e olhamos em volta com os olhos vermelhos de emoção a ver nossos amigos escoteiros sentindo o mesmo que nós.       

                   Comprei uma vez um violão e aprendi duas posições. Isto mesmo só duas e dava para acompanhar. Era delicioso sair do campo da chefia, ir a um campo de patrulha ao entardecer na luz brilhante de um lampião a gás ou a querosene; sentar em qualquer lugar, enquanto o cozinheiro com os olhos enfumaçados sorria a ver sua sopa fervendo, e ver a patrulha a cantar belas canções escoteiras. As outras que ouviam devagar iam se aproximando, sentando em volta e cantando também! Maravilhoso! Ali a gente sentia um calafrio, saber que somos todos irmãos, dizer que o escotismo marca que ele é incomparável. E quando se canta a Canção da Promessa às lembranças correm pelas matas, montanhas em busca de um acampamento que marcou. Minha Tia Dazinha quando tinha doze anos me deu uma gaita de fole. Em casa me proibiram de treinar. Diziam que o barulho era horrendo e ninguém queria sofrer. Risos. Eu saia para a beira do rio e ficava lá horas e horas treinando. Coitado dos peixinhos que pulavam na água para ver o tocador de gaitas que nunca tocou nada! Risos. Não fui o melhor, mas já abusei da gaita em acampamentos até no exterior. Aguas passadas. Isto não existe mais.


¶Boa noite Touros, boa noite Maçaricos, Boa noite Corvos e Boa noite Lobos, pois agora eu vou dormir – Bem alegre vamos indo, vamos indo vamos indo, bem alegre vamos indo para o mar azul¶. - ¶Vem depressa correndo Escoteiro, ajudar o cozinheiro a fazer o jantar!¶