Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

terça-feira, 11 de agosto de 2015

E aí Zé, saiba que você é o único culpado!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
E aí Zé, saiba que você é o único culpado!

              Acho que sim. Ele é um Zé. Atrasado na modernidade. Tem culpa por não aceitar tantas mudanças, culpado por querer ver um escotismo que já não é mais seu. Culpado porque ainda acredita em um escotismo forte e reconhecido pela população brasileira. Mas será que ele tem a solução? Será que não olha para si mesmo e se sinta perdido em um emaranhado de dirigentes, diretores, presidentes e chefes que acreditam que o mundo hoje é outro? Será que ele queria aceitar as mudanças, e mesmo assim fica implicando com tudo que lhe é jogado sem que tenha sido consultado ou pelo menos solicitado a opinar? Porque ele implica tanto? Afinal este escotismo é como uma folha solta e perdida que o vento levou e vai se perder no mar. Nada vai mudar o seu destino. Então porque Zé não se dobra aos donos do poder Escoteiro que acreditam que terão a solução nos seus novos programas e na sua maneira de agir? Porque tenta explicar o inexplicável a tantos que o leem e nem concordam consigo?

                  Esse Zé é demais. Ele devia parar para pensar. Mas pensar o que Chefe? Diz-me o Zé. Este não é o caminho, o caminho outro. É mesmo Chefe? Mas Zé, qual então é o caminho? O seu? Afinal a verdade é só sua? Acorda Zé, abra os olhos e os ouvidos. Afinal você não se olha no espelho? Veja você é um Velho Escoteiro e seu lugar não é mais aqui! – Eu sei Zé que você quer falar, dizer, será que já não falou demais? Olho para si mesmo tu és nada, apenas um humilde servo dos deuses do escotismo. Eles sabem tudo, são doutores, pedagogos, pensadores Professores universitários e você? Quantas vezes te escreveram para dizer que você não sabe de nada, que está errado, que escreves errado, que tem um português arcaico? Zé você é um chefinho de nada, eles nem sabem que você existe! Eles sabem que você é um analfabeto, não fala a linguagem deles que mal terminou uma classe na escola e hoje  sabe alguma aprendeu na Escola da Vida.

                  Você Zé não tem história. Tem? Verdade? Faz escotismo há muito tempo? E daí Zé? – Onde estava o seu diploma superior? Você não tem nada, portanto não azucrina os sábios escoteiros que hoje estão a dirigir seu escotismo que ama. Claro que você tem culpa. Você se fechou no passado e tenta viver em um presente que não é seu. Porque não aceita o real? Porque não aceita a nova visão escoteira? Porque não aceita a nova maneira de se vestir de se trajar? – Isto mesmo Zé, és o único culpado, afinal não adianta dizer que pode ser uma vestimenta ou farda, traje ou uniforme, mas o orgulho de ser um Escoteiro vem em primeiro lugar. O modernismo hoje Zé aceita que alguém põe um lenço no pescoço e saia por aí a dizer que é Escoteiro. Nem me venha dizer que aprendemos com orgulho o exemplo dos chefes, aprendemos que mesmo com o Rock and roll que estava chegando, com a TV preto e branco mostrando uma nova era, de maneira nenhuma esquecíamos nossa machadinha e facão para ir cortar lenha num belo e gostoso acampamento.

                     Zé meu amigo, você é culpado de tantas coisas que fez. Nem venha me dizer que não tem culpa por fazer um escotismo Badeniano, com princípios aventureiros sendo honesto consigo ao obedecer uma Lei Escoteira. Eu sei que nunca aceitou perder um jovem ou um chefe nas tropas que participou e nos grupos que colaborou. Você se arvorou nas ideias de B.P e se esqueceu do resto, que o mundo estava mudando. Não adianta chorar e se sentir culpado pelos pais que azucrinou. Pelos políticos que negociou um lugar ao sol, todos sabiam que seu escotismo era tudo e vinha em primeiro lugar. A evasão era mínima. Era uma luta sem trégua. Ouvir e ser ouvido, aprender a fazer fazendo. Hoje você sabe que não é mais assim. Não adianta fechar os olhos para a má uniformidade, para a maneira que se portam ao copiar dos outros um lenço mal colocado, um chapéu inventado, um calçado de qualquer cor. Esqueça Zé. Em breve você vai para as estrelas e ninguém nem vai chorar por você. Ninguém vai ficar no seu lugar. Olhe os que estão chegando nem querem saber como era ou como vai ficar. Eles adoram a modernidade Zé eles não ouviram falar do passado como era quando faziam de verdade um escotismo que acreditavam.

                         Dificilmente Zé você vai ver meninos e meninas correndo pelas campinas, de mochila e bandeirola deixando que o vento os leve para onde quiser levar. Hoje seu tempo não é mais seu. Aceite uma Alcatéia com oito ou dez, Uma Tropa com duas ou três patrulhas de quatro a cinco cada uma. Aceite e ache tudo normal até as divergências de chefes que deviam se considerar irmãos. Se eles não se entendem Zé caia fora da briga. Nem me venha dizer que nunca aceita o que os donos do poder fazem hoje. No meu tempo! No seu tempo Zé? Risos. No seu tempo é como a história daquela mocinha da TV em seu programa humorístico, para comentar sua vida em Pato Branco. Eu sei Zé que naquele tempo vocês eram irmãos, se respeitavam, trabalhavam como irmãos. Eu sei que acampou com Doutores, Deputados Formadores. Que acampou com Escoteiro Chefe, Regional e o escambal. Nem me venha dizer que dormiam na mesma barraca, lavando as panelas, cortando o vento com o machado, vivendo juntos como uma equipe que queria se acreditava ser uma fraternidade.

                    Zé não discuta você é culpado e está errado. Recolha-se a sua insignificância. Não queira ser um salvador da pátria.  Não tente vender as histórias que conta do passado, elas não tem valor mais. Hoje todos falam em nome da juventude. Ela agora é levada pelos adultos e quando acontece um fato anormal, eles se assustam. Dizem que não foi assim que programaram. Melhor Zé é fazer continência para os novos doutores de escotismo. Eles sabem onde colocar a sintaxe. Onde é o verbo e o adverbio. Nem sabes o que significa o PI. E o cálculo estequiométrico? Lembra do seu menino que lhe disse ter se formado Engenharia Mecatrônica. Zé você sabe o que é isto? Seria a integração sinergética da engenharia mecânica com a eletrônica e o controle inteligente por computador em projetos e processos?


                      Hã! Chega Zé. Melhor parar por aqui. Não tenha duvidas que o erro seja seu. Aceite esta nova concepção do Escotismo. Não vá lutar com os doutores e sua argumentação fantástica. Os velhos tempos foram substituídos pelos novos tempos. Nem vem dizer Zé que conheces de cor e salteador o escotismo de outrora. Você nem entende as novas nomenclaturas que eles fizeram para mudar o escotismo de ontem para o de hoje. Esqueça seu joguinho de caqui, de chapelão. Esqueça que temos um nome a zelar. Deixe os chefões de hoje fazer suas normas que eles mesmos fazem para se manter no poder. Zé não adianta você está errado. Eles sim são os certos!

sábado, 8 de agosto de 2015

A Escola da Vida!


Conversa ao pé do fogo.
A Escola da Vida!

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.”.

                       Não sei se existe idade para que nós possamos aprender nesta formidável escola do mundo em que vivemos. Uma grande poetiza já dizia que todos nós estamos matriculados na escola da vida desde que nascemos. Nesta escola o mestre é o tempo. A cada dia vamos aprendendo. Não importa a idade, pois o aprendizado não para. Dia e noite. É bom aprender com o silêncio, com os falantes, com os intolerantes e os gentis. Eu posso dizer que sou grato a todos pelo que aprendi e ainda aprendo. Não levo em consideração se são rudes, se são estranhos. A eles sou eternamente grato. De vez em quando penso nas palavras de Baden Powell quando disse que é uma pena que um homem tenha que viver sessenta anos para adquirir alguma experiência de vida, e a leve para o túmulo, cabendo aos que o seguem começar tudo de novo, cometendo os mesmos erros e enfrentando os mesmos problemas.

                     Leonardo da Vinci comentou que a experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender. Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. São duas coisas distintas – O saber dado pelos mestres nas escolas e a vida como ela é, sendo olhada, guardada em nossa mente e nos fazendo crescer no dia a dia. Outro pensador comentou que, no dia em que guiarmos nossas ações, juízos, estudos e decisões por valores que visam ao sublime em vez da mesquinhez; quando agirmos inspirados mais nos critérios de justiça, da generosidade, da prudência, da temperança do que do interesse do egoísmo, no dia em que agirmos meditando sempre na beleza da doçura, na importância da humildade, no valor da coragem e no lugar da compaixão, nesse dia nosso planeta atingirá aquele estágio supremo que toda evolução técnica teve por meta.

                O escotismo nos deu escolhas. Não importa se entramos nele como jovens ou adultos. Ele o escotismo nos dá caminhos simples, honestos baseadas em uma lei e uma promessa. Aprendemos tanto a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Aos poucos vamos fazendo um arquivo em nossa memória impossível de descrever ou escrever. É este arquivo é quem nos ensina como compreender a ser calmo, ponderado, e assim aceitarmos mais alegremente a vida como ela é, sem reclamar e aceitando o que nos foi dado como meta. Fico pensando que muitos jovens ou mesmos outros que ainda não estiveram em todas as salas da escola da vida não querem ainda escolher com aqueles que já passaram por todas elas, carregam experiência e não se perdem no caminho desta escola. Eles os jovens se sentem seguros, Andam com firmeza e acreditam que o que fazem é o certo. Mas isto não é bom? Lá bem distante um dia eles verão que o caminho poderia ter sido outro. Mas e o livre arbítrio?

                Ainda bem que tive a alegria de participar ativamente deste movimento que só me deu alegrias. Os percalços que encontrei foram também aprendizado. Hoje não fico preocupado em não poder estar na ativa e junto ao lado dos jovens. A Escola da Vida e Deus me deu o que preciso para continuar a jornada. Mente clara, pensante, ativa procurando nos seus recônditos uma maneira de ajudar e colaborar. Sim aprendi muito e nunca esqueço as belas palavras de Baden Powell. Ele nos mostrou o valor da natureza em nosso crescimento. Dizia ele que quando um filhote de lobo ouve as palavras “estudo da natureza”, seu primeiro pensamento é sobre coleções da escola de folha secas. Mas estudo da natureza real significa muito mais do que isso, o que significa saber sobre tudo o que não é feito pelo homem, mas criado por Deus.  È ela a natureza uma das grandes matérias da Escola da Vida.

                 Todo homem toda a mulher passa pela escola da vida. Eles são os que sustentam a nação e o mundo com o que aprenderam. São livros não escritos, são matérias do dia a dia. São as alegrias, as dificuldades, os sacrifícios que nos dão a certeza de um dia receber o diploma tão esperado. Mas este diploma é apenas uma etapa. A Escola da Vida não para. Há muito que aprender. Ela nos dá a única riqueza que vamos levar conosco na viagem que um dia iremos realizar. E a cada estação, a cada apito do trem descendo ou subindo iremos encontrar mais e mais escolas. São milhares. Nunca irão parar. Seria bom que todos trocassem ideias como os que passaram por esta escola antes da maturidade. Mas acredito que tem de ser assim. E como dizia o poeta, mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo!

O homem que é cego para as belezas da Natureza perdeu metade do prazer da vida!

Lord Baden Powell.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Comentário de um amigo distante.


Conversa ao pé do fogo.
Comentário de um amigo distante.

                Hoje, dia do Chefe Escoteiro me lembrei deste e-mail que recebi há alguns meses atrás. Não faz tanto tempo assim, pois foi quando fiz diversos artigos comentando o porquê tantos chefes estão deixando o movimento Escoteiro. Tocou-me profundamente. Concordo com ele em muito dos seus tópicos. Nossa diferença é que sou uma espécie de Dom Quixote, lutando contra os moinhos de vento e não desisto fácil. Eu ainda acredito. E mesmo errando vou continuar a tentar mostrar qual seria o melhor caminho para que o escotismo seja conforme BP nos deixou. Se vou conseguir não importa. Minha luta seja o resultado que for me considerarei vencedor. O nome do meu amigo fica em OF. Não que ele pediu, mas achei melhor assim. Vejamos suas palavras:

Guaíba, Berço da Revolução Farroupilha, 16 de maio de 2015.
Meu Caro Monitor,
Sempre Alerta! Nada de SAPS ou qualquer outro modismo inventado para “fazer diferente”. “Fazer a diferença” é o que devemos procurar. Somos uma família onde devemos nos destacar pela qualidade e não pela modicidade. Li os seus artigos sobre a evasão do Movimento Escoteiro e por mais que isso me doa sou obrigado a discordar do senhor. Não há evasão do Movimento Escoteiro no Brasil pela simples razão que o mesmo já está morto, e não se pode sair de algo que não existe mais. Não tenho tanto tempo de Escotismo como o senhor, mas sou do tempo do chapelão, da calça curta, do meião, do cabo solteiro, da moeda no bolso da Boa Ação diária. Sou do tempo em que existiam Escoteiros e Chefes Escoteiros, Patrulhas, Conselho de Tropa e Corte de Honra. Sou do tempo em que durante a semana do Dia do Escoteiro atazanávamos a vida do nosso pobre chefe pelos ofícios solicitando o dispensa do uso do uniforme da escola naquela semana, para podermos ir uniformizados para a sala de aula.

Sou do tempo da malfadada frase: “O Escoteiro é uma criança vestida de idiota, comandada por um idiota vestido de criança.” Mas também sou do tempo em que “Ser Escoteiro” era motivo de orgulho. Do tempo em que aprendia a fazer nós não apenas para trocar de classe, mas para saber na hora em precisar fazer um, e fazer o certo. Do tempo em que as patrulhas faziam atividades em dias diferentes das reuniões de Grupo, para treinar e se qualificar para as especialidades, na busca de sempre estar um passo a frente das outras patrulhas. Do tempo em que o “Sistema de Patrulhas” era aplicado e não apenas um nome no rol das lembranças, onde a Bandeirola de Patrulha era cuidada, honrada e respeitada e nunca era largada no chão.

Como escreveu o senhor, do tempo da B.O.I.A. nos hasteamentos e arreamentos. E para quem não conhece a sigla significa Bandeira, Oração, Inspeção e Avisos. Lembro como o nosso GE (pequeno e um dos poucos no Estado do Rio Grande do Sul que não era patrocinado por ninguém) buscava apoio na comunidade, participava de campanhas, guardava à Pira da Pátria, ajudava na organização do desfile cívico e era conhecido e conceituado na comunidade. Francisco Floriano de Paula e Caio Vianna Martins eram nomes conhecidos. Mas como se diz aqui na minha terra, era no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Hoje não vemos mais nada disso. Vemos jovens que não tem motivação, pois não existe mais com que motivá-los.

Escotistas (tenho horror dessa palavra) que não sabem o que é Escotismo. Cursos que são uma piada de mau gosto e taxas, taxas e mais taxas. Não se dá o devido valor aos antigos Escoteiros formando as chamadas Patrulhas Dinossauro nos GE. Não se convida os antigos membros para participar ou mesmo visitar um acampamento. E sabe por quê? Pelo simples fato de que os Escotistas de hoje tem medo de ouvir: “No meu tempo de Escoteiro era diferente!” Tem medo de ter que dar explicação para os jovens dos motivos que levaram as mudanças. Culpa deles? Não, pois nem eles mesmos sabem dos motivos, guardados a sete chaves pelos medalhões.  No Brasil o Escotismo criado por BP não existe mais. Temos um simulacro, militarizado ou completamente solto. Uma disciplina imposta ou ignorada e não mais aquela disciplina que vinha de “dentro para fora” na medida em que íamos aprendendo o que era o Movimento Escoteiro.

Tínhamos os “Escoteiros” e não como hoje “Escoteiro disso” ou “Escoteiro daquilo”. Nada contra, pois são tentativas de uma volta as origens, mas que (até onde consegui ver) não conseguiram descobrir a verdadeira origem do Escotismo ou são impedidas de praticá-lo. O senhor listou quatro pontos: - Programa, Apresentação pessoal, Formação/qualificação do Chefe e Ouvir sempre o ponto de vista do jovem. Todos são válidos, mas se não resgatarmos a “Tradição Escoteira” e o “Escotismo de B.P.” eles de nada valerão. Se não devolvermos ao jovem o “Orgulho de ser Escoteiro” ele continuará a buscar isso em outros locais nem sempre muito recomendado.

 É inerente ao jovem participar de um agrupamento de iguais e buscar reconhecimento. B.P. identificou esse fato e criou um movimento voltado para aproveitar essa energia, esse sentimento de agregação, dando um norte e uma filosofia de vida baseada no caráter e na honra. E hoje, aqui no Brasil, foi realizado um excelente trabalho no sentido de desmantelar todo esse esforço e banalizar o termo Escoteiro a tal ponto que o jovem sente vergonha de ser identificado com Escoteiro e chegar à reunião com o seu uniforme ou aquele simulacro de uniforme adotado atualmente.

O senhor deve ter notado que não tenho participado muito das suas postagens. Mas isso não significa que não estou acompanhando-as, mas sim que sei que vou acabar em uma ou outra rusga com alguém. Sou chato demais nesse ponto e para mim, quando eu fiz a minha Promessa Escoteira foi para toda a vida. E a minha promessa não foi para o que se apresenta hoje como Escotismo, mas sim para o Escotismo de Baden Powell que estava em espírito representado na foto colorida sobre a mesa, entre o machado no tronco de Gilwell e a vela votiva com a promessa.

Deixo aqui o meu (considerado arcaico) Sempre Alerta e os meus votos de força e perseverança nessa sua jornada, a qual com certeza eu não escolheria por causa de meu pavio curto.


Um antigo Escoteiro que tem muito orgulho do seu passado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Pais precisamos deles?


Conversa ao pé do fogo.
Pais precisamos deles?

                      Em uma noite calma, até quente para aquele mês, eu e mais doze chefes estávamos sentados em volta de um foguito quando o Chefe Popeye soltou esta: Seria muito bom se não tivéssemos pais para encher a paciência! Olhamos espantados para ele. – Não se fez de rogado – Veja só continuou quando chegam ao grupo temos que perder um enorme tempo para explicar as vantagens do escotismo, se dissermos a ele que tem uma burocracia para preencher e participar olham para a gente como se fossemos ET. Perdemos um enorme tempo tentando incutir em suas cabecinhas o método Escoteiro e o principio de aprender fazendo. Quando comentamos sobre os acampamentos é um Deus no acuda! – Tem cobra? Tem carrapato? Tem Leão e onça? Mas Chefe ele vai comer a comida lá do mato? Quem é o cozinheiro? E os remédios dele? E se ele tiver fome? Coitadinho do meu filhinho!

                      Queira ou não nenhum Chefe deixou de pensar e concordar em parte com o que o Chefe Popeye dizia. Seria muita pretensão pensar que eles um dia pudessem ter sido escoteiros e já chegassem sabendo de tudo. – Afinal continuou o Chefe Popeye – Já contaram o tempo que perdemos com eles? Fazemos visitas em suas casas e eles dificilmente retribuem. Motivamos suas presenças nas reuniões de pais que de pais só tem nome, pois a maioria que aparecem são mães. Todo sábado a maioria leva seus filhos na reunião e muitos impacientes ficam no pátio a olhar para o relógio como se estivéssemos atrasados! Sorri para mim mesmo. Nesta parte eles tinham razão. E nos acampamentos? A mãe a abraçar o filho ou a filha, o pai nos olhando como se fossemos fazer uma sopa do filho dele. E os avisos? – Meu filho tem isto e aquilo! Qualquer coisa corra com ele para o hospital e nos avise!

                   Ninguem cortou o Chefe Popeye. Ele de cabeça baixa, olhando a grama molhada da noite enluarada sorria baixinho. – Sabem, tem uma mãe que teve a pachorra de me dar uma enorme sacola com tudo que ele gostava de comer, pois era enjoado e não comia qualquer coisa! – E a lista dos remédios? Enorme. As tantas dê isto a ele, as tantas mais estas e assim vai à lista sendo programada para os três dias de acampamento! E se você precisar deles? Tem alguns que aceitam logo seu convite. Querem ficar perto dos filhos e se resolvem participar como chefes tome cuidado. A proteção que dão aos seus filhos nos faz ficar vermelhos de raiva. Afinal ele não foi ali para aprender a viver a vida como ela é? Aprender a se virar sozinho? Aprender a fazer fazendo?

                  Pois é, não tiro a razão do Chefe Popeye. Claro que tem muito do que ele disse que não é assim, mas tem outras que ele está inteiramente certo em suas ponderações. Como somos um movimento quase desconhecido, não existe propaganda das vantagens do movimento Escoteiro. Na imprensa falada escrita e televisada nada se comenta e quando aparece alguma notícia é para desmerecer nossos valores. Quando o menino ou a menina se entusiasma recebe uma chusma de contras e quando se convencem a atender seus filhos os pais resolvem matriculá-lo é um Deus no acuda! Os pais não a mãe. O pai sempre está ocupado. Não dizem que mãe é mãe? Olhei para o Chefe Popeye e na minha mente completei um pouco de suas ponderações. Realmente na maioria dos grupos é uma dificuldade arregimentar os pais. Quando fazemos uma Assembleia não perguntamos qual seria o melhor horário e dia. Nunca chegaríamos a um consenso comum, pois a presença será mínima seja que dia for.

                     Hoje com a entrada de milhares de pais tudo tem mudado um pouco. Mas ainda vejo comentários deles dizendo o que fizeram com seus filhos, que eles são prejudicados, que o Chefe tal não os ensina que o monitor é mal educado e assim vai. Será que estes pais que chegaram agora estão mesmo ajudando ou prejudicando a formação do seu filho conforme preceitua o método Escoteiro? Não vamos levar ao pé da letra, pois tem milhares de bons escotistas que iniciaram. Eu posso até concordar em tese, mas não sei se na prática seria assim mesmo. Posso afiançar que nenhum Grupo Escoteiro pode viver sem eles. Os pais são o baluarte e a segurança de uma unidade escoteira. Mas lembremos de que pai é pai, Chefe é Chefe. O respeito de ambos deve ser fato primordial e até não vejo dificuldade de uma conversa franca para amenizar discórdias. Nada melhor que um boa reunião de Conselho de Chefes.  

                               Queira ou não é a comunidade local que devia se sentir responsável pela formação e manutenção do Grupo Escoteiro local. Parodiando o Chefe Popeye se os chefes não andarem com suas próprias pernas todo o trabalho é perdido. O convencimento, o trabalho individual com cada um deles, o apoio para arregimentação de fundos, os planos da sede própria tudo deveria ser de responsabilidade dos pais ou da comunidade próxima onde vivem sempre são realizados pelos chefes. Tive a oportunidade em conviver em diversas comunidades das mais pobres as mais bem aquinhoadas. Em qualquer uma é possível fazer um bom escotismo, mas insisto, o trabalho não pode de maneira nenhuma ser somente do Chefe Escoteiro. Em primeiro lugar a UEB deveria ter um plano de ação para todas as comunidades brasileiras. O que existe hoje não supre as necessidades. Um profissional competente para fazer o marketing necessário onde todos pudessem ver as vantagens educacionais do escotismo.

                                 As regiões que estão mais próximas das comunidades locais também deveriam ter um profissional pago, conhecedor do escotismo, bom conferencista para atender a demanda dos grupos em suas cidades. Os distritos não vou a tanto. Eles salvo raríssimas exceções não tem meios financeiros de sobrevivência. Se não é o altruísmo e a força de vontade em ajudar não teríamos distritais em nenhuma área. Tudo uma questão de estrutura. Sabendo agir o sucesso será alcançado. Sabemos que o tempo é precioso e um Chefe Escoteiro tem responsabilidades tais que os pais deveriam em principio agradecer seu trabalho, ficar ombro a ombro ao seu lado, fornecendo tudo aquilo que estivesse ao seu alcance para o sucesso do Grupo Escoteiro. Afinal quem iria ganhar com isto não é o Chefe e sim ele próprio e seu filho.


                        Sei que existem diversas formas para arregimentar e motivar os pais. Mas sei também por experiência própria que sem o trabalho do Chefe nada irá dar certo. Chefe Popeye tem razão em muitas coisas. Se os chefes tivessem alguém para se preocupar com tantas obrigações que hoje são realizadas pelos chefes, seria muito mais fácil adestrar e formar uma sessão escoteira conforme se preceitua o nosso método Escoteiro. Como não tivemos a oportunidade de formar milhares que hoje estão na comunidade e são pais, o escotismo infelizmente é desconhecido para todos. Precisamos lembrar que grande parte desta responsabilidade cabe aos nossos dirigentes. Eles sim deveriam fazer de tudo para facilitar a vida escoteira dos chefes, dando a eles as facilidades necessárias para desempenharem suas funções. Afinal valorizar os nossos voluntários escoteiros deveria ser uma norma a ser seguida por todos.

sábado, 1 de agosto de 2015

Reviver Brownsea – Uma aventura que marcou o escotismo para sempre.


Conversa ao pé do fogo.
Reviver Brownsea – Uma aventura que marcou o escotismo para sempre.

Todo o escoteiro conhece um pouco a história do escotismo e o marco que foi o acampamento experimental na ilha de Brownsea. No centenário deste, que se confunde também com o centenário do próprio escotismo, todos temos a hipótese de reviver de alguma forma o que se passou naquela pequena ilha. Queremos deixar-te aqui algumas pistas e informações para que, no teu grupo ou tropa, possas organizar um “Reviver Brownsea” daqui por dois anos. Vamos a isso?

Os participantes
Alguns historiadores contabilizam um total de 22 rapazes, neste acampamento experimental. Para além dos famosos vinte, cinco em cada Patrulha, ainda Simon Rodney (12 anos), na Patrulha Lobo, e Donald Baden-Powell (sobrinho de B-P) que, por ter apenas 9 anos, ficou como Ordenança de Campo (uma espécie de auxiliar). A presença de Donald é confirmada e, dada a sua idade, pode ser “interpretado” por um Lobinho. Baden-Powell levou consigo um adjunto: Kenneth Maclaren, seu amigo de longa data da vida militar. Para melhor viver o imaginário neste “reviver”, cada uma das confirmadas 23 pessoas em campo (B-P, o adjunto, o sobrinho e os cinco rapazes por cada Patrulha) podem usar um cartão pendurado ao pescoço, com a sua identificação, para todos serem tratados pelo respectivo nome. Por ser um acampamento experimental, os rapazes vestiam-se de acordo com a moda da época.

A ida
A 29 de Julho, parte dos participantes (12 rapazes) embarcaram a bordo do Hyacinth, no porto de Poole, para fazerem a travessia de pouco mais de 3 Km até ao cais de Seymour, já na ilha, percorrendo ainda cerca de 800 metros até ao local do acampamento, ao sul da ilha. No dia seguinte, chegaram os restantes. Na noite do dia 30, ao redor da fogueira, B-P contou algumas das suas aventuras na África e na Índia e deu informações sobre o dia seguinte, terminando o dia com orações. Cada Patrulha ficou com uma tenda militar, em forma de campânula. B-P e os seus assistentes ficaram noutra tenda. Havia, ainda, uma tenda-cozinha e uma tenda aberta de um dos lados para se abrigarem em caso de tempestade.

As atividades
A 1 de Agosto, começaram as atividades programadas para o acampamento, distribuídas da seguinte forma:
1 de Agosto: Preliminares - formação das Patrulhas, distribuição de tarefas, instrução para os Guias de Patrulha, etc.
2 de Agosto: Campismo - engenho em campo, construção de cabanas e esteiras, nós, fogueiras, culinária, saúde e saneamento, orientação em território desconhecido e barcos.
3 de Agosto: Observação - observar e memorizar detalhes ao longe e ao perto, pontos de referência, seguir pistas, dedução a partir de pistas e sinais, e treino da visão.
4 de Agosto: Vida na floresta - e de animais e plantas, estrelas, espreitar animais, observação de detalhes de pessoas e leitura do seu carácter e condição.
5 de Agosto: Cavalheirismo - honra e código dos cavaleiros, altruísmo, coragem, caridade e poupança, lealdade para com o rei, patrões e oficiais, cavalheirismo para com senhoras, a boa ação diária e como fazê-la.
6 de Agosto: Salvamento de vidas - em incêndios, afogamento, gás, atropelamento por cavalos, em esgotos, pânico, acidentes na rua e primeiros socorros.
7 de Agosto: Patriotismo - geografia colonial, história e feitos que engrandeceram o império, a marinha e o exército, bandeiras, medalhas, deveres dos cidadãos e auxílio à polícia. 
8 de Agosto: Jogos - campeonato desportivo envolvendo todos os temas abordados durante o acampamento. Todos os dias havia inúmeros jogos: jogo do Kim, caça à baleia, seguir pistas, competição de nós, caça ao urso, tração da corda, observação de veados, etc. Os elementos de cada Patrulha distinguiam-se por um pedaço de lã colorida, presa no ombro: azul para os Lobos, verde para os Touros, amarelo para os Maçaricos e vermelho para os Corvos. Cada Guia de Patrulha tinha uma bandeirola com o desenho do respectivo animal. Cada noite, uma Patrulha ficava encarregue do “piquete noturno”. Levava rações de farinha, batatas, carne, chá, etc., e partia para um local indicado para bivacar, afastado do acampamento. Cada rapaz levava fósforos e o seu próprio tacho, cozinhando ali o seu próprio jantar. A seguir, eram colocadas sentinelas e montado o bivaque. B-P e os Guias das outras Patrulhas entretinham-se a observar o piquete até às 23h, hora a que os rapazes iam todos dormir, regressando ao acampamento no dia seguinte a tempo do pequeno-almoço. Eram feitos alguns ataques simulados para testar a capacidade de vigilância do piquete.

A instrução era dada sempre com pouca teoria e muitos exemplos ilustrativos, para não maçar os rapazes, seguida de jogos e competições sobre o assunto. Praticamente não se cantava mais nada no acampamento para além do “Inegoniama”.
B-P distribuiu a cada rapaz uma insígnia em latão com a flor-de-lis. Alguns historiadores defendem que usou o mesmo esquema de classes que tivemos no CNE e que foi usado um pouco por todo o mundo.
Horário diário
A alvorada era às 6h00, ao toque de um chifre de Kudu que B-P tinha trazido de África, usado pelos Matabeles.

6h00 - Alvorada, arejar, leite e biscoitos
6h30 - Ginástica matinal
7h00 - Avisos das atividades do dia, com demonstrações
7h30 - Limpeza do campo
7h55 - Formatura, içar da bandeira e orações. Pequeno-almoço.
9h00 - Prática escutista
12h00 - Banho
12h30 - Almoço
13h00 - Descanso
14h30 - Prática escutista
17h00 - Chá
18h00 - Jogos
19h15 - Passar uma toalha húmida pelo corpo e mudar de roupa
20h00 - Jantar
20h15 - Palestras ao redor da fogueira
21h15 - Orações
21h30 - Deitar e silêncio.


Baden-Powell, um homem além do seu tempo. Reviver é não esquecer nunca mais!

terça-feira, 28 de julho de 2015

O valor de Um curso Escoteiro.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O valor de Um curso Escoteiro.

“Volta a Gilwell, terra boa”
“Um curso assim que eu possa eu vou tomar”!

                            Se existe uma formação sadia para chefes escoteiros, os cursos escoteiros não faltam. São centenas deles aplicados por mês em todo território nacional. Eles hoje atingem as áreas mais carentes e seus currículos não deixam a desejar. Não tenho dados concretos mas acredito que mais de 2.000 (por baixo) alunos participam destes cursos por ano nos diversos estados da federação. Hoje temos uma preocupação constante na formação dos chefes e toda Região Escoteira e até mesmo os distritos já possuem a sua equipe de cursos. Material humano para elas não faltam. Aí eu me pergunto, se nos últimos trinta anos nós tivemos cursos e mais cursos aplicados, se por eles passaram por baixo aproximadamente mais de 50.000 chefes (numero considerável não?) onde eles estão? Você que está lendo esta crônica deve ter feito pelo menos um ou mais cursos e sabe perfeitamente como é a euforia de fim de cursos. Uma alegria geral, promessas de mudar tudo, fazer uma descoberta de novo mundo Escoteiro e quem sabe imitar Cabral quando descobriu o Brasil.

                          Se testemunho valer eu mesmo tive a honra de dar mais de duas centenas de cursos na minha vida escoteira. Tranquilamente passaram por eles mais de dois mil chefes. Aí eu me pergunto onde estão estes chefes? Porque saíram? Afinal nenhum bom formador ou dirigente, deixa de comentar que nosso baixo crescimento é por não ter chefes bem formados, conhecedores do escotismo para que os jovens motivados permaneçam por muitos anos. Ora fico pensando com tantos cursos, com tanta evolução de técnicas de aplicação, currículos modificados, qualificação dos formadores sempre realizados continuo me perguntando: - Porque estes chefes saíram? Sei que a maioria dos dirigentes tem a resposta valendo sua experiência pessoal. Entretanto suas respostas para mim não explicam. Outro dia alguém me falou que a UEB estava com um questionário no SIGUE, querendo saber qual o motivo da falta de registro ou o abandono das fileiras Escoteiras.

                             O questionário foi feito amadoristicamente. Nada de um técnico que entende do assunto. E o pior no SIGUE. Por quê? Porque se o Chefe não se registrou ou saiu do movimento ele vai entrar no SIGUE para saber da pesquisa? Este questionário por mais amador que tenha sido se tivesse sido enviado via e-mail para todos que saíram pelo menos os resultados poderiam ser melhores. Insisto sempre que não temos uma politica correta para obter estatísticas e com elas podermos estudar melhor não só a evasão como a preparação e formação do Chefe Escoteiro. É um número altíssimo que abandonou o escotismo nos últimos quarenta anos. O que é simples para mim talvez não seja para os responsáveis do escotismo nacional. Ainda funcionamos amadoristicamente em todas as áreas que demandam um crescimento satisfatório. O Plano de Metas da UEB sempre feito por um ou dois, com dados inconclusivos para se atingir o objetivo proposto. Estes planos vêm a cada ano sendo comentados mas nunca debatidos com a maioria dos chefes na ativa. E seus resultados?

                          Se a UEB tem o endereço de pelo menos oitenta por cento dos chefes que abandonaram as fileiras Escoteiras é meio caminho andado. Mas quem se habilita? Será que é receio de ouvir o que não desejam ouvir? Dizer que os motivos são conhecidos é ilógico (viva o Dr. Spock). Entregar a meia dúzia para discutir dá no que deu. Sempre aqueles que tem uma fleuma escoteira e se julga possuído com os dons para planejar e melhorar. Veja bem, temos uma canção muito bonita que todos aqueles que atingem o nível avançado da Insígnia de Madeira cantam principalmente nos encontros de Gilwell. – “Volta a Gilwell”! Um curso assim que possa vou tomar! Onde existem tais cursos? Pense em você, seja sincero, mesmo com uma reunião por semana, alguns acampamentos, alguns encontros distritais não tem dia que você está cansado, aborrecido, sem ideias, vontade de correr para os montes e se esconder em uma caverna? Chega o sábado, milhares de problemas para resolver e cadê o programa de reunião? Quantas vezes deu vontade de desistir? Bem sabemos que você não desistiu mas tivemos milhares que preferiram sair.

                         Sem querer desmerecer os tais Encontros de Gilwell, que só acontecem em ocasiões especiais do jeito que são eu os considero um saco! Risos. Para mim é claro. Um Velho lobo qualquer conta uma historia de Gilwell ou de BP, o dirigente máximo vai lá usar da palavra e todos vão cantar a canção de Gilwell lembrando que ou era um bom lobo, ou um bom vermelho. Bem isto até que é gostoso, lembrar sempre é bom. Mas pensando bem se aproveitassem para fazer ali pequenos seminários em grupo, discutindo os seus problemas, do que poderia ser feito para motivar quem sabe os resultados seriam melhores. Afinal todos ali em princípio tem experiência. Mas não, voltar a Gilwell é uma utopia. Se quiser aprimorar seus conhecimentos passe a visitar Grupos Escoteiros com chefes bem formados, conhecedores (nem tanto, nem tanto!) para melhorar seu cabedal Escoteiro. E leia! Tenha uma boa biblioteca mas lembre-se não há como voltar a Gilwell para fazer um curso de motivação.

                        Tem alguma errada no reino da UEB. Os chefes estão partindo, nem querem saber de voltar a não ser um ou outro que sentiu saudades. Nosso rumo não é dos melhores. Não estarei por aqui nos próximos vinte anos para mostrar que o caminho percorrido não foi válido. A empolgação de alguns dirigentes sempre com novos planos deveriam ser feitos em grande escala de consultas e sugestões. Os cursos são ótimos, valem a pena mas os resultados não foram alcançados. Justificar que a culpa é do Chefe é demais. A culpa são dos dirigentes que ainda não abriram um leque para saber quais as causas e os efeitos do abandono do escotismo por tantos chefes e jovens. Se você comenta que o programa Escoteiro deixa a desejar, não está motivando, se você comenta que falta mais apoio aos chefes, se você comenta que os Grupos Escoteiros salvo exceções não tem um acompanhamento adequado, vais receber muitas respostas. Mas e os resultados?


                        Ainda temos aquela fleuma de dirigentes que esqueceram que devemos ouvir o jovem e não falar por ele, que sem apoiar e confiar no Chefe Escoteiro sem ficar a exigir folhas corridas; dados com firma reconhecida e facilitar sua vida para que ele possa trabalhar seu escotismo com alegria e motivação; então ele vai continuar. Ninguém tira a validade dos cursos. Mas a objetividade deve ser melhor vista. Não é possível trabalhar onde não existem reconhecimento pela sociedade, onde poucos conhecem o valor do escotismo. Somente um trabalho serio com a participação ode todos e simultaneamente um marketing agressivo poderia significar sucesso. Repetir que a transparência, pesquisas, consultas discussões honestas nunca iremos alcançar o Caminho para o sucesso. Ainda bem que temos muitos que acreditam que somos um movimento que mora no coração e temos um amor enorme por ele.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Nossa! Você vai acampar?


Conversa a pé do fogo.
Nossa! Você vai acampar?

                           Vou sim, desta vez vamos longe, mais de oito quilômetros a pé. – A pé? Mas como? Você não mora mais no interior, afinal nossa cidade é grande. Dei risadas. E daí? Está tudo preparado – Afinal fizemos duas excursões e um acampamento só de monitores no mês passado em um fim de semana para nos adestrar. Eles mesmos prepararam tudo que precisamos levar. E olhe tudo vai nas costas, desta vez sem ônibus alugado e sem pais para ajudar no transporte. Pensei comigo – Seria isto possivel? Ele adivinhando o que eu pensada disse – Os monitores fizeram agora uma tal de ração A, B e C. A ração A é para uma atividade de um dia, a ração B para dois dias e a C para um acampamento de três dias ou mais. Assim fica mais fácil. Eles mesmos fizeram o cardápio, calcularam por pessoa e cada um dos participantes leva parte da ração. Tem aquelas que três levam arroz, tem aquela que um só leva. Eles acharam melhor um cardápio simples onde com uma panela, um caldeirão e uma frigideira eles fazem tudo. Achei interessante.

                      Conta-me mais. E como é levada a intendência e o material de patrulha? - Fácil ele disse. Também dividida por cada um da patrulha. Agora usamos um lampião a querosene. Ele vai vazio e dentro de um vidro bem fechado leva-se o líquido. As barracas são pequenas e simples de carregar com a mão ou prender na mochila. Assim gastamos o mínimo possivel. Hoje a taxa foi de dez reais. Isto paga o ônibus ida e volta. Ele vai nos levar até o entroncamento da estrada de São Mateus. Lá vamos andar uns cinco quilômetros e chegaremos ao sítio do Leopardo. Fomos lá antes eu e os monitores. O proprietário é gente boa. Disse que o local estava às ordens para quando quiséssemos acampar. – Mas será que a tropa aguenta? Claro que sim, fizemos duas excursões. Uma delas andamos sete quilômetros e a outra foi noturna. Mais nove quilômetros à noite. Claro lá pelas duas da madrugada em uma clareira jogamos as lonas e dormimos sob as estrelas. Cada um levou seu lanche. E sabe o melhor? Neste acampamento só eu levarei o celular para uma emergência. Será mesmo um acampamento mateiro.

                       Achei interessante. E o programa do acampamento já fez? – Este vai ser um programa especial. Foram os monitores ouvindo suas patrulhas quem prepararam tudo. Vamos ter sim o normal de um acampamento de três dias. Levantar as seis, um pouco de física, café as oito e inspeção as nove. Lembre-se vamos acampar nos moldes de Giwell. Cada patrulha é autônoma. Terá seu campo de patrulha longe mais de 40 metros umas das outras. Desta vez até eu e o Chefe Leão vamos levar nossa matutagem e nosso material. Nada de comer nas patrulhas. Elas só irão ter nossa presença se formos convidados. – Pensei comigo, será que vai dar certo? Era uma tropa acostumada a acampar com pais levando tudo, e inclusive alguns lanches eles faziam. Pensei comigo que isto não estava certo e agora vi uma mudança enorme. – Ele continuou, olhe teremos um programa sem muitos horários. Muitos reclamaram da falta de tempo livre para eles fazerem suas construções no campo de patrulha. As patrulhas irão aprender a seguir pistas de animais, Irão tentar tirar uma foto de um animal ou pássaro e vence aquela que chegar mais perto. Eles terão tempo para pescar, pois no cardápio está incluída uma fritada de peixes frescos. Risos.

          - E se chover? Se chover estaremos prontos. Nada de serviço de meteorologia pelo rádio. Eles irão aprender previsão de tempo dentro da mata e bosques. Pelas formigas, pelos pássaros, e claro os vagalumes noturnos irão ensinar se vai fazer frio, se o orvalho vai ser forte, irão descobrir ninhos para ver de onde vem à chuva, Prestarão atenção ao vento, quantos nós ele anda, e já decoraram as quadrinhas de previsão de tempo – Se tens vento e depois água deixe andar que não faz mágoa, mas se tem água e depois vento põe-te em guarda e toma tento. Vermelho ao sol por, delicia do pastor, orvalho de madrugada faz cantar a passarada, são tantas! Mas se chover mesmo vamos aprender a fazer um pequeno celeiro só nosso para abrigar a todos durante o dia. – Já treinamos isto com bambus e folhas verdes. E lá tem muito pés de banana, sabendo cortar a folha sem prejudicar o telhado ficará nos trinques. Vocês tem coragem eim? – Não é coragem, isto para nós agora é escotismo mateiro. Afinal aprender um nó na sede sem usar no campo não tem valor.

            E olhe vamos conversar só com transmissões à distância. Semáforos de dia e a noite Morse. Teremos um grande jogo cujas instruções serão ditadas por sinais de fumaça! - Caramba! Estou gostando do seu acampamento. Não deixe de me contar tudo. Quero fazer o mesmo na minha tropa. - Claro que sim. Contarei tim tim por tim tim. Risos. E quer saber mais? Desta vez teremos uma conversa ao pé do fogo, próximo a minha barraca, comendo batatas doce, um bule de café na brasa, contar causos e histórias, cantar e espreguiçar gostosamente, deitar na relva para ver as estrelas e ver os cometas passarem. Aprendi a me orientar pelas estrelas. Ensinei aos monitores e eles irão aprender mais com suas patrulhas. E o fogo do conselho? Olhe vai ser típico dos velhos mateiros. Não teremos animador de fogo, cada um senta onde quiser. A patrulha de serviço irá acender e manter o fogo em todo seu tempo. Cada um apresenta o que quiser. As palmas serão criadas na hora. As canções surgirão espontaneamente. Ah! Esqueci-me de dizer, quatro Escoteiros estão treinando há meses como gaitistas. Vai ser um festival de gaitas. Risos.


           - E sabe? Eles agora querem ser chamados com nomes indígenas nos fogos de conselho. Disseram que todos devem ter um nome de guerra. Aqueles que quiserem ou que já tiverem oito especialidades e o cordão verde amarelo será batizado com nome indígena a sua escolha. Irão saltar um pequeno fogo três vezes e a cada salto toda a tropa grita seu novo nome de guerra. Bem isto foi eles que escolheram afinal todo o acampamento foi programado por eles! Programa? Nada escrito, você já viu como vai ser. Cada Monitor se encarregará de uma parte. Esqueci-me de dizer, vamos fazer uma ponte pênsil em um córrego próximo. Estamos programando um jogo nela de rachar! Risos. As bolas de pano já estão prontas para a lança. Mas não vou contar – Pensei comigo acho que vai ser um acampamento inesquecível. Eu sabia que nem tudo daria certo, mas quem não aprende a fazer fazendo não é Escoteiro não é verdade?

sábado, 25 de julho de 2015

Não deixe o vento levar o seu sonho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Não deixe o vento levar o seu sonho.

                    Lá estava ele, altaneiro, cheio de vida, correndo com o vento amigo que o levava onde ele queria ir. Ele sabia de sua importância, sabia que todos sempre pensavam nele e não queria decepcionar ninguém. Afinal ele era um Sonho e fazer os sonhos dos que pensavam nele realizarem o fazia feliz muito feliz... Ele sabia que nem sempre conseguia seus intentos, sonhar e ele ver o a realização do sonhador. Tinha a experiência de ver tantos sonhos realizados, de ver a força de vontade em fazer lembrando sempre que sem isto nada poderia realizar. Ele gostava muito daquele que dizia gostar de sonhar mesmo sabendo que os sonhos são impossíveis. E quando ele os realizava, um sorriso enorme dava sentando na nuvem branca onde moram os sonhos. Nunca se importou quando o chamavam de utopia, aquele sonho que não existe. Para estes ele deixava que eles pudessem ver o sol sem cor, a lua sem brilho as estrelas tão longe de se tocar.  

                      Ele sabia que o vento não tinha sonhos, nem a brisa da manhã ao nascer o sol. A nuvem branca que o levava para todo lugar agora estava atravessando um enorme oceano. Seus outros amigos sonhos diziam que era o oceano dos grandes amores, onde a felicidade existe e ali navegavam felizes para sempre. Ele se lembrou de Conchita. Linda menina sonhadora. Morava em uma cabana no alto da montanha Azul. Todas as tardes ela sentava em um pequeno banquinho e nem notava a cor púrpura do sol que se punha no horizonte. Sua mente viajava sem destino, ela nem se lembrava de que um dia alguém disse a ela que se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade. È Conchita é bom acreditar, pois naquele dia o Sonho ali passou e ouviu o que ela queria. Não era impossível, não para ele. Ele viu seus olhos cheios de lágrimas por viver sozinha naquele canto da montanha sem ninguém. Tinha sua mãe e seu pai, mas não podia encontrar um príncipe para viver com ele para sempre?

                      Ah! O Sonho pensou que o sonho de Conchita podia se realizar. Não se sabe como uma manhã linda de sol vermelho, subindo a montanha vinha oito Escoteiros alegres e cantantes sob a luz do sol vermelho. Junto Miguelito o Chefe que adorava acampar. Solteiro quando viu Conchita na porta da cabana de madeira vermelha ele disse para si: Vais ser minha princesa, você terá tudo de mim. Farei de você a moça mais feliz do universo, darei a você de presente todas as estrelas no céu. À noite rezarei para você e quando a lua cheia surgir pedirei a ela para sempre iluminar seus caminhos por onde for. O Sonho sabia que meses depois eles se casaram e viveram felizes para sempre. O Sonho agora atravessava a majestosa floresta verde e formosa de um país tropical. O Sonho sentiu que precisava realizar o sonho de alguém, mas pensava o porquê de poucos agora deixavam de sonhar. Ele sabia que um sonho para ser realizado o sonhador tem de acreditar, tem de partir na estrada dos sonhos e alcançá-lo com suas forças e lutar para que ele seja real. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho impossível só porque não acreditou.  

                       Viu um homem perdido nas matas verdes do pais tropical, tropeçando, caminhando sem rumo, pensando que não ia sobreviver. Ele não sonhava, lutava pela vida, pois sabia que em poucos dias ia morrer. O Sonho sorriu, é hora de trabalhar. O homem que se chamava Molusco fora no passado um Escoteiro. Aprendeu a navegar, aprendeu onde o norte se encontrava com o sul, nunca precisou de bussola para achar o seu caminho. Tinha vivido em florestas, aproveitou muitas vezes quando menino o que ela poderia oferecer. Um brilho passou diante dos seus olhos. Afinal isto é um sonho? Sonho ou não eu posso vencer! – Ele pensou. Olhou para as árvores, as folhas amarelas lhe deram o rumo. Um resga do sol lhe mostrou o caminho a seguir. Enquanto caminhava pensava no seu filhinho que deixou na cidade, de Mariazinha sua amada tão pequenina. Um riacho encontrou, uma jangada ele fez. Dois dias depois uma cidade apareceu na curva do rio das almas perdidas. Molusco um Escoteiro estava salvo. Correu a encontrar seus amores, Picolino e Mariazinha sua amada ele foi abraçar.

                         Era hora de dormir para os humanos do mundo. O Sonho não dormia, mas se recolhia quando as noites quentes não deixavam ninguém sonhar. Ele imaginou que tantos poderiam sonhar sonhos lindos mesmo com aquele calor imenso. Ele sabia que poemas não são feitos para serem entendidos. Isso é utopia. Bastam aos poetas que seus poemas e sonhos sejam sentidos. Tiquinho não tinha dez anos. Insistia com seus pais em ser um escoteiro. Nunca foi e este era seu maior sonho. Dom Casmurro tinha um bigodão que todos temiam. A maior fábrica de tecidos era dele. Funcionários tremiam só em olhar para seus olhos. Tiquinho seu filho sabia que ele nunca iria deixar. Uma noite de verão todos os funcionários foram para casa. Ele mesmo fechou as portas e o portão. Altas horas da noite foram lhe chamar: - A fabrica começou a pegar fogo, mas um menino conseguiu apagar. O menino estava queimado deitado na cama do hospital.

                        - Como foi? Ele perguntou. Senhor ele é Juquinha Escoteiro filho de Filó das Mercês sua funcionária. Ele esperava sua mãe pelo fim do turno. Ela não sabia. Dormiu encostado no Varão da Sala Grande. Quando viu a fumaça, já treinado nos Escoteiros pelos bombeiros ele correu e conseguiu o fogo apagar. Um herói Dom Casmurro. Sem ele o senhor estaria pobre e sem sua fabrica querida. Tiquinho teve seu sonho realizado. Promessado com as vistas de seu pai. Uma alegria sem par. O Sonho ali a lembrar dos tempos dos acampamentos, das alegrias que Tiquinho passou a ter. Ah! Os sonhos. Eles tem um destino, um lugar para ficar, um lugar para realizar todas as vontades de quem acredita neles. O Sonho partiu rumo à além mar. Havia outros lugares para ir, encontrar meninos e meninas Escoteiras que sonham e ele na sua boa vontade, os sonhos deles faria realizar. E aqui encerro o sonho de um
Sonho verdadeiro. Um sonho sonhado, amado por aqueles que um dia acreditaram. Como dizia Augusto dos Anjos a
Esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a Crença, Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas da Esperança.


         Clarisse poetiza dizia: - Tenho cabeça, coração e me respeito. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, eu sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje, amanhã já me reinventei. Sou complexa, sou mistura. Perco-me, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me doo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Não mais que uma Patrulha Escoteira.


Conversa ao pé do fogo.
Não mais que uma Patrulha Escoteira.

                       - Se eles conseguem ficarem juntos anos e anos na rua onde moram, não tem programa escrito, criam da imaginação suas palavras e seus atos porque não fazem o mesmo em uma patrulha Escoteira? – Eram três chefes conversando. Trocando idéias, sugestões, ouvindo a experiência de um e outro. Interessante que muitos ainda não pensaram a respeito. Afinal porque os jovens não permanecem muito tempo no escotismo? A patrulha não seria a extensão dos amigos do bairro? Um filósofo disse que o fato é que o ser humano se diferencia dos outros animais é por ser capaz de interferir conscientemente no mundo. Além disso, ao mesmo tempo em que preserva e deseja manter-se isolado e em sua individualidade, sente-se impelido para o grupo, formando a sociedade humana. E porque a patrulha não tem dado os resultados esperados? Bem cada um tem sua opinião. Todas válidas, mas pouco discutidas e difundidas. O Sistema de Patrulhas é a base fundamental do escotismo. Mas será que estamos realmente no caminho certo?

                        Pensemos com carinho em nossas tropas. Um programa que muitas vezes é feito em grupo, e mesmo que haja jogos por patrulhas é uma competição individual pode não trazer os resultados esperados. Perdemos a cada dia vários jovens que por um motivo ou outro deixam o escotismo em busca de outras escolhas. Quem sabe estamos esquecendo um pouco o que realmente significa a Patrulha? Sei que muitos poderiam me dar aulas teóricas sobre ela, mas mesmo assim eu penso que os objetivos não estão sendo atingidos. Quanto tempo elas tem para conviverem entre si, se conhecendo, jogando, aprendendo conversando? Muitas vezes as reuniões não dão o tempo que elas precisam para se entrosar. Tem tropas que ainda nem pensaram que deveria existir uma área para que eles fizessem seu canto de patrulha. Qualquer área onde em cada reunião se levassem banquinhos pequenos e ali ter seu tempo livre para conversar. O tempo infelizmente não é nosso aliado. Duas três horas por sábado. Uma vez por semana, quatro por mês. Será que podemos tirar mais tempo para isto?

                         Quem sabe precisamos dar mais tempo aos meninos e meninas Escoteiras vivenciarem-se juntos na patrulha? Qual o papel do Chefe? Claro que sabemos que é um orientador, aquele que não deixa que eles sigam por caminhos escusos, que sempre mostra onde o Escoteiro deve seguir para ter um bom relacionamento com todos. Eu costumo me perguntar: - Quantos tempos às patrulhas convivem juntos em uma reunião, interagindo, vivenciando e aprendendo? Ora se temos menos de três horas de reunião como fazer isto? Pensando bem, não seria melhor dar a eles a oportunidade de estarem juntos nestes períodos, tirando uma pequena parte para as outras atividades da tropa? Será que com isto perderíamos a razão de ser de uma reunião de tropa? Eu não acredito nisto. Formar jovens em grupo ou deixar que eles individualmente se formem com a nossa ajuda é primordial. Se conseguirmos criar um Espírito de Patrulha, onde todos se respeitam, onde todos aprendem a liderar e serem liderados não seria esta a função primordial do método Escoteiro?

                       Falamos muito e comentamos sempre o papel do Monitor. BP foi enfático sobre eles. Suas palavras são lidas até hoje, mas acredito que não compreendidas.  O tempo os transformou em meros lideres para formação dar ordem e carregar os demais contrariamente o que ele pensava. Afinal adianta levar nossos monitores a cursos específicos se ao voltar tudo continua na mesma? Volto ao tópico que iniciei esta Conversa ao Pé do Fogo. Se eles se dão bem com amigos em sua rua, em seu bairro e nas escolas porque na patrulha não está dando certo? Onde erramos? Lembro que no passado as patrulhas conseguiam permanecer juntas por anos e havia um respeito e orgulho próprio de cada um cada vez que se completava um ano de atividade de um patrulheiro. Época que o bastão totem contava a história da patrulha. Afinal naquela época as reuniões eram feitas sempre com as patrulhas em ação, nos seus cantos de patrulha, cantando, conversando, planejando e aprendendo uns com os outros as provas de classe ainda não conhecidas.

                   Um dia um Chefe me perguntou o que seria o “Tempo Livre” que muitos comentam. Pensei comigo que ele era daqueles que fazia sozinho o programa, os acampamentos, as atividades mateiras e não deixava a patrulha sugerir vivenciar e aprender fazendo. Muitos programas de acampamentos são prisões de meninos em grupo e não na patrulha. Seria surpresa em sua Tropa se dissesse aos seus monitores: - Hoje à tarde teremos tempo livre, vocês podem pescar passear, subir em árvores, descobrir pegadas de animais, quem sabe construir uma armadilha para pássaros só para conhecer e depois soltá-los? Ou após uma cerimonia de bandeira no campo ele dizer aos monitores: - Façam tudo para os patrulheiros estarem sempre juntos, não seja o dono das idéias, deixe que cada um caminhe com suas próprias pernas! Sempre dei tempo às patrulhas quando fui Chefe de Tropa. As atividades tempo livre faziam parte do todo. Não determinava quais seriam, sugeria é claro, mas eles tinham liberdade para escolher e fazer.

                     Nas reuniões de tropa precisamos dar a eles também este Tempo Livre para se conhecerem. Os prováveis erros e acertos deveriam ser discutidos em reuniões próprias com os monitores, em acampamentos específicos com eles. Não é fácil a rotina de um Chefe Escoteiro. Ele tem que conhecer seus jovens, um por um, ver como anda a patrulha, como o Monitor está liderando e sendo liderado. Não basta encaminhá-los a cursos, a encontro de monitores e outras atividades especificas. Sempre me pautei que a responsabilidade de um bom Monitor é do chefe e de mais ninguém. Uns dizem que nas cidades pequenas isto e mais fácil e nas maiores não. Acho que não concordo. Tudo é possível se bem estudado e regulamentado. Seja em reuniões de sede, em casa de um deles e porque não um passeio só deles em algum ponto turístico da cidade? Claro com tarefas específicas, mas o melhor, sem a presença dos chefes. Corrija o caminho se preciso, mas não fique interferindo sempre, afinal a melhor maneira de atingir o sucesso é deixar que aprendam a fazer fazendo, e errando se preciso.


                   Pense nisto. Quem sabe pode dar certo e o número de jovens que abandonam o escotismo possa diminuir. Qual Chefe não se orgulha em ver suas patrulhas completas, participando, sorrindo, fazendo, discutindo e a cada reunião ver que elas continuam com os mesmos Escoteiros e Escoteiras? Deixe-os andar, deixe-os pensar e planejar. Se eles fazem isto em seus bairros nas escolas, porque não no escotismo? É assim que surge o espírito da Lei e Promessa de andar com suas próprias pernas e claro provar para si próprio que esta é a melhor maneira para se chegar ao CAMINHO PARA O SUCESSO!