Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Você Sabia? – Frases interessantes.


Conversa ao pé do fogo.
Você Sabia? – Frases interessantes.

- Que Baden Powell no livro Escotismo para Rapazes definia o Escotismo é como movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário, sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira. E, através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina e que estas definições tiveram muitas alterações?

- Que se alguém encher o teu saco, você precisa usar 42 músculos da face para franzir a testa. Mas, só precisa de quatro músculos para esticar o braço e dar um soco na cabeça desse chato? (kkkkkkkk... sem violência).

- Que a UEB Regiões e distritos estão fazendo tantas atividades que quase não sobram datas para o programa do grupo, e das seções? Que nosso efetivo hoje não difere muito de vinte anos atrás? Que em um só ano (2.014) quase seis mil associados deixaram o escotismo?

- Que cigarro, charutos e cachimbos causam mais mortes prematuras do que a soma das mortes provocadas por AIDS, cocaína, heroína, álcool, acidentes de trânsito, incêndios e suicídios. Um terço das mortes por câncer é ocasionado pelo cigarro?

- Que o número de escotistas portadores da Insígnia da Madeira no Brasil poderia ser bem melhor do que é hoje?

- Que o Brasão Nacional representa a glória, a honra e a nobreza do Brasil? Que ele apresenta no centro o cruzeiro do sul rodeado por 21 estrelas de prata que repousam sobre uma espada, a qual representa a intervenção militar que proclamou a república? Que o ramo florido do lado direito do brasão representa a vocação agrícola do Brasil.

- Que a evasão no movimento escoteiro no Brasil é uma das maiores do mundo? Que não existe uma politica por parte da Direção Nacional de pesquisas e consultas visando discutir e tentar pelo menos minimizar esta perda tão nefasta?

- Que a Bíblia é o livro mais roubado de livrarias? - Você sabia que... O deserto do Saara é o maior do mundo com 9.065.000 Kms quadrados?

- Que o Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo?

- Que o livro escrito por Baden-Powell Escotismo para Rapazes está entre os quatro Best Sellers mais vendidos no mundo?

- Que um bom número dos Grupos Escoteiros no Brasil, fazem poucos acampamentos separados por seções e poucos aplicam o Sistema de Patrulhas conforme protagonizou Baden-Powell?

- Que não existe mais a preocupação de fazer um escotismo participativo onde a comunidade mais pobre pudesse participar? Que as taxas de eventos nacionais e internacionais está longe do poder aquisitivo de pelo menos setenta por cento dos associados da UEB?

- Você sabia que... O escaravelho (besouro) é um dos símbolos mais poderosos do Egito?

- Que os grandes eventos para jovens realizados pela UEB e Regiões é só diversão e a não ser os participantes armarem suas barracas as atividades são só para divertir e brincar?

- Que em caso de raios em chuvas torrenciais o melhor lugar para ficar é o interior de seu veículo? - Que as águas do Mar Morto são cerca de dez vezes mais salgadas que as dos oceanos? - Você sabia que sapo come cobra?


- Que o escotismo de aventuras, de exploração de grandes atividades aventureiras quase não mais existem por muitos acreditarem que os jovens não estão preparados para isto? - Que é possivel termos hoje mais de vinte por cento de Escoteiros que não são registrados anualmente na UEB?

- Que é impossível lamber o seu próprio cotovelo? - Que um crocodilo não coloca a língua para fora da boca? - Que na Primavera os papagaios gritam para atrair as fêmeas?

- Que participar de uma Alcateia com um mínimo de vinte jovens e em uma tropa com um mínimo de vinte e quatro jovens além de ser bom demais dá para fazer melhores atividades Escoteiras?

- Que mais de 50% das pessoas, no mundo inteiro, nunca fizeram nem receberam  chamadas telefônicas? - Que a vestimenta foi decidida por pouco mais de doze dirigentes e que não houve nenhuma pesquisa para saber se era a ideal?

- Que muitos chefes desconhecem e praticamente não tomam conhecimento das resoluções, relatórios e muitos fatos interessantes da UEB? - - Que basta qualquer Chefe resolver fazer boas atividades ao ar livre com seus jovens preparando primeiramente seus monitores e é quase certo chegar ao Caminho do Sucesso?

- Que ao longo de uma vida, em média, cada pessoa engole durante o sono cerca de 70 insetos e 10 aranhas? - Que um estudo, que abrangeu cerca 200 mil avestruzes durante mais de 80 anos, não registrou um único caso em que uma avestruz fosse vista a enfiar a cabeça na areia?

- Que as exigências para a conquista do Liz de Ouro e Escoteiro da Pátria estão muito mais fáceis comparadas com as do passado? E que mesmo assim comparativamente com o numero de jovens nestas idades é mínima a ortoga do certificado anualmente?


- Que até agora estou pensando porque escrevi tudo isto? kkkkkkkk.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Se for para gastar não me convide.


Conversa ao pé do fogo.
Se for para gastar não me convide.

                 Não me levem a mal. Sei que como diz muitos dos nossos amigos Escoteiros não existem almoço grátis. Não deve existir mesmo, alguém tem de pagar. Mas eu faço tudo para que não seja eu. Calma, sou um Velho chato de galocha, mas não sou pão duro. Nada disto. Se quiserem saber já gastei do meu simples ordenado com o escotismo mais do que podem imaginar. Gastei com viagens nacionais e internacionais. Fui a um Jamboree, fui a seminários fora do Brasil fui até que me lembre no escambal. Risos. Gastei o que não devia e me arrependi até hoje. Valeu sim pela fraternidade, pelos conhecimentos, mas o gasto poderia ter sido mais bem aproveitado por toda minha família. Sei que tem muitos que ainda não viram que o escotismo não pode ser feito do toma lá da cá. Tem dinheiro? Vai, não tem não vai! Com o tempo fui lembrando-me do meu tempo que meu pai era um simples seleiro e mal colocava a boia na mesa.

                Sou de um tempo que se fazia escotismo gastando o mínimo. Meu uniforme eu comprei engraxando sapatos limpando quintais e outras oferendas em troca de um trocado. Morando no interior comprei meu chapéu Prada, meu cantil francês e meu sapato Vulcabrás. Comprei meu cinto na cantina da UEB, minha bússola, meu canivete suíço e minha faca alemã. Se eu fiz assim acredito que qualquer um também pode fazer. Sei que hoje muita coisa mudou e não nego que as facilidades de outrora não são as mesmas de hoje. Mas no meu grupo onde nasci nunca paguei mensalidade. Fazíamos sim “vaquinhas” para quando houvesse necessidade. E olhe acampávamos ou excursionávamos pelo menos uma vez por mês. Nada como uma boa ração A, ou B, ou a C. Mamãe nunca negava. Convidávamos grupos para acampamentos em conjunto, dois três muitas vezes cinco grupos (não havia distritos). A prefeitura doava a alimentação (éramos amigos do prefeito e o filho dele Escoteiro), o Batalhão Militar e a Viação Santa Clotilde sempre colocavam a nossa disposição  caminhões e ônibus. A Estrada de Ferro Vitória Minas era uma mãe dos Escoteiros. Sempre que se precisava um vagão a disposição.

                  Afinal naquela época existia ex-Escoteiros bem postos na hierarquia de muitas empresas e na prefeitura. Sei que hoje isto pouco acontece, mas afinal, será que não estamos fazendo escotismo que vai morar no coração do escoteiro para sempre? Melhor não falar sobre isto, quando falo nos resultados da formação Escoteira de hoje centenas de “çabios” dirigentes e politicamente corretos logo dão sinal de vida discordando. Podem não acreditar, mas como Comissário Regional em Minas Gerais (Hoje pomposamente chamado Presidente) fui a mais de quarenta cidades para desenvolver grupos, fazendo indabas distritais, seminários, e organizando grupos mal formados dando toda a estrutura que tínhamos. Nossas colaborações de materiais burocráticos eram mimeografados. Não existia Xerox, mas enviávamos um milhar de correspondência por mês aos grupos no estado. E se tivéssemos e-mail? Bom demais. Era uma mão de obra manter um arquivo de chefes e enviar a cada um no seu aniversário uma palavra amiga. Hoje me dizem que isto é impossível. Dizer o que? Quem quer faz quem não quer da desculpa. Durante meus sete anos a frente do escotismo mineiro fizemos realizar três acampamentos regionais, vários acampamentos distritais e em quase todos recebíamos Escoteiros de vários estados. Eles sabiam que não haveria taxa. A alimentação e transporte da capital ao local do campo eram de graça. Ainda bem que tivemos uma equipe jovem que pensava como eu.

                Naquela época organizamos quatro Indabas regionais. Nos dois últimos presentes mais de 400 chefes. De graça! Sei que é pouco comparado a hoje, mas naquela época meu amigo era formidável. Lembro-me dos lords da UEB dormindo sob barraca e com seu pratinho e canequinha na fila da boia. Eles pagavam do seu próprio bolso suas viagens e lá estavam meus amigos Darcy Malta, o Chefe Floriano de Paula, o Escoteiro Chefe Arthur Basbaun e dono da cadeia das Lojas Brasileiras. E o Helio? Profissional nota dez! Tivemos muitos outros de estados amigos. Desculpem por esquecer os nomes. Quantas vezes ficamos em volta de um fogo papeando e jogando conversa fora noite adentro? Ali não tinha cargos ali só tinha irmãos Escoteiros. E tudo sem taxa. Cursos? Todos eles de graça. Quando era necessário cobrar uma despesa extra, corríamos atrás de empresas para conseguir cobrir o valor necessário. Tínhamos um bom material de campo e todo curso era feito em bosques ou matas próximos a capital. Mordomia de Quartos, restaurantes e garçons só hoje. Paciência repito quem quer faz quem não quer manda.

               Quando cheguei a São Paulo não foi fácil fazer o mesmo. Muitos dirigentes que não simpatizavam com a minha pessoa. Tentei aqui fazer o mesmo para que as taxas fossem as mínimas possíveis. Muitos aqui no Facebook fizeram cursos comigo e sabiam que lá eram cursos Escoteiros de raiz, barato, no campo, barracas e cada patrulha cozinhando para si. Fui a várias cidades no interior paulista dar cursos. Sempre com a mentalidade de baratear ao máximo as taxas. O Chefe José Renato na época Comissário Regional pensava como eu. Quantas Assembléias fizemos na capital e no interior do estado com gasto mínimo? Sem essa de presentear pastas incríveis com distintivos, lenços, chapéus e o escambal. Era uma época que jovens  e chefes mais humildes tinham oportunidade de estarem nestas atividades Escoteiras que hoje infelizmente não podem. Hoje só se fala em taxa daqui, taxa dali e nenhum dirigente arregaça as mangas para conseguir facilidades melhores de participação. A UEB que o diga.

                Não sou muito de comprar ou promover vendas, negócios e outros que sempre tentam postar nos meus grupos. Desculpem quem posta, mas não posso aceitar o que é contra meus princípios. Acho que é por isto que sou um pobretão até hoje. Até para fazer uma prestação de contas pedia ajuda. Não sou bom nisto. Mas nunca deixei de mostrar uma nota fiscal autêntica se ela fosse paga pelo escotismo. Tudo bem para os que querem vender lenços, distintivos, uniformes, livros Escoteiros, barracas material de intendência e o  que me surpreende: - Locais para atividades e acampamentos. Afinal muitos precisam sobreviver e quem sabe isto é seu ganha pão. Mas não contem comigo. Até aceito os grupos que para sua sobrevivência fazem suas festividades de arrecadação financeira. Eu ainda sou daqueles chefes que dizem aos seus monitores: - Ou vamos todos ou não vai ninguém. Ou todos estão uniformizados por igual ou então não vestiremos uniforme. Afinal somos um só, somos e seremos sempre um por todos e todos por um.


                Acredito que nos dias de hoje ainda se pode fazer escotismo para pobre. Tenho certeza que se eu tivesse forças faria tudo novamente. Não bato palmas para dirigentes. Ele foi quem se ofereceu para atuar no cargo que está. Tem de fazer acontecer e não ficar se vangloriando para receber cumprimentos e as condecorações que muitas vezes deveria ter os mesmos direitos que o simples Chefe Escoteiro de uma unidade qualquer. Não é difícil fazer escotismo com meninos e meninas sem boas condições financeiras. Sabendo trabalhar tudo se consegue. Enfim, este é o escotismo que acredito. Mas aceito que os ricos paguem e participem só não aceito a tristeza do escoteirinho pobre que chorou por não poder participar.             

sábado, 6 de junho de 2015

Pontualidade Escoteira. Pontualidade é um dever até dos reis.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Pontualidade Escoteira.
Pontualidade é um dever até dos reis.

- Hoje é sábado, dia e que a maioria dos grupos estarão reunidos. Jovens de todos os lugares, cidades e países estarão juntos para aprender a ser bons cidadãos. Para você que é um dos voluntários que estarão com eles colaborando, um pequeno lembrete, mas de suma importância. Aprender desde cedo a ser pontual. Por quê?

                     Há dias marquei com um amigo um bate papo para colocar a prosa em dia. Esperei por meia hora e ele não apareceu. Fui embora, pois tenho mais o que fazer. Telefone toca. – Não me esperou? Risos. Eu tinha de esperar por ele. Boa essa. Outro ligou que estava chegando. Meia hora, uma e fui embora. Dizem que pontualidade é a arte de não desperdiçar o tempo alheio. Concordo. Acho que é por isto que resolvi escrever sobre pontualidade. Não é um assunto de adestramento, de técnica, de programas, mas acredito ser da formação moral escoteira. Não sei se será bem recebido pelos meus amigos leitores que não são pontuais. Os que se enquadrarem que procurem acertar. Vejam bem, somos exemplos, somos vistos como perfeitos, muitas vezes pela comunidade, pelos pais, pelos membros juvenis e estamos a toda hora lançando a semente da responsabilidade, da amizade e confraternização e do respeito. Na Lei Escoteira incentivamos as atividades religiosas, escolares e de cidadania. Portanto, somos responsáveis pela formação de nossos jovens nestes aspectos sem sombra de dúvida.

               Acontece que a falta de pontualidade é sempre um sinal de desrespeito pelo próximo e pela organização social e está presente em nosso meio. Ela está presente nas rotinas, nas tarefas que desempenhamos, nos desafios e nos objetivos que nos propormos realizar. De todos os recursos a que temos acesso, o tempo é um dos mais relevantes pela sua natureza volátil e, para muitos de nós, perdermos horas à espera de outros, significa desperdiçar um precioso bem. E claro ninguém gosta.

              Também é importante que devemos perceber e assumir que a forma como lidamos com o relógio, diz muito sobre a nossa educação e temperamento. Numa sociedade tão exigente e complexa como a nossa, é uma questão de procurarmos definir prioridades, sabendo de antemão que nunca iremos ter tempo para fazermos tudo o que precisamos ou gostaríamos de fazer. Ninguém gosta de ficar à espera. Se nos pusermos no lugar do outro poderemos vir a constatar que esta atitude não é um pormenor sem importância, mas constitui de fato uma falta de civismo e respeito. Vejamos algumas situações no dia a dia das reuniões de seções ou acampamentos:

- O horário de inicio da reunião é 14h30min (hipotético) alguns pais trazem os filhos nos horários, outros não. Será que é devido às falhas anteriores por parte dos escotistas responsáveis que não cumpriram os horários determinados?
- O tempo de duração da cerimônia de bandeira (hipotético) é de 10 minutos, mas foram gastos mais de 20 minutos. Isto é correto? É claro que atrasou os programas feitos pelas seções e muitos itens não terão a continuidade esperada.
- A inspeção, ou o Grande Uivo era de 10 minutos, mas se gastou 15 ou mais.
- O jogo inicial era de 10 minutos, mas se gastou muito mais.
- O adestramento de base ou de patrulha/matilha era de 15 minutos, mas se gastou muito mais.
- Diversas outras atividades programadas tiveram que ser canceladas ou substituídas por falta de tempo, já que ele foi gasto em outras atividades. - E finalmente, o encerramento atrasou e os pais que estavam à espera ficaram inconformados, pois muitos deles tinham outros compromissos.

              Vamos raciocinar que foi feito um programa, distribuído tarefas junto aos assistentes, preparou-se material para isto e boa parte foi perdida. Esticar o horário, mudar à hora de encerramento? E os pais? É importante esclarecer que temos praticamente uma atividade por semana, com tempo determinado e muitas vezes perdemos um programa por não sabermos como utilizá-lo. - Eu pergunto como fica a motivação dos assistentes quando sua atividade é cancelada? – Como fica o programa de progressividade nas etapas e provas? – Não seria o caso de quem sabe, perdendo boa parte do programa, com consequente atraso no progresso do jovem este é induzido a sair do movimento? 

                      Eu posso dizer que vivi muito tal situação. Além das atividades escoteiras nos grupos, também atividades distritais, regionais ou nacionais não começavam no horário. Os jogos e atividades programadas se extrapolaram. Chegamos a tal ponto, que diversos cursos de adestramento que dirigi, tinha alunos que chegavam atrasados. Mandá-los de volta, recusá-los? Mandei muitos de volta. Errado eu? Como disse acima, é uma falta de respeito para com aqueles que chegaram no horário. Isto não pode fazer parte do dia a dia de nossas atividades escoteiras. Nós adultos somos o exemplo. Temos que manter nossa fleuma de uma pontualidade “britânica” para mostrar que os outros podem contar conosco.

                    Tenho certeza que a maioria de vocês que me leem, pode ter acontecido um pequeno ou um grande atraso na chegada de um acampamento, de uma excursão, de um bivaque ou mesmo acantonamento. Coloquem-se no lugar dos pais que estão à espera, sem nenhuma notícia. (hoje com o celular é mais fácil) Acredito inclusive que a decepção pode em alguns casos ser superior à alegria e motivação do jovem no seu retorno. E na saída então, esperamos este, aquele e no final, saímos com total desrespeito com aqueles que chegaram no horário, prejudicando todo o programa que havia sido feito. Conheci um executivo escoteiro profissional, que conseguiu ser recebido por um presidente de uma multinacional e cujo intuito era de conseguir meios e locais para alojar em sede própria um Grupo Escoteiro da comunidade. Ele se prontificou em receber e ouvir e até quem sabe ajudar. Infelizmente ouve um atraso de 30 minutos e a reunião foi cancelada. Que belo exemplo ele deu. Acredito que daí para frente aquele Presidente olharia com desconfiança para o Movimento Escoteiro.


                    Temos diversas situações de escotistas que divergem de tal situação, chegando mesmo a pedir demissão pela falta dos responsáveis do Grupo Escoteiro em não tomar providencias. Sei que muitos de vocês leitores não se coadunam com o que aqui escrevi. Conheço uma centena ou mais de Grupos Escoteiros responsáveis e acredito que todos lutam para que fatos como este não aconteçam.  Infelizmente ainda passo por convites de escotistas que ainda não se espelham com os dizeres sagrados da pontualidade. (e francamente, detesto ficar esperando!).

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Saudades de minha barraca de duas lonas...


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saudades de minha barraca de duas lonas...

                Para nós não existia “outras”. Bangalô? Canadense? Iglu? Tubular? Geodésia? Deus me livre! Só vim a conhecer muitos e muitos anos depois. Tem cada uma moderna que só vendo. Soube que agora tem uma que você aperta um botão e ela enche de ar e aos poucos vai tomando forma. Lá dentro aparecem camas, tapetes, armários só não tem WC. Aí é querer demais. Meu amigo e tem graça isto? Bem se for fazer Camping tem. Mesmo eu que fui campista por anos, sócio do CCB e acampando  Brasil afora não sei se iria gostar dela. Sem fazer nada? Só dormir? Bah! Acho que não é minha praia. Boa mesmo, prá lá de “mais de boa” era a de duas lonas. Impecavelmente dividida para dois. Cabia tranquilamente dois ou mais Escoteiros. Já vi dormirem em noite de trovoadas e chuvas torrenciais cinco em uma! Muito? Bem a lama que correu nas outras barracas fez daquela uma mãe de todos.

                  Quem sabe você também sente saudades e já dormiu com elas. Conheceu as batutas que usando cipó e dois pedaços de madeira e seis espeques elas ficavam em pé. Bem para ser sincero era bom colocar mais dois espeques no meio e não se esquecer de fazer em volta um bom canal de chuva. Como? Um canalzinho pequeno, não mais de que quinze centímetros de profundidade, percorrendo toda circunferência da barraca. Assim feito não entrava água de chuva dentro. Diziam-me que chovendo e abrindo a porta se molha todo interior. Não sei não. Comigo não aconteceu. Meu Monitor me ensinou bem a abrir a porta e sair e entrar em um dos lados. Bem eu sei e você sabe que não tinha forro de chão. Forro? Bah! Para que se tinha capim a vontade? Tinham-se folhas secas caídas no chão e eram um verdadeiro  colchão? Neco Brinco de Ouro nosso sub me disse para comprar dois sacos de linguagem, qualquer um podia se o branco ou o de cânhamo e costurar um no outro. Depois era só encher de capim e teria uma cama melhor que tinha em meu quarto.

                   E para transportar? Simples demais. Bem dobrada fazia a volta na mochila e junto à capa de chuva se prendia com cabos firmes em presilha. Peso? Uma ninharia, bem menos que dois quilos. Claro eram duas lonas, uma comigo e outra para meu companheiro de patrulha. Armar era supimpa. Diziam naquela época que demorar mais de cinco minutos para armar uma era coisa de Pata-tenra! Era boa demais. Em jornadas ou caminhadas longas se chovia elas eram uma “pá na roda”. Servia para um descanso em baixo de uma árvore, servia para um travesseiro nas paradas de descanso, e se fosse demorar porque não armar? Cinco minutos! Isto mesmo. Soube de uma patrulha que armava em dois! É mentira “Terta”? Bem Escoteiros não mentem, eles tem uma só palavra e tem honra. Hoje sair para acampar é um “pé no saco” bem sei que tem as iglus, leves, vem embutidas em uma sacola e fácil de transportar. Mas Deus do céu! Um vendaval e lá vai ela pelos ares.

                  Teve uma época que depois de usar por anos elas começaram a embranquecer e perder a permeabilidade. Qualquer  chuvinha pingava dentro como telhas quebradas das taperas que parávamos para passar uma noite em um bivaque. Acho que foi Lomanto Cobra Cega quem nos ensinou como fazer. Ele era Motorista de um caminhão “Fenemê”, FNM, ou melhor, Fábrica Nacional de Motores. Caminhão brasileiro para ninguém botar defeito. Chamou Zequinha o Monitor e disse: - Procure o Curtume do Seu Palácios. Veja se ele pode doar a vocês um pouco de sebo de boi. Ele vem duro como pedra. Coloque em uma vasilha e deixar virar mel. Pegue uma escova de engraxar sapatos, vai molhando e passando na barraca. Depois deixe secar, mas não no sol. Na sombra. Faça isto quatro vezes espaçadamente. A lona nunca mais vai deixar a água de chuva passar!

                    Dito e feito. Foi supimpa. A gente sorria e partia para nossos acampamentos de fins de semana mais tranquilos. Mas teve um dia que uma surpresa aconteceu. Gente! Foi bom demais. Ninguém acreditou e até assustou quando um Fenemê do 6º Batalhão de Infantaria parou na porta do grupo. – O que foi? Quem vai acampar? Ora sempre o Capitão Barbosinha com sua gentileza nos dava o transporte que precisávamos. Mas não era isto. Um cabo mal criado gritou – Ou vem ajudar ou vou levar esta M... De volta! Fomos ver e olhe, lá tinha dezenas de barracas, cantis, mais de cem mochilas de soldados, de oficiais, tinha lá dentro tudo que a gente precisava para nossa intendência e nosso material de sapa. A Escoteirada em pouco tempo descarregou o caminhão. Chefe João Soldado chegou sorridente. - Foi o Capitão Barbosinha? – Foi Chefe! Gente boa ele, disse. Já foi Escoteiro na capital!

              Nossa patrulha recebeu seu quinhão. Quatro barracas de duas lonas novinhas. Uma mochila nova para cada Escoteiro. O cantil não me interessou muito. Tinha o meu francês. Adorava ele. So fiquei com um caneco de campo que servia para tudo. Fazer café, guardar sopa, e armazenar água. Olhe, este material serviu ao grupo por mais de vinte anos. Tempos bons, tempos que os batalhões descarregavam materiais usados a cada quatro anos. Tivemos a sorte de ter amigos oficiais e soldados lá. Hoje me orgulho em ter ficado nove meses como recruta, pensei em ser um oficial da PM. Não deu certo, uma noite de guarda um aspirante a oficial me deu nos “cocos”. Um meninote! Fazendo-me de besta e querendo gosar da minha cara! Não deu outra. Fui parar no alojamento preso por uma semana. Melhor pedir baixa. Fui aconselhado a continuar. Faltava pouco para a escolha dos que iriam para a capital fazer o CFO. Bem a vida de cada um é de cada um. A minha não foi ser um oficial da Policia Militar o que teria me dado grande orgulho.

                       Quando fui fazer meu primeiro curso Escoteiro entrando nos meus dezoito anos, lá pelos idos de 1959, levei na mochila minha barraca de duas lonas. Levei as duas bem dobradas na mochila. Cheguei lá e disseram que não. JF um dos dirigentes disse que tinha para cada patrulha uma de oficiais, cabiam oito tranquilos. Ainda teria preferido armar a minha, mas melhor não discutir. O tempo passou e eu passei com ele. As barracas de duas lonas foram sumindo no tempo. As iglus da vida aparecendo. Ceda de manteiga eu as chamava. Qualquer coisa rasgavam. Não aguentavam belas chuvas e ventos. E eu amava antes durante e depois de um lindo vendaval. Chuva na terra, cheiro de terra molhada, mata encharcada, poças d’água recebendo visita de pássaros, insetos voadores, borboletas voando em circulo. Hoje não faço mais, mas guardo na lembrança para sempre minha adorada barraca de duas lonas. Ainda sonho com elas, sonho na Mata do Morcego, na Montanha do Beija Flor. Nas margens do Rio Doce, do Rio das Velhas, em terras desconhecidas por onde passei.


Saudades... Muitas saudades de minha barraca de duas lonas!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O aperto de mão Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
O aperto de mão Escoteiro.

Durante o Verão de 1946, um jovem da África Ocidental (atual Namíbia) chamado Djabonar veio a Gilwell-Park, no Campo Escola Internacional. Ele viria a ser mais tarde, Comissário Adjunto da Costa do Ouro. Quando o Chefe do Campo falava acerca da maneira de se cumprimentar com a mão esquerda, Djabonar contou-lhe como quando da queda de Kumassi, capital de Prempeh, rei do povo Ashanti e seu avô, um dos chefes veio ao encontro de Baden-Powell e estendeu-lhe a mão esquerda. B.P. apresentou-lhe a mão direita, mas o chefe disse:

-"Não! No meu país, os mais bravo entre os bravos, cumprimenta-se com a mão esquerda". Entre as numerosas explicações do aperto da mão esquerda dos Escoteiros, não há dúvida de que esta narração seja a da sua origem.

Quando da minha estadia na África, em Fevereiro/Março de 1947, encontrei-me com Prempeh II, que havia sucedido a seu tio na qualidade de rei dos Ashantis. Ele próprio havia sido Escoteiro e é atualmente Comissário Honorário. - Perguntei-lhe a origem deste cumprimento que os seus compatriotas trocavam com a mão esquerda e relatei-lhe a história que conhecia. Ele surpreendeu-se que um Europeu a conhecesse e explicou-me que isso era um sinal secreto de uma Ordem de Nobreza de raça entre os Ashantis, sendo os seus superiores os mais corajosos e os mais dignos.

Mas este sinal não é limitado aos indígenas Ashantis, porque eu observei este costume, denominado «Owor Ogum». «Owor Ogun» é o deus dos guerreiros e dos caçadores. Há muito tempo, quando o Sr. Blair, Administrador Territorial em Ibadam, regressava duma caçada ao leopardo, encontrou um velho caçador que o saudou dizendo «Owor Ogun» e apresentando-lhe a mão esquerda, querendo significar, desse modo, que o Sr. Blair era um caçador de valor e digno de tomar lugar entre os grandes caçadores.

Em Ife, também o cumprimento com a mão esquerda é dado pelo «Oni» - Chefe Supremo - aos seus sub-Chefes.

Há provavelmente muitos outros exemplos deste costume entre os nativos da África Ocidental, mas é curioso que, se para os maometanos a mão esquerda é impura, ela é, em todas as tribos da África Ocidental, um sinal de honra entre os homens de honra, fato que não foi conhecido senão muitos anos mais tarde e depois duma guerra em que, por toda a parte, os Escoteiros se revelaram «os mais bravos entre os bravos» e dignos de figurar entre os homens de honra de todos os países.


Do site Inkwebane “Técnicas Escoteiras”.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?

                    Um tema que está tornando-se moda em educação é a indisciplina. Ao afirmarmos isso, não desejamos dizer que não ocorra no escotismo e que os protestos dos chefes e pais não tenham sido sem razão. A questão da indisciplina é sempre assunto que preocupa e, nos dias de hoje, ainda mais, pois assume a perfídia em situações inesperadas ou avança para registros policiais quando não evolui para a violência. Há alguns anos atrás recebi a visita do "Chefe" Escoteiro Marcelo. – Chefe dizia ele, eu tomei algumas decisões na tropa e não sei se agi corretamente. Tenho um Monitor de Patrulha que tem trazido alguns transtornos. Já conversamos em particular, fui a sua casa varias vezes e até mesmo seus pais reclamam da sua maneira de agir. Vi depois de algumas conversas que ele sempre foi perdoado em todos os erros que cometeu. Sempre foi compreendido e nunca repreendido como devia. Resolvi agir de forma diferente.

                   No último acampamento chamei a Patrulha e disse – Todos vocês foram devidamente preparados. Cada Patrulha é livre para tomar decisões que interessam a todos. Nos últimos acampamentos vocês não se saíram bem e espero que neste possam pelo menos conseguir o totem de eficiência de campo. Conto com vocês. No entanto a noite uma chuvinha fria pegou todos de surpresa. Chamei os monitores e disse que ficariam suspensas as atividades da noite e que eles fizessem uma conversa ao pé do fogo em seus toldos com suas respectivas mesas onde estariam abrigados da chuva. Todos fizeram isso, vi inclusive de longe muitas patrulhas se preparando para a noite e inclusive colocando a lenha em local próprio para o dia seguinte. Na Patrulha do Marcinho não. Lá eram risadas, piadas e vi que a Patrulha não podia continuar assim. No dia seguinte com o toque da alvorada com meu chifre do Kudu, a fumaça correu nos campos de patrulhas menos na do Marcinho. Dito e feito. Hora da inspeção todos formados. A do Marcinho não. Não conseguiram acender o fogo e não tiveram café e nem leite quente. Desculpa? Lenha molhada. Era norma não deixarem lanchar sem a bebida quente. Ficaram sem o café da manhã e o almoço deles só saiu às três da tarde. Não participaram do programa de jogos na Lagoa do Jacaré.

                      A Corte de Honra resolveu puni-los. Marcinho reclamou. Se o tirassem do cargo ele sairia dos escoteiros. Uma ameaça ou uma chantagem? – Não tinha certeza. Nunca aceite este tipo de coisa. Disse que iria pensar na punição e daria uma resposta na próxima reunião. Chamei a Patrulha e expliquei que a corte ia suspender o Marcinho. Todos sorriram. Sinal que não gostavam dele. Coloquei o tema em discussão entre eles. Resolveram fazer nova eleição. Foi escolhido o menor Escoteiro da tropa. O Pedrinho. Pequeno, raquítico. Fala mansa. Engano. Pedrinho colocou Marcinho na linha. Em pouco tempo a Patrulha se transformou. Chefe Marcelo disse-me também que no sábado anterior mandou de volta dois jovens que chegaram a sede uniformizados e ainda não tinham feito promessa. A norma na tropa era de vestir o uniforme só no dia que fizessem sua promessa. Isto sempre foi feito e o garbo e a boa ordem sempre foi orgulho da tropa. Um deles me perguntou se tirassem o uniforme podiam voltar. Não. Não podem. Só na próxima.

                    O "Chefe" Escoteiro Marcelo ficou ali me contando diversas outras situações. Fiquei pensando dos meus dias de "Chefe" Escoteiro e os meninos de outrora. Uma disciplina diferente. Nunca tive esse problema. Hoje isso não acontece. Vejo jovens que pecam pela indisciplina e alguns acham que ela inexiste. Poucos sentem que o castigo ou a penitencia não deve ser utilizada por nós. Castigo e penitencia no bom sentido. Nada de violência. Alguns dizem que deveríamos ter um conceito mais amável, como por exemplo, utilizar a relação de afeto e respeito, uma ação onde haja reciprocidade aceitando que alguns erros são próprios da juventude.

                      São conceitos que hoje me sinto em dificuldade, ou melhor, sem sintonia para agir como agia no passado. No entanto acredito que devemos a todo custo manter a disciplina nas sessões, baseadas no respeito mútuo. Quando me dizem que ordem unida não faz parte mais do escotismo fico pensando o porquê alguns insistem em misturar ordem unida com militarismo. Os jovens na tropa ou na Alcateia têm de ter respeito nas formaturas. Tem de saber se formar e o melhor é ensinar as bases primordiais em uma apresentação que pode até parecer militar, mas na minha modesta opinião faz parte inicial da disciplina que se pretende dar a uma sessão Escoteira.

                          Quando os chefes de uma sessão sentam-se com seus jovens e desconstroem e sabem reconstruir com uma boa discussão e fazendo ver a plenitude do significado e dos tipos de disciplina, não apenas a reunião corre mais facilmente e a aprendizagem se concretiza de maneira mais saborosa como escoteiros/lobinhos e os chefes descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter.


                        A simples ação de um Escoteiro ao pegar um papel de bala jogado no pátio ou na rua, já demonstra que no Grupo Escoteiro de origem se pratica uma disciplina Escoteira que merece o meu e todo nosso aplauso. Continuarei o tema em um próximo artigo. 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Escotismo florestal. Uma realidade?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Escotismo florestal. Uma realidade?

                      Tenho a União dos Escoteiros do Brasil no meu coração. Não tenho registro, pois não quero dar satisfação dos meus atos ao sistema de normas que ela mantém em seus estatutos. Tive oportunidade de organizar minha própria associação e na época vários IMs, Formadores e até mesmo Presidentes de Regiões queriam serrar fileira comigo. Não achei correto e nunca faria isto. Acredito que todos tem o direito escolher e fazer um escotismo conforme a metodologia do fundador. Já disse que BP não deu procuração a ninguém para fazer escotismo. Ele mesmo na sua velha Inglaterra viu os jovens sem tutores, sem diretores e sem chefes a correrem pelas matas e bosques tentando fazer o que seus fascículos do Escotismo para Rapazes (no original inglês «Scouting for Boys») ensinavam. Claro que ele sabia que precisavam de um adulto e o que ele fez foi dar um irmão mais Velho, um Chefe para orientar ouvindo sempre seus rapazes.

                        No Brasil a UEB sempre teve a primazia de ter em suas fileiras todos que faziam escotismo em seus estados. Em lugar de dar as mãos aqueles que faziam outra escolha, mas ainda tendo o escotismo no coração, pois nossa lei é clara, somos amigos e irmãos Escoteiros ela se esqueceu da lei que existe entre nós. Preferiu cercear os que iniciavam sua jornada e em muitos casos abrindo processos civis como se só ela tivesse a primazia de poder agir, falar e fazer o escotismo de Baden-Powell. Pelo que vejo não deu em nada. A justiça brasileira não aceitou suas razões. Tudo bem que seus distintivos e uniformes ou mesmo alguma literatura ela tem direitos, mas os demais fizeram também os seus. Se muitos países as associações vivem como irmãos aqui no Brasil não. Seus processos andam de mal a pior. Nenhum juiz até hoje deu ganho de causa a ela. Mas não é isto que quero comentar aqui. Quero falar de uma organização em especial. Hoje ela pode provar que os jovens que passaram em suas fileiras, são adultos formados na escola badeniana com o melhor cabedal dos princípios que norteiam o método Escoteiro. Não tem como discutir que a finalidade que um dia propôs Baden-Powell foi alcançada pelos Escoteiros Florestais.

                     Seu líder, o Chefe Luiz Fidelis eu não tive ainda a honra de apertar sua mão pessoalmente. Conversamos muito por e-mail, pelo Skype e pelo Facebook. Em várias ocasiões me pôs a par de sua organização. Praticamente criou uma associação que não deixa nada a desejar de um movimento que se propõe a formar bons cidadãos nas cidades que residem. Manteve sim muito do escotismo de BP. Adaptou para não entrar em choque várias outras modalidades e programas Escoteiros. Criou um novo lobinho, um novo Escoteiro e assim por diante. Todos tem o mesmo esquema de crescimento na arte de aprender a fazer fazendo. Criou distintivos, literatura, uniformes e eu posso dizer de cátedra que ele é um vencedor. Nos florestais não tem aqueles donos da verdade. Não existe a prepotência, o Chefão, a sede de ter uma Insígnia e de ser um dirigente nacional. Existem peculiaridades que eu gosto muito. Uma irmandade que ajuda sempre um ao outro dentro de sua associação.

                    Chefe Fidelis criou tudo isto lá no norte, no Ceará, mais precisamente em 19 de novembro de 1996. Dezenove anos se passaram e ela mantem firme sua meta desejada. Mostrar que no escotismo somos todos irmãos, que a finalidade pode ser alcançada em qualquer organização. Hoje seus grupos se espalharam por vários estados e cidades do Brasil. Nos Escoteiros Florestais não vemos ideologias, discussões inúteis e os considero verdadeiros irmãos dos demais Escoteiros. Chefe Fidelis é para mim um verdadeiro Gentleman. Educado, conversa com um sorriso nos lábios, incapaz de ofender a quem quer que seja. Eu tive prova disto quando criaram fatos inverídicos a seu respeito e o atacaram de maneira torpe. Ele calmo e ponderado esperou o vento passar e mostrar que seu ideal Escoteiro era superior a estes ataques infundados.

                     Sempre conversamos muito, ele me pediu muitas vezes sugestões para montar sua estrutura de programa e eu vendo o seu entusiasmo dei todo meu apoio. Fui honrado com um Certificado de Merecimento ao Grau Mestre de Honra dos Escoteiros Florestais. Admito que não seria o escotismo que um dia poderia fazer, mas se lá tivesse iniciado minha saga Escoteira junto a eles, seria hoje um orgulhoso Escoteiro Florestal. Precisamos reconhecer que muitos estão trabalhando na formação dos jovens. Nós temos que mostrar que somos irmãos Escoteiros seja de que organização for. Quantas vezes disse isto aqui e sempre os politicamente corretos a defenderem nossa associação como se a UEB fosse a nunca a ter a primazia de ter recebido em suas mãos um documento qualquer de Baden-Powell dando a ela exclusividade de fazer escotismo no Brasil. Escotismo pertence aos rapazes. Pertence aqueles que acreditam na metodologia badeniana.

                      Chefe Fidelis é um oficial militar, mas sua candura, sua bondade, seu estilo alegre mais parece um Professor amigo, um religioso que acredita no que faz. Sei que muitas vezes recebeu telefonema, e-mail e até ofícios da UEB o chamando para conversar. Claro que sua concorrência de formar homens e mulheres nas sendas do método Escoteiro não agrada a muitos. Ele, no entanto não diz não a um dialogo, mas tem suas ideias e a leva adiante e não costuma voltar atrás no seu idealismo. A nossa associação é centenária. Deveria apresentar em suas fileiras o respeito que as outras associações que não querem se unir a ela merecem. Elas devem ter o seu direito de escolha. Precisamos olhar para dentro de nós e tentar mudar o rumo da prepotência, do querer ser mais que o outro e olhar estados que diretores e presidentes estão se engalfinhando por posições e poder. Estes sim devem ser olhados.

                       Acredito que um dia seremos considerados todos irmãos. Acredito que podemos ter um só pensamento uma só palavra e uma só ação. Podemos sim ajudar um ao outro para melhor aceitação no escotismo nacional. Experiências existem as certas e as erradas. Reconhecer o erro e aprender com o outro faz parte da formação Escoteira. Não precisamos ser únicos e aprender um com o outro faz parte da boa cidadania Escoteira. Ao Chefe Fidelis, aos Escoteiros Florestais eu tiro meu chapéu. Reconheço neles um futuro Escoteiro promissor. Quero um dia estar com eles e abraçar um a um e dizer o que sempre digo a todos amigos das associações Escoteiras no Brasil:

- Não pode existir fronteiras entre nós, pois somos todos irmãos e adeptos do Escotismo de Baden-Powell.

domingo, 10 de maio de 2015

Uma homenagem a todas as mães do mundo!


Uma homenagem a todas as mães do mundo!

Obrigado Senhor, pela mãe que você me deu por todas as Mães do mundo pelas mães brancas, de pele alvinha pelas pardas, morenas ou bem pretinhas pelas ricas e pelas pobrezinhas pelas mães - titias, pelas mães-vovós, pelas madrastas-mães, pelas professoras - mães pela mãe que embala ao colo o filho que não é seu pela saudade querida da mãe que já partiu pelo amor latente em todas as mulheres, que desperta ao sentir desabrochar em si uma nova vida pelo amor, maravilhoso amor que une mães e filhos Eu lhe agradeço, Senhor!


Parabéns mãezinhas por me dar a honra de ser seu filho!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Dossiê – O Escotismo Brasileiro no primeiro decênio do século XXI


Crônicas de um Velho Escoteiro.
O Dossiê – O Escotismo Brasileiro no primeiro decênio do século XXI

                     Recebi há tempos enviado por um Chefe amigo um relatório feito pelo Dr. Jean Cassaigneau, que a pedido da União dos Escoteiros do Brasil fez um diagnóstico, perspectivas, proposta e recomendações sobre o Escotismo Brasileiro. Produziu um excelente trabalho. Não o conhecia. Imaginem que isto aconteceu em 2007. Acredito que todos os órgãos escoteiros, aí incluindo Grupos Escoteiros no Brasil tenham recebido uma cópia pela importância do conteúdo. Portanto meus comentários hoje estão muito defasados. Mas passou-se pelo menos sete anos. Se suas observações ou sugestões foram aceitas não sei. Alguns dizem que sim. O que confirmo é que muito do que escreveu não deixa de ser atual hoje em dia. Não vou entrar aqui em todos os detalhes de suas observações, pois isto iria alongar muito. Hoje quando vemos uma queda brusca no escotismo nacional sinto que todas as suas observações foram perfeitas. Mas o pouco tempo que teve acertou em cheio nas suas colocações.

                     Para produzir o relatório ele visitou dez regiões escoteiras, conversou com mais de cento e sessenta escotistas, pioneiros e até com pessoas não escoteiras. Ele mesmo diz que viu na UEB recomendações de membros ativos para modificar alguns aspectos negativos ou controversos e incentivar o crescimento tanto qualitativo como quantitativo. Isto até serviu de subsídios em seu trabalho. De posse de uma boa documentação seu relatório vai ao âmago da questão que eu acredito aflige nosso movimento, o deixando estagnado há décadas e décadas. Alguns amigos mais próximos a nossa direção confirmam que muito do que ele disse foi posto em prática e os demais itens por acharem impossível seu aproveitamento. Sinceramente até hoje não vi nada sendo posto em prática do que ele escreveu.

                De uma maneira simplificada, o seu estudo pretendia dar um salto quantitativo e qualitativo ao Escotismo Brasileiro. Claro, dentro de suas prioridades as mais importantes foram de recolher ideias, opiniões e sugestões de membros da UEB em boa parte do território Nacional, não só dos dirigentes. Não faltou uma identificação e uma análise das realidades e tendência. Comentou sobre uma proposta para uma visão de consolidação e desenvolvimento do Escotismo no Brasil. Não deu a solução, apesar de que ficou explícita no final do relatório. Deu a entender que em sua opinião existem sim soluções concretas, articuladas e coerentes. Interessante foi sua comparação entre os membros da UEB e a população brasileira. Só como exemplo, temos uma media de 0,4% (hoje é muito menos) de participação enquanto no Chile ela é de 0,22%.

                   Interessante notar seus gráficos do nosso crescimento é uma verdadeira “sanfona” de vai e vem. O ápice foi em 1991 e se manteve até 1993 aonde chegamos a mais de 70.000 membros (hoje 77.000 membros). A partir daí uma queda vertiginosa. Suas observações sobre a movimentação do efetivo nos estados é excelente. Faz um breve retrospecto da evasão e me baseando pelas minhas parcas informações não sei se concordo com seus números nos dias de hoje, pois a considero muito maior. Sua comparação com outros países sobre a arregimentação de adultos nos coloca em boa posição, mas em relação aos jovens perdemos e muito.

                  Poderia me aprofundar no todo de suas observações, principalmente no que disseram a maioria dos entrevistados. Mas isto iria alongar muito. Mas do que eles disseram não me escapa algumas preciosidades: - O escotismo é visto como um clube – Falta divulgação e quando é feita muita vezes é desvirtuada. Os jovens não escoteiros não compram muito a ideia do que estão vendo. Muitos escotistas e escoteiros tem vergonha do uniforme, não fazem marketing com ele em atividades extra-sede. (aprovaram o traje, é mais fácil se apresentar com ele que com um uniforme). Não existe um bom trabalho para mostrar o escotismo na sociedade e principalmente junto aos responsáveis pela educação no país. Acham que o público acredita que somos um movimento fechado (sempre dentro das sedes escoteiras), mudar a imagem do Escoteiro “biscoito” para um escotismo com formação do caráter, um movimento sério com preparação vocacional e compromisso social. Rebatem sempre a vergonha de se mostrarem em público, sua linguagem (o programa) muitas vezes são incompreendidas. Mudar a imagem do Escoteiro “babaca”, do Escoteiro “cata-lixo” e bobo e diversificar para uma presença ativa na comunidade.

                 Isto foi que disseram a ele em suas entrevistas. Tem muito mais. Centenas.  Os próprios dirigentes da UEB na época (2007) já diziam que parece que somos uma organização secreta, não temos penetração visual. Ficamos trancados em nossas sedes. As pessoas respeitam o que conhecem, quem não é visto não é lembrado. TEMOS QUE VENDER NOSSO PEIXE! Centralização não é a solução. A Nacional busca fora o que tem dentro. Precisamos ter menos burocracia, menos política, menos instabilidade. A UEB é um trem com vagões pesados. A UEB não faz rodar a roda que inventou o Baden Powell (BP).  A UEB é como uma ostra – apenas abre-se e fecha-se imediatamente. A UEB cuida da política e não da administração. A ESTRUTURA DA UEB É FEUDAL E FECHADA. Cada membro da UEB está fazendo do seu jeito. É preciso ser um colegiado e não levar em conta a promoção pessoal. A UEB é uma fogueira de vaidade onde se briga por besteira!

         Isto meus amigos está no relatório. Não são palavras minhas. Claro, de 2007 podem dizer, mas será que mudou alguma coisa? E para encerrar, algumas outras pérolas do que disseram membros da UEB na época – O Escotismo, antes era desafio e conquista, agora é brincadeira. Qualquer grande organização que se preze, antes de ʺvenderʺ um produto novo, realiza uma pesquisa de opinião para saber se aquele produto irá ʺvenderʺ bem, ou a melhor forma de fazê‐lo. Perguntar não ofende, não faz mal, pelo contrário, valoriza a pessoa e torna a política mais sábia. Os escotistas e dirigentes, quando podem, têm que fazer ʺimportaçãoʺ (ou seria ʺcontrabandoʺ), de publicações, de um Estado para outro. O programa novo é calmo de mais.


                    Realmente não sei e não posso afirmar se fizeram alguma coisa sugerida pelo relatório do eminente Dr. Jean Cassaigneau. Sua experiência como antigo Secretário Geral Adjunto da Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME) não deixa dúvidas quanto ao seu excelente trabalho. Dizer mais o que? Vamos mudar quando? Vamos crescer quando? Esta fogueira de vaidades por poder, não importa onde, desde o Grupo Escoteiro até os dirigentes quanto ainda vai perdurar? Que os defensores continuem a defender o indefensável. Como disse nosso querido BP, o que importa são os resultados e infelizmente eles não são bons. 77.000 mil membros para uma população de 200 milhões de habitantes não é nada. Não fiquem satisfeitos com suas alcateias e tropas pequenas, não fiquem alegres com estas atividades caça-níqueis de nossos dirigentes. Procurem ver se a evasão existe e cobrem das autoridades. Todos nós somos responsáveis!