Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Passamos a fase da Torre de Babel?


O ontem é história, o amanhã é um mistério. Hoje é um dom que é por isso que chamamos
que o presente!

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Passamos a fase da Torre de Babel?

                              A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objetivo que o cume chegasse ao céu, para tornarem o nome do homem célebre. Isto era uma afronta dos homens para Deus, pois eles queriam se igualar a Ele. Deus então parou o projeto, depois castigou os homens de maneira que estes falassem varias línguas para que os homens não se entendessem e não pudessem voltar a construir uma torre com esse propósito. Esta história é usada para explicar a existência de muitas línguas e etnias diferentes. Não serve de comparação para uma grande participação entre irmãos escoteiros concordando e discordando de artigos e temas que publiquei.

                              Isto não é uma luta pessoal. Acredito mesmo que possa estar errado em muito do que comento e escrevo. Até justifico muitas vezes as colocações que fazem aqui no grupo e em minha página. É ruim ser o dono da verdade.  A UEB vem realizando uma serie de mudanças desde a década de setenta. Nos estatutos, no uniforme, no programa, em tradições simples que não precisavam ser mudadas. Nunca disse e nem direi que não devemos nos atualizar. Afinal o mundo todo se atualiza a cada momento. Mas existe a maneira correta. Não essa que promoveram e ainda estão promovendo. Nota-se que sempre tem aqui muitos defensores das colocações feitas pelos dirigentes. Nenhum deles, os dirigentes, no entanto manifestou. Dei boas risadas em ler um comentário de um Escotista a dizer que eles estão nos monitorando.  Isto lembra o que? Claro, eles só estão lendo e tirando suas conclusões. Monitorar? Suas atas para quem as lê, não passam de temas já votados por eles e aprovados, e outras tantas nas mãos de um ou outro para tomada de decisões futuras. Assim parece que vão levando as mudanças que até hoje não deram certo. E por favor, não estou desmerecendo ninguém. Sei do esforço voluntário de cada um. Mas quem se candidatou e foi eleito, tem a obrigação de dar muito mais que outros escotistas em suas sessões.

                            Interessante que em nenhuma destas atas publicadas está escrito que deveriam fazer uma pesquisa abrangente, saber as opiniões dos nossos escotistas e quem sabe uma consulta direta as bases ou cada um dos membros da associação. Repito, não sou contra a mudança, sou contra da maneira com que ela é imposta como se só eles tivessem o dom do saber, a última palavra, e pensar que sabem o que precisamos para nos desenvolvermos mais no escotismo. De uns tempos para cá muito se tem falado sobre a os atos do CAN e da DEN. Isto era “tabu” em um passado não tão distante. Já é ruim ficar sabendo de mudanças que não agradam, pior ainda é ficar sabendo por terceiros que determinado tema vai ser alterado. Francamente nas atas que leio não vejo quase nada sobre aprovações e pedidos de estudo de temas discutidos em Assembleias Regionais e Nacionais.

                            Em uma ata um membro da diretoria do CAN simplesmente pediu que se desse uma explicação, ou melhor, abrangência em algumas mudanças, pois ele sentia que estava sendo muito solicitado nas redes sociais. Se lerem bem a ata verão que foi uma ou duas frases perdidas ali no emaranhado das mais de seis paginas da ata. Interessante que todos pisam e repisam que o escotismo é para os jovens. Nesta ata no final foi feito um adendo de desculpas aos jovens presentes (com direito a participar e sem direito a voto) por não terem sido convidados a usar da palavra o que seria feito na próxima reunião do CAN. Ouvir os jovens?

                            São mais de quarenta anos. Os membros da nova Equipe Nacional de Gestão de Adultos, (antiga Equipe Nacional de Adestramento) no início da década de setenta resolveram que ela não mais teria assento nas Assembleias com direito a voto. Centenas de justificativas. Achei interessante, pois queiram ou não eles os membros se consideram uma elite dentro da estrutura Escoteira e como tal não deveriam ser ouvidos? Claro, muitos deles são membros, mas eleitos por direito ou não de outras formas. Lembro bem que não sou contra as modificações sou contra a forma como são feitas. Um ou dois falam pelos outros, apresentam suas ideias são discutidas em clube fechado, votado e aprovadas. Chegam ao cúmulo de decidir o que os jovens querem sem um consulta direita a eles.

                           Dizer que qualquer um de nós (menos eu, não fiz o registro e não farei para evitar dissabores de ter de enfrentar uma Comissão de Ética) podermos ser eleitos é uma falácia. Comparo isto à eleição do Senhor Lula a presidência da republica. Somos milhares e citar um ou dois que conseguiram não serve como exemplo. Muitos aqui insistem na transparência. Ela até hoje não existe. Enquanto um Supremo Tribunal Federal é transparente nas suas ações, nós os membros do escotismo nacional não somos informados de nada. Dos processos que se fazem com outras organizações, baseados em qual motivo. Processos que frequentemente estados estão julgando membros por conduta não previsível na visão deles, e assim só vamos tomando conhecimento por terceiros ou quando surge em uma Ata de tempos em tempos. O Informativo Sempre Alerta é um amontoado de Marketing da própria organização.

                             Não tenho como comentar todos que aqui deram vasão nas suas ideias. Impossível. Mas mesmos os que discordam e outros que concordam e também aqueles que sugerem, em fico contente. Aqui no Facebook é histórico. De uns tempos para cá surgiram diversos grupos que escotistas de todo o país que agora sentem a liberdade de opinar. Isto não é válido? Não seria melhor abrir um canal mais próximo com a UEB? E por favor, não me venham dizer que as mudanças e tudo que colocamos estão sendo feitas. São quarenta anos. Tempo demais. Fica, portanto meu agradecimento àqueles que resolveram se manifestar. Isto é importante. Uma voz a mais. Que seja em concordância com as diretrizes que a UEB vem realizando ou não. Para mim importa agora é que existem vozes no Brasil inteiro que querem se manifestar. Quer falar, quer cobrar o seu direito de ouvir e ser ouvido e claro votar e ser votado.
Obrigado.


Uma pessoa que faz uma pergunta é um tolo por cinco minutos. Uma pessoa que não faz
É um tolo para sempre.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A perseverança – Onde anda ela nos Escoteiros?


Conversa ao pé do fogo.
A perseverança – Onde anda ela nos Escoteiros?

“Nada no mundo se compara à persistência. Nem o talento; não há nada mais comum do que homens malsucedidos e com talento. Nem a genialidade; a existência de gênios não recompensados é quase um provérbio. Nem a educação; o mundo está cheio de negligenciados educados. A persistência e determinação são, por si sós, onipotentes. O slogan "não desista" já salvou e sempre salvará os problemas da raça humana.”

              Hoje levantei com pensamentos abstratos, tristes, tentei usar meus truques para sorrir. Mudei o fundo musical e não adiantou. Pensei comigo se havia alguma razão para isto. Afinal sou um homem que tem outros ideais e na maioria das vezes sou persistente. Persistente? Pensei com meus botões, quão difícil é ser persistente. Rebusquei no passado até o presente onde eles estão. Eles? Isto mesmo, sempre o escotismo em primeiro lugar. Eles são aqueles que se foram e sempre me pergunto quantos irão ainda? Porque e qual o motivo eles se foram? Os jovens Escoteiros, os valentes e durões seniores, os pioneiros que tentaram explorar as adversidades da vida, os chefes que sorriram nas suas lides Escoteiras, mas que um dia partiram para o ostracismo. Foram tantos e tantos! Quantos cursos eu dei para esta plêiade de chefes? Mil? Dois ou cinco mil? Quantos eu apertei a mão e quantos estão hoje na labuta Escoteira?

             Dou uma busca na floresta encantada do Facebook. Eles diziam que amavam o escotismo, o escotismo estava no sangue e tantas cositas mais. Quantos estiveram comigo desde que aqui comecei? Onde estão? Quando penso muito me lembro do poema de Ana Jácomo que dizia: Jogo a minha rede no mar da vida e às vezes, quando a recolho, descubro que ela retorna vazia. Não há como não me entristecer e não há como desistir. Deixo a lágrima correr, vinda das ondas que me renovam, por dentro, em silêncio: dor que não verte, envenena. O coração marejado, me arrumo como posso, os meus sentimentos. Passo a limpo os meus sonhos. Ajeito, da melhor forma que sei, a força que me move. Guardo a minha rede e deixo o dia dormir.
Com toda a tristeza pelas redes que voltam vazias, sou corajosa o bastante para não me acostumar com essa ideia. Se gente não fosse feita pra ser feliz, Deus não teria caprichado tanto nos detalhes. Perseverança não é somente acreditar na própria rede. Perseverança é não deixar de crer na capacidade de renovação das águas.
Hoje, o dia pode não ter sido bom, mas amanhã será outro mar”. E eu estarei lá na beira da praia de novo”.

               Gosto deste poema, me lembra do Antonio, o Pedro, O Jacob, o Jessé e o Marcos, do Neném, do Luiz, do Geraldo, Do Romildo, do Aranha, da Martinha, da Neusa, poxa vida, quantos foram? E olhe nunca esqueci o João e a Lourdinha. Nomes que fincaram pé no meu coração e hoje não sei onde estão. Lembro-me dos seus sorrisos nas tropas Escoteiras e nas alcateias da vida. Como se fosse hoje os vejo de bandeira solta ao vento subindo montanhas em busca das aventuras sem fim. Desistiram? Cansaram? Será que a perseverança não os atingiram fundo no antes e no depois da lua cheia? Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem. Poetas. Ah! Poetas. Sempre a dizer que a persistência é o caminho do êxito. Mas porque se foram? Todos nós sabemos que o sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Não dizem que chama perseverança quando é por uma boa causa e obstinação quando é por uma coisa ruim?

           Dizer que nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas em levantarmos sempre depois de cada queda todos dizem. Mas isto é fato? Quão difícil é perseverar, insistir, permanecer e persistir nas sendas Escoteiras. Se voltar meus olhos ao passado e vejo quanto jovens se foram me entristeço. Posso culpá-los? Os motivos que os levaram a outros caminhos não tem significado para mim? Quem sabe eles tem a razão que eu desconheço. Dez anos, quinze, vinte e quarenta. E depois quantos continuam? Uns minguados como eu? Eu sei que dizem que boas atividades grandes jornadas e belos acampamentos amarram nossa vida a esta bela coisa que se chama escotismo. Mas quantos dizem isto e quantos conseguem fazer por anos a fio? – Não é fácil. É difícil mesmo que “mormente” façamos cursos e cursos, que aumentemos nossa biblioteca Escoteira, que nossos amigos fiquem do nosso lado nos incentivando.

            Não é fácil. Os jovens se vão com muita facilidade, os chefes os seguem com o passar dos anos. E porque não cantar e dizer que voltar a Gilwell de novo não seria uma motivação? Mas onde está Gilwell? De novo outro curso, ficar ouvindo alguém ensinar que nosso caminho nos leva ao sucesso. Mas quantas vezes ouvimos isto? Chega a hora de partir e não tem volta. Porque eu fiquei? Porque mesmo Velho e cansado sem poder me alimentar do ar das montanhas do aroma da terra molhada eu ainda continuo? Eu sei que canto a canção de Gilwell sempre: - Em meus sonhos, volto sempre a Gilwell. Onde alegre e feliz eu acampei Vejo os fins de semana com meus velhos amigos, e o campo em que eu treinei. É mais verde a grama lá em Gilwell, onde o ar do Escotismo eu respirei. E sonhando assim vejo B-P que sempre viverá ali.

                É acho que precisamos levar nossos amigos chefes Escoteiros a Gilwell. Uma boa dose de ar puro, só eles os chefes, sorrindo em suas patrulhas, cozinhando, construindo belas pioneiras, fazendo desafio às outras patrulhas de chefes, sem ter chefões por perto a fazer discursos, a jogar quando quiserem, a formar se acharem que devem, sem apitos loucos zunindo nos ouvidos da natureza. Sentir na pele o som maravilhoso dos pássaros, sem ter de dizer se podem colocar os pés na água fria do riacho. Olhar para o céu e tentar entender as nuvens brancas que se espalham, a sentir o vento no rosto, e quando a noite chegar, quando a fumaça da lenha do fogão dizer que a boia esta pronta, sorrir entre si e contar belos causos. Causos que se estenderam pela noite no Fogo de Conselho, na conversa ao pé do fogo, sentir a noite cantar e olhar um céu estrelado para poder melhor compreender a bela natureza ao seu redor.

              Se nos meus sonhos eu volto sempre a Gilwell, se eu era um bom lobo e não estou mais lobeando, preciso urgente de voltar a Gilwell. E aí quem sabe, eu e meus amigos motivados iremos continuar com os pés no chão, junto a esta escoteirada que dependem muito da gente. Mas penso com meus botões, existem ainda estes acampamentos? Podemos voltar a Giwell para viver o escotismo que sonhamos?


É mais verde a grama lá em Gilwell

Onde o ar do Escotismo eu respirei
E sonhando assim vejo B-P
Que sempre viverá ali.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Tesouro do Condor – Um jogo inesquecível.


Grandes jogos Escoteiros.
O Tesouro do Condor – Um jogo inesquecível.

Faltava pouco menos de meia hora para o encerramento da reunião de tropa. Estávamos em reunião de patrulha a pedido do conselho de monitores, para discutirmos, sugerir e ver como deveria ser o Grande Jogo cujo programa anual marcava a sua execução para o próximo mês de outubro. Era uma tradição e nunca o deixamos de realizar. Olhos de Peixe havia sido transferido para nossa patrulha, a menos de cinco meses, ele tinha vindo de um grupo da capital do estado, mas se incorporara como se fosse o mais antigo. Enquanto discutíamos, ele deu uma sugestão que achamos excelente. Toda a patrulha votou a favor.

Na reunião do sábado seguinte, ficamos sabendo que a Corte de Honra havia aprovado e foi uma alegria geral. Nós tínhamos uma idéia do jogo, mas sabíamos que o Chefe Jessé iria melhorar, e claro, dar uma grande “pitada” de aventura. Uma semana antes da nossa atividade, recebemos duas cartas pregos, uma para serem aberta no dia do jogo, às seis da manhã do dia do jogo e a outra no campo, após o inicio do jogo, que seria sinalizado por grandes rolos de fumaça que avistaríamos de onde deveríamos estar localizados.

Sabíamos e era ponto de honra, só abrir as Cartas Prego no dia e horário determinado. Isto não tinha discussão e nem era discutido! Recebemos também quatro bandeirolas amarelas, e a lista de materiais a ser levado: – lanche para um dia, cantil, um par de bandeirolas de semáforas, uma bússola silva, quatro bastão, uma machadinha, um facão com bainha, uma faca mateira. Não olvidar de levar três lenços sobressalentes (lenços do grupo), estojo de primeiros socorros, uma lona para chuva, meias reservas, reserva financeira para duas passagens de ônibus. Como cada um de nós tinha o seu bastão foi alertado para não nos esquecermos de levar.

Todos deveriam estar preparados para uma atividade movimentada e para isto levar um calçado adequado. Claro, não direi o que passei na semana anterior, na espera deste grande jogo, que seria o meu primeiro na patrulha. Dormia e acordava pensando no grande dia. Às seis horas da manhã em ponto, a patrulha já estava a postos, na praça próximo ao ponto de ônibus e abrimos a primeira carta prego.
Gostaria de esclarecer que a Patrulha Águia, era composta de sete escoteiros, eu (Zé bolinha ), Pinga Fogo, Zé Colméia o monitor, Fu Manchu, Olhos de Peixe, Picolé o sub e  Pé de Bode (só apelidos para preservar os nomes). Todos primeiras e segundas classes, ou seja, uma patrulha bem “escolada”.

Dizia: (a Carta Prego)
1)     – Vocês devem tomar o ônibus de Carirí, que irá passar as 06h25min, descer no ponto final. Ali pegar a Rua das Flores, ir ao seu final. Lá encontrarão uma estrada carroçável, segui-la por 2 km (deve ser marcado com o passo duplo). Após se orientarem pela bússola tomar o rumo ENE, mais ou menos 67,5 graus, percorrer mais 800 metros, atravessar um pequeno córrego com águas límpidas e boa para beber.
2)     Segui-lo no sentido nascente por 200 metros e montar o campo assim especificado: - em forma de pontos cardeais (um x) com mais ou menos 15 metros de uma ponta a outra e vice versa. Colocar em cada ponto um bastão com uma bandeirola amarela, (o bastão deverá ser fincado no máximo com um palmo de fundo). No meio do x, ficará o totem de patrulha, colocado na mesma maneira. Devem fazer um pequeno cercado de 2 x 2 metros usando madeira do campo e cipó. Mais tarde saberão para que.
3)     – Ao inicio do jogo, as demais patrulhas também estarão como vocês (eram quatro), como o campo armado e idêntico em algum lugar próximo. Fora da vista.
4)     – Aguardem o inicio do jogo, que pode demorar de uma a duas horas. Fiquei em posição de alerta e mantenha um escoteiro de vigia.

Nada mais dizia. Sabíamos que as outras patrulhas estavam nesta hora fazendo o mesmo. Aguardamos uns bons setenta minutos e eis que avistamos em um morro próximo, rolos de fumaça, com o sinais de “O jogo já começou – guerra”. Abrimos imediatamente a segunda carta prego e ela dizia:

1)     - Vocês devem colocar os lenços presos pelo cinto, (proibido amarrar) somente dois palmos para dentro da calça, e defenderem como puderem as quatro bandeirolas em volta (amarelas) e principalmente o totem Se ele for tomado vocês todos morrem perdendo o jogo. Neste caso aguardar novo contato.
2)     – Se defendam das outras patrulhas para não perderem o lenço, pois assim serão considerados mortos e devem receber ordens do “matador” que irá conduzi-lo para o campo de prisioneiros próximo a chefia.
3)     – Cada patrulha deverá ter um campo próprio e cercado que fica no centro próximo do bastão totem, para no caso de fazerem prisioneiros.
4)     – O objetivo do jogo é defender as bandeirolas e principalmente o totem e ao mesmo tempo ir aos demais campos de patrulha e tentar tomar o totem deles.
5)     – A patrulha que conseguir mais vidas (tirar os lenços), tomar as bandeirolas ou ter o maior numero de bastão totem, é a ganhadora.
6)     É proibido – Lutas, brigas, palavrões (olhem a lei escoteira) e discussões inúteis;
7)     É aceito – Qualquer tipo de truque, força (sem denegrir a imagem), ou qualquer situação a ser criada para ganhar o jogo.
8)     O jogo terá a duração de seis (seis) horas, a contar do sinal de o Jogo já começou – guerra. O sinal de fumaça “O jogo já terminou – paz” determina a paralisação imediata do jogo.
9)     Lembrem-se, vocês devem proteger o seu campo e também atacar os demais. Como fazer e o que fazer fica para o conselho de patrulha resolver.
10)  Estaremos toda a chefia em local privilegiado, vendo vocês através de potentes binóculos. Onde veremos qual a patrulha mais esperta e a mais não tão honesta! (naquela época não havia telefone celular, se fosse hoje, seria proibido). Boa sorte Patrulhas da Tropa Mafeking!

Começamos o jogo. Seu desenrolar foi o esperado. Muitas surpresas, muitas alegrias e até um pouco de confraternização. Todo ano era assim, um Grande Jogo uma surpresa e a satisfação de ter participado. Neste deixo para a imaginação de cada um em saber quem foi o vencedor. Nota – O prêmio foi uma flor de lis de lapela para cada participante. Quem sabe um dia farão um igual ou adaptado?

domingo, 24 de agosto de 2014

Interpretação e aplicação do Livro da Jângal.


Conversa ao pé do fogo.
Interpretação e aplicação do Livro da Jângal.

            Nunca fui um estudioso da Mística da Jângal. Fui Chefe de Alcateia por dois anos, mas tinha um defeito, era muito voltado ao sistema de patrulhas e queria que os lobos fossem assim também. Levava a Alcateia para acampar, cozinhar, viver aventuras que sempre dizia ser a procura de Mowgly na Selva. Meus lobos eram bons de Morse, semáforas e duas matilhas em uma atividade construíram um Ninho de Águia. Mal feito é claro, mas construíram. Nas jornadas pelas florestas encontrávamos o Shery Kaan o Balu, a Bagheera e tantos outros com jogos camuflados que eu criava. Desisti. Adorava os lobos, pois fui um deles e quando senti que não estava no caminho certo procurei os novos cursos que apareciam na época. Eu me matriculava e me decepcionava. Não era o que pensava. Melhor dar vez a quem gosta e tem na alma o coração de um lobinho mais moderno. Soube que em cada década modificaram um pouco o passado do que pensava ser um lobismo perfeito. Parece que as estrelas no Boné que indicava lobo segunda e primeira estrela foram extintos. Hoje existe cuidados extremos no trato com as alcateias. Já vi lobos em reuniões a cantar, desenhar cortar papeis e fiquei pensando o que os segurava ali. Na escola e em casa faziam isto e ir para uma reunião para fazer o mesmo? Quem sabe foi os jogos que os seguraram por algum tempo na Alcateia. Vi outras Alcatéias em atividade e gostei do que vi, nestas pelo menos a chefia interpretava bem o Livro da Jângal. Não posso criticar. Não sou um expert como era nos meus tempos de lobo.

            Quando comecei minha saga de diretor de curso, os chefes de lobos se assustavam comigo. Achei melhor me cercar do que melhor tinha na liderança nestas andanças pela Jângal. Dou risadas pelos comentários que recebi dos Famosos DCIMs da época, quando uma vez fui a uma cidade bem longe da capital para dar um CAB Escoteiro e lá vi mais de oitenta chefes reunidos querendo participar. Não disseram a eles que seria um curso para chefes de tropa. Lá estavam chefes de lobos e seniores. Como sou um idiota escoteiro completo, na hora fiz três cursos simultâneos. Não ia decepcionar aqueles que sonhavam em aprender e aplicar em seus grupos os conhecimentos de seu ramo.  Um de Chefe Escoteiro, um de Lobos e um de Seniores. Estava comigo só dois assistentes. Falei com eles - Riram e me disseram por que não? Corria por todo lado como um louco. Eu tinha na pasta o manual do curso e não me apertei com o programa. Cinco chefes que foram só para ver o inicio eu os lacei. Agora serão meus assistentes. Saia-me bem na Tropa Escoteira e na sênior. Na Alcateia sempre esquecendo. Ainda bem que tinha uma assistente que conhecia mais que eu. Se naquela época eu tivesse conhecimentos profundos da Interpretação do livro da Jângal teria sido muito mais fácil. Claro que apareceram os críticos, eles existem para que? Para criticar é claro. Afinal em cada década aparecem os Papas do escotismo para mudar. Eles sabem o que é bom para nós. O “negocio” é obedecer. Sei que hoje a literatura e muito do método da nova pedagogia para lobos mudaram um pouco.

            Mas eu insisto que todos os chefes de lobinhos tem a obrigação de ler se não cinco pelo menos dez vezes o Livro da Jângal por ano. Eu me delicio com ela, amo de montão e tiro o chapéu para Rudyard Kipling que além de ter escrito o Livro da Jângal é autor também de KIM e outros clássicos infantis. Kipling é considerado um dos maiores escritores para crianças, pois seus clássicos da literatura infantil dão mostra de um talento versátil e brilhante. Portanto o Livro da Jângal é uma história formidável só comparada ao Escotismo para Rapazes de BP livro de cabeceira e considero obrigatório e que deve ser lido pelo menos vinte página por mês. Ano passado folheando a internet me deparei com o Livro em PDF do Chefe Blair de Miranda Mendes. Tratava-se da Interpretação do Livro da Jângal. Baixei na hora. Blair é um Velho Lobo amigo lá das Minas Gerais, ativo e participante até hoje. DCIM e quem o conheceu como eu lá pelos idos de 1968 teríamos juntos muitas histórias para contar. Se hoje tivermos que escolher os dez mais entendidos em lobismo no Brasil o Blair seguramente estará entre eles. Ele teve assistentes para escrever o livro, mas é muito bom. Aconselho a todos da área do lobismo que o tenham em seus arquivos e o leiam sempre. Vale a pena, pois para os novatos uma nova visão do lobismo para as reuniões semanal. Se você não o têm me escreva – Elioso@terra.com.br e envio para você na hora.


              E como na Jângal de Mowgly eu desejo a todos os chefes de Alcateia uma Boa Caçada e boas leituras e claro, nunca esquecendo o que A velha Serpente disse quando Mowgly chorava para ir à cidade dos homens. – Somos irmãos de sangue pele lisa, tu e eu!         

domingo, 17 de agosto de 2014

Saudades do meu chapéu Escoteiro.


Saudades do meu chapéu Escoteiro.

O CHAPÉU DE TRES BICOS
♪♪O meu chapéu tem três pontas,
Tem três pontas o meu chapéu!
O meu chapéu tem três bicos,
Tem três bicos o meu chapéu. ♪♪

“Velha canção escoteira do nosso chapéu de abas largas”

                  Uma das principais caraterísticas do nosso uniforme e porque não dizer do escotismo é o chapéu de abas largas. Sempre foi conhecido por todos aqueles que admiravam o movimento Escoteiro em qualquer lugar do mundo. Hoje ele está sendo esquecido no Brasil. Alguns ainda o usam, mas até para comprar é difícil. Nossos dirigentes em nome da modernidade o colocaram na clandestinidade. Dizem que devemos agora ter nova roupagem nova imagem para crescermos. Acredito que eles mesmos nunca usam o chapéu e se usaram um dia não souberam manter uma tradição tão querida. Sinceramente quando vejo fotos de acampamentos, jornadas e afins, sem o chapéu não sinto ali escotismo. Esta vestimenta nunca vai me lembrar do meu passado e o passado de tantos que viveram o escotismo. Saudosista? Sou sim. Afinal quem não tem passado não tem futuro.

Escrevi muitas histórias Escoteiras dizendo as vantagens do chapéu. Uma delas “O Meu chapéu tem três bicos” bateu recordes de leituras. Significa que o chapéu ainda tem lembranças, sonhos e pensamentos dos tempos bons que se foram. Vejam algumas partes do conto:

                 - Existiu e existe na minha mente a história de um Chapéu Escoteiro com três bicos. Foi ele quem me contou. Estão rindo? Chapéu não fala? Este falava. E muitas vezes eu notei lagrimas derramando de sua aba reta.  Teve três donos e cada um a sua maneira o tratou como tal. Não tinha mágoas, pois suas lembranças o fizeram um grande chapéu de aventuras ao lado dos seus donos escoteiros. Esteve em locais que nunca poderia imaginar. Caiu em um despenhadeiro e quase não foi encontrado. Ele enfrentou borrascas, chuvas intermitentes, ventanias que pareciam vendavais e ele sempre se safando. Quer conhecer a história? Fácil, está aqui a disposição em PDF. Posso enviar via e-mail.  É só pedir no meu e-mail elioso@terra.com.br. Mas não esqueçam se gostarem da história comentem, pois só assim direi a ele que muitos hoje conhecem sua saga de grande Escoteiro. Nós ainda conversamos em OF. Não acreditam? Alguns trechos da história:

               - Vadinho voltava de um acampamento de tropa. Cansado, (voltavam a pé), ajudou sua patrulha a guardar a tralha que estava estocada na carrocinha. Quando conseguiram comprá-la todos foram tomados por uma satisfação imensa, pois agora levar e trazer o material de acampamento ficaria bem mais fácil. Da sede até sua casa ainda tinha uma boa jornada. Ele estava acostumado. Sempre fazia este caminho e os passantes e moradores já o conheciam de longa data. Ao avistar sua residência, viu no portão da cerca de madeira, suas irmãs, seu pai e sua mãe, e ficou intrigado.

Quando entrou em casa, viu em cima da sua cama, o seu novo Chapéu de Três Bicos. Incrível! Extraordinário! Ria, cantava e abraçava a toda a sua família. O Chapéu de Três Bicos também sorria. Gostou de Vadinho. Achou que seria muito útil e dalí em diante, também iria pertencer àquela família tão simpática. No dia seguinte Vadinho procurou um marceneiro, para saber quanto seria para fazer um porta chapéu. Tinha visto o Chefe com um, e viu que seria ótimo para guardá-lo mantendo sempre as abas retas durante anos e anos. Combinaram o preço e Vadinho trabalhou mais e mais engraxando sapatos para pagar sua encomenda. Continua...


Obs. Será que daqui a muitos anos teremos fotos como as do passado com a nova vestimenta e chapéus de todos os tipos, calça curta, comprida, camisa para dentro camisa para fora, lenço amarrado nas pontas, fazendo a alegria dos novos Escoteiros? Será que a figura da patrulha de chapéu, na chuva, nas montanhas, nas grandes aventuras irá desaparecer?

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Projetos de pioneirias.


Conversa ao pé do fogo.
Projetos de pioneirias.

Eu estou sempre fazendo aquilo que não sou capaz, numa tentativa de aprender como fazê-lo.

     - Você pode ver em ambos os casos que o crescimento nunca vai se igualar, mas a verdade é que a sua maneira, cada uma dessas patrulhas estão alcançando o objetivo. - Disse o Chefe. A diferença estava à vista. Logo ao chegar ao acampamento de fim de semana, uma Patrulha nova, recém-formada, tentava fazer o melhor possível para sua instalação do campo. Às outras três, bem mais experientes, estavam bem à frente, com quase todos os acessórios necessários prontos. Era um acampamento de dois dias. Chegaram sábado pela manhã, e iriam retornar no domingo à tarde. No entanto, a instalação padrão sempre foi exigida. O motivo era simples: - Precisavam aprender que o campo de Patrulha seria uma extensão de suas casas e o mínimo de conforto deveria ser conseguido. Não se pretendia formar técnicos em construções e projetos, mas cada um deveria ter a mínima noção de que sua parte era importante nesta montagem de campo. Era assim o Sistema de Patrulha e assim se trabalha em equipe.

     Nada ali era improvisado. Às patrulhas em reuniões anteriores, tinham decidido o que fazer e como fazer.  Muitos dos escoteiros já conheciam bem o “Projeto de Pioneiras”, que o chefe sempre falava. “Os projetos” tanto poderiam ser de uma pequena ou uma grande pioneiría. Devia ser levados em consideração a duração do acampamento, o material que estaria disponível no campo e o programa. Tudo era muito simples, dizia o Chefe: - Nada de burocracia.  A experiência com o tempo facilitava muito mais a montagem de campo já que os projetos em sua maioria estavam prontos no arquivo da Patrulha. A liberdade para criar e modificar era ampla e irrestrita. Havia o básico para um acampamento de uma noite ou de mais, dependo do planejamento anual.

     - É possível que você tenha razão, - falou o Velho Escoteiro - Hoje já não é possível encontrar facilidades de locais para acampamentos e principalmente em florestas com alguns tipos de madeira para serem usadas. Mas vamos olhar para o outro lado da questão. Não pretendemos que o jovem se adestre para se preparar de uma eventual possibilidade de no futuro usar tais conhecimentos. (apesar de saber que é um excelente meio para descobrir seu potencial profissional!) A possibilidade de se perderem numa floresta é mínima. - A técnica de pioneirias tem a finalidade de preparar seu espírito para a vida de adulto - continuou -. Saber que às dificuldades serão vencidas, e que em qualquer ramo de atividade é necessário estar bem preparado e só assim poderá vencer na luta pela sobrevivência profissional. A inventividade faz parte do homem, mas a maturidade traz o sucesso.

     - Também não vejo tanta dificuldade em conseguir um local para pelo menos duas vezes ao ano, poder utilizar a técnica de pioneirias. Existem tantas fazendas e grandes sítios, onde algumas árvores são consideradas como “praga” que pôr mais que se corte mais ela se multiplica. Um exemplo é o “Assapeixe“, sem nenhuma utilidade e qualquer proprietário (desde que seja amigo dos escoteiros - emendou -) ficaria satisfeito pela poda ou corte e não irá ser prejudicado e nem iríamos agredir o meio ambiente. Também se podem usar outros tipos de madeira, tipo eucaliptos, bambus etc. que são plantados com a finalidade de uso diversos, principalmente na construção civil. O que não se pode, é tentar formar e adestrar técnicas de campo, usando um fogareiro a gás, pois isto não traz nenhum beneficio a não ser a técnica de cozinha, e que claro também faz parte do adestramento.

    Infelizmente, alguns de nossos Escotistas devido não estarem preparados já que não vivenciaram tais técnicas, procuram de todas às formas motivos diversos para fazerem Camping e não acampamentos. - Posso afirmar que é possível manter um padrão técnico de pioneirias em qualquer parte do mundo. E afinal é o sonho de qualquer jovem é saber que vai participar de um acampamento com padrões escoteiros, dormindo sob barracas, fazendo sua própria comida, construindo sua cama sua cadeira, sua mesa e até sua torre de observação. - O importante é o trabalho em equipe. A Patrulha é a base para que esta técnica seja primordial no seu crescimento. Os Escotistas não podem de maneira nenhuma tentar modificar as estruturas e métodos somente porque acham que não é possível ou pode ser substituído.

     - Vou ser sincero, o que cortamos de madeira em um acampamento, claro, desde que o Projeto foi bem feito é o mínimo e não prejudica de forma alguma o meio ambiente. Quando você corta uma arvore, em alguns casos elas produzem diversas mudas que pela simples razão da natureza se multiplicam. E se você ensina aos jovens como devem plantar mudas, você está retribuindo em dobro o que cortou. - Devemos também ensinar aos rapazes e moças que a proteção e o respeito à natureza faz parte da formação e do “Espírito Escoteiro”. E finalmente, a melhor a mais bonita, a mais importante pioneira é a que o escoteiro fez, e não você!

Tive que concordar com o “Velho” Escoteiro. Escotismo é campismo na sua forma primitiva. Mudar isto seria mudar o sistema e a sua maneira de ser. Nós e amarras são técnicas escoteiras com finalidades objetivas. Se for para fazer Camping, um ou dois nós bastam para armar a barraca. O “Velho” pigarreou algumas vezes, foi conversar com a Vovó e esqueceu que eu estava na sala. Nada mudou no país de “Abrantes”. Eu estava acostumado.

     Mas valeu mais uma noite e a conversa com o “Velho”.  Meu Adestramento estava sempre aprimorando, principalmente agora que bolei uma nova mesa de patrulha com apenas quatro pedaços de madeira de 2 metros!

É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Rio Negro, a cidade das sombras!


Lendas Escoteiras.
Rio Negro, a cidade das sombras!

                       Um telegrama simples. Dizia: “Gostaríamos de contar com sua presença nas festividades do Grupo Escoteiro Enigma do Santo Sepulcro. Será dia 28 próximo em Rio Negro, a cidade das sombras. Todas as despesas serão por nossa conta”. Mais nada. Que seria isto? Alguma brincadeira? Eu recebia sim muitos convites para palestras e pequenos cursos escoteiros em várias cidades. Mas aquele convite era extraordinário. Na internet só descobri uma cidade parecida próxima a Parecis, e mesmo assim diziam que a cidade não existia mais. Deve ser alguma brincadeira pensei. Pitágoras o Comissário sempre fazia isto comigo. Liguei para ele: - Não fui eu! Juro! Ele disse. Dei boas risadas, mas fiquei inquieto, ou melhor, encucado com tudo aquilo.

                      Não dormi bem. Não tive sonhos e nem pesadelos, mas acordei suando. Parecia que alguém dizia para eu ir à estação Rodoviária comprar a passagem. Liguei para a região para me informarem se tinha algum grupo com este nome. Riram na minha cara. Tirei o carro da garagem e fui até a Rodoviária do Tietê. Nem bem entrei vi um homem de paletó roxo, chapéu enterrado até os olhos, descalço, unhas enormes e com uma placa – Passagens para Rio Negro. – Aproximei. Ele levantou o chapéu. Enormes olhos negros. Um nariz comprido e afilado. Uma boca enorme cheia de dentes de ouro. Não tinha orelhas. Nas mãos em cada uma dois dedos tirou do bolso uma passagem. – Mandaram-me entregar, o ônibus parte a meia noite. Terminal dois. O homem desapareceu. Procurei em todos os guichês da rodoviária e nada. Informei-me sobre a cidade. Ninguém conhecia.

                     Seja o que Deus quiser. Não costumo me esconder de desafios. Iria lá nesta cidade fantasma. A final sou um Escoteiro e o Escoteiro não foge dos desafios. Nunca! À noite já com minha mochila e de uniforme social fui para a rodoviária. Eram onze e quarenta da noite. Lá estava o morto vivo a minha espera. O “cara” era esquisito. Disse-me – Siga-me. E lá fui eu. Descemos umas escadas, um corredor escuro, um vento húmido e frio a soprar. Senti frio. Um frio que machucava. Vi o ônibus. Pequeno. Negro. Sem nada escrito. Na placa Rio Negro. A porta aberta. Entrei. Ele pediu a mochila – Vai no meu colo disse – Sentei bem à frente. Não tinha ninguém no ônibus. O ônibus partiu em seguida. Só eu de passageiro. Alguém de voz rouca e cavernosa começou a cantar a canção da Promessa. Dormi. Acordei com o dia amanhecendo. Uma bruma cinzenta cobria a cidade. O ônibus parou. Desci. Suspirei fundo. Um Chefe Escoteiro de uniforme. Brim roxo. Todo roxo. Um lenço negro com uma caveira desenhada atrás. Sem sapatos. Descalço. Unhas enormes. Sempre Alerta Chefe! Sou o Funério, seu assessor pessoal, disse. Venha comigo.

                       Um carro negro fúnebre nos esperava. Atrás levava um caixão. Algum defunto para enterrar. A cidade era coberta por uma bruma cinza e seca. Quase não se via as casas. Aqui e ali pessoas atravessavam a rua devagar, como se estivessem pisando em brasas. Não havia barulho. Nenhuma ave por perto. Não vi cachorro e nem gato. O carro parou. Olhei o motorista. Sempre de costa. Um boné de couro preto. Abriu a porta e sai dando de cara com um cemitério. Aqui? Perguntei. Ele se virou. O rosto sem pele. Ou melhor, uma pele fina, mas só os ossos apareciam. – Não se preocupe Chefe. A sede do grupo é linda. Foi toda construída pelos habitantes do lugar. O Senhor vai gostar. Bragg! Comecei a tremer! Onde fui me meter? Ele me pegou pela mão como se eu fosse uma criança. Fui com ele. Não tinha outra saída. Nem sabia onde estava. Catacumbas e mausoléus enormes. Nomes estranhos. Aqui jaz – Baldassari, morreu por falta de sangue – Em outro dizia: Aqui jaz, Narkissa, a princesa beijada pelo Vampiro Damien. E assim se seguia. Meu Deus! O lugar era misterioso, amedrontador.

                     Fechei os olhos, um medo terrível. Abri. Lá estava a sede. Em letras góticas uma enorme placa: Grupo Escoteiro Enigma do Santo Sepulcro. Enormes caixões enfeitavam o teto da sede. Um belo esquife branco estava em pé, na porta e dentro um Chefe bem velho de bigode e cabelos brancos com a nova vestimenta da UEB. Estranhei. A tropa, Alcatéia e os seniores formados na bandeira. Não havia bandeira nacional. Eram bandeiras negras com escritos em grego e latim e desenhos de zumbis e cadáveres. Um Chefe se aproximou. Bem vindo Chefe! Estamos tristes com sua chegada. Mas não estão alegres? Eu disse. Aqui Chefe é o contrário. Olhei a escoteirada. Todos de uniformes negros e os lobinhos de roxo. Ninguém sorria. Sérios. Como se estivessem mortos. Vi que nenhum dos jovens tinha olhos. Só um buraco fundo. Putz! Onde fui me meter? Porque aceitei? Não havia volta. Um zumbido e um grito e as bandeiras negras com símbolos vampirescos começaram a ser içadas. Vampiros enormes voavam sobre nossas cabeças. Ao termino não houve oração. Olhei em uma catacumba mais alta e chacais davam uivos áulicos e lamurientos. Achei que um deles o mais forte poderia ser Duamutef, o filho de Hórus. Abraçaram-se todos os escoteiros e lobinhos e começaram a chorar. Todos se lamentavam por haver morrido. Morrido? Eram mortos vivos? Pensei em correr dali.

                     Pegaram-me pela mão. Levaram-me até um alto mausoléu. Diziam que eu estava no campo santo. Em volta de mim vi um jazigo cheio de ossos. Parecia que o cemitério estava acordando. Em cada catacumba, em cada mausoléu, em cada cova uma mão, uma cabeça e logo uma multidão de mortos em minha volta. Eram milhares. O Chefe do grupo me pediu para fazer a palestra. Todos aguardavam ansiosos este momento. De que meu Deus! Que palestra querem que eu faça? Nada sei do tal grande acampamento. Dizem que lá ficam todos os escoteiros que morreram, mas eu? A última vez que fui a um enterro faz anos! – Chamem Baden Powell! Ele entende disto melhor que eu!  Não Chefe, nada disto. Todos aqui querem saber como funciona a União dos Escoteiros do Brasil. Querem saber como funcionam as alcateias. Querem nomes de Akelás que o Senhor conhece para visitarem a meia noite. Todos se preocupam com as tropas. Querem nomes também dos seus amigos do Facebook. Pediram sua opinião se eles seriam bem recebidos na Assembleia Nacional do ano que vem. Deus do céu! Que era aquilo? Ajuda-me Baden Powell! Socorre-me almas escoteiras do outro mundo que já se foram!


                     Chefe Patrulha Águia convidando para o jantar. Chefe Patrulha Cucu convidando para o jantar. Chefe Patrulha corvo se apresentando para avisar que o jantar está pronto. Acordei. Abri os olhos e vi monitores fazendo o convite. Obrigado meu Deus. Era apenas um sonho. Um pesadelo. Estava com meus escoteiros num lindo acampamento. Vi o sol se pondo no horizonte. Bendito sol! Vi o regato de águas límpidas logo ali. Vi um peixinho pulando nas corredeiras. Graças a Deus. Graças a Deus. Ainda bem. Levantei-me. Espreguicei. Dei um enorme sorriso de felicidade. Havia dormido no tempo livre dado a eles para prepararem as refeições. Fui até o córrego lavar o rosto e me refrescar. Cantarolava o Rataplã, agora sim, eu estava vivo e gostava de estar. Levantei peguei a toalha para enxugar. Do outro lado do córrego, lá estava ele, Funério o morto vivo da rodoviária. – Disse alto com voz grossa cavernosa e fúnebre – Sempre Alerta Chefe, à meia noite virei te buscar!


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Dia do Chefe Escoteiro



OBRIGADO SENHOR POR ME PERMITIR SER UM CHEFE ESCOTEIRO.

A todos vocês que me seguem em meu blog, e se é um Chefe Escoteiro, aceite meu abraço, meu Sempre Alerta e meus parabéns. Fui um de vocês e hoje sei que o escotismo nunca morrerá por tantos chefes abnegados a fazerem pelos jovens o que BP nos ensinou. PARABÉNS!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Escotismo adulto. Você gostaria de fazer?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Escotismo adulto. Você gostaria de fazer?

            Cresce entre adultos Escoteiros a ideia de fazerem um escotismo entre eles. Na Europa a ideia já germinou e uma organização floresce. Aqui no Brasil muitos já se interessaram em filiar e dizem (em não sei) a própria UEB está estudando a filiação com uma organização própria. Onde isto vai dar não sei. Outros não concordam com a UEB ser exclusivista. Acham que o Escotismo adulto deve caminhar com suas próprias pernas. Eu como mineiro fico na minha matutando. Tudo que aparece sobre o tema eu leio e tento entender bem o que seria Escotismo adulto. Sou meio tapado com estas coisas. Sei que a palavra já diz tudo, mas precisa mesmo ter uma organização a parte? Claro que discordo da UEB ser a mentora, pois logo aparecem “sumidades” Escoteiras a determinar isto e aquilo desfigurando o sentido da ideia. Sei não. Eu vejo o Escotismo Adulto de outra forma. Uma organização poderia ser bem vinda se ela viesse nos oferecer liberdade e democracia. Se ela fosse viva e cheia de fraternidade. Se ela tivesse a ideia de dar aqueles que não tiveram a oportunidade de fazer um escotismo mateiro os levar para o campo com liberdade sem imposição.

              Vejo, no entanto que isto nem sempre transparece nas ideias europeias. Claro que uma organização voltada para a boa ação é sempre bem vinda. Quem sabe eles pretendem dar todo apoio às associações Escoteiras que estão com dificuldades ou mesmo dar facilidades ao crescimento dos jovens nos Grupos Escoteiros. Por outro lado vejo uma infinidade de adultos voluntários que nunca tiveram a oportunidade de fazerem um escotismo autêntico, no sistema de patrulhas, nos acampamentos de Gilwell, e entre sí jogarem gostosamente os maravilhosos jogos Escoteiros como aqueles que a meninada se diverte em tropas Escoteiras. Todos que fizeram escotismo quando jovens, entre eles muito se comenta com saudades “daqueles tempos” e logo a mente os transporta para os acampamentos vivendo a vida de um Escoteiro fazendo tudo que a oportunidade lhe deu. Pensando assim eu vejo uma possibilidade de se ter um programa de Escotismo Adulto. Voltado para as atividades Escoteiras que uns nunca fizeram e outros com lembranças boas querendo retornar a Gilwell.

                 Muitos confundem Indabas com atividades preparatórias para programas, cursos e em algumas existem um pouco do escotismo aventureiro, mas sempre com o líder ensinando e falando e apitando. Não sei se isto é válido para uma volta aos tempos de menino ou mesmo sonhar ser um menino Escoteiro que nunca foi. Sei que existem milhares de Chefes que não tiveram a oportunidade de viver uma vida de campo. Quem armou uma barraca e dormiu sob ela em um campo de patrulha junto com outros chefes? Quem junto a uma patrulha construiu um ninho de águia? Quem construiu uma ponte pênsil ou seguiu uma pegada de um animal qualquer na floresta? Que ficou até a madrugada contando estrelas e cantando com seus amigos chefes da patrulha? E quantos mais decidiram fazer uma jornada seguindo um mapa, um percurso de Giwell, utilizando o Passo Escoteiro ou o Passo Duplo? Quem pode um dia transmitir mensagens em semáforos ou Morse a distancia principalmente em um jogo noturno? Sei que muitos que não foram escoteiros sonham com isto. Mas feito de maneira a “Escoteira” decidindo por sí só ou pela patrulha unida.

                       Como seria bom olhar para o outro lado da estrada. Uma patrulha de chefes ou várias, caminhando como se fossem jovens patrulheiros naquela trilha a procura de um bom lugar para acampar. Quem sabe tendo um Monitor eleito democraticamente e sabendo que poderia ser retirado por qualquer “audácia” de impor suas ideias. São muitas coisas que muitos chefes sonham. Seria este o Escotismo Adulto que eu penso. Um escotismo aventureiro para chefes. Sem apitos, sem gritos, sem imposições e sempre voltado democraticamente no pensamento de todos. Uma patrulha de chefes que seria viva para sempre. Um sai outro entra. A patrulha de chefes tem normas para eleições, tem normas de amizade e fraternidade. Ela a patrulha poderia ser formada por chefes do próprio grupo ou do distrito. Tem normas de respeito e ética e todas elas nunca escritas, mas sempre sabida. – Ei Patrulheiros da Raposa! Tudo pronto para o acampamento de verão? Sei que existem muitas necessidades para se atingir a maioridade. Mas não dizem que se conhece o Escoteiro no acampamento? Porque então não acampar com os chefes para conhecê-los melhor?

                         Não acho impossível isto acontecer. Com alguns acampamentos os chefes do grupo e do distrito não teriam outro diapasão? Quem sabe viver em uma patrulha daria oportunidade para entender melhor nossas deficiências e as deficiências dos outros chefes? Lembre-se que aqui falo de Chefes Escoteiros Aventureiros e mais nada. Sem imposição e se tiver um dirigente ele seria previamente eleito, mas determinado há um tempo mínimo na liderança, pois seria substituído por outro a seguir. Afinal ele não gostaria de estar lá na patrulha? Sei que é difícil começar, mas não dizem que tudo tem um começo? Se alguém na liderança não apoiar eu acredito que falta apoio aos Adultos Escoteiros. Eles não podem ser massa de manobra como até hoje. Levados pela mão aonde o dirigente acha que é o caminho. Eles não estão dando aos chefes Escoteiros a possibilidade de discordar, de sugerir, e de votar. Portanto pensem bem afinal vocês não tem sonhos? E porque não realizá-los? Só lembre-se que o acampamento é para chefes e dos chefes mais ninguém. Os Pioneiros e seniores já tem o seu. Aquele é seu agora é sua vez.

                       Eu sei que a ideia de BP era voltada para os rapazes e moças. Tudo que ele fez foi em função da formação individual, o desenvolvimento da liderança e formar caráter e civismo para jovens. Mas hoje temos milhares de adultos Escoteiros que nunca fizeram tais técnicas e tais atividades. Afinal, eles não têm este direito? Conversem entre si se acham que a sugestão é valida. Discutam se acreditam que a outra forma europeia é mais valida. Quem sabe o embrião que está surgindo na Europa não seria válido aqui? Mas se querem também fazer escotismo, viver a vida mateira e aventureira como adulto e junto a outros adultos está na hora de se por em ação. Como diz um amigo meu, pé no pedaço, preparem o programa, mochila as costas, uniforme no lombo, chapéu Escoteiro, uma bandeira e escolham sua trilha e parta para onde o vento os levar, cantando uma bela canção! Bons ventos e bons caminhos!


“Saudades de quando junto a amigos chefes, embrenhávamos na mata, fazíamos uma clareira e ali vivíamos a vida de um escoteiro. Quantas amizades foram marcadas para sempre”!