Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

domingo, 29 de junho de 2014

Lista de material para acampamento.


Escrevendo e aprendendo
Lista de material para acampamento.

Encontrei na internet esta lista de material para quem vai acampar. Achei muito extensa, mas resolvi publicar. Eu na minha época não levava nem quinze por cento desta lista, mas como hoje os tempos são outros espero que ela seja útil para os nossos acampadores. Lembrem-se usem o bom censo para nada faltar, mas não leve o supérfluo. O peso de sua mochila faz a diferença em uma jornada.

O material que levas para uma atividade depende muito da duração, daquilo que vais fazer, das condições climatéricas, etc. Deixamos-te aqui uma lista extensa, a título de exemplo, para que possas escolher da melhor forma aquilo que precisas levar para o teu acampamento.

Higiene pessoal
§  Toalha
§  Escova e pasta de dentes
§  Sabonete (numa caixa própria, de plástico).
§   
Roupa e calçado
§  Chinelos de praia, para poderes tomar banho (cuidado com o "pé de atleta").
§  Mudas de roupa interior (uma por cada novo dia)
§  Abrigo de treino (Moletons) (substitui o pijama e é mais prático)
§  Calçado confortável para caminhadas
§  Agasalho para a noite
§  Chapéu de abas (caso não tenhas o chapéu use outra cobertura para proteger do sol).
§  Calção ou short de banho.
§   
Alimentação
§  Cantil
§  Copo (não de vidro)
§  Prato fundo (não de vidro)
§  Talheres (faca, garfo e colher).
Vários
§  Saco-cama
§  Colchonete
§  Lanterna (pilhas e lâmpada de reserva)
§  Bússola
§  Canivete ou faca de mato
§  Caderno de caça
§  Caneta e lápis
§  Isqueiro ou caixa de fósforos
§  Papel higiénico
§  Saco plástico para lixo
§  Saco plástico para roupa suja
§  Protetor solar (para o verão)
§  Rolo de sisal ou outro material.
§   
Para emergências
§  Estojo de primeiros socorros
§  Kit de linhas e agulhas para costura
§  Lista de telefones de bombeiros, GNR, etc. e outros telefones úteis da zona para onde vais acampar.
§  Pequeno manual de primeiro socorros.
§   
Em tempo de chuva
§  Casaco impermeável
§  "poncho" impermeável (para cobrir o corpo e a mochila durante as caminhadas)
§  Caixa de plástico pequena ou saco de plástico hermético para guardares documentos ou outro material importante
§  Sacos de plástico para embrulhar roupa e saco-cama quando vão dentro da mochila
                        Calçado de reserva.


Agora é aprender, sei que muitas vezes a experiência nos ensina e você deve praticar. Acampe, excursione, vá lá onde ninguém foi, descubra, suba montanhas e cuidado, se a mochila estiver muito pesada já sabe o que fazer da próxima vez. Descarte sempre o que não usou uma única vez.

domingo, 22 de junho de 2014

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Sempre escrevo e conto histórias onde a aventura, a natureza e os belos sonhos Escoteiros estão presentes em todas as linhas dos meus escritos. Muitos dizem que o hoje não foi o ontem e o amanhã ninguém pode saber. Verdade sim, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que sem ninguém mandar se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto ainda existe, de maneira diferente, pois hoje os jovens nem pensam como se pensava no passado. Será mesmo? Não seria nossa culpa, pois aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar mais que não existem Escoteiros sonhadores?

        Quem sabe nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se for assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, sorrir ao contar que poderiam todos viajar pelas estrelas no céu azul? Seria esta hipótese plausível? Não precisa de muitos, pois não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão e não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você fará para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens que de novo irão sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Deixe que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não têm sonhos crie um para eles copiarem e fizer os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver em forma de escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento são deles e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade. Termino este comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.

           Convenhamos que eu não seja um estudioso das tradições do uniforme Escoteiro brasileiro. Sei apenas o que vi e vivi com ele e outros amigos. Não vou dar um testemunho como foi em todo Brasil, para mim impossível, mas posso falar mais na minha área de atuação. Este é um artigo que não pretende de maneira nenhuma provocar uma discussão. Sei que nosso uniforme ainda levanta duvidas e hoje muitos que fazem parte da nova geração acreditam que o presente nada tem a ver com o passado. Tenho dito em todos os lugares aonde vou e mesmo em meus parcos escritos que faço do tema, que é difícil analisar uma era sem ter nela pisado com seus pés e sentido o calor do chão de terra. Os novos eruditos que se arvoraram em donos da verdade, muitos deles sequer conheceu o passado a não ser por escritos fazem hoje de suas belas palavras uma verdade que acreditam ser intocável. Não sei. Chega de polemizar. Já me disseram que isto não leva a nada. Fico somente com a análise do uniforme básico. Os do mar e do ar quase não sofreram mutação e até hoje se mantem no tradicional quando foram criados. Parabenizo a eles por este amor que até hoje sentem pelo seu passado.

           Uma vez em uma pequena clareira, um foguinho gostoso um Chefe meu amigo e antigo mineiro já falecido, Doutor Francisco Floriano de Paula comentou com voz calma e ponderada que em Minas no inicio do escotismo o uniforme foi o mesmo usado na Inglaterra. Uma espécie de caqui mais cinza com meiões pretos. Com o passar do tempo surgiu à calça azul com camisa caqui e assim permaneceu por muitos anos. Parece que a partir do final da década de 40, o caqui começou a se expandir por vários estados. Lembrem-se estou falando pelo meu estado Minas Gerais. Não vou contar aqui o que aconteceu quando o governo querendo uma expansão rápida do escotismo nomeou cabos e soldados para organizarem Grupos Escoteiros em todas as cidades. Os uniformes surgiram a bel prazer. Se no sul e no norte não foi assim fica o dito pelo não dito. Quando entrei para o movimento em 1947 os lobos usavam o azulão com o boné conhecido. Os Escoteiros já usavam o caqui curto, chapéu de abas largas e nunca se via adultos trajando calça comprida. Era como se diz uma tradição, pois BP nunca usou o uniforme com calça comprida. Sei que em vários estados ou cidades alguns grupos fizeram adaptações que não eram normativas. Assim apareceu o verde e cores parecidas com o caqui.

             O caqui, portanto era considerado o uniforme oficial dos Escoteiros da modalidade básica no Brasil. Em 1969 muitos já forçavam o uso da calça comprida. Discutiam que em cada estado devia haver uma abertura e varias ideias foram sugeridas. A temperatura de estado para estado, e o estilo de vida da comunidade foram dados como exemplo. Nota-se com orgulho que até no inicio da década de setenta via-se a liderança escoteira portando sempre o caqui curto em qualquer atividade nacional. Eu mesmo conheci Escoteiros Chefes e altos dirigentes não só da nacional como estaduais orgulhosos no seu uniforme caqui. Entretanto havia uma pressão enorme de adultos e seniores achando que precisávamos de um novo uniforme, mais apresentável (?) um que eles pudessem estar bem trajados em atividades sociais, reuniões extra sede e assim em 1975 formalizou-se o uniforme ou traje Azul mescla. O Chefe Darcy Malta Escoteiro Chefe na época, em visita a minha casa explicou como foi sacramentado o novo uniforme apesar de ser contra. Esqueçam esta de farda, uniforme, traje e vestimenta. No fundo tudo é a mesma coisa.

             Para que os adultos levassem a sério o novo uniforme, vamos chamá-lo de traje, a UEB enviou a todos os Grupos Escoteiros do Brasil um ofício via correio explicando como ele seria confeccionado, quais as ocasiões para o uso e juntou-se um desenho e pasmem-se: - um pedaço do pano tanto da camisa como da calça comprida. Havia a preocupação de que todos fossem reconhecidos sem nenhuma alteração no visual. Para maior formalidade foi dado à possibilidade do uso do paletó e gravata. Que eu saiba uma minoria adotou este último e que em minha opinião não tinha nada de escoteiro. No POR se sacramentou as normas e uso. Todos ficaram sabendo que o dirigente de qualquer atividade determinaria qual uniforme deveria ser utilizado. O POR era firme em um dos seus artigos que dizia nas atividades escoteiras os chefes deviam usar o tradicional, ou seja, o caqui. Eu mesmo dirigi vários cursos onde se exigia ou o traje ou o caqui. Em vários avançados da Insígnia da Madeira que fui o diretor pedia sempre os dois uniformes. Cada dia usamos um ou outro. O intuito era não só formalizar, mas mostrar que a uniformização deveria ser ponto de honra para nós Escoteiros. Interessante que sem a tecnologia de hoje, a disciplina era irreversível. Poucos destoavam e obedeciam sem discutir.

          A partir do meio da década de oitenta muitos adultos e seniores passaram a usar o azul mescla, mas com calças jeans desvirtuando o sentido da aprovação do traje no passado. Não esquecer que por volta de 1984/85 foi formalizado o escotismo feminino no Brasil e um novo uniforme foi acrescentado para elas. Dai em diante a cada liderança nova na UEB a abertura era constante. Acrescentou-se itens e banalizou-se completamente o sentido do uniforme SOCIAL. Cada grupo podia escolher com todos os seus participantes o que gostaram de usar. O próprio chapéu foi escamoteado abrindo a possiblidade do uso de bonés e outras coberturas. Lembramos que a própria UEB em sua loja vende um tipo de cobertura feita de brim ou similar e esta se espalhou por vários Grupos Escoteiros como uma chama. É comum ver o Chefe com ele e os jovens sem nenhum. Finalmente no final da década de noventa bastava portar o lenço com uma camiseta e se considerava uniformizado. A própria UEB foi quem criou esta Torre de Babel com o uniforme Escoteiro. Hoje se arvoram em dono da verdade e impuseram um novo uniforme a quem chamam de vestimenta.

          Com a participação em jamborees e atividades internacionais em outros países copiou-se o lenço preso nas pontas dando uma nova conotação da liberdade individual. Na nova vestimenta ficou a critério de cada um escolher como vestir e esqueceram-se da uniformidade o que sem sombra de duvida é o melhor marketing para o movimento Escoteiro. O tempo dirá. Cada um escolhe se quer a camisa solta ou não. Meiões ou não. Calça curta ou comprida. Lenço bem colocado no pescoço ou solto a escolha. Se isto vai dar nova visibilidade ao escotismo brasileiro vamos aguardar. Comparar o ontem com o hoje não é fácil. Era uma época que tínhamos o maior respeito com nosso uniforme. Nenhum novato poderia colocar peças antes da promessa. Todos faziam questão de estarem bem uniformizados e bem apresentados. Era uma questão de honra. Ninguém saia de casa sem ele. Impossível pensar em vestir na sede, pois o orgulho fazia parte de qualquer Escoteiro. Afinal o próprio BP já dizia que o melhor marketing do escotismo é um Escoteiro bem uniformizado.


             Brinco muito com amigos que comentam comigo sobre a uniformização que uma vez lá pelos idos de 1956 em uma jornada de mais de quinhentos quilômetros, de bicicleta pelo norte de Minas e na região do Vale do Jequitinhonha, próximo à cidade de Almenara, portando orgulhosamente o caqui curto com o chapelão, paramos em um boteco para comer alguma coisa e logo juntou ao nosso redor uma grande multidão de moradores. Em principio calados logo começaram a gritar – São os Escoteiros! São os Escoteiros! Olhamos pasmados aquela multidão que sem pedir nos saudou com uma estrondosa salva de palma. Bah! Emocionante isto. Será que teremos isto com a vestimenta?  Velhos e saudosos bons tempos!

domingo, 8 de junho de 2014

Cozinha mateira? Sei não!


Conversa ao pé do fogo.
Cozinha mateira? Sei não!

          Hoje existe uma plêiade de bons mateiros que se divertem no campo a fazerem comida mateira. Nos dias de hoje porque não? É o pão do caçador? A sopa de cebola? O pão do minuto? Ovo no espeto? Ovo na casca de laranja? Ovo no barro? Milho assado na brasa? A maçã recheada? Frango no barro? Carne moída na batata? Arre! São centenas se deixar os mateiros Escoteiros engordam esta lista em minutos ou horas. Dizem os bons técnicos mateiros que a comida mateira escoteira é a técnica de se cozinhar sem a utilização de utensílios domésticos. Dizem também que é a comida típica dos Escoteiros nos acampamentos. Um deles disse que preparar a própria comida é um desafio e sempre uma grande distração para os jovens. Saber improvisar, ter paciência ver como substituir as tradicionais panelas (pelo menos se tem uma vantagem, evitar lavar panelas, arre!).

            Nada como um bom fogo, boas achas para brasa e já pensou colocar ali uma banana verde uma cebola, uma batata e enrolar o pão do caçador para depois de cozido se deliciar? Só não vale um churrasco no campo de patrulha. Não vale? Vale sim, uma noite fria, um bom fogo mateiro, caçar uns patos do mato ou marrecos, quem sabe uma carninha de tatu, uma cobrinha bem limpa e cortar em rodelas pequenas ficadas em espetinhos, ou de um belo Gavião que vou baixo e se danou? Bom demais. Bem sei que hoje isto não pode, mas quantos patos selvagens ainda existem por aí? Está dando sopa nas lagoas o pato-do-mato, pato-crioulo, pato-bravo, cairina, pato-selvagem e o pato-mudo. Haja patos para encher a “pança” dos escoteiros. Risos. Não pode? Bem o respeito à natureza e a liberdade dos animais e pássaros precisam ser respeitados. Mas ouve uma época que nós Escoteiros vivíamos da natureza selvagem. Na mochila não faltava meio quilo de sal, um vidro de gordura de porco, (quase não havia óleo de cozinha) eu gostava de uns dentes de alho e dependendo o lugar a acampar isto bastava. Lista de mantimentos? Meu Deus! Nem pensar.

             Será que teríamos jovens para um acampamento assim? Uma mochila, uma manta, mudas de roupas e material de higiene, uma pequena lona de 1,5x1,5, claro não podia faltar uma boa faca mateira, um canivete Escoteiro, uma machadinha pequena e mais nada. Ops esqueci o sal a gordura e o alho. Sem eles dava para se virar, mas no máximo alguns dias. E você quer ir comigo? Use de sua imaginação e lá vamos nós. Para onde? Para onde o vento nos levar. Quem sabe na lagoa do Epaminondas? Gente boa. Sempre a nos presentear com um franguinho vivo ou morto. Risos. A lagoa era o máximo. Dela tirávamos belas traíras, bagres e quando chovia enormes corvinas. Pegamos uma vez um pequeno Jacaré. Coitado serviu a seis seniores sem saber que eles adoraram. E os patos selvagens dando sopa a pedir: - Nos faça no espeto bem tostado, por favor! Risos. Uma sopa? Era só desencavar a macaxeira, ou melhor, o aipim, mandioca-doce, mandioca mansa e frita então? Bela lagoa. Era como dizia Pero Vaz de Caminha, nesta lagoa se plantando tudo dá. Mas ele estava errado, nela não precisava plantar, pois tudo dava.

           Mas vamos lá, não vamos ficar somente na lagoa, quem sabe ir até o Rio Chorão? Gente ali vamos nos fartar de peixe, Zé Bigode o intendente da Patrulha Leão, aquele que não tinha bigode disse que pegava com as mãos. Verdade ou não na piracema lá na curva da Cachoeira do Cavalo eu mesmo peguei vários. Mochila nas costas, desfraldem a bandeira e lá vamos nós continuar nossa jornada. Cuidado ao atravessar o Riacho do Piraçu, a correnteza é forte, mas se amarre no cipó e fique frio. Melhor arranchar ali. Tem uma clareira na Mata do Guaporé linda de morrer. Cada um faz uma coisa. Um prepara o fogo mateiro, outro veja a lenha, eu vou buscar uns timburés e uns xuxu do mato. Aqui tem dos grandes. E você Akelá entre na selva e veja se encontra uma colmeia e devagar sem alarde retire um ou dois favos. Não tenha medo das abelhas. Afinal elas sabem que você é uma escoteira. Vamos retirar da cera todo mel que precisarmos. Vamos nos empanturrar de doces de mel. Tem vasilhame? Que isto minha cara Chefe, estava na lista?

         Acho que não vai chover turma portando durmam com Deus. Que o céu seja sua barraca. Fiquei a vontade para contar as estrelas, façam seu pedido ao passar de um cometa brilhante no céu. Eu hoje nem papo quero, estou cansado e preciso de descanso, pois amanhã o dia não vai ser mole. Sei onde estão as galinhas d’angolas selvagens. Muitos as chamam de Cocar. Vamos pegar três e vamos nos regalar. Um bom cipó e aqui na floresta eles abundam em todo lugar. Você sabia que temos uma grande variedade deles? Tem espécies medicinais, são bons para diarreia, hepatite, leishmaniose e até câncer. Bem não sou medico, mas além de servirem como uma boa corda, os uso como tempero e conheço um com aroma e sabor de alho e cravo. Putz! Sua meia está furada Chefe? Troque já. Calo nas jornadas não é bom. E vamos dar belos galopes atrás delas e não acreditem nelas, são danadas para gritarem: - Tô fraco! Tô fraco! Risos. Se forem bons chefes vamos pegar umas três rapidamente. Depois abrimos o bucho, deixamos as penas, dentro um pouco de óleo e sal e já devemos ter pronto as assadeiras. Três buracos de uns 40 de fundo por 12 polegadas de diâmetro. Cobrir com barro (as galinhas d’angola) e colocar na brasa fechando o buraco em seguida.


            Agora pé na taboa. Deixe as gostosas galinhas d’angola se aquecendo. Vamos voltar em três horas e elas estarão prontas. Ao tirar o barro saem as penas. E que delicia! Mochila nas costas e lá vamos nós novamente. Na Floresta do Jangadeiro vai ser fácil encontrar a Castanha e o Açaí. E olhe o que não falta lá é o Palmito (uma delícia) e na descida vamos passar pelo Lago Vermelho. Uma vez encontrei lá belos inhames, maracujás bananas da terra e folhas de lobrobô. Não conhecem? Risos. Vais ver o ensopado que vamos fazer sem panelas. Sem panelas? Calma. É o truque que uso. Não conto para ninguém, só para quem acampa comigo risos. Quem vai aguentar cinco dias assim? E dez dias? É não é fácil. O melhor mesmo é voltar a Comida mateira. Tudo é levado da sede. Lá é só preparar. Mas você que esteve comigo nesta bela viagem de sonhos aventureiros não gostou? Lembra-se do Macaquinho que pulou em seu ombro na selva do Soldado? São tantas lembranças que tenho certeza estes cinco dias vão lhe marcar para sempre. Quem sabe um dia vamos voltar?        

terça-feira, 3 de junho de 2014

Hinos, marchas e contra marchas.


Crônicas de um Chefe escoteiro.
Hinos, marchas e contra marchas.

             Por que devemos ensinar civismo e cidadania aos nossos jovens? Afinal o significado de patriotismo faz ou não parte do vocabulário Escoteiro? Li não sei onde que a cidadania se constrói com convivência e esta praticada sempre se torna um hábito de comportamento. Um poeta disse que não existe sucesso ou felicidade sem o exercício pleno da cidadania, da ética e do patriotismo. Falaram-me que o decreto lei 5.700 de setembro de 1971 e mantida pela constituição de 1988 obriga as escolas do ensino fundamental e médio a hastear a bandeira e cantar o hino uma vez por semana durante o ano letivo. Será que isto acontece? Dizem alguns que isto nos faz voltar ao passado do governo militar e a lembrança deste regime assusta ainda a muitos. Sei de um politico que defende estas práticas com o seguinte argumento: - A pratica de tais ações podem nos lembrar das diretas-já, a Ayrton Senna que sempre teve consigo uma bandeira do Brasil e isto encerra em si mesmo o amor à pátria, encontra nesse amor o seu maior significado.

           No escotismo a prática de cidadania e civismo ainda não foi esquecida. Apesar do medo constante de alguns pela prática de ordem unida os jovens ainda tem o orgulho de se formar em uma atividade escoteira, aprendem que descansar e sentido faz parte da disciplina escoteira. A Cerimonia de Bandeira é em qualquer grupo um orgulho de todos os participantes. Esta é uma pratica que ainda se mantem viva no espírito Escoteiro e isto nos dá o sentimento patriótico, nos amplia e reforça a visão de família unida em favor de um bem comum. Afinal a pátria não é mais que uma agregação de famílias sustentada por um tronco comum a todos. Nos falta, porém a prática de cantar e se orgulhar de nossos hinos. Tomemos como exemplo o Hino dos Escoteiros do Brasil o Rataplã. Lembro bem que nos tempos idos ninguém recebia a Segunda Classe ou a Segunda Estrela sem saber cantar o nosso hino. Não sei como isto hoje é interpretado. E o Hino Nacional? E o Hino a Bandeira? Não esquecendo o hino da Proclamação da República e hino da Independia do Brasil. Já cantaram o hino do marinheiro? O Cisne Branco é um dos mais belos hinos militares de nossa pátria. Mas temos tantos. O hino do exercito – Nos somos da pátria a guarda, fieis soldados... E assim poderia enfileirar outros tantos lindos hinos aqui.

        Mas voltemos ao nosso hino. Antes era obrigatório para se conquistar uma eficiência, classe ou especialidade isto ainda existe? Nem sei mesmo se nos cursos Escoteiros que são aplicados pela União dos Escoteiros do Brasil se canta os hinos ou mesmo o Hino Alerta. Cantam? Eu gostaria de imaginar no final ou meio de um jamboree, com mais de 5.000 participantes e o apresentador dizer – Estamos premiando com taxa gratuita, dois uniformes, uma barraca, material de campo e sapa, uma bandeira Nacional se tivermos aqui um Escoteiro ou escoteira (não vale Chefe) que saiba cantar nosso hino sem errar, dizer quem foi o autor, qual a data que ele escreveu e quando a UEB considerou-o como nosso hino. Quantos iriam ganhar o prêmio? Isto sem contar sobre o Hino Nacional e o Hino a Bandeira. Quantos sabem quem escreveu e as datas? Risos. Se aparecer alguém eu ficarei surpreso. Mas se isto não acontece não temos culpa? Estamos preocupados com tantas outras coisas que consideramos importantes e quem sabe estas são esquecidas.

       Eu sei que os jovens não só de hoje, mas no passado também são meio avoados com estes hinos. São atividades para eles cansativas e sem graça. Se não aprendermos a criar meios alegres e motivados dificilmente eles irão aprender ou cantar. Mas lembremo-nos que nem sempre nós chefes temos uma voz agradável. Isto tira toda a expectativa e interesse. Conheci um Chefe que tinha um amigo com uma linda voz e ele como Instrutor de especialidade dava um toque especial quando cantavam os hinos. Outro fez um concurso por patrulhas onde era vencedora a que cantasse completa dois ou três hinos. Agora em muitos grupos era obrigatório em todas os cerimoniais que se cantasse um hino. E olhe se premiava a patrulha que melhor se apresentasse. Que as canções e hinos sejam cantadas e não gritadas. Que um instrumento musical seja usado e isto vai dar outra visão e audição de quem canta.

       Uma vez perguntei a uma patrulha o que é musica. Quase cai e costas quando um menino respondeu – A música é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar sons e ritmo seguindo uma pré-organização ao longo do tempo. É considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana... Depois fui saber que sua família fazia questão de levá-lo a consertos de grandes orquestras e em sua casa se ouvia muito musicas diferenciadas. A escolha musical é privilégio de cada um, mas a concepção de musica no seu verdadeiro sentido deve ser motivo de seguir para se tornar um habito de comportamento. Escotismo tem outras portas que devemos entrar e ver se lá dentro encontramos uma maneira de educar sem substituir os pais e a escola. Certos valores devem ser adquiridos com a participação não só espontânea como frequente. Os deveres fundamentais para uma vida coletiva visando preservar a sua harmonia e melhorar o bem estar de todos não se adquire só com a experiência. O Chefe Escoteiro tem uma parte fundamental em tais práticas.

            Encerrando lembro que deixar que os outros o façam é uma forma de não assumir algumas responsabilidades que cabe a nós voluntários. O civismo consiste no respeito aos valores às instituições e as práticas especificamente políticas de um país. Não podemos fugir destas responsabilidade onde pretendemos dar ao jovem noções de comportamento dentro da sociedade em que vai permanecer. Hinos, bandeiras, atitudes se traduzem em ética e valores morais. Que cada um de nós pense a respeito e possamos olhar o futuro como a dizer as palavras de BP – O que importa é o resultado.


E VOCÊ? SABE CANTAR DO INICIO AO FIM O NOSSO HINO ESCOTEIRO?           

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Normas e condutas escoteiras.




Conversa ao pé do fogo.
Normas e condutas escoteiras.

                 Coisas interessantes para meditar. Sugestões para chefes escoteiros novatos, pois os antigos já fazem isto sem sombra de dúvida.

Primeiro - Em todo o Grupo Escoteiro a admissão do jovem ou da jovem não deve ser encarado como um simples ato de admissão. Valorizar seu primeiro dia assim como o dos seus pais é um passo para que ele se sinta importante em pertencer a uma associação escoteira onde encontrou a fraternidade que tantos apregoam. Após a apresentação onde se dará a importância da cerimonia, onde ele e os pais foram apresentados com uma salva de palma escoteira e algumas palavras de boas vindas, um Chefe da sessão que ele vai pertencer deve estar preparado para manter com ele ou ela, uma troca de ideias, com um sorriso, ouvindo mais que falando e saber o que ele ou ela quer, quais são suas ambições quando entrou e então explicar como será sua vida ali na sessão daí por diante e sua importância com todos os novos amigos. Claro que muitos grupos passam esta responsabilidade ao Monitor, mas sempre o Chefe deve ser o primeiro a conhecer o máximo de seu novo amigo na tropa ou Alcatéia. Ninguém será um bom Escotista se não conhece bem os seus amigos escoteiros/a ou lobinhos/a que estão atuando em conjunto.

  Segundo - Gritos sem necessidade, palavrões ou procedimentos não condizentes por parte de algum membro da tropa ou Alcatéia não deve ser motivo para providencias em outra hora ou data. Ao sentir que a lei ou a honra da tropa ou Alcatéia está sendo colocada em confrontação, o Monitor ou o Chefe deve atuar na hora e claro em particular tentando ao máximo mostrar que ele é um amigo e não um inspetor disciplinar. Muitas vezes uma boa conversa resolve mais que Conselho de Patrulha ou Corte de Honra. É sempre bom lembrar que nunca se chama ninguém a atenção na presença de todos. Tudo é feito em particular. Ameaças, suspensões não fazem parte da educação que queremos mostrar a eles. Não esqueçamos que quando entraram exigimos a presença dos pais e uma boa conversa com eles ajudam bastante.

Terceiro - Todo Grupo Escoteiro, Tropa ou Alcatéia deve ter suas normas que sempre serão lembradas. A postura do Escoteiro/a ou lobinho/a deve ser exigida desde o primeiro dia. Quando for fazer sua promessa lembrar que agora ele será um representante do grupo e como tal deve ser visto por todos a sua volta. A ida para casa ou a vinda ao grupo ou mesmo em atividade, a apresentação deve ser ponto de honra para ele e exigido pelo seu Escotista responsável. Alguns grupos aceitam que membros vistam seus uniformes na sede. Não é uma boa prática de cidadania, marketing e exemplo.  

Quarto - Dizer muito obrigado seja bem vindo, eu gosto de você, você é importante para nós devem ser palavras incentivadas por todos os membros do Grupo Escoteiro e ditas sempre que possível. O exemplo começa com o Diretor Técnico e a diretoria. Olhem bem para o jovem que o recebe como ele fica. Saber que é importante naquela organização para ele significa muito. Se considerarmos o Grupo Escoteiro como uma família, atuar como uma deve ser ponto de honra para todos.


 Quinto - Se você não se preocupar com os pais no primeiro dia que é procurado no Grupo Escoteiro, dificilmente conseguirá apoio deles no futuro. Uma admissão deve ser levada tão a sério como uma matricula no colégio ou muito mais. Não aceite explicações tais como – Só eu pude vir. Meu marido trabalha e assim por diante. Claro existem exceções, mas tome cuidado com muitas delas. Eles não sabem, mas quem precisa do escotismo são eles e não você. Você é um voluntário que está ali para ajudá-los e eles precisam saber disto. Portanto a presença de ambos é necessária. Explique o que o escotismo pode fazer para o filho ou a filha. Tente ouvir deles as duvidas. Diga sem meias palavras que quem vai entrar são eles e os filhos podem vir juntos. Ao primeiro sinal da falta em uma reunião de pais, eventos de pais, ou convites especiais para colaborarem em alguma atividade, sinal vermelho. Olá seu Antônio. Não veio ontem? Olá Dona Lourdes, dei falta da senhora no sábado! E assim cobrando pessoalmente ou por e-mail educados é claro, eles terão uma ideia que são importantes. 

domingo, 25 de maio de 2014

“O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA MISTERIOSA ILHA DO GAVIÃO NEGRO”


“O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA MISTERIOSA ILHA DO GAVIÃO NEGRO”

Caríssimo Chefe Osvaldo. Acabei a pouco de ler seu livro. ADOREI!!! Leitura leve, dinâmica e com um suspense saudável. Nos faz querer acabar logo para ver o que acontece em seguida. Claro que sou uma devoradora de livros, mas, quando a leitura te envolve fica muito mais gostoso. (de uma leitora amiga).

Se você ainda não recebeu o que está esperando para pedir? Mais de 640 leitores já leram. Um livro de Escoteiro para Escoteiro. Uma história incrível, e você vai amar o Chefe Remo, os monitores e os dois Escoteiros seniores. Alma do jogo. Vamos lá, escreva para mim: - Chefe Osvaldo, me mande já urgentíssimo em PDF o livro O Fantástico Jogo Noturno na misteriosa ilha do Gavião Negro. Chefe lembre-se GRATUITO! Pronto, espere e vai receber ainda hoje.

Pense uma tropa de 28 Escoteiros sedentos de aventuras em um grande jogo noturno. Pense em quatro monitores da pesada, daqueles que a patrulha confia até a morte. Pense em dois seniores colaboradores que darão a vida para que exista um jogo misterioso e fantástico. Pense em dois chefes aventureiros que fazem do jogo a maior aventura de suas vidas. Agora jogue todo mundo em uma ilha misteriosa com centenas de gaviões negros e um Velho de barba branca coberto somente por um couro de cobra e que pula de galho em galho como um macaco. Agora entre na pele destes Escoteiros onde cada patrulha lutou para chegar a um ponto da ilha e vai ter de atravessá-la de uma ponta a outra durante uma noite escura e sem luar dentro de uma floresta. E para terminar pense em centenas de armadilhas que faz com que cada Escoteiro fica estarrecido com o silêncio e depois o barulho infernal da floresta como se o céu desabasse sobre a ilha. E para terminar pensem em uma luta de “morte” no final do jogo no Forte Hã-Hã-Hãe-quibaana. E que como diz a lenda de histórias de mistério “Só um pode sobreviver”! E aí, vai ficar sem a maior aventura escoteira de todos os tempos?

elioso@terra.com.br 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O herói que não morreu.


Conversa ao pé do fogo.
O herói que não morreu.

“Papai Noel, você que não se atrasa,
Na visita anual que faz a terra
Vê se pode mandar voltar em minha casa
“O meu papai que foi brigar na guerra”

Tenho dificuldades de lembrar-me desta história. Passou-se no inicio da década de cinqüenta. Estava com 11 anos, e ao contar, pode haver lapsos de memória ou mesmo falta de sincronismo. Espero que me perdoem. Afinal tenho bloqueios de minha época de menino, e mesmo assim vou tentar ser bem fiel ao fato que ainda tenho dúvidas se aconteceu. Tinha renovado minha promessa, pois fora lobinho por três anos e meio, e estava lutando para “tirar” minha segunda classe. Havia 10 meses que fizera a passagem. Não era fácil. Como muitos conseguiram, eu também ia conseguir. Participava da patrulha Lobo. Um ótimo time e gostava de todos os meus amigos patrulheiros, alcunha bem conhecida na época.

Não me esqueço de que naquela ocasião quem conseguisse a primeira classe e se fosse bem à prova de técnica e segurança da faca e machadinha (das pequenas) poderia usá-las no cinto. Via o orgulho do Monitor e do sub, alem do Nonô, que exibiam pelas ruas em seus cintos, a faca do lado direito e a machadinha encapada do lado esquerdo, na vinda e ida à sede. Sonhava em fazer o mesmo. Mas não é esta a história. Ela não é sobre mim. Ela é do Tito. Um jovem moreno claro, cabelos pretos, olhar triste, calado e que se tornou um enigma para mim. Da precária lembrança recordo que Tito adentrou na patrulha cinco meses após minha chegada. Sua apresentação foi bem estranha. Não havia sorrisos em seu rosto. No grito da Patrulha ele nada dizia nem mesmo acompanhar com os lábios.

Em reuniões de Patrulha Tito não se manifestava. Várias vezes notei que ele estava em sintonia com alguém. Não sabia quem ou o que podia ser. Não ouvia vozes só sua maneira de olhar, balançar a cabeça como concordando. Tito era estranho. Estranho mesmo. Os outros não comentavam. Aceitavam Tito como ele era. Um dia procurei o Chefe Jessé e comentei sobre o fato. Expliquei que não falei nada para a patrulha. Não queria criar um clima ruim de falta de confiança ou mesmo de fraternidade. Claro, tinha conversado com o monitor e ele me disse que nada observou. O meu chefe de tropa era um “cara” legal. Disse que não me preocupasse. Cada um de nós temos os nossos problemas e agimos conforme fomos criados em nossa família. Disse também que poderia notar que irmãos sempre são diferentes e compete a cada um de nós aceitarmos como são.

Quando ia saindo o Chefe preocupado, me pedindo reserva, e não comentar-se com ninguém, que o pai de Tito, um Australiano, nos últimos meses da guerra, se alistou. Foi imediatamente enviado para frente de batalha, já em território alemão onde foi morto por uma granada que explodiu a sua frente. Sua mãe já estava grávida de oito meses quando ele partiu em 1943. Tito nasceu prematuro. Seus avôs resolveram não ficar na Austrália e vieram para o Brasil. Ele sabe o que aconteceu. Não esconderam nada. Fiquei pensativo. Talvez na minha pequena cabecinha de jovem de 12 anos não pudesse raciocinar direito e entender como hoje entendo. Mas uma semana depois já tinha esquecido boa parte do que o chefe me contou.

Acredito que comecei a me preocupar e até a ficar com medo, em um acampamento de fim de semana que fizemos nas Corredeiras de São Mateus. Por duas vezes acampamos lá. Um lindo local. Bom arvoredo, e muitas plantações de coqueiros que o proprietário do terreno não tinha plantado e disse que podíamos usar a vontade. Não imaginem grandes corredeiras. Nada mais que um pequeno riacho, que em época de seca, atravessávamos pulando pedras sem molhar os sapatos. Como tinha um belo descampado, com capim comum, armávamos as barracas sem dificuldade e dificilmente seriamos atingidos por uma enchente. Estávamos só a patrulha. Empurrávamos com alegria a carrocinha pela estradinha de terra e vi ao longe uma enorme nuvem negra prenunciando chuva. Como dizia o meu Grande chefe Francisco Floriano de Paula, nuvens baixas cor de cobre, é temporal que se descobre. Se tem chuva e depois vento, fica em guarda e toma tento.

Ainda havia um bom caminho para percorrer. Resolvemos dar uma pequena corrida, pois o caminho era bom sem subida. Olhei em volta e não vi Lito. Estava bem atrás de cabeça baixa, balançando o corpo dizendo baixo, tudo bem! Tudo bem! Veio correndo até nós e nos mandou parar. Paramos. Um raio de enorme proporções caiu a menos de 10 metros alem de nós na estrada. Derrubou uma árvore de bom tamanho. Se Lito não tivesse nos parado não sei o que aconteceria. Quando contornamos a arvore caída, ele disse ao Monitor que não fosse para as Corredeiras de São Mateus. – Por quê? Disse o Monitor. - Fiquei sabendo que uma grande “Tromba d’água” iria cair dentro de poucas horas e vai inundar tudo! – disse.

Ficamos pasmados! Primeiro o raio agora a enchente. Afinal quem era Lito? Ele de cabeça baixa, não falou mais. Fomos até próximo às corredeiras e vimos do alto da estrada que nada havia. Nem chuva, nem Tromba d’água, nada. – Esperem, disse Lito, aguardem. Não demorou muito e um trovejar como se fosse um grande avião pousando mostrou uma enormidade de água vindo. Subimos com a carrocinha uns 10 metros acima do morro e a água tomou conta de todo o vale. Se tivéssemos ido em frente, não sei o que seria de nós. Claro, a inundação teria levado todos. Olhamos para o Lito e ele de cabeça baixa nada mais falou. Bem, não vou entrar em mais detalhes, pois assim como veio, a “Tromba d’água” se foi. Não sujou muito a grama e pudemos acampar com um pouco de tranqüilidade.

Outra vez foi quando viajamos de trem até uma cidade onde iríamos acampar com outra tropa amiga. Lito na estação começou a balançar a cabeça, os braços dizendo, tudo bem! Tudo bem! Sabia que dalí não viria boa coisa. Logo ele procurou o Chefe e disse que o trem iria se atrasar, pois tinha desencarrilhado o último vagão onde morreu o condutor. O chefe foi até ao Chefe da Estação e este não sabia de nada, o trem já tinha partido da estação próxima e deveria adentrar pelos seus cálculos daí a 15 minutos. O tempo passou e nada. Duas horas depois foi enviado uma vagonete para saber o acontecido. Confirmou o que Lito tinha dito. Agora sabíamos que Lito tinha alguma anormalidade. Naquela época não tínhamos idéia de nada. Ficamos é com medo de Lito. Mesmo assim fingíamos que ele era mais um patrulheiro e o tempo foi passado. Ele já tinha notado e mesmo assim continuava.

Estamos em um Acampamento nas férias de julho, onde ficamos por sete dias. Sai só com um facão para tentar achar um galho se possível de goiabeira, pois pretendia fazer um arco e soube que ali conseguiria. Não pretendia ir longe. Só saiamos em dupla e disse ao Monitor que voltaria logo e mostrei aonde iria. Ao subir uma pequena elevação avistei a minha frente, Lito, sentado próximo a um Jequitibá não muito grande e falando com alguém. Não vi ninguém. Fiquei ali a espreita e Lito parou de falar. Alguém me tocou nas costas e quando olhei Deus do céu! Um homem fardado, com uma aureola branca em volta da cabeça e disse para não ter medo. Dizer para um menino de 12 anos não ter medo naquela hora era fora de propósito. Tremia e já ia correr quando ele disse que era o pai de Lito. Como? Pensei eu. O pai de Lito morreu na guerra. Ele leu meu pensamento e disse que sim, havia morrido, mas sua alma vinha sempre visitar Lito. Ele era parte dele. Precisava dele.

Não estava entendendo nada. Meus joelhos tremiam. Notei que minha calça estava molhada e pingando. Verdade. Não vou mentir. Fiz poucas e boas como escoteiro e sênior, mas naquela primeira vez eu era um grande medroso. O tal pai de Lito, sorriu (era bem simpático) e me disse que seu filho tinha uma grande amizade por mim. Ele contava comigo e eu não poderia decepcioná-lo. Para mim tudo bem. Naquela hora concordava com tudo. Não vi mais a aparição. Lito estava ajoelhado e chorando. Chorava e chorava. Fui até ele e o peguei pelo braço. Ele se levantou e me abraçou. Disse que eu era o único que sabia do seu contato com o pai. Ele não tinha contado para ninguém.

Queria ser diferente. Não conseguia. Quando começou a vê-lo não entendia nada. O tempo foi passando até que um dia ele se aproximou e disse que era o seu pai. Ele sabia que a noite eu pedia a Deus para trazê-lo de volta. Afinal que adiantava uma medalha escrito nela herói? Se os tais heróis não voltam para casa, será que vale a pena ser herói? – Não entendi bem o que Lito queria dizer, mas ele continuou dizendo que sua mãe chorava muito. Tentava disfarçar quando ele estava presente, mas seus olhos sempre vermelhos denunciava. Em um natal, quando tinha seis anos, continuou Lito, eu pedi a Papai Noel que trouxesse o meu pai de volta. Ele voltou à noite, e sentado no chão ao pé da minha cama, conversou comigo por um longo tempo. Fiquei alegre, quando acordei e procurei minha mãe não vi mais papai.

Ele me aparecia não freqüentemente. Sempre a me dizer o que ia acontecer, o que devia fazer, me orientava com minhas lições, dizia que estava sempre junto de mim em todos os lugares. Aquilo estava se tornando para mim uma obsessão finalizou ele. Olhe meu amigo, continuou. Adoro o meu pai, mas já pedi a Deus para levá-lo para junto de si. Acho que está na hora de ele partir. Não queria um pai assim, queria ele em carne e osso. Disse isto para ele ontem depois que falou com você. Olhe você é o único que conseguiu vê-lo. Minha mãe não acredita em mim e nem o Padre Lívio. Acho que tudo aconteceu assim como estou contando. Pode ser que tenha tido outras passagens que não me lembro. Só sei que um semana depois, Lito me procurou e disse que se pai ia embora. Despediu dele e disse que o esperaria em outra vida. Disse para não me preocupar. Que iria viver até aos 90 anos. Já pensou?

Lembro que o tempo passou. Dois anos depois fui eleito monitor da Patrulha. Lito era o meu sub. Nos entendíamos perfeitamente bem. Não houve mais comentários do seu pai. Lito se tornou alegre, bem disposto e todos gostavam muito dele. Poucos se lembravam da enchente, do raio e de várias outras premonições dele, claro, pois seu pai era o seu confidente. Muitos fatos se sucederam de forma natural. Vivi o escotismo em sua plenitude. Nunca vi um acidente, um braço ou perna quebrada, um afogamento. Nada. Agradeço a Deus por isto. Mas também tenho que agradecer ao pai de Lito, pois poderia ter morrido com um raio ou com uma enchente. Estou vivo. Graças a Deus.

Daquele passado distante, tento reviver o que aconteceu com Lito. Não lembro. Lá pelos idos de 1971, estava dirigindo um curso de Chefes de Alcatéia, e notei que um aluno me parecia conhecido. Olhei sua ficha, e estava escrito Lindomar Fernando Neto. Não me toquei. No final do curso, ele me olhou e disse – Não lembras meu caro chefe? Lembrei! Agora já homem era a cara do seu pai. Abraçamo-nos, fomos após as despedidas juntos até um restaurante. Jantamos, tomamos uma cerveja (ele só refrigerante) e me contou sua vida depois da minha saída. Não quis casar. Achou que devia ser um discípulo da Igreja de Deus. Entrou em um seminário e agora era um padre da paróquia de São Manoel.


Convidou-me para um dia ir visitá-lo. Eu iria surpreender com o seu Grupo Escoteiro. Sorri. Quem diria! Bem como todo final de história feliz, ele também sorriu. Ele foi para um lado e eu fui para o outro. Nunca mais nos vimos. E que seja o que Deus quiser.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Só os resultados interessam. BP.


Conversa ao pé do fogo.
Só os resultados interessam. BP.

         Não sou um expert em estatísticas, nem tampouco um especialista em pesquisas de mercado ou outrem. Meus conhecimentos foram adquiridos na Escola da Vida, portanto posso estar cometendo erros. Muitos de nós sempre nos orgulhamos dos nossos conhecimentos. Somos mestres em dizer que é desta maneira que se faz que os números são bons e que o escotismo caminha em passos firmes rumo ao Caminho do Sucesso. Pode ser, porque não? Na década de setenta estive com um Comissário Internacional, um profissional Escoteiro da Associação Interamericana de escotismo. Hoje acredito chamado de Comité ou Região Escoteira e que na época tinha outro nome. Este profissional foi designado para ajudar a expansão em nosso pais. Trouxe em sua bagagem centenas de dólares para nossa expansão (outra historia) Conversamos por vários meses e aprendi muito com ele. Mas lá se foram mais 40 anos. Muita coisa mudou depois disto.

        Uma das conversas foi sobre as mudanças que começaram a se concretizar no escotismo mundial. Um fato interessante foi que ele me disse que na BSA qualquer alteração no programa ou similar não se fazia da noite para o dia. Um profissional da área acompanhava uma sessão escoteira por vários anos para ver se os resultados eram melhores ou piores que os anteriores, pois somente como adulto podia se saber se deram certo. Isto ficou gravado em minha mente e por longos anos nunca fui a favor de mudanças bruscas que não acompanhadas de resultados. Nosso método não é de um dia, uma semana ou meses. Para se saber aonde chegamos com uma mudança demora-se anos. Muitas foram realizadas, mas que eu saiba nenhuma delas foi motivo de acompanhamento e discutido seus resultados. Vou me contentar em duas somente. As demais prefiro deixar par aqueles com maior conhecimento que o meu.

        - Em 1984/85 foi implantado o movimento feminino na UEB.  Sem aprofundar um estudo maior com a FBB para uma união de forças (eu participei de uma comissão com elas que foi extinta por falta de interesse de ambas as associações não estarem interessadas) da noite para o dia surgiu às primeiras experiências na UEB do elemento feminino. Algumas normas e objetivos. Poucos grupos foram autorizados, mas não se esperou os resultados. Em dois anos se liberou geral a todos os Grupos Escoteiros. Se pensar se foi correto em abrir para elas, o que foi acontecendo é que se multiplicou em grupos que ainda não estavam em condições de possuir sessões femininas nada se apurou. Adultos do sexo feminino não existiam em número satisfatório para a liderança e o que aconteceu é que as tropas masculinas absorveram as escoteiras o que mais tarde resultou no movimento misto. Houve estudo para isto? Houve acompanhamento dos resultados? Que eu saiba não. A interpretação ficou por conta de cada participante adulto que dentro do seu pequeno mundo Escoteiro definiu o que era bom e o ruim.

             Acredito que na época nosso efetivo era de aproximadamente 42.000 associados. Todos masculinos. Com o passar dos anos e hoje vou até 2012, nosso efetivo fechou em 76.000 e neste ano dizem que passaremos de 87.000 associados. (O relatório de 2013 da UEB diz que somos 83.000) Vejamos então os resultados. Foi ótimo a participação feminina, crescemos mais de 100% do efetivo da década de 80. Mas se analisarmos bem, o aumento foi feminino e não masculino. Este encolheu se levarmos em conta a população na época e hoje. Só para se ter uma ideia possuíamos 0,03% (32.000 associados contra 119 milhões da população.) comparativamente o efetivo escoteiro com o populacional. Hoje caímos para menos de 0,02% (83.000 associados contra 200 milhões da população), portanto nosso crescimento se compararmos a nossa população não crescemos. Até hoje nunca se fez uma pesquisa séria sobre a evasão, principalmente do elemento masculino. Neste relatório/2013 da UEB nota-se uma pequena debandada de adultos do ano passado para este ano em alguns estados brasileiros. Porque isto acontece? Todos são unânimes em defenderem suas posições, mas presos ao seu universo escoteiro.

            Se as sessões mistas foram satisfatórias em termos nacionais não se sabe ao certo. Defender a unidade escoteira não é defender todas as unidades de norte a sul. Não houve nenhuma pesquisa e nem se fala da evasão. Ela até hoje é uma incógnita. Quem fica mais tempo, a menina ou o menino? Os meninos e as meninas deram suas opiniões quando saíram o porquê saíram? Se continuar no ritmo que a UEB mantem de crescimento, pelo que se vê nos últimos anos o elemento feminino será superior ao masculino. Nada contra, mas a ideia era manter equilibrado pelo menos os dois efetivos. Não adianta um crescimento como o atual se a evasão continua. Dizer que as sessões mistas são as únicas responsáveis seria leviano. Existem outros motivos, mas que nunca foram suficientemente estudados. Dados de um Grupo ou um Distrito ou mesmo uma região não servem de parâmetro. Que o elemento feminino hoje se transforma em relação ao masculino é uma realidade. As moças se sobressaem mais e não duvido que em breve estarão em igualdade nas esferas superiores.


      Acho que seria importante uma pesquisa em âmbito nacional. Levar a todos os responsáveis a preocupação em saber que manter uma unidade escoteira em mutação de jovens constante nunca iremos alcançar os resultados esperados. Se o movimento misto tem seu valor seria bom que se soubesse dos resultados. Resultados em longo prazo. Temos vários caminhos para verificar. Ficar sentado à beira do caminho acreditando que a estrada tem sinalização e não vai haver nenhum acidente não é bom para o nosso crescimento. O que fazer como fazer não é aqui sujeito a discussão. Aqui somente um alerta e como dizia nosso mestre Baden-Powell precisamos olhar além dos nossos narizes, pois só assim poderemos alargar nossos horizonte. Bem vindo às moças. Elas já deveriam estar conosco desde os primórdios do escotismo. 


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Caros amigos e amigas;


Velhos e saudosos tempos.
Caros amigos e amigas;

Há tempos iniciei nesta jornada de escritor de histórias escoteiras. Desconhecia até então outros que entraram nesta trilha que hoje percorro com amor. Sei que existem amigos que fazem o que eu faço e eu os parabenizo. Escrever sobre escotismo é uma das coisas mais maravilhosas que já enfrentei. Quando lá pelas altas madrugadas acordo, com uma história no pensamento corro a ligar o PC e começar. Quando na minha varanda tão simples, as tardes ou ainda ao amanhecer do dia e de olhos cemi-cerrados aparece um “Eureka” uma luz lá vou eu a correr e iniciar a minha saga onde amo tanto. Foram mais de 1.600 contos, histórias, lendas, aventuras ou artigos publicados. Eu sou ainda um daqueles velhos Escoteiros que veem o escotismo como no passado, um escotismo aventureiro, cheio de amor, onde o respeito e a ordem faziam parte da unidade escoteira, onde considerávamos todos aqueles que um dia fizeram a promessa como irmãos de sangue. Quem sabe seria aquele escotismo que alguns chamam de raiz.

Acredito que sou um escritor Escoteiro diferente, pois costumo quando escrevo chorar, rir, cantar e voar nas minhas asas da imaginação em busca de um passado que já se foi e que está presente quando as letras vão aos poucos formando frases, e as histórias vão aparecendo aos borbotões. Não tenho ligações com nenhuma organização escoteira onde podem me prender dentro de suas normas e valores que eles acreditam. Sou livre, sou um Escoteiro que viveu um escotismo puro e me honro em saber que nas hostes de Baden-Powell eu vivi tudo aquilo que ele um dia sonhou. O escotismo não me trouxe riqueza e hoje para os lideres escoteiros nacionais sei que me consideram um eterno desconhecido. Minhas histórias são lidas e serão lidas de norte a sul por muitos e muitos anos. Os frutos se existirem serão daqueles que como eu sabem que o escotismo é feito de amor, feito de lealdade e fraternidade. Não acredito em ameaças, em admoestações, em cercear a liberdade que cada um tem no direito de escolher se quer participar deste ou daquele escotismo que acreditam.

Nunca recebi dos lideres Escoteiros da maior organização escoteira qualquer palavra, qualquer convite ou mesmo uma pequeno agradecimento pelo que faço ou pelo que possa fazer para que o escotismo seja reconhecido como um dos maiores movimento de formação de jovens, e isto eu sou pródigo nos meus escritos escoteiros. Neles nunca falta uma lei, uma promessa, um hiato entre um sonho de liberdade e elevo o nome Escoteiro nos pícaros da gloria pois os jovens ou adultos ali descritos, trazem na mente, na alma e no coração o amor grandioso ao escotismo. Meus livros, minhas histórias nunca serão publicadas por nenhuma associação escoteira. Primeiro por que não sou registrado e nem me registrarei em nenhuma delas. Segundo porque apesar de muitos me incentivarem e até um deles, um grande amigo do sul  fez de várias de minhas histórias um começo de um verdadeiro livro Escoteiro e a ele serei eternamente agradecido. Quem sabe um dia terei a alegria de ver meu primeiro livro, minhas primeiras histórias publicadas em alguma editora. Hoje acredito ser impossível. Sei e repito que muitos tem ideias, sugestões para que minhas histórias e meus escritos se transformem em livros, mas o Velho Escoteiro está preso a sua maneira de ser e já não tem mais aquele conhecimento de saber pisar em um terreno para ele desconhecido.

Passei dos 1.600 escritos escoteiros. Histórias escoteiras, artigos Escoteiros, cinco livros contando passagens do nosso querido movimento Escoteiro. Nos meus blogs Escoteiros fico feliz em saber que mais de 80 leitores o procuram diariamente. Aqui no Facebook são tantos que nem sei quantos ali perdem um tempo para saber o que postei e ou quem sabe ver as fotos que gentilmente copio dos amigos virtuais que se sentem a maioria agradecida por servir como ilustrações de palavras colocadas de maneira sincera como se fosse uma homenagem viva do bom escotismo que praticam. Algumas histórias ficam marcadas para sempre. Outras poucas serão lembradas. No final de tudo em sou um Velho Escoteiro feliz. Agradeço a Deus por ter me dado uma vida em um movimento inigualável. Por ter feito de mim um sonhador que hoje por graças Dele posso lembrar-me de nuances rápidas que o passado guardou em minha mente.


Enquanto tiver forças, enquanto a mente ainda puder imaginar e sonhar, enquanto minhas mãos forem firmes na escrita em um teclado continuarei minha saga. Seja ela apreciada ou não pois queira ou não queira me sinto realizado. Agradeço do fundo do coração aos amigos que aqui gostam de ler meus escritos. Para eles tenho uma palavra de carinho de amizade e saber que somos irmãos Escoteiros estejam onde estiverem. Como dizia Wolfgang Amadeus Mozart - Não consigo escrever poesia: não sou poeta. Não consigo dispor as palavras com tal arte que elas reflitam as sombras e a luz, não sou pintor... Mas consigo fazer tudo isso com a música... Ou melhor eu Chefe Osvaldo faço isto com histórias escoteiras, vividas na imensidão de um escotismo grandioso, surgido por um líder inigualável a quem eu dedico minhas mais sinceras homenagens. Histórias são histórias. Como dizem por aí: - Boi não é vaca, feijão não é arroz e quem quiser... Que conte dois!. Um obrigado sincero de um Velho Escoteiro feliz!