Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

sábado, 5 de novembro de 2016

Você é Escoteiro?


Você é Escoteiro?

               Quando alguém lhe fizer esta pergunta, responda na hora: Sou sim, com muito orgulho e muito feliz. Diga para ele que está aprendendo a ser alguém, para que todos que te amam possam um dia orgulhar. Que você aprendeu que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal é ponto de honra, e sua palavra é sagrada. Explique que está aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Que aprende tantas coisas que cada dia que passa mais se orgulha de ser um Escoteiro desta grande Fraternidade Mundial.

               Seja simples sem ser prepotente. Diga que ele não sabe, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem com os escoteiros, que hoje você sabe que a felicidade pode ser alcançada e você alcançou. Sem ser pedante diga que é um privilegiado por Deus em estar aqui. Explique que já viu um céu estrelado deitado na relva, em volta de uma fogueira cheia de amigos e amigas. Que viu constelações, cometas varando o espaço sideral deixando para trás um rastro de luzes coloridas. Diga que isto lhe dá certeza que existe um Deus supremo e que o escoteiro é puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações.

                Fale naturalmente sem afetação. Explique que gostaria que um dia ele pudesse estar junto para experimentar como é bom dormir sob as estrelas! Ver o sol nascer e se pôr ainda vermelho no horizonte deixando uma marca profunda em nossos corações. Quem sabe um dia ele vai poder saborear o cheiro da terra molhada, ouvir o cantar de um riacho de águas cristalinas e do perfume das flores silvestres, do som maravilhoso da passarada, do piar da coruja em um carvalho qualquer. E se ele quiser poderá ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos riem, cantam e vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe.

                Mostre a ele como é lindo ser escoteiro. Sem egoísmo mostre a ele que ser Escoteiro é um privilégio de poucos. Não deixe de comentar os artigos da Lei, conte um pouco sobre a natureza, da chuva caindo em uma floresta, ouvindo o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Diga que temos uma ternura imensa com a natureza, que para nós é fácil encontrar o Norte e o Sul, orientar pelas flores pelos animais e insetos. Como seguir a sotavento, deixando o vento nos levar, sentir a brisa da madrugada, descobrir as flores desabrochando nas campinas distantes. Sorria para ele entender como é bom depois de uma longa jornada, a gente tira o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um belo riacho. Depois deitar com a mochila de travesseiro tirar uma soneca embaixo de uma frondosa árvore e olhar em volta sentindo o cheiro da relva cujo vento sopra com amor em nossa face. Tente mostrar a ele com é lindo chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Um espetáculo imperdível que poucos podem ver.

              Faça o convite a ele para ser um de nós sem ser pedante. Explique que nem todos tem a oportunidade de ter o que temos. Fale que aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos que é preciso ter coragem e amor para conviver em uma vida saudável e fraterna com os demais escoteiros. E se um dia ele quiser você vai apresentá-lo a um Grupo Escoteiro. Mas seja sincero, afinal nós sabemos que entrar qualquer um entra, mas ser escoteiro não é para qualquer um!

                E finalmente se ele resolver mesmo, diga que é sempre bem vindo. Diga a ele que será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E quando for fazer a Promessa em uma tarde de verão, conte a ele o que o nosso fundador Baden Powell ouviu de um Chefe Zulu que somente os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E finalmente dê a ele um abraço, aquele tipo Escoteiro que faz a gente se sentir bem. Explique que agora ele pertence a grande fraternidade mundial. Afinal ele sendo um de nós é nosso irmão e do mesmo sangue como Kaa nos ensinou. Agora ele irá pertencer a grande fraternidade mundial composta de todos os escoteiros do mundo.


           E quando ele estiver preparado convide-o para colocar sua mochila, pegar sua tralha e com seu bornal e cantil partir com você cantando uma canção, para onde o vento quiser levar onde lá ao longe bem distante vão viver mais uma bela aventura!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A técnica mateira da Vovó Escoteira.


Conversa ao Pé do Fogo.
A técnica mateira da Vovó Escoteira.

                     - Chefe! Minha avó chegou hoje e vai embora amanhã. Eu gostaria que o senhor a conhecesse. Olhe ela foi escoteira há muito tempo atrás. – Olhei para Georgia e não pude dizer não. A reunião tinha chegado ao fim e a casa dela era próxima. Entramos e vi um casal de idosos sentados na poltrona da sala. Educadamente se levantaram e me cumprimentaram. Ela a Vovó me olhou de cima em baixo: - Pelo menos está bem uniformizado disse. – Delfim seu esposo riu. – Desculpe Chefe, ela adora lembrar seus tempos de escotismo. Ela não se fez de rogada. – Meu caro Chefe, disse, afinal ou você está ou não está uniformizado! Falar o que? Sentei em uma banqueta e Georgia foi preparar um café para nós. Não podia faltar. – A Senhora foi Chefe onde? – Ela me cortou dizendo: - Meu nome é Ana. Chame-me assim ou se quiser Chefe Ana!

                         - Eu fui escoteira, guia e pioneira. Fui Chefe por mais de 50 anos. Ah! Esqueci também fui azulão! – Lobinho Chefe, Lobinha! Quando passei para escoteira a chefia o nosso Chefe de Grupo exigiu de mim algum que nunca exigiu de ninguém. Fui obrigada com muito prazer a aprender o Código Morse e eu mesmo fabriquei uma rústica cigarra para treinamento com meu namorado. Semáfora eu tirei de letra. Mais de 45 letras por minuto. E olhe transmitindo e recebendo. Fiquei “bamba” no alfabeto dos mudos-surdos. Ele me exigiu vinte jogos usando a Lei Escoteira e uma palestra de quinze minutos sobre ela. Gostoso mesmo foi o Percurso de Gilwell que eu fiz. Fiquei craque em mapas e croquis. Fiz um mapa em escala variável de minha cidade até o Sítio do Redentor. Aceitei o desafio dele para fazer dez nós escoteiros com dois cadarços na boca usando a língua e os dentes! Kkkkkkk. Era demais!

                          Ana era demais. Contava sorrindo sem se mostrar a tal. Chefe, quase fiz toda prova de primeira classe. Dei aulas em atividades de primeiros socorros. Ensinei a muitos jovens a especialidade de Saúde e Socorrista. Aprendi em um acampamento a montar uma tala e fiz um torniquete depois de uma sangria para retirar um veneno de cobra. Olhei para ela estupefato. Fui uma especialista no uso do lenço. Tipoias sabia fazer mais de oito tipos. Mostrei a ele vários tipos de maca e uma delas eu montava em menos de três minutos! – Zózimo um monitor me ensinou a achar o Fio de uma Lâmina e aprendi a afiar com perfeição. Todos os cuidados com o material de sapa, desde lixar e olear não tinha segredos. Aprendi a fazer de olhos fechados uma Amarra Quadrada, uma Diagonal ou Paralela sem esquecer a Tripé. Fiz mais de seis tipos de costura de arremate sendo que uma delas desmanchava em segundos ao fim do acampamento.

                 Durante dois meses fiz um estágio no Instituto Butantã, e aprendi a reconhecer quais as Venenosas ou não. Ana dava um show em sua simplicidade. Eu mesmo sendo um Insignia de Madeira com muitos anos de escotismo não tinha todo aquele conhecimento. Ela adivinhando o que pensava continuou: - Comida Mateira era fichinha e o Frango Frito no Barro tirei de letra. Café sem Coador perdeu a graça, mas quando fiz pela primeira vez um Arroz sem Panelas ninguém acreditou. Precisei provar! Aprendi com o tempo a armar qualquer barraca de olhos fechados e acredite, a Bangalô com sua parafernália de tubos de armação eu decorei os números um por um. Uma vez me desafiaram a construir uma Oca e dois índios amigos ficaram embasbacados com meu acabamento. Nunca fiz nenhum curso de Sobrevivência na Selva, mas era tranquilo a quantidade de Armadilhas que aprendi a fazer. Era perita em achar nascentes e dominava a Cozinha da selva com maestria.

                      Com seu Gil meu professor de pioneirías aprendi a usar o Serrote e o Traçador. Fiz Pioneiras fantásticas. A Ponte Levadiça, a casa do Escoteiro em um jequitibá de cem anos, um Ninho de Águia, uma passagem secreta entre arvoredos, e tive a honra de ajudar a Patrulha Quati a montar um acampamento suspenso e olhe, levamos água do ribeirão até lá! Nossa mãe! Ana era demais. E ela continuou: - Com Mano Velho aprendi Sinais de Pista não aqueles de amadores. Seguia qualquer Pista em qualquer terreno. E olhe bem, poucos tiveram a felicidade de ver o Crepúsculo em uma noite de inverno do alto de uma montanha. Incrível a visão. Nunca abandonei minhas raízes. Fiz questão de fazer o IM de Alcatéia, de Tropa, de Sênior e Pioneiro. Dirigente não. Nunca pensei em ser uma. Não sei se hoje isto ainda existe, mas naquela época escotismo era técnica sem esquecer o introito da formação moral e intelectual do jovem. 

                    - Meu caro Chefe, precisa conhecer minha coleção de bússolas, tenho de mais de trinta países. Passei uma semana junto a um astrônomo que me ajudou na arte de observação das estrelas. Foi maravilhoso. Aprendi a orientação de maneira técnica. Com seu Júlio, um amigo de papai que morava em uma fazenda dominei a maneira de se orientar pelas árvores, pelas estrelas, e até mesmo pelos ninhos de diversos pássaros que sempre construíam com a entrada virada para o Este. - Se um dia me der à honra de uma visita em Moradas Novas, onde vivo irei mostrar ao senhor minha biblioteca escoteira. Só literatura escoteira. Mais de trezentos livros aí incluídos os de B-P que não foi fácil adquirir e tive que ir a Inglaterra para adquiri-los. Tenho uma coleção de selos, de lenços e de anéis que agora chamam de arganéu. Já deixei meu testamento de tudo que tenho para o Grupo Escoteiro onde nasci. Vou doar uma infinidade de objetos que tenho. Afinal são seis bastões encordoados com couro inglês, duas mantas com mais de quinhentos distintivos pregados em cada uma e meus oito uniformes deste que entrei para o escotismo em 1946.


                     Ela se calou sorrindo. Eu boquiaberto não sabia o que dizer. Delfin seu esposo pediu desculpas e a levou para o quarto. Era hora dos famosos remédios que nós idosos não temos como fugir. Georgia me serviu um cafezinho e parti. Disse a ela para despedir por mim a sua Avó e seu Avó. – Por favor, diga para eles que só de ouvir aprendi tanto que nunca mais esquecerei a lição de uma avó escoteira que sempre amou aquilo que fez.  . Educar, formar caráter, espirito de iniciativa, formação espiritual, bons cidadãos. “E fui pensando, pensando até que me dei conta que eu tinha muito ainda que aprender”!

domingo, 30 de outubro de 2016

Eu? Sou apenas um Velho Chefe Escoteiro!... E nada mais.


Eu? Sou apenas um Velho Chefe Escoteiro!... E nada mais.

              Virou um grilo? Ou quem sabe um beija flor colorido pairando no ar? Velho maniento, cheio de vontades, um figuraço que se diz Escoteiro e que nem sabe onde foi parar. Vez ou outra é assim que me sinto, um absinto de erva aromática, composta de muitas ramosas que atua no sistema nervoso se valendo de suas boas recordações. Fugir como? Um dia eu serei o escolhido, pois cada vez que leio que um se foi fico a imaginar quando meu dia irá chegar. Na primavera? No outono, no inverno ou quem sabe no verão? Qual estação eu vou partir? Cada dia alguém se despede de um amigo saudoso, dizendo a todos que ele se foi. Eita modernidade que a saudade não tem lugar para ficar. Lá está o epitáfio: - Ele se foi e com ele todas as honras, foi um homem honesto e honrado. Partiu sem dizer adeus e deixou entre os seus muita saudade. Brincando de seguir a trilha no firmamento, sem a ajuda do vento, sabendo que um dia vai para o grande acampamento.

                O tempo sabe que minha vez vai chegar. Não só para mim para todos. Será que aquele Escoteiro vivente acreditou que seria imortal? Impossível. Não tem como fugir. Não adianta palavras formosas, tais como aguente, não tente, acredite Ele está em você e depois de tantas outras vem aquela: - Faça o que o Doutor mandou. Leporácio um intendente da Patrulha Quati, me disse certa vez em voz baixa o destino de cada um de nós. – Vado Escoteiro, aprenda a construir sua estrada do futuro porque o terreno do amanhã é incerto demais para outros planos. E continuou... O futuro meu amigo tem o costume de cair em meio ao verão! – Verão? Irei pelas nuvens voando no sol do meio dia? – Calma Vado Escoteiro, depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E cá prá nós, aprenda que não importa o quanto você se importa, pois algumas pessoas simplesmente não se importam. Olho para seu semblante dou um voo rasante e penso que nem sei o que estou a fazer neste mundo. É tem hora que eu me pergunto se a própria dúvida não esta me pondo em dúvida.

               Dizem que lá no espaço nas cidades resplandecentes se merecer poderei ler o que alguns disseram a meu respeito. - Lá foi ele... Não foi brilhante, tentou ao seu modo encapar felicidade no coração de muitos. Conseguiu? Meu amigo Leporácio acho que sim ou quem sabe não. Eu tentei apenas fazer o que aprendi e o que me disseram para fazer. Tentei copiar a paciência dos Deuses, enfrentei consequências, mas cheguei à conclusão que para ter ela requer muita prática que não tenho. Leporácio ria as largas de suas próprias palavras. – Ele calmamente continuou a sussurrar como se eu fosse um menininho para entender tudo que tinha a dizer. – Vado Escoteiro, não é só sua maturidade, sua larga experiência e nem quantos aniversários você celebrou. Você achou que sabia mais do que supunha que aprendeu a conviver com sonhos reais e imaginários. Até mesmo achou que sonhos são bobagens e que tantas vezes se sentiu humilhado e achou que isto era uma tragédia anunciada. Quer saber? Não estou nem aí para você!


                Pois é, Leporácio foi meu amigo, do peito, de me dar um olhar sem sentimentos de piedade o que nunca desejei. Eu tinha medo da minha própria mente. Medo que a morte que acredito eminente não me tape os ouvidos e a boca. Por quê? Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é o silêncio... Nada mais havia há dizer. Eu só peço aqueles que um dia forem escrever suas despedidas, que não digam que fui um chefão, um lobo do deserto, ou mesmo um Velho lobo encantador. Por favor, digam que eu era um amigo, nada mais que isto. Gentileza não me darem tanto crédito e nem um monumento cheio de elogios. No meu epitáfio terei somente meu nome... Vado um Escoteiro. Que acreditou ser o que era... E nada mais! 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Estamos fazendo um escotismo de resultados?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Estamos fazendo um escotismo de resultados?

                  Você sabia que dos dez países que em 1910 começaram a fazer escotismo no mundo o Brasil era um deles? Você sabia que somos relativamente à população local o menor em efetivo Escoteiro entre eles? Se hoje temos uma população de jovens em idade escolar de quarenta e cinco milhões e menos de 65.000 jovens participam do escotismo, quanto dá isto em termos percentual? Se desde 1910 em tempo algum alcançamos pelo menos um por cento dos jovens brasileiros que poderiam estar participando do escotismo, onde estamos errando? Pensando bem isto é relevante? Pelo sim pelo não, alguns dizem que não sabemos aplicar o programa e por isto não tivemos sucesso no crescimento Escoteiro nacional. Se isto é fato, se a metodologia de Baden-Powell deu certo em dezenas de países do mundo e no nosso não, porque ainda não soubemos corrigir nossa maneira de atuar?

                       É fato que quanto mais fortes fossemos mais resultados obteríamos. Verdade? Pensando nos resultados propostos que seria a formação do caráter, honra ética entre os jovens e que dentro de um programa factível, agradável e aceito de maneira espontânea sem caráter de obrigação, não devíamos pelo menos ter alcançado um efetivo de pelo menos quinhentos mil membros escoteiros? Muitos de nós estamos perdendo as esperanças de colaborar na formação da juventude e chegamos a duvidar se estamos no caminho do sucesso que Baden-Powell deixou para nós. Estamos desacreditados? Nossos alicerces de homens formados na filosofia ainda é uma utopia? Alguns afirmam que continuamos com as mesmas ideias e mudamos o que não era para mudar. Claro, há discordâncias, mas o fato é que não obtivemos resultados reais.

                        Nunca foi feito uma pesquisa, uma consulta, um mutirão, ou mesmo um estudo junto às unidades locais (Grupos Escoteiros) tentando ver in-locum o porquê não estamos crescendo. Nossas lideranças Escoteiras ou se sentem auto-suficientes ou esqueceram ou não dão o menor valor em ouvir as bases. Eles mudaram a estrutura, normas, mas em tempo algum fizeram realizar entre os membros escoteiros uma discussão sobre este tema e outros que foram impostos pela alta cúpula escoteira. Sabemos que é somente pelos resultados que podemos saber se atingimos nossos objetivos. Ensinar é aprender. Ensinar não é só transmitir conhecimentos. Sabemos que um líder atuando não tem o vírus da sabedoria e do sucesso como um todo. A fase da autocracia sem a verdadeira democracia mostra que os resultados nunca serão bons.
             
                          A organização Escoteira no Brasil hoje funciona através de uma liderança representativa. Muitos acreditam que ela é a melhor maneira de desenvolver e fortalecer o escotismo brasileiro. Não se pensa em outra forma de direção e isto nunca esteve em discussão. Tornou-se um tabu falar sobre este tema. A própria liderança que decide tem menos de 0,2% dos voluntários adultos e são eles que tomam decisões que são acatadas por todos sem discutir. Não existe transparência. Tudo é feito sem consultas, sem pesquisas e poucos ficam sabendo até que se torna realidade. A representatividade que deveria existe não existe. A maneira atual de participação através de encontros nacionais, seminários, congressos, assembleias não tem dado bons resultados. Só não vê quem não quer. Carecemos de um marketing profissional e aquele que deveria produzir bons resultados através da apresentação pessoal ficou aquém do esperado com as novas mudanças da uniformização.

                       Ficamos órfãos e sem representatividade nos meios sociais, educacionais, políticos e empresariais. São poucos aqueles ex-Escoteiros com bons exemplos defendendo nosso valor e nossa forma educacional. Não temos bons conferencistas e os exemplos para dar a sociedade brasileira mostrando nossos valores são mínimos. Continua a velha formula estereotipada de mostrar o que não temos e nem podemos provar. Nosso efetivo sofre todo ano o efeito sanfona. Quando chegamos a um numero um pouco melhor eis que seis mil em um só ano abandonam as fileiras Escoteiras. A evasão até hoje não foi bem estudada pelos nossos lideres. Muitos nem se preocupam e fazem dela uma maneira de introduzir novos membros com pensamentos iguais sem contestação.

                    Infelizmente ainda não temos meios para que possamos em uníssemos mostrar como poderíamos chegar lá. O sonho de uma sociedade formada pela filosofia escoteira ainda não aconteceu. Uma mentalidade única é o que acontece na maioria de nossa liderança. Não se discute não se estuda o essencial dos resultados e alguns mais privilegiados explicam o inexplicável. Acham assim que são os mais inteligentes e espertos, que sabem tomar as decisões certas e que com seu poder irão consertar o mundo escoteiro; sempre se julgam os melhores e mais capazes que os outros. Seria isto mesmo? Impossível responder. Nossa politica de resultados caminha há passos de tartaruga. O dia que tivermos mais ouvidos, mais compreensão, mais fraternidade sem prepotência quem sabe podemos atingir o nível do caminho para o sucesso conforme escreveu Baden-Powell.


                    Enquanto isto vamos ficando para trás no efetivo escoteiro nacional comparativamente a diversos países do mundo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quem são eles?


Quem são eles?

Ei você, por favor, me diga, quem são eles?
Estes sorrisos e cantorias são mesmo deles?
Aonde vão com essa tralha no costado,
Partem em bandos nem parecem assustados
Dizem que vão para os campos e montes,
Cheios de esperanças a beber água da fonte.

Sei que são meninos cheios de esperanças
A correr com bandeiras nas andanças,
No regato águas límpidas e formosas,
Contam casos contam prosas.
No lusco fusco do sol da tarde
Armam barracas sem fazer alarde.

Usam mochilas, distintivos e chapéu.
Usam lenço amarrados ao arganéu.
Na ravina eles gostam das flores
Orgulham da promessa, dos seus valores.
Armam barracas, arvoram bandeiras.
A moeda da boa ação sempre na algibeira.

Ei jovem, me diga quem são?
Vejo vocês fazendo boa ação,
Moço, sou menino, sou faceiro,
Olhe bem, sou Escoteiro,
Amo a Deus, amo meus amigos
Amo a pátria e da lei os seus artigos.

Pensei que eram simples meninos
Enganei-me, eram divinos.
Batutas, energia que consomem
Sem duvida em breve serão homens.
Nunca seriam esquecidos forasteiros
Pois ali estavam verdadeiros Escoteiros.

Se um dia perguntarem aonde vão
Diga com calma com amor no coração.
Eles? Meu amigo são alegres faceiros
São meninos, eles são Escoteiros.
Vivem de sonhos correndo neste céu cor de anil,

São sinceros, são amigos, são Escoteiros do Brasil!   

domingo, 23 de outubro de 2016

Apenas um Caminho para o Sucesso.


Coisas da vida.
Apenas um Caminho para o Sucesso.

                         Ele passou sem nada dizer e foi em frente. O chamei educadamente se não queria seguir na estrada florida da vida em busca de um futuro promissor. Ele nem ligou. – Meu jovem, esta estrada que segues não é a melhor para você. Pense bem se não devia escolher aquela que ficou lá atrás, pois tinha flores azuis e amarelas e lindos adereços no chão mostrando o caminho a seguir? Não percebestes? Era lá que você devia entrar e quem sabe encontrar o que procuras. Eu vi na curva do caminho muitos jovens como você que não sabem ao certo qual o rumo tomar. Não viu aqueles outros vivenciando a amizade e brincando como se fossem gente grande? Viu como eles eram solícitos quando perguntou se gostavam do que faziam? Sei que você gostou do que viu, mas porque não permaneceu lá? Todos insistiram para você ficar. Não se lembras daquele pequenino que lhe deu um aperto de mão esquerda e disse que ali morava a felicidade eterna? Então porque titubeaste? Porque não aceitou o convite feito de forma alegre e fraterna?

                         Meu jovem eles são assim, divertidos, amigos de todos e irmão daqueles que estão com eles nas veredas do bom caminho. Sabe quem são? Não sabe? Eles são Escoteiros, entusiastas joviais briosos brasileiros que brincam de ser homens nas grandes aventuras. Volte! Não siga nesta trilha que está cheia de espinhos. Ela vai levar você a lugar nenhum. Não acredite que os outros que vais encontrar serão seus amigos. Eles estão perdidos como você. Eles não pensam mais, são mortos vivos a vagar por aí. Esqueceram seu passado, suas vidas seus sonhos. Eles não sonham mais. Sentam em qualquer lugar onde alguém lhe oferece o néctar do veneno que mata. Você não pode desejar isto. Ainda tens tempo. É só voltar nas passadas do tempo. Lembre-se daqueles que te amam, que desejam seu retorno. Eles imploram seu retorno.

                        Volte por aonde veio, não fique na duvida. Você tem ainda vastos caminhos a percorrer. Não peço para acreditar nas palavras do Criador. Muitos que estão seguindo com você hoje duvidam que ele exista. Mas cada um tem o direito de criar seu próprio destino, cada um é dono de sua própria vida. Mas porque jogá-la no labirinto da duvida? Lá é só escuridão, quem sabe um raio solto no céu mostrando o lamaçal onde irás viver. Isto seria vida? Não escolha este caminho. Não é um bom caminho. Volte! Procure às campinas verdes onde mora o amor perfeito. Encontre outros amigos, aqueles do sorriso franco, do abraço sincero, aqueles que te dizem para cantar com eles o Rataplã. Abriram-lhe uma vaga na patrulha da felicidade. Deixarão para você uma flor de lis para lhe indicar o caminho perfeito da felicidade.

                       Eu sei que irão forçar você a seguir com eles. Um dia terás oportunidade de decidir se vais continuar ou deixar estes milhões de jovens amigos que fizeram de você um irmão. Sei que se tentar vai gostar. Vais sentir o cheiro da terra, do capim molhado, do cantar do riacho, onde na cascata da nevoa branca as borboletas dançam e cantam como ondas que o vento sopra para um lugar feliz. Encontre o novo mundo, um mundo de jovens que querem o seu bem. Vá com eles. Suba nas mais altas árvores, escale a montanha da alegria e volte depois para os seus que com os olhos cheios de lágrimas, pois eles o receberão de braços abertos.


                         Escute o chamado dos Escoteiros. Eles insistem que você seja mais um da grande fraternidade mundial. Abandone esta estrada que não tem fim. Abrace com eles a felicidade eterna, satisfaça sua sede da aventura, a vontade de ser mais um, de ter amigos, de saber que agora tem com quem contar. Escotismo é isto. Fraternidade, um por todos, todos por um! Um caminho certo para que você um dia possa orgulhar do seu caráter. Onde todos dirão que você é um homem de honra e não importa o que digam mais, importa sim o que você vai sentir no seu coração. E quando aprender não se esqueça deste poema: - Se pergunte que se anima a escalar serranias e alturas, quem são aqueles que uma bandeira arvora nas asas da imaginação. E então vais ver que são jovens Escoteiros, entusiastas, joviais briosos brasileiros que lá vão brincar ao léu de uma aventura. E então? Não quer ir com eles?

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Meu Sempre Alerta ao Trio Irakitan.


Conversa ao pé do fogo.
Meu Sempre Alerta ao Trio Irakitan.

                 Estou a ouvir com saudades o LP do Trio Irakitan Sempre Alerta. Acho que foi em meados de 1960 que ele foi lançado. Estava chegando em casa na minha bicicleta Husqvarna pneu balão faixa branca, e um quarteirão antes ouvi pela primeira vez as canções Escoteiras que o Trio Irakitan em um belíssimo LP. Minha família estava à porta a me esperar com um maravilhoso sorriso nos lábios. – tia Cota trouxe de BH para você Vado! Falou minha mãe. Eu já cantava muitas das canções do LP, mas algumas eram novas e outras a melodia diferente. Não vou contar aqui o quanto toquei o LP e meus amigos escoteiros enchendo a sala sentados alegremente ouvindo cada canção ou hino magnificamente cantado pelo Trio. Mas uma das canções nos ouvimos diversas vezes: - Quebra-coco. Tínhamos um carinho todo especial por esta canção.

                 Naquela época sempre ao encerrar o fogo, logo após a Cadeia da Fraternidade, os escoteiros que quisessem podiam ficar em volta do fogo, para participar ou aplaudir o desafio do Quebra Coco. Aqueles que se destacavam como repentista faziam a turma vibrar e gargalhar com as quadrinhas muitas vezes mexendo com o ego de alguém. Sem ofensas é claro. Eu desde pequeno tentava tirar meus versos, mas nem sempre fui bom nisto. Nunca esqueci Munir Boca Grande e Miúdo que ficavam até tardão eram os melhores. Meu Bagueera Laudelino Pé de Chumbo foi quem me introduziu na arte do Quebra Coco. Adorava ver os repentistas escoteiros e quando fui para a Tropa dei início a minha saga de repentista que ainda bem não teve sucesso o que me deixou mais a vontade para apreciar os melhores.

                 Quando acampamos com o Grupo de Conselheiro Pena conheci Paulinho duas Patas e sua performance em tirar versos. Poucos tinham a “audácia” de desafiá-lo. Já começava cantando assim – “Meus amigos, escutem bem, hoje estou um pouco rouco, mas é bom ficar sabendo, sou o campeão do Quebra Coco” e daí em diante não parava mais. Mas tudo mudou, pois um dia quebraram seu orgulho de cantador. Foi humilhado por um menino matuto, magro, olhos miúdos e cozinheiro da Patrulha Coruja. Soube que foi em um acampamento em Rio grande na Serra do Roncador. Pituxo caladão e magrelo, desengonçado era um “bamba” e quando o vi achei que era gago. Os campeões do Quebra coco que não o conheciam sempre quando começa um desafio pensavam: “Este estava no papo”.

                  Uma vez eu de bobeira aceitei seu desafio. Uma hora, duas três e estava que não aguentava mais. Pituxo não ria. Só cantava. Nem me encarava e nem dizia versos que podiam servir para todos sorrirem ao meu respeito. Lembro que o Chefe disse que a alvorada seria as seis nem mais nem menos. Quem quisesse ficar tudo bem, mas ele não iria abrir mão do horário. Mandinho e Cocada bons repentistas riam a valer. Entreguei os pontos e fui até ele para cumprimentá-lo. Tomázio Monitor da Águia me bateu de leve nos ombros: - Vado, ganhar é bom, mas saber perder é uma arte. Hoje nem sei mais se ainda existem os repentistas do Quebra Coco. Tenho saudades de um dia poder assistir os bambas no desafio em uma noite enluarada.

               O Trio Irakitan foi um marco nas canções Escoteiras. Seu LP dizem bateu recordes de venda não só para escoteiros, mas para muitos que gostavam da musica escoteira. De todas eu ainda gosto de cantar baixinho o Hino dos Escoteiros do Mar. Gosto também do Cucu e até hoje faço os gestos que aprendi em um curso na década de cinquenta com JF (João Francisco de Abreu). Sei que muitos ainda possuem o LP Sempre Alerta. Eu não mais o tenho se perdeu em uma enchente em minha casa em 1969. Hoje costumo sentar em minha varanda e lembrar cantando na mente as belas músicas Escoteiras que nunca esqueci. Não tenho mais voz, mas tenho mente e das boas. Já toquei uma viola, mas não fui bom. Tinha uma harmônica importada e me diverti muito com ela. Onde anda? Não sei.
         
           Saudades vem e vão. Aqui vou lembrando como posso dos meus tempos de lobo e Escoteiro e sênior. Quebra Coco, O meu Chapéu tem Três Bicos, A Árvore da Montanha o Cucu, Guin gan Guli e tantas outras. Será que ainda toco violão com duas posições somente? O meu sumiu. Não sei onde foi parar. Poderia voltar a tocar uma harmônica. Impossível meu pulmão não vai colaborar. Ainda estou aqui ouvindo o Trio Irakitan. Guardei agora nos meus favoritos. Ah! De BP trago o espirito junto de mim, sempre na mente e no meu coração estará. Saudades demais... Quebra Coco, Quebra Coco, na ladeira do Piá...

Estou agora chegando, mesmo estando um pouco rouco,
Muito cuidado comigo, sou campeão do quebra coco.
“Minha mãe chamava Caca, e meu pai Caco Maria,
Juntando caco com caco, eu sou filho da Cacacaria!

Quem fica no Facebook, não é um doido varrido,
É uma turma das boas, turma de muitos amigos.
Não chorem na minha partida, hora de o Velho sumir.

A hora passou no tempo desculpem, preciso dormir.

domingo, 16 de outubro de 2016

Papeando escoteiramente.


Papeando escoteiramente.
                
Meus amigos chefes do Movimento Escoteiro.  Não se esqueça de ouvir sempre os seus jovens. Não faça como muitos que acham que eles não têm nada para dizer. Faça-o como BP nos ensinou em seus livros escoteiros. O Escotismo para Rapazes e o Guia do Chefe Escoteiro são a fonte que devemos pesquisar. Não acredite no que dizem alguns que eles estão ultrapassados ou que estão aquém do nosso tempo. Não estão. Adaptações sem alterar o conteúdo são válidas. Mas a essência do escotismo se baseia no legado que Baden-Powell nos deixou. Quando acreditarmos que a literatura Badeniana não tem mais valor, é melhor chamar o escotismo por outro nome. As mudanças têm sido frequentes e vez ou outra ainda falam em Baden-Powell em alguns cursos. Não podemos aceitar que alguns poucos influam na metodologia em nome de um programa ou mesmo uma maneira nova de pensar que ainda não foi comprovado se vai dar certo. As bases do escotismo trouxe enorme contribuição à juventude e pode ainda dar muito mais na formação de uma nação. Quem se arroga como proprietário do nome Escoteiro no Brasil tem por obrigação de honrar as tradições. Pelo menos isto!

Sempre Alerta!

sábado, 15 de outubro de 2016

Hoje tem reunião, alegria de montão.


Hoje tem reunião, alegria de montão.

Ora viva, hoje é sábado,
Hoje tem reunião.
Alegria de montão.
Não vá chegar atrasado,
Jogue a mochila no costado
E deixe o vento te levar!

Mostre seu belo sorriso,
Pois ali no paraíso
O escotismo é bom demais.
Tem bons amigos fraternos,
Chefes irmãos eternos
Tem tudo para alegrar!

E vamos lá, chega de tanta canseira.
Vá pegando o cabo da bandeira
Pois você vai hastear!
Sorria, mostre ser grande amigo.
Tão cheio de patriotismo,

Bandeira todos em saudação!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Nunca um adeus e sim um até logo. A Canção da Despedida.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Nunca um adeus e sim um até logo.
A Canção da Despedida.

                          Velhos e longos tempos! Era assim chamada e é assim conhecida a Canção da despedida. Em Inglês Auld Lang Syne. Posso estar enganado, mas não existe ninguém que tenha passado pela trilha de Baden-Powell que não tenha cantado e se emocionado com esta linda canção. Ela conta muitas histórias no mundo escoteiro. Histórias que ficaram para trás, e outras que irão acontecer novamente. A lenda é real. Dizem que na virada do ano a humanidade festeja a ida de um e a chegada de outro. Países do mundo inteiro celebram cantando Auld Lang Syne. Orquestras tocam esta melodia de diversas formas, pessoas irão se abraçar alguns terão lágrimas nos olhos a lembrar do ano que se foi. Pessoas se abraçam, desejam dias melhores que poderão acontecer. Dizem que podem ser ruins para alguns e bons para outros. Eu costumo sentar em minha varanda nas tardes mais saudosas e ouvir meu LP de Guy Lombardo a tocar Auld Lang Syne. Nada mais nada menos que a nossa querida canção da despedida. Sem esquecer o nosso querido Trio Irakitan com magnifica interpretação.

                         Conta-se a lenda ou quem sabe a verdadeira historia desta melodia tão popular conhecida no Velho mundo que a letra original é de um poema escocês escrito por Robert Burns em 1788. Dizem que significa “Velho e longo tempo” alguns chamam de “Muito tempo atrás” e tem aqueles que dizem se chamar “Como nos velhos tempos”. Não importa o nome original, para nós escoteiros ela é a Canção da Despedida. A nossa eterna Cadeia da Fraternidade. Não sei quem adaptou nova letra a esta melodia tão maravilhosa que nos marca em todas as ocasiões quando cantamos. Sei que ela ressoa na memória e bate fundo no peito e no coração Escoteiro. É bela demais. Ela nos dá a certeza que nunca vamos nos separar que bem cedo junto ao fogo vamos nos reunir outra vez. Não temos a tradição de cantá-la na virada do ano. No Brasil poucos estados em festas da virada cantam. Temos sim a tradição de cantar no final do Fogo de Conselho, nos encontros escoteiros, em festividades e fins de acampamento.

                           Aprendemos a entrelaçar as mãos, apertar fortemente, cantar se emocionar e muitas vezes chorar. Quem não chora? Dizem que tem escoteiros durões, mas eu não acredito. No fundo do coração bate forte uma saudade uma vontade de dizer “Eu te amo” gritar naquela noite sem lua ou com lua, que o escotismo mora no meu coração para sempre. Nem sempre estamos em uma clareira da floresta, mas na nossa frente tem uma fogueira. Chamas com fagulhas subindo aos céus. Olhares de amigos que já existiam e outros que fizemos rodam o circulo do amor. Sempre nos lembraremos dela em um acampamento em uma atividade escoteira ou até mesmo um acantonamento onde os lobos sempre a cantam pela primeira vez. Dizem que as que marcam mais é no encerramento do Fogo de Conselho. Eu cantei em lugares incríveis. Cantei em florestas virgens, em picos formosos. Cantei a noite, olhando estrelas, cantei durante o dia vendo o sol ou a chuva.

                   Para mim é a mais sublime das canções Escoteiras. Nunca esqueci a primeira vez. Meu primeiro acampamento. Saudades demais. Penúltimo dia, última noite. Um fogo de conselho só da tropa. Fico arrepiado só em lembrar. Foi demais, cantei outras canções, brinquei, fingi ser um padre, aprendi palmas escoteiras, em silencio, no peito, tambor, mexicana, um dedinho, a mão toda caramba! Mas acreditem terminou. Olhamos para o Chefe. Pediu para entrelaçarmos as mãos. Não conhecia a letra, fui ouvindo e aprendendo. Comecei a entender o que ela dizia. A emoção era demais. Tocou-me fundo o coração. Lágrimas começaram a correr pelo meu rosto. Terminou a canção. Fogueira ainda crepitando, estrelas brilhavam maravilhosamente no céu. Vento frio, brisa no rosto, cheiro da terra, do capim meloso, grilos saltitando, vagalumes mostrando seus brilhos. Silencio enorme. Um olhando para o outro. Tentando disfarçar as lágrimas. Trombeta tocando. Final. Reunir, Boa noite escoteiros! É ninguém esquece. Não dá para esquecer.

                      É uma letra conhecida. Não dá para perder as esperanças, pois vamos nos tornar a ver. Neste fogo ou em outras eras nossas mãos de novo iremos entrelaçar. Não é mais que um até logo, não mais que um breve adeus. Foi bom, muito bom te conhecer. Eu sei que o Senhor que nos protege e está sempre a nos abençoar, um dia certamente vai de novo nos juntar. Letra supimpa, linda, maravilhosa, tentei descobrir quem a escreveu, não consegui. Sei que deve ter sido um iluminado quem escreveu a letra como um anjo Escoteiro. De vez em quando penso se ela dói se machuca, se a saudade marca ou se toca silenciosamente em nosso coração. É uma situação inusitada. Se contarmos para amigos eles vão rir de nós. Vão achar que somos tolos, nostálgicos. Eles não sabem o que significa para nós. É linda demais. Sempre lágrimas a cair sobre a terra, nosso chão abençoado quando cantamos.

                     Não sei se conhecem a letra original. Aquela escrita por Robert Burns. É linda, mas não se compara com a nossa. Sei que é uma canção imortal. Hoje, amanhã, no futuro milhões e milhões de pessoas pelo mundo estarão cantando e desejando que não seja mais que um até logo, não seja mais que um breve adeus. Até meus últimos dias na face da terra eu vou cantar Auld Lang Syne e quem sabe chorando. Pensando em minha vida, nos velhos tempos que nunca serão esquecidos. Pelos velhos tempos, ainda tomaremos um cafezinho no fogo de conselho, sei que percorremos colinas, montanhas vales coloridos, mas esta canção nunca será esquecida!

Aos meus amigos, deixo a letra original escrita por Robert Burns de Auld Lang Syne. A nossa não preciso escrever. É conhecida pelos milhões e milhões que um dia foram ou são escoteiros em todos os quadrantes do mundo.

- Os antigos conhecidos deveriam ser esquecido e nunca lembrados?
Os antigos conhecidos deveriam ser esquecidos e os velhos tempos?
- Pelos velhos tempos, minha querida, pelos velhos tempos;
Ainda tomaremos uma xicara de bondade, pelos velhos tempos.
- E certamente, você pagará pela sua e eu pela minha,
Ainda tomaremos uma xicara de bondade, pelos velhos tempos...
- Nós dois já corremos pelas colinas, e colhemos margaridas,
Mas já vagamos cansados por muitos lugares, desde os velhos tempos...
- Nós dois remamos na corrente, do sol da manhã até a noite,
Mas os mares entre nós já bravejaram muito, desde os velhos tempos.
- Pelos velhos tempos, minha querida pelos velhos tempos,

Ainda tomaremos uma chícara de bondade, pelos velhos tempos...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Diário da Patrulha.



Conversa ao pé do fogo.
O Diário da Patrulha.

                     Uns chamam de livro de ata, outros livro de ouro e tem aqueles que dizem ser o Caderno do Diário da patrulha. Podemos definir assim: Um livro adornado (deve ser uma "Obra de Arte") e semi-secreto (não abre-o qualquer um) contendo as tradições da Patrulha referentes a sua história, seus costumes, seus feitos famosos, seu espírito, seus antepassados...

“Insistimos nestas duas qualidades: - Ser uma obra de arte” feita com cuidado. Ser semi-secreto e de uso cerimonioso. (não se abre senão nas cerimônias seguindo um rito fixado). Somente os que tenham feito a promessa podem vê-lo. Em tempos normais, será escondido onde somente alguns indicados conhecem.  

O Diário deverá conter: - (desenho) – Totem da patrulha e seus costumes. O escudo (emblema) da Patrulha. A divisa, o Código da Patrulha. A Oração da Patrulha e o Hino da Patrulha (se houver). Não esquecer: - A Lista dos antigos Monitores, Submonitores e escoteiros da Patrulha desde sua fundação. Ao anotar os nomes dos patrulheiros não esquecer a data de sua Promessa. Deverá também conter: A lista dos acampamentos e das atividades que a Patrulha participou. Uma pequena anotação dizendo onde, programa e o que de melhor e pior aconteceu. As vezes que a Patrulha conquistou a bandeirola de Eficiência e troféus recebidos.

Não esquecer: Lista das Classes e especialidades conquistadas por escoteiros desde a sua fundação. Fazer um Conselho de Patrulha para lembrar e anotar a História da Patrulha descrita por anos de recordações de grandes aventuras e feitos. Neste caso poderá ser acompanhados com fotografias, croquis, desenhos, recortes etc...

Algumas outras sugestões:
É conveniente que juntamente com o Diário da Patrulha esteja um caderno de informações, onde será resumido ou serão escritas às reuniões e excursões, as explorações e os acampamentos. Ademais, se inclui as assistências, as decisões tomadas e um breve resumo do Conselho de Patrulha. Cada escoteiro por turno faz o informe cujas qualidades devem ser Qualidade e Concisão. O Caderno de Canções de Patrulha no qual se escreve as novas canções. Um bom escriba poderá ser formado para ser o responsável pela maioria das anotações.


E para terminar, é bom dizer que a primeira manifestação do Espírito de Patrulha será com certo orgulho de ser da Patrulha, e por ela lutar com fibra e amor.