Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

domingo, 20 de março de 2016

O repouso do Guerreiro.


Lendas escoteiras.
O repouso do Guerreiro.

           Ele sabia que não podia medir o tempo. Seus antepassados não lhe ensinaram. Mas ele sabia que muitas luas haviam se passado e seu fim estava próximo. Ele não foi o único, seus pais já tinham partido para as Terras Bravias do Sol Nascente. Agora seria sua vez. Seus dias estavam próximos a terminar. Não tinha herança, não trouxe ao mundo nenhum bravo da sua estirpe. Aplanã não deixou que Amanara lhe dessem filhos. Na tribo somente as lendas dos guerreiros passavam de pais para filho. Ele era uma lenda? Não era. Nunca foi. Era que era um simples índio que conhecia as histórias dos seus ancestrais; Conseguiu sobreviver de muitas guerras com os Tapuias, os Caraíbas e tantas outras tribos que sempre tentaram raptar suas mulheres e tirarem o que era deles. Foi o único que sabia conversar em Macro-Jê, Tupi e Arauak. Aprendeu nas guerras e nas inúmeras vezes que fora aprisionado. Acostumou-se a sentar embaixo da Aroeira que dizem os espíritos foi plantada por Aplanã, um valente guerreiro, que correu pelos céus como um raio flamejante a mil luas atrás. Seus olhos miúdos percorriam as inúmeras Tabas de sua aldeia. Quanto tempo! Nada é mais como antes. O homem branco não trouxe nada de bom.

           O Grande Espirito já o tinha avisado que sua morte seria breve. Não tinha medo nunca teve. Já a enfrentara inúmeras vezes. Afinal fora um guerreiro cujo nome se espalhou por toda a Floresta de Akanã. Amanara sua mulher o olhava com carinho. Porque nunca tiveram filhos? Ele daria tudo para ter um herdeiro que levasse seu nome através da história. Que pudesse narrar seus feitos. Sabia que quando fosse para as Terras Bravias nada sobraria de sua vida na terra. Seus pensamentos velejavam através das nuvens brancas espalhadas pelo céu. Teria milhares de coisas para recordar. Viveu uma época que hoje seus descendentes não irão viver. O homem branco agora mandava. Eles não passavam de meninos obedecendo ordens o que fazer e que comer. Muitos da sua tribo se tornaram homens sem valor. Bebiam, faziam arruaça, viajavam e diziam representar a tribo. Nunca seriam nossos representantes. Eram sim de si próprios em busca de facilidades que um verdadeiro guerreiro desprezaria.  

           O viu chegando em uma jangada de piteira atravessando o Rio Morcego. Sempre fora assim desde a primeira vez. A cada vinte ou trinta luas ele aparecia. Lembrou quando o viu jovem ainda, sempre com cabelos brancos soltos ao vento, olhos pequenos azuis, um chapéu esquisito, um lenço amarrado no pescoço, um calção da cor da camisa parecida com a folha de bananeira desbotada. Uma meia que ia até os joelhos e uma botina preta. Desceu de sua jangada e fez o sinal de paz. Não disse mais nada. Ele não falava muito. Aproximou-se de mim e levou sua mão esquerda ao meu coração. Como ele sabia? Nos velhos tempos só os fortes entre os mais fortes se saudavam assim. Fiz o mesmo que ele e um sinal a Ibaretama um amigo aquele que veio do céu para que não o matasse com sua lança. Um homem branco nunca fora bem recebido na Aldeia. Uma época que os Bororós eram temidos. Cabelos da Neve sentou embaixo da Aroeira. Cruzou as pernas como se fosse um de nós, tirou de seu bornal um cachimbo pequeno e o fumou por horas. Não disse nada. Chegou calado e calado ficou. Lembro que Amanara levou-lhe uma cuia com cuscuz cozido e ele comeu com gosto.

           Otinga o Pajé logo que a noite chegou começou uma pajelança pela cura de Oititaba, um jovem que caiu da Pedra Solta bem depois da curva do rio Morcego. O viu bebendo o tafiá e mesmo evocando os espíritos de seus ancestrais e muitos animais da floresta não houve cura de Oititaba. A tribo dançou com ele freneticamente e fez as mimicas conhecidas do animal que estava incorporado a Otinga. Oititaba morreu pela manhã. Cabelos da Neve recusou dormir em alguma Taba ou mesmo na sua. Dormiu ali embaixo da Aroeira sob o calor de um pequeno fogo que fez. Não o vi pela manhã. Ao raiar do dia tinha partido. Sua jangada não estava apoitada na areia branca do rio Morcego. Passaram mais de vinte luas quando ele voltou. Parecia mais velho assim como eu. De novo nos cumprimentamos e pouca conversa. Seu silêncio me agradava. Apontou a Montanha dos Abutres. Por sinal por a mão em meu peito e me convidou sem falar a subir até o topo.

          Não podia ir. Minhas pernas recusavam a obedecer. A tribo aprendeu a admirá-lo. Com seu chapéu cuia colocou sua mochila, atravessou seu bornal e partiu rumo à montanha. Uma semana depois voltou. Descansou por algumas horas e em sua Jangada sumiu nas águas tranquilas do Rio Morcego. Mais uma vez fiquei só. Ou melhor, sempre estava só, mas quando Cabelos da Neve aparecia havia no ar um encantamento que toda tribo sentia. O passado não perdoa o presente. Éramos milhares e hoje? Um punhado que vinte ou trinta tabas acomodavam todos. As nações indígenas foram dizimadas. Caçar, plantar, pescar já não era a maneira correta de sobrevivência. Um posto da FUNAI nos dava o que Comer. Parecíamos mendigos sem nome, sem honra a depender do homem branco a nossa sobrevivência. A nossa terra não era mais nossa. Nossas crenças desapareceram. As forças da natureza que nos impeliam aos nossos antepassados não existiam mais. Os espíritos dos ventos riam de nos. Deuses e espíritos fugiram das nossas cerimonias, dos rituais e festas. O Pajé era uma figura que ninguém mais dava valor.

           Na vigésima lua desde que ele se foi fiquei doente. Muito. A pajelança não adiantou. Era questão de dias para me encontrar com os espíritos dos meus pais e dos meus ancestrais. Já tinha passado o meu poder de Cacique ao Conselho da Tribo. Cabia a eles agora escolher quem devia conduzir a aldeia, as mudanças e as guerras se elas tivessem que existir. A mim me restava à lembrança do que fui e do que sou. Preferia não olhar o mundo ao meu redor. Quanta injustiça, quanto sofrimento e dor. Eu sabia que todo mundo temia a morte, mas o índio ria dela. Um guerreiro tem de saber enfrentar tudo a qualquer hora. Para ele o amor, a indiferença e a ambição não seria uma lança cortando o ar procurando seu coração. Mesmo nos meus últimos dias eu ainda me considerava um guerreiro. Vieram me dizer que ele chegou. Cabelos da Neve com seu chapéu esquisito cumprimentou-me a moda índia e a mão no meu coração. Na taba em que eu agonizava ele sentou com as pernas cruzadas. Tirou seu cachimbo e rolos de fumaça encheram o recinto.

           Deixaram-me a sós com ele. Ele me olhava e eu a ele. Tirou o chapéu e fez uma espécie de saudação. Com as mãos no peito começou a cantar baixinho uma canção. Dizia que não era mais que um até logo, não era mais que um breve adeus. Eu não o ouvia mais. Meu espirito abandonava meu corpo e me vi junto aos meus ancestrais. Eram centenas de amigos que agora estavam ali nas Terras Bravias do Sol Nascente. Voltei um dia depois como espírito. Meu funeral não teve nada diferente. Envolvido na rede dentro da minha maloca, fiquei por dois dias. Nivelaram a superfície da minha sepultura com barro socado. Quando me retiraram a maloca foi queimada. Seria abandonada para sempre. Todos os meus pertences estavam comigo. Em cima da minha sepultura Cabelos de Neve colocou uma placa de metal em formato de uma flor de lis. Todos já tinham ido e ele permanecia sentado de pernas cruzadas, fumando seu cachimbo e olhando para o céu. Eu o ouvia cantar a mesma canção: - Não devemos perder as esperanças de um dia tornar a nos ver.


           Uma semana depois ele se levantou. Deu um leve sorriso, fez o gesto de amizade colocando a mão esquerda no meu coração invisível. Fiz o mesmo com ele. Parece que ele sabia que eu estava ali, pois disse baixinho que breve, muito em breve tornaremos a nos ver. Entrou em sua jangada e partiu nas aguas calmas do Rio  Morcego. Conta-se que muitas luas depois os dois guerreiros se encontraram nas Terras Bravias do sol Nascente. Dizem que até hoje ficam sentados e sorrido na sombra da Aroeira que um dia pertenceu à tribo dos Bororós e que hoje não pertence a mais ninguém. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Em meus sonhos volto sempre a Gilwell.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Em meus sonhos volto sempre a Gilwell.

               É bom dar uma volta no tempo. Sabemos que muitas lembranças ficaram na história. É página virada no livro da vida. Uma utopia que como o vento vem e vai. Sonhos existem e até podemos realiza-los já que cada um tem uma maneira de sonhar. Tem aqueles que analisam tudo friamente, outros intelectualmente e eu com o coração. Não sei escrever sem por um pouco de fantasias e ilusões em minhas palavras. Ouve uma época que se esperava tudo de um Escotista portador da Insígnia de Madeira. Qualidades técnicas, conhecimentos, experiência, e o melhor, o exemplo. Você não ia ver um Escotista com Insígnia se portando de maneira inadequada. Nunca. Ele sempre tinha um porte altivo sem ser antipático ou constranger alguém pelas suas conquistas. Eu o via como destemido, ou melhor, um catedrático em escotismo. Afinal ele já era um docente que terminou a Faculdade e estava pronto para lecionar. Ele tinha que se portar como Insígnia de Madeira. Esquecer o abraço? O sorriso? O primeiro Sempre Alerta firme para mostrar que estava mais alerta que os demais? Nunca. Assim eram assim os Insígnias que eu conheci no passado. Sei que haviam outros, mas não é destes que gostaria de falar. Eles não foram exemplos de que nós escoteiros esperamos da formação de alguém que teve em Gilwell suas origens.

              Dava gosto ver seu porte, seu olhar, alguns se sentindo verdadeiros chefes irmãos e amigos de todos que participavam do escotismo. Sabiam que o aperfeiçoamento nunca terminava. Afinal quando se reunião sempre cantavam que um dia à volta a Giwell ia acontecer. “Volta a Giwell terra boa, um curso assim que eu possa eu vou tomar”. Ele podia ser um bom lobo, um maçarico, um marrom ou um vermelho. Podia não estar mais escoteirando ou lobeando, mas seus conhecimentos precisavam aumentar. Eles ou elas sabiam que suas sessões agora seriam exemplo, mais olhadas, mais vistas e mais cobradas. Eles sabiam que seus uniformes deviam ser impecáveis. Nada de invenções. Quando você via um ou uma, com seu porte altivo, seu lenço bem dobrado, seu anel bem colocado, colarinho abotoado, uniforme bem passado, seu cinto brilhando, o orgulho do sapato engraxado você sorria. Ali está mesmo um verdadeiro membro de Giwell.

              Quando você convidava um para lhe ajudar em um curso qualquer, não corriam para aceitar. Primeiro sua Tropa, sua Alcatéia se sobrasse um tempinho nunca negava ajudar. Diferente de hoje. Olhe Chefe preciso ver. Posso dar uma resposta outro dia? Temos acampamento, ou temos excursão ou prometi aos jovens participar com eles Era assim. Não saiam correndo e aceitando e dizendo aos quatros ventos – Agora sou IM agora sou o tal! Nada disto. E quando você visitava suas sessões? Dava gosto de ver. A gente sabia que seu caderno não foi enfeite, copiado de outros. A gente sabia que os livros de Baden Powell não foram encadernados e guardados em um lugar qualquer. Não quero aqui criticar os insígnias de hoje. Conheço centenas deles que nada ficam a dever daqueles do passado. Eles quando se apresentam sabem que muitos sentem orgulho de suas sessões escoteiras. A eles, os de hoje meus parabéns.

              Entretanto tem alguns que não “pegaram” (termo de BP) o sentido da coisa. O que são suas responsabilidades. Muitos esqueceram suas origens do exemplo, da boa apresentação do garbo. Alguns adotaram as novas fases do escotismo moderno. Tem muitos que amarram o lenço de Giwell no pescoço saem por aí esquecendo que existe um uniforme para se apresentar ao público e aos jovens de sua sessão. Dizem alguns que a moda é assim. Até para um Insígnia? No passado quando se recebia o lenço se sentia o peso da responsabilidade. Olhar o certificado dava orgulho. O lenço então? Dava um frio na espinha, a gente tremia, e pensava que agora tudo mudou. Sabia-se que apesar do coração Escoteiro, do amor aos seus jovens a responsabilidade era outra.

               Infelizmente fico decepcionado com o que estou vendo hoje. Fico pensando no orgulho de muitos Insígnias que se foram. Não só os que foram para as estrelas como milhares que não estão mais na ativa. Exemplos que temos motivo para orgulhar. Com a falta que temos de mão de obra Escoteira qualificada é triste ver este abandono. Sei que os dirigentes não pensam assim. Não existe uma preocupação com a evasão. Sair se tornou rotina. Quem sabe pensam que cada um escolhe o seu caminho e se eles resolveram sair paciência. Uma vez pensei em termos uma pesquisa anual para saber o porquê desta evasão de adultos principalmente insígnias. Uma orientação para que as regiões fossem pesquisar o porquê saíram. Ouvir suas opiniões. Quem sabe mudar? Afinal quantas experiência perdemos com a saída de muitos deles. Seria difícil dizer a cada um verbalmente ou com uma cartinha: - Chefe nos conte o que ouve. Queremos melhorar. Precisamos de muitos com experiência para ajudar. Sei que isto é utópico, e difícil de acontecer? Existiria interesse? Poderíamos ser mais flexíveis, mais humildes, aprender de novo a ouvir? É difícil entender posições antagônicas.

                        Fico pensando e buscando no fundo de minhas memórias a fraternidade de outrora feita por homens e mulheres com espírito Escoteiro a lutar por um lugar ao sol em nosso Brasil. Um dia sonhei na maior reunião de Gilwell já feita. De todos que saíram e dos que ainda estão na ativa. Seriamos quantos? Milhares e milhares talvez. Quem sabe nesta reunião teríamos escotistas nos mais altos escalões pensando diferente, vendo novas ideias, entendendo novas ideologias, sempre em uníssemos com o mesmo ideal de melhorar conhecimentos, aprender uns com os outros, uma amizade sem igual. Quem sabe uma reunião de Gilwell em volta de uma fogueira, sentindo o calor do fogo e da fraternidade presente, as brasas aos poucos adormecendo, as fagulhas lânguidas e serenas subindo aos céus, e uma conversa franca pudesse surgir. Quem sabe pensar que ali teríamos B-P na mente, junto de nós e em nosso coração a nos guiar.

                     É bom sonhar mesmo sabendo que a realidade é outra. Nossos devaneios em amar uns aos outros, pensando de olhos abertos que nosso escotismo pode ser mais flexível, com mais amor, sem intuitos de grandeza, sem arrogâncias que não ajudam em nada. Isto não pode ser somente sonhos. Sonhos quando acreditamos se realizam. E assim encerro meus pensamentos com a mais bela canção de Gilwell que já cantei:

“Em meus sonhos volto sempre a Gilwell, onde alegre e feliz eu acampei
Vejo os fins de semana com meus velhos amigos e o campo em que eu treinei”

 “É mais verde a grama lá em Gilwell, onde o ar do Escotismo eu respirei
E sonhando assim vejo B-P, que sempre viverá ali”.

(Canção de Gilwell - Letra e Música: Ralph Reader).

quarta-feira, 16 de março de 2016

“O Poder”


Conversa ao pé do fogo.
“O Poder”

                  Poder é o direito de deliberar, agir, mandar e, dependendo do contexto, exercer sua autoridade, soberania, a posse de um domínio, da influência ou da força. Segundo a sociologia, poder é a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros. Existem diversos tipos de poder: - O Poder social, o Poder econômico, o Poder militar, o Poder politico entre outros. O contrário são as necessidades de alguém que não precisa poder, são os chamados educadores. Para ser um é preciso muito mais que ter conhecimento. È preciso ser humano e jamais supervalorizar o intelecto e a razão em detrimento do amor e da emoção. É uma vontade de ajudar pessoas e dar a elas mais oportunidades no futuro.

Entre o Poder e o Educador.

- Chefe Idelfonso Lavosier. Dirige uma Tropa Escoteira de elite em um Grupo Escoteiro muito bem estruturado. Se sente bem. Tem apoio, não precisa se desdobrar para conseguir as necessidades da Tropa. É metódico, sabe onde pisa e conhece a maioria dos jovens de sua sessão. Sabe que seus pais são universitários, ótimo poder aquisitivo, dão uma proteção enorme aos seus filhos, exigem respeito para com eles, não toleram gritos e atividades que venham a prejudicar sua saúde. Ele sabe que qualquer erro seu será chamado à atenção. Já soube de alguns pais que revoltados com a ação de alguns chefes levaram os casos aos tribunais.

- Chefe Marcondes Lusiel. Terminou o segundo grau. Empregado em uma fábrica de parafusos. Não conseguiu ainda ser promovido a encarregado nem supervisor. Acredita que tem condições e seus chefes não reconhecem. Não acredita em tratamento educacional na base do amor e da educação. É constantemente humilhado pelos seus superiores na fábrica. Encontrou no escotismo uma espécie de desforra. Acha que formar caráter é preciso exigir muito mais que os jovens podem dar. Insiste em se mostrar como o dono das ideias. Finge que na Corte de Honra ouve seus monitores, mas no final é ele quem determina e diz o que fazer. Não aceita opiniões, costuma dar palestras por tempo indeterminado. Acredita que bons jogos são aqueles de força, de astúcia e se alguém se machucar é porque não serve para ser Escoteiro.

- Chefe Alessandro Benevides. Insígnia de Madeira. Dirige a Tropa pensando em ter um cargo maior. Sabe que merece. No grupo só ele possuem e mais ninguém. Já pensou em ir para outro grupo. Não foi por causa de sua filha que disse que se saísse nunca mais seria escoteira. É displicente nos programas. Vez ou outra faz algum curso, mas sente um peixe fora d’água com as sessões dadas pelos formadores. Acha que sabe tudo. Ele é quem devia estar ali dando palestras. Comparece em todas as reuniões do distrito e região. Faz amizades com todos, pois sabe que um dia terá que contar com cada um. Não valoriza muito seus monitores, sistema de patrulhas para ele é proforma, pois não acredita muito. Afinal em sua insígnia pouco se falou sobre isto.

Chefe Maria Eugênia Soares. Entrou por causa do filho. Ia todos os dias levá-lo e resolveu ser um deles. Inteligente aprendeu em pouco tempo a mística da jângal, seu desenvolvimento suas normas e crescimento conforme os projetos da UEB. Sabe bem sobre a mística. De assistente foi para Akelá onde atua. Não entende porque a Alcatéia não tem um numero considerável, pois sempre está com oito a doze lobos. A evasão não é grande, mas a procura é quase nenhuma. Participa das reuniões das chefes de lobinhos no distrito, mas as discussões nunca deram a ela as respostas que precisava. É bem vista entre os chefes. Educada nunca eleva sua voz. Sabe tratar a todos com educação e considera-se uma pessoa responsável com boa formação para educar jovens.

Chefe Portland Neto. Formação secundária. Não se considera bonito, mas sabe que seu sorriso destrói qualquer forma de superioridade por parte de outros. Tem uma ótima Tropa com quase vinte e oito jovens. Tem uma evasão menor que dois por cento ao ano. Trabalha com monitores. Deixa boa parte do programa nas mãos deles. Ensina como formar com um sorriso nos lábios, dá a eles seu chifre do Kudu e poder de formar para jogos, palestras, cerimonias e bandeiras. Sempre após a inspeção pede que um dos monitores faça nele uma inspeção também. Não anda abraçado, mas sabe dar um abraço e um sempre alerta que motiva a quem o recebe. Os pais são seus amigos. Sempre o convidam para um almoço, um lanche ou um passeio qualquer. Nunca foi humilde demais, sempre respeitou seus superiores sem badalar, lisonjear ou mesmo adular para ter seus favores.

                                Quem manda aqui? Quem tem o poder? Porque as pessoas buscam o poder? Dizem que o dinheiro não é tudo, no deserto, por exemplo, não serve para nada. Será porque muitos tem o sonho de mandar, de realizar, de comandar e receber elogios, promoções em forma de poder? Isto leva a valorizar mais as amizades, o lado social, os desafios de liderança, ascensão social? Ao contrário quais as vantagens de ser um educador? Somos felizes com nossas atividades de formação de jovens? Quando a semente que plantamos cai em solo fértil é motivo de orgulho? Será que como educadores nos transformamos ao mesmo tempo em fonte de conhecimento? Será que sem perceber nos transformamos ao mesmo temo em ponte e fonte do conhecimento para dar a ele uma razão de viver e ter um futuro melhor? Será que ajudamos o jovem ou a jovem a pensar e com despertamos sua consciência crítica do futuro cidadão para saber cumprir e exigir seus direitos? Fica o sentimento do amor fraternal e a certeza que em muitos corações seremos sempre lembrados.

                               Ter poder ou ser um educador? Grandes homens da história foram humildes sem ter a intenção de mandar. Mandela dizia que para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar. O educador nada mais é que alguém que ensina a fazer o bem, a mostrar o caminho do sucesso aos seus escoteiros e lobos. Nosso fundador Lord Baden-Powell deixou escrito o que achava sobre um Chefe Escoteiro: - “A tarefa do Chefe Escoteiro (que verdadeiramente é interessante) consiste em explorar o íntimo de cada jovem, descobrir a sua personalidade para então encontrar e desenvolver o que é bom, deixando o ruim de lado.” Baden-Powell.


Fim.

sábado, 12 de março de 2016

O belo do escotismo está em sua simplicidade.


Conversa ao pé do fogo.
O belo do escotismo está em sua simplicidade.

                     Façamos escotismo simples sem complicar. Pense comigo quanto tempo nós escotistas ficamos com nossos jovens? – Duas horas por semana? Três? Se somarmos as atividades ao ar livre, outras sociais ou prestação de serviços veremos que o tempo é muito pequeno para complicarmos demais nas atividades Escoteiras. É bom quando vemos a moçada sorrindo em uma atividade qualquer. Ian Hislops no seu vídeo sobre escotismo para rapazes no You Tube mostra o que precisamos para ver que a como o escotismo daquela época ainda tem seu lugar na época de hoje.  A descoberta da vida ao ar livre e de aventuras é a razão de ser das atividades escoteiras. Estamos hoje com uma preocupação pedagógica, planos bombásticos, cada um querendo descobrir o ovo de Colombo esquecendo que Baden-Powell já tinha descoberto e dado o caminho a seguir para o sucesso. Bastava uma pequena adaptação e não mudar tudo como fizeram.

                   Antes o feijão com arroz dava certo, mas aos poucos tivemos que modificar. Desenvolveu-se uma parafernália de cursos, visando aprimorar e qualificar o adulto voluntário. São centenas de novas ideias novas pedagógicas e planos miraculosos. Mas eu me pergunto. Será isso o essencial? Tantas informações, técnicas, pedagógicas, psicológicas para apenas duas ou três horas por semana. É necessário mesmo? Fico me perguntando se os três livros básicos de Baden-Powell não nos dá o verdadeiro sentido do escotismo e seu sucesso. Nos primórdios do escotismo BP sentiu que não poderia deixar os jovens ao “Deus dará”, sem ter pessoal qualificado para ajudá-los no seu novo sonho aventureiro. Nos bosques, matas via-se meninos a correrem como se estivessem fazendo tudo àquilo que leram nos fascículos que ele escrevia. Ansiavam aventuras. Viver na natureza. Fazer o que ele descreveu tão bem nos seus fascículos “Scout for Boys”, ou melhor, Escotismo para rapazes.

                           Para testar as habilidades e conhecimentos BP fez acontecer o primeiro acampamento Escoteiro em Browsea. As bases para deixá-los fazer fazendo foram assentadas. O tempo foi passando. Até alguns anos atrás tínhamos três cursos básicos para que o adulto pudesse adquirir conhecimentos técnicos até chegar a Insígnia de Madeira. Nestes cursos ele vivenciava a vida ao ar livre, os acampamentos, vida em equipe, e com isto o método e o programa foram mantidos na formula que BP acreditava. Aconteceu que muitos jovens começaram a abandonar o escotismo devido a sua nova apresentação que muitos adultos que desconheciam estas atividades passaram a utilizar para atraí-los. Não havia mais uma continuidade nas tropas de chefes advindo da própria tropa. Começou-se a criar uma estrutura burocrática que sem perceber dominou todo o movimento escoteiro. Os cursos foram alterados. Experiências e experiências foram feitas. Muitas sem esperar os resultados e implantadas como fato consumado.

                            Criou-se sem perceber uma oligarquia que decide em nome dos jovens. Acreditam que sabem o que o jovem quer. Criaram os “Jovens Lideres” cuja idade não corresponde as reais necessidades dos lobos escoteiros e seniores, o baluarte principal da formação escoteira. Estes sequer são ouvidos ou perguntados. Alienaram o jovem na sua vivência escoteira. É comum escotistas exaltarem seus feitos dizendo que a atividade foi linda! Que isto foi ótimo, que “meus” escoteiros adoraram. Esqueceram-se de perguntar aos interessados e muitas vezes até perguntaram, no entanto a maneira usada na pesquisa não deixa dúvida que o jovem vai dizer que gostou. A evasão chegou avassaladora. Para dar uma motivação criaram um novo uniforme, deixaram para trás a descoberta a aventura que era a principal motivação do escotismo. Tudo ficou difícil devido à burocracia que chegou para ficar.

                          São duas ou três horas por semana. Só. O que precisamos? Simples. Motivar a participação dos jovens espontaneamente, deixando que eles façam um escotismo de raiz, pois é isto que eles querem. Se temos jovens com outras escolhas eles são minoria. A grande maioria sonha em viver seu sonho aventureiro. Pensemos que em seu bairro ele tem sua turma, fazem seu próprio programa e vivem em harmonia por anos e anos. Porque complicamos então nas reuniões e nas atividades Escoteiras? O jovem na sede quer ver e sentir um escotismo que acreditou. Participar para lembrar-se de sua casa, de sua escola do professor que só fala que só ele sabe sem nunca perguntar se é isto que está valendo a pena é melhor não ficar e sair. Ninguem quer ficar em forma por mais de quinze minutos com alguém falando para ele, com alguém pegando em sua mão para ensinar, com Monitores brigões, com exigências descabidas, com ameaças gerais que costumam acontecer.

                         Esta parafernália de curso hoje não nos trouxe o sucesso esperado. Muitos deles com pequenas apostilas seriam o suficiente. Cursos vivenciando o Sistema de Patrulha, Técnicas Escoteiras, aprender a fazer fazendo, ouvindo, aprendendo a ser mais amigos dos seus jovens garanto que darão melhores resultados. Escotismo não tem segredo. Qualquer um que entenda os objetivos do método e do programa, do fazer fazendo, do Sistema de Patrulha vai sem nenhum problema atingir o sucesso esperado. Como disse um antigo Chefe de Campo de Gilwell Park John Thurman, existem fatores adversos que não nos dão a correta aplicação do método. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso serve tanto para os dirigentes como para os rapazes. Estamos a pensar somente em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E sabemos que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou. – Os únicos capazes e possíveis de pôr o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.


                      Precisamos repensar nossa maneira e nossas atitudes na aplicação do método Escoteiro. Sabemos que o mundo está mudando e podemos adaptar sem modificar o básico. O que está sendo realizado não está dando certo. Só não vê quem não quer. Muitos rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Alguns se calam pelo autoritarismo do seu Chefe. O escotismo é dos jovens para os jovens. Quando acreditarmos que podemos ter sucesso no caminho a seguir, então o escotismo vai conseguir atingir o que dele todos nós esperamos. Bons cidadãos conscientes de suas responsabilidades na comunidade onde vivem.

quarta-feira, 9 de março de 2016

O palavrão.


Conversa ao pé do fogo.
O palavrão.

                      Não gosto. Não gosto mesmo. Se tiver quem goste fique a vontade para praguejar, mas longe de mim. Não critico. Na minha época de menino diziam que estávamos com a boca suja. Na minha família dificilmente alguém dizia um palavrão. E se por acaso dissessem podia esperar uma chamada de atenção e um pedido de desculpas. Lembro uma das minhas irmãs sobre um ex-namorado dela falou um palavrão. Foi um Deus nos acuda. Uma semana depois quando estávamos jantando ela pediu desculpas a todos. Quando Escoteiro era questão de honra na patrulha e na tropa não falar palavrão. Se fosse seguir a lei escoteira aí que palavrão seria proibido em qualquer lugar. Lembro que em um acampamento distrital de patrulhas uma delas não tinha papas na língua. Quando um chamava o outro logo vinha um palavrão. O cozinheiro coitado era xingando a torto e a direito. Dizem que nós adultos somos responsáveis pelos jovens falarem palavrão. Concordo. O jovem sem a gente perceber copia tudo que o adulto faz. Afinal somos exemplo no modo de agir e falar.

              Comentam que nos acampamentos nacionais, regionais e distritais, sejam os de aventuras ou Jamborees os palavrões andam soltos. Chefes rindo e dizendo os mais cabeludos palavrões. Não posso afirmar, pois não tenho participado deles. Dizem que hoje em dia entre os jovens isto é comum. Comum? Bem só se for para eles, pois para mim não. Assim como dou o respeito exijo ser respeitado. Outro dia um Escotista me disse que isto hoje é natural, pois todo mundo diz e fala. Para mim repito isto é falta de respeito e educação. Não sou obrigado a ouvir o que não quero. Isto é descumprir a lei escoteira em vários artigos. Para dizer a verdade nem piadas com palavrões eu gosto. Quando alguém começa a contar e vem um palavrão eu fecho a cara. Podem chamar-me de quadradão, Velho chato o escambal. Como pensar em um jovem ou uma jovem adquirir o “Espírito Escoteiro” falando palavrão? Afinal dizer por dizer que o Escoteiro é limpo de corpo e alma é fácil, mas ser limpo realmente é outra coisa.

              Dizem que um grande escritor já escreveu o dicionário do palavrão brasileiro. Teve até noite de autógrafos. Um herói para muitos. Para mim não. Herói é outra coisa. Herói é o que fala e escreve sobre o amor, do respeito, da ética, do caráter, do aperto de mão sincero, do sorriso verdadeiro e saber que ele tem honra e ética. Não me venham dizer que o palavrão é normal, pois não é. Já me disseram tantas coisas da modernidade que eu fico pensando se vale a pena ser moderno. Uma vez, há muitos anos visitei amigos que participavam de um grupo Escoteiro. Cheguei lá como sempre chego. Meu caqui querido, meu chapelão, barbeado, banho tomado, lenço bem dobrado, meião nos “trinques”, sapato engraxado e unhas aparadas. Queria mostrar meus respeitos com os jovens que ali estavam. Jogavam futebol. Meu Deus! Quanto palavrão! O Chefe ria a vontade. Olhei para ele sério – Você acha graça? Isto é escotismo para você? Futebol? Palavrões? Dizer o que? Primeiro futebol qualquer Escoteiro joga a semana toda em sua escola, na rua em qualquer lugar. Nas reuniões de tropa é falta de programa é falta de conhecimento de bons jogos, e os palavrões? Caramba! Que mau exemplo.

             Esta semana vi um artigo de uma jovem mãe cujo nome não me lembro. Adorei o que ela escreveu. Fez-me ver que não estou sozinho nesta cruzada. Disse ela:
- Outro dia li uma nota em uma coluna e contava que a quadra de tênis de um condomínio na Barra tinha sido interditada não por problemas de estrutura, obras nem nada, mas pela falta de educação dos frequentadores. De tão desbocados, eles – crianças, adolescente, jovens – começaram a incomodar tanto os vizinhos à quadra que o jeito foi fechá-la. Já tem um tempo que venho observando isso e me impressionado. Gente é meu ouvido que está ficando velho e chato ou as crianças andam desbocadas demais? Vejo crianças de sete, oito, dez anos falando palavrões que eu só fui falar na vida adulta e ainda assim me arrependo de ter adquirido esse hábito pouco fino. Tenho amigos que falam palavrões com os filhos normalmente e isso me faz lembrar-se do quão desbocado era meu pai. Só que meu pai nunca dirigiu um palavrão a mim ou a minha irmã e jamais admitiu que falássemos. Às vezes me sinto incomodada em locais públicos, como a praia ou o saguão de um cinema, em que adultos falam palavrões aos berros, sem a menor cerimônia, como se não houvesse crianças em volta. 

               - Continua ela: - Aí outro dia ouvi uma psicóloga que tem coluna numa rádio de notícias dizer que isso tem a ver com o código de cada família e que os pais podem conversar com os filhos e estabelecer as próprias regras, tipo esse palavrão pode, esse não pode. Sei lá, achei isso meio complicado e, considerando que uma hora não se tem mais controle sobre o vocabulário dos filhos mesmo, acho mais prático proibir enquanto crianças e adolescentes e estabelecer o limite do tolerável quando jovens e adultos. Mas que não quero ver minha filha na pracinha ou no play xingando os amigos ou berrando palavrões a esmo, ah, não quero mesmo.


                      Bem pensado bem falado e bem escrito. Continuo não aceitando palavrões principalmente no escotismo. Bolas, que escotismo é esse que está cheio de palavrões? Bah! Quer falta de respeito. Não me convidem para nada onde eu possa ouvir um palavrão. Quer saber? Participei de centenas de Fogo do Conselho. Se um esquete ou algum participante falava um palavrão, esperava acabar e o chamava em particular. – Mas chefe! Não viu como eles riram? Diziam. Pode ser. Mas eu não ri. E se você considera que é um Escoteiro puro nos seus pensamentos nas suas palavras e nas suas ações, tenho certeza que nunca mais irá falar um palavrão!

domingo, 6 de março de 2016

Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Mitos, lendas verdades e inverdades do Uniforme Escoteiro.

           Convenhamos que eu não seja um estudioso das tradições do uniforme Escoteiro brasileiro. Sei apenas o que vi e vivi com ele nestes últimos 67 anos de escotismo. Não vou dar um testemunho como foi em todo Brasil, para mim impossível, mas posso falar mais na minha área de atuação. Não é aqui que vou discordar das escolhas de cada um. Sei que nosso uniforme ainda levanta duvidas e hoje muitos que fazem parte da nova geração acreditam que o presente nada tem a ver com o passado. Tenho dito em todos os lugares aonde vou e mesmo em meus parcos escritos que é difícil analisar uma era sem ter nela pisado com seus pés e sentido o calor do chão de terra. Os novos eruditos que se arvoraram em donos da verdade, muitos deles sequer conheceu o passado a não ser por escritos fazem hoje de suas belas palavras uma verdade que acreditam ser intocável. Não sei. Não quero polemizar. Já me disseram que isto não leva a nada. Meus comentários ficarão restritos ao uniforme básico. Os do mar e do ar quase não sofreram mutação e até hoje se mantem no tradicional quando foram criados.

           Uma vez em um curso da Insígnia de Madeira que participava O Chefe meu amigo e antigo mineiro já falecido, Doutor Francisco Floriano de Paula contou como foi à uniformização em Minas Gerais durante os primórdios do escotismo. Disse que no inicio do escotismo o uniforme foi o mesmo usado na Inglaterra. Uma espécie de caqui cinza com meiões pretos. Com o passar do tempo surgiu à calça azul com camisa caqui e assim permaneceu por muitos anos. Parece que a partir do final da década de 40, o caqui começou a se expandir por vários estados. Entre a década de quarenta e cinquenta o governo mineiro querendo uma expansão rápida do escotismo nomeou sargentos cabos e soldados para organizarem Grupos Escoteiros em todas as cidades mineiras. A falta de adestramento e literatura além de acompanhamento profissional fez do escotismo um pseudo militarismo. Os uniformes surgiram a bel prazer. Se no sul e no norte não foi assim fica o dito pelo não dito. Quando entrei para o movimento em 1947 os lobos usavam o azulão com o boné conhecido, mas feito à mão pelas mães dos lobos. Os Escoteiros já usavam o caqui curto, chapéu de abas largas e nunca se via adultos trajando calça comprida. Era uma tradição, pois BP nunca usou o uniforme com calça comprida. Sei que em vários estados ou cidades alguns grupos fizeram adaptações que não eram normativas. Assim apareceu o verde e cores parecidas com o caqui.

             O caqui, portanto era considerado o uniforme oficial dos Escoteiros da modalidade básica no Brasil. Em 1969 muitos adultos já forçavam o uso da calça comprida. Discutiam que em cada estado devia haver uma abertura e varias ideias começaram a ser discutidas. Cada um defendendo sua posição, o estilo de vida na comunidade e a temperatura ambiente. A busca de um novo uniforme levou a aprovação do Uniforme Social que depois foi chamado de traje. A explicação era que precisávamos de um uniforme mais palatável quando em atividades sociais e burguesas. Assim em 1975 formalizou-se o uniforme Social. O Chefe Darcy Malta Escoteiro Chefe na época, explicou em linhas gerais como ele deveria ser visto e apresentado.

             Para que os adultos levassem a sério o novo Uniforme Social, vamos chamá-lo de traje, a UEB enviou a todos os Grupos Escoteiros do Brasil um ofício via correio explicando como ele seria confeccionado, quais as ocasiões para o uso e juntou-se um desenho e pasmem-se: - um pedaço do pano tanto da camisa como da calça comprida. A confecção seria por conta de cada um. Havia a preocupação da uniformização sem mudanças ou alterações. O Tergal ou linho era regra geral. Para maior formalidade foi dado à possibilidade do uso do paletó e gravata. Que eu saiba uma minoria adotou este último que logo foi esquecido. No POR se sacramentou as normas e uso. Era função do dirigente de uma atividade determinar qual uniforme a ser usado. O POR em um dos seus artigos dizia: - Nas atividades escoteiras os chefes deviam usar o tradicional, ou seja, o caqui. Eu mesmo dirigi vários cursos onde se exigia ou o traje ou o caqui. Em vários avançados da Insígnia da Madeira que fui o diretor pedia sempre os dois uniformes. Cada dia usávamos um ou outro. O intuito era não só formalizar, mas mostrar que a uniformização deveria ser ponto de honra para nós Escoteiros. A aparência e a igualdade não poderia perder o garbo. Interessante que sem a tecnologia de hoje, a disciplina era irreversível. Poucos destoavam e obedeciam sem discutir.

          A partir do meio da década de oitenta muitos adultos e seniores passaram a usar o azul mescla com calças jeans desvirtuando o sentido da aprovação do traje no passado. Não esquecer que por volta de 1984/85 foi formalizado o escotismo feminino no Brasil e um novo uniforme foi acrescentado para elas. Isto depois foi esquecido e cada sessão feminina decidia pelo traje ou o caqui. A UEB nas diversas épocas subsequentes sempre alterava um ou outro item. Isto se banalizou completamente o sentido do uniforme SOCIAL. Cada grupo podia escolher o que seus participantes gostariam de usar. O próprio chapéu foi escamoteado abrindo a possiblidade do uso de bonés e outras coberturas. Lembramos que a própria UEB em sua loja vende um tipo de cobertura feita de brim ou similar e esta se espalhou por vários Grupos Escoteiros como uma chama. É comum ver o Chefe com ele e os jovens sem nenhum. Finalmente no final da década de noventa bastava portar o lenço com uma camiseta e se considerava uniformizado. A própria UEB foi quem criou esta Torre de Babel com o traje Escoteiro. Hoje se arvoram em dono da verdade e impuseram um novo uniforme a quem chamam de vestimenta.

          Com a participação em jamborees e atividades internacionais copiou-se o lenço preso nas pontas dando uma nova conotação da liberdade individual e apresentação moderna. Na nova vestimenta ficou a critério de cada um escolher como vestir e esqueceram-se da uniformidade. Nosso marketing deixou a desejar. Hoje cada um escolhe se quer a camisa solta ou não. Meiões ou não. Calça curta ou comprida. Lenço bem colocado no pescoço ou solto. Se isto vai dar nova visibilidade ao escotismo brasileiro vamos aguardar. Comparar o ontem com o hoje não é fácil. Era uma época que tínhamos o maior respeito com nosso uniforme. Nenhum novato poderia colocar peças antes da promessa. Todos faziam questão de estarem bem uniformizados e bem apresentados. Era uma questão de honra. Ninguém saia de casa sem ele. Impossível pensar em vestir na sede, pois o orgulho fazia parte de qualquer Escoteiro.


               Não sou partidário destas escolhas e muito menos da maneira de apresentação de muitos com a nova vestimenta. Sou um saudosista criticado por ser exigente na apresentação. Errado ou não havia um certo orgulho quando saímos em desfile ou se apresentando em atividades sociais. Se o hoje for considerado moderno, não tenho contra argumentos a não ser cobrar os resultados destas modificações. Só o futuro dirá.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Curso Ponta de Flecha.


Conversa ao Pé do Fogo.
Curso Ponta de Flecha.

                Recebi de um amigo muito chegado a pergunta – Chefe o que acha do Curso Ponta de Flecha? A minha maneira respondi na mesma hora o que achava. Vi que ele não gostou. Paciência, nem todos gostam do que eu digo ou escrevo. É um direito.  Afinal não sou o dono da verdade e muitos sabem mais que eu. Voltei e no tempo e me lembrei das centenas de cursos Ponta de Flecha que tive o prazer de acompanhar e até mesmo dirigir. Se não me engando foi ao final da década de 60, que começou a ideia de fazer um curso para monitores. Talvez houvesse antes um curso destes, mas não tomei conhecimento. Alguém me disse que foi oriundo de Giwell. Quem sabe seja. Até me mostraram uma apostila mimeografada ainda em inglês e traduções rabiscadas em cima. Dizem que a UEB tem uma apostila perfeita.

            Na época concorde, mas depois vi que o objetivo proposto era inteiramente contrário aos objetivos que se propunha. Quem conhece e aplica o Sistema de Patrulhas, deve ter uma experiência adequada ao assunto. Vejamos qual seria o objetivo do curso: – “Acampamento ou curso Ponta de Flecha é destinado somente para monitores e sub-monitores, pois tem o enfoque em técnicas e liderança, que é necessário para os responsáveis das patrulhas.”. Muito bem, mas isto não é papel do (a) chefe escoteiro (a)? Ele não é o monitor de seus monitores? Ele não ensina, adestra, acampa e é amigo deles em todas as horas? Não é ele quem vive ao seu lado, faça frio ou faça sol. Chova ou não nas atividades ao ar livre e é no seu ombro que eles vêm em busca de conhecimentos e aconselhamentos? Não é ele que frequenta suas residências, sabem de suas notas escolares, de seus amores de suas dores, conhece seus pais, sua religiosidade troca ideias e o que dizem na Corte de Honra? Como um dirigente de um curso que não conhece os monitores pessoalmente pode atingir o que se propõe com tantos jovens de uma vez?

                    Bem isto me põe em duvida das vantagens de um Curso Ponta de Flecha na maneira com que é aplicado hoje. Não é possivel chefes que não estão familiarizados com eles fazerem um sistema de patrulhas funcionar em tão pouco tempo a não ser se copiar o que fazem em cursos para adultos. Não critico, mas já vi alguns dirigentes destes cursos de tirar o chapéu. Sempre se portando como chefão, sabe tudo, sem ao menos dar um sorriso, dizer muito obrigado aos “alunos”. E os apitos? Nossa! Meus ouvidos doeram. Adoravam formar, exigir firme descansar. Vi um dar uma palestra por uma hora a mais de quarenta monitores. Deus do céu. Será que alguém aprendeu alguma coisa? Eu sempre digo que tudo vai bem quando todos estão sorrindo, e tudo vai mal quando estão escorados em seus bastões, cochichando e alguns até dormindo em pé ou sentado. E os gritos? Eu não levaria meus monitores para um curso assim. Eles são meus amigos e eu os prezo muito para jogá-los neste ninho de marimbondos.

               Em muitos cursos não vi o Chefe da sessão presente. Nem sabe o que está havendo. Isto é uma lástima. Conheço alguns casos que os monitores quando retornam destes cursos passaram a ver o Chefe de outro modo. Para eles, o dirigente do curso ou outro nome que queiram dar, é quem melhor conhece a técnica, o sistema de patrulhas e tudo mais. Seu Chefe ficou no passado. Já vi um Monitor dizer ao Chefe que não é assim que se faz. Chefes no curso ensinaram diferente! Isto deve doer demais ao Chefe. Vi também diversos dirigentes destes cursos que nunca foram chefes de uma tropa e não tinham nenhuma experiência na arte de escoteirar e monitorar dirigindo como se fossem perfeitos chefes com muitos e muitos anos de experiência. Vi outros cujas tropas deixavam muito a desejar, mas ele o chefão sabia tudo Se isto for um adestramento ou se pretende dar um certificado então melhor chamar os chefes dos jovens e a eles sim, darem uma verdadeira aula de Sistema de Patrulhas e Monitoramento.

                   Fiquei feliz quando um rebateu meus argumentos dizendo: Chefe nosso manual é da UEB! Certo mas e daí? Dizem que merece confiança e não discuto. Se eles soubessem pelo menos criar uma fraternidade, ouvir o ponto de vista do rapaz, entender bem como se formar um líder, aquele que aprende a liderar e ser liderado ou mesmo que tivessem experiência em tropas posso até concordar. Um pouco, pouquinho só. Não entendo se eles nunca viram meus monitores, nunca acamparam com eles, não conhece suas alegrias, suas dificuldades sua família, seus erros e acertos e em dois dias darem a ele conhecimentos de liderança. Eu sei que não se nasce líder, leva-se semanas para entender, meses para aprender e anos para se tornar um hábito de comportamento. Fico pensando se os cursos realizados deram os resultados esperados. Bons monitores, queda da evasão, formação educacional nos princípios do método de B.P. Infelizmente conheço chefes que adoram estes cursos e não os culpo.

                   Interessante que o nome Ponta de Flecha é sugestivo. Chamativo. Mas eu fico mais na aplicação dele para formar e treinar os chefes. Um curso especifico para mostrar como desenvolver a potencialidade do monitor. Lembro que no passado adaptei um curso técnico para chefes sobre o Sistema de Patrulhas e formação de monitores. Inscreveram-se mais de oitenta alunos. Tivemos que dividir em dois. Foi válido para ficarmos sabendo que muitos que nunca passaram por tropas quando criança não conheciam quase nada. Sei que em alguns estados que fazem cursos de Técnicas mateiras e Sistema de Patrulha é sucesso absoluto. O curriculum do curso foi superado na sua aceitação. Técnicas Mateiras, Acampamentos de Gilwell, Pioneirías, aprender a fazer fazendo uso da corda e nós de marinheiro, percurso de Gilwell. Bussola, orientação por estrelas e outros atraem.

                      Posso até concordar com um Ponta de Flecha voltado para a troca de ideias entre monitores, dando possibilidade de cada um comentar em dinâmica de atuando democraticamente em grupos de trabalho e deixar que eles liderem sob a supervisão de um Chefe poderia superar as expectativas. Não vamos ser tão radical com o curso Ponta de Flecha. Já disse como deveria acontecer. Acreditem não sou o dono da verdade, mas nunca daria meus monitores para o treinamento ou aprendizado com um Chefe simplesmente teórico. Onde em sua Tropa não se vê resultado.


                             Desculpa por ser franco, mas se um dia me provarem os resultados peço desculpas. Resultados de bons monitores, patrulheiros ou patrulheiras alegres, seguindo seu monitor com carinho e respeito. Patrulhas onde os participantes ficam na sua maioria por anos e se consideram irmãos. Patrulheiros que se entendem dentro e fora do grupo. Quem forma quem adestra e quem aconselha seus monitores é o seu Chefe repito. Sei que o mundo está mudando, aceito isto. Mas eu não mandaria meus monitores para alguém que desconhece o que eles são não sabem de sua vida e nem de seus conhecimentos escoteiros. Sempre Alerta!

terça-feira, 1 de março de 2016

Acampar, um sonho escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um sonho escoteiro.

                   Falamos muito em acampamentos. Claro escotismo sem ele está fora da realidade. Quando os jovens ficam sabendo que no programa anual vão ter vários acampamentos eles vibram. Eles adoram. Entraram no escotismo por causa deles. Mas se o último acampamento que foram decepcionou e não conseguiu despertar neles o sonho aventureiro, aí meu amigo é preciso consertar e já. Ou então é melhor não ir mais. Não adianta o melhor Fogo de Conselho do Mundo. Pode dar a eles o que quiserem, mas lembre-se você não pode falhar. Você Escotista é responsável para que os sonhos deles se tornem realidade. Quando você deu a eles as delicias de uma vida mateira, quando deixou que eles fizessem a fazer fazendo sem sua ajuda, quando o tempo foi bem distribuído e ele pode vivenciar o que disseram para ele antes de ir, então, e então o sucesso é garantido e absoluto.  

                    Costumo dizer que existem acampamentos e acampamentos. Vejamos o que o Google diz sobre ele – “Acampamento (do inglês, camping) é um local onde se estabelecem barracas ou tendas, geralmente com a proximidade à natureza onde toda a infraestrutura é levada pelos campistas, tal prática é conhecida por campismo”. - Mas será isto mesmo? É isto que os escoteiros fazem? Não, não é. Isto aí é Camping. Escoteiros acampam e não fazem camping. Eu costumo dizer que a preparação e a organização é a “alma do negocio”. Se a preparação foi perfeita e a organização idem então o sucesso será garantido. Não pretendo ensinar aos chefes escoteiros que leem este artigo. Sei que a maioria sabe melhor que eu como fazer. Seria presunção dizer que mudem e façam o que eu digo. Nada disto. Aqui simplesmente dou sugestões para os mais novos. Eles sim precisam de colaboração.

                     Vamos dentro de o possível especificar alguns detalhes importantes. Antes de qualquer coisa estamos aqui falando em acampamentos escoteiros dentro dos padrões de Giwell. Todos sabem que Giwell é o centro de adestramento escoteiro no mundo. Quando dizemos a moda Gilwell é que ali se pratica conforme Baden Pawell especificou e fez no seu primeiro acampamento em Brownsea. No mundo inteiro os acampamentos são realizados com os padrões de Giwell Park. A liberdade da Patrulha é absoluta. Cada uma tem seu campo de Patrulha pelo menos a quarenta metros de distancia uma da outra. É como se fosse uma casa, um lar da Patrulha. Estranhos só entram se convidados ou se ao pedir permissão são autorizados. A Patrulha tem seu próprio material de campo, sua intendência e dentro do possível farão as pioneiras necessárias para que a comodidade, a higiene e o conforto possa dar o conforto que se espera em uma Patrulha.

                       Importante é a escolha do local. Hoje nem sempre encontramos nas cidades maiores bons locais. Tenho visto em algumas cidades locais que alugam. Quem diria. Mas não é difícil conseguir bons locais e de graça. Coloque um uniforme, chame um ou dois chefes e tentem aos domingos passear em estradas secundárias. Conversem com os nativos sobre o que estão procurando. Encontrando procurem o proprietário. Digam o que é o escotismo. Peçam autorização. Lembrem-se que não vão acampar ali somente uma vez. Assim o proprietário deve sempre ser convidado para uma bandeira e quem sabe entregar a ele um lenço do grupo em solenidade especial. Eu disse entregar e não promessar. Conheço chefes que em São Paulo tem sempre a mão quatro ou cinco bons locais. Um telefonema a cada dois meses para manter a amizade, um parabéns de aniversário, um convite para uma pizza e você vai ter a amizade do proprietário para sempre.

                        Se quiser criar o espírito de aventura nos escoteiros o local não deve nunca ser perto de residências, postes de luz nada que mostre ou lembre-se da civilização. Até os veículos que irão transportar devem ficar distantes das patrulhas. Entretanto, costumo sempre dizer que - Quem vai ao mar avia-se em terra; Você vai acampar. Nada pode faltar. Chefes Pata Tenras são aqueles que ficam saindo do campo toda hora para buscar o que esqueceram ou o que faltaram. Um dos princípios básicos de um bom acampamento é que a Patrulha tenha todo o seu material necessário. Barracas, vasilhame, material de sapa tudo muito bem acondicionado em um saco, que a própria Patrulha pode fazer. Estes sacos tem em suas laterais alças para que com dois bastões quatro ou dois escoteiros possam transportá-los a longa distancia (se for o caso).

                       Eu sempre digo que se a tropa não foi preparada com antecedência para o acampamento tem tudo para dar errado. Claro, a não ser patrulhas que acampam juntas há anos e tem grande experiência de campo. Nenhuma Patrulha terá êxito se não tiver um bom almoxarife, um bom intendente, um bom aguadeiro, um bom socorrista, um bom cozinheiro e claro um bom Monitor. Monitor que faz tudo não tem Patrulha. Tem ele. Vai sempre reclamar de todo mundo. Se não confia nos seus patrulheiros é porque não os adestrou bem e então a falha é sua. Duas boas excursões em dois domingos com programa simples de aprender a armar barracas (olhos vendados), uso e como transportar a machadinha, o facão, aprender a usar o sisal, aprender pelo menos cinco nós básicos, uma amarra, uma costura de arremate e saber montar pioneiras simples trarão o sucesso esperado. Claro, primeiro só com Monitores e subs. Depois com a tropa liderada pelo Monitor. Aí sim todos estarão preparados para um excelente acampamento.

                     O Almoxarife deve conhecer seu material, ter uma relação e ninguém seja na sede ou no campo apanha algum sem falar com ele. Não esqueçam, ninguém anda sozinho no campo. Sempre em dupla, com o Monitor ciente aonde vão e em distancias curtas. Duas semanas antes do campo o material deve ser revisado e se o Almoxarife for bom às barracas já foram uma vez por mês colocadas ao sol para não mofar. Claro que as ferramentas de corte foram afiadas e bem oleadas para não enferrujarem. É importante que o tempo no campo para desenvolver o programa não deva ser corrido. Só de estar lá, na sua Patrulha, lutando lado a lado, construindo, rindo, calos nas mãos, sol quente e dando bravo quando a refeição está pronta já valeu o acampamento. Jogos, atividades técnicas como comando Crow, Falsa Baiana entre outros devem ser feitas pelas patrulhas e nunca pelo Chefe.

                     E o Chefe? Claro, sem ele não haveria o acampamento. Foi ele quem adestrou os Monitores, ouviu suas ideias, fez um cardápio simples (nada de nutricionista) são escoteiros e cozinheiros com simplicidade. Em noventa e nove por cento das residências dos escoteiros não existem nutricionistas para elaborarem os cardápios do dia. Se no campo é a extensão de suas casas que seja tudo muito simples, mas que seja uma alimentação forte. O Chefe juntamente com dois ou três pais são responsáveis pela lista de supermercado. É comum no campo da chefia (ela tem campo separado) ter uma barraca de intendência e se o acampamento for longo, um dos chefes será o intendente geral. Ele separa o cardápio do dia por Patrulha, chama os intendentes na hora determinada para dar inicio as refeições. Cuidados não só na Patrulha como na intendência geral com chuvas, animais peçonhentos, insetos, bichos que costumam invadir.

                       É um tema longo. Não dá para em um só post falar dele no total. Quem sabe publico aqui uma parte II. Precisamos de bons acampamentos para que nossos jovens mais e mais pratiquem um escotismo sadio e dentro dos princípios e métodos que Baden Powell nos deixou. Se o Chefe Escoteiro tem noção de como se faz e como se age no acampamento é claro que ele estará no caminho para o sucesso. Uma Patrulha é autônoma. Ela não é dependente. É uma equipe. Cada um deve agir como diziam os três mosqueteiros, “Um por todos, todos por um”. O Chefe deve dar liberdade. Lembrar-se que o campo de Patrulha é a casa deles e ele como bom orientador só vai lá quando chamado ou claro em casos especiais.


                    Quem já viveu a experiência em um acampamento do porte dos que são feitos em Giwell já tem meio caminho andado. Estamos aqui para formar cidadãos. Compenetrados no desenvolvimento da ética e do caráter. E dar a eles todas as condições para aprender a fazer fazendo. Só assim estaremos cumprindo nosso dever de escotistas. Se conseguirmos manter uma tropa por alguns anos sem evasão ou reclamações estará é claro no caminho certo para o sucesso. Eles estão aprendendo a agir sem os pais. Estão dando o primeiro passo para um dia, quando crescerem saber qual o caminho que irão tomar. A eles serão lembrados do livre arbítrio, mas se eles conseguirem fazer as escolhas certas então podemos nos considerar vencedores.