Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Escalpo – o troféu do guerreiro.


Conversa ao pé do fogo.
Escalpo – o troféu do guerreiro.

Os indígenas da América do norte arrancavam os escalpos (couro cabeludo) aos inimigos e ostentavam-nos orgulhosamente como troféus. No Escotismo, podemos usar uma versão mais civilizada desta ideia: premiar as Patrulhas com “escalpos” conquistados nas suas “batalhas”: jogos, um acampamentos, campanhas, etc., que podem dependurar nos seus bastões totens.

Os escalpos são feitos pelo Chefe com a colaboração de seus assistentes e deverão ter um “sabor selvagem”. Não convém ser, portanto, um bocado de plástico. A imaginação aqui é quem manda. Privilegiam-se os materiais naturais como a “vaqueta” espécie de couro flexível e a madeira. Adicionam-se penas, contas de madeira, missangas, fio de vaqueta, placas de madeira, ramos, etc. O produto final deve ser uma mistura de originalidade e arte.

Onde buscar a matéria prima? Aqui vão umas dicas:
- Nas chamadas “lojas qualquer item por um real” é fácil encontrar colares de contas de madeira, de várias formas e cores, que se podem desmanchar para usar individualmente. Em algumas feiras de artesanato é costume também encontrar uma espécie de contas de barro pintado com motivos “indígenas”;

- Em lojas de ferragens, drogarias e sapateiros é fácil encontrar “vaquetas” (espécie de couro mais flexível) vendido a retalho, isto é, restos de vaqueta usado para confeccionar carteiras, cintos, botas, etc. , vendidos a baixo preço. Nestes locais também é comum encontrar fio de couro simples e flexível;

- Paus de picolé dão ótimas placas para gravar texto, mas também se pode aproveitar madeira de balsa das caixas de fruta, ramos secos descascados no local onde se pretende escrever. Os mais atrevidos poderão recortar a placa com a forma de uma faca, um remo, um índio, de acordo com o imaginário da atividade;

Embora possa parecer necessário um grande arsenal de ferramentas, não é preciso muita coisa. Um canivete bem afiado ou uma pequena faca, canetas de acetato, ferro de soldar para gravar a fogo, ponteiro ou alicate para furar a vaqueta, e pouco mais.

Na vaqueta ou madeira pode-se inscrever o motivo do escalpo: “Melhor patrulha em campo – Acampamento Vila do Conde - Julho 2016” ou “1ºLugar - Grande Jogo - Catavento”, por exemplo. A imaginação e bom gosto devem imperar. Não nos podemos esquecer que, a Patrulha que o ganhar, irá exibi-lo com orgulho durante anos, pendurado no seu bastão totem.

É bonito de se ver um bastão totem cheio de escalpos, cada um com a sua história, cada um diferente de todos os outros. Para um escoteiro, é o orgulho da sua Patrulha, as vitórias alcançadas, esforços dispendidos, o que ele contribuiu para isso. Não esqueça discuta com seus monitores, deixe que eles motivem suas patrulhas só assim o sucesso esperado vai acontecer. Sempre Alerta!

In “Flor de Lis”. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Quase 30 anos de um dos maiores mistérios do Brasil. O desaparecimento de um Escoteiro.


Quase 30 anos de um dos maiores mistérios do Brasil.
O desaparecimento de um Escoteiro.

(Nota – Este artigo foi escrito por uma escoteira e publicada no site Go Outside – Do blog Scout – Uma aventura aos seus pés.)

25 anos de um dos maiores mistérios acontecidos no escotismo. Um episódio que marcou muito minha infância. Morava na cidade de Lorena que é vizinha à Piquete, fiquei muito assustada com o ocorrido. E desde este evento, comecei a olhar para aquela cordilheira com temor. Porém, eu não sou muito ligada à datas, achava que este acontecimento teria sido em julho, mês das férias, porque em minha memória, eu li os cartazes com as fotos do menino na subida da Serra quando viajei ao Sul de Minas. Contudo, hoje, não sei se por coincidência, pensei o dia todo no assunto. E na pressa, para não tardar muito na data, resolvi fazer uma compilação de alguns textos que achei na net. “O misterioso desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon, em 08/06/1985, o pai, Ivo Simon, conta que seu filho tinha 15 anos quando desapareceu. Ele estava numa excursão no Pico dos Marins, junto a seu grupo de escotismo, quando um dos escoteiros se machucou. Marco Aurélio, como monitor da equipe, foi então designado para ir à frente do grupo em busca de socorro. Depois de partir a fim de cumprir a determinação, o escoteiro sumiu sem deixar qualquer vestígio. Hoje, passados 25 anos, a família ainda sofre com incerteza sobre o destino de Marco Aurélio, embora mantenha viva a esperança de reencontrá-lo”.

Fonte: Papo de Mãe
“O jornalista Ivo e a mulher não acreditam na morte do filho desaparecido. "Em nenhum momento eu considerei meu filho morto", diz Neuma. Foi em 8 de junho de 1985 que Marco Aurélio, acompanhado de mais quatro escoteiros e do guia, saiu de casa para uma excursão ao Pico dos Marins. Quando o grupo subia o morro, um dos garotos torceu o pé e o guia decidiu mandar Marco Aurélio de volta na trilha, em busca de socorro. A partir desse momento, o garoto nunca mais foi visto”. “Durante 28 dias, policiais civis e militares vasculharam o pico a pé e com helicópteros. Nenhum corpo, nenhum pedaço de roupa ou rastro na terra foram achados. “A polícia procurou tão bem que um soldado perdeu uma faca no meio do mata e, na busca do dia seguinte, ela foi encontrada”. Mas não houve pistas do meu filho", diz a mãe”.

Arquivos secretos - A família percorreu o País em busca de todo tipo de notícia que chegava de Marco Aurélio. Certa vez, um delegado perguntou se os pais acreditavam em discos voadores e sugeriu que fossem a Brasília e falassem com um general da Aeronáutica, conhecedor de fenômenos extraterrestres. O general disse que podia comunicar-se com ETs por telepatia. Os pais disseram a ele que pedisse aos ETs a devolução do filho. Nunca houve resposta. Fonte: Escoteiro Sempre Alerta. Vinte anos após o escoteiro Marco Aurélio Bezerra Boxada Simon ter desaparecido durante uma excursão ao Pico dos Marins, na divisa de São Paulo e Minas Gerais, a família do rapaz, ainda tem esperança de encontrá-lo vivo.

A tragédia que abalou a família de Ivo também comoveu o país, que acompanhou pela imprensa e pela televisão a busca desesperada por Marco Aurélio. Durante 28 dias, mais de 300 pessoas entre voluntários, bombeiros e equipes especializadas em salvamento e busca na selva vasculharam a região do Pico dos Marins, sem sucesso. ENIGMA - O desaparecimento misterioso de Marco Aurélio e o fato de não ter sido encontrado nenhum vestígio (roupas ou pertences como faca, cantil ou canivete) transformaram-se em um enigma que alimenta as esperanças da família de um dia ainda encontrá-lo vivo.

O grupo chegou a Piquete no dia 6 de junho. Subiram até a base da montanha, onde foram montadas barracas e realizadas diversas atividades próprias do escotismo. No dia seguinte, os escoteiros começaram a caminhada em direção ao cume do Pico dos Marins. Quando o grupo alcançou a altitude de 750 metros, um dos escoteiros se machucou. Os demais desistiram da subida e decidiram retornar à base. Marco Aurélio era o monitor da equipe e foi, segundo contaram os escoteiros, designado pelo guia Juan Bernabeu a ir na frente em busca de socorro. O rapaz foi orientado a deixar sinais na trilha para não se perder. Ele partiu para cumprir a determinação do chefe e nunca mais foi visto.

Na época, levantaram-se várias especulações, inclusive a possibilidade de homicídio, mas nada foi constatado. COMOÇÃO - O desespero da família Simon, principalmente da mãe de Marco Aurélio, Thereza Neuma Bezerra Simons, comoveu a população de Piquete, onde foi montada a base de busca, a ponto de a prefeitura cancelar as festividades de aniversário. Hoje, Ivo diz acreditar que seu filho não foi morto. O jornalista reclama também da falta de apoio da União dos Escoteiros do Brasil e agradece a solidariedade que recebeu de todos os cantos do país. "Isso é reconfortante e ajuda a nossa família a ter esperanças de encontrar Marco Aurélio vivo."

Nem ufólogos conseguiram explicar! Marco Aurélio Simon era um garoto curioso. Tudo o que fugia do convencional despertava seu interesse. Na adolescência, além de se dedicar ao escotismo, chegou a fazer um curso de detetive por correspondência, tamanho era o seu interesse pelos mistérios do mundo. Mas foi a sua própria história que acabou se tornando um dos mais intrigantes enigmas ocorridos em terras brasileiras. Integrante do grupo de escoteiros Olivetano, o rapaz desapareceu durante uma expedição no Pico dos Marins, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, há 30 anos, aos 15 anos de idade. Nenhum vestígio foi encontrado. Nunca.

Foi no dia 6 de junho de 1985 que a saga começou. Os escoteiros do grupo Olivetano subiram até a base da montanha, de 2.424 metros de altitude, e armaram acampamento. A viagem não trazia nenhum desafio excepcional, pelo contrário: o Pico dos Marins já era um destino bastante procurado por turistas e aventureiros. Nem escalada estava incluída no passeio. Para chegar ao topo do morro, bastava fôlego para subir uma trilha aberta na década de 30. No dia 7, os escoteiros, liderados por Juan Bernabeu Céspedes, iniciaram os preparativos para a subida ao cume, que só ocorreria na manhã seguinte. Certo da facilidade do trajeto, Céspede dispensou o guia que seguiria a trilha com o grupo. Mas quando atingiram uma altitude de cerca de 750 metros, um garoto se machucou, e o restante da turma decidiu voltar. Marco Aurélio, que era o monitor, foi designado por Céspedes para ir à frente à busca de socorro. Ainda que a atitude do líder contrariasse as normas escoteiras de que nenhum membro do grupo deveria explorar uma trilha sozinho, Marco Aurélio seguiu a orientação. O combinado era que o rapaz deixasse sinais nas pedras, para que os outros o seguissem em ritmo mais lento por conta do acidentado.

Em um determinado ponto, quando o caminho traçado por Marco Aurélio ficou muito difícil para o grupo seguir, Céspedes desviou, optando por um atalho mais simples para a cidade, para buscar ajuda. Nesse ponto, não encontraram mais nenhuma marca nas pedras. No dia seguinte, o líder decidiu voltar ao acampamento que ficou montado, achando que encontraria Marco Aurélio em sua barraca. Mas encontrou-a intacta, exatamente como havia sido deixada no dia anterior. Nenhum vestígio do garoto foi encontrado.

Durante quase um mês, cerca de 300 policiais participaram da busca pelo escoteiro no Pico dos Marins. “Foi uma das maiores buscas já realizadas no país, mas nada foi encontrado. Nenhuma faca, nenhuma peça do vestuário do Marco Aurélio. Nada”, diz Ivo Simon, pai do escoteiro. A busca foi tão detalhada que um policial perdeu uma faca na mata em um dia e no outro, ela foi achada por outra pessoa. Mas nenhum vestígio do garoto. O inquérito policial foi arquivado em 1990, sem ter chegado a nenhuma conclusão. Algumas das hipóteses levantadas na época para o sumiço: ele teria sido assassinado pelo líder (esta foi à primeira possibilidade levantada pela polícia, que depois a descartou porque Céspedes não tinha instrumentos capazes de matar o garoto e sumir com o corpo), teria caído num buraco (se isso tivesse ocorrido, o cheiro do corpo em putrefação teria chamado a atenção dos cães farejadores que participaram da busca, o que não ocorreu) ou simplesmente fugido (nenhum morador da cidade ou dos arredores viu o escoteiro). A quarta hipótese é de que ele poderia ter sido levado por um disco voador. O Pico dos Marins é considerado uma região com muito poder magnético, o que, segundo místicos, atrairiam naves extraterrestres. Por isso, a família até procurou ufólogos, que também não souberam explicar o que havia acontecido.


Com o fracasso das investigações, a família passou a contar com o apoio de místicos, religiosos e ufólogos. “Fomos a umbandistas, parapsicólogos, espíritas. A maioria diz que ele está vivo”, conta Ivo. Quando procuraram o famoso médium Chico Xavier, morto em 2002 tiveram a seguinte resposta: “Só me comunico com pessoas que desencarnaram”. Por conta disso tudo, a família Simon acredita que o rapaz ainda está vivo. E acompanha como seria a fisionomia do filho pelas transformações no rosto de Marco Antonio, gêmeo univitelino de Marco Aurélio, hoje com 37 anos. “A gente não tem mais onde buscar. Mas se alguém me disser algo, der alguma pista, nós vamos atrás. Não entregamos os pontos. O que me tortura é esse mistério, é não saber o que aconteceu com meu filho”, desabafa Ivo Simon.

sábado, 9 de abril de 2016

Uma Jornada em busca da felicidade.


Uma Jornada em busca da felicidade.

              Hoje é sábado. Poucos aqui para ler meus escritos. A maioria junto à lobada e escoteirada. Uns se divertindo outros sentindo os problemas que estão no ar. Não dá para fugir. Dizer que tudo é alegria tudo é felicidade é enganar ao seu coração. Eu nestes dias preso em minha morada sinto uma saudade enorme de estar com a meninada, cantando, ouvindo, falando e aprendendo com eles. Hoje não dá mais. As pernas não ajudam. O pulmão não me obedece mais. A voz reclama e não quer sair. Fico aqui a escrever e imaginar as centenas de sessões, de lobos, de escoteiros, de seniores das moças e meninas que estão presentes sorrindo por participar de uma fraternidade sem par. Lembrei-me de Mateus – 5 - E com meu coração transbordando de saudades fiz de suas palavras as minhas ao lembrar-se de  tempos idos:

- Bem aventurados os que são chefes porque poderão sorrir. Bem aventurados os sorrisos dos jovens porque estarão aprendendo a ser alguém. Bem aventurados os que participam do escotismo, porque para eles existe um motivo para viver. Bem aventurados os que cantam, correm saltam e gritam Lobo, porque deles serão os tempos de primavera na Alcatéia de Seeonee... Bem aventurados os que querem bem a todos porque deles serão os reinos dos céus...

              Sorrindo sem reclamar volto para minha barraca, onde posso me aventurar pelo mundo no meu pequeno computador, escrever o que penso, onde posso levar para os que acreditam uma palavra amiga.  Olhando esta telinha branca me transformo em uma aragem que corre pelos fios escondidos até chegar onde meus sonhos querem estar. Sim em uma grande ferradura, Alguém dizendo: - Escoteiros firme a Bandeira em Saudação! Não vou chorar. Por quê? Afinal tive tudo isto por anos a fio. Foi bom enquanto durou e dura até hoje preso em celas iluminadas em cada canto do meu coração. Corro pelas estradas que andei, viajo nos sonhos que participei, entro nas minhas historias que irei contar. Repito a mim mesmo que fazer o bem aos outros a si mesmo o faz. O Escoteiro bom sempre prosperará, aquele que oferece ajuda do saber o conforto receberá.

                De novo viajo nas minhas escritas. O peito arfante. Nada arrogante. Se não posso ir até a reunião ou acampamento eles vem até mim. Minha mente me supera. Atravessa montanhas inacessíveis. Olha um vale com uma casinha simples, e começo a contar a história de Corisco, um cavalo que enquanto pode ajudou Blanco a ir para as reuniões dos escoteiros. Até que um dia ele viu que estava velho muito Velho e chegou a hora de aposentar. Blanco chorou quando o viu ajoelhar e deitar na relva no meio do caminho. Como ia chegar aos sábados nas reuniões Escoteiras? Perder Corisco, seu amigo de muitos e muitos anos? Preciso pensar em um enredo para criar. O final quem sabe um dia irei contar...  


Boa tarde desejo de coração que seja um dia feliz para você. Com muitos sorrisos, pense que estarei aí com você em espírito, tentando ajudar no meu Melhor Possivel para que possa alcançar o que todos nós esperamos. Formar e forjar homens e mulheres para a grandeza do Brasil!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Como seria o verdadeiro Escoteiro?


Conversa ao pé do fogo.
Como seria o verdadeiro Escoteiro?

            Sempre me perguntam se eu conheço o verdadeiro Escoteiro. Aquele que tem Espírito Escoteiro, que você vê seu coração pulsando de amor, que sabe do seu ideal de ajudar o próximo sem pensar em si mesmo. Não é fácil responder. Difícil mesmo. Cada um tem sua maneira de ver e saber quando ali em sua frente tem um com todas as qualidades que se espera de um bom escoteiro ou de uma boa Escoteira. Mas ao meu modo, eu costumo reconhecer aqueles que se sobressaem. Dificilmente comento com alguém. Dizem que eles têm preso no coração na mente, na alma e no coração o espirito de B-P. Como aquela canção que diz que ele está sempre na mente, junto de mim e no meu coração estará.

             Mas quais seriam os verdadeiros sentimentos de um escoteiro? Quem sabe é quando ela ou ele olha para você e diz: - Chefe está ouvindo o ressonar da selva? Está sentindo o seu perfume? E o cheiro da terra Chefe, está sentindo? E ele continua: - Chefe veja este vale florido, olhe os pássaros fazendo acrobacia no ar. Veja no alto daquela colina aquelas árvores com suas flores, observe quantos beija flores lá estão a beber o seu néctar. Chefe olhe o vento, veja como ele faz a relva balançar como se fosse uma grande onda do mar. Chefe observe como a aragem sopram as flores e fazem as plantas sorrirem e a nos traz tantas felicidades. Sentimentos. Doces sentimentos. Quando um dia ele olhou para você e sorriu dizendo – Chefe ponha seus pés na agua fria deste regato, sinta seu corpo vibrar com o que a natureza nos oferece. – Chefe, olhe os peixinhos dançando e cantando como se fossem um Balé se apresentando na primavera do amor.

               Mas seria assim um escoteiro? Amante da natureza? Seria aquele que diz a você – Chefe veja os pássaros no céu, veja o seu lindo revoar! E ali Chefe, veja naquele galho a Gaivota que veio do sul. E lá mais ao longe o Cisne Branco que vagueia nas ondas do mar. Fico pensando. Seria isto mesmo? Seria exigir muito se um dia pudéssemos ver em seus olhos, aquele brilho quando a fogueira é acesa? Em saber que foi ele quem fez o fogo e quando acendeu sorriu como um iniciante? Chefe meu amigo. Não me cobre tanto. Nem sei mais o que digo. Mas você sabe do sorriso, da maneira de cantar, da maneira de brincar e do seu jeito próprio a tratar os seus irmãos.

              Por Deus! Acha que exijo muito? É certo? Pensar que ele proceda dentro dos princípios da lei? Mas este não seria o verdadeiro Escoteiro ou Escoteira? Aquele que demostra respeito, que quando cumprimenta a todos com seu Sempre Alerta tem um sorriso nos lábios? Seria este o Escoteiro ou a Escoteira perfeita? Fico em duvida. Já nem sei mais o que digo e preciso meditar mais. Afinal a perfeição só Deus. Mas que seria bom seria. Ver quando ele respeita e é respeitado, ver que ele sabe o que é ser disciplinado e quando ele disser Palavra de Escoteiro, você pode acreditar. Ver suas notas, os elogios dos professores o respeito dos seus amigos.

              Não sei se respondi a pergunta que meu mesmo fiz. Não sei se tirei a duvida ou se ela aumentou com meu modo de pensar o que seria o verdadeiro escoteiro. Sei que para o jovem ou a jovem escotismo é desafio. Nem todos irão aceitar e lutar pelo seu lugar ao sol. O que sei é que quem forma quem dá quem ensina quem motiva somos nós os chefes. Um trabalho árduo. Quando estamos junto a ele ou ela devemos olhar para frente, pensar que estamos ali para ajudar. Não somos pais e nem mães somos um irmão mais Velho. Sorrindo e compreendendo sua juventude. Ouvindo mais que falando. Se acreditarmos em um escotismo puro nos seus pensamentos nas suas palavras e nas suas ações, saberemos um dia só em olhar, vendo seu sorriso, seus olhos faiscantes e sua maneira de conversar que estamos diante de um verdadeiro Escoteiro.

                 Um dia me disseram que o escotismo não é para qualquer um. Não sei, posso não concordar. Escotismo é para todos, sei que uns irão gostar outros não, mas que devemos dar oportunidade a cada um para decidir. Ninguem nasce escoteiro. Ele se torna um pelo hábito de comportamento. Portanto meu amigo somos nós os responsáveis para fazer deste rapaz e desta moça, o verdadeiro Escoteiro que um dia pensamos em colaborar!     


- É um grande jogo, ele dizia sempre,
Seja bem vindo, divirta-se educando.
Aceite as regras, são simples, mas sinceras,
Não complique as coisas, continue acreditando.
Você não vai modificar o mundo, mas para uns poucos,
Serão agradecidos se você for ajudando!

Deixe de lado esta mania de grandeza,
Faça seu trabalho com poucos, mas com certeza.
Acredite cada um vai achar o seu caminho,
Pois este jogo é como pedra de moinho

Se bem aplicado terá alegrias e não tristezas.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Chefes Escoteiros que ficaram na história.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Chefes Escoteiros que ficaram na história.

                 Estamos vivendo uma nova era do escotismo. Lideranças aparecem e desaparecem sem deixar rastro. Alguns permanecem tentando escrever seus nomes nas páginas da história do Escotismo Brasileiro. Ao seu modo estão mudando nosso destino como se eles soubessem onde devemos chegar. São muitos, alguns ficam outros desaparecem e a gente não ouve mais falar. Nas páginas dos novos poetas, pensadores, doutores professores e pedagogos a educação escoteira tem outra forma de fazer e interpretar. As idéias de B-P não servem mais para os tempos do futuro. Dizem que os jovens se preocupam mais com as descobertas da física, da matemática, das descobertas tecnológicas. Assim dizem os novos pedagogos do escotismo. A vida ao ar livre está sendo substituída pela sala de aula, pela sede, por um programa moderno e viver na natureza fazendo aventuras se tornou um empecilho pelas exigências burocráticas que são exigidas.

                      Eu um Velho teimoso e mordaz escrevo o que não devo. Dizem que sou espirituoso e que desconheço a realidade do século XXI. Acho que sou e serei sempre um eterno saudosista dos tempos idos que marcaram uma geração. Homens e mulheres forjados no verdadeiro espírito Escoteiro onde a fraternidade tem seu lugar sem distinção de classe, credo ou mesmo burocracias exigidas para provar que é um Escoteiro do Brasil. Hoje me lembrei de alguns nomes que ficaram na história escoteira. Nomes que dignificaram o Escotismo de Baden-Powell. Nomes que nunca serão esquecidos passe o tempo que passar. Se eles estão lá no Grande Acampamento, se abraçando, confraternizando seja de que pais ou associação for eu não sei. Desculpem-me os que conheceram outros nomes que aqui deixei de citar. Minha única intenção foi de mostrar que já tivemos homens escoteiros que pudemos orgulhar.

                   Quem já ouviu histórias do Velho Lobo? Sim o primeiro a ser chamado assim. Benjamim Sodré, o Almirante famoso que emprestou seu nome para a história escoteira e soube muito bem explorar a metodologia entre os pares que viveu e conheceu. Sua história escoteira é rica em detalhes, em construir felicidades, em dar sem receber e dar um aperto de mão honesto e não só para aquele quem tem o registro na UEB. Vamos pular o grande Velho Lobo e procurar nas páginas da história outro que foi um orgulho para nós. O Ministro Guido Mondin. Ministro? Sim, tivemos um ministro, valoroso, não vaidoso, que fazia questão da flor de lis da lapela onde estivesse. Gostava de dizer que era Escoteiro de coração. Não tinha meias palavras, não gostava de bajulação. Sempre pronto a colaborar com o escotismo brasileiro sem ostentação. Não se colocou em um pedestal, como muitos fazem hoje. Seu poema ficou na história e dizia tudo sobre seu temperamento e do que achava dos novos chefões que hoje pululam por aí.

                         - Escoteiro... - “Despe teu uniforme, interesseiro, Pois não é nele que vive a Disciplina”. Nem por vesti-lo te fazes Escoteiro, Como o exige nossa lúcida doutrina. Que importa a Promessa que te ensina a ser da nossa causa um Cavalheiro, sem a conquista da insígnia peregrina do caráter de um homem verdadeiro? Escotismo é escola de Lealdade, de Amor, de Ação e Inteligência, isenta de arrogância e veleidade. Se não o compreendeste, então importa que o construas primeiro, na consciência. Cumpre a nossa Lei… e depois volta! – Falar mais o que deste homem?

                         Não podemos esquecer-nos do Chefe João Ribeiro dos Santos. Um Escoteiro que preferia o título de Chefe a ser chamado de doutor. Um homem cativante, alegre e conhecer de tantos assuntos que nem podemos imaginar. Seu exemplo foi servir. Servir ao próximo, a comunidade e principalmente o escotismo que era um apaixonado. Suas obras Escoteiras ficaram para sempre marcadas na memória. Suas letras musicais inesquecíveis. Quem não se lembra da divertida “Panelas”? Da “Canção do Lobinho”? E daquela que é cantada até hoje de norte a sul do Brasil? – “Viemos do norte, do sul e do leste, viemos do oeste de todo Brasil”! Demais. Quando milhares de jovens repetiu seu canto dizendo: Lavando as panelas somos todos irmãos? Uma frase que ficou na história. Ele viajava pelo Brasil para dar cursos, foi agraciado na época com os títulos mais desejados de Gilwell Park tais como ADCC (Assistente Deputado Chefe de Campo) e depois DCC (Deputado Chefe de Campo) sabemos que poucos conseguiram ter.

                          E o Chefe Francisco Floriano de Paula? Seus livros foram sucesso e até hoje lembrados. “Para ser Escoteiro” ficou na história. Desmembrado em três partes, Noviço, Segunda Classe e Primeira Classe foram lidos pelos escoteiros de norte a sul do Brasil. Doutor, Professor catedrático, deu sua vida pelo escotismo. Já Velho quase cego estava lá, dirigindo cursos nos campos escola sempre ajudando e colaborando. Tivemos muitos homens escoteiros valorosos, mas não posso me esquecer dele, um exemplo de amor ao próximo, que teve a audácia de conseguir verba estadual para custear cursos a chefes de todo o estado. Tive a honra de tê-lo como Diretor do meu primeiro Curso da Insígnia de Madeira. Tive a honra de apertar sua mão, tive a honra de abraçá-lo como um filho e nunca mais esquecê-lo.

                            Foram muitos os Grandes Chefes que ficaram na história. Discorrer sobre cada um deles seria uma honra, mas precisaria de um livro. Fico aqui algumas pequenas lembranças. O meu amigo Sauro Bartolomei, um sorriso nos lábios, incapaz de uma critica ou uma ofensa. Viajava para onde o convidavam sem nada cobrar. E o meu líder Chefe Darcy Malta, um homem a quem devo tudo na vida escoteira. São tantos meu Deus! Tantos que as lágrimas aparecem só ao lembrar. E hoje? Como são forjados os novos lideres? Tem algum que vai para os anais da história? Que raça temos que não sabe dar a mão sabe ser amigo e dizer que mesmo não sendo da UEB somos todos irmãos? Que raça estamos fabricando onde primeiro se vê brigas, processos condenatórios, exigências burocráticas, corrida atrás de valores financeiros? Aqueles que se arrogam como juiz a dizer que é o dono do nome Escoteiro? Já me perguntei e não reluto em perguntar novamente: - Baden-Powell deu por escrito seus direitos autorais? Disse que o escotismo pertence a algum país? Quem pode se arvorar como dono? Isto é escotismo?


                              Ainda lembro com saudades do nosso passado, do nosso marketing, do proselitismo Escoteiro, de grandes empresas, organizações da mídia que faziam para nós. Hoje? Amigo esqueça. Se vamos ter alguma mídia é melhor não ler. Não vai gostar. Se alguns destes novos lideres que dirigem ao seu modo o escotismo brasileiro vai ficar na história eu não sei. Sei que os resultados não são bons. Falta credibilidade, somos achincalhados e visto pela população como um movimento falido. Falido na apresentação pessoal, no garbo, nas ações, nas palavras e nas suas memórias. Saudades de uma época, de homens dignos que elevaram o nome Escoteiro como orgulho da nação.

domingo, 3 de abril de 2016

Memórias de um “Caderno”. Uma Insígnia de Madeira.


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Memórias de um “Caderno”.
Uma Insígnia de Madeira.

                    Quem não tem este sonho? Todos têm. Alguns lutam outros desistem no meio do caminho. Cada tempo, cada momento tem seu lugar na história e na memória de cada um. Dizem que ser Insígnia no passado era mais difícil que hoje. Não sei se é verdade. Até fins da década de setenta, a Insígnia era dividida em três partes. Parte I, o Caderno, Parte II Campo e Parte III observação. De todos o caderno dava medo. Havia um receio enorme do leitor. O que ele iria dizer. A parte II no campo era gostoso, dez dias acampado. Depois caiu para oito, seis e hoje nem se quanto é. A Parte III era observação. Hoje tem muitos AP, naquela época não. Lembro que os que se arriscavam começavam pela parte II. No campo. Oito ou dez dias sempre em um local inóspito. A ideia era todos vivenciassem o sistema de patrulhas como escoteiros. Monitores e demais funções em rodízio, obrigações na patrulha eram cobradas. Não importa se cozinheiro, se intendente ou mesmo um simples aguadeiro.

                      Dez dias. Uma delicia de curso acampado e vivendo a vida de um Escoteiro. No final uma equipe de verdade que aprendeu a respeitar direitos e deveres. Era assim que se esperava dos chefes quando voltassem para suas tropas. Não tinha restaurante, Self Service, nada. Cada patrulha recebia suas rações e cozinhava. Todos aprendiam a serem monitores, cozinheiros, intendentes, almoxarifes, aguadeiro, enfermeiro ou construtor de pioneiras. Horário corrido. Tempo livre só para almoço. As sessões duravam eram diferentes. Em uma sombra, uma árvore, em meu curso teve uma dentro de um remanso de águas geladas. Os temas mais comentados eram Sistema de Patrulhas, Corte de Honra, Jogos, Programando o Programa, Técnicas de Pioneiria, Garbo e boa Ordem, Padrões de Acampamentos, Normas e Regulamentos, Atividades Aventureiras, Métodos e Programas, Tradições e Cerimônias, Psicologia do Adolescente, Jogos, Deveres para com Deus (Lei e Promessa). Eram assim os cursos Em Gilwell.
                        Antes de partir para um Curso Avançado da Insígnia de Madeira, começávamos com um Curso de Adestramento Básico (CAB). Cinco dias, foi alterado para três e hoje nem sei se tem. Sei de muitos que após fazerem a parte II de campo da IM desistiram. O caderno era um osso duro de roer. Um questionário com dezenas de perguntas para serem respondidas. Dizem que hoje em alguns estados ainda fazem assim. Outros não. Não entendo a falta de padronização. Chefe do Norte é diferente do Chefe do Sul? – Você só recebia o lenço se vencesse as três partes. A última um Chefe IM da sua área ficava responsável. Sem essa de amizade, proteção ou bajulação. A gente nem sabia quem era o leitor. Meu “Caderno” foi posto no correio no final de abril de 1963. Olhei para a moça do balcão e paguei como carta registrada. Seis meses e nada. Cobrar? Um belo dia ele veio de volta. Refaça as alíneas II e VIII. Olhei, era sobre o Sistema de Patrulha e Corte de Honra.

                        Passava minhas folgas devorando os livros de BP e do Velho Lobo. Um mês depois lá estava eu no correio a despachar. Quatro meses e ele de volta. Refaça tudo sobre Lei e Promessa e Normas e Regulamentos. Mais três meses e lá estava eu de novo sorrindo para a moça do balcão do Correio. Desta vez demorou quatro meses. Abri o envelope e junto um Certificado de Aprovação. Sorri de orelha a orelha. Agora era esperar a Parte III. Falar com quem? O Escoteiro Chefe é claro. Mandei uma carta. Sem essa de e-mails ou telefone. Tudo escrito à mão. Até o caderno tinha de ser a mão. “O leitor queria ver como era nosso português” e redação. O Chefe Darcy Malta me mandou um ofício. Dizia que seria meu observador. Não tinha como ver o que fazia na tropa (Grupo Escoteiro Walt Disney em Belo Horizonte). Escrevi para ele como eu era o que fazia quantos acampamentos fizemos nos últimos quatro anos, quantos jovens saíram e quantos entraram.

                      Início de 1965, um Ajuri Distrital em Belo Horizonte. Convidados de vários estados presentes. Eu Chefe de um Sub. Campo Senior. A noite um fogo do Conselho só do sub. campo. Foi ali no calor de mais de 110 seniores que recebi minha Insígnia. A mesma que uso até hoje e o colar. Dois tacos. Ri a valer. Uma alegria sem fim. Nunca esqueci tudo que fiz para ser um IM. Os dez dias acampados ficaram gravados para sempre em minha mente. O Ninho de Águia, a ponte levadiça, a ponte pênsil, o caminho do Tarzan e o elevador ficaram na história. Ali aprendi que nada é impossível. Apitos de chamada geral às duas da manhã para capturar uma capivara foi demais. Claro que depois foi solta. À tarde das cobras corais me ensinou a não ter medo. Cada patrulha iria capturar uma e ver quais as venenosas ou não. O fogo do conselho foi imaginável. Os grandes jogos em patrulha, as noites em volta de uma fogueira cantando e dançando com a equipe foi demais.

                        Porque escrevo isto? Afinal não é passado? Amanhã ou em alguns anos os de hoje também não terão suas histórias para contar? Histórias aventureiras? Espero que sim. Não sei como são feitos os cursos de Insígnia hoje. Devem ser supimpas. Mas meus amigos não sei se o Sistema de Patrulha, o mais importante no método de BP está sendo realizado a altura. Os acampamentos aventureiros só com a sessão, liberdade de ação para as patrulhas. Tempo livre fraternidade. Até hoje lembro o que dizia Baden-Powell: - Só os resultados interessam. Resultados de jovens puros nos seus pensamentos nas suas palavras nas suas ações. Ideal e espírito Escoteiro. Jovens que lutávamos para ficarem cinco dez ou mais anos na sua trilha desde lobo até pioneiro. Daqueles que tinham Deus no coração. Daqueles que um olhar bondoso se via em qualquer situação de dificuldade.


                        Eu fui lobo, fui Escoteiro, fui sênior. Aprendi muito e agradeço também aos chefes da Equipe que dirigiram meus cursos. Em plena selva, mas com responsabilidade de saber que ali tinha pessoas que precisam de amor, carinho e uma palavra amiga em qualquer tempo. Dirigi muitos cursos. Muitos insígnias, muitos cursos técnicos, muitos para lobos e seniores. Nunca concordei com os tais cursos de fins de semana para ser um IM. Escrevemos muito sobre a palavra impossível. Eu sou fã dela. Lembro-me daquele general inglês que era mestre em dizer que o possivel fazemos agora, e o impossível daqui a pouco. Oito dias é pouco quando se sai em férias. Afinal é uma vez só na vida! Quem quer faz, quem não quer manda. Hoje não ninguém tem mais tempo. Insígnia de Madeira. Desejo de muitos, conquista de poucos. E o caderno? Puxa! O Meu foi demais!

quinta-feira, 31 de março de 2016

To be, or not to be – Ser ou não ser, eis a questão.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
To be, or not to be – Ser ou não ser, eis a questão.

                     Adianta escrever sobre o que hoje é considerado escotismo moderno? Que escotismo é esse? Eu pergunto aos lideres escoteiros que são os donos das ideias e das normas quais foram os resultados? Sei que poucos como você que hoje luta em uma sessão escoteira vai ler este artigo até o fim. Aqueles que possuem status escoteiros irão fechar a pagina por não concordarem com o que escrevi. Tem hora que me sinto tolhido por resultados tão pequenos alcançados até hoje. A maioria dos novos que chegaram ou estão chegando estão fechados em uma redoma escoteira satisfeitos com seu escotismo feito como acreditam que devia ser feito. Eles pouco acreditam em uma só palavra do que escrevo. Preferem meus contos, meus sonhos, minhas histórias, pois delas podem tirar exemplos na sua labuta semanal em uma sessão escoteira. Nossos lideres regionais e nacionais nem aqui aparecem. Para que? Para ler um Velho idiota a falar o que não deve? Eles estão lá onde sempre estiveram. Nas páginas do seu site da UEB e dali não arredam o pé.

                     Você conhece alguém do CAN, da DEN ou outro órgão importante da União dos escoteiros do Brasil que dão plantão nas páginas das redes sociais? Conhece algum que aqui postam visando dar mais visibilidade, mais aprendizado, tirando dúvidas pesquisando idéias ouvindo sugestões, sentindo pelas palavras dos mais humildes como está difícil fazer escotismo hoje no Brasil? Sei de alguns que tem páginas aqui. Escrevem esporadicamente. Os membros da equipe de formação, os mais graduados nem pensam em escrever ou discordar de alguém que postou algum de bom ao escotismo. Eles estão em um patamar mais elevado tem maiores conhecimentos Escoteiro e nunca virão aqui ouvir quem sabe o que não querem ouvir. Vez ou outra um novo membro da liderança regional vem aqui publicar seus programas, suas ideias, atividades que ele preparou. Pergunte a ele se consultou alguém, se discutiu com alguém, se fez uma pesquisa com os jovens o que eles acham disto.

                      Estamos vivendo uma época onde existe uma pequena parcela que se encontraram no escotismo, acham que tem ideias novas, acreditam que podem mudar e fazem de tudo para ter o status que muitos já têm. Pertencer a Casta da Liderança é um sonho de muitos. Não hesitam em humilhar, em desfazer, em se mostrar prepotentes na sua ânsia de poder. Eles estão em todos os lugares. Julgam-se os melhores, são daqueles que dizem ou está comigo ou contra mim. A arrogância é tão grande que sempre achei que a UEB é quem deveria servir aos seus associados. Mas não, ela fez questão de colocar no final da promessa do Chefe “Servir a União dos Escoteiros do Brasil”. Isto é correto? Uma vez li um livro do Pensador e Escritor Aldous Huxler que me chamou a atenção. Dizia ele:

“Uma organização não é consciente nem viva”. Seu valor é instrumental e derivado. Não é boa em si; É boa apenas na medida em que promoveu o bem dos indivíduos que são partes do todo. Dar primazia às organizações sobre as pessoas é subordinar os fins aos meios. Tudo estaria a salvo se toda a população fosse capaz de ler e se permitisse que toda espécie de opiniões fosse dirigida aos homens, pela palavra ou pela escrita, e se pelo voto, os homens pudessem eleger um legislativo que representasse às opiniões que tivessem adotado!

                      Mas não é isto que nossos lideres pensam. Eles não consultam, não perguntam, não são transparentes, nunca fizeram pesquisas sérias nas unidades Escoteiras. Acham que não precisam disto. Arvoram-se em donos da verdade. Sem perceber tomam atitudes que podem levar nosso nome ao esquecimento. Nosso proselitismo nosso marketing praticamente acabou. Os órgãos de comunicação nada falam sobre nós. Se antes se dizia Sempre Alerta, Uma só palavra, Ser Escoteiro é ter honra hoje não. Estes nomes agora registrados no INPI assusta á quem um dia for usar se não sofrer um processo a qualquer tempo. Se no passado era comum falar do Escoteiro, da sua boa ação, de sua formação, da sua palavra e sorrisos ao dizer Sempre Alerta isto não existe mais. Todos aceitam sem reclamar. Pagam às taxas sabendo que não tem desconto, a maioria não participa de atividades regionais ou nacionais porque não podem pagar.

                       Os jovens nunca são consultados. É brincadeira quando dizem que os Jovens Lideres fazem isto. Jovens? 18 a 26 anos? Pode até ser chamado assim, mas quantos com esta idade estão trabalhando, se formando em faculdades, atuando como chefes e sendo responsável por si próprio? O Sênior, o Escoteiro ou mesmo o lobo passou a ser massa de manobra. Um Líder da União dos Escoteiros do Brasil colocou no POR que a camisa solta está dentro da norma. Todos passaram a usar. Não perguntaram ao público o que acham. Não sabem dos comentários ruins que fazem ao nosso respeito com este tipo de usar a vestimenta. Chefes se apresentam como querem. Não se igualam com seus jovens. São chapéus, são lenços, são escolhas cujo exemplo deixam a desejar. Porque pelo menos se mudaram não levaram a sério a apresentação pessoal? É moda? Quem faz assim? Qual associação que se preza age desta maneira? Conhecem alguma organização que se apresenta assim?

                          Já vi muitos dos mais ligados a Casta dos Nobres da UEB dizer que chega de Baden-Powell. Dizem eles que precisamos de sangue novo. (o deles é claro). Precisamos de novos rumos educacionais. Fazem questão de falar em nome dos jovens que os tempos agora são outros. Não deram oportunidades a eles de dar opinião e mostrar os dois lados da questão. Todos aceitam. Sorriem quando recebem informações de mudança. Sorriem quando lhes é jogado uma nova norma, um novo plano. Batem palmas nas eleições, mas ainda não se tocaram que as chapas eleitas são a continuidade dos que estão saindo. Temos aí uma nova eleição na Liderança Nacional, os candidatos são os mesmos que irão dar continuidade a um programa falido que não deixa crescer, não deixa mostrar que o escotismo é sim, uma organização de jovens sem similar.

                 Mesmo sabendo que muitos não se interessam mais pelas palavras de Baden-Powell eu não me canso em repetir o que disse: - “A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta”. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz!

- Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente.

segunda-feira, 28 de março de 2016

O mundo virou de cabeça para baixo! Agora sou o novo Presidente do Brasil!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O mundo virou de cabeça para baixo!
Agora sou o novo Presidente do Brasil!

                  Uma segunda feira calma levantei cedo, fui fazer minha caminhada de 800 metros e aproveitei para me exercitar um pouco nas pernas e nos ombros. Fazia isto diariamente. Sentia-me bem. Ao retornar eis que no inicio da minha rua vi um bloqueio. Tanques Leopardos, Blindados de todos os tipos armados com canhões antiaéreos centenas de fuzileiros navais em cada ponto da rua. Vi logo que não poderia ser a SABESP. Povinho que adora abrir um buraco e deixar aberto. Desci a rua calmamente. Surpreso vi em cada esquina mais PMs do Exercito. Brutamontes escolhidos a dedo. No céu helicópteros da Marinha dançavam no ar. Agora sabia que não era a Globo querendo filmar. E eis a surpresa final, na porta da minha humilde casinha dezenas de carros pretos de todos os tipos. Pelas barbas do Profeta! De novo? Fui devagar como se não quisesse nada. Afinal a Célia estava lá e se tivessem feito alguma coisa com ela eu ia ficar “invocado”. Mexeu com ela mexeu comigo. Dois generais se aproximaram. – Doutor Osvaldo? – Putz! Doutor eu um reles matuto do sertão? Melhor calar e ver o que queriam.

                   - Venha conosco precisamos conversar.  Levaram-me para minha sala. Achei gozado, fui convidado a entrar na minha casa e minha sala. Só mesmo as Forças Armadas para fazer isto. Célia já estava lá conversando com duas Almirantes de esquadra. Sorriu para mim. – Boas notícias marido. Contaram-me que levaram o Lula para a Ilha das Cobras. Lá tem mais de 2.000 Jararacas e ele ficará bem melhor que no Tríplex ou no Sitio daquele amigo do peito. – Pensei com meus botões, que diabos queriam comigo? – O General Mascarenhas me olhou de cima em baixo. – Doutor, temos ordens de leva-lo a Brasília. Olhei para ele. – Para que excelência? – Excelência é o senhor. Foi nomeado Presidente da Republica Federativa do Brasil. – Olhei para ele. Onde estava a câmara escondida? O Silvio Santos pagou uma nota para aquela pegadinha. – Ele sério continuou: - A Presidenta Dilma renunciou. Vai passar uns dias no Hotel Papuda de Brasília!

                        O caminho está livre doutor Chefe Osvaldo. O Vice Temer preferiu ficar com sua linda princesa e foram morar em Paris. Quem sabe lá pode explodir uma bomba qualquer. Cara ruim este general. Deve ter sido da turma do DOPS. Rarará! O Eduardo Cunha está sendo levado pelo Japonês da Federal para se apresentar ao Juiz Moro em Curitiba. O Renan vai no mesmo avião. Uns meses vendo o sol nascer quadrado não mata ninguém. Perguntem ao Marcelo, ao Dirceu e ao Vaccari. O Ministro Ricardo Lewandowski do Supremo e os três generais das forças armadas estão reunidos no Palácio do Planalto a sua espera. Destituíram o Ministro das Forças Armadas o Aldo Rabelo e o mandaram para Moscou. Durante duas horas prenderam todos os deputados e senadores no Congresso Nacional que foram obrigados a fazer uma nova lei constitucional dando poderes em todo o território nacional ao Senhor. Agora é nosso Presidente! “Balaco baco!” Onde amarrei minha égua? O que fiz para merecer isto? – Olhei para Célia. Ela não gostava da ideia de ser a primeira dama. – Moço General eu disse. Porque eu? Simples, procuramos uma organização que pudéssemos confiar. Lemos sobre Baden-Powell e um dos nossos Generais está no Facebook e participa de uma das suas páginas!

                          - “Pelas barbas de Maomé”. Nem li o Alcorão e nada sei de leis a não ser um pouco do POR que agora está todo modificado em nome dos novos tempos. – Generalíssimo Mascarenhas, porque não alguém da Direção Nacional? Alguém da DEN ou do CAN? – Nem pensar Presidente Chefe Osvaldo. Eles não são confiáveis. Bem nesta parte concordei com eles. Rarará! A Advocacia Geral da União tem um novo ministro. Ele vasculhou junto ao SNI toda a cúpula escoteira do Brasil. Amanhã levarão um relatório completo para o senhor. - Dei um sorriso maroto. Agora sim irei ver quem está sendo julgado na Comissão de Ética Nacional. Vou mandar cancelar tudo e abrirei uma nova Comissão no Palácio. Convocarei meus bons amigos escoteiros do Facebook para me ajudar. – Doutor Generalíssimo Mascarenhas, e o Congresso Nacional como fica? Dom mesmo jeito. Mandamos embora a tal comissão parlamentar escoteira, não serviam para nada! Que eles aguardem a tal lista dos 300 da Odebrecht. Tem deputado chiando desde agora.



                        - Vamos ter novas eleições parlamentares. O Senhor será Presidente por vinte anos! Putz Grila pensei! Eu? Nem pensar! Afinal nunca serei o Evo Morales e nem o Nicolás Maduro e nem alguns dirigentes da UEB que não arredam o pé. Já basta amigos do Face querendo que eu viva para sempre. Desconjuro e peço a Deus que não me deixe só! Lembrei-me do Collor. E ele General? - Está fugindo em uma Ferrari vermelha na BR-040, mas logo a Policia Rodoviária Federal pega o bicho! Bem a ideia me alimentava. Eu já me via com a faixa presidencial no Palácio do Catete, Ops, catete não, Palácio da Alvorada. Iria reescrever a história do Brasil, antes o passado hoje eu, um novo Chefe Escoteiro para salvar o Brasil. – Osvaldo! Osvaldo! Acorda! Seu Mané da venda está aí cobrando sua divida do ano passado. Não vai pagar? Deus meu, um sonho lindo e ser acordado pelo seu Mané por causa de vinte mil reis? Pague mulher ainda tenho uns trocados. Os últimos minguados! E vá dormir com um barulho destes! Kkkkkkkk. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Fatos versões e verdades do escotismo moderno.


Conversa ao pé do fogo.
Fatos versões e verdades do escotismo moderno.

“Ele entrou para o escotismo pensando que iria encontrar aventuras, atividades aventureiras, acampamentos inóspitos, iria aventurar em matas, subir montanhas, atravessar rios em jangadas, aprender a viver com a natureza, vida em equipe onde o lema seria um por todos, todos por um. Ele queria sorrir deixar o vento levar seu espírito a lugares que nunca antes tinha ido. Mas não foi isto que aconteceu”.

                     A vida escoteira me ensinou muito. Errei muito e hoje vejo que caminhos que escolhi poderiam ter sido melhores. Levei meu espírito para longe do mundo civilizado, andei por grotões e vales inóspitos e hoje sei que nem sempre podemos ter tais aventuras como no passado. Mas estamos cometendo um erro enorme. Estamos tirando o desejo da aventura e da descoberta do jovem. Estamos dando a ele o que ele tem na escola, em casa e junto aos seus amigos de bairro. A cantilena de ouvir o jovem para saber o que pensa não existe mais. Chefes de várias matizes afirmam saber o que eles querem. Dizem saber como fazer os melhores métodos e programas afirmando que é assim que eles pensam. Verdade? Então dê uma vara para pescar ao um noviço e diga para ele pescar. Se ele nunca pescou se ele nunca viu alguém pegar um peixe dificilmente vai ficar ali sentado esperando fisgar um belo peixe.

                      Se vamos agora ter programas chamados de pedagógicos tirados da imaginação de grandes educadores que sabem o que a juventude quer, que se denomine outro termo que não escotismo. Pode até que dê resultados, mas sabemos que o escotismo de Baden-Powell sempre foi cheio de sucesso. Então porque mudar? Aquela preocupação de técnicas Escoteiras, aventureiras, acampamentos de Gilwell, aventuras inesquecíveis, sistemas de conquistas hoje foram substituídas por provas modernas que nada tem a ver com o se pensava antes em ser escoteiro. Onde estão àqueles meninos lobos, que um dia chegaram a uma idade para colaborar em sessões Escoteiras? Se antes eles existiam hoje somente uma pequena parcela chega lá. Os pais e digo isto com alegria, pois sem eles estaríamos pior, estão assumindo suas posições. Um programa de atividades voltados para a técnica escoteira não existe. Quando muito uma improvisação aqui e ali. Só se discute a tal pedagogia moderna de ensino. Sei que o mundo de hoje se transformou, mas o desejo da aventura, da descoberta, de ser um herói ainda permanece entre os jovens e isto eu garanto.

                        Porque muitos dizem tanto sobre consultar o jovens e na realidade não consultam? Não tenho dados, mas acredito que a maioria dos jovens praticantes do escotismo hoje são advindos de comunidades classe media a jovens de classe menor. Nossa liderança faz belos planos, montam cursos extraordinários, existe uma preocupação constante com a formação intelectual, com a proteção até demasiada com o jovem, e note-se que hoje promessas e promessas de planos de expansão são feitos, mas o resultados são pífios. Uma pesquisa abrangente do que os jovens pensam nunca foi feita. Já disse o que penso sobre os Jovens Lideres. Eles para mim não representam a juventude escoteira. Afinal 18 a 26 anos ou são pioneiros ou chefes. Suas vivências se concentram em faculdades, emprego e alguma diversão que o escotismo pode oferecer. O lobo, o escoteiro e o Sênior pensa diferente.

                         O jovem ou a jovem escoteira de hoje são manobrados a bel prazer pelos dirigentes e porque não dizer também por sua chefia. Neste ultimo caso há exceções. Nunca foi apresentado um plano de expansão onde eles tiveram oportunidade de opinar. Nunca lhes foi perguntado se o programa atual comparativamente com outros é do seu agrado. Os programas internos dos grupos são feitos conforme determinados pelos chefes. Cria-se trabalho comunitários, visitas, passeios a centro educacionais, boas ações coletivas que simplesmente são apresentados aos jovens e nunca perguntaram se era isto que eles queriam fazer. Não desmereço tais programas. Nunca. Mas sem intercalar atividades aventureiras, bons acampamentos, ótimas excursões, exemplos de vida através de atividades ao ar livre ninguém em sã consciência vai gostar de ser uma espécie de apresentação pessoal para deleite dos dirigentes inclusive dos Grupos Escoteiros.

                           O que adianta tais programas sociais onde meia dúzia de meninos ou meninas estão presentes? Porque nossa liderança nacional ainda não se preocupou com um estudo sério, ouvindo as bases, desde o lobo até o adulto no grupo de origem sobre vários temas que poderiam dar subsídios para um grande programa de expansão? Difícil? Não é. Em épocas de eleições os candidatos apresentam seus programas. Estão prontos, falam e exaltam o que virá pela frente. Um escotismo de mares nunca antes navegados. O tempo passa e como sempre não se vê nada de novo no front. A nova fronteira de chefes só conhecem uma estrada que os atuais mandatários mostram para eles. Batem palmas a esmo sem saber onde estão indo. Para eles justifica dizer que o importante é a formação do jovem. Eu pergunto qual formação? Se antes acreditávamos que para que o jovem ou a jovem tivessem uma formação escoteira exemplar precisaríamos mantê-los pelo menos dez anos em atividade o que dizer hoje?

                          Alguém já fez uma pesquisa em sua unidade escoteira para saber quantos entraram e quantos saíram nos últimos dez anos? Alguém estudou profundamente o porquê muitos saíram e o tema foi discutido a exaustão? Porque muitos não guardam boas recordações do seu tempo de Escoteiro? Onde estão aqueles que hoje em suas comunidades estão a fazer proselitismo do movimento Escoteiro junto a vizinhos e amigos? Sei que alguns dirão que conhecem muitos que ocupam posições na comunidade e respeitam o movimento Escoteiro. Mas são poucos.  Não temos mais um marketing agressivo para um bom programa de expansão. Os meios de comunicação nem se preocupam com o escotismo há não ser em casos excepcionais que prefiro não destacá-los. Não temos dados, não temos transparência apesar de que muitos eleitos se jactam em ser transparentes. Muda-se por mudar ou por copiar o que outros países de primeiro mundo estão fazendo é fazer a mesmice da falta de imaginação.


                         Enfim sabemos onde o escotismo é realizado nos moldes aventureiros ele está dando certo. Existem grupos cuja preocupação é real na motivação do jovem em seu seio. Sem menosprezar eu não ficaria onde as atividades ao ar livre são escassas. Onde não tenho liberdade de me expressar e dizer se gosto ou não. Onde o aprendizado não passa de uma cópia professoral do que se vê diariamente na escola. Onde se procura um amigo um irmão mais Velho e o que se encontra é um Chefe mandão, dono da verdade que não ouve ninguém. Ofendi você? Desculpe. Não era minha intenção. “Sei que o que escrevi para muitos é como aquela historia: - Entrou por um ouvido e saiu pelo outro”. Afinal daqui a vinte anos mais de noventa e nove por cento não estarão mais aqui para ver!