Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

terça-feira, 21 de julho de 2015

Um Chefe feito na medida.


Conversa ao pé do fogo.
 Um Chefe feito na medida.

Um dia em visita a um Grupo Escoteiro vi esta carta em um quadro de avisos:

Queridos pais.
                           Nosso Chefe Pietro Lando nos disse para nós escrevermos, pois se caso vocês assistirem a inundação na televisão onde estávamos acampados não devem ficar preocupados. Estamos todos bem. Só uma das barracas e dois sacos de dormir é que foram na enxurrada. Felizmente nenhum de nós se afogou. Isto porque estávamos na montanha à procura do Zé, quando aquilo aconteceu. Ah! Por favor, liguem para a mãe do Zé e comentem que ele está bem! Ele não pode escrever por que está engessado nas pernas e nos braços. Andei num dos jipes da Policia Rural a procura dele. Foi Massa! Nunca conseguiríamos encontrar se não fosse a trovoada. O Chefe estava fulo com o Zé por ele ter ido fazer uma excursão sozinho, sem dizer nada a ninguém. O Zé disse que tinha dito ao Chefe, mas como foi durante o incêndio e o Chefe nem prestou atenção.

                       Sabiam que se puserem uma botija de gás no fogo à botija explode? Com o chefe fizemos a experiência. A madeira molhada perto queimou e uma das barracas também. Claro perdemos boa parte das nossas roupas. O pior vai ser o João. Ficará esquisito do jeito que está. Só vai melhorar quando o cabelo dele crescer novamente.  Só conseguimos chegar ao acampamento no sábado, pois só neste dia o chefe conseguiu consertar o carro. A culpa não foi dele. Os freios não funcionavam quando saímos daí. O Chefe diz que em um carro "Velho" é natural essas coisas acontecerem. Acho que é por isso que ele não fez seguro. Mas nós curtimos muito o carro. Não importava que ficassem todos sujos e suados. Quando ficava muito quente, o Chefe nos deixava ir em cima do para-lamas, e vocês sabem dez pessoas lá dentro fica muito quente. Ele nos deixou ir também em cima do capô. A Policia Rodoviária não gostou e multou o Chefe de novo. Só porque estávamos em cinco no capô. O nosso Chefe é muito valente. Discutiu com os policiais e quase saiu no braço com eles.

    Mas fiquem tranquilos, nem fiquem preocupados. Ele dirige bem. Está até ensinando o Miguel como se conduz o carro naquelas estradas de montanha, cheias de buracos, ribanceiras enormes, onde só passa um carro e com aqueles caminhões cheios de madeira indo para a fábrica de papel era uma diversão. Hoje de manhã, fomos mergulhar lá de cima das rochas para o lago. Mais de trinta metros de altura. O Chefe não me deixou porque eu não sabia nadar, e não deixou o Zé porque ele está com gesso nas pernas e no braço. O Chefe achou que nós poderíamos nos afogar. Assim fomos de canoa. Foi um espetáculo. Ainda se conseguiu ver muitas árvores apesar da inundação.

    O Chefe é durão. Não é rabugento como os outros chefes. Nem se queixou por não estarmos usando coletes salva vidas. Ele tem passado muito tempo tentando consertar o carro, por isso estamos sempre procurando lugares novos, mas quando estamos próximos dele obedecendo ele em tudo. Conseguimos as especialidades de Socorrista! Com o corte no braço que o David fez ao mergulhar no lago, aprendemos a usar o torniquete para estancar uma grande quantidade de sangue que saia. Também a torção no joelho que o Jairo fez ao cair em cima de uma pedra. Eu e o Luís vomitamos muito, mas o Chefe disse que era uma pequena intoxicação alimentar dos restos do frango de ontem que comemos. Ele disse que isso acontecia muito com a comida que eles comiam na cadeia. Acho muito bom que ele tenha saído de lá e vindo ser nosso chefe. Porreta!

   Bem tenho que terminar. Vamos a cidade mandar as cartas e comprar facas de mato, facão e balas. Ainda não usamos os fuzis e as metralhadoras que o Chefe levou.
Muitos beijos
Nelinho

P.S – Quando foi á ultima vez que tomei vacina contra o tétano?

domingo, 19 de julho de 2015

Devolvam-me a minha Primeira Classe!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Devolvam-me a minha Primeira Classe!

                     Era um sonho. Um sonho difícil, mas realizável. Não era para qualquer um não, a gente tinha de ralar. Sem a Segunda Classe que já era uma pedreira para receber e sem a jornada ela era impossível de conquistar. Sem esquecer as especialidades, várias delas que eram obrigatórias. Mas perguntem aos que conseguiram, vejam seus sorrisos, eles dentro de si sabem que são vitoriosos. Não eram muitos, mas também não eram poucos. Um Primeira Classe era um bamba. Você sabia que podia confiar. Sabia que era um campeiro, o explorador, um conhecedor nato da natureza e da floresta. Era um expert em tudo que você pode imaginar. Fazia o que todos julgavam impossíveis. Tinha noites de acampamento para esbanjar. Montava de olhos fechados um campo de patrulha, podia ser um monitor, mas resolvia tudo sem pestanejar. Sabia cozinhar, sabia nós incríveis, fazia amarras de dar inveja. E a técnica de uma costura de arremate?

                  Para ser um tinha de ser um grande mateiro. Era um mestre lenhador, um mestre explorador, um mestre em navegação pelas estrelas na floresta imensa que ele sem medo se embrenhava. Brincava com papel fazendo mil Percursos de Gilwell, tirava de letra uma Silva ou uma Prismática, lia com perfeição um mapa seja ele qual for. Um Primeira Classe explorava com destreza um ninho de águia, Uma passagem do Macaco, fazia com perfeição uma ponte pênsil, mesas para ele era brinquedo de lobinhos. Seguia pistas, sabia diferenciar as pegadas de pássaros, bichos seja o que for. Os melhores tiravam sonecas em cima de altos galhos esperando um grande jogo terminar. Afinal ele era um super Escoteiro? Podia até dizer que sim. Pergunte a um deles. Conhece alguém que foi?

                 Hoje me lembrei de alguns. Na minha vida conheci centenas, ou melhor, dizer milhares. Todos eles tinham um respeito enorme pela nossa pátria, amavam a Deus pela sua promessa, sabiam do valor de uma lei que sempre foi levada a sério. Notava-se em cada um o crescimento do caráter, da palavra, da honra do orgulho em ser Escoteiro. Um Primeira Classe sabia de seu valor para dar exemplo. Era um orgulho para a patrulha e a Tropa, via seu amor pelo seu uniforme. Educado, prestativo um verdadeiro gentleman Escoteiro. Achas muito? Pode ser que tenha alguns que não se enquadrem nestes comentários, mas a maioria a gente se orgulhava e muito. Dizem que os melhores não se pode ver nem tocar. Muitas vezes a gente sente isto no coração. O orgulho do Chefe em saber que fez parte no crescimento do rapaz é muito grande.

               No escotismo sabemos que para ensinarmos a um Escoteiro a se desenvolver e a se inventar novamente, precisamos mostrar-lhe que ele já possui a capacidade de descobrir e isto é fácil, aprender a fazer fazendo. Como já dizia BP um bom Chefe tem sempre esta preocupação: Ensinar o Escoteiro a desenvencilhar-se sozinho. Se puderem um dia conversarem com os pais dos Primeiras Classe iriam ver uma pontada de orgulho em saber que o filho aprendeu a andar com suas próprias pernas. Sabia onde pisava e eles os pais sabiam que quando crescessem iriam dar significativos exemplos por serem responsável por si e pelos seus atos. Nas patrulhas o Primeira Classe era respeitado. Quando havia mais de um então a patrulha sorria de orgulho.

                   Você conhecia o valor de um primeira classe na sede com jogos, com o tratamento aos demais e nos acampamentos. Bom demais vê-los nos acampamentos. Os campos de Patrulha eram perfeitos. As fossas, o fogão, os toldos, a mesa, as fossas, as construções rústicas, o pórtico as engenhocas eram orgulho de qualquer Chefe Escoteiro. Este não se aproximava. O campo de patrulha era deles. Os chefes ficavam a observar de longe e esperando o convite para uma visita. Eles sabiam o que estava acontecendo, afinal junto aos monitores e subs eles fizeram tudo isto, ensinaram e aprenderam. E as especialidades? Não era fácil conseguir alguma. Entre eles havia uma maneira de dizer que ali ninguém pregou na camisa alguma com “cuspe”. As mais procuradas eram as de acampador, construtor de pioneirías, cozinheiro, sinaleiro, bombeiro, observador, Técnico em orientação, socorrista e as mais comuns sempre vinham por último.

                    Não era fácil mesmo conseguir uma. Mas quando a gente duvidava perguntava: Esta especialidade Escoteiro, você está pronto a nos ensinar? Ele sorria e dizia: - Só for agora, depois não posso. Cada Tropa tinha seus instrutores de especialidades. Seu Joaquim pai do Jovi era bombeiro e era convidado. Seu Nelson era telegrafista e era convidado e assim por diante. Todos se compraziam em ajudar. Eles mesmo marcavam horas seja na sede ou em suas casas para adestrarem os escoteiros. A Primeira Classe era tudo, até me pergunto se não era mais que o Lis de Ouro. Sei que esta era o ápice de um Escoteiro, mas foi mais fácil conquistar. Claro que nenhum Lis de Ouro receberia sem ser um Primeira Classe. Mas entre todos os adestramentos escoteiros, não se podia esconder a jornada. Era demais. Já pensou? Você e um amigo seu fazer uma jornada de 24 horas sozinhos?

                    Época boa, não se via um pai ali com medo, duvidando do próprio filho, da sua força, do seu conhecimento. Não se via um pai ou uma mãe na sede na hora da saída dando instruções ao filho. Eles sabiam que ali estava um Escoteiro preparado e eles confiavam. Na chegada, o sorriso, o abraço e a pergunta rotineira: Como foi meu filho? Mas tudo isto acabou. Acabaram com os distintivos de Classe. Não pesquisaram, não perguntaram as tropas aos escoteiros, pelo menos ouvir a opinião de uma Corte de Honra. Disseram que era para melhor. Vieram novos programas, mudaram tudo. Sei que naquela época a maioria dos escoteiros ficavam na patrulha por longo e longo tempo. Hoje nem tanto. Naquela época havia orgulho da Lei da Promessa havia orgulho da Bandeira do Brasil da Pátria, havia uma motivação enorme para um acampamento de Gilwell perfeito.


                     Se hoje é assim também eu parabenizo. Mas desculpe qualquer prova de hoje, sem ser saudosista, sem ser um que foi e hoje relembra com saudades, minha Primeira Classe eu nunca vou esquecer. Pergunte a qualquer um daquela época, mesmo a Segunda Classe sonho para usar a faca escoteira, até mesmo o noviço, que ficava meses sem uniforme até estar devidamente preparado para fazer sua promessa escoteira. – À noite no acampamento, a fogueira acesa, as chamas altas e o Chefe pede atenção: - Escoteiros! Sentido! Hoje é dia de orgulho, dia que o Antônio Pedro vai receber sua Primeira Classe! Ele saltava a fogueira três vezes e sempre dizendo alto o seu novo nome escolhido índios brasileiros. Sua vida agora se transformava, ele sabia que seria para sempre um verdadeiro Escoteiro Primeira Classe por toda sua vida.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

De ilusão também se vive.


Conversa ao pé do fogo.
De ilusão também se vive.

           Nas minhas historias eu faço questão de colocar como devia ser o escotismo que acredito. Não falta a aventura, a natureza o sorriso e o companheirismo entre os jovens. Muitos dizem que o hoje não vai ser o ontem e o amanhã será tudo diferente. Pode ser verdade, mas o nosso Movimento Escoteiro não é feito de sonhos? De sonhar em ser um cavaleiro andante? De montar em uma águia e partir em busca da terra do nunca? Quantos ainda ficam dias sonhando para o próximo acampamento? Sonhando em viver na floresta, em subir em árvores, em construir um ninho de águia ou uma ponte pênsil? E cantar? Sim isto mesmo, cantar ao redor de uma fogueira contando “causos” rindo das piadas alegres, deixar os olhos seguir as fagulhas que brilhantes se dirigem para o céu? – Mas Chefe, isto ainda existe, de maneira diferente, pois hoje os jovens nem pensam como se pensava no passado. Será mesmo? Não seria nossa culpa? Aceitamos ou quem sabe impomos um programa que achamos bom por não acreditar que outros poderiam ser melhores? Afinal acabou a era dos Escoteiros sonhadores?

             Podemos analisar que nós os adultos falamos por eles sem consultá-los dos seus sonhos? É fácil levar meninos para o campo, ficar horas falando disto e daquilo, esticar uma corda para que um por um passe sob os olhos atentos do Chefe. Se for assim o tempo passou e o sonho desmoronou. Pergunto-me se um dia na hora certa, no lugar certo, em uma sombra de uma grande árvore quem sabe ouvindo os sons da floresta ou do bosque tão perto, ou o doce cantar de um regato ao lado, dizer a eles de supetão: Se preparem, pois vamos viajar pelas estrelas no céu azul! Fora do tempo? Eles estão proibidos de sonhar? Alguém pode pensar que não se cria sonhos com dezenas em sua volta, mas você e eu podemos sem sombra de dúvida começar com poucos. Quem sabe os monitores? Pense, continue pensando que você está com eles subindo uma montanha deixando que eles recebam o vento no rosto, que vejam ao longe o ribombar de um trovão e eles assustados não pensaram em se defender da chuva? Chuva? Bendita chuva que se cair irá criar na mente de cada um a vontade de se tornarem aventureiros audazes, e então por que não parar e contar uma pequena história? Criar em suas mentes que eles podem se safar com aquela chuva que os aventureiros de outrora souberam se safar?

      Tudo é tão simples quando pensamos que os jovens querem acreditar, querem ver, querem sentir, querem fazer e você meu amigo ou minha amiga é o espelho deles. O espelho que eles seguirão. Se meu conselho prevalecer não faça nada para estragar esta visão tão bonita. Deixe que eles viagem na imaginação. Acredite que a vida é um processo de maturidade e está só existirá se deixá-los subir a montanha e ver o que existe do outro lado. Tudo que você faz para criar a fantástica ilusão do sublime sonho mudará completamente a razão da existência dos jovens. Deixe-os sonhar, mas sonhar os pés no chão, fazendo, agindo e vivendo o que puderam criar. Faça exatamente como o Código Samurai – A perfeição é uma montanha impossível de escalar e ela deve ser escalada um pouco a cada dia. Sem perceber estamos discordando sempre destes sonhos em achar que eles são impossíveis de realizar.

             Ninguém vive sem ilusões, sem uma bela imaginação, sem criar uma fantasia ou devaneio. Que eles façam desta miragem a realidade que podem e devem criar. Aquele poeta não disse que a vida é feita de ilusões, mas não é das ilusões que saem os melhores momentos da vida? Não diga não aos sonhos deles e se eles não têm sonhos crie um para eles copiarem e aprenderem a fazer os seus. Todos os jovens querem viver o sonho de ser herói. Tiraram isto dele e nós podemos devolver este sonho mostrando a ele como fazer um escotismo aventureiro. Não aquele de uma fila interminável por uma estrada com você determinando aonde ir. Não tenha medo do que vai acontecer. Haja sim com cautela, mas sem tirar o espírito aventureiro. Lembre-se ali são eles os donos dos sonhos, os donos da aventura, você é um mero coadjuvante que tenta a sua maneira passar para eles o que um dia viveu. Agora o momento é único e você deve aplaudir isto.

            Ninguém gosta de sonhar e ficar acordando vendo o tempo passar. Ver o vento vir e ir sem ter ao menos possibilidade de tocá-lo. Sem saber o som da floresta, sem saber como é o orvalho da madrugada a cair suavemente no rosto. Sem saber o que os pássaros dizem sem sequer reconhecer o cantar do regato que lhe forneceu a água para sobreviver. Deixe-os ver o vento balançar as árvores, deixe que eles descubram o caminho a seguir, deixe-os descobrirem como podem viver sonhando com os pés no chão. Esqueça a modernidade por alguns minutos e sim pode se preocupar com as adversidades dos novos tempos, mas faça tudo para que eles andem sozinhos. Eles um dia não terão de fazer isto? Belas são as palavras de Kipling que escreveu um dia quem sabe para nós chefes – Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite... Deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo provado e do encanto reconhecido!

            Não vamos mais além, mas precisamos retornar aos sonhos que um dia os jovens tiveram, precisamos pensar que o mundo é como um acampamento em que montamos nossa tenda, e se podemos apreciar a natureza, e depois voltamos para a nossa casa que é a eternidade valeu a pena viver. Um dia li um comentário de alguém que nunca ouvi falar. Osho. Quem foi não importa, mas uma coisa eu garanto é um criador de ilusões a nos mostrar que o caminho para prosseguir é sonhar e acreditar em seus sonhos:

- Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.


Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Os tempos de Mowgly na Selva. Era uma vez... A embriaguez da primavera.


Conversa ao pé do fogo.
Os tempos de Mowgly na Selva.
Era uma vez... A embriaguez da primavera.

Pontos e contrapontos da Historia de Mowgly.

                    - Porque não morri nas garras dos dholes? Gemeu Mowgly. Minha força esvaiu-se e não foi veneno. Dia e noite ouço um passo duplo no meu caminho. Quando volto à cabeça sinto que alguém se esconde atrás de mim. Procuro por toda parte atrás dos troncos, atrás das pedras, e não encontro ninguém. Chamo e não tenho resposta, mas sinto que alguém me ouve e se guarda de responder.

                    Se me deito, não consigo descanso. Corri a corrida da primavera e não sosseguei. Banho-me e não me refresco. O caçar enfada-me. A flor vermelha está a ferver em meu sangue. Meus ossos viraram água. Não sei o que...
- Para que falar? Observou Baloo. Akelá disse que Mowgly levaria Mowgly para a alcatéia dos homens outra vez. Também eu o disse, mas que ouve Baloo? Bagheera, onde está Bagheera? Esta noite se foi? Ela também sabe disso, é da lei.
- Quando nos encontramos nas Tocas Frias, homenzinho, eu já o sabia acrescentou Kaa. Homem vai para homens, embora a Jângal não o expulse.
- A Jângal não me expulsa, então? Sussurrou Mowgly.
- Os irmãos Gris e os outros três uivaram furiosamente: - Enquanto vivermos ninguém, ninguém ousará...

                     – Mowgly lembrava quando se mudou da Alcatéia de Seone. É hora de parar de correr. Ele viu uma pequena cabana onde via uma luz. Cães latiram. Ele emitiu um profundo uivo de lobo, que fez os cães calarem e tremerem. Escondido nos arbustos Mowgly também tremeu. Por outro motivo. Conhecia aquela voz. Entendeu o que ela dizia. Lembrava bem. Quem está aí? Quem está aí? Mowgly gritou baixinho: - Messua! Messua! – Quem chama? Respondeu a mulher com voz trêmula. – Nathoo! Respondeu Mowgly. – Vem meu filho. Ela se lembrou. O acolheu, deu-lhe de beber e comer. Cansado Mowgly deitou-se e dormiu sono profundo. 

                     – Mowgly acordou e ouviu o irmão Gris chamando-o lá fora. Messua olhou para ele. Era um Deus da Jângal, reconheceu. Quando o viu sair abraçou-o. Volte sempre disse. A garganta de Mowgly apertou-se. Disse quase chorando – Voltarei – sim voltarei. Ele gritou com lobo Gris – porque não vieste quando o chamei? – Não foi tanto tempo assim, ainda ontem estávamos junto respondeu. Você sabe, o tempo das Falas Novas chegou não te lembras?

                    - Irmãozinho, que aconteceu? Porque estás comendo e dormindo na Alcatéia dos Homens? – Se tivesse vindo quando o chamei isto não teria acontecido. – disse Mowgly - E agora como será? Perguntou o lobo Gris – Ele ia responder quando viu uma mocinha trajada de branco em direção à alcatéia dos homens. Mowgly a seguiu com os olhos até ela ser perder ao longe. E agora? Perguntou de novo o Lobo Gris. Agora não sei... Respondeu suspirando. Lobo Gris calou-se. Mowgly também. Quando abriu a boca foi para dizer a si próprio: - A Pantera Negra falou a verdade. Disse que o homem sempre volta para o homem.

                       - Raksha, nossa mãe também disse. E Akelá na noite do ataque dos Dholes, e também Kaa, a serpente da rocha. - completou Mowgly. E tu irmão Gris, que disse tu? – Eles te expulsaram uma vez. Disse o Lobo Gris. Eles queriam te lançar na flor vermelha. Mandaram Buldeu te matar. São maus, insensatos. Foste admitido na Jângal por causa deles. - Para! Que estás dizendo? - - Lobo Gris respondeu - Filhote de homem, senhor da Jângal, filho de Raksha, meu irmão de caverna – O teu caminho é o meu caminho. A tua caça é a minha caça e tua luta de morte é a minha luta de morte.

                       Mowgly já tinha resolvido o que fazer. – Vá, disse – Reúne o Conselho na Aroca, irei dizer a todos o que tenho no meu coração.   
Em qualquer outra estação aquela novidade teria reunido na Roca o povo inteiro do Jângal; - Lobo Gris saiu pelas planícies chamando a todos. O Senhor da Jângal volta para os homens. Vamos à Roca do Conselho. Todos respondiam – Só no verão, venha você e ele cantar conosco! – Quando Mowgly chegou a Roca, encontrou apenas lobos irmãos. Baloo que estava quase cego e a pesada Kaa. – Termina aqui o teu caminho, homenzinho? Disse Kaa – Grita o teu grito! Somos do mesmo sangue, eu e tu, homens e serpentes!

                           Lembra-te que Bagheera te ama, disse ela por fim, retirando-se num salto. No sopé da colina entreparou e gritou: Boas caçadas em teu novo caminho, senhor da Jângal! Lembra-te sempre que Bagheera te ama. Tu a ouviste murmurou Baloo. Nada mais há a dizer. Vai agora, mas antes vem a mim. Vem a mim, ó sábia rãzinha! - É difícil arrancar a pele, murmurou Kaa, enquanto Mowgly rompia em soluços com a cabeça junto ao coração do urso cego, que tentava lamber-lhe os pés.


- As estrelas desmaiam, concluiu o lobo Gris, de olhos erguidos para o céu. Onde me aninharei doravante? Por agora os caminhos são novos...

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O terceiro Escoteiro escriba da Patrulha Lobo.


Conversa ao pé do fogo.
O terceiro Escoteiro escriba da Patrulha Lobo.

                  Um dia eu escrevi aqui dizendo que fui o Terceiro Escoteiro Escriba da Patrulha Lobo. Era assim no passado, pelo menos em nosso grupo o São Jorge. Um amigo passou a me chamar assim. Sinceramente gostei. Até me orgulhei. Fiquei pensando no passado quando todos nós apresentávamos a quem quer fosse dizendo sua posição na Patrulha. Era bom, era sadio, um orgulho danado e olhe não importava se fosse o primeiro ou o sétimo Escoteiro. O primeiro era o monitor, ainda indicado pelo Chefe, mas prevalecendo a antiguidade. O segundo era o sub monitor. O terceiro tinha seu tempo na patrulha e assim o quarto, o quinto o sexto e o sétimo. A formatura não se modificou. O Monitor à frente e o sub por último. Soube por fontes fidedignas que a maioria dos países onde tem o movimento Escoteiro se formam assim também. Nossa apresentação pessoal a chamado do Chefe era supimpa. Posição de sentido, olhando os olhos do Chefe, meia saudação e gritante a dizer: Chefe, o terceiro Escoteiro escriba da Patrulha Lobo se apresentando!

                   Um pouco militarizado? E daí? Isto dava um certo ar de importância para nós. Fico pensando os novos pensadores, os novos doutores em pedagogia, filosofia e tantos outros que abominam o regime militar. – Escoteiros? Nunca eles dizem. Eles tem experiência no tema? Vivenciaram? Fizeram pesquisas dos que assim procederam se deu ou não certo? Bobagem, eles só imaginam. Por causa de uma ditadura que também sou contra criaram raízes negativando o pseudo militarismo Escoteiro. Tudo bem podem dizer passado é passado, mas o que foram fazer os escoteiros no desfile olhe bem a palavra desfile no Ibirapuera este ano e em todos os anos anteriores? Escoteiros não marcham, andam com orgulho e cabeça em pé, não fazem ordem unida. Pamonha de chefia que não sabe o que diz. Desculpe o termo. Eu fui com orgulho o terceiro Escoteiro escriba da Patrulha Lobo. Gostava de juntar os cascos e me apresentar.

                   Era assim mesmo, nos orgulhávamos do que fazíamos. O intendente, o cozinheiro, o bombeiro lenhador, o construtor de pioneirías o aguadeiro o lenhador e tantos cargos criados da imaginação. Sempre tínhamos dois ou mais cargos na patrulha no campo e na sede. Havia um certo respeito entre nós. A patrulha tinha união. Éramos mais que irmãos. Pudera ficávamos anos quase sempre com a mesma função e ninguém reclamava. Sair? Nunca ninguém pensou ou pensava em fazer. Quando o monitor passava para seniores a gente até chorava. Havia reuniões na sede, em casa de cada um para tratar de todos os assuntos que uma patrulha deve tratar. Havia Conselhos de Patrulha, Conselho de Tropa e Corte de Honra. Só participei de uma quando fui a Sub Monitor e o monitor faltou. Fazíamos atas e eu me orgulhava da que fazia da patrulha. Onde você via um logo tinha outro e outro. Sete meninos metidos a homens como disse um pafúncio escritor ou cantor.

                    Uma vez recebemos uma visita de um Grupo Escoteiro de Nova Lima, cidade próxima a Belo Horizonte. Comandado pelo Chefe Dedé. Um parrudo Chefe do interior que foi anos mais tarde exonerado. Os motivos não vou dizer aqui. Que bonito quando chegaram mais de cem meninos, uniforme caqui, chapelão, uma banda de fazer inveja. O desfile deles e nós na cidade encantou todo mundo. Nos demos as mãos, acampamos na Ilha dos Araujos, local ermo arborizado hoje uma pequena cidade. Eles sempre sorrindo e nós também. Chefe João Soldado me chamou para fazer um relatório. Junto o Chefe Dedé. Melhor lembrar que ele naquela época já era Insígnia. Estiquei-me todo, juntei os cascos. – Chefe! Terceiro Escoteiro escriba da patrulha Lobo se apresentando. O Chefe Dedé me olhou, não se assustou. Ficou em posição de sentido e me saudou – Prazer Escoteiro, Chefe Dedé do Grupo Escoteiro Nova Lima. Orgulhoso em te conhecer! Fez uma continência, me deu a mão esquerda apertou, sorriu de tal maneira que nunca mais esqueci aquele momento.

                    Era uma patrulha de escol, nem melhor nem pior do que muitas que ficaram marcadas na mente dos velhos escoteiros de outrora e quem sabe dos novos de hoje também. Não sou militar, mas tenho admiração por eles. Erros todos cometem, sejam eles ou chefes escoteiros. Sinto que esta vazia tomada de posição, onde nada se pode fazer sem um ou outro a criticar, deviam primeiro analisar, ver o que deu certo ou não. Não fazer como hoje, muito palavrório, muita explicação, mas escotismo mesmo daqueles de BP quase nada. Escotismo é movimento, é campo, é acampamento. É perguntar a escoteirada o que eles querem fazer e orientar mostrando o melhor caminho a seguir. Não como muitos que postam em todo lugar: Escoteiros! Amanhã vamos plantar, vamos limpar a praça e mostrar que podemos ajudar. Sem críticas, mas perguntem primeiro e expliquem depois.


                    Apenas uma pequena história, do terceiro Escoteiro escriba da Patrulha Lobo. Fiz minha passagem e depois minha rota para os seniores. Até hoje estou dando meu Sempre Alerta. Orgulho de ser um como todos vocês. Se ainda pudesse pegava meu tarol ou meu tambor, engatava uma terceira e saia a marchar por aí. Ver o povo batendo palmas se orgulhando, ver os foguetes no ar saudado a marcha ou o tocar de um clarim. Mas por favor, não critiquem, pois em termos de acampamentos de grandes atividades aventureiras, de ter uma mente sã, amor no coração e orgulho de sua lei, não fico a dever nada a ninguém que foi ou é Escoteiro. Eu faço de tudo para que os jovens de hoje também tenham orgulho, pelo menos fiquem dois anos em uma patrulha não um só, pois tem aqueles que sabemos que nunca irão sair. Mas não seria tão bom que daqui a sessenta anos, eles ou elas orgulhosamente também pudessem dizer: - Eu sou o quarto Escoteiro Cozinheiro da Patrulha Águia. Com muito orgulho!  

domingo, 12 de julho de 2015

Orgulho de ser Escoteiro. Eu prometo, pela minha honra!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Orgulho de ser Escoteiro.
Eu prometo, pela minha honra!

                 Foi à semana mais importante na minha vida. Minha cabeça a mil. Sonhava com o próximo sábado e ao mesmo tempo meu corpo tremia. De medo? Claro que não. O Chefe tinha dito que nós escoteiros não temos medo. Mas sinceramente? Eu tinha sim. Seria um dia que ficaria marcado na minha vida para sempre. Afinal era o dia da minha Promessa Escoteira. Flavio me disse que eu estava pronto. Flavio é meu monitor. Disse que a Corte de Honra aprovou. O Chefe Gildo me chamou na reunião e disse – Sábado que vem você fará sua promessa. Acha que está pronto? Fiquei em duvida na hora. Sim Chefe. Eu estou pronto. Você conhece a Lei dos Escoteiros? Conheço Chefe, ainda não sei de cor, mas prometo que no sábado o Senhor pode perguntar. Direi todos os artigos.

             Passei a semana lendo, decorando, pensando e amando o que eu estava fazendo. Amava mesmo o escotismo. Na sexta fui para a pracinha do meu bairro. Ela era meu recanto favorito. Lá eu pensava em mim, na minha mãe, no meu pai e na minha Irmã Constance. Era o meu refugio. Agora estava voltando ao passado. Quatro meses antes. Eu os vi passando na minha rua. Fui atrás. Vi onde se reuniam. Adorei. Amei. Tinha de ser mais um. Minha mãe demorou a dizer sim. Meu pai trabalhava longe. O Chefe entendeu. Fui apresentado. Flavio me apresentou a Patrulha Leão. Todos me deram a mão esquerda. Não sabia o que era, mas nunca mais esqueci este dia.    

              Não parava de dizer na minha mente, não podia esquecer agora e nunca mais. “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para...”, e a Lei? Difícil. Muito difícil para entender tudo, mas eu consegui. Saber que tinha de ser leal, ter uma só palavra, ser amigo de todos, irmão dos demais, ser puro nos meus pensamentos. Que lei! Mas ia prometer que faria tudo para obedecê-la. Meu uniforme estava pronto. Não sei quantas vezes o vesti no quarto e me olhava no espelho. Gostava do que via. Estava perfeito! Seria um orgulho de mim mesmo!

             O sábado chegou. Tomei um banho pensando. Era meu dia. O mais lindo dia da minha vida. No meu quarto coloquei peça por peça. Bem passado. Meu chapéu perfeito! Ensinaram-me as dobras do meião. Era a primeira vez. Na tropa só podíamos vestir o uniforme a partir da promessa. Lá fui eu rumo à sede. Assoviava baixinho. “De BP trago o espírito, sempre na mente!” Adorava esta canção. A turma estava lá, patrulhas em seus cantos. Sempre Alerta meus irmãos! Abraços. Era assim nossa Patrulha. O apito do Chefe. Bandeira! Ferradura! As bandeiras tremularam ao vento! Subiram aos céus dos escoteiros! Uma oração. Eu a fiz. Meus olhos cheios de lágrimas.

              Chefe! Tenho um patrulheiro para a promessa! Traga-o Marcio. Lá fui eu a frente com o Marcio. – Marley! Você está preparado? Sim Chefe! Meu corpo tremia. – Sabes a lei Escoteira e entende o seu significado? Sim Chefe, e sem ele esperar falei uma por uma. Todos assustaram. Nunca ninguém disse assim. A tropa Escoteira está de acordo com a promessa do Marley? – Todos gritaram sim. – Flavio meu Monitor colocou a mão no meu ombro. - Chefe! Marley está pronto para fazer a promessa!  O Chefe me olhando disse: Levante a mão direita, faça a meia saudação e repita comigo. Interrompi. Chefe eu poderia dizê-la sozinho por completo Chefe? Claro. – Estava ali, orgulhoso e agora não mais tremia – “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para: - Cumprir o meu Dever para com Deus e minha pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer à lei do Escoteiro”!


                Que dia meu Deus! Incrível! O Chefe Monsanto colocou o lenço com as honras de praxe. O Chefe Gildo colocou meu querido distinto de promessa que seria meu para sempre! Meu Monitor colocou o distintivo de patrulha. O assistente da tropa entregou meu certificado. O mandei encadernar depois.  Agora era um Escoteiro promessado. Orgulhoso! Para sempre teria aquele dia na memória. O grito de Patrulha foi dado, abracei a todos com carinho, a tropa deu o Anrê. Que tarde linda, que beleza de vida! Como eu era feliz! Ser Escoteiro para sempre eu dizia para mim. Minha mãe apareceu, não sabia. A Mana também. Choravam de emoção. Dizer mais o que? Foi o meu dia, um dia que jamais em toda minha vida esquecerei! Orgulho de ser Escoteiro! Claro, para sempre!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Contar histórias é uma arte?


Conversa ao pé do fogo.
Contar histórias é uma arte?

Era uma vez... Em um país muito distante...

                          É bom demais contar histórias. Escoteiras é claro. Quantas eu contei? Milhares talvez! Hoje não mais. A velhice rabugenta e meu pulmão revoltado me tirou a voz. Eu me divertia quando contava, quando via a escoteirada ou a lobada me olhando com cara de incrédulo ou outros que se transportavam para dentro do conteúdo da história. Seus olhares me faziam feliz. Inesquecíveis. Uma história de fantasma, em uma floresta escura, um Fogo de Conselho se apagando e você fazendo gestos marca há todos para sempre. Bom demais. E o susto do grito de horror no final? Masoquista Chefe? Não, depende da história. Se ela tem um fundo de exemplos pode contar. Tem seu valor. 

                    “Não há quem resista a boas histórias” escoteiras ou não. Nas páginas dos livros, dos jornais e das revistas, na tela do computador e na televisão, narradas presencialmente ou transmitidas pelo rádio... Seja lá onde for elas encantam, amedrontam, fazem rir ou chorar, assustam e são capazes de levar, ainda que em pensamento há lugares muitos e muitos distantes. Não importa a idade. De um que se esqueceu de ir para o céu aos jovens que ainda sonham em histórias das mil e uma noites. Eu adorava contar historias para escoteirada e a lobada. Mas olhe tem chefes que adoram. Em cursos contei muitas. E quem resiste a uma história bem contada ao pé do fogo? Vendo o crepitar da fogueira, olhando como hipnotizado para as fagulhas que se espalham no céu, e como um lobinho feliz abre os olhos e ouvidos para ouvir e viajar na história que o Chefe ou um lobo está contando. A mente está ali fixa no conto, que vai desenrolar uma aventura e ele parte célere junto à história com as personagens. Pode agora ser um herói, um explorador, um grande acampador e naquela história tudo se confunde com sua vida e seus sonhos.

                   Dizem os historiadores que “Contar histórias é uma das mais belas ocupações humanas: E a Grécia assim o compreendeu, divinizando Homero que não era mais que um sublime contador de contos da carochinha” Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; só essa de contar histórias se dedica amoravelmente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida! Dizia Eça de Queiróz. Mas eu gosto de começar e terminar um conto. Um dia descobri as histórias das mil e uma noites. Conta à lenda que na antiga Pérsia o Rei Shariar descobre que foi traído pela esposa, que tinha um servo por amante. O Rei despeitado e enfurecido matou os dois. Depois, toma uma terrível decisão: todas as noites, casar-se-ia com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenaria a sua execução, para nunca mais ser traído.

 Assim procedeu ao longo de três anos, causando medo e lamentações em todo o Reino. Um dia, a filha mais velha do primeiro-ministro, a bela e astuta Sherazade, diz ao pai que tem um plano para acabar com a barbaridade do Rei. Todavia, para aplicá-lo, necessita casar-se com ele. Horrorizado, o pai tenta convencer a filha a desistir da ideia, mas Sherazade estava decidida a acabar de vez com a maldição que aterrorizava a cidade. E assim acontece, Sherazade casa-se com o Rei. O final? Risos. Só posso contar se um dia você ler o livro.

               Eu já contei histórias em muitos lugares que nunca imaginaria contar. Centenas de acampamentos, em montanhas altaneiras e picos incríveis. Em jangadas a descer um rio caudaloso, olhando o horizonte em um anoitecer charmoso. Em jornadas de sol ou de chuva, em belos encontros de chefes, em volta de uma fogueira esquentando na liturgia da Conversa ao Pé do Fogo. Sei que Influencias diversa me colocaram em fábulas reais ou imaginárias. Garatujo muitas baseadas em fatos autênticos, outras com uma pequena dose de ficção deixando no ar o gostinho da dúvida – Será que foi ou não verdade? – Nem sempre elas trazem um final feliz. Chorar também é bom dizem os poetas. É o meu estilo de escrever. Minha biografia escoteira e pessoal foi cheias de episódios, momento alegres, alguns com desfechos nem sempre felizes, mas que valeram cada minuto vivido. Todos eles ficaram marcados na memória. Alguns legítimos, outros apócrifos, e outros... Ah! Nestes casos ficam anotados na mente, com espaços ilimitados gravados em micro chips humanos, como recordação para a posteridade. Desses não esqueço nunca. Outros nem tanto. Um amigo já me disse que preciso fazer um backup da mente para nada se perder no tempo quando me for.

              Alguns contos ou narrativas são flashbacks que surgem do nada e com final feliz ou desfechos um tanto tristonhos, mas que fazem parte da vida e da história da humanidade. Importante saber que todos nós temos sempre uma história para contar. E se pudéssemos montar nossas biografias com fatos e feitos ocorridos, teríamos um volume imenso em paginas impressas no imaginário livro da vida. E você? Ainda não tentou contar uma história? Um fato acontecido que você nunca esqueceu? É tão fácil,  comece a escrever, coloque uma pitada de sal, se possivel duas pimentas, uma cebolinha e uma dose de chimarrão ou café ou mesmo mate. Leve ao fogo lentamente. A conversa ao pé do fogo vai sair, quem sabe vai fazer você vibrar. Comece não se preocupe ainda com o recheio. O início amedronta, mas o final e fantástico. Escotismo é assim, cada acampamento, cada jornada, cada excursão são como se fossem centenas de páginas de um livro ainda não escrito da sua vida, só falta você para fazer à personagem viver! E lembre-se: “Boi não é vaca feijão não é arroz”... “quem quiser que conte dois”.


              Eu sei que um dia não estarei mais aqui para contar histórias. Ninguém é insubstituível. Outros irão me substituir e quando eles se forem outros e outros irão aparecer. Espero que os contadores de histórias façam reviver o escotismo puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações. O melhor da história é saber que gostaram. Fico feliz quando sei que colaborei para um sorriso, para uma lágrima perdida nas histórias da vida. Meu muito obrigado a todos os leitores que eu levarei no meu coração para onde for! 

terça-feira, 7 de julho de 2015

“Boas ações dignificam o caráter!”


Conversa ao pé do fogo.
“Boas ações dignificam o caráter!”

                             Paulo Coelho acertou em cheio ao definir a ajuda ao próximo como ajudar a si mesmo. Diz ele – “Cuidado com as palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com as suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com os seus atos: eles moldam seu caráter. Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino”. Acredito que tudo começa pela boa ação. Um poeta dizia que as causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações. É isso mesmo. Tudo na vida se diz que é um hábito de comportamento. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião nos mostra que devemos ajudar e ser bons para os outros. Baden Powell foi firme ao dizer que o dever de um Escoteiro é ser útil e ajudar o próximo. Simples assim. Acredito que ele se baseou na figura de São Jorge e dos Cavaleiros Medievais. Eles diziam que era preferível morrer honesto a viver envergonhado e que o cavalheirismo requer que o jovem seja treinado para que possa realizar serviços complexos ou simples com alegria e bondade, e para ao bem do próximo. (vide café mateiro – blog).

                               Desde os primórdios que o escotismo foi implantado no Brasil que a boa ação é sinal de que escoteiros estão em atividades. Especificar o que as escrituras dizem sobre isto é alongar muito. Mas até hoje a ajuda ao próximo é considerada como condição importante para qualquer cidadão honesto. O Escoteiro aprende desde o primeiro dia que a sua boa ação diária irá fazer parte por toda a sua vida. Afinal um dos artigos da nossa Lei diz que o Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica todos os dias uma boa ação. A boa ação eu acredito ser o melhor marketing que nos marca na comunidade. A história da velhinha atravessando a rua ajudada por escoteiros tem e terá suas versões ampliadas ainda por muito tempo. Eu não duvido e tenho certeza que os escoteiros de todo o mundo inclusive em nosso país fazem da boa ação uma obrigação se não diária quem sabe semanal. Acredito também que a maioria das tropas devem ter bons programas para incentivar este habito tão salutar.

                             Lembro quando Escoteiro que nossa MOEDA DA BOA AÇÂO era sagrada. Bolso esquerdo sem fazer. Bolso direito feita. E o NÓ NO LENÇO? Pontinha com nó sem fazer, pontinha sem nó feita. Mas não era só isto. Tínhamos uma bandeirola que ficava abaixo do totem. Se chamava “BOA AÇÃO“. Quando a Patrulha ainda não tinha feito sua boa ação coletiva, a bandeirola era amarrada ao bastão de cabeça para baixo. Para cima sinal que tínhamos feito. Nas inspeções diárias no inicio da reunião era escolhido um Escoteiro aleatoriamente para contar sua boa ação do dia. Aplausos silenciosos para as boas ações “mixurucas”. No nosso programa anual da tropa constava sempre uma boa ação dela. Discutíamos em Patrulha o que fazer. A Corte de Honra definia o que. Ir a uma casa de menores abandonados, limpar a área, brincar com as crianças fazendo jogos que conhecíamos (separávamos também em Patrulha os meninos) e tinha outras que adorávamos. Ver nosso parque da cidade em perfeito estado de conservação. Sim, tínhamos adotado um parque. Ali tinha nossa placa. Parque Tropa Escoteira Cruzeiro do Sul.  Foi uma época que nunca esqueci. Lembro-me do “Troféu Boa ação!”. Uma bandeirola de couro verde escrito a fogo – Primeiro Lugar em boas ações. Que orgulho colocá-la no bastão da patrulha.

                                 Sei que eram outros tempos e agora nesta época vertiginosa da modernidade, onde a juventude talvez nem pense nestas coisas, quem sabe poderá surgir alguma boa ação virtual. Não sei. Não sou bom nisto. Não sei como fazer boa ação teclando aqui. Mas deve ter chefes ou dirigentes que podem sem sombra de dúvida colocar nas etapas escoteiras a BOA AÇÃO VIRTUAL. Eles não inventam tantas coisas? Vivendo e aprendendo. Claro que acredito e sem sombra de duvida na formação e no aprendizado Escoteiro que é feito lá na tropa, e também acredito que deve ser uma obrigação nossa fazer com que os escoteiros, escoteiras, seniores e guias sejam iniciados nesta arte tão salutar. Só assim isto poderá vir a ser um hábito de comportamento, tão útil para formar homens e mulheres no que esperamos deles. Honra, caráter, ética e trabalho ao próximo. Afinal ajudar os outros faz parte da lei, faz parte da nossa formação escoteira e isto é insubstituível.

                   Já diziam os poetas que “Aquilo que você faz, fala mais alto do que aquilo que você diz”. O que você plantar hoje certamente colherá amanhã. Já disse um sábio: “Plante uma ação e você colherá um hábito. Cultive o hábito e você desenvolverá um caráter!”. E não esqueça, qualquer mudança nos seus escoteiros depende de você. Se der o exemplo então você vai fazer a diferença. Ficar naquela máxima de façam o que eu digo e não façam o que eu faço não é próprio e digno de um Chefe Escoteiro.


                     Boas ações. Sim, não duvidem. Sem elas não existe escotismo. Afinal não são elas que todos dizem que dignificam o caráter? 

domingo, 5 de julho de 2015

O inesquecível Grande Uivo.


Conversa ao pé do fogo.
O inesquecível Grande Uivo.
    
“GRANDE UIVO significa uma forma de mostrar que os Lobinhos estão prontos para obedecer às ordens do Akelá e, mais do que isso, fazê-lo da forma Melhor Possível! Assim, é também uma maneira de reafirmar a sua Promessa e dar boas vindas aos visitantes ou uma data festiva”.

                          Não! Claro que não. Não vou ensinar como se faz grande Uivo. Nunca! Não vim aqui para isto. Só quero contar o que senti na primeira vez. Ou quem sabe muitos aqui que estão lendo este artigo sabem o que quero dizer. Acredito que mesmo a Akelá, o Bagheera, o Balu, a Kaa e tantos outros que são os irmãos mais velhos dos lobinhos devem também sentir quando o Grande Uivo é realizado. Muito ainda não sabem a importância desta cerimonia em sí que por sinal é linda. Talvez a mais linda de tudo que o movimento Escoteiro e a mística da Jângal nos oferecem. Pode até ser que se compare a uma investidura pioneira nos moldes do passado. Claro talvez não como eu vi os pioneiros há muito tempo atrás, no fundo de uma gruta brilhante a luz de velas, estalactites mil, lá para os lados de Lagoa Santa em Minas em uma caverna ainda inexplorada, mas isto é outra história e não interessa aqui.

                             É incrível ver a face dos lobinhos, das lobinhas quando pela primeira vez fazem o Grande Uivo. É inesquecível. Os olhos? Brilham mais que a luz das estrelas. A face fica corada, o corpo tremendo, e quando entram no círculo e ficam naquela espera angustiante para saber que vai representar os lobos, é de tirar o fôlego. O olhar da Akelá, a perscrutar aqui e ali quem seria o escolhido. O seu olhar de seriedade, o seu sorriso o piscar de olhos e pronto. Escolheu! E ela com sua voz meiga, simpática, amiga e todos a olhando como se estivesse na Roca do Conselho, lá em plena gruta na caverna dos lobos, ela firme no centro do círculo com o felizardo já escolhido que sorri de felicidade diz olhando para ele: Melhor! Melhor! Melhor e melhor?

                        Se você já foi um deles, se você está presente sempre nesta cerimonia, se você sente aquele amor que os lobos têm por aquela cerimônia, então pode ser que vá perder o fôlego como eu faço sempre. E o final daquele momento culminante marca. Eles saltam no ar, como se fossem voar, e com aquela força própria de lobos corajosos, dizem – Simmmm! Melhor! Melhor! Melhor e melhor! Meus amigos, nesta hora sentimos o chão tremer. O coração bater. E aí, o vento começa a soprar, o sol se sente embaraçado e se é noite de luar, fica aquela bola grande brilhante no céu dançando ao redor dos cometas que também dançam com aquele espetáculo inesquecível. Se fossemos eternos sonhadores veríamos os pássaros se aproximar e cantar sobre a Alcatéia numa homenagem aqueles lobinhos e lobinhas maravilhosos.

                    Uma mística que vem lá de dentro da Jângal. Uma mística que não acaba. Que não cansa. Que dá alegria e todas as vezes que é realizada os lobinhos saltitantes se preparam com amor. O Grande Uivo tem um valor inestimável. Lobo! Lobo! Lobo! - Lôoobooo! Hora de formar, hora de gritar! Melhor? Melhor? Melhor? E melhor? Correr, brincar e olhar para o Balu quando ele gritar: - Caça livre! Da vontade de voltar no tempo novamente e começar tudo de novo.


                       - E, nunca esqueço aquele dia, problemas mil a matutar como resolver; eu sentado na escada da sede, pensando como fazer e eis que a minha frente aparece uma lobinha sorridente, linda no seu uniforme azul seu lenço bem postado boné de lobo, firme como uma rocha; e eis que ela fica em posição de sentido e diz com aquela voz infantil que conquista qualquer um: – Melhor Possível Chefe! Assusto-me, olhos nos olhos, o que dizer? Fiquei em pé rápido, juntei os “cascos” e em posição de sentido e respondi – Melhor Possível jovem lobinha. Ela saiu sorridente e eu pensando que meus problemas eram insolúveis! Ah! Estes lobinhos maravilhosos e suas maravilhosas poses e sorrisos!   

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Porque não temos prestígio?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Porque não temos prestígio?

              É uma boa pergunta. Quem sabe todos que estão lendo esta crônica tem a resposta na mão. Ficamos sorrindo quando vemos a foto ou a noticia em outros países de presidentes, reis rainhas, ministros e grandes personalidades sorrindo, cumprimentando o Escoteiro e até muitos deles com orgulho envergando o uniforme. Cada país tem sua peculiaridade e atingem a meta programada do marketing que planejaram. O escotismo tem uma história em todos os lugares onde existe. Muitas destas histórias são contadas de pai para filho e isto vem mantendo a chama Escoteira que parece nunca se apaga. São homens responsáveis por grandes empresas, figuras importantes nos meios educacionais e políticos que um dia vivenciaram o escotismo nos padrões badenianos. São do primeiro mundo? Não, tem países até do terceiro e do quarto mundo se é que assim podem ser chamados que mesmo em menor escala são prestigiados? Não é o que acontece conosco. Somos completamente desconhecidos a não ser quando alguém diz sem querer Sempre Alerta e lembram-se do Escoteiro que atravessa a velhinha na esquina. Alguns até se arriscam a dizer: Aqueles do Chapelão?

              Estamos sendo esquecidos e poucos de nós estão preocupados. Ou será que estão? Tivemos dois Jamborees e ambos com menos de 5.000 participantes não tivemos um apoio fantástico de marketing. Dá pena quando vemos algum programa e ali sempre a mesma rotina: - Estes são os lobos, gostam de brincar e enturmar. Estes são os Escoteiros e Escoteiras. Armam barracas (sempre tem três ou quatro armando barraca) gostam de cantar, sabem seguir a pista e etc. e coisa e tal. Pergunte a um pedagogo de uma grande universidade brasileira, pergunte ao reitor ou ao Professor sobre o escotismo. Ele dará um sorriso e dirá: - Parece que são coisas de meninos metido a homens comandados por homens metido a menino! Nos dias de hoje é ganhar na mega sena ver na TV ou nos jornais ou mesmo em rádios de presença nacional comentando sobre o movimento Escoteiro.

              Poderão me dizer que existem exceções. Existem sim. Algumas cidades tem uma boa estrutura de Marketing e obtém apoio para o Grupo Escoteiro. Infelizmente a politica de continuidade não é bem vista por políticos brasileiros, pois muitos dos que apoiam são substituídos e adeus ajuda dos órgãos governamentais da cidade. Soube que um grande programa de Escotismo nas Escolas foi colocado em ação em um estado no norte do Brasil. Em dois anos o efetivo quadriplicou. Cursos, palestras, idas e vindas dos membros diretores da UEB e de repente mudou o titular no estado e tudo foi por água abaixo. Que segurança é esta? O porquê disto? Sei que você que está lendo tem a resposta na ponta da língua. Mas olhe, alguém tem culpa. O Chefe? O distrital? O Presidente da Região? O Presidente Nacional? Afinal mudaram tudo. Mudaram nossa maneira de ser, mudaram o programa dos jovens. Não satisfeitos mudaram muitas de nossas tradições. Hoje o que se vê é uma alta evasão que corroem tudo aquilo que poderia dar certo no futuro.

             Sempre os que estão na alta cúpula dizendo que fazem uma revolução Escoteira, que seremos mais bem vistos na sociedade brasileira nos próximos anos. E o que vem acontecendo? Empacamos. Não crescemos. Poucas unidades locais fazem um escotismo de qualidade e quase não conseguem manter por anos seus jovens na senda Escoteira. Ano a ano vem um se explicar, dizendo que devemos acreditar que vamos seguir a trilha do sucesso. É só esperar. E a gente espera. Sentado, andando, dormindo e acampando. E nada! O que vemos é uma politica escoteira que não chega a lugar algum. Aquele escotismo de raiz, simples na sua lida, gostoso de se fazer se complica. Se tornou um movimento fechado, onde o voluntário não tem o valor devido. Sei que o mundo brasileiro hoje não é o mesmo da década de cinquenta, sessenta setenta ou oitenta. Mas jogar para o alto tantas coisas que lutamos para fazer e ser reconhecido como um movimento educativo não está dando mais resultados.

               Pelo menos no passado alguns lideres nacionais, em posições de relevo davam seu testemunho para o movimento Escoteiro. Hoje? A UEB se esforça em criar uma frente parlamentar Escoteira. Pelo menos alguns deles já deviam estar fazendo marketing para o escotismo. Mas nada acontece. Quantas reuniões fizeram? Mas cá entre nós, não vamos esperar muito, são políticos e esta safra de políticos de hoje não se pode confiar. Deveria haver uma linha de ação, não esta cheia de papos furados, cheias de palavras vazias, que não deu certo em nada até hoje. Mas podemos participar dando sugestões? Podemos liderar uma cruzada em prol de uma ideia para ser discutida e posta em prática? Não! Tente isto sem ser um deles  e você será admoestado ou melhor levado a uma comissão de ética. Arre! Me dá coceiras só em pensar nela. Escotismo, amor, fraternidade, igualdade, lealdade e alguém vai ser julgado? Chefe! Ele merece! Bem se merece chamem alguém tipo Salomão e diz: Amigo querermos você, mas vamos dialogar se você está errado ou não. Se estiver quem sabe é melhor entregar seu cargo e vá com Deus.

              Eu já disse e repito. Onde estão àqueles profissionais Escoteiros de outrora? Quando digo profissionais são homens preparados e adestrados para o que devem fazer. Alguém sabe se ouve ou vai haver uma grande cadeia nacional para discutir o porquê não estamos crescendo? É função só do DEN ou quem sabe estas comissões criadas que ficamos pensando para que serve além do que já se sabe. Como parar com a evasão que assola o movimento? Como fazer que o Chefe antigo ou o voluntário novo não nos deixe na mão? Como ser recebido por uma autoridade se apresentando como um verdadeiro Escoteiro, bem uniformizado, sabendo o que vai ouvir e falar? Nada disto a gente vê. Quando muito vem um que já se acostumou e quem sabe pretende ser um dos politicamente corretos a dizer: - É um regime representativo, quem eu votei tem meu voto de confiança! Outros dizem que esta dialética politica entranhada no escotismo onde uma pequena facção foca somente as mazelas e culpa as lideranças por tudo não leva a lugar algum. Todos tem o direito de espernear. Mas pergunte sempre: Onde estão os resultados?


                 Dizer que poderíamos ter outro regime representativo; que um sistema de consultas frequentes nas unidades locais de temas atuais; que a criação de um órgão regional e local para manter discussões de assuntos de interesse Escoteiro nacional, participando democraticamente, elegendo uma diretoria que represente suas ideias. Isto ninguém quer aceitar. Todos estão focados no que existe e ninguém quer mudar. Nunca aceitam ou mesmo fazem um mea-culpa do porque não temos representatividade ou porque não crescemos. Acham que este sistema é o melhor para nós. Verdade ou não, só o cego que conduz outro cego sabe que vai cair uma hora ou outra. Vejam em termos nacionais o que somos e onde anda nosso prestígio. Não pense que seu grupo seu estado vai de vento em popa. Somos um plêiade de homens e mulheres com o mesmo objetivo. Mas para alcançá-lo precisamos de todos. Do lobinho ao Presidente ou Presidenta do Brasil!