Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

sexta-feira, 19 de junho de 2015

E a escoteirada foi às compras! (Uma história quase real).


Conversa ao pé do fogo.
E a escoteirada foi às compras!
(Uma história quase real).

                     Outro dia vi uma Chefe comentando que foi fazer compras na Loja Escoteira. Na minha época era cantina, mas tudo mudou. Ela contou que abriu o SIGUE, retirou seu Cartão de Crédito e de uma só vez comprou um cinto e alguns distintivos. Vi em sua foto que ela tinha um sorriso lindo. Desejei sorte a ela. Foi então que me lembrei de quando também fui às compras na Cantina Escoteira. Coisa de louco comparado com hoje. Éramos vinte e nove Escoteiros na tropa. Minha Patrulha a Lobo em sua reunião semanal de patrulha na casa do sub Monitor (sem formalidades, entravamos e saímos como se fosse a nossa casa) conversávamos e olhe nem me lembro do que era. No mínimo era alguma atividade Escoteira fora da sede. Era comum quando isto acontecia, quando a Corte de Honra autorizava e o Chefe João Soldado sacramentava. Potoca daqui, potoca dali e nem sei como surgiu de alguém ir comprar alguns trecos e coisas e tal na Cantina Escoteira. O papo foi bom, passava das dez da noite quando dona Noêmia nos mandou embora. – Está tarde cambada. Hora de dormir! Gente boa, boníssima!

                    No dia seguinte o tema se espalhou. A lobada procurando a gente para fazer a encomenda. Eu quero isto eu quero aquilo. Tens dinheiro? Dou um adiantamento! No grupo só tinha “duros” quando precisavam de uns trocados o negócio era botar a cuca para funcional. Durante uma semana foi feito uma lista enorme, tinha de tudo. Chapéus, anéis, cintos, distintivos flor de lis de lapela, o livro do Velho Lobo e o escambal. Até o disco do Trio Irakitan. Avisamos a todos que não sabíamos o preço. Que cada um juntasse o máximo que podiam. Nunca vi tanta caixa de engraxate voando prá cima e prá baixo na Avenida Minas Gerais. Na pracinha os lobos chamavam alto: Aqui mais barato! Apenas dois reis! Nenhuma casa próxima a um Escoteiro escapou. Pintar muro, limpar quintal e se precisar diziam me avise que virei correndo fazer suas compras! Eu não entendia nada de lista de preços e nunca vi uma. O Chefe João Soldado riu e disse: - Se virem, não foi vocês quem deram a ideia? Danado de Chefe!

                   Calango dos correios tinha sido sênior e agora trabalhava lá. Dizia ser um alto burocrata das cartas que enviava para o Brasil e para o Mundo. Akelá Batista não podia ajudar. Era ascensorista no Edifício do Banco da Lavoura e começava as seis até às oito da noite. Meu pai me olhou de esguelha e disse que não entendia nada de lista de preços e anotações de quem pagou ou não. Passou um mês. Pascoalino o Monitor se encarregou de guardar a bolada recebida. Chamamos os monitores da Touro, da Morcego, da Onça e do Pica Pau. Ficamos horas discutido quando daria para comprar com os quinhentos e sessenta mil reis ajuntado. E quem vai? Cada um deu uma opinião. Devia se o Chefe João Soldado (ele era sargento). Nem pensar ele disse. Ausentar-me do quartel por dois dias agora com a Zona do Contestado pegando fogo não posso mesmo. A Zona do Contestado foi uma pré-guerra entre Minas e Espírito Santo. A politicada de Minas queria um trecho para o mar. Minas tem que ter o mar eles diziam!

                   Vado, eu soube que foi suspenso por uma semana do Colégio Dom Bosco. Porque você não vai? É o padre Astholfo achou que eu era culpado por jogar a lata de lixo no Corredor. Não fui eu, mas paciência. Dizer para ele que o Escoteiro tem uma só palavra não ia resolver. Basta o sermão que ele me deu como era o escotismo na Espanha. – Lá sim Seu Vado, lá se faz escotismo de coração! Pensei comigo que um dia ia lá para ver. Bem fui o escolhido. Tremia igual vara verde. Uma dinheirada no bornal, uma lista de sumir de tanta gente, e uma viagem de desesseis horas de ônibus até o Rio de Janeiro. 1954, uma chuva torrencial caiu por toda semana. A passagem já comprada não podia perder. Pensei em gastar um pouco e telefonar para eles no Rio. Se fosse barato é claro. Dona Lourdinha da Telefônica me desanimou. Demora quase quatro horas para completar a ligação e ela com esta chuvarada só cai!

                     Quatro da tarde. Meu pai ao meu lado e em volta a escoteirada e lobada me vendo partir em frente ao Bar do Norberto. O ônibus estava lá. Meu pai me orientando, cuidado lá tem muito ladrão na rodoviária, não fale com ninguém só converse com um policial. O motorista já estava de saco cheio com tanta solicitação do meu pai. Parti coração apertado. Tremendo de medo. Claro de uniforme com meu Chapelão. Uma mulher gorda sentada ao meu lado implicou logo com ele. Rio Bahia sem asfalto. Buraco de todo tamanho. A noite luz apagada eu só lia lá na frente – Carrocerias CAIO. Nunca esqueci. Cochilava, acordava e nas paradas corria fazendo um xixi às pressas. Medo de perder o ônibus. Chegamos ao Rio de Janeiro ao meio dia. O motorista disse que o retorno era ás onze da noite. Eu tinha o endereço da Cantina. O motorista me ensinou como chegar lá. Passei próximo a Candelária. Pensei comigo se der tempo vou ver o mar. Nunca tinha visto. Mas onde ele ficava? Um prédio simples tinha elevador, mas Subi a escada. A porta aberta, uma linda cantina, fiquei boquiaberto. Tinha de tudo.

                      Dei a lista para a mocinha simpática. Ela se assustou quando me viu de uniforme. Claro dei um enorme Sempre Alerta e logo em posição de sentido disse: Terceiro Escoteiro Escriba da Patrulha Lobo se apresentando! Deu uma enorme risada. Pegou minha lista e começou a separar tudo. Quanto? Setecentos oitenta mil reis!  Só tinha quinhentos e sessenta. Ela me olhou e disse: - Confio em você. Manda-me pelo correio o saldo em um mês? Balancei a cabeça concordando. Ela escreveu o endereço e o nome dela. Quase não aguentava o embrulho que ela fez. – O Mar é longe? – Nem tanto, uns mil e duzentos metros, mas longe da Rodoviária. Você com este embrulho ir e voltar é cansativo! – Mar, não foi daquela vez. Só conheci quando estava com dezessete anos. Lindo de morrer!


                         Na rodoviária amarrei a ponta do meu cadarço no embrulho. Se cochilasse e alguém quisesse me roubar teria que puxar meu pé. O ônibus encostou-se à plataforma no horário. Entrei. O motorista me olhou sorrindo: - Ainda vivo? Partimos, eu de olho nas carrocerias CAIO. Na chegada ao bar do Norberto nunca vi tanto Escoteiros, seniores e lobos. Até o Chefe João Soldado estava lá. Senti-me importante. Nada como uma suspensão escolar para fazer uma viagem de sonhos. Quase três dias em uma poltrona. Escoteiro se vira! Trinta e duas horas ida e volta. Na minha lapela do uniforme meu distintivo da flor de lis. Nunca mais o deixei de lado. Ninguém reclamou. Durante muito tempo uma penca de Escoteiros sempre ao meu lado para contar a viagem. Viu o Mar? Com é lá? A cantina é grande? Um mês depois lá estava eu com Calango nos correios. O dinheiro todo que faltava estava lá. A turma toda fez a vaquinha para pagar. Não faltou um tostão. Dois meses depois Calango me disse que chegou uma correspondência; fui ver. Era da moça da cantina – Dizia: - Eu sabia que podia confiar em você. Sempre Alerta! Nada mais foi escrito nada mais foi dito nada mais foi falado!     

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Escotismo... Uma filosofia de vida!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Escotismo... Uma filosofia de vida!

                     É bom, é gostoso, é agradável, um contentamento incrível, é mais que atraente, pois insinua na gente um bem estar simpático e tentador. Você se sente outro. É como se o mundo lhe mostrasse um novo caminho que você ainda não tinha conhecido. Uma fraternidade. Milhões como nós espalhados pelo mundo. É assim mesmo? Claro, a maioria de nós tem o escotismo no coração. Fazemos coisas incríveis, nunca antes pensadas e agora uma realidade em nossa vida.  Alguém por acaso sentiu o prazer de um acampamento, de um Fogo de Conselho, de um alvorecer com o sol vermelho aparecendo em uma montanha distante? Pense veja e diga, uma bandeira te atrai? Uma turma cantante e sorridente em volta dela não marca? E sua promessa? Já pensou um dia em fazer uma? Prometer... Eu prometo, pela minha honra! Isto marca. Vai fundo na gente.

                 Dizem os doutores que filosofia de vida é a expressão que serve para descrever um conjunto de ideias ou atitudes que fazem parte da vida de um indivíduo ou grupo. A filosofia de vida também pode ser definida por uma conduta que rege a forma de viver de uma pessoa. Muitas vezes essas normas são marcadas por uma religião, como por exemplo: filosofia de vida budista, filosofia de vida cristã, e em nosso caso o escotismo. Muitos de nós quando sente toda a força filosófica do escotismo parece que transformamos nossa maneira de ser. Os amigos, os parentes nos vêem com outros olhos. A grande filosofia da vida nos conscientiza de que não somos melhores que ninguém, estamos aqui neste mundo aprendendo... Nada sabemos... Somos apenas aprendizes e viajantes do tempo.

                Sabemos que nem toda estrada é feita de grama verde, macia, que nos transporta para o paraíso. Nesta estrada existem espinhos, pedras no caminho, mas nossa vontade é tão grande em acertamos que pulamos o obstáculo e seguimos em frente. Sempre procuramos espalhar boas vibrações por onde passamos. Isto faz um grande bem para quem, as emana espontaneamente. Como também para que as recebe. Em verdade, quem faz o bem; o recebe em dobro. Sentimos felizes em fazer o bem. Nosso Fundador sempre disse que a felicidade existe quando fazemos alguém feliz. Não foi Mario Quintana quem versou melhor e disse que trazemos ao nascer, nossa filosofia? As razões? Essas vêm posteriormente, tal como escolhemos na chapelaria a forma que mais nos assente! Gritamos aos quatro ventos que temos o escotismo na mente, junto de nós e em nossos corações. Muitos dizem que o escotismo é tudo é uma forma saudável para ser feliz.


                   Outro poeta dizia que o truque da filosofia Escoteira é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda. Será isto mesmo? Eu acho que sim. Afinal quem presa e vive a natureza não está mais proximo de Deus? Ou somos aqueles que ainda não sentimos Ele no coração? Não importa, sabemos que existe a filosofia e mesmo sem vida, não existe vida sem filosofia. Imaginar, compreender a essência e crer em algo é acreditar em nós mesmos. Parafraseando outro poeta, cremos que a verdade perfeita da filosofia Escoteira serve para a matemática, a química, mas não para a vida. Ele disse que na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo e a esperança. Mas e daí? Não seria isto tudo uma filosofia de vida? Eu, você e os outros sabemos que esta filosofia muitas vezes não dura para sempre. Não sei, sei sim que se houver um amanhã tudo poderá mudar. Mas lá no fundo, bem no fundo de nós mesmos, a filosofia Escoteira nunca vai nos deixar.  

terça-feira, 16 de junho de 2015

Pioneirias? Supimpa! É bom demais!


Crônicas de um Velho  Chefe Escoteiro.
Pioneirias? Supimpa! É bom demais!

             Não existe maior alegria para um Escoteiro ou uma Escoteira quando ao terminar de fazer uma pioneiria dar uns passos atrás e olhar com carinho sua obra. Um sorriso brota, os olhos brilham e dá uma vontade de tirar foto, filmar e mostrar para todo mundo. – Fui eu quem fez! Fui eu quem fez! Pode alguém aparecer e dizer que está mal feita, podem dizer o que quiser, mas ele ou ela estão ali orgulhosos pela construção que dedicaram horas, calos nas mãos, suor e mosquitos a enlouquecer qualquer um. Nesta hora é que todo o escotismo brota no coração. Bate aquela chama que nos dá orgulho em pertencer ao movimento.

             Todos jovens que entram no escotismo logo ouvem falar nesta palavra mágica. “Pioneirias”. O que é isto? Perguntam. Construções rusticas feitas com nós e amarras diz o Monitor. E ele fica com aquilo na cabeça. Doido para acampar e fazer uma. Depois não importa se o vento sul a jogou ao chão, se a tempestade da tarde a destruiu. Ele sempre vai ter “causos” e muitos para contar. De um simples banco que fez, vai contar um dia aos seus netos que construiu uma linda poltrona reclinável e que bastava fechar os olhos e ela balançava ao sabor do vento. Os netos irão ouvir com orgulho e sonhar também em fazer o que seu avô fazia.

             Dizem e contam por aí que pioneiria tem técnica. Já vi artigos, livros, desenhos todos escritos. Eu mesmo publiquei vários. – Técnicas de Pioneiras. Tenho lá minhas dúvidas. Quando as fiz não tinha livros nem desenhos. Eram criadas da imaginação. Um pau ou bambu aqui, outro ali, umas amarras com sisal ou cipó e elas iam brotando conforme as necessidades. De vez em quando vejo fotos de algumas, lindas, esplêndidas, algumas obras de carpinteiros/engenheiros e não de jovens escoteiros. Dias e dias para fazer. Não sei se tem graça. A graça meus amigos é o Escoteiro ou Escoteira fazer. Só ele sem o Chefe por perto. Se você é assim fique longe, Não fale, não fique ai olhando. Não dê palpites. Deixa-os crescerem! Faz parte do nosso método!

             Para mim vale mais uma pequena amarra dada por um jovem que uma casa em cima de uma árvore que não tem finalidade no adestramento progressivo e que foi feita pelo Chefe/engenheiro. Ao dar a Amarra ou um nozinho do volta da ribeira para o acabamento ou fazer um simples Volta do Fiel é o inicio de tudo. E a Costura de Arremate? Simplesmente maravilhosa! Quando visitava acampamentos escoteiros no passado, ficava orgulhoso em ver no campo de Patrulha, como um simples sisal ou cipó cercava o campo. Ninguém pulava ou entrava por ali. A entrada era pelo pórtico. Rústico, simples sem aquelas belezas que vemos em fotos ou em grandes acampamentos escoteiros e sempre feitas pelos chefes. – Sempre Alerta Patrulha! Licença para entrar? Todos respeitavam.

              E durante a inspeção de campo pela manhã? Ver uma mesa simples, um toldo mesmo que enrugado, bancos para sentar nas refeições, um fogãozinho de barro suspenso, um lenheiro, um porta ferramentas, fossas de líquidos e detritos com tampas; e mais ao fundo um WC bem feito ou mal feito, um tripé para o lampião, chapéus, um porta bastão um porta treco qualquer para copos e pratos, e por aí afora eu me orgulhava. Nunca gostei de chefes que em vez de ajudar prejudicavam a Patrulha quando da inspeção. Tudo limpo alguns levavam no bolso palitos, papeis para jogar ao chão e dizer: Não estava tão limpo. É correto? O que dirá a Patrulha? – Não dizem que somos exemplos? Devemos isto sim parabenizar o trabalho. Hoje nem tão bom mas o amanhã ser melhor. E o sorriso de quem recebe um elogio? Bom demais!

              E quando o cerimonial de bandeira terminava, todos formados esperando os comentários da inspeção, de olho no totem de eficiência, e lá vinham os chefes, um por comentando: - Há Pantera hoje se superou! E a Touro foi demais! Entregar a bandeirola de eficiência, cumprimentar o Monitor e toda a Patrulha, ver o orgulho de cada um e saber que pensavam o mesmo: - Eu fiz parte, eu ajudei. Era bom demais! Que orgulho! Vê-los sorrindo! Pioneirias! Ah! Como são belas quando feitas por eles. Mas meu amigo Chefe se você gosta, faça a sua no seu canto da chefia. Eles tenham certeza irão orgulhar de você. Lembrem-se sempre que treinar e formar os monitores é o caminho correto. Orientem-nos a ter ideias, mas deixe que eles façam, deixe que eles criem e um dia, um belo dia eles dirão: - Chefe vamos fazer um acampamento de dois ou três dias só para grandes pioneirias? Já pensou? Eles dizendo isto e não você?

             Pioneirias! Quem já fez nunca esquece. Mesmo aquelas que o vento malvado jogou ao chão. Mesmo aquelas que umas vacas perdidas invadiram o campo e pisaram em tudo. Mesmo aquelas que um dia passamos uma noite sentados nos bancos sobre a proteção do toldo, pois a chuva torrencial encheu de água e barro as barracas. Quem já fez não esquece nunca. Fazer pioneirias é uma arte tão simples que se deixarmos elas brotarão facilmente na mente do escoteiro. Trazer água de um córrego próximo usando bambus, fazer uma ponte, Jangada de piteiras, Pórtico de três metros ou mais, estrado para barracas suspensa, escadas de cordas ou cipó, o caminho do Tarzan, um ninho de águia, uma passagem suspensa de bambus ou madeira de lei e até um elevador rústico. Tantas e tantas que começaram com um simples volta do fiel e em seguida uma simpática amarra quadrada.! Isto meus amigos, isto é escotismo!


“Deixai-os fazer, deixai-os seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido!” (Kipling). 

domingo, 14 de junho de 2015

O Escotismo e a Juventude Hitlerista.


Conversa ao pé do fogo.
O Escotismo e a Juventude Hitlerista.

                   Outro dia um jovem escoteiro perguntou-me se Baden-Powell teve alguma ligação com Hitler para que o escotismo e a Juventude Hitlerista tivessem a mesma composição e atuação do escotismo no mundo. É um tema espinhoso, pois muitos dos nossos jovens de hoje desconhecem sobre a verdade da segunda guerra mundial e do holocausto dos judeus pelos nazistas. Não sou um estudioso do tema, e peco por vezes em ter conhecimentos que não tenho. Nunca entrei nesta seara e o que li guardei só para mim e achava melhor não discutir ou mesmo comentar o que os arquivos contam. Hoje pela manhã vi na TV um documentário sobre o que Hitler e seus comandados acreditavam e o que fizeram junto à juventude de diversos países inclusive o Brasil. Vide a ficção do filme Os meninos do Brasil. Tocou-me muito o documentário, pois desconhecia quase tudo que se narrava ali. Vejamos algumas notícias sobre o que realmente aconteceu entre Baden-Powell e Hitler, nos anos que antecederam a segunda guerra mundial.

Criador do escotismo discutiu alianças com emissário de Hitler

O criador do escotismo, Lord Baden-Powell, teve contatos com representantes de Adolf Hitler dois anos antes do início da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de discutir uma possível aliança com a Juventude Hitlerista. Segundo publica hoje a imprensa britânica, documentos desclassificados pelo MI5, a agência de contra-espionagem do Reino Unido, indicam que os encontros entre o criador dos escoteiros e o então embaixador alemão em Londres, Joachim von Ribberntrop, deixaram as autoridades em alerta. Enquanto ocorriam as reuniões, as autoridades tinham detectado um repentino aumento de excursões ao Reino Unido da Juventude Hitlerista (Hitlerjugend), que tinham lições sobre antissemitismo e pregavam a supremacia da 'raça ariana'. Os documentos secretos mostram que Baden-Powell não escondia sua admiração pela ideologia nazista e o movimento juvenil alemão, como aponta, por exemplo, uma nota interna que escreveu após uma visita em 1937 do alto dirigente Hartmann Lauterbacher.

Em outra ocasião, após jantar com o embaixador Von Ribberntrop, considerado o arquiteto da política externa de Hitler, refletiu em uma carta sua intenção de aproximar as duas organizações para manter a paz entre os dois países. "O (embaixador) vê o escotismo como uma poderosa agência para alcançá-lo se pudermos manter laços estreitos com o Movimento Jugend da Alemanha. Disse a ele que estava totalmente a favor de qualquer medida que favorecesse o entendimento entre nossos países", escreveu. Baden-Powell, que considerava "Mein Kampf" ("Minha Luta", de Adolf Hitler) um "livro maravilhoso", confirmou mais adiante que o diplomata o tinha convidado a viajar para Berlim para ter um encontro com o próprio Hitler.
No entanto, os relatórios do MI5 revelam que o criador dos escoteiros foi, na realidade, uma vítima do jogo duplo dos alemães.

A Juventude Hitlerista.

A Juventude Hitlerista  era uma instituição obrigatória da Alemanha Nazista para treinar os mais jovens de acordo com seus interesses. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha sofreu severas punições internacionais por ser considerada a responsável pelo conflito e por sua longevidade. Em meio a um cenário de pobreza e ausência de esperança, o jovem Adolf Hitler conquistou muitos seguidores com seu discurso enérgico, renovando as esperanças de um povo e fazendo-o acreditar na sua superioridade sobre os demais. Hitler assumiu o comando da Alemanha em 1933 e oficializou um programa de limpeza étnica e de expansionismo da raça que chamava de ariana. Assim, o Nazismo tomou conta do Estado. A Alemanha Nazista e as ambições de Adolf Hitler foram marcadas por várias práticas e instituições encarregadas da promoção da raça ariana. Uma dessas instituições foi à chamada Juventude Hitlerista. Hitler não acreditava que as escolas públicas fossem capazes de doutrinar os mais jovens da maneira adequada, criando uma instituição própria para isso.

O comando da Juventude Hitlerista foi dado a Baldur von Schirach e, pouco tempo depois, Hitler extinguiu todas as organizações de jovens que não fossem nazistas. A organização pulou de cerca de 100 mil membros em 1932 para quase oito milhões de membros em 1938. Com a crescente militarização e as pretensões de guerra cada vez mais evidentes por parte da Alemanha, uma lei obrigou a convocação de todos os jovens alemães para integrarem a Juventude Hitlerista. Os pais que se recusavam estavam sujeitos à prisão e seus filhos eram enviados para orfanatos ou qualquer outro local determinado pelos nazistas.

A Juventude Hitlerista promovia intensa doutrinação dos jovens alemães. Entre seis e dez anos de idade, as crianças estavam submetidas ao aprendizado nazista, que era avaliado e o desempenho registrado em livro. Aos dez anos de idade, as crianças faziam testes de atletismo, de acampamento e de história nazificada, fazendo juramento de devoção a Adolf Hitler e à pátria. Essas duas etapas A superioridade da dita raça ariana e o desprezo pelos indesejáveis eram os principais ensinamentos da Juventude Hitlerista, com ódio especial atribuído aos judeus. A Juventude Hitlerista terminava aos 18 anos para os meninos, quando eram transferidos para a Cooperação pelo Trabalho ou para a Wehrmacht (Forças Armadas), e aos 21 anos para as meninas, quando já haviam recebido o treinamento necessário da maternidade e dos afazeres domésticos segundo o nazismo.

                     Finalmente, ao ver quais os propósitos de Adolf Hitler, BP se afastou completamente de suas idéias e quando se iniciou a guerra fez de tudo para ser um oficial britânico na linha de frente. Não aceito devido ao seu trabalho com os Escoteiros conforme já narrei em artigo anterior. Lembro que centenas de Escoteiros do mar e outros deram excelente colaboração na retirada dos soldados aliados em Dunquerque (França) e muitos foram condecorados por atos de bravura. Existem centenas de relatos sobre estes fatos que podem ser facilmente pesquisados nos dias de hoje.

Obs. A Evacuação de Dunquerque, ou Operação Dínamo, entre 26 de maio a 4 de junho foi uma notável operação militar na Segunda Guerra Mundial com a retirada por mar sob intenso bombardeiro alemão de quase trezentos e quarenta mil soldados aliados. Os Escoteiros Britânicos deram enorme contribuição reconhecida até hoje pelas autoridades Inglesas. 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Você Sabia? – Frases interessantes.


Conversa ao pé do fogo.
Você Sabia? – Frases interessantes.

- Que Baden Powell no livro Escotismo para Rapazes definia o Escotismo é como movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário, sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira. E, através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina e que estas definições tiveram muitas alterações?

- Que se alguém encher o teu saco, você precisa usar 42 músculos da face para franzir a testa. Mas, só precisa de quatro músculos para esticar o braço e dar um soco na cabeça desse chato? (kkkkkkkk... sem violência).

- Que a UEB Regiões e distritos estão fazendo tantas atividades que quase não sobram datas para o programa do grupo, e das seções? Que nosso efetivo hoje não difere muito de vinte anos atrás? Que em um só ano (2.014) quase seis mil associados deixaram o escotismo?

- Que cigarro, charutos e cachimbos causam mais mortes prematuras do que a soma das mortes provocadas por AIDS, cocaína, heroína, álcool, acidentes de trânsito, incêndios e suicídios. Um terço das mortes por câncer é ocasionado pelo cigarro?

- Que o número de escotistas portadores da Insígnia da Madeira no Brasil poderia ser bem melhor do que é hoje?

- Que o Brasão Nacional representa a glória, a honra e a nobreza do Brasil? Que ele apresenta no centro o cruzeiro do sul rodeado por 21 estrelas de prata que repousam sobre uma espada, a qual representa a intervenção militar que proclamou a república? Que o ramo florido do lado direito do brasão representa a vocação agrícola do Brasil.

- Que a evasão no movimento escoteiro no Brasil é uma das maiores do mundo? Que não existe uma politica por parte da Direção Nacional de pesquisas e consultas visando discutir e tentar pelo menos minimizar esta perda tão nefasta?

- Que a Bíblia é o livro mais roubado de livrarias? - Você sabia que... O deserto do Saara é o maior do mundo com 9.065.000 Kms quadrados?

- Que o Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo?

- Que o livro escrito por Baden-Powell Escotismo para Rapazes está entre os quatro Best Sellers mais vendidos no mundo?

- Que um bom número dos Grupos Escoteiros no Brasil, fazem poucos acampamentos separados por seções e poucos aplicam o Sistema de Patrulhas conforme protagonizou Baden-Powell?

- Que não existe mais a preocupação de fazer um escotismo participativo onde a comunidade mais pobre pudesse participar? Que as taxas de eventos nacionais e internacionais está longe do poder aquisitivo de pelo menos setenta por cento dos associados da UEB?

- Você sabia que... O escaravelho (besouro) é um dos símbolos mais poderosos do Egito?

- Que os grandes eventos para jovens realizados pela UEB e Regiões é só diversão e a não ser os participantes armarem suas barracas as atividades são só para divertir e brincar?

- Que em caso de raios em chuvas torrenciais o melhor lugar para ficar é o interior de seu veículo? - Que as águas do Mar Morto são cerca de dez vezes mais salgadas que as dos oceanos? - Você sabia que sapo come cobra?


- Que o escotismo de aventuras, de exploração de grandes atividades aventureiras quase não mais existem por muitos acreditarem que os jovens não estão preparados para isto? - Que é possivel termos hoje mais de vinte por cento de Escoteiros que não são registrados anualmente na UEB?

- Que é impossível lamber o seu próprio cotovelo? - Que um crocodilo não coloca a língua para fora da boca? - Que na Primavera os papagaios gritam para atrair as fêmeas?

- Que participar de uma Alcateia com um mínimo de vinte jovens e em uma tropa com um mínimo de vinte e quatro jovens além de ser bom demais dá para fazer melhores atividades Escoteiras?

- Que mais de 50% das pessoas, no mundo inteiro, nunca fizeram nem receberam  chamadas telefônicas? - Que a vestimenta foi decidida por pouco mais de doze dirigentes e que não houve nenhuma pesquisa para saber se era a ideal?

- Que muitos chefes desconhecem e praticamente não tomam conhecimento das resoluções, relatórios e muitos fatos interessantes da UEB? - - Que basta qualquer Chefe resolver fazer boas atividades ao ar livre com seus jovens preparando primeiramente seus monitores e é quase certo chegar ao Caminho do Sucesso?

- Que ao longo de uma vida, em média, cada pessoa engole durante o sono cerca de 70 insetos e 10 aranhas? - Que um estudo, que abrangeu cerca 200 mil avestruzes durante mais de 80 anos, não registrou um único caso em que uma avestruz fosse vista a enfiar a cabeça na areia?

- Que as exigências para a conquista do Liz de Ouro e Escoteiro da Pátria estão muito mais fáceis comparadas com as do passado? E que mesmo assim comparativamente com o numero de jovens nestas idades é mínima a ortoga do certificado anualmente?


- Que até agora estou pensando porque escrevi tudo isto? kkkkkkkk.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Se for para gastar não me convide.


Conversa ao pé do fogo.
Se for para gastar não me convide.

                 Não me levem a mal. Sei que como diz muitos dos nossos amigos Escoteiros não existem almoço grátis. Não deve existir mesmo, alguém tem de pagar. Mas eu faço tudo para que não seja eu. Calma, sou um Velho chato de galocha, mas não sou pão duro. Nada disto. Se quiserem saber já gastei do meu simples ordenado com o escotismo mais do que podem imaginar. Gastei com viagens nacionais e internacionais. Fui a um Jamboree, fui a seminários fora do Brasil fui até que me lembre no escambal. Risos. Gastei o que não devia e me arrependi até hoje. Valeu sim pela fraternidade, pelos conhecimentos, mas o gasto poderia ter sido mais bem aproveitado por toda minha família. Sei que tem muitos que ainda não viram que o escotismo não pode ser feito do toma lá da cá. Tem dinheiro? Vai, não tem não vai! Com o tempo fui lembrando-me do meu tempo que meu pai era um simples seleiro e mal colocava a boia na mesa.

                Sou de um tempo que se fazia escotismo gastando o mínimo. Meu uniforme eu comprei engraxando sapatos limpando quintais e outras oferendas em troca de um trocado. Morando no interior comprei meu chapéu Prada, meu cantil francês e meu sapato Vulcabrás. Comprei meu cinto na cantina da UEB, minha bússola, meu canivete suíço e minha faca alemã. Se eu fiz assim acredito que qualquer um também pode fazer. Sei que hoje muita coisa mudou e não nego que as facilidades de outrora não são as mesmas de hoje. Mas no meu grupo onde nasci nunca paguei mensalidade. Fazíamos sim “vaquinhas” para quando houvesse necessidade. E olhe acampávamos ou excursionávamos pelo menos uma vez por mês. Nada como uma boa ração A, ou B, ou a C. Mamãe nunca negava. Convidávamos grupos para acampamentos em conjunto, dois três muitas vezes cinco grupos (não havia distritos). A prefeitura doava a alimentação (éramos amigos do prefeito e o filho dele Escoteiro), o Batalhão Militar e a Viação Santa Clotilde sempre colocavam a nossa disposição  caminhões e ônibus. A Estrada de Ferro Vitória Minas era uma mãe dos Escoteiros. Sempre que se precisava um vagão a disposição.

                  Afinal naquela época existia ex-Escoteiros bem postos na hierarquia de muitas empresas e na prefeitura. Sei que hoje isto pouco acontece, mas afinal, será que não estamos fazendo escotismo que vai morar no coração do escoteiro para sempre? Melhor não falar sobre isto, quando falo nos resultados da formação Escoteira de hoje centenas de “çabios” dirigentes e politicamente corretos logo dão sinal de vida discordando. Podem não acreditar, mas como Comissário Regional em Minas Gerais (Hoje pomposamente chamado Presidente) fui a mais de quarenta cidades para desenvolver grupos, fazendo indabas distritais, seminários, e organizando grupos mal formados dando toda a estrutura que tínhamos. Nossas colaborações de materiais burocráticos eram mimeografados. Não existia Xerox, mas enviávamos um milhar de correspondência por mês aos grupos no estado. E se tivéssemos e-mail? Bom demais. Era uma mão de obra manter um arquivo de chefes e enviar a cada um no seu aniversário uma palavra amiga. Hoje me dizem que isto é impossível. Dizer o que? Quem quer faz quem não quer da desculpa. Durante meus sete anos a frente do escotismo mineiro fizemos realizar três acampamentos regionais, vários acampamentos distritais e em quase todos recebíamos Escoteiros de vários estados. Eles sabiam que não haveria taxa. A alimentação e transporte da capital ao local do campo eram de graça. Ainda bem que tivemos uma equipe jovem que pensava como eu.

                Naquela época organizamos quatro Indabas regionais. Nos dois últimos presentes mais de 400 chefes. De graça! Sei que é pouco comparado a hoje, mas naquela época meu amigo era formidável. Lembro-me dos lords da UEB dormindo sob barraca e com seu pratinho e canequinha na fila da boia. Eles pagavam do seu próprio bolso suas viagens e lá estavam meus amigos Darcy Malta, o Chefe Floriano de Paula, o Escoteiro Chefe Arthur Basbaun e dono da cadeia das Lojas Brasileiras. E o Helio? Profissional nota dez! Tivemos muitos outros de estados amigos. Desculpem por esquecer os nomes. Quantas vezes ficamos em volta de um fogo papeando e jogando conversa fora noite adentro? Ali não tinha cargos ali só tinha irmãos Escoteiros. E tudo sem taxa. Cursos? Todos eles de graça. Quando era necessário cobrar uma despesa extra, corríamos atrás de empresas para conseguir cobrir o valor necessário. Tínhamos um bom material de campo e todo curso era feito em bosques ou matas próximos a capital. Mordomia de Quartos, restaurantes e garçons só hoje. Paciência repito quem quer faz quem não quer manda.

               Quando cheguei a São Paulo não foi fácil fazer o mesmo. Muitos dirigentes que não simpatizavam com a minha pessoa. Tentei aqui fazer o mesmo para que as taxas fossem as mínimas possíveis. Muitos aqui no Facebook fizeram cursos comigo e sabiam que lá eram cursos Escoteiros de raiz, barato, no campo, barracas e cada patrulha cozinhando para si. Fui a várias cidades no interior paulista dar cursos. Sempre com a mentalidade de baratear ao máximo as taxas. O Chefe José Renato na época Comissário Regional pensava como eu. Quantas Assembléias fizemos na capital e no interior do estado com gasto mínimo? Sem essa de presentear pastas incríveis com distintivos, lenços, chapéus e o escambal. Era uma época que jovens  e chefes mais humildes tinham oportunidade de estarem nestas atividades Escoteiras que hoje infelizmente não podem. Hoje só se fala em taxa daqui, taxa dali e nenhum dirigente arregaça as mangas para conseguir facilidades melhores de participação. A UEB que o diga.

                Não sou muito de comprar ou promover vendas, negócios e outros que sempre tentam postar nos meus grupos. Desculpem quem posta, mas não posso aceitar o que é contra meus princípios. Acho que é por isto que sou um pobretão até hoje. Até para fazer uma prestação de contas pedia ajuda. Não sou bom nisto. Mas nunca deixei de mostrar uma nota fiscal autêntica se ela fosse paga pelo escotismo. Tudo bem para os que querem vender lenços, distintivos, uniformes, livros Escoteiros, barracas material de intendência e o  que me surpreende: - Locais para atividades e acampamentos. Afinal muitos precisam sobreviver e quem sabe isto é seu ganha pão. Mas não contem comigo. Até aceito os grupos que para sua sobrevivência fazem suas festividades de arrecadação financeira. Eu ainda sou daqueles chefes que dizem aos seus monitores: - Ou vamos todos ou não vai ninguém. Ou todos estão uniformizados por igual ou então não vestiremos uniforme. Afinal somos um só, somos e seremos sempre um por todos e todos por um.


                Acredito que nos dias de hoje ainda se pode fazer escotismo para pobre. Tenho certeza que se eu tivesse forças faria tudo novamente. Não bato palmas para dirigentes. Ele foi quem se ofereceu para atuar no cargo que está. Tem de fazer acontecer e não ficar se vangloriando para receber cumprimentos e as condecorações que muitas vezes deveria ter os mesmos direitos que o simples Chefe Escoteiro de uma unidade qualquer. Não é difícil fazer escotismo com meninos e meninas sem boas condições financeiras. Sabendo trabalhar tudo se consegue. Enfim, este é o escotismo que acredito. Mas aceito que os ricos paguem e participem só não aceito a tristeza do escoteirinho pobre que chorou por não poder participar.             

sábado, 6 de junho de 2015

Pontualidade Escoteira. Pontualidade é um dever até dos reis.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Pontualidade Escoteira.
Pontualidade é um dever até dos reis.

- Hoje é sábado, dia e que a maioria dos grupos estarão reunidos. Jovens de todos os lugares, cidades e países estarão juntos para aprender a ser bons cidadãos. Para você que é um dos voluntários que estarão com eles colaborando, um pequeno lembrete, mas de suma importância. Aprender desde cedo a ser pontual. Por quê?

                     Há dias marquei com um amigo um bate papo para colocar a prosa em dia. Esperei por meia hora e ele não apareceu. Fui embora, pois tenho mais o que fazer. Telefone toca. – Não me esperou? Risos. Eu tinha de esperar por ele. Boa essa. Outro ligou que estava chegando. Meia hora, uma e fui embora. Dizem que pontualidade é a arte de não desperdiçar o tempo alheio. Concordo. Acho que é por isto que resolvi escrever sobre pontualidade. Não é um assunto de adestramento, de técnica, de programas, mas acredito ser da formação moral escoteira. Não sei se será bem recebido pelos meus amigos leitores que não são pontuais. Os que se enquadrarem que procurem acertar. Vejam bem, somos exemplos, somos vistos como perfeitos, muitas vezes pela comunidade, pelos pais, pelos membros juvenis e estamos a toda hora lançando a semente da responsabilidade, da amizade e confraternização e do respeito. Na Lei Escoteira incentivamos as atividades religiosas, escolares e de cidadania. Portanto, somos responsáveis pela formação de nossos jovens nestes aspectos sem sombra de dúvida.

               Acontece que a falta de pontualidade é sempre um sinal de desrespeito pelo próximo e pela organização social e está presente em nosso meio. Ela está presente nas rotinas, nas tarefas que desempenhamos, nos desafios e nos objetivos que nos propormos realizar. De todos os recursos a que temos acesso, o tempo é um dos mais relevantes pela sua natureza volátil e, para muitos de nós, perdermos horas à espera de outros, significa desperdiçar um precioso bem. E claro ninguém gosta.

              Também é importante que devemos perceber e assumir que a forma como lidamos com o relógio, diz muito sobre a nossa educação e temperamento. Numa sociedade tão exigente e complexa como a nossa, é uma questão de procurarmos definir prioridades, sabendo de antemão que nunca iremos ter tempo para fazermos tudo o que precisamos ou gostaríamos de fazer. Ninguém gosta de ficar à espera. Se nos pusermos no lugar do outro poderemos vir a constatar que esta atitude não é um pormenor sem importância, mas constitui de fato uma falta de civismo e respeito. Vejamos algumas situações no dia a dia das reuniões de seções ou acampamentos:

- O horário de inicio da reunião é 14h30min (hipotético) alguns pais trazem os filhos nos horários, outros não. Será que é devido às falhas anteriores por parte dos escotistas responsáveis que não cumpriram os horários determinados?
- O tempo de duração da cerimônia de bandeira (hipotético) é de 10 minutos, mas foram gastos mais de 20 minutos. Isto é correto? É claro que atrasou os programas feitos pelas seções e muitos itens não terão a continuidade esperada.
- A inspeção, ou o Grande Uivo era de 10 minutos, mas se gastou 15 ou mais.
- O jogo inicial era de 10 minutos, mas se gastou muito mais.
- O adestramento de base ou de patrulha/matilha era de 15 minutos, mas se gastou muito mais.
- Diversas outras atividades programadas tiveram que ser canceladas ou substituídas por falta de tempo, já que ele foi gasto em outras atividades. - E finalmente, o encerramento atrasou e os pais que estavam à espera ficaram inconformados, pois muitos deles tinham outros compromissos.

              Vamos raciocinar que foi feito um programa, distribuído tarefas junto aos assistentes, preparou-se material para isto e boa parte foi perdida. Esticar o horário, mudar à hora de encerramento? E os pais? É importante esclarecer que temos praticamente uma atividade por semana, com tempo determinado e muitas vezes perdemos um programa por não sabermos como utilizá-lo. - Eu pergunto como fica a motivação dos assistentes quando sua atividade é cancelada? – Como fica o programa de progressividade nas etapas e provas? – Não seria o caso de quem sabe, perdendo boa parte do programa, com consequente atraso no progresso do jovem este é induzido a sair do movimento? 

                      Eu posso dizer que vivi muito tal situação. Além das atividades escoteiras nos grupos, também atividades distritais, regionais ou nacionais não começavam no horário. Os jogos e atividades programadas se extrapolaram. Chegamos a tal ponto, que diversos cursos de adestramento que dirigi, tinha alunos que chegavam atrasados. Mandá-los de volta, recusá-los? Mandei muitos de volta. Errado eu? Como disse acima, é uma falta de respeito para com aqueles que chegaram no horário. Isto não pode fazer parte do dia a dia de nossas atividades escoteiras. Nós adultos somos o exemplo. Temos que manter nossa fleuma de uma pontualidade “britânica” para mostrar que os outros podem contar conosco.

                    Tenho certeza que a maioria de vocês que me leem, pode ter acontecido um pequeno ou um grande atraso na chegada de um acampamento, de uma excursão, de um bivaque ou mesmo acantonamento. Coloquem-se no lugar dos pais que estão à espera, sem nenhuma notícia. (hoje com o celular é mais fácil) Acredito inclusive que a decepção pode em alguns casos ser superior à alegria e motivação do jovem no seu retorno. E na saída então, esperamos este, aquele e no final, saímos com total desrespeito com aqueles que chegaram no horário, prejudicando todo o programa que havia sido feito. Conheci um executivo escoteiro profissional, que conseguiu ser recebido por um presidente de uma multinacional e cujo intuito era de conseguir meios e locais para alojar em sede própria um Grupo Escoteiro da comunidade. Ele se prontificou em receber e ouvir e até quem sabe ajudar. Infelizmente ouve um atraso de 30 minutos e a reunião foi cancelada. Que belo exemplo ele deu. Acredito que daí para frente aquele Presidente olharia com desconfiança para o Movimento Escoteiro.


                    Temos diversas situações de escotistas que divergem de tal situação, chegando mesmo a pedir demissão pela falta dos responsáveis do Grupo Escoteiro em não tomar providencias. Sei que muitos de vocês leitores não se coadunam com o que aqui escrevi. Conheço uma centena ou mais de Grupos Escoteiros responsáveis e acredito que todos lutam para que fatos como este não aconteçam.  Infelizmente ainda passo por convites de escotistas que ainda não se espelham com os dizeres sagrados da pontualidade. (e francamente, detesto ficar esperando!).

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Saudades de minha barraca de duas lonas...


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Saudades de minha barraca de duas lonas...

                Para nós não existia “outras”. Bangalô? Canadense? Iglu? Tubular? Geodésia? Deus me livre! Só vim a conhecer muitos e muitos anos depois. Tem cada uma moderna que só vendo. Soube que agora tem uma que você aperta um botão e ela enche de ar e aos poucos vai tomando forma. Lá dentro aparecem camas, tapetes, armários só não tem WC. Aí é querer demais. Meu amigo e tem graça isto? Bem se for fazer Camping tem. Mesmo eu que fui campista por anos, sócio do CCB e acampando  Brasil afora não sei se iria gostar dela. Sem fazer nada? Só dormir? Bah! Acho que não é minha praia. Boa mesmo, prá lá de “mais de boa” era a de duas lonas. Impecavelmente dividida para dois. Cabia tranquilamente dois ou mais Escoteiros. Já vi dormirem em noite de trovoadas e chuvas torrenciais cinco em uma! Muito? Bem a lama que correu nas outras barracas fez daquela uma mãe de todos.

                  Quem sabe você também sente saudades e já dormiu com elas. Conheceu as batutas que usando cipó e dois pedaços de madeira e seis espeques elas ficavam em pé. Bem para ser sincero era bom colocar mais dois espeques no meio e não se esquecer de fazer em volta um bom canal de chuva. Como? Um canalzinho pequeno, não mais de que quinze centímetros de profundidade, percorrendo toda circunferência da barraca. Assim feito não entrava água de chuva dentro. Diziam-me que chovendo e abrindo a porta se molha todo interior. Não sei não. Comigo não aconteceu. Meu Monitor me ensinou bem a abrir a porta e sair e entrar em um dos lados. Bem eu sei e você sabe que não tinha forro de chão. Forro? Bah! Para que se tinha capim a vontade? Tinham-se folhas secas caídas no chão e eram um verdadeiro  colchão? Neco Brinco de Ouro nosso sub me disse para comprar dois sacos de linguagem, qualquer um podia se o branco ou o de cânhamo e costurar um no outro. Depois era só encher de capim e teria uma cama melhor que tinha em meu quarto.

                   E para transportar? Simples demais. Bem dobrada fazia a volta na mochila e junto à capa de chuva se prendia com cabos firmes em presilha. Peso? Uma ninharia, bem menos que dois quilos. Claro eram duas lonas, uma comigo e outra para meu companheiro de patrulha. Armar era supimpa. Diziam naquela época que demorar mais de cinco minutos para armar uma era coisa de Pata-tenra! Era boa demais. Em jornadas ou caminhadas longas se chovia elas eram uma “pá na roda”. Servia para um descanso em baixo de uma árvore, servia para um travesseiro nas paradas de descanso, e se fosse demorar porque não armar? Cinco minutos! Isto mesmo. Soube de uma patrulha que armava em dois! É mentira “Terta”? Bem Escoteiros não mentem, eles tem uma só palavra e tem honra. Hoje sair para acampar é um “pé no saco” bem sei que tem as iglus, leves, vem embutidas em uma sacola e fácil de transportar. Mas Deus do céu! Um vendaval e lá vai ela pelos ares.

                  Teve uma época que depois de usar por anos elas começaram a embranquecer e perder a permeabilidade. Qualquer  chuvinha pingava dentro como telhas quebradas das taperas que parávamos para passar uma noite em um bivaque. Acho que foi Lomanto Cobra Cega quem nos ensinou como fazer. Ele era Motorista de um caminhão “Fenemê”, FNM, ou melhor, Fábrica Nacional de Motores. Caminhão brasileiro para ninguém botar defeito. Chamou Zequinha o Monitor e disse: - Procure o Curtume do Seu Palácios. Veja se ele pode doar a vocês um pouco de sebo de boi. Ele vem duro como pedra. Coloque em uma vasilha e deixar virar mel. Pegue uma escova de engraxar sapatos, vai molhando e passando na barraca. Depois deixe secar, mas não no sol. Na sombra. Faça isto quatro vezes espaçadamente. A lona nunca mais vai deixar a água de chuva passar!

                    Dito e feito. Foi supimpa. A gente sorria e partia para nossos acampamentos de fins de semana mais tranquilos. Mas teve um dia que uma surpresa aconteceu. Gente! Foi bom demais. Ninguém acreditou e até assustou quando um Fenemê do 6º Batalhão de Infantaria parou na porta do grupo. – O que foi? Quem vai acampar? Ora sempre o Capitão Barbosinha com sua gentileza nos dava o transporte que precisávamos. Mas não era isto. Um cabo mal criado gritou – Ou vem ajudar ou vou levar esta M... De volta! Fomos ver e olhe, lá tinha dezenas de barracas, cantis, mais de cem mochilas de soldados, de oficiais, tinha lá dentro tudo que a gente precisava para nossa intendência e nosso material de sapa. A Escoteirada em pouco tempo descarregou o caminhão. Chefe João Soldado chegou sorridente. - Foi o Capitão Barbosinha? – Foi Chefe! Gente boa ele, disse. Já foi Escoteiro na capital!

              Nossa patrulha recebeu seu quinhão. Quatro barracas de duas lonas novinhas. Uma mochila nova para cada Escoteiro. O cantil não me interessou muito. Tinha o meu francês. Adorava ele. So fiquei com um caneco de campo que servia para tudo. Fazer café, guardar sopa, e armazenar água. Olhe, este material serviu ao grupo por mais de vinte anos. Tempos bons, tempos que os batalhões descarregavam materiais usados a cada quatro anos. Tivemos a sorte de ter amigos oficiais e soldados lá. Hoje me orgulho em ter ficado nove meses como recruta, pensei em ser um oficial da PM. Não deu certo, uma noite de guarda um aspirante a oficial me deu nos “cocos”. Um meninote! Fazendo-me de besta e querendo gosar da minha cara! Não deu outra. Fui parar no alojamento preso por uma semana. Melhor pedir baixa. Fui aconselhado a continuar. Faltava pouco para a escolha dos que iriam para a capital fazer o CFO. Bem a vida de cada um é de cada um. A minha não foi ser um oficial da Policia Militar o que teria me dado grande orgulho.

                       Quando fui fazer meu primeiro curso Escoteiro entrando nos meus dezoito anos, lá pelos idos de 1959, levei na mochila minha barraca de duas lonas. Levei as duas bem dobradas na mochila. Cheguei lá e disseram que não. JF um dos dirigentes disse que tinha para cada patrulha uma de oficiais, cabiam oito tranquilos. Ainda teria preferido armar a minha, mas melhor não discutir. O tempo passou e eu passei com ele. As barracas de duas lonas foram sumindo no tempo. As iglus da vida aparecendo. Ceda de manteiga eu as chamava. Qualquer coisa rasgavam. Não aguentavam belas chuvas e ventos. E eu amava antes durante e depois de um lindo vendaval. Chuva na terra, cheiro de terra molhada, mata encharcada, poças d’água recebendo visita de pássaros, insetos voadores, borboletas voando em circulo. Hoje não faço mais, mas guardo na lembrança para sempre minha adorada barraca de duas lonas. Ainda sonho com elas, sonho na Mata do Morcego, na Montanha do Beija Flor. Nas margens do Rio Doce, do Rio das Velhas, em terras desconhecidas por onde passei.


Saudades... Muitas saudades de minha barraca de duas lonas!