Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

quinta-feira, 16 de março de 2017

A Corte de Honra está em seção!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A Corte de Honra está em seção!

                     No escotismo sempre encontramos situações que nos fazem analisar e pensar se o caminho percorrido foi o correto. Algumas vezes tomamos decisões que poderemos nos arrepender depois. Veja o que me contou um Chefe Escoteiro da II Tropa do Grupo Ventos do Norte. Disse-me que não sabia se era um bom Chefe – Tinha medo de tomar decisões e elas poderiam não ser as corretas. Mas sabe Chefe, eu nunca prejudiquei ninguém. O Comissário Distrital queria trocar umas ideias e me pediu para passar na casa dele qualquer hora. Gente fina, conversamos temas interessantes. Calmo ponderado conhecia bem o movimento Escoteiro. Na volta resolvi visitar um Chefe em um grupo próximo. Soube que iriam fazer uma corte de honra e ele me convidou para ver. Sabia que não funcionava assim, mas fui até lá.

                    Quando cheguei me disseram que tinha se afastado por motivos profissionais e um assistente assumiu. Os escoteiros estavam à vontade no pátio jogando uma “gostosa pelada”. Estranho. Nunca foi assim. Perguntei a um dos jovens onde estava o Chefe. – Estão em Seção! Seção? Perguntei. – Isto mesmo Chefe. A Corte de Honra está em seção! Estão resolvendo se expulsam o Juan Melchior. Fiquei pensativo. Uma Corte de Honra decidindo a vida de um menino? Resolvi ficar ali e esperar o desfecho da Corte de Honra. Meia hora depois um Monitor saiu correndo da sede e gritando: - Conseguimos! O Juan Melchior foi expulso! Alguns da tropa que jogavam bola nada disseram outros apenas levantaram a cabeça. Seria isto mesmo? Eu pensei. Aguardei o Chefe da tropa. Queria conhecer a história e os erros do jovem.

                   Logo ele apareceu e com três apitos formou a tropa em ferradura. Já o tinha visto em uma reunião distrital. Com a tropa formada ele leu a ata da Corte de Honra (?). Deu um sorriso quando disse que dos sete presentes, quatro foram a favor da expulsão. Nesta hora ele me viu e abanou a mão de longe. Esperei. As patrulhas foram preparar uma atividade e me aproximei. - Chefe! Eu disse. Que crime cometeu o garoto para ser expulso assim? Ele ficou sério e respondeu – Faltar às reuniões, não respeita o Monitor e gosta de falar palavrão. – Mas porque ele não estava presente para se defender? - Porque não quis disse. Mandei para ele uma convocação com A.R. e ele não deu satisfações. Ele falta muito? – Claro, só para ter uma ideia tem mais de dois meses que não aparece!

                  Não tinha mais nada a dizer. Dei um sempre alerta e fui embora. Pelo que vi na tropa deveria ter outros também para ser “expulsos”. Só uma Patrulha com cinco, as demais com três ou quatro patrulheiros. Os Monitores presentes gritavam alto davam ordens mostrando que não tinham nenhuma liderança. Fui para casa pensando. Eu não tinha nenhuma autoridade para agir ou conversar com ele. Pensei até em dialogar, mas com seu estilo arrogante não iria me ouvir. Eu sabia que nestes casos a culpa não é do menino e sim do Chefe. Ele viu que ali não era o lugar dele. Pensou que era diferente, mais aventuras e se enganou. O Chefe novato não se deu conta. Achou que uma atitude drástica serviria de exemplo para os demais. E cá prá nós, se ele não voltou é porque nunca mais voltaria. Neste caso seu julgamento e expulsão não passou de um teatro vulgar para o Chefe se vingar.

                   Pois é Chefe Vado Escoteiro, não se concebe uma Corte de Honra julgando um jovem e decidindo como se estivessem preparados para aquilo. A Corte de Honra é parte importante do Sistema de Patrulhas. É uma comissão permanente que resolve os negócios da tropa. Existem casos que o Chefe assiste, opina, mas não vota, no entanto é dele a decisão final se for o caso. Ela toma decisões sobre programas, acampamentos, recompensas e até mesmo à administração da tropa. Ali o segredo é absoluto. Neste caso mesmo sem ter a autoridade para tal, a Corte de Honra poderia ter sugerido ao Chefe que tomasse as providencias cabíveis pelas faltas. Esqueceram-se dos pais do menino que um dia o levaram ao grupo e nem comunicado foram. Agora expulsar? Porque o Chefe não o procurou pessoalmente em sua casa, conversou com ele em particular e depois com seus pais? Quem sabe ouvir o ponto de vista do rapaz que muitos esquecem.

                     Afinal era um menino de doze anos. Seus amigos iam comentar sobre sua expulsão. Isto seria benéfico para o Grupo Escoteiro? E o Monitor a gritar que ele foi expulso, estava certo? Claro que não. Poderia ver que não havia treinamento de monitores e até mesmo a corte de honra estava sendo desvirtuada. Afinal temos um método baseado na colaboração para a formação. Ter jovens na Tropa de caráter ilibado formação exemplar, nunca foi desejo de BP. Nosso método é muito claro. Não podemos fazer tais escolhas. Nas tropas sabemos que temos jovens de meios econômicos, formação moral e cada um tem sua maneira de ser. Gritar com jovens, ameaçar, suspender e expulsar são medidas que um educador nunca pode tomar. Sabemos que tomar decisões é difícil e por isso usamos a Corte de Honra para discutir relações humanas. Dizia Drummond que fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. É assim que perdemos pessoas especiais.

                    Concordei com o Chefe. Eu sei que somos um movimento de educação e formação do caráter. Trabalhamos para isto. Acredito que muitos chefes perdem jovens por não darem a eles o que eles pensaram ser o escotismo. BP nos deu um manancial. Estão ai diversas literaturas escoteiras que falam do assunto. Se soubermos trabalhar bem nossos Monitores, se procurarmos ver o escoteiro e não toda tropa o sucesso será garantido.  Quem mais precisa do escotismo são os jovens rebeldes e cuja sociedade não dão a eles nenhum valor ou oportunidade. Não somos uma instituição de menores, nada disto. Mas podemos ajudar muito estes jovens rebeldes. Julgar é fácil, corrigir difícil.


                  No escotismo temos uma lei e uma promessa. Quando tomamos decisões elas sempre terão o respaldo do que aprendemos e praticamos. Uma Corte de Honra deve ser valorizada pela sua possibilidade em melhorar os padrões da tropa e não para decidir a vida de um menino. Afinal fizeram da expulsão um ato teatral acrescido de uma vingança. Devemos pensar muito se nossos atos servirão para formar caráter ou para formar jovens que por nossa culpa tomam o caminho do erro no futuro.

A liberdade acompanhada pelo amor opera maravilhas. Pensai bem nisto. A educação pelo medo e pela repressão tem sido uma prática demasiado frequente, e tem destroçado muitas e muitas vidas. Um pai perguntou-me recentemente como é que poderia corrigir o seu filho do hábito de mentir; estava farto de lhe bater até ficar cansado, mas sem resultado. A minha resposta foi: “Era melhor que batesse em si mesmo por ter feito dele um mentiroso”. É o medo que desencadeia o hábito de mentir. A educação está a encorajar o rapaz a exprimir-se o melhor possível e com a maior honestidade, no seu trabalho como nas suas palavras, e não em reprimi-lo e “discipliná-lo”. Baden-Powell.

sábado, 11 de março de 2017

Lembranças do Velho Chefe Escoteiro. Saudades do meu Balu


Lembranças do Velho Chefe Escoteiro.
Saudades do meu Balu

                 Não sei por quê. Já se passaram tantos anos e ele me veio à lembrança. Todos nos o chamávamos de Balu, ele tinha um sorriso enorme, uns olhos negros brilhantes, não era gordo, não tinha bigode e nem barba. Quando chegava ao grupo se aproximava da gente com o andar do Urso da Selva, e sorria... Que sorriso lindo – Lobos! Melhor Possível! Melhor Balu, melhor e melhor! E a gente corria para ele, pulava em suas costas e ele caia pelo chão rolava com a lobada para lá e para cá. Em toda minha vida de lobo, eu amava minha Alcateia, ali eu sonhava como se estivesse na Grande Selva de Mowgly. As histórias que Akelá contava a maneira da Baguera pulando e contando, e a Kaa se enroscando no chão, nas árvores me transportavam junto ao Lobo Gris e seus irmãos para dentro da floresta. Mas o Balu era diferente, ele ensinava a gente a subir em árvores, a descer pela corda a correr, a nadar e mergulhar no lago sem incomodar as rãs.

             Balu oh! Balu! Onde anda você hoje? Sei que estou Velho, alquebrado já não sou mais aquele menino de outrora, quando sentava na sua barriga e você fingia que boiava no lago das Tartarugas, quando me ensinou a tirar espinhos, quando me ensinou a comer os frutos bons. Balu! Que saudades! Nunca esqueci o canto do Louva Deus, o canto da Cotovia, a maneira dos pardais quando acordavam nas madrugadas e voavam em círculos em barulhos gostosos de ouvir. E como você imitava os macaquinhos prego a chamar sua prole, e sabe Balu nunca esqueci quando você me contou que Mowgly foi raptado pelos Bandarlogues, os macacos sem lei e pouco asseados e o levaram pensando que ele conhecia o segredo do fogo. Era um segredo dos homens. E sabe Balu sei que você, a Baguera e a enorme serpente libertou Mowgly. Você Balu se disfarçou de macaco e dançou até encontrar o Rei Lu. Eu sei Balu que o Rei Lu tentou impedir que salvasse seu amigo Mowgly.

                 Oh! Balu quantas coisas lindas você me ensinou e contou? E quando eu fiquei doente sem poder ir na escola e foi você meu querido amigo quem me ajudou. Saia altas horas do seu emprego de vigia e ia a minha casa me ensinar. Sabe Balu você era um vigia Professor. Lembro-me de sua mãe dona Mercedes cozinheira da família Borges, que o amava mais que tudo. Chamavam você de tantos nomes só porque você era negro, mas Balu, igual a você nenhum branco podia se comparar. Eu tinha você no meu coração, não só eu como toda a Alcateia. Nunca esqueci quando você partiu. Disse-me que não seria para sempre, era somente um até logo, mais nunca mais vi você Balu. Nunca mais. Naquele acampamento que fizemos atrás da mata do Quati, eu senti uma saudade enorme de você Balu. Eu o Levi, o Nonato, o Pardal, o Zé Bulacha, e tantos outros ficamos chorando quando terminou o fogo do conselho. A Kaa Naldinha tentou nos alegrar nos fazendo dançar e a dança do fogo. Mas não adiantou.

               Sabe Balu, ninguém ficou sabendo por que você se foi. Uns disseram que sua mãe voltou para Nazária no Interior do Piauí. A mãe dela faleceu e deixou um sitiozinho para vocês. Olhe Balu não sei se você está feliz na sua nova terra, mas enquanto você foi nosso Balu nunca em minha vida eu senti tanta felicidade. Eu fui feliz muito na minha vida escoteira, mas como lobinho eu fui muito mais. A gente fazia excursão, acampamentos, nadava no rio, atravessava pinguelas, brincava nas porteiras das fazendas, dormia sob as estrelas, entrava na selva que você dizia ser a Jângal, uma época que não sabíamos o que significava até que você disse que era uma grande floresta. Quantos acampamentos fizemos, em quantos galpões das fazendas dormimos nas noites de tempestades? Você lembra quando o Chiquinho passou a noite gemendo de dor de barriga? Comeu tanta goiaba verde e só foi melhorar pela manhã. E você Balu, lá estava você ao lado dele, cantando, brincando até que ele dormiu pelas tantas da madrugada.


             Pois é meu querido Balu, só fui saber seu nome muitos anos depois. Gravei na minha memória para sempre. Juventino Honório Santos. Precisava escrever sobre você, precisava mesmo. Sei que você já deve ter partido para o mundo das estrelas. Eu tinha 10 anos quando você foi embora e me disseram que você tinha 25. Uma diferença de 15 anos. Hoje se estiver vivo vai estar com 91 anos. Será que ainda vive? Será que está sentando na beira do rio com seu cigarrinho de palha a pescar traíras e corvinas? Não sei. Não sei mesmo. Estou longe da sua terra, mas hoje não sei por que me lembrei de você. Saudades do meu Balu. Um Chefe que amei tanto que até hoje eu tiro para você o meu chapéu! E para você meu querido Balu, Anrê, Anrê, Anrê. 

Ah! O tempo. Quanto tempo? Faz tempo demais. Lembranças boas, lembranças que a gente não esquece mais. Hoje fiz um poema de Lobinho sobre a reunião que ia acontecer. Lembrei-me das minhas e achei esta passagem dos meus tempos de Lobinho. Desculpe, mas o que posso fazer? Fui Lobinho e foi bom demais! 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Espelho meu amigo e meu irmão.


Espelho meu amigo e meu irmão.

                   Hoje me olhei no espelho. Ele é danado, não cria nada que não seja verdade. Pisquei para ele e ele piscou para mim. Oi! – Oi! Ele respondeu. Quanto tempo eim? – Pois é faz tempo, tu tá ficando velho meu amigo. Sorri para ele. - 76 anos de vida, mas olhe tem muitos que são bem mais velhos que eu, respondi. – Mas eles estão mais fortes que você, ele disse. O que aconteceu? – Não sabia responder. Afinal tive muitos acertos e muitos erros. Cada um deles me deu o que tenho hoje e isto sem olhar minha vida anterior. – Ele sorriu, leu meus pensamentos. – Pois é amigo, pelo menos desisti de ser um velho amargurado. Desisti de dizer que vou encostar as chuteiras, pendurar meu chapéu. Colocar minhas lembranças no velho baú do tempo...

                  - O velho espelho sorriu e completou: - Pois é cada um vive como quer. Alguns de lembranças boas outros de lembranças que não foram boas. – Concordo com você espelho, eu disse. O problema maior existe quando nós pensamos que somos muito fracos, ficamos com medo e desistimos, e o problema vai crescendo e nos sentimos que vamos diminuindo... Ele me olhou e sorriu. – Você sabia que sua vida não serias um mar de rosas, não sabia? – Sorri para ele. - Sabia sim. Quantas decepções eu tive? Na minha vida profissional foram diversas, no escotismo então...

                   O Espelho me olhou enviesado: - Meu amigo, a maior prova de coragem é suportar as derrotas sem perder o ânimo. Você pelo menos nunca desistiu. E olhe quando chega aqui e procura ver o que você é, tenho certeza que não tem arrependimentos. Ri para ele. Não falei alto, sabia que ele lia meus pensamentos. Eu sei que às vezes o fracasso vem realmente para ver se temos forças para enfrentar qualquer dificuldade a maior que seja... É, mas teve dias que você fraquejou, disse o espelho, teve dias sóbrios, mas você não desistiu. Buscou sempre uma oportunidade para melhorar e não só sua segurança. Você sabe um barco no porto está seguro, mas com o tempo o fundo pode apodrecer...

                 - Sabe espelho, fico a ler alguns amigos que nunca tive a honra de apertar a mão, que se ressentem que reclamam do que a vida lhes oferece, mas sabe, pelo menos tem aqueles que saltam o obstáculo à procura de um novo sol, um novo amanhecer... Eu queria dizer aos que estão tristes, aos que não conseguem ter um rumo e acreditar e dizer: - Olhe meu amigo, minha amiga, nós somos o que fazemos repetidas vezes. Portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito. O espelho sorriu sem zombar. – Eu sei como é li no seu pensamento toda sua vida em tudo que passou. As rosas foram colhidas no jardim que resolveu plantar seu destino. Colheu algumas sabendo fugir dos espinhos...

                    Até mais espelho. Obrigado por seu meu companheiro em todas as horas que precisei. Nunca esqueci o que você um dia me disse: Vado Escoteiro, o sofrimento é passageiro, desistir é para sempre! E foi quando fui ridicularizado, achocalhado por alguns que considerava irmãos escoteiros, que entrei aqui quase chorando e desistindo do meu ideal que você disse as belas palavras que até hoje sigo e nunca esqueci: - Não desista enquanto você ainda for capaz de fazer um esforço a mais. É neste momento a mais que está sua vitória!


                    Sai dando um até logo ao meu espelho. Mais um dia vivo, mais um dia para viver sempre pronto a evitar um tropeço ou uma queda. Eu sei que meu espirito tem um destino, a vida não é para fugir, a vida é para viver, pois viemos aqui para isto. Se aparecer desapontamentos eles serão enfrentados, deixar a tristeza de lado, pois ela nunca irá iluminar o meu caminho. Melhor sorrir abraçar cantar e viver de bem com a vida. Afinal minhas lágrimas não substituem o suor que posso verter em benefício da minha própria felicidade! 

Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo. Chico Xavier.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Assim não dá!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Assim não dá!

              Gente! Assim não dá. Abro o Facebook e lá está a indefectível vestimenta com a camisa fora da calça e meinhas de todas as cores. E pasmem IMs e formadores se apresentando com ela. Eu sei que sou um pingo d’água no oceano e que não tenho nada que achar se esta maneira de colocar a vestimenta é horrível. Sempre dizem que não é da minha conta e gostos são gostos. Mas e daí? Eu sei que sou carta fora do baralho, não tenho cargos, não tenho que me indispor com as novas concepções Escoteiras do tal escotismo moderno. Se um grande Dirigente colocou lá no POR que isto pode, o negócio é bater continência e aplaudir. E seja tudo o que Deus quiser. Sem defender meu amado caqui se um dia for colocar a vestimenta nunca me apresentarei assim. Errado ou certo, já estamos tão prejudicados em termos de Marketing que nem sei se isto aos olhos do publico um dia terá o beneplácito da Sociedade Brasileira como um todo.

               Nada contra a vestimenta. Se ela for bem postada, bem apresentada nada contra. Sei que os admiradores desta apresentação se sentem mais confortáveis, e nunca irão concordar comigo. E até acho que tem razão. Cada um veste o que gosta e eles não tem que me dar satisfação. Mas não teriam de dar satisfação ao público? Mas olhe antes de terminar, veja o que me disse o Tunico Barbeiro no ano passado após o desfile de Sete de Setembro:

- Chefe! O que estão fazendo? A turma do meu lado assustou em ver tantos escoteiros com a camisa fora da calça, calçado e meias de todas as cores! Chefe! Estava lá os tais IMs, e não foi o senhor quem disse que eles são exemplos? Afinal dizer o que para ele?

Lição de Baden-Powell
O UNIFORME Escoteiro

Eu frequentemente já tenho dito:
"Nenhuma importância tem que um Escoteiro ande uniformizado ou não!". O que vale é que ponha seu coração no Escotismo, engaje nele o seu espírito e cumpra a Lei Escoteira! Mas o fato é que não existe um escoteiro, que podendo comprar o uniforme, deixa de fazê-lo.

O espírito estimula a usá-lo. A mesma observação aplica-se, naturalmente, àqueles que se dedicam ao Movimento: os chefes e comissários. Eles não têm propriamente obrigação de usar o uniforme; poderiam deixar de fazê-lo se quisessem; mas em seus cargos e funções, tem que pensar nos outros antes de pensarem em si. Eu, pessoalmente uso meu uniforme ainda que seja para inspecionar somente uma patrulha. Tenho certeza que isto aumenta o tônus moral dos jovens. Isto exalta-lhes a estima e admiração por seu uniforme, ao verem-no digna e orgulhosamente usado por adultos e de responsabilidade. Sentem-se enaltecidos por serem levados a sério por um adulto que também julgam importante pertencer à mesma fraternidade que eles.

O garbo e a elegância no uso do uniforme e a correção dos detalhes podem, talvez, parecer coisa fútil e sem importância. Muito pelo contrário, desenvolvem amor-próprio e exercem grande influência na reputação do Movimento perante o público, que julga pelas aparências. Nesta matéria, o exemplo é tudo! Apresentem-me uma tropa descuidada com seus uniformes e eu (sem ser Sherlock Holmes!) poderei deduzir que seu chefe é negligente com seu uniforme escoteiro. Você deve pensar bem nisto, quando estiver envergando seu uniforme ou dando um toque pessoal impróprio a ele. Você é modelo para os jovens e seu garbo e elegância vão refletir neles.


Guia do chefe escoteiro: teoria do treinamento escoteiro, um subsídio para a tarefa dos chefes/Lord Baden-Powell of Gilwell; tradução de Leo Borges Fortes; 6ª edição - Curitiba, União dos Escoteiros do Brasil, 2000, pág. 42 e 43.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Interessante... Perguntaram-me porque sou Escoteiro!


Interessante... Perguntaram-me porque sou Escoteiro!

        - O que responder? Quem sabe dizer que amo a natureza, isto vale? Dizer que adoro contar estrelas no céu? Ou ficar acordado para ver um amanhecer nos dias frios do inverno? Sinceramente nem sei o que dizer. Posso afirmar que amo uma jornada, andar a pé sentindo o vento soprando na face, me mostrando o caminho a seguir no entardecer. Quem sabe sou Escoteiro porque adoro cantar em marcha de estrada, ouvir a passarada cantante nas florestas verdes por onde andei. E não tem nada melhor que ouvir um Pardal cantando palavras de amor para uma Rolinha ao por do sol. Ser Escoteiro é só isso? Não sei. Ainda não parei para pensar se as lindas noites da primavera em volta de um fogo valeu pensar que voei no tempo e no espaço para saber o porquê sou escoteiro. Somente a sede de aventuras bastam? Seria talvez cantar nas subidas altaneiras? Arvorar uma bandeira no pico de uma serra alcantilada? Ufa! Difícil dizer o porquê sou escoteiro.

         - Sempre me pergunto se minhas respostas à indagação de tantos me satisfaz na realidade. São tantas as respostas que a mente embaralha rebuscando no tempo e no passado o que de fato me fez ser um escoteiro. Poderia dizer que amava ouvir as cotovias cantarem nos vales por onde andei. Valeu? Não esqueço de contar quando vi o sol nascer no alto da serra de Caparaó, montanhas incríveis um espetáculo fantástico para nunca mais esquecer. Quem sabe são as descobertas, o jeito gostoso de sentir o perfume da mata, o cheiro da terra molhada, o balançar das árvores, o alarido cantante da chuva leve e intermitente no costado esperando um local para abrigar. Porque sou Escoteiro? O obvio seria dizer que sou Escoteiro porque amo a filosofia, amo a maneira simples de ter amigos, amo as frases e melodias que cantei nas estradas que percorri. Seria então o escotismo uma maneira de viver feliz?

           - Ser Escoteiro, ter uma lei para seguir e uma promessa para cumprir. Não um só dia, mas uma vida inteira. Sim, acho que sou Escoteiro porque amo a nossa fraternidade quase perfeita. Sou Escoteiro para amar e ser amado, sou Escoteiro para gritar ao vento quando ele corre pelos vales sem fim dizendo: - Eu sou Escoteiro porque amo o que faço, amo o que ele me deu, amo este pedaço de chão brasileiro que me fez feliz escoteirando pela vida que Deus me deu. Nada e ninguém no mundo me tira este amor que criei. Amor do que faço, do que fiz e do que farei. Sim sou Escoteiro. Tudo em mim vibra escoteiramente em terras do meu país.


            - E sei que um dia podem não acreditar, quando for para minha estrela no céu, chegarei lá sorrindo, abanando meu chapéu de abas largas e dizendo; - Oi turma, cheguei, eu sou Escoteiro do Brasil! Sempre Alerta! 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O Céu me trouxe alguém. O meu amigo Carlos. Mais que um amigo.


O Céu me trouxe alguém.
O meu amigo Carlos. Mais que um amigo.

                  Hoje está fazendo 53 anos que ele morreu. Partiu assim sem me dizer adeus e só fiquei sabendo duas semanas depois. Muitos têm sua própria definição de amigos. Cada ser humano tem um deles para dizer que foi especial. Costumo me perguntar o que significa ter um amigo. Tive dezenas ou centenas deles no passado e hoje no presente. Todos eles têm um lugar especial em meu coração. Mas Carlos foi diferente. Engraçado quando pensamos que o destino nos deu um presente e outras vezes ele mesmo nos tira o que amamos é hora de pensar se valeu. Para dizer a verdade nunca soube seu nome completo. Só Carlos o Escoteiro. Ficamos amigos durante três anos e meio e depois nos separamos para nunca mais nos encontrarmos. Não era amigo de infância. O conheci com 20 anos e ele também com esta idade. O que aconteceu o que fizemos nunca em tempo algum eu apaguei da memória.

                            Cheguei na Usiminas em meados de 1961 de mala e cuia, meu chapéu e meu uniforme Escoteiro pendurado em uma sacola, para começar uma nova vida de peão de obra. Assustei com aquele bando de gente indo para um lado e outro. Soube que eram mais de 25.000 peões e funcionários zanzando e trabalhando para montar e fazer funcionar uma usina Siderúrgica e para o sustento seu e ou de sua família. Deram-me um alojamento de madeira, oito beliches, homens que nunca tinha visto, mas como bom Escoteiro transformei em minha mente em uma  barraca para que pudesse seguir meu programa de trabalho. No primeiro dia no Alto Forno I conheci o Francisco. Claro que papudo logo falei do escotismo. Ele com aquele sorriso bonachão me disse que nunca foi, mas conhecia um que só falava “naquilo”!

                           Uma semana depois me foi apresentado. Se existem irmãos escoteiros vindos de outra vida eu e ele logo nos tornamos mais que isto. Ele em um horário eu em outro. Procuramos um alojamento onde podíamos ficar juntos, pois amava falar nos escoteiros e ele também. Ele Liz de Ouro e eu Primeira Classe. Ele me disse: Osvaldo, precisamos voltar às origens. Concordei. O Francisco morava em Melo Viana, um distrito de Coronel Fabriciano. – Porque não procuram o Padre Nonato? Tenho certeza que vai vibrar com a ideia. – Dito e feito. Dois meses depois surgiu o Grupo Escoteiro Tapajós (existe até hoje em Coronel Fabriciano). Mudamos para uma pensão no distrito. Abrimos um portal entre seu quarto e o meu. Enfeitamos as paredes com fotos, lembranças, com arco e flecha, com fotos de B.P com lenços escoteiros e uma parafernalha de trecos escoteiros e claro uma bandeira Nacional.

                          Fiz escotismo em cinco Grupos. Não sei se o Tapajós foi o melhor. Quantos acampamentos? Quantas atividades? Quatro salões enormes próximo ao cemitério em frente a um campo de futebol. Carlos fez de um salão o protótipo de uma Gruta na Jangal e olhem, lobos novatos tinham uma mística para entrar. Carlos era e foi para mim um dos maiores conhecedores do Lobismo. Até hoje nunca esqueço as cinco noites acordadas para decidir a cor do lenço, o nome do Grupo, o Hino, e o Grito. Dizem que até hoje lá em Fabriciano a escoteirada ainda repete a tradição. Tudo que é bom dura pouco. Carlos sentia que havia uma perseguição aos peões por parte da diretoria da usina e dos Guardas internos. Entrou para o Sindicado. Veio o Golpe de 64. Militares assumiram o poder. O inicio do fim começava a acontecer.

                           Estava em Belo Horizonte com a Célia já  casado e um filho aproveitando uma folga de oitenta horas. Guardas, militares por todo o lado e precisava voltar ao trabalho. – Voltei dois dias depois. Trens lotados de prisioneiros rumo a capital. Cheguei em Fabriciano e um amigo me disse que eu devia me esconder. Estava sendo procurado. Disseram que o Grupo tinha um lenço vermelho e as reuniões eram para formar meninos com ideias comunistas. Fui para Valadares na casa de minha sogra. Voltei uma semana depois. O Carlos desapareceu. Ninguem sabia dele. O Zé Pontes o Presidente do Grupo me disse que foi preso e levado para o DOPS da capital. Voltou um mês depois. O Grupo estava um esqueleto do que fora antes. Pais com medo, chefes se afastando com medo de serem presos.

                            Carlos me procurou naquele sábado em minha casa. Contou chorando o que aconteceu. Preso em BH queriam que ele confessasse qual era a sua “Célula”. – Que Célula? Deu sua palavra de Escoteiro e riram dele. Foi torturado, retiraram uma unha da mão com alicate. Ele gritou de dor e eles rindo. Soltaram-no na Estação o mandando desaparecer. Disse-me que ia embora. Voltar para sua velha Juiz de Fora. Ficamos várias noites conversando sobre o nosso futuro. Fiquei mais seis meses na usina até que me demitiram. Uma história para contar. Sem dinheiro, nenhum amigo para ajudar. Ele já tinha partido. Com muito custo consegui um empréstimo, pois a usina só me indenizava após entregar a casa que morava.

                             Dois chefes me prometeram que o Grupo não ia fechar as portas. Um mês depois soube da morte do Carlos. Comprou com a indenização um Karmann Guia e no trevo da BR 040 uma carreta passou por cima do seu veículo. Estava sozinho e morreu sozinho com menos de 27 anos de idade. Perdi um amigo, perdi um irmão. Cada um vai seguindo sua trilha programada aqui na terra. Daqueles que apertamos as mãos, viajamos mundo afora em busca de aventuras se existem devem ser poucos. Eu continuo esperando a chegada do meu trem na próxima estação do meu destino. Lá se foram o Carlos, o Zé Pontes, o Lucio, o Dutra, o Dimas, o Nonato, o Romildo, o Jessé o Tãozinho e tantos outros marcados em meu coração para sempre. Não posso esquecer do meu compadre Wander e minha comadre Lucia.

                             Outros também se foram, e o mundo continua girando. Porque estou dando um relato do meu passado? Porque hoje ele poderia estar vivo e conversando tête-à-tête ou pela internet a lembrar os bons tempos que já se foram. Ontem ao repousar para mais uma noite aqui na terra me pareceu que ele me cumprimentou como fazia: - Oi Osvaldo, levanta, tá na hora de escoteirar! Foi dele o termo escoteirar. Se sonhei com ele não me lembro. Acordei com uma sensação de bem estar. Breve estaremos juntos em uma estrela qualquer do céu. Aquela turma da Patrulha Lobo, aquela turma das jornadas, das atividades incríveis que fizemos juntos muitos já partiram. Até mesmo amigos virtuais que nunca apertei a mão e nem dei um abraço tenho certeza que iremos fazer muito escotismo no céu.


                            Ah! Quantas histórias. Quantas lembranças. Umas ficam marcadas e a gente quando lembra a saudade bate fundo e os olhos ficam molhados como a lembrar que valeu. Escotismo é assim, traz amigos que entram em nosso coração e ali ficam para sempre!    

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Um bravo a todos que contaram sua história.


Um bravo a todos que contaram sua história.

                        Durante dois dias postei em minhas três páginas do Facebook dois convites àqueles que quisessem contar um pouco de sua vida Escoteira. Dezenas de jovens, chefes e antigos escoteiros deram seu alerta e aqui compareceram. De uma maneira simples sem afetação, contaram quem foi os primos, os monitores, chefes e amigos que fizeram em suas patrulhas ou cursos. Foi bom demais ver cada um lembrando seu passado e até mesmo o que fazem no presente. No livro da vida escoteira cada um narrou um pouco das suas lembranças que nunca esqueceu e de sua saga escoteira. Escrever como foi o inicio, seus amigos, seus dirigentes e seu Grupo Escoteiro é sempre uma epopeia para lembrar-se do passado.

                       São histórias que nos marcam para sempre. Isto faz bem e nos dá um orgulho em dizer que também temos no sangue o amor ao escotismo. Sempre é bom lembrar o quanto à família está unida em torno de um ideal. Lembrar como os filhos lobos ou escoteiros participaram ou ainda participam sem nunca esquecer seu passado. São muitas saudades de um tempo que ficou marcado para sempre.

                     A alegria daqueles que resolveram contar suas historias, voando no tempo e no passado era como se estivessem novamente lá a fazer um escotismo de eternas lembranças entre amigos. São histórias assim que podemos dizer que nunca mais serão esquecidas. Escotismo marca. Mesmo um dia deixando de participar não se esquece. É como uma raiz que aprofunda na terra para dar vida a arvore que lhe serve de apoio. Cada minuto cada hora nas atividades seja menino, ou seja, adulto o sonho se transforma e o amor à filosofia Badeniana permanece para sempre.

                    Quem sabe um dia cada um vai receber uma pequena carta, um lembrete ou mesmo um presente de agradecimento, pois são pessoas assim que fazem nosso escotismo ontem hoje e amanhã. Quem sabe nossos lideres farão um pequeno esforço e escrever: - Olha sem você não existiria o que temos hoje. Aceite nosso muito obrigado. Precisa de mais?

Hã! Se eu pudesse, se eu fosse um mágico para dizer a cada um em sua cidade, em seu estado, em seu país que se o escotismo sobrevive é porque tem gente de alma escoteira que batalha sem esperar recompensas. Nas palavras escritas em vi amor e a fraternidade vivente na alma de cada um. Emotivo que sou cada escrita, cada descrição do monitor do primo da patrulha ou matilha meus olhos ficavam marejados de lágrimas como se também quisesse ter estado lá, a conhecer o que ficou marcado em cada um uma história que será contada hoje e sempre.  

                         Ver tanta dedicação tanta vontade em ajudar nos dá força para pular as pedras que sempre estão nos impedindo de caminhar. E pensar que somente um homem foi responsável por tudo isto. Baden-Powell. Podemos dizer sem sombra de dúvida que será sempre nosso Escoteiro Chefe mundial.

                       Não tenho poder para mostrar a gratidão que todos são merecidos. Não tenho poder para decidir um prêmio a ser dado a cada um por tão belo trabalho em prol do escotismo. Costumo dizer para mim mesmo que todos que passaram pelas fileiras Escoteiras são dignos de um Bravôo, de um Anrê, de um Sempre Alerta, pois são eles que fizeram a nossa história. Se tivesse poder eu daria uma medalha de bons serviços a cada um. Não à de bronze, não a de prata ou de ouro. Faria outra, seria a medalha de diamante dada a todos que de uma forma ou de outra deram sua contribuição ao escotismo de hoje e sempre. Ajudaram na formação de uma juventude sem esperar recompensa.


                      Obrigado a todos vocês que deixaram rastros na trilha escoteira e que do fundo do coração marcaram um tempo na história escoteira. Sem vocês o escotismo estaria parado no tempo. Nada mais a dizer. Sempre Alerta e Melhor Possível meus queridos amigos e amigas. Parabéns pelo alto espirito Escoteiro de que são possuídos.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

fatos e versões.


fatos e versões.

Fato:
B-P comentava que sem atividades ao ar livre o escotismo perderia muito no seu método e simbologia. Os acampamentos aventureiros, as atividades tempo livre, a arte de aprender fazendo, vivenciando com amigos e procurando conduzir seu próprio rumo com orientação de um adulto seria a forma correta para a formação escoteira.

Versões:
Muitos lideres escoteiros acreditam que boas reuniões de sede, boas atividades e um programa factível para a formação do jovem é suficiente para sua formação escoteira. Acreditam que nos tempos modernos a programação para um acampamento nos moldes aventureiros por se tornar difícil e o ECA faz repensar a muitos como agir em diversas situações. Outro dizem que a sua realização hoje é complexa de difícil sua realização.

Opiniões:

O escotismo de campo, o escotismo de vivência da natureza pode ser substituído por bons programas de sede? Você tem alguma opinião a respeito?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O eterno desconhecido.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O eterno desconhecido.

            Estes dias que fiquei de molho na minha barraca de primeiros socorros, tive a oportunidade de lembrar e memorizar muitos fatos escoteiros que aconteceram em minha vida. São tantos que hoje mergulhei profundamente naqueles desconhecidos que estão sempre presente ao Grupo Escoteiro, e fazem parte na mente de alguns como a mesa, a cadeira, a escrivania que estão ali para servi-los e quando não estão mais aí sim sentimos falta. Minha personagem não é um ser inanimado, é um ser vivente, presente tem sangue e sabe sorrir. Ele não é um Chefe Escoteiro, não está junto aos meninos, não vai acampar, não veste o uniforme e poucos fizeram a promessa. Quando alguém lhe agradece, quando recebe uma palma ou um bravôo, ele diz: - Obrigado, não foi nada! Estou aqui para ajudar e servir.

             Não esqueço o Oscar. No Grupo Escoteiro São Jorge onde iniciei minha saga escoteira. Todo sábado lá estava ele na sede. Custou a receber uma copia da chave. Era o faxineiro, o faz tudo, o tesoureiro, secretário e umas “cositas” mais. Participava do cerimonial. Para ele um orgulho. Disseram para ele não fazer a saudação. Acampamentos? Nunca. Quem sabe foi naquela atividade de lobos para ajudar. Ajudar? Necas! Cozinhar, limpar os banheiros e outros mais. E assim aconteceu em outros Grupos. No Walt Disney onde fui Chefe de Tropa era frei Marcolino. Incansável. Trabalhador nato pelos seus paroquianos no Convento do Alto da Serra e sem esquecer jamais dos escoteiros. Uniforme? Necas. Nunca vestiu se fez a promessa eu nem sei. Quando os militares assumiram o poder, Defendeu com unhas e dentes seus escoteiros da sanha dos militares do DOPS.

              Conheci outros. Incansáveis que nem do nome me lembro. Aqui em São Paulo ajudei no Grupo Escoteiro Paineiras. Eram tantos que o Francisco Presidente sorria de orelha a orelha. No Águia Branca onde fiquei onze anos poderia dizer da Dona Adélia, do Padre Bruno e de tantos outros que não vestiram uniforme, mas tinham prazer em ajudar e colaborar. Quantas vezes os visitei? Quantas noites conversando, reunindo diretoria, falando, cansando e deixar os dias passar? E não foram os únicos. Sei que tem centenas espalhados nos Grupos Escoteiros do Brasil. Homens e mulheres que são os autênticos voluntários no escotismo. Terão seus nomes gravados nos panteões dos heróis?

             Raciocinem comigo. O Chefe tem mais motivação pelo que faz. São os meninos e meninas, são as amizades, são as atividades Escoteiras na sede ou no campo, são os Fogos de Conselhos, as descobertas e as atividades aventureiras. Ele se torna um herói para os meninos e até mesmo para alguns destes desconhecidos que dificilmente terão o sabor que o escotismo pode dar aqueles que se põe a luta junto à meninada por este mundão de Deus. Eles não. São desconhecidos a não ser para os que estão ali ao seu lado. Chegam e saem dizendo simplesmente boa tarde ou boa noite.

              Quando você precisa de alguma coisa, lá está ao telefone falando com ele. Ficam felizes em serem registrados, terem sua carteirinha, mas tem mais fora isto? O que os motiva? São lembrados para uma medalha de bons serviços? Ou será que a UEB não vai reconhecer seus bons serviços? Recebem um sorriso simplesmente e nem são distinguidos com a Insignia da Madeira. Não participam da reunião do distrito. Quantos deles já foram a uma atividade escoteira regional ou nacional? Pois é. Sei que alguns me dirão que em seu grupo eles recebem o que merecem receber. Vou contar nos dedos da mão quantos receberam uma medalha ou ate mesmo um certificado de agradecimento.

               Lembro-me da Tati Bernardi que escreveu: - Eu tô sempre indo embora, mas aí vai um super clichê: - É de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre um louco, ainda que eu seja! – Será que aqueles eternos desconhecidos não diriam assim: Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos! Se eu pudesse eu voltaria no tempo para dizer a todos eles: Amigos, saudades nós matamos, lembranças nós guardamos, tristeza nos superamos, amigos nós descobrimos, mas pessoas especiais como você, nós nunca esquecemos! Ah! Saudades demais deles e de tantos que nos trouxeram tanta força e na hora não soubemos dizer muito obrigado.

                 Estes desconhecidos são os verdadeiros heróis do escotismo. Não vestem o uniforme, não são amigos dos deuses do poder, não recebem medalhas, nem mesmo uma frase de agradecimento. Para a liderança irracional eles não existem a não ser ali, em um cantinho do registro dizendo: - Senhor Fulano, secretário. Mais nada. Pode fazer cinco, dez, quinze anos. Nunca usaram um distintivo de atividade, quem sabe um de lapela. Não importa, eles na menção que se faz do intelectual e moderno Escoteiro são apenas um... Nada. Sabem servir, sorrir e dizer podem contar comigo. Mas como fazem falta. Fazem falta demais...


                  Se você meu caro amigo e leitor tem alguém que é esquecido, faça seu trabalho. Dê a eles o que merecem. Não apenas um aperto de mão tem muito mais a fazer do que simplesmente dizer: - No meu grupo eles são valorizados!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Apenas uma reunião de Gilwell.



Apenas uma reunião de Gilwell.

                    Não eram tantos, mas era um número considerável para aquela reunião de Gilwell em uma floresta perto da cidade. Um bom bocado nunca tinham participado e esperavam ansiosos pelo seu inicio. Sempre tiveram o sonho de estar lá, junto com irmãos escoteiros que tiveram de se esforçar para pertencer com orgulho do 1º Grupo de Gilwell. Muitos comentavam que o que ali se passava era confidencial, outros não escondiam que era uma reunião de amigos, uma historia uma lenda, e confraternizar com a Canção de Gilwell lembrando o título de sua matilha ou patrulha e cantar como se ainda estivessem em cursos passados.

                   A espera do inicio fazia com que muitos olhassem no relógio, conversassem entre si, para que a impaciência não tomasse conta do sonho de ser mais um do 1º Grupo de Gilwell. Finalmente foram chamados ao salão. Em circulo olhavam uns para os outros, os mais novos e mais antigos o que se deduzia que ali a fraternidade reinava de maneira concreta e real. Ninguem esperava, mas adentrou a sala um Velho Escoteiro, fisionomia carcomida pelo tempo, com um toque, toque de sua bengala, foi até onde estava o dirigente da reunião e educadamente pediu a palavra. Todos o fitaram e esperavam ansiosos no que ele ia dizer.

- Caros amigos e irmãos de Gilwell, estamos aqui reunidos alguns pela primeira vez, pensando como seria e como deve nosso encontro e nos transformar na Grama Verde Gilwell onde histórias ficaram marcadas para sempre em volta do fogo na clareira. Muitos de vocês já ouviram falar do primeiro encontro onde Baden-Powell dirigiu uma breve palavra a todos. Não vou repetir suas palavras e sim acrescentar outras que vale a pena ter a atenção de todos. – Vocês sabem, essa nossa vida é tão curta... O tempo em que ficamos neste mundo é tão breve... E esquecemos que existem tantas coisas boas, úteis, concretas e que, principalmente, estão ao nosso alcance e as deixamos de lado. Não lhe damos a atenção necessária. Talvez por não acreditarmos que os momentos e os detalhes são únicos. Ou talvez por esquecermos que as oportunidades podem ser descartadas, mas dificilmente repetidas.

- Deu uma parada, respirou fundo e continuou: - Estamos sempre nos queixando pelas grandes obras que não podemos realizar e deixamos de lado aquelas pequenas que nos são possíveis. Vivemos desejando asas, enquanto nossos pés nos convidam a pisar firme no chão. Acreditamos que a nossa felicidade está naquilo que desejamos e deixamos de amar o que possuímos. Nossa vida é breve e temos muita coisa útil a realizar. De modo algum se justifica nossa busca por satisfações efêmeras, enquanto nossa realização está justamente naquilo que já é nosso.

- Respirou fundo e terminou dizendo: - Devemos nos lembrar de que passaremos por este caminho, este mundo, uma só vez. Precisamos, portanto, aproveitar estas oportunidades única e breve, precisamos reconhecer que somos chefes e se estamos aqui foi porque Deus nos deu esta missão. Que o espírito de BP esteja neste encontro, que Gilwell signifique para todos mais que apenas um lenço e um certificado... Sempre Alerta!

                    Deu um sorriso, e saiu da mesma maneira que entrou desaparecendo na penumbra da floresta onde se realizava a reunião!


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Com quantos paus se faz uma canoa? (Baseado em fatos reais).


Com quantos paus se faz uma canoa?
(Baseado em fatos reais).

Com um só. A canoa é uma embarcação indígena que consiste num tronco oco. A expressão popular é "Vou mostrar com quantos paus se faz uma cangalha",

Perguntaram a Pirilampo da Patrulha Raposa com quantos paus se faz uma canoa. Ele ficou indeciso. Falou com seu Chefe e seu pai. – Porque não fazer uma! Disse seu Chefe. Mãos a obra. Seu pai lhe deu um velho tronco de quase três metros um serrote e uma Enxó. Ele já tinha um facão e uma machadinha. – Ficou nove meses para dar forma a sua canoa. Finalmente ficou pronta. Catapulta o Sub. Perguntou; - E os remos? Não foi fácil mais um mês se lá estavam eles. Siri o Intendente levou a carroça de seu pai para levar a canoa até o rio. Toda Tropa estava lá na Prainha do Mandi para ver a canoa de Pirilampo.

Foi arrastada até o rio e Pirilampo sorrindo entrou na canoa e partiu rio abaixo. Na curva da Traíra a canoa afundou. As patrulhas gargalhavam da infelicidade de Pirilampo. Pirilampo todo molhado chorava e os outros riam. O Chefe reuniu a Tropa. – Pirilampo, você aceitou o desafio. Saiba que uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. Assim como nós escoteiros participar é enfrentar desafios. Aquele que nunca aceitou um desafio passou pela vida, mas não viveu! – A Tropa irrompeu em um Bravôo tão alto que até os Macucos e Pica Paus da Ilha do gavião se assustaram.


Pois é, como dizia Martin Luther King à verdadeira medida de um escoteiro não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio. Sempre Alerta!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Olá! Vou acampar, quer ir comigo?


Sonhos de um velho Escoteiro.
Olá! Vou acampar, quer ir comigo?

              Não faço escolhas, todos são bem vindos. Basta ter disposição, levar a sério a Lei do Escoteiro e aceitar acampar sorrindo sem reclamar. Isto é fácil? É sim. Basta acreditar que vai ser feliz, que vai estar com amigos que lhe querem bem, e não esquecer as velhas dicas que aprendeu quando acampou. Acredito que este acampamento marque seu coração para sempre. Será um acampamento diferente, em um local desconhecido, mas que nunca mais será esquecido. Iremos trilhar uma montanha e chegar a uma clareira onde todos ficarão perplexo por ver tamanho encanto em um lugar bem perto do céu. Anote no seu livro da vida o que deve levar: - Uma mochila verde ou azul para não destoar com as cores do arco-íris. Leve o mínimo que vai precisar, pois lá tem tantas coisas que nada vai faltar.

              Se quiser levar mais alguém fique a vontade. Mas que tenha espírito Escoteiro para apreciar como a vida é bela, como a natureza nos oferece as benesses de uma vida cheia de graça e formosura. Nosso encontro será na Estação do Amor, perto da Rua dos Sonhos e chegue no horário. O Trem da felicidade não espera ninguém. O Alegre Condutor “Seu” Manoelito, que vive a acariciar seu bigode enorme adora um abraço, um sorriso antes de o trem partir. Insisto, não leve uma tralha enorme. O local tem tudo afinal à natureza é prodiga e nos oferece o dom da vida e do apego para se viver em fraternidade.

              Não importa qual cidade você mora. Se for difícil vir até onde vamos partir me avise. Um pé de vento irá te buscar sem reclamar. Já pensou você eu e tantos amigos virtuais se encontrando, se abraçando, belos sorrisos acontecendo, apertos de mãos que ficarão gravados para sempre? Vamos partir no horário, o trem terá quantos vagões de primeira classe for necessário para a viagem dos que se dispuseram a aceitar meu convite para o acampamento dos sonhos. Vamos ter muitas cantorias. As mais belas canções Escoteiras serão lembradas e vais ver que sua voz se transformou isto porque agora está acreditando que estamos partindo para o acampamento de sua vida.

                Não mais de cinco horas de viagem e o trem vai parar no Sopé da Montanha da Fortuna e Felicidade. Ao descer observem um túnel a frente. Dizem que é o túnel dos escoteiros e que quem entra nele nunca mais quer sair. Vamos seguir uma trilha perfeita com cravos amarelos, margaridas brancas, malmequeres lindos todos circundando a trilha vai nos acompanhar até o nosso acampamento do amor. Não se assuste ninguém vai se cansar. As paradas não tem hora nem lugar. Basta um sinal para que possamos fazer uma “(siesta)”. Macucos pardais e Bem ti Vis irão aproveitar para chilrear a canção do Escoteiro. Não conhece? Preste atenção e vais adorar. A um zum trazido pelo vento, é outro grupo de amigos escoteiros descendo a serra. Vai ser uma confraternização sem igual.

                  Eis que chegamos ao nosso destino. Olhe esqueci-me de dizer. Todos bem uniformizados. Os pássaros e os animais da floresta estão acostumados com garbo e boa ordem. Use o uniforme que quiser não há obrigação de escolha. Mas não decepcione aqueles que vão lhe saudar. A vista é maravilhosa. Lá em baixo o Vale das Rosas parece aplaudir nossa chegada. Chegamos. Barracas? Não precisa. O céu irá nos abrigar. Cozinha? Nada disto, o néctar das flores, o perfume de um Gira Sol e frutas silvestres nos dará o que comer. Sentem-se, aproveitem o acampamento dos sonhos. Respirem fundo, fechem os olhos e relaxem, pois chegamos a um vale inesquecível que irá marcar todos vocês para sempre.

                 Programa? Você quem faz. Quer colher flores? Fique a vontade. Quer ir ao pomar apreciar ou deglutir as frutas mais saborosas? É você quem decide. Quer pescar? Olhe os peixinhos pulando no remanso da Cascata que parece cair do céu. Mas não esqueçam todos aqui à noite. Vocês serão meus convidados para um bate papo informal em volta de um foguito. Teremos bananas, batatas, aipim, pão do caçador e iguarias que vocês nunca iriam pensar. Mas sabem o melhor? Um cometa irá passar entre as estrelas brilhantes e os que quiserem passear com ele fiquem a vontade. Ele vai dar uma pequena volta no espaço sideral. Vamos passar por Cancri-e, um planeta coberto de diamantes. Há 49 anos luz da terra iremos ver seis estrelas orbitando ao redor de um centro de massa. Este sistema solar se chama Castor. O sol lá é mais brilhante que o nosso. Quem quiser se bronzear fique a vontade.

                  Incrível não? E olhem só quando chegarmos a Estrela Azul que orbita em torno da Estrela Amarela. A luz que emerge é fenomenal. Dizem que é superior a estrela criada por Einstein e sua teoria Rings. E por último iremos visitar o “viveiro de estrelas”, centenas de milhões de anos-luz de diâmetro. É esplêndido. Mas é hora de voltar. O Fogo de Conselho vai começar. Não vou contar o que faremos. Dizem que nas florestas o ambiente sadio está na melodia... Cantar é como montar efeitos fantásticos na mente. Dizem que ajuda a relaxar e acalmar. O que? Querem saber sobre o Fogo do Conselho? Não irei contar. Cada um tem alguma coisa para dar ao programa um sabor inesquecível. Tem muita coisa mais neste acampamento que vocês foram convidados. Nada direi da alvorada, do canto dos pássaros, do zumbido dos insetos do murmúrio do riacho e de milhares de outros sons da natureza e o espetacular nascer do sol.


                        Aceita então ir acampar comigo? Se aceitar venha com entusiasmo, com chama escoteira, com ardor de fraternidade. Seja bem vindo e atenção, seu Manuelito avisa que o trem já vai partir!