Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Bandeira do meu Brasil! Uma homenagem ao dia da Bandeira.


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Bandeira do meu Brasil!
Uma homenagem ao dia da Bandeira.

Bandeira minha, de encantos mil, imagem linda do meu Brasil!
Quando te vejo bandeira amada, graciosamente assim hasteada,
E minha boca ainda infantil, fala bem alto, viva o Brasil!

                Tudo no escotismo é maravilhoso. Os acampamentos, a marcha de estrada, a fogueira crepitando, o nascer e o por do sol. Mas para mim o cerimonial de bandeira marca. Ali é onde o valente Escoteiro treme. Não é um tremor de medo e sim de honra e orgulho. Convidado ele olha para o monitor, o Chefe e parte como se fosse fazer um ato que ficará gravado em sua história escoteira, onde irá contar para seus pais, seus amigos o dia que foi privilegiado e escolhido para hastear ou arriar a Bandeira do Brasil. É um cerimonial realizado em todos os Grupos Escoteiros do mundo.  No inicio e no fim das atividades Escoteiras lá está ela lembrando que nossa pátria é nossa morada. Eu não sei mais de quantas cerimônias eu participei. Para mim e meus irmãos Escoteiros é um orgulho e uma honra estar ali, uma honra múltipla ser escolhido entre muitos para o líder do cerimonial. Seja em um hasteamento ou arreamento. Não importa onde seja, na sede ou no campo, no mastro ou arvorada sempre é um espetáculo que ninguém esquece.

                 Cada país, cada grupo costuma ter seu cerimonial próprio, mas inigualável. Ali em ferradura, em círculo, com a saudação Escoteira o objetivo é sempre o mesmo, elevar aos céus nosso amor à pátria. Não importa se ela sobe ou desce por um só Escoteiro ou lobo, por dois e já vi até três com sua bandeira no cerimonial. Já vi um Grupo Escoteiro que ela sobre enrolada e ao meio mastro ele se abre como se o vento a tocasse para ela mostrar todo o seu brilho. Tem aqueles que sobem ou descem devagar, tem outros que ela sobe ou desce por parte do cabo. Uma vez vi um cerimonial de Escoteiros do mar. Foi lindo, Enquanto ela subia um silvo de um apito de marinheiro se fazia ouvir. Quando jovem ainda existia na prova de Segunda Classe saber  desenhar, conhecer sua história e quem foi seu idealizador. Saber o que representa as cores é fácil. Difícil é desenhar.

                  Todos brasileiros sabem que o verde simboliza a pujança das matas brasileiras, o amarelo as riquezas minerais do solo, o azul o céu e o branco a paz. As estrelas os estados brasileiros, dizem que a frase “Ordem e Progresso” teve a influência de Augusto Comte, filósofo francês. Mas desenhar a bandeira me tirou o sono por muitas noites. É fácil? Tente e depois me diga. Você sabia que para calcular a bandeira toma-se por base à largura desejada? Esta é dividida em quatorze módulos iguais. O comprimento será de vinte módulos, a distante dos vértices do losango amarelo ao quadro externo será de sete décimos. O círculo azul no meio do losango terá um raio de três módulos e meio. O centro dos arcos da faixa brancas estará dois módulo a esquerda do ponto de encontro do prolongamento do diâmetro vertical, do círculo com a base do quadro externo. O Raio do arco inferior da faixa branca será de oito módulos e meio. A largura da faixa branca será de meio módulo. Chega, estou tremendo, já fiz, mas hoje? Ainda falta os módulos da largura da faixa branca, da posição das estrelas. Um estresse grande para quem não é bom matemático.

                   A bandeira tem normas, horas de hastear e arriar, A lei número 5.700 de primeiro de Setembro de 1971 define tudo sobre ela. As normas protocolares dos diversos órgãos governamentais e das Forças Armadas, embora divirjam nos detalhes concordam na maioria dos procedimentos. Mas não vou muito longe. O que sei é que todos nós Escoteiros temos um grande amor pela bandeira. Nosso respeito, nosso amor não tem como explicar. Dobrar, guardar ou preparar para as solenidades nos faz sempre ter um carinho enorme, ter noção da sua importância e quando somos os escolhidos muitas vezes temos medo de errar. Já vi chefes tremerem, já vi chefes assustados com a bandeira virada, já vi chefes correndo para corrigir seus Escoteiros e lobinhos, mas eu nunca fiz isto. Sou daqueles que só se aprende a fazer fazendo. Quem não erra nesta vida? Tão fácil dizer – Firme! E consertar? Deixai os jovens na bandeira sorrir, a ver ali seu orgulho de ser brasileiro!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!


Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha 
Brasil, talvez.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Rio Doce, Onde tudo começou. Mataram o meu rio e parte da minha história.


Rio Doce, Onde tudo começou.
Mataram o meu rio e parte da minha história.

                       - É muito triste quando o ser humano usa o que poderia ser bom, para destruir o próximo e sua autodestruição, impondo medos... No momento que algo vira discussão e desrespeito, já não existe mais nada ali, a causa e a verdade para que nos propusemos a lutar em união, não tem mais o porquê... Se tentarmos ajudar, praticar algo que nos foi ensinado de bom... Nos tornamos alvo... Tudo que existe um sistema e interesses não existe seres humanos e natureza.... Existe destruição e o meu coração chora e grita, pois gostaria de salvar o mundo e todos os seres vivos... Mas o ser chamado humano tem escolhas e a maioria prefere sempre usar o pior lado... Não compreendem que o resumo de tudo é a nossa evolução espiritual, o amor e o perdão.

                       - Somos preto e branco, pois os dois é preciso, para agir com amor e razão, para o nosso equilíbrio... Nada pode ser demais, pois sofremos... Não podemos modificar tudo, pois sofremos... Mas só sofremos quando esquecemos que temos que amar sem esperar e dar amor para os que realmente querem amor... Ajudar, tentamos... Mas não são todos preparados para ajuda, pois precisam ainda se ajudar... Ninguém vê o seu coração de verdade... Só a capa que vai voltar para Terra. Abençoados sejam ♡ nunca podemos regredir por sombras que só usam quem quer ser usado para nos abalar. Sejamos a cura para o nosso planeta. (MC Beth - livro natureza desconhecida)

            Mataram o meu rio e parte da minha história, mas não mataram minhas lembranças. Elas irão existir para sempre. O homem sempre o homem a destruir a quem sempre deu a ele a alegria de viver. Linda Natureza, é lamentável que a estejam destruindo! Mais lamentável ainda por aqueles que nascerão e não terão a chance de conhecê-la em toda sua essência e plenitude. Onde está o rio que tanto amei? O rio que me fez Escoteiro, o rio que deu de beber a um Escoteiro e sua patrulha, que alimentou com seus peixes, com seus pés de ingás, com suas goiabinhas chinesas? Com suas lindas corredeiras para contar histórias? Onde estão às cavernas do São Raimundo que tantas vezes dormimos ou em suas praias próximas a Aimorés? Onde estão as piteiras que nasciam na Ilha dos Araujos em suas margens nos dando a benção de fazer belas jangadas para o rio atravessar? Ah! Rio Doce que nunca vai sair da minha memória.

             Brincando de mocinho e bandido, nas suas margens pusemos para correr os valorosos soldados do nosso exército invencível, usando a astucia de uma abobora feiticeira a balançar nas suas águas límpidas e belas muito acima do Riacho Grande. E meus amigos índios de Crenaque? Onde vão pescar? Onde irão contar suas histórias em volta de fogueiras toscas na beira do rio a lembrar de seus antepassados? Dói fundo. Saber que nunca vou esquecer com nossos bólidos de aço a margear a estrada de ferro procurando aventuras, atravessando pontilhões enormes com medo dos milhares de vagões gritantes a passar. Fervendo água para nos lavar nas noites frias e soturnas dos belos acampamentos em Derribadinha, Conselheiro Pena ou na cidade onde nasci – Barra do meu Cuieté!

              O que vai ser da minha cidade onde cresci? Onde o escotismo meu deu vida, me deu canoas, me ensinou a fazer jangadas no Curtume do Gato Preto junto aos valorosos companheiros de jornadas. Valadares... Governador? Não o conheci, mas amava minha cidade. E lá na Pedra do Ibituruna olhar a cidade ver o rio serpenteando em sua volta, sorrindo para os que queriam pescar. Que subida meu Deus! Patrulha! Amanhã é as cinco, vamos descer o rio de jangada. Supimpa. Sem lugar para parar. O dia inteiro a navegar. Governador Valadares que me deu o sonho Escoteiro, Grupo São Jorge, lenço verde e amarelo, amor no coração a descobrir que a vida escoteira tem valores que só quem vive quem sabe onde pode chegar... Na sua palavra, na sua ação, no seu caráter e na sua vontade de ser mais alguém a agradecer a Deus por estar ali com companheiros, escoteiros como eu. Ah! Meu Nosso Senhor levai para longe o barro que invadiu e destruiu parte dos meus sonhos de amor ao Rio Doce.

                Helinho, Israel, Tãozinho, Chico, Darcy e Fumanchu e eu. Bolinha ou Vado escoteiro. Esquecê-los? Nunca mais. E o Fumanchu? Como era o nome dele? Tonhão? Cozinheiro de primeira pescava e cozinhava um peixe com farofa de milho como ninguém. Tudo pescado nas frescas águas do meu Rio Doce ou adjacentes. Não dá para esquecer o Tatu bola que passamos dois dias nas margens de Resplendor para pegar. Ninguem queria matar. Uma dó danada. Chiquinho dizendo que a carne era saborosa. Israel pegou o facão. Casca dura, procurar um lugar para enviar sua faca escoteira. Alguém gritou! – Olhem é uma “onça pintada”. Pimba! O tatu aproveitou e se foi. O Terceiro Escoteiro da Patrulha Lobo ainda lembra afinal uma historia escrita nos contos da vida. Linda de morrer, seu totem passeou por todo o rio que hoje está a morrer... Se já não morreu. Adianta dizer aos homens para não destruir em poucos dias o que a natureza levou milhões de anos para construir? Nunca mais, nunca mais vou ouvir o som das cotovias embaixo do pontilhão de Derribadinha. Nunca mais mataram o meu rio. Mas nunca matarão minhas lembranças!

“A vida dos animais e de toda a natureza”. não pode ser destruída pelos humanos.
Como podemos ignorar e destruir tamanha beleza e perfeição?
Não temos o direito de matar, seja para a nossa alimentação, vestimenta,
dinheiro, poder ou lazer. Destruindo a Natureza estamos automaticamente nos destruindo. Somos filhos da Natureza e nossos irmãos são todos os seres que aqui dividem esta vida. Lagrimas caem dos céus a cada ato insano
dos humanos que a cada dia vendem a sua alma atrás do sucesso.

Por um despertar da consciência de cada um.
Por uma forma de viver mais digna e correta.
Mesmo estando aqui só de passagem,
temos por obrigação fazer o bem.

domingo, 15 de novembro de 2015

É possível viver em harmonia como irmãos?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
É possível viver em harmonia como irmãos?

Diversos países têm duas ou mais Associações Escoteiras funcionando irmãmente. Pelo que ouço falar e pelo que leio elas vivem em harmonia dentro dos princípios do respeito, da Lei Escoteira que dizem sermos amigos de todos e irmão dos demais. Portugal é o exemplo mais notório. Há um respeito mutuo e ninguém quer ser maior que ninguém. As atividades nacionais são compartilhadas. Nenhuma delas se intitula proprietária, dona ou possuidora dos direitos do nome escotismo. A União dos Escoteiros do Brasil não admite outra associação no país. Tudo fez para que elas desistissem, seja através de alguns politicamente corretos que disseminaram por suas localidades que estas associações devem ser vista como desagregador do escotismo. Alegam que a UEB tem leis tem direitos inquestionáveis. Afirmam ainda que elas não têm respaldo internacional. E para culminar moveram uma série de processos contra elas e além de várias unidades Escoteiras e seus os adeptos que com todo direito resolveram fazer escotismo fora das asas da UEB. Direito absoluto e incontestável.

Todas elas foram criadas dentro do espirito e método que nosso fundador estabeleceu. A Associação Escoteira Baden-Powell, (AEBP), a Federação dos Escoteiros Tradicionais (FET), a Liga dos Escoteiros tradicionais (LET) a Organização dos escoteiros Florestais (OEF), e podemos considerar também a Associação dos Escoteiros Independentes (OEI) que não tenho certeza se ainda existe lutam por um lugar ao sol. Não vamos esquecer os Desbravadores e as Bandeirantes do Brasil. A UEB não admite nenhuma destas associações. Julga-se proprietária de tudo que diz respeito ao escotismo. Abriu de norte a sul do país processos judiciais para a maioria delas. Pelo que sei e pelas informações que recebo a UEB não tem tido sucesso em seu intento. Tem sido derrotada em todas as instancias até agora. O gasto muito com tais processos pagos pela UEB ainda não foram abertos aos seus associados. O pior é que sabemos no final muitos irão pedir ressarcimento e quem sabe indenizações pelas acusações indevidas. Vejamos o que diz a UEB em seu site oficial:

- A União dos Escoteiros do Brasil, nos últimos anos, tem enfrentado grande proliferação de associações que, de forma clandestina (?) afirmam-se praticantes do escotismo. Com tal conduta, em claro desrespeito à legislação brasileira, (juízes de diversas instâncias negaram tal afirmação) fazem uso de expressões típicas tradicionalmente utilizadas pela UEB. Tratam-se de marcas com registro no órgão brasileiro oficial, responsável pelo depósito e registro de marcas - Instituto Nacional de Propriedade Intelectual - INPI. Incluem-se nessas marcas as palavras e expressões: escoteiro, escotismo, escotista, scout, sênior, guia, pioneiro, lobinho e jamboree nacional escoteiro, entre outras. (juízes que julgaram as ações não aceitaram estas alegações). A Direção Nacional tem clara sua responsabilidade em coibir o uso indevido da expressão “escoteiro” por aqueles que, fora da instituição regular e legalmente autorizada a sua prática no Brasil (?), põem em risco nossa história e respeitabilidade.

Vejam bem, a UEB se diz proprietária do nome Escoteiro e de muitos outros que sempre foram utilizados por B-P quando iniciou o escotismo no mundo. Afinal todas as associações Escoteiras mundiais adotaram tais nomes e a UEB no Brasil se diz a proprietária de tudo. Sei que até agora vários juízes em diversas instâncias negaram a ela este direito. Diz a UEB que fez o registro no INPI, Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. É certo tal procedimento? Quem lhe deu aval ou autorização para tanto? Ora se eu não quero participar da UEB, mas amo o escotismo e tenho uma promessa de anos não tenho mais nenhum direito? Ela diz que este procedimento põe em risco a nossa história e respeitabilidade. Verdade mesmo? Não seria ela a UEB quem está pondo em risco nossa lei tão apregoada onde diz que somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros? Ou será que Escoteiro é só os que têm o registro atual nesta associação? Para mim ela sim é a culpada por tais atos que no meu modo de entender são puramente inverdades e autoritarismo.

Eu não conheço profundamente as outras associações Escoteiras existentes no Brasil. Salvo os Escoteiros Florestais onde tenho muitos amigos com quem mantenho contato. Se procurarem nos sites destas associações verá que se preocupam em fazer o escotismo e pouco atacar a quem dela se desfaz. Dizer que elas têm direitos é questionável. Como diz um famoso comediante existem controvérsias. Outro dia li de um Chefe Escoteiro que vendo a impossibilidade de registro de muitos grupos, no Rally de lobinhos participaram vários que não estavam em dia com a UEB. O responsável jurídico mostrou seu saber dizendo o que eles os lobinhos nunca poderiam ter participado. Quem conhece as entranhas da UEB e suas diretrizes distorcem em normas absurdas e leis que ela própria fez para se declarar como a única verdadeira a praticar o escotismo no Brasil.

Agora mesmo estou vendo um cartaz feito por uma região escoteira da UEB que diz: - Ser Escoteiro é ter: - Honra Integridade, Lealdade, Presteza, Amizade, Cortesia, Respeito e responsabilidade. Será que tudo isto é somente palavras para os seus associados? Onde está nossa honra? Nossa palavra? E onde está nossa promessa? “Não me esqueço da frase de Caio Júlio Cesar que através dos tempos viu sua frase ser repetida tantas vezes que ninguém mais esqueceu: - Á mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. Em um mundo que supervaloriza a imagem e as aparências - embora com certa hipocrisia pregue que “o ser” é mais importante que “o parecer” – facilmente se explica porque a frase ganhou popularidade. Oxalá aqueles que a empreguem no futuro saiba, ao menos, que estão valorizando as aparências em detrimento da verdade.


Admiro todas estas organizações pela sua tenacidade em não desistir. Não pertenço a nenhuma delas, mas tenho um sonho, um sonho igual ao de Martin Luther King e tento ao meu modo Escoteiro interpretar suas palavras: - Podemos nos unir trabalhar juntos, cada um decidindo seu próprio destino. Com fé poderemos fazer um belo escotismo, podemos rezar juntos, acampar juntos, lutar juntos, defender a liberdade juntos, sabendo que um dia haveremos de ser Escoteiros irmãos. Esse será o dia quando todos os filhos de Deus irão gritar Aleluia, e darão um abraço escoteiro que irá durar para sempre. Neste dia iremos aprender a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, e seremos irmãos de sangue para sempre... Tu e eu! Eu sei que tem alguma coisa que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas. Temos de aprender a viver em paz com nossos irmãos escoteiros ou morreremos odiando a quem devíamos amar. Não é com violência e prepotência em destruir pessoas que iremos atingir nossos objetivos. Aproximar-nos e sermos mais amigos e irmãos seria sim um objetivo real nos nossos princípios escoteiros.

sábado, 7 de novembro de 2015

Está faltando motivação em sua patrulha?


Conversa ao pé do fogo.
Está faltando motivação em sua patrulha?

Caros monitores de patrulha.

                 Estou escrevendo este pequeno adendo pensando que alguns de vocês podem estar sentindo-se desanimados, vendo suas patrulhas a cada reunião mais e mais perdendo a motivação. Isto já aconteceu em minha patrulha muitas vezes quando eu era da idade de vocês. Chega uma hora que os jogos as atividades aventureiras vão perdendo aquele sabor que tinha no inicio quando começamos nossa jornada no escotismo. Passado o tempo muitos já pensam em outras responsabilidades na vida pessoal, aquela conversa franca já não está mais adiantando. O Conselho de Patrulha virou uma rotina de um pequeno papo e todos querendo ir embora, pois outro programa os espera. Sei que a maioria dos meus irmãos chefes escoteiros vêem com preocupação e tentam ao seu modo animar ou mesmo conversar com os rapazes e moças mais velhos da patrulha e que podem sim motivar a patrulha para que ela não desista do seu ideal.

                 Muitas vezes isto acontece por nossa causa, nós chefes também temos aquele dia de desanimo, de cansaço, de um trabalho exigido demais na nossa vida profissional e familiar. Dizer que alguns assuntos só podem ser resolvidos pelos pais é jogar nas costas deles muitas coisas que nesta missão nós prometemos seguir e enfrentar. Assim não sei se é a melhor solução. Uma vez meus caros monitores me embrenhei em plena mata, com os monitores a procura de achar a melhor solução para dar uma nova vida, uma nova alma aos escoteiros da patrulha. Foi bom, pois ficamos ali por dois dias só em função de achar o caminho do sucesso que poderia dar novo animo a patrulha. Sempre soube deste que me entendo por Escoteiro que você pode ficar com um jovem por anos a fio na tropa sem conhecê-lo em profundidade e em três ou quatro noites de acampamento saber tudo sobre ele.

                 Já ouvi de muitos monitores dizerem que alguns patrulheiros se mostram aborrecidos e desalentados com as atividades e que a estes faltam o espírito Escoteiro que todos nós buscamos. Até posso compreender a aflição de um monitor ao ver que a patrulha não anda, não deslancha e a tristeza é maior quando no sábado alguns passam a faltar sem uma boa explicação. Um dos monitores disse aos demais que as Atividades de Patrulha estavam deixando a desejar. Ele não sabia como fazer para entusiasmar novamente a todos os patrulheiros. Só sei que ficamos quase uma noite em volta de uma fogueira, muitas vezes em silêncio olhando as estrelas no céu sem ninguém ter uma boa ideia, uma boa sugestão para que tudo voltasse como antes. Um deles me chamou a atenção para um fato – Será que nós monitores não temos culpa? Qual o exemplo que estamos dando? Outro se perguntou quantos Lis de Ouro a Tropa teve nos últimos dois anos. Isto gerou uma discussão gostosa e que as perguntas apareciam e as respostas também. O desanimo poderia ser pelas especialidades, pelas etapas, pelos cordões e até mesmo pelas estrelas de atividade que estavam rareando.

                 Chefe! – Disse um dos monitores, na minha patrulha apesar de todos os meus esforços não consigo que os meus escoteiros se compenetrem dos seus cargos, Parece que só vão por aonde eu vou e fazem o que eu faço... Todos nós ali em volta da fogueira olhamos para o monitor e olhamos para dentro de nós mesmos. Como acertar sem conhecer os desejos e as dúvidas de cada um deles? Como educar e forjar caráter se não conhecemos bem a cada um dos nossos comandados? Estas ponderações resultou numa animada discussão ali naquela floresta, sob um fogo que estava quase apagando não sei se por causa do calor de uma discussão gostosa que acontecia. Muitos se entusiasmaram de tal maneira que disseram para se próprio que era hora de mudar.

                 Chefe! Podemos passar uma noite em um acampamento com nossa patrulha? – Pensei que sim desde que tomada às providencias necessárias, em local escolhido a dedo, próximo a um sitio bem formado, quem sabe cercado e deixá-los viver por um dia e uma noite a certeza que haviam crescido e queriam se conhecer. Se este fosse o remédio porque não tomá-lo? Eu sabia que não seria a solução final, mas deixar que se entendessem que se conhecessem e que aprendessem a se respeitar seria um enorme passo para ajudar na motivação que tanto os monitores se ressentiam e que gostariam que agora tudo fosse diferente. Disse eles que para isto acontecer eu faria duas visitas ao acampamento para ver e sugerir prováveis desvios.  A partir daí faríamos uma grande competição por três meses, com prêmios aos que atingissem um patamar de eficiência, lutar para que as patrulhas se enfronhassem mais nos distintivos a que tinham direito. Era um jogo de todos e não de meia dúzia. Um plano foi elaborado.

                 Sei que não foi um sucesso tudo que foi feito, mas sei que foi um caminho que eles mesmos escolheram. Durante algum tempo a motivação aconteceu e a partir daí com a participação mais efetiva da Tropa seria sim um caminho a seguir para manter motivada e unida a patrulha. Sei que para mim foi uma grande lição. Quando confiamos à resposta será sempre positiva. Como dizia B-P ou somos ou deixamos de ser. A melhor maneira de manter a patrulha motivada é motivando nossos monitores e vocês são a alma e o coração da patrulha. Meu caro monitor, eu conto com você!


E olhem, eu desejo hoje uma fenomenal, uma extraordinária, uma estupenda, uma fantástica reunião de Tropa. Sempre Alerta! Atividades mil para vocês!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Programando o programa. (Parte I)


Conversa ao pé do fogo.
Programando o programa. (Parte I)
(aguardem a segunda e terceira parte)

                   Todo mundo conhece, todos os escotistas fazem. Afinal nada se produz sem ele. Alguns simples, outros complexos, mas todos com o mesmo objetivo. Conheci em minhas atividades escoteiras, muitos programas bons, outros nem tanto. Junto a tantos outros amigos escotistas, fizemos programas de sessões, de Diretoria, de Conselho de Chefes, de Atividades Especiais, de Grandes Jogos, de Região Escoteira, De Ajuris, de Elos, de Adestramento, de Atividades Nacionais e até algumas internacionais. Quando planejamos os programas das sessões e do grupo eles devem se entrelaçar. Como? Pensando em termos que todos os órgãos do grupo os têm (um programa). Alguns grupos todo final do ano fazem uma reunião própria para este tema, (Indabas dos chefes em regime de acampamento é muito válido) e costumam convidar a diretoria e alguns pais que sempre colaboram nos programas anuais. Isto facilita muito para se planejar adequadamente.

                      Se um programa geral é feito isto ajuda em muito as sessões escoteiras para fazerem os seus e a diretoria do grupo. Ninguém gosta quando um programa diz uma coisa e a diretoria ou o distrito programa outro sem avisar. Conheço Grupos Escoteiros que no final do ano sempre dão oportunidade aos jovens através das patrulhas e da Corte de Honra sugerir as datas do ano seguinte. Quantas excursões, quantos acampamentos, quantas atividades aventureiras e assim por diante. Os lobos também quem sabe podem ser consultados. O Diretor Técnico é responsável para que não haja comprometimento de alguma atividade que não conste do programa geral do grupo. Difícil imaginar um bom programa onde ele sofre constantemente modificações, adaptações e é fustigado por terceiros para ser alterado.

                     O Diretor Técnico, o Conselho de Chefes e a Diretoria tem a obrigação de manter o programa conforme se discutiu e foi aprovado. É importante notar que os melhores programas de sessões e que mantem os jovens ativos e Até B-P. no Escotismo para Rapazes dizia que o melhor programa é aquele desenvolvido pelos rapazes e moças. Afinal são eles a parte interessada e eles o fazem com perfeição em seus bairros, na sua rua, com os amigos que ali estão sempre juntos por anos e anos a fio. Difícil? Não. É bom lembrar que quem deve gostar do programa são eles e não o chefe. Estes estão ali para ajudar, orientar dar o rumo e finalizar os dados que ficaram faltando.

                     Alguns chefes pensam diferentes. Acham que os jovens não estão preparados e deixar por conta deles não haverá nada prático. Muitos irão sair, pois vão ver tudo diferente. Pode até ser. Mas foi tentado? Foi dado a eles ideias sugestões, instruções e aberto um leque de oportunidades? Não estou aqui a dizer que o que escreverem será feito. Tampouco será deixado de lado. Para isto deve ser discutido minuciosamente no Conselho de Patrulhas, no Conselho de Monitores e só após junto a Corte de Honra (muitas tropa só tem a Corte de Honra) será tomada uma decisão de qual programa será o escolhido. Nenhum programa ficará sem o “tempero” do chefe e dos assistentes. O que seria o “tempero”? – Jogos, canções, técnicas Conversa ao Pé do Fogo, e claro sugestões que não estarão ao alcance deles. Tais como, atividades distritais, regionais e nacionais. Mas é importante que estas não ocupem nada mais que 10% do programa anual.

                 Alguns chefes se ressentem com tantas atividades oferecidas pelo distrito, região e a Nacional. Dosar sem prejudicar o programa da Tropa é minha sugestão. Estes órgãos devem ter seus programas com antecedência e enviado aos grupos. Ninguém deve ser obrigado a fazer um programa que não foi planejado. Ninguém gosta de sugerir, aprovar e ver tudo alterado sem uma explicação lógica. Os rapazes e moças contam com suas atividades e quando elas são suprimidas deixam uma lacuna difícil de ser modificada no futuro. Se derem oportunidade aos jovens na sua sessão para fazer, montar e quem sabe até dirigir um programa em sua tropa, eu garanto que a evasão irá diminuir e muito. Deixe que façam sempre e verifiquem se a presença está melhorando, se os sorrisos aumentaram e se a procura agora é maior. Se for assim estão no caminho certo.

       Aquela velha tendência de reunir chefes e assistentes para fazerem entre si os programas a curto, médio e prazo sem ter um esboço feito pela tropa nem sempre alcançam os resultados desejados. É possível reunir jovens e fazer estes programas. O importante é fazer de tudo para manter a patrulha unida, ter um numero satisfatório de presença e lutar para que a unidade se preserve por muitos anos. Muitos dirão que dificilmente uma patrulha se mantem com seus próprios elementos por anos. Nenhum Chefe gosta de chegar à sede e ver as patrulhas formando com três ou quatro. É ruim fazer um programa com poucos e isto dificilmente será mantido por muito tempo. Torno a repetir, trabalhar para manter o jovem na Tropa é tarefa dos monitores, trabalhar para que os monitores façam corretamente suas responsabilidades com a patrulha é tarefa do chefe. Ninguem gosta de chegar à sede e ver que o programa é ruim, que os jogos não tem o sabor que esperam, e sabemos de antemão que é o primeiro passo para a desistência.  

      Lembramos sempre que BP criou um estilo, um método (Sistema de Patrulhas) e fugir dele é confirmar que os resultados não serão satisfatórios. Temos hoje uma evasão desconhecida. Ela prejudica muito o crescimento interior do jovem e isto contamina os demais. Sei de muitas tropas e alcateias cuja presença desanima muito não só os jovens como também a chefia. O pior é depois das férias muitos não voltam mais. Crescimento técnico, intelectual, e moral faz parte do adestramento Escoteiro. Ensinar o jovem a caminhar com as próprias pernas faz parte do jogo. É tão bom saber que uma patrulha está junta por anos e podemos confiar que tudo vai dar certo. E depois do passar dos anos, ver aqueles que foram nossos jovens, estarem dentro da comunidade agindo como verdadeiros escoteiros.


       O melhor caminho para o sucesso é ver os rapazes e moças reunidos por um bom tempo, alegres, motivados e esperando sempre a próxima reunião, o próximo acampamento ou a próxima atividade externa. Um Grupo Escoteiro é uma família. Unida. Fraterna. Onde o respeito mostra o grau de crescimento de cada um. Você faz parte da família. Veja onde é seu lugar e trabalhe para que todos sintam felizes no desenvolvimento de suas tarefas. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Aprender a fazer fazendo.


Conversa ao pé do fogo.
Aprender a fazer fazendo.

                         Uma das máximas do escotismo tão importante e lembrada por BP, diz que nós chefes escoteiros devemos fazer de tudo para que nossos monitores conduza a própria patrulha. Quando um escotista está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam sempre para aprender, é um erro e foge completamente do mais puro e mais correto ensinamento que temos que é o aprender a fazer fazendo. Outro dia vi uma foto de um Chefe ensinando aos jovens como armar uma barraca, ele armava e alguns seguravam enquanto ele esticava o cabo e fincava os espeques e dava instruções. Ótimo. Vimos que ele sabe armar, mas e daí? Não é ele quem deve saber e sim seus monitores para adestrar aos seus escoteiros.

                         Aprender a fazer fazendo é uma arte. Quando Baden-Powell introduziu o método Escoteiro ele era desconhecido nos meios educacionais. Hoje as escolas, organizações e até universidades usam esse método e estão tirando proveito, mais que nós chefes. Temos muitos educadores, pensadores e ou mesmo filósofos que nos chamam de movimento atrasado e ineficaz. Eles não sabem que a arte de aprender fazendo surgiu com o escotismo. Não existe maneira melhor para aprender. - Errar quantas vezes for até fazer o certo. Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a eles toda a liberdade para programar o programa (próximo artigo), ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas e condições físicas e ambientais. Já me dizia um jovem sênior, sobre o programa da tropa, ele confirmava que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele não opinava e me disse que não, pois assim havia surpresa no programa. Finalizei perguntando se no ano anterior quantos entraram e quantos tinham saído? Sua resposta – Somos somente quatro. Os demais saíram e ninguém entrou. Aí veio a realidade. Ali nunca foi dado aos seniores a liberdade de aprender a fazer fazendo. Tanto fizeram para eles que resolveram sair.

                         Isto é repetitivo em muitas tropas. Alguns chefes me dizem que eles gostam, os chefes fazem tudo e assim ficava mais fácil para cumprir um programa. Afirma que um deles disse que quando o Chefe fazia um bom programa havia um ar de mistério e todos gostavam. Desnecessário dizer que em sua Tropa a rotatividade é enorme. Ele até me afirmou que não perderam nada. Sai um entra outro! Bem sabemos que ali dificilmente o escotismo mostrará seu valor na vida futura dos jovens. Triste saber que B-P acreditava que pelo menos precisamos manter os jovens initerruptamente para que o método Escoteiro atinja seu objetivo. Como não existem bons programas que despertem interesses e os mantenham na ativa, ficam sempre comentando, programando, e contando os dias de alguma atividade regional ou nacional. Estas sim são importantes para eles enquanto estiverem na ativa. Não desmereço estas atividades. Elas são boas desde que esporadicamente.

                    Sabemos que estas atividades não trazem um programa que sirva para motivar e dar sustentação a lei e promessa escoteira e ao sistema de patrulhas. Elas valem mais pelas amizades e fraternidade. Ali nada farão a não ser divertir. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um “Bon vivant”. Ou seja, “Pagamos comemos e bebemos, a Deus agradecemos”. É importante que o chefe escoteiro se conscientize sobre as vantagens de deixar os jovens fazer. Seja no seu crescimento individual ou na sua evolução técnica. Sabemos que todos os escoteiros ou as escoteiras têm em seus bairros ou ruas amigos de infância, que se encontram sempre, fazem seu próprio programa e ficavam eternamente juntos. Nenhum deles jamais reclamou do programa que planejaram ou fizeram. A “turma” fica unida por muitos e muitos anos.  

                   Em um artigo publicado comentei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo. Muito mesmo. Claro, não todo ele, mas boa parte sim. E alguns até me disseram que o programa seria ruim, e eles poderiam não gostar. Mas você já tentou? Pelo menos tentou? Afinal foram eles que fizeram. Lembremos que não é somente em uma ou duas reuniões que vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca certa, a vara e o local onde vai pescar. A experiência em tropas demonstram que os jovens que fazem seu próprio programa, ficam mais tempo no escotismo. Facilitam sobremaneira o desenvolvimento de uma atividade, onde a técnica e o conhecimento adquirido é desenvolvido corretamente. Nunca se esquecer do valor da Corte de Honra, do Conselho de Patrulha. Deixar por conta deles sob sua supervisão acredito que terá em breve boas patrulhas. Não esqueça a patrulha de monitores que você sim é o monitor deles. Isto bem feito e aplicado é sucesso na certa. Observe a alegria de uma patrulha que fez uma mesa mesmo que torta e quase caindo e outra olhando o chefe fazer.

                 A arte de aprender fazendo também se aplica ao programa da tropa. Muitos chefes alegam que eles não entendem, não sabem como fazer, e acha que tudo vai dar errado com muitos meninos saindo por esse motivo. Esqueçam o “Não vão dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Sabemos que não é de um dia para outro que o chefe terá os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvez o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa. É preciso lembrar que nosso movimento tem características próprias. Colocar jovens em forma, marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar, qualquer um consegue dirigir. Ou melhor, comandar. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, que fala pouco, que confia é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor e não o dono de tudo.  

      Experimente. Dê um prazo para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde pretendem chegar, eles chegarão lá sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e adestra é o monitor. O Chefe faz o mesmo com os monitores. Experimente e irá ver maravilhas no crescimento de sua tropa. Tenho certeza que a evasão irá diminuir muito. Quem sabe os que saíram vendo novos programas, onde ele podem ser ouvido resolva voltar. Já pensou ter uma fila de espera? Isto será possivel com a perfeita execução do método. Repito, se dá certo entre os jovens nos seus bairros porque não no escotismo? Se for um programa ruim ou não eles iram gostar. Fazem assim sempre. Todos sabemos que ali no seu bairro não tem chefes, não participam adultos.


      Quando a tropa caminha com suas próprias pernas, quem ganha são os jovens e o escotismo. Eles porque estão aprendendo o que o escotismo se propôs e o escotismo porque conseguiu dar uma nova filosofia e diretriz de vida tão esperada pelos pais. Experimente não custa nada tentar. Tenho certeza que vai se surpreender com os resultados.

domingo, 25 de outubro de 2015

Lendas escoteiras. O sonho não acabou!


Lendas escoteiras.
 O sonho não acabou!

                           Quando lonyalto me procurou eu fui franco com ele. – Desculpe meu amigo, mas escotismo não é minha praia. – Vi que ele ficou chateado, claro tinha feito a sua promessa na semana anterior e estava todo empolgado. Ele achou que eu ia me interessar e entrar na tropa dele – Mas Antonio! Você está pré-julgando! – Não estou não meu amigo. O Alex foi franco comigo. Prometem a você uma coisa, te engabelam e depois você descobre que foi tudo um engodo. Ele contou tudo. E eu acreditei nele. Disse-me que o escotismo era um movimento de jovens, onde eles decidiam seus programas sob a supervisão de um adulto. Que eles aprendiam a fazer fazendo, que eram espetaculares suas atividades ao ar livre, que lá acampados a Patrulha fazia tudo para montarem uma réplica rústica de suas casas. Contou ainda que lá aprenderiam a subir e descer em árvores com nós que se desmancham que iriam fazer travessias em córregos e lagos por uma ponte pênsil. Quantas promessas.

                          - Não foi nada disto Antonio, Disse-me ele. Cheguei lá e vi um chefe mandão, em lugar de um irmão mais velho encontrei um sargento que achava que éramos militares. Demoramos para ir ao campo e que decepção. O Chefe só sabia mandar correr, a dizer que o Escoteiro não corre, voa e um monte de coisas que em vez de ensinarem a gente ele é que fazia. Desisti em dois meses. Não volto lá nunca mais. Lonyalto não me respondeu de pronto. – Bem Antonio, sei de sua amizade com o Alex, mas você sabe que eu também sou seu amigo. E amigo nunca mente para outro. O Alex teve uma experiência em um Grupo Escoteiro que se esqueceu do método do nosso fundador. Nosso grupo não. Porque não vai neste sábado fazer uma visita? Passo aqui para irmos juntos. – Não podia negar o pedido de Lonyalto. Afinal éramos da mesma sala de aula e morávamos na mesma rua, acho que a idade dele era a mesma da minha. Doze anos.

                            No sábado ele passou em minha casa à uma da tarde. Disse a minha mãe aonde ia – Você vai? Ela disse. Não comentou que o escotismo não era sua praia? – Mamãe, é um pedido de um amigo. Não posso negar. A reunião começava às duas e meia da tarde. Chegamos às duas. A maioria das patrulhas já estavam lá. Cada um em um canto do pátio da sede. Fui para a Patrulha de Lonyalto, ele me apresentou ao Monitor. Disse que eu estava ali para ver como era os escoteiros. Vou ser sincero, gostei do que vi. A Patrulha era de todos. As opiniões também. Vi que havia ali uma grande amizade.   O Chefe Capistrano era gente boa. Sempre com um sorriso nos lábios, sempre com a palavra nós. Nunca eu. Consultava os Monitores, deixava por conta deles alguns jogos e treinamento das patrulhas. Ele sempre junto sem interferir. Sempre com aquele sorriso. Depois da reunião me procurou – Gostou? Disse. É Chefe. Gostei.

                            Fomos para a sede. Ele me explicou tudo que deveria fazer para se matricular. Perguntou-me o que eu esperava em encontrar ali. – Amizade, fraternidade e aventura! – Ótima escolha. Se você entrar é isso que vai encontrar. Depende de você. Quando começa sua responsabilidade também começa a nossa para lhe atender. A tropa é de todos nós. Na sua Patrulha a união faz a força e todas as quatro juntas é uma força descomunal. – Só tem um porem, disse. Seu pai e sua mãe tem de vir juntos aqui fazer sua inscrição. – Não serve só um deles? Não ele disse. E olhe, é melhor preveni-los, quem vai entrar no grupo são eles, você vai ser aceito se eles estiverem juntos e cumprindo os deveres de sócio.

                           Uma pedreira. Meu pai? Ir lá? Nem que a vaca tussa! Mas não desisti. A principio disse que não iria. Insisti. Nada. Insisti novamente. Insisti a semana inteira. – Você venceu! Disse. Para ficar livre de você vou lá no sábado com sua mãe. – Comentei com Lonyalto. Ele me disse – Confie no Chefe Capistrano. Depois me conte às mudanças que vai haver em sua família. Dito e feito. Meus pais e o Chefe conversaram por horas. Até se inscreveram em um informativo para pais que durava cinco horas. – Meu pai chegou em casa e rindo disse – Agora sou mais que um pai, sou um Chefe. E deu boas gargalhadas. Enfim fui aceito no grupo. Toda aquela burocracia demorou três semanas.

                           Naquele sábado eu meu pai e minha mãe fomos apresentados a todos do Grupo Escoteiro depois do cerimonial de bandeira. Não havia como escolher a Patrulha. Só na Quati tinha uma vaga. O Monitor veio alegre me cumprimentar. Disse aos meus pais que eu estava bem “guardado” na Patrulha, eles não precisavam se preocupar. Convidaram meu pai e minha mãe a participar do grito da Patrulha em minha homenagem, pois agora começava minha nova etapa como noviço. Eu já sabia que iria demorar dois ou três meses até estar devidamente preparado para a promessa. Sabia também que só após ela iria vestir o uniforme. Sonhava com isto.

                             Após a reunião o Chefe Capistrano me chamou em particular e me disse – Antonio, você começou nova vida conosco, vai aprender a ser homem de uma maneira diferente, vai aprender a ter honra, ética vai aprender a Lei do Escoteiro. Você será outro na escola, e seu procedimento vai mudar você agora é um Escoteiro. Representa milhões de outros irmãos espalhados pelo mundo. Eles confiam em você. Espero que você seja também mais um irmão nosso. Sua Patrulha é sua segunda família. Mantenha o respeito para com eles e assim todos o respeitarão.  Estarei em qualquer hora e qualquer dia a sua disposição. Precisando, não importa se é dia ou noite, eu seu irmão mais "Velho" não vou abandonar você nunca!


                                 Nunca mais esqueci aquele dia. Meu começo no escotismo. Até hoje me sinto como um pesar de minha vida profissional não me dar muito tempo. Conto para todos os meus amigos o orgulho de ter sido um. – Um o que perguntam? – Ora, um Escoteiro meu caro, meu sonho de menino nunca acabou. Ele mantém viva a minha chama Escoteira, que como dizia meu Monitor: de BP trago o espírito, sempre na mente, junto de mim e no meu coração estará!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A conspiração do Silêncio. Revoltar é vencer a batalha?


A conspiração do Silêncio.
Revoltar é vencer a batalha?

- Estão a conspirar contra os escoteiros? Quem sabe sim, mas são fatos isolados e que revoltaram alguns jovens participantes do JOTI. Quantos foram os conspiradores? Pelo que eu saiba um só. Sei que ele disse impropérios não condizentes com a linguagem de pessoas civilizadas. Mas um só? Será que não existem tantos mais por aí que fazem o mesmo? Afinal estamos em um país onde uns poucos se usurparam do poder, outros tantos eleitos aproveitam para se servir do dinheiro alheio, a corrupção só está sendo desvendada por um grupo de valentes e audazes membros de duas instituições, onde um Juiz não se fez de rogado e contra tudo e contra todos colocou figurões nos seus devidos lugares. A cadeia.

Como então nos revoltarmos com um só que com seus impropérios fizeram os escoteiros se sentirem ofendidos? Eu também sem estar lá, sem participar e sem conhecer o “moço” conspirador me revoltei. Mas como revoltar? E as outras celebridades o que disseram? De quem é a culpa de tudo isto? Propagandear no Facebook, postando em páginas, grupos, Fanpage é válido, mas será que atingiremos os egos dos revoltados contra o escotismo? Sem culpa os organizadores do JOTI. Afinal era apenas um item para procurar uma celebridade. Mas “diabos” este moço com este palavreado era uma celebridade? Uma vez escrevi aqui sobre um colunista articulista da Folha de São Paulo em um artigo publicado por ele que desmerecia o escotismo conforme sua experiência de jovem Escoteiro. Alguém deu bola? Alguém se revoltou? Quando o Bial gritou sobre nós o mundo Escoteiro desabou. E assim foram outros tantos que adoram desmerecer nossa organização.

Mas eu pergunto, sempre somos nós os culpados por não fazer um belo marketing das vantagens do escotismo? Dizem que ficamos presos à sede escoteira, quase não saímos, e dificilmente aparece na impressa um comentário, uma explicação ou mesmo alguém de fama para dizer que o escotismo é bom, que Baden-Powell foi um dos maiores educadores pensadores do seu tempo, que seu livro Escotismo para Rapazes é um dos três mais vendidos no mundo. Afinal, dizem que vendemos biscoitos, nunca vendi, sei que os americanos vendem. Atravessar a velhinha na rua se escasseou. As velhinhas desapareceram. O que fazemos realmente para sermos reconhecidos pela comunidade? Plantar árvores? Limpar praças? Sei não, perguntem para os escoteiros se eles gostam disto.

Sempre vejo nos meios publicitários, homens e mulheres que exaltam nos diversos fóruns educacionais, elogiam e copiam pensadores, pedagogos e educadores fora do país, e têm aqueles célebres e já conhecidos comentaristas e palestrantes falando sobre tudo menos o escotismo. Se um dia pudéssemos fazer uma pesquisa em âmbito nacional, fico em dúvida se mais da metade da população brasileira sabe onde andam os escoteiros, o que eles estão fazendo, suas finalidades, e se por acaso existem remanescentes ex-Escoteiros famosos a propagandear o Escotismo e seus valores para a formação do jovem. Muitos de nós nem mesmo sabemos explicar com palavras simples o que somos. Quando nos perguntam sempre a resposta é a já conhecida que nada explica e nada se entende.

Perguntem aos Dirigentes da UEB, das Regiões. Eles serão unânimes em dizer que estão fazendo tudo para sermos reconhecidos. Tudo? Alguém conhece um bom conferencista ou palestrantes da UEB a propagandear o escotismo em nosso país? Alguém sabe de programas nas emissoras de TV onde se reúnem diretores, professores para discutir sobre a educação dos jovens se por acaso o escotismo foi tema ou se algum representante Escoteiro nacional foi convidado? Onde estão nossos lideres para nos defenderem destes sacripantas que desandam a falar mal de nós? O que eles fazem para que sejamos conhecidos que nosso programa seja discutido, que na teoria da educação sejamos pelos menos lembrados?

Ficamos sós. O que dizem é que os grupos se movimentem, que a juventude escoteira de hoje cresça e um dia quando for alguém importante lembrar-se de nós. Estamos perdendo muito para outros órgãos de juventude e a preocupação não sinaliza que devemos nos embrenhar nesta seara e desvendar o caminho para o sucesso. Bradar ou dar um alerta que estamos vivos, que lutamos que fazemos o possivel agora e o impossível daqui a pouco fica no silêncio dos grandes dirigentes nacionais. Lamentar é bom, mas lutar por um ideal com participação de todos e melhor. Perguntem, portanto aos nossos lideres regionais, perguntem também aos nacionais. Postar aqui a revolta pode até ter algum resultado, mas pequeno, alcance mínimo para aqueles que não vivem no meio Escoteiro. Infelizmente existe sem percebermos uma Conspiração do Silêncio que não sabemos de onde parte. Sem que ninguém perceba estamos a reboque de uma época que até hoje não mostrou aos brasileiros o que somos e o que podemos dar a nação.


Como disse Oscar Wilde, o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação. Ser grande é abraçar uma grande causa. Mas lembremo-nos que uma andorinha só não faz verão!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

John Thurman um visionário?


Conversa ao pé do fogo.

John Thurman um visionário?

 

Um artigo que venho publicando através dos tempos. Sempre me atualizo com ele. Ora, John Thurman escreveu em agosto de 1957, seria ainda atual? Em minha opinião sim. Muitos dos nossos lideres Escoteiros precisam de uma dose de sensatez, de sentirem mais humildade sem se considerem seres privilegiados para mudar o que acham que deva ser mudado sem consultas ou pesquisas reais para ver se darão ou não resultados. Moderno ou não o escotismo ainda não chegou lá. John Thurman foi durante muito tempo Chefe de campo de Giwell Park. O artigo mesmo escrito há anos ainda tem muito de atual. O mundo mudou, mas acompanhamos estas mudanças com os pés no chão?

 

Os Sete Perigos

Por John Thurman - agosto de 1957 (chefe de campo de Giwell Park)

Existem sete perigos para o Escotismo, para os quais, me parece, devemos estar alertas e tomar cuidado:

1. Complacência, do tipo de pessoas que pensam: "há cinqüenta anos temos trabalhado assim e temos feito um bom trabalho, portanto continuemos assim". Recordemo-nos que o trabalho para os rapazes de hoje tem que ser feito pelos homens do presente. Estou tão orgulhoso, como qualquer outro Escotista, do nosso passado, mas isso não nos leva a parte alguma. Há, hoje, muito mais a ser feito do que houve em qualquer outra época e o máximo que o passado pode fazer para nós é inspirar-nos para um maior esforço;

2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito freqüentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcatéias;

3. Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

5. Exclusividade, o perigo de pensar que "os chefes devem provir do próprio Movimento". Penso que necessitamos de gente de fora, com diferentes experiências - homens de bem que tenham a faculdade de crítica construtiva e que tragam sangue fresco para o Movimento; 

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis idéias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.


Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento. Feliz palavra de John Thurman. Muitos associados adultos, rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Crônicas de um Velho Chefe escoteiro. Viajando pelas estrelas.



Crônicas de um Velho Chefe escoteiro.
Viajando pelas estrelas.

                    Impossível! Eu volitava no ar com uma facilidade incrível. A nuvem que me levava ao céu me deixou próximo a um planeta desconhecido. Marte Vênus e Plutão ficaram para trás. Ele o planeta brilhava tanto que achei que era uma estrela. Não era, olhei para baixo e minha vista encheu de luz de várias cores. Em poucos segundos dei a volta no planeta, todo arborizado. As sequoias gigantes ali não era páreo para as maravilhosa árvores do Brasil. Enormes, copadas, em baixo tudo gramado. Quantas flores... Milhares delas. Violetas, girassóis, rosas brancas, amarelas, vermelhas e até verde e azul eu vi. Era incrível. E o perfume no ar? Maravilhoso. Em todos os pontos daquele lindo planeta havia cascatas borbulhantes, nascentes de águas cristalinas, peixinhos coloridos a nadar. Que planeta era aquele? E a noite então as estrelas eram enormes, de todas as cores, cometas iam e vinham como a dançar valsas na odisseia planetária do infinito.

                      Eis que surgiu do nada um belo acampamento Escoteiro. Enorme, gigante, milhares de patrulhas com seus lindos campos armados sob o vento calmo que se mantinha no ar. Era belo demais. Tinha que conhecer melhor tudo aquilo. Afinal era a primeira vez que me transportava pelo espaço tão facilmente como se eu tivesse asas verdadeiras a me levar onde eu queria ir. Desci até na entrada do acampamento. Um Velho enorme, com um sorriso convidativo, com uma bata branca estava na porta: - Interrompeu minha entrada. – Quem é você Escoteiro? Ele perguntou. – Pensei que era São Pedro lá do céu aquele que ajudamos um dia na praça da estação onde ele ficou por uma noite. Vi que não me reconheceu. – Vado Escoteiro, Excelência! - De onde veio? Da Terra Senhor. – Não me chame de Senhor, não sou Deus, sou simplesmente um representante dele neste planeta! – O que quer aqui? - Eu chefão? – Ele me olhou enviesado como se estive pronto para me dar um peteleco na orelha.

                    Pedi desculpas. Expliquei-me. Ele disse: Se morreu ou bateu as botas é bem vindo, mas se estiver em sonhos, chispa daqui! Não sabia o que dizer. Será que morri? Sonhar? Necas, havia anos que não sonhava. – Acho que morri Dom Pedro – Se não me chamar de Dom Pedro de novo lhe meto a mão na orelha e vai voltar para sua catacumba naquele inferno de cemitério. – Calei. Então estava morto? – Entre, você foi Escoteiro por muitos anos, aqui é o Grande Acampamento. Tem gente que gosta e outros não. Se seguir pela direita, vai encontrar Baden-Powell e seus amigos que ainda fazem o escotismo de raiz. Se for pela esquerda vais encontrar os politicamente corretos (chefes que adoram o que a UEB faz) que morreram e não sabem que esticaram as canelas. Eles resolveram ficar longe de B-P. Sempre disseram que era um milico, gostava de marchar, amava ordem unida, tinha ideias retrógadas e eles se achavam superior ao tal do Escoteiro Chefe Mundial.

                     E agora? Claro que era um Bipidiano de mão cheia. Politicamente corretos são iguais a carrapato. Falam, falam e não mostram resultados. Mas eles tem o dom de dizer palavras difíceis, quem sabe copiadas pelos novos pedagogos e pensadores que até Rui Barbosa iria cair duro no chão quando os ouvisse. Pensei com meus botões (olhei e não tinha nenhum, nem de uniforme estava), olhei melhor estava pelado! Deus meu! Chegar pelado ao grande acampamento? O Que B-P iria dizer? Só me restava ir para os politicamente corretos da UEB. Afinal eles não dizem que o uniforme ou vestimenta não mostra quem é Escoteiro? Que ser Escoteiro é estar vivendo seu espirito em pensamento? Portanto se estava pelado seria bem recebido. Escolhi e parti para onde São Pedro me indicou.

                      A trilha estava suja, cheia de papel de balas. Assustei com tantos tocos de cigarro espalhados pelo campo. – Politicamente Corretos do inferno. Até aqui eles vem mostrar que não tem espírito Escoteiro? – Vou até lá dar uma lição neles. Cheguei ao campo, era só adultos. Meninos e meninas tem alma boa, não ficariam ali de jeito nenhum. Quando me viram um gritou! – Olhem! É o Chefe Osvaldo! Aquele metido a besta que se acha o tal no escotismo! Vamos amarrá-lo em uma árvore, fazer uma fogueirinha e botar fogo! Vai ser lindo ver o velhote gritar feito um calango seco. – Calango seco? Nunc ouvi falar, mas estes tais de politicamente corretos não perdem a ocasião para inventar. Pernas para quem vos quero. Virei um corisco entre as arvores. Tentava volitar e não conseguia. Pegaram-me, me amarraram na árvore. Olhe pelado, toma vergonha, logo você um Velho babão chegando aqui assim? Tu tá frito Chefe, pois morto já está!


                       Puseram fogo e vi que eles se formaram em um grande circulo e começaram a dançar o Tchan! O fogo me queimava. Um deles chegou perto e falou no meu ouvido: Chefe! Se vestir a vestimenta está perdoado! – Gritei alto; - Bota mais fogo na fogueira malditos! Nem morto? Caramba, eu não estava morto? Senti de novo a Célia me acordando. Malditos pesadelos. Agora estavam frequentes. Marido, se continuar assim vou levar você para o Doutor Sapiência aquele psiquiatra da UEB. Ele é Escoteiro e vai ajudar. – Célia! Gritei. Nunca! Na mão dele vou sofrer, pois vai tentar me convencer que Baden-Powell já era! Levantei, coloquei meu uniforme, arrumei minha tralhas na mochila e com a ração B, parti sem rumo por aí!