Historias e estorias que não foram contadas

Historias e estorias que não foram contadas
uma foto, de um passado distante

domingo, 12 de julho de 2015

Orgulho de ser Escoteiro. Eu prometo, pela minha honra!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Orgulho de ser Escoteiro.
Eu prometo, pela minha honra!

                 Foi à semana mais importante na minha vida. Minha cabeça a mil. Sonhava com o próximo sábado e ao mesmo tempo meu corpo tremia. De medo? Claro que não. O Chefe tinha dito que nós escoteiros não temos medo. Mas sinceramente? Eu tinha sim. Seria um dia que ficaria marcado na minha vida para sempre. Afinal era o dia da minha Promessa Escoteira. Flavio me disse que eu estava pronto. Flavio é meu monitor. Disse que a Corte de Honra aprovou. O Chefe Gildo me chamou na reunião e disse – Sábado que vem você fará sua promessa. Acha que está pronto? Fiquei em duvida na hora. Sim Chefe. Eu estou pronto. Você conhece a Lei dos Escoteiros? Conheço Chefe, ainda não sei de cor, mas prometo que no sábado o Senhor pode perguntar. Direi todos os artigos.

             Passei a semana lendo, decorando, pensando e amando o que eu estava fazendo. Amava mesmo o escotismo. Na sexta fui para a pracinha do meu bairro. Ela era meu recanto favorito. Lá eu pensava em mim, na minha mãe, no meu pai e na minha Irmã Constance. Era o meu refugio. Agora estava voltando ao passado. Quatro meses antes. Eu os vi passando na minha rua. Fui atrás. Vi onde se reuniam. Adorei. Amei. Tinha de ser mais um. Minha mãe demorou a dizer sim. Meu pai trabalhava longe. O Chefe entendeu. Fui apresentado. Flavio me apresentou a Patrulha Leão. Todos me deram a mão esquerda. Não sabia o que era, mas nunca mais esqueci este dia.    

              Não parava de dizer na minha mente, não podia esquecer agora e nunca mais. “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para...”, e a Lei? Difícil. Muito difícil para entender tudo, mas eu consegui. Saber que tinha de ser leal, ter uma só palavra, ser amigo de todos, irmão dos demais, ser puro nos meus pensamentos. Que lei! Mas ia prometer que faria tudo para obedecê-la. Meu uniforme estava pronto. Não sei quantas vezes o vesti no quarto e me olhava no espelho. Gostava do que via. Estava perfeito! Seria um orgulho de mim mesmo!

             O sábado chegou. Tomei um banho pensando. Era meu dia. O mais lindo dia da minha vida. No meu quarto coloquei peça por peça. Bem passado. Meu chapéu perfeito! Ensinaram-me as dobras do meião. Era a primeira vez. Na tropa só podíamos vestir o uniforme a partir da promessa. Lá fui eu rumo à sede. Assoviava baixinho. “De BP trago o espírito, sempre na mente!” Adorava esta canção. A turma estava lá, patrulhas em seus cantos. Sempre Alerta meus irmãos! Abraços. Era assim nossa Patrulha. O apito do Chefe. Bandeira! Ferradura! As bandeiras tremularam ao vento! Subiram aos céus dos escoteiros! Uma oração. Eu a fiz. Meus olhos cheios de lágrimas.

              Chefe! Tenho um patrulheiro para a promessa! Traga-o Marcio. Lá fui eu a frente com o Marcio. – Marley! Você está preparado? Sim Chefe! Meu corpo tremia. – Sabes a lei Escoteira e entende o seu significado? Sim Chefe, e sem ele esperar falei uma por uma. Todos assustaram. Nunca ninguém disse assim. A tropa Escoteira está de acordo com a promessa do Marley? – Todos gritaram sim. – Flavio meu Monitor colocou a mão no meu ombro. - Chefe! Marley está pronto para fazer a promessa!  O Chefe me olhando disse: Levante a mão direita, faça a meia saudação e repita comigo. Interrompi. Chefe eu poderia dizê-la sozinho por completo Chefe? Claro. – Estava ali, orgulhoso e agora não mais tremia – “Prometo, pela minha honra, fazer o melhor possível para: - Cumprir o meu Dever para com Deus e minha pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer à lei do Escoteiro”!


                Que dia meu Deus! Incrível! O Chefe Monsanto colocou o lenço com as honras de praxe. O Chefe Gildo colocou meu querido distinto de promessa que seria meu para sempre! Meu Monitor colocou o distintivo de patrulha. O assistente da tropa entregou meu certificado. O mandei encadernar depois.  Agora era um Escoteiro promessado. Orgulhoso! Para sempre teria aquele dia na memória. O grito de Patrulha foi dado, abracei a todos com carinho, a tropa deu o Anrê. Que tarde linda, que beleza de vida! Como eu era feliz! Ser Escoteiro para sempre eu dizia para mim. Minha mãe apareceu, não sabia. A Mana também. Choravam de emoção. Dizer mais o que? Foi o meu dia, um dia que jamais em toda minha vida esquecerei! Orgulho de ser Escoteiro! Claro, para sempre!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Contar histórias é uma arte?


Conversa ao pé do fogo.
Contar histórias é uma arte?

Era uma vez... Em um país muito distante...

                          É bom demais contar histórias. Escoteiras é claro. Quantas eu contei? Milhares talvez! Hoje não mais. A velhice rabugenta e meu pulmão revoltado me tirou a voz. Eu me divertia quando contava, quando via a escoteirada ou a lobada me olhando com cara de incrédulo ou outros que se transportavam para dentro do conteúdo da história. Seus olhares me faziam feliz. Inesquecíveis. Uma história de fantasma, em uma floresta escura, um Fogo de Conselho se apagando e você fazendo gestos marca há todos para sempre. Bom demais. E o susto do grito de horror no final? Masoquista Chefe? Não, depende da história. Se ela tem um fundo de exemplos pode contar. Tem seu valor. 

                    “Não há quem resista a boas histórias” escoteiras ou não. Nas páginas dos livros, dos jornais e das revistas, na tela do computador e na televisão, narradas presencialmente ou transmitidas pelo rádio... Seja lá onde for elas encantam, amedrontam, fazem rir ou chorar, assustam e são capazes de levar, ainda que em pensamento há lugares muitos e muitos distantes. Não importa a idade. De um que se esqueceu de ir para o céu aos jovens que ainda sonham em histórias das mil e uma noites. Eu adorava contar historias para escoteirada e a lobada. Mas olhe tem chefes que adoram. Em cursos contei muitas. E quem resiste a uma história bem contada ao pé do fogo? Vendo o crepitar da fogueira, olhando como hipnotizado para as fagulhas que se espalham no céu, e como um lobinho feliz abre os olhos e ouvidos para ouvir e viajar na história que o Chefe ou um lobo está contando. A mente está ali fixa no conto, que vai desenrolar uma aventura e ele parte célere junto à história com as personagens. Pode agora ser um herói, um explorador, um grande acampador e naquela história tudo se confunde com sua vida e seus sonhos.

                   Dizem os historiadores que “Contar histórias é uma das mais belas ocupações humanas: E a Grécia assim o compreendeu, divinizando Homero que não era mais que um sublime contador de contos da carochinha” Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; só essa de contar histórias se dedica amoravelmente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida! Dizia Eça de Queiróz. Mas eu gosto de começar e terminar um conto. Um dia descobri as histórias das mil e uma noites. Conta à lenda que na antiga Pérsia o Rei Shariar descobre que foi traído pela esposa, que tinha um servo por amante. O Rei despeitado e enfurecido matou os dois. Depois, toma uma terrível decisão: todas as noites, casar-se-ia com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenaria a sua execução, para nunca mais ser traído.

 Assim procedeu ao longo de três anos, causando medo e lamentações em todo o Reino. Um dia, a filha mais velha do primeiro-ministro, a bela e astuta Sherazade, diz ao pai que tem um plano para acabar com a barbaridade do Rei. Todavia, para aplicá-lo, necessita casar-se com ele. Horrorizado, o pai tenta convencer a filha a desistir da ideia, mas Sherazade estava decidida a acabar de vez com a maldição que aterrorizava a cidade. E assim acontece, Sherazade casa-se com o Rei. O final? Risos. Só posso contar se um dia você ler o livro.

               Eu já contei histórias em muitos lugares que nunca imaginaria contar. Centenas de acampamentos, em montanhas altaneiras e picos incríveis. Em jangadas a descer um rio caudaloso, olhando o horizonte em um anoitecer charmoso. Em jornadas de sol ou de chuva, em belos encontros de chefes, em volta de uma fogueira esquentando na liturgia da Conversa ao Pé do Fogo. Sei que Influencias diversa me colocaram em fábulas reais ou imaginárias. Garatujo muitas baseadas em fatos autênticos, outras com uma pequena dose de ficção deixando no ar o gostinho da dúvida – Será que foi ou não verdade? – Nem sempre elas trazem um final feliz. Chorar também é bom dizem os poetas. É o meu estilo de escrever. Minha biografia escoteira e pessoal foi cheias de episódios, momento alegres, alguns com desfechos nem sempre felizes, mas que valeram cada minuto vivido. Todos eles ficaram marcados na memória. Alguns legítimos, outros apócrifos, e outros... Ah! Nestes casos ficam anotados na mente, com espaços ilimitados gravados em micro chips humanos, como recordação para a posteridade. Desses não esqueço nunca. Outros nem tanto. Um amigo já me disse que preciso fazer um backup da mente para nada se perder no tempo quando me for.

              Alguns contos ou narrativas são flashbacks que surgem do nada e com final feliz ou desfechos um tanto tristonhos, mas que fazem parte da vida e da história da humanidade. Importante saber que todos nós temos sempre uma história para contar. E se pudéssemos montar nossas biografias com fatos e feitos ocorridos, teríamos um volume imenso em paginas impressas no imaginário livro da vida. E você? Ainda não tentou contar uma história? Um fato acontecido que você nunca esqueceu? É tão fácil,  comece a escrever, coloque uma pitada de sal, se possivel duas pimentas, uma cebolinha e uma dose de chimarrão ou café ou mesmo mate. Leve ao fogo lentamente. A conversa ao pé do fogo vai sair, quem sabe vai fazer você vibrar. Comece não se preocupe ainda com o recheio. O início amedronta, mas o final e fantástico. Escotismo é assim, cada acampamento, cada jornada, cada excursão são como se fossem centenas de páginas de um livro ainda não escrito da sua vida, só falta você para fazer à personagem viver! E lembre-se: “Boi não é vaca feijão não é arroz”... “quem quiser que conte dois”.


              Eu sei que um dia não estarei mais aqui para contar histórias. Ninguém é insubstituível. Outros irão me substituir e quando eles se forem outros e outros irão aparecer. Espero que os contadores de histórias façam reviver o escotismo puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações. O melhor da história é saber que gostaram. Fico feliz quando sei que colaborei para um sorriso, para uma lágrima perdida nas histórias da vida. Meu muito obrigado a todos os leitores que eu levarei no meu coração para onde for! 

terça-feira, 7 de julho de 2015

“Boas ações dignificam o caráter!”


Conversa ao pé do fogo.
“Boas ações dignificam o caráter!”

                             Paulo Coelho acertou em cheio ao definir a ajuda ao próximo como ajudar a si mesmo. Diz ele – “Cuidado com as palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com as suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com os seus atos: eles moldam seu caráter. Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino”. Acredito que tudo começa pela boa ação. Um poeta dizia que as causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações. É isso mesmo. Tudo na vida se diz que é um hábito de comportamento. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião nos mostra que devemos ajudar e ser bons para os outros. Baden Powell foi firme ao dizer que o dever de um Escoteiro é ser útil e ajudar o próximo. Simples assim. Acredito que ele se baseou na figura de São Jorge e dos Cavaleiros Medievais. Eles diziam que era preferível morrer honesto a viver envergonhado e que o cavalheirismo requer que o jovem seja treinado para que possa realizar serviços complexos ou simples com alegria e bondade, e para ao bem do próximo. (vide café mateiro – blog).

                               Desde os primórdios que o escotismo foi implantado no Brasil que a boa ação é sinal de que escoteiros estão em atividades. Especificar o que as escrituras dizem sobre isto é alongar muito. Mas até hoje a ajuda ao próximo é considerada como condição importante para qualquer cidadão honesto. O Escoteiro aprende desde o primeiro dia que a sua boa ação diária irá fazer parte por toda a sua vida. Afinal um dos artigos da nossa Lei diz que o Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica todos os dias uma boa ação. A boa ação eu acredito ser o melhor marketing que nos marca na comunidade. A história da velhinha atravessando a rua ajudada por escoteiros tem e terá suas versões ampliadas ainda por muito tempo. Eu não duvido e tenho certeza que os escoteiros de todo o mundo inclusive em nosso país fazem da boa ação uma obrigação se não diária quem sabe semanal. Acredito também que a maioria das tropas devem ter bons programas para incentivar este habito tão salutar.

                             Lembro quando Escoteiro que nossa MOEDA DA BOA AÇÂO era sagrada. Bolso esquerdo sem fazer. Bolso direito feita. E o NÓ NO LENÇO? Pontinha com nó sem fazer, pontinha sem nó feita. Mas não era só isto. Tínhamos uma bandeirola que ficava abaixo do totem. Se chamava “BOA AÇÃO“. Quando a Patrulha ainda não tinha feito sua boa ação coletiva, a bandeirola era amarrada ao bastão de cabeça para baixo. Para cima sinal que tínhamos feito. Nas inspeções diárias no inicio da reunião era escolhido um Escoteiro aleatoriamente para contar sua boa ação do dia. Aplausos silenciosos para as boas ações “mixurucas”. No nosso programa anual da tropa constava sempre uma boa ação dela. Discutíamos em Patrulha o que fazer. A Corte de Honra definia o que. Ir a uma casa de menores abandonados, limpar a área, brincar com as crianças fazendo jogos que conhecíamos (separávamos também em Patrulha os meninos) e tinha outras que adorávamos. Ver nosso parque da cidade em perfeito estado de conservação. Sim, tínhamos adotado um parque. Ali tinha nossa placa. Parque Tropa Escoteira Cruzeiro do Sul.  Foi uma época que nunca esqueci. Lembro-me do “Troféu Boa ação!”. Uma bandeirola de couro verde escrito a fogo – Primeiro Lugar em boas ações. Que orgulho colocá-la no bastão da patrulha.

                                 Sei que eram outros tempos e agora nesta época vertiginosa da modernidade, onde a juventude talvez nem pense nestas coisas, quem sabe poderá surgir alguma boa ação virtual. Não sei. Não sou bom nisto. Não sei como fazer boa ação teclando aqui. Mas deve ter chefes ou dirigentes que podem sem sombra de dúvida colocar nas etapas escoteiras a BOA AÇÃO VIRTUAL. Eles não inventam tantas coisas? Vivendo e aprendendo. Claro que acredito e sem sombra de duvida na formação e no aprendizado Escoteiro que é feito lá na tropa, e também acredito que deve ser uma obrigação nossa fazer com que os escoteiros, escoteiras, seniores e guias sejam iniciados nesta arte tão salutar. Só assim isto poderá vir a ser um hábito de comportamento, tão útil para formar homens e mulheres no que esperamos deles. Honra, caráter, ética e trabalho ao próximo. Afinal ajudar os outros faz parte da lei, faz parte da nossa formação escoteira e isto é insubstituível.

                   Já diziam os poetas que “Aquilo que você faz, fala mais alto do que aquilo que você diz”. O que você plantar hoje certamente colherá amanhã. Já disse um sábio: “Plante uma ação e você colherá um hábito. Cultive o hábito e você desenvolverá um caráter!”. E não esqueça, qualquer mudança nos seus escoteiros depende de você. Se der o exemplo então você vai fazer a diferença. Ficar naquela máxima de façam o que eu digo e não façam o que eu faço não é próprio e digno de um Chefe Escoteiro.


                     Boas ações. Sim, não duvidem. Sem elas não existe escotismo. Afinal não são elas que todos dizem que dignificam o caráter? 

domingo, 5 de julho de 2015

O inesquecível Grande Uivo.


Conversa ao pé do fogo.
O inesquecível Grande Uivo.
    
“GRANDE UIVO significa uma forma de mostrar que os Lobinhos estão prontos para obedecer às ordens do Akelá e, mais do que isso, fazê-lo da forma Melhor Possível! Assim, é também uma maneira de reafirmar a sua Promessa e dar boas vindas aos visitantes ou uma data festiva”.

                          Não! Claro que não. Não vou ensinar como se faz grande Uivo. Nunca! Não vim aqui para isto. Só quero contar o que senti na primeira vez. Ou quem sabe muitos aqui que estão lendo este artigo sabem o que quero dizer. Acredito que mesmo a Akelá, o Bagheera, o Balu, a Kaa e tantos outros que são os irmãos mais velhos dos lobinhos devem também sentir quando o Grande Uivo é realizado. Muito ainda não sabem a importância desta cerimonia em sí que por sinal é linda. Talvez a mais linda de tudo que o movimento Escoteiro e a mística da Jângal nos oferecem. Pode até ser que se compare a uma investidura pioneira nos moldes do passado. Claro talvez não como eu vi os pioneiros há muito tempo atrás, no fundo de uma gruta brilhante a luz de velas, estalactites mil, lá para os lados de Lagoa Santa em Minas em uma caverna ainda inexplorada, mas isto é outra história e não interessa aqui.

                             É incrível ver a face dos lobinhos, das lobinhas quando pela primeira vez fazem o Grande Uivo. É inesquecível. Os olhos? Brilham mais que a luz das estrelas. A face fica corada, o corpo tremendo, e quando entram no círculo e ficam naquela espera angustiante para saber que vai representar os lobos, é de tirar o fôlego. O olhar da Akelá, a perscrutar aqui e ali quem seria o escolhido. O seu olhar de seriedade, o seu sorriso o piscar de olhos e pronto. Escolheu! E ela com sua voz meiga, simpática, amiga e todos a olhando como se estivesse na Roca do Conselho, lá em plena gruta na caverna dos lobos, ela firme no centro do círculo com o felizardo já escolhido que sorri de felicidade diz olhando para ele: Melhor! Melhor! Melhor e melhor?

                        Se você já foi um deles, se você está presente sempre nesta cerimonia, se você sente aquele amor que os lobos têm por aquela cerimônia, então pode ser que vá perder o fôlego como eu faço sempre. E o final daquele momento culminante marca. Eles saltam no ar, como se fossem voar, e com aquela força própria de lobos corajosos, dizem – Simmmm! Melhor! Melhor! Melhor e melhor! Meus amigos, nesta hora sentimos o chão tremer. O coração bater. E aí, o vento começa a soprar, o sol se sente embaraçado e se é noite de luar, fica aquela bola grande brilhante no céu dançando ao redor dos cometas que também dançam com aquele espetáculo inesquecível. Se fossemos eternos sonhadores veríamos os pássaros se aproximar e cantar sobre a Alcatéia numa homenagem aqueles lobinhos e lobinhas maravilhosos.

                    Uma mística que vem lá de dentro da Jângal. Uma mística que não acaba. Que não cansa. Que dá alegria e todas as vezes que é realizada os lobinhos saltitantes se preparam com amor. O Grande Uivo tem um valor inestimável. Lobo! Lobo! Lobo! - Lôoobooo! Hora de formar, hora de gritar! Melhor? Melhor? Melhor? E melhor? Correr, brincar e olhar para o Balu quando ele gritar: - Caça livre! Da vontade de voltar no tempo novamente e começar tudo de novo.


                       - E, nunca esqueço aquele dia, problemas mil a matutar como resolver; eu sentado na escada da sede, pensando como fazer e eis que a minha frente aparece uma lobinha sorridente, linda no seu uniforme azul seu lenço bem postado boné de lobo, firme como uma rocha; e eis que ela fica em posição de sentido e diz com aquela voz infantil que conquista qualquer um: – Melhor Possível Chefe! Assusto-me, olhos nos olhos, o que dizer? Fiquei em pé rápido, juntei os “cascos” e em posição de sentido e respondi – Melhor Possível jovem lobinha. Ela saiu sorridente e eu pensando que meus problemas eram insolúveis! Ah! Estes lobinhos maravilhosos e suas maravilhosas poses e sorrisos!   

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Porque não temos prestígio?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Porque não temos prestígio?

              É uma boa pergunta. Quem sabe todos que estão lendo esta crônica tem a resposta na mão. Ficamos sorrindo quando vemos a foto ou a noticia em outros países de presidentes, reis rainhas, ministros e grandes personalidades sorrindo, cumprimentando o Escoteiro e até muitos deles com orgulho envergando o uniforme. Cada país tem sua peculiaridade e atingem a meta programada do marketing que planejaram. O escotismo tem uma história em todos os lugares onde existe. Muitas destas histórias são contadas de pai para filho e isto vem mantendo a chama Escoteira que parece nunca se apaga. São homens responsáveis por grandes empresas, figuras importantes nos meios educacionais e políticos que um dia vivenciaram o escotismo nos padrões badenianos. São do primeiro mundo? Não, tem países até do terceiro e do quarto mundo se é que assim podem ser chamados que mesmo em menor escala são prestigiados? Não é o que acontece conosco. Somos completamente desconhecidos a não ser quando alguém diz sem querer Sempre Alerta e lembram-se do Escoteiro que atravessa a velhinha na esquina. Alguns até se arriscam a dizer: Aqueles do Chapelão?

              Estamos sendo esquecidos e poucos de nós estão preocupados. Ou será que estão? Tivemos dois Jamborees e ambos com menos de 5.000 participantes não tivemos um apoio fantástico de marketing. Dá pena quando vemos algum programa e ali sempre a mesma rotina: - Estes são os lobos, gostam de brincar e enturmar. Estes são os Escoteiros e Escoteiras. Armam barracas (sempre tem três ou quatro armando barraca) gostam de cantar, sabem seguir a pista e etc. e coisa e tal. Pergunte a um pedagogo de uma grande universidade brasileira, pergunte ao reitor ou ao Professor sobre o escotismo. Ele dará um sorriso e dirá: - Parece que são coisas de meninos metido a homens comandados por homens metido a menino! Nos dias de hoje é ganhar na mega sena ver na TV ou nos jornais ou mesmo em rádios de presença nacional comentando sobre o movimento Escoteiro.

              Poderão me dizer que existem exceções. Existem sim. Algumas cidades tem uma boa estrutura de Marketing e obtém apoio para o Grupo Escoteiro. Infelizmente a politica de continuidade não é bem vista por políticos brasileiros, pois muitos dos que apoiam são substituídos e adeus ajuda dos órgãos governamentais da cidade. Soube que um grande programa de Escotismo nas Escolas foi colocado em ação em um estado no norte do Brasil. Em dois anos o efetivo quadriplicou. Cursos, palestras, idas e vindas dos membros diretores da UEB e de repente mudou o titular no estado e tudo foi por água abaixo. Que segurança é esta? O porquê disto? Sei que você que está lendo tem a resposta na ponta da língua. Mas olhe, alguém tem culpa. O Chefe? O distrital? O Presidente da Região? O Presidente Nacional? Afinal mudaram tudo. Mudaram nossa maneira de ser, mudaram o programa dos jovens. Não satisfeitos mudaram muitas de nossas tradições. Hoje o que se vê é uma alta evasão que corroem tudo aquilo que poderia dar certo no futuro.

             Sempre os que estão na alta cúpula dizendo que fazem uma revolução Escoteira, que seremos mais bem vistos na sociedade brasileira nos próximos anos. E o que vem acontecendo? Empacamos. Não crescemos. Poucas unidades locais fazem um escotismo de qualidade e quase não conseguem manter por anos seus jovens na senda Escoteira. Ano a ano vem um se explicar, dizendo que devemos acreditar que vamos seguir a trilha do sucesso. É só esperar. E a gente espera. Sentado, andando, dormindo e acampando. E nada! O que vemos é uma politica escoteira que não chega a lugar algum. Aquele escotismo de raiz, simples na sua lida, gostoso de se fazer se complica. Se tornou um movimento fechado, onde o voluntário não tem o valor devido. Sei que o mundo brasileiro hoje não é o mesmo da década de cinquenta, sessenta setenta ou oitenta. Mas jogar para o alto tantas coisas que lutamos para fazer e ser reconhecido como um movimento educativo não está dando mais resultados.

               Pelo menos no passado alguns lideres nacionais, em posições de relevo davam seu testemunho para o movimento Escoteiro. Hoje? A UEB se esforça em criar uma frente parlamentar Escoteira. Pelo menos alguns deles já deviam estar fazendo marketing para o escotismo. Mas nada acontece. Quantas reuniões fizeram? Mas cá entre nós, não vamos esperar muito, são políticos e esta safra de políticos de hoje não se pode confiar. Deveria haver uma linha de ação, não esta cheia de papos furados, cheias de palavras vazias, que não deu certo em nada até hoje. Mas podemos participar dando sugestões? Podemos liderar uma cruzada em prol de uma ideia para ser discutida e posta em prática? Não! Tente isto sem ser um deles  e você será admoestado ou melhor levado a uma comissão de ética. Arre! Me dá coceiras só em pensar nela. Escotismo, amor, fraternidade, igualdade, lealdade e alguém vai ser julgado? Chefe! Ele merece! Bem se merece chamem alguém tipo Salomão e diz: Amigo querermos você, mas vamos dialogar se você está errado ou não. Se estiver quem sabe é melhor entregar seu cargo e vá com Deus.

              Eu já disse e repito. Onde estão àqueles profissionais Escoteiros de outrora? Quando digo profissionais são homens preparados e adestrados para o que devem fazer. Alguém sabe se ouve ou vai haver uma grande cadeia nacional para discutir o porquê não estamos crescendo? É função só do DEN ou quem sabe estas comissões criadas que ficamos pensando para que serve além do que já se sabe. Como parar com a evasão que assola o movimento? Como fazer que o Chefe antigo ou o voluntário novo não nos deixe na mão? Como ser recebido por uma autoridade se apresentando como um verdadeiro Escoteiro, bem uniformizado, sabendo o que vai ouvir e falar? Nada disto a gente vê. Quando muito vem um que já se acostumou e quem sabe pretende ser um dos politicamente corretos a dizer: - É um regime representativo, quem eu votei tem meu voto de confiança! Outros dizem que esta dialética politica entranhada no escotismo onde uma pequena facção foca somente as mazelas e culpa as lideranças por tudo não leva a lugar algum. Todos tem o direito de espernear. Mas pergunte sempre: Onde estão os resultados?


                 Dizer que poderíamos ter outro regime representativo; que um sistema de consultas frequentes nas unidades locais de temas atuais; que a criação de um órgão regional e local para manter discussões de assuntos de interesse Escoteiro nacional, participando democraticamente, elegendo uma diretoria que represente suas ideias. Isto ninguém quer aceitar. Todos estão focados no que existe e ninguém quer mudar. Nunca aceitam ou mesmo fazem um mea-culpa do porque não temos representatividade ou porque não crescemos. Acham que este sistema é o melhor para nós. Verdade ou não, só o cego que conduz outro cego sabe que vai cair uma hora ou outra. Vejam em termos nacionais o que somos e onde anda nosso prestígio. Não pense que seu grupo seu estado vai de vento em popa. Somos um plêiade de homens e mulheres com o mesmo objetivo. Mas para alcançá-lo precisamos de todos. Do lobinho ao Presidente ou Presidenta do Brasil!                          

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dolce Amore Mio ou I love you scout.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Dolce Amore Mio ou I love you scout.

              Ah! O amor! Ele aparece sem saber qual a flor do jardim vai escolher para desabrochar. É lindo! Quem ama fica diferente, esquece tudo do futuro do seu passado e passa a viver o presente. Quem diria que um dia iria ver tudo isto no meu amado escotismo? A juventude não tem fronteiras, não escolhe a hora nem o lugar para amar. Pensar que eu poderia amar uma Escoteira na trilha dos Morcegos? Na vertente do Rio Pardo? Na barraca suspensa presa em galhos altos na floresta do Roncador? Never! A gente amava sim, de longe, vendo pela janela, ela sorrindo jogando seus cabelos para um lado e outro e de olhos arregalados dizia: Amo você para sempre. Mas sempre tomando cuidado com o pai ou a mãe dela. Hoje? Hoje é tudo moderno. Tudo palatável, tudo vale na escala do tempo, que não deixa o vento levar os sonhos de um grande amor. É como o belo poema de Drumond: - O Escoteiro amava a Escoteira, que amava o sênior, que amava a guia, que sonhava com o pioneiro; que não amava ninguém.

                Vejo o mundo como vejo os ventos soprando nas histórias que passam sem a gente ver que passou. Tudo mudou. No campo não havia lugar para o amor. Havia lugar para o fogo amigo; para festejar com um amigo querido, para sorrir com ele quando chegava sua primeira classe, sua correia de mateiro, bater de frente para ver o sol nascente, era bom demais. Amor? Sim pelo escotismo. Coração servia para guardá-lo na mente, no abraço apertado, sorrir e fechar a chave o coração com o amor preso nas entranhas do seu ser. Mas quem disse que isto não acontece hoje? A meninada, a moçada ama sim o escotismo como a sí mesmo. Mas tem um lugarzinho para ele ou para ela. Afinal amar não é a maior das distâncias percorridas, capazes de manter o amor que originou uma nova alegria, uma sensação de bem estar de viver, de sonhar? Não é logico como dizia o celebre viajante das estrelas. Mas para eles tudo é logico, tem sentido, não tem como fugir, ir para o campo? Armar sua barraca? Sem ele ou ela não tem razão de ser.

                  Não sei onde me situar, não vivi esta experiência e nem sei até onde os resultados são compensatórios. Quem sabe isto já é real? Sem a gente perceber, lá estão eles de mãos dadas, quando podem um pequeno beijo, um abraço, um suspiro apaixonado. Mas e o escotismo? Calma chefinho, dizem eles, aqui fazemos tudo de mansinho, não precisamos correr. Sobejamente eu sei que nem todos estão assim a amar e ser amado, viver sonhando enamorado, pensando em um futuro feliz. Até antevejo eles no proximo milênio (muito?) vividos na trilha do tempo, amantes para sempre, filhos correndo atrás. Pai, mãe! Quando vou poder entrar? O pequerrucho nem quatro anos tem, mas sua foto com o lenço da Insígnia, com seu chapéu Escoteiro já correu as páginas das redes sociais, já estão no Facebook, em um tal de Instagram e tantos mais. Modernismo é assim. Já pensou ele apaixonado, correndo para todo lado com sua patrulha, no alto da montanha com sua bandeirola vermelha e branca triscando o infinito; manda mensagens através das nuvens distante para ela: - Pensei em te mandar um beijo... Mas achei pouco e resolvi mandar milhões deles! Te amo!

                       São coisas da nova época. Época que não é mais minha. Está na hora de encerrar minhas horas extras aqui na terra. Vem aí à homofobia, a aceitação de direitos. Afinal direitos são para todos. Eles merecem, eles tem que ter seu lugar ao sol e eu aplaudo. Bem vindos os novos irmãos Escoteiros. A UEB custou, mas reconheceu. Nota dez! Mas fico aqui pensando, no acampamento na caverna do urso, dois seniores de mãos dadas, um olhando para o outro, olhar lânguido dizendo: Te amo! E elas? Acharam um cantinho lá na trilha do destino, abraçadas vendo a vermelhidão amarelada do por sol a dizer: - Eu espero que a vida seja o suficiente para te mostrar o quanto te amo. A vida é assim renhida difícil, temos que vivenciar o novo mundo, a nova era. Afinal se você ama não faz a menor ideia de como eu sou feliz ao seu lado. E eu não tenho a menor ideia de como explicar. Eu te amo! Se sofro é por que amo você! Sofrer? Que isto? Não podemos sofrer por amor. Se o amor é lindo, temos a obrigação de ser feliz. Mas lembremos sempre, os sêniores de mãos dadas, as pioneiras abraçadas que BP já dizia: A verdadeira felicidade é fazer o seu amor feliz! Não foi assim? que seja.


                      Preciso bater o cartão do tempo. Minhas horas extras vão se exaurindo. Preciso ir para as estrelas. Estou a pensar BP escondido lá no céu, em uma estrela brilhante, sentado em um foguito amigo, em volta centenas de modernistas, valorosos politicamente corretos, dirigentes abstratos sem mostrar o seu recato, contando pataquadas do que fizeram. E ele BP de olhos fechados, tentando sorrir sem entender os novos chefes chegados, eles sorrindo por todo lado. Ele enruga a testa olha para uma estrela mais distante e fica a pensar: - Deus meu, saudades de Mafeking, dos meus amigos Ashantís, de Olave, da vida em Paxtu minha linda casa no Quênia, de Brownsea, saudades de Gilwell Park, agora isto? É difícil aguentar. Pois é, afinal sofrer faz parte até no além. Melhor não ficar ali, pois humildemente ele poderia dizer: - Santo Gral, onde amarrei minha égua?  

domingo, 28 de junho de 2015

Pensamentos abstratos de um domingo qualquer.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Pensamentos abstratos de um domingo qualquer.

                   Hoje é domingo, dia de descanso, para muitos sair passear, para outros ficar de bem bão, na varanda, esquentando sol de inverno, pensando no futuro sem esquecer seu passado. Hoje estou fazendo um “esculacho”, ou melhor, um inventário dos meus últimos anos de vida. Escoteiramente falando tentei, matematicamente somei e dividi. Lembro como era bacana, sair por aí, com a escoteirada, pé na estrada a acampar em qualquer lugar. É aqui Chefe? Pergunte a patrulha, veja os demais monitores. Vocês decidem! E na sede? Risadas, gargalhadas, programa na mão passando de mãos em mãos. Assistente aqui, Chefe acolá, trombeta tocando, bandeiras faiscando ao sol da tarde de verão. Um jogo amigo, uns caindo outros levantando, mas os sorrisos pagavam qualquer distração. Minha casa era a casa dos Escoteiros. Chefes, monitores, noviços e lobatos lá estavam para tomar um cafezinho, ou uma limonada gelada. O tempo foi passando, a velhice chegando e sem perceber deixei tudo na estrada perdida, presa no meu passado que um dia foi bom demais.

                      Nossa como acampei como engolia quilômetros de estrada com meu pisante Vulcabrás. Subia encostas “lambidas” dormia nas samambaias amigas, que a chuva caísse que o mundo acabasse, mas lá estávamos nós  varando trilhas, percorrendo o mundo em volta de nós que afinal de contas não era tão grande assim. Não havia um pai que sorria pensando em usar a calça curta como nós. Em um grupo chegaram a trinta e tantos, beleza! Cursos de montão para eles. Vários se tornaram Insígnias, estão por aí alguns na labuta outros deixaram a luta por não concordarem com os homens de então. A verdade verdadeira que é que tentei fazer estradas, pontes, tuneis impossíveis. Peguei de jeito o desvio que pensei ser o certo. Os bons que se diziam irmãos mandando a granel. Mudando, exigindo, batendo o martelo a dizer: - Cumpra-se! Não era minha praia. Adoro praia, mas aquela que vejo os gaviões do mar, as gaivotas com seus bailados dizendo para a gente não se preocupar.

                      Chegou o momento de parar, as pernas não obedeciam como antes. O corpo curvado, a mente firme sim, e pensei: - Porque não continuar? Ofereci meus préstimos, não houve resposta. Os novos tomaram meu lugar e esqueceram que passei o que eles vão passar. Poderia ajudar, mas educadamente se calaram como a dizer – vá viver e lembrar seus tempos. Este agora é meu e farei dele o que quiser. Tomei uma resolução, não me querem vivo e a cores? Faço então meus contos, meus amores abro um pedaço da vida nas histórias, passo a viver o passado, mas trazendo o presente. Foram cinco grupos, ou melhor, são cinco, nunca foram abandonados. Crescendo todos por todo lado. Duas páginas e uma Fanpage. Ali estão minhas histórias, algumas de sonhos de outrora, outras verdades nunca ditas que precisam viver novamente. E quem se importa com os mandantes? Sei que são deles o escotismo delirante que agora estão a fazer. Corto um galho de goiabeira, deixo secar e preparo minha borduna. Que eles sintam na pele os que meus dedos vão transmitir.

                     Tento escrever sonhos sonhados, faço questão de sorrisos por todo lado. Não digo não a ninguém que me procura. Quero fazer amigos e todos são bem vindos às paginas e nos grupos que um dia abracei. Se me escrevem respondo. Não como um chefão Escoteiro. Para mim e faço questão somos todos irmãos. Se entendo de escotismo o outro entende de fato que nem sei em nunca ouvi falar. Assim empatamos. Para aumentar os meus domínios onde serei lido por outros, abri blogs, vários, até um não Escoteiro, com contos da carochinha, do amor da paixão de um homem ou de uma mulher. Espalharam mundo afora, América, Europa, Ásia e o escambal. Como um sertanejo vou vivendo meus sonhos de arco íris. Se possivel mostrar que o escotismo é irmandade, que um sorriso vale mais que um senão, que um abraço é gostoso, que um aperto de mão sincero tem muito mais valor.  Tento ao meu modo falar de honra, de hombridade, de igualdade entre nós.

                    Tenho meus dias chuvosos e quem não tem? Mas quem me lê, quem me escreveu quem me procurou ou mesmo aqueles que tive a honra de apertar a mão sabe que não escondi o que sou. Um amigo, que gosta de um abraço, que ama seu Sempre Alerta, que procura transmitir um escotismo gostoso, jeitoso, cheio de simplicidade, nunca burocrático, quem sabe ensinar a contar estrelas; ver por dentro a natureza, o cantar da passarada; o uivar de um amigo quati, uma onça perdida, ou seja, o que for. Não vai nos fazer mal. Sei por experiência. Não sei até onde vou. Enquanto tiver forças farei o que faço, e se alguém não me der um abraço não irei me importar. Paciência. Um dia ele vai compreender que não é o tal, não é dono da verdade, e esquecerá as excentricidades e vai me considerar um irmão.

                    Bom domingo meus queridos amigos. Que o sol faça sua trilha, e que a estrela olhe para você nas noites dormidas sob o manto do Senhor. Eu te desejo tudo de bom, e como eu acredite, pode não ser hoje, mas um dia todos saberão que o escotismo é bom demais. Um escotismo altaneiro, onde se canta o Rataplã com orgulho, onde se esquece dos inimigos, onde habita um sorriso solto nos lábios e no coração. Escotismo é assim, sem essa de cara amarrada, voz truncada, duvidando do seu irmão. Sorria! É bom demais sorrir, abrace! Você não será desmerecido por abraçar. Um abraço é gostoso demais. Diga Sempre Alerta! Isto significa muito para todos nos e finalmente mostre que somos um movimento de ação e de fraternidade. Não tem aqui ninguém mais que o outro. Seja onde for, somos uma irmandade que um dia vai trazer a paz e o amor entre os homens.

Sempre Alerta!  

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A origem do chapéu Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
A origem do chapéu Escoteiro.

                      Uma das peças do uniforme que mais caracterizaram o escoteiro é, sem dúvida, o seu famoso chapéu de feltro de abas largas e cor marrom. No entanto, a sua história e como ele passou a fazer parte do escotismo mundial poucos conhecem. Inicialmente o chapelão foi conhecido como chapéu "Stetson" em alusão a empresa americana que o fabricava, a John B. Stetson Company. Originalmente o chapéu foi desenvolvido para ser utilizado pelos vaqueiros das pradarias da América do Norte por ser de material leve, o feltro e ter um desenho que protegia completamente o rosto dos vaqueiros devido as suas abas largas.

                      Durante a guerra Anglo/Böer, regimentos de várias colônias foram mobilizadas para defender os interesses do império britânico na África do Sul. O Canadá, que já empregava o chapelão no seu exército, enviou seus soldados para a guerra. A exceção do primeiro contingente que utilizou capacetes, o chapéu "Stetson" foi empregado em todas as unidades canadenses enviadas à África do Sul. Baden-Powell ao observar a artilharia de campo canadense em Mafeking, ficou bastante impressionado com seus chapéus. Como B-P era encarregado de criar a polícia sul-africana, encomendou à empresa americana 10 mil chapéus para equipar aquela polícia.

                            O agrado de Baden-Powell pelo chapelão foi tamanho que anos mais tarde ele o adotou no Movimento Escoteiro. A fama que o chapelão alcançou depois da guerra foi tão grande que vários exércitos passaram a utilizá-lo. O chapelão ainda é muito utilizado hoje em dia por forças policiais no mundo inteiro e na famosa Polícia Montada Canadense, mas é no escotismo que ele continua sendo marca até hoje como imagem característica. O chapelão escoteiro tem uma maneira muito própria de ser usado. Ao contrário do chapéu a cowboy, o chapéu escoteiro se usa com a correia justa e presa atrás da nuca.

                      Nessa correia é feito um nó de pescador ou de cabeça de cotovia, que fica em cima da aba do chapéu, à frente. Esta correia é ajustável, bastando deslizar os dois nós simples que compõem o nó de pescador, afastando-os ou aproximando-os.
Uma insígnia metálica de escotismo, mundial ou não, deve ser usada do lado esquerdo do chapéu, afixada no fecho da correia que rodeia a copa. O chapelão escoteiro tem quatro amolgaduras bem definidas, como usava Baden-Powell, uma à frente, outra atrás e uma de cada lado.

                         Outras origens são contadas de maneiras quase idênticas. Ele em sua época logo após aparecer os primeiros Escoteiros na Inglaterra era também conhecido como “Chapéu Scout” – Aliás, "Chapéu de Baden-Powell" – ou ainda em linguagem mais corrente "Chapéu de Quatro pontas" ou ainda... "quatro dobras". Tem como origem e confecção bem conhecida dos ex-Cowboys, hoje os “cattlemen” (homens do gado), sobre o nome de “Moutain Peak” pela sua semelhança com as montanhas daquele estado americano... Foi escolhido pelo General Robert Baden-Powell para cobrir as cabeças dos garotos reunidos no “Mafeking Cadete Corps” e depois atribuídos aos “South African Constabulary”, criado igualmente por Baden-Powell e escolhidos por “Southern District Scouts” em 1907.

                        Conta-se que o General Baden-Powell por ter sido tornado “Chefe Scout”, (Escoteiro Chefe Mundial) fez dele uma parte importante no uniforme escoteiro. A forma deste chapéu assemelha-se ao do contingente da New Zelândia, os futuros kiwis da Grande Guerra e do contingente canadiano de muito célebre “North-West Mounted Police” (Policia Montada do Canadá) futura R.C.M\P ou Polícia Montada Real do Canadá. Estas três sábias considerações não impedirão ninguém a reconhecer este elegante CHAPÉU como: O Chapéu Scout para todo o sempre ligado a um MOVIMENTO DE JUVENTUDE MUNDIAL nascido da imaginação de um general um pouco que seja observador e malicioso.


                       O Chapéu Scout cai em desuso em 1940 na França com a regulamentação do Escotismo Francês e que neste momento, predomina a boina. Tinha por assim dizer, desaparecido nos anos de 1970 os raros grupos que o usam ainda, como o de Riamont, deviam adquiri-los na Bélgica. Os Scout’s d’Europe não o tinham  e pouco usado. Era pelo desenvolvimento dos Scouts Unitários de França (e a vontade dos rapazes...) que ele ressurge a partir de 1945 em muitos países. As Guias de França usam um chapéu sem dobras, azul marinho. No Brasil ele foi sobejamente usado por muitos anos e por um preço acessível fabricando pela Prada. Infelizmente esta fabrica pelo volume pequeno de vendas deixou de fabricá-lo. Assim devido a dificuldades de aquisição e também desinteresse das lojas Escoteiras em não o ter em estoque, foi aos poucos substituído pelo Boné o que na visão deste Velho Escoteiro não tem muito de Escoteiro. Risos. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O grito de Patrulha.


Conversa ao pé do fogo.
O grito de Patrulha.

              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seus estilos, seus fatos, suas histórias e tradições mais e mais entregamos nossos corações. Ele nos conquista de tal maneira que para muitos é difícil explicar. A cada dia que vamos prestando atenção a tudo que acontece em volta, uma marca vai ficando e nunca mais sai da nossa mente. E como marca. Hoje me lembrei do grito de minha patrulha. Simples, sem mistérios. Dizem que o grito a gente nunca mais esquece. Sei que vocês também sabem seu valor. Gritos são tradições imutáveis. Existe para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade, aqui somos um só. E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha.

             Cada tropa tem seu estilo. Cada uma tem sua história. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, ombro a ombro bastão ao meio, todos ali segurando o bastão e o Monitor eleva acima o totem da Patrulha. O grito é dado. Um orgulho danado. Observem que ao terminar todos estão sorrindo.  Tem outras patrulhas  que formam em linha e todos olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. O grito de Patrulha não é do Monitor do sub de ninguém. Ele é de todos. Quando ele é feito deve ser escolhido por votação e não por imposição. Todos devem dar suas sugestões. Mas prestem atenção quando do grito. Por ele sabemos se a tropa está firme nos seus ideais, se a Patrulha é unida, se o oitavo artigo está ali presente sempre. Os gritos mostram muito. A valentia amiga e simpática do Monitor e o prazer e alegria do mais novo em participar.

            E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Mas sabem o que é mais importante? Nunca aceitar que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um. Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos ali passaram e deram este grito? Você está esquecendo que eles um dia junto a outros escoteiros que aí não estão mais gritaram alto, com toda a força dos seus pulmões? Sentiram a vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!

           Os gritos são dados quase a todo instante. Uma forma da patrulha dizer: Sempre Alerta Chefe, aqui estamos presentes! Seja no início da reunião, no final de um jogo, terminando uma atividade qualquer. Na bandeira, na inspeção e olhe, já vi patrulhas cansadas, em trilhas longas que paravam e davam o grito. Bom demais. O ânimo voltava. E o grito ao levantar no acampamento? Alvorada, cedo, orvalho caindo, um frio danado e lá estão todos a gritar. Bastão o meio, totem levantado e segura aí amigo, o grito vai sair gostoso. E nas noites escuras, ou de lua cheia, que sono meu Deus! Que frio danado! Mas o grito será dado. Com chuva ou sem chuva lá está a Patrulha a mostrar que tem orgulho, tem união e seu grito nunca pode ser esquecido. Conheci patrulhas que deram seus gritos por montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis, em ajuris, em ARP, e olhe uma vez eu vi uma Patrulha com orgulho dando o grito orgulhoso quando juntos a um candidato a presidente do Brasil. Depois de eleito foi uma decepção. Mas ele ouviu aquele grito, se assustou sorriu e disse para a patrulha: – Sempre Alerta!

          Eu sei que existem os gritos de tropa, de grupo claro todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de ser mais um. E quando alguém vai embora? Nunca mais volta? Dá-se o grito da despedida. Sem choro, pois dizem que escoteiros e escoteiras não choram. É só uma maneira de homenagear, de mostrar que ele foi importante assim como o foi quando adentrou a Patrulha. Ele se foi, achou melhor ter ido embora. Mas levou consigo o grito e temos certeza que leva também o escotismo em seu coração. O que eu gosto mesmo é ver o olhar de um jovem novato quando do primeiro grito. Não existe nada que possa substituir o olhar, o sorriso a voz ao gritar, o ser a vibrar por dentro e dizer, agora eu sou mais um.


          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

terça-feira, 23 de junho de 2015

O inesquecível Chefe Bolota, ele sim era o “cara”!


Lendas escoteiras.
O inesquecível Chefe Bolota, ele sim era o “cara”!

                       Nunca esqueci o dia que ele chegou à sede. Todos se assustaram. Eu mais ainda. Quando o Chefe Jamilson o apresentou e disse que o Chefe Bolota seria o novo Chefe da tropa todos arregalaram os olhos. Ali na sua frente um homem baixinho, não mais que um metro e cinquenta e cinco ou menos, gordinho, cabelos crespos amarelados e seu rosto era admirável. Duas bochechas vermelhas gordinhas escondidas por uns olhinhos azuis diminutos. Claro, cheio de sardas. – Deu um belo de um sorriso e disse – Vim para aprender com vocês. Nossa! Onde amarrei minha égua? Eu pensei. – Tropa! Disse o Chefe Jamilson, infelizmente fui transferido para Aguas do Sul.  Não posso mais continuar com vocês. Sei que sabem como levar a frente às atividades. A cada quinze dia voltarei aqui e vamos conversar. Mas a responsabilidade da tropa ficará com o Chefe Bolota!

                       Uma palma mexicana foi dada ao novo Chefe. Aquela que a gente tem uma preguiça enorme. Ficamos assim meios cismados, pois com o Chefe Jamilson nós tínhamos grandes liberdades. Acampávamos quando decidíamos. E reuniões eram quase todos os dias. Será que ele iria mudar? Chefe Jamilson se foi. Chefe Bolota ficou. Sorria, quase não falava. Achamos sua voz um pouco estranha. Porque não o conhecíamos na cidade? Dois meses depois aprendemos a gostar do Chefe Bolota. Mais parecia um de nós. Ia à casa do Pedrinho, na minha, na do Leôncio enfim ia à casa de todo mundo. Os pais o adoravam. Passaram-se quase cinco meses quando ele apareceu com o Padre Werner Braum da Paróquia de Santana. Todos conheciam a fama dele.  O chamávamos de alemão de Hitler. Sem conhecer ele e o Hitler tínhamos um medo danado dele. Foi o Chefe Bolota quem nos apresentou. - Amigos e irmãos escoteiros, vocês não sabiam, mas sou sacristão na Igreja de Santana. Pronto estava explicado.

                     Agora tínhamos de participar da missa do Padre Alemão. Ninguém faltava. Um medo danado do padre alemão. Chefe Bolota sorria de alegria. Pegou alguns de nós e fez um coro. Queria que outros se tornassem coroinhas. Chefe Bolota estava mudando tudo. Não era aquilo que fazíamos. Mas o olhar do Padre Werner era mortal. Ninguém dizia não. Um dia tivemos uma enorme surpresa. Um caminhão do Sexto Batalhão da Policia Militar parou na porta da sede. Um sargento pediu ajuda. – São para vocês! - Meninos! Ficamos espantados! Mais de duzentas mochilas praticamente novas,  quarenta barracas de duas lonas, oito barracas de oficiais, cantis, machadinhas, picaretas nossa! O que era aquilo? – Um pedido do Padre Werner ao comandante para vocês. “Enricamos” estávamos ricos. Por mais de cinco meses não faltamos às atividades da igreja de Santana. Mas nem tudo dura para sempre. As saudades das excursões, dos acampamentos, das atividades volantes, bivaques batia fundo. Agora tudo estava paralisado.

                        Chamamos o Chefe Bolota. Fizemos um Conselho de Tropa. Explicamos. Ele entendeu. Mas não sabia como conciliar com a igreja. O que ele diria para o Padre Werner? – Na semana seguinte ele chegou com o Padre Werner no dia de reunião. Ficamos calados. Esperávamos o pior. – Escoteiros, acho que me enganei com vocês! – Putz! A barra vai pesar pensei. – Enganei mesmo. Vocês são escoteiros e a vida que devem levar é no campo e não na igreja. Vamos fazer um trato. Pelo menos uma vez por semana irão à missa. Uma vez por mês irão se confessar. Portanto nos demais dias, façam o escotismo como ele é. Aventuras, nada mais que isto! – Grande padre Werner.

                       Chefe Bolota estava conosco. Precisavam o ver cantando junto à carrocinha quando íamos para o campo. Sede? Uma vez passamos dois meses sem reunião lá. Foi na época que atravessamos as corredeiras do Rio Doce em Derribadinha. Uma aventura e tanto. Chefe Bolota caiu da jangada. Gritou dizendo não saber nadar. Vários de nós a ajudá-lo até uma grande pedra no meio do rio. Ele contava para todo mundo sua façanha e seus heróis. Não sei se ele se tornou um grande mateiro, não sei. Um ano e meio conosco nos deu a noticia – Fui aceito em um seminário. Sempre desejei ser um homem de Deus. Partiu assim como chegou. Quatro anos depois apareceu na sede. Apresentou-se como um novo padre na cidade. Rezamos com ele ali na sede uma linda missa escoteira.


                       Partiu para uma paróquia no interior de Pernambuco. Nunca mais o vi. A tropa sempre ao redor do fogo lembrava-se dele. Dávamos risadas, contávamos casos que foram repetidos por muitos e muitos anos nos fogos de conselho da vida. Chefe Bolota era figura central nas enquetes, jograis e histórias que por muitos e muitos anos aconteceram em nossos Fogos de Conselho. Sempre é bom ter boas coisas para lembrar. Chefe Bolota foi Chefe escoteiro. Pouco tempo. Mas acreditem, marcou mais que o nosso antigo Chefe Jamilson. Tempos que se foram. Tempos que se dizia – Se tens uma Corte de Honra funcionando e bons monitores, tens uma tropa em ação então mãos a obra, o escotismo ali na dá passo de ganso! Assim éramos nós. Amigos e irmãos uns dos outros. Acampando com a Patrulha ou com todas juntas sempre riamos e dizíamos – “E quem precisa de Chefe”?

domingo, 21 de junho de 2015

A história de Lady Olave Baden Powell.


Conversa ao Pé do fogo.
A história de Lady Olave Baden Powell.

                    Olave St. Clair Soames, que mais tarde se tornaria Lady Olave Baden Powell nasceu em 22 de Fevereiro de 1889, na Inglaterra. Seu pai Harold Soames e sua mãe Katherine Hill tiveram mais dois filhos, um menino chamado Arthur e uma menina chamada Auriol. Quando nasceu Olave, puseram este nome porque esperavam um filho homem que se chamaria Olaf. Apesar de sua saúde precária nos primeiros anos, o contato permanente com a natureza e sua vida ordenada a transformou numa jovem sadia e alegre, forte e com uma incrível energia. Nunca foi para colégios ou centro superiores, mas foi educada por instrutores que eram parte da família.

                         Sempre se interessou por música e tocava violão muito bem. Durante anos praticou rodeada de seu esposo e seus filhos, mas seu trabalho não lhe deu tempo para aperfeiçoar. Olave foi uma grande interessada em esportes, praticou tênis, remo, patinação, montava a cavalo, andava de bicicleta e quando estava cansada conduzia carruagem e automóvel. Quando jovem apesar de sua vida cheia de atividades, repleta de afazeres; sentia um grande vazio, queria ser útil e poder servir aos demais. Por ser muito jovem não a aceitaram na escola de enfermagem o que a fez desistir de seguir alguma carreira.
Olave achou que a vida da sociedade de sua época era bastante monótona e, por isso, resolveu dedicar-se aos meninos inválidos, que ela recolhia em Bornemouth, onde cuidava deles. Em 1912, embarcou com seu pai no navio "Arcadiam", rumo às Índias Ocidentais. Neste navio também viajava Lord Baden Powell, que mesmo com seus 55 anos, não impediu de descobrirem diversas afinidades, eram as mesmas ideias e aspirações. Quando deixaram a Jamaica, Olave e Robert estavam noivos e em Outubro de 1912 casaram-se. Foram passar sua Lua-de-Mel na África, iniciando uma vida comum, enriquecida por 3 filhos: Peter que nasceu em 1913, Heather em 1915 e Betty em 1917. Entre todas as tarefas de casa, educação dos filhos e ajuda pessoal ao marido, Lady transformou-se em sua secretária.
                      Neste ano, já havia Grupos Bandeirantes, na Inglaterra, e sua Presidente era Agnes Baden Powell, irmã de BP. O Movimento Bandeirante tinha uma grande necessidade de dirigentes e coordenadores, e por isso Lady Olave ingressou no Movimento, em 1914. Em 1916, devido aos seus grandes esforços, foi nomeada Comissária-Chefe. Nesta época a Inglaterra atravessava uma época difícil, pois a guerra impedia que fossem realizadas muitas atividades Bandeirantes, havia muita preocupação. Os poucos grupos ativos de Bandeirantes dedicavam-se aos primeiros socorros, emergências e serviços. Em 1918, foi nomeada Chefe-Bandeirante da Grã-Bretanha, neste mesmo ano foi impresso o primeiro exemplar Bandeirante, dirigido às meninas (Girl Guiding).
A carta de Olave Baden-Powell atravessa o Atlântico.
                         Logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, Olave Baden-Powell enviou uma carta ao Brasil, propondo a fundação do Movimento das Girl Guides no país. Sr. Barclay, amigo de Olave que viajava para o Rio de Janeiro a negócios, se responsabilizou pela correspondência, e a entregou nas mãos da família Lynch. No dia 30 de maio de 1919, a senhora Adéle Lynch promoveu uma reunião em sua casa com autoridades e senhoras interessadas no movimento das Girl Guides. Entre os convidados estava May Mackenzie, canadense residente no Brasil que já havia participado do movimento na Inglaterra, e Jerônyma Mesquita, cunhada do Sr. Lynch e conhecida por trabalhos educacionais e sociais.

                         O Movimento Bandeirante se apresentava como uma proposta de educação pioneira, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel mais atuante nas mudanças da sociedade. Essa característica cativou as pessoas que estavam na casa da Sra. Lynch, como Jerônyma, que dedicou sua vida ao Bandeirantismo e foi homenageada com o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro. Surgia ali a Associação das Girl Guides do Brasil (primeiro nome da Federação de Bandeirantes do Brasil). Em 13 de agosto de 1919, realizou-se a cerimônia de promessa das 11 primeiras bandeirantes brasileiras – data oficial de fundação do Movimento Bandeirante no Brasil.

Os primeiros passos do Movimento Bandeirante
                          Mulheres como Maria de Lourdes Lima Rocha foram importantes para que o Bandeirantismo se tornasse forte e se firmasse no Brasil. Conhecida por todos como Chefe Lourdes, Maria de Lourdes era professora e pedagoga, e fundou a Companhia do Sagrado Coração de Jesus, em Botafogo. A primeira sede exclusivamente do Movimento Bandeirante foi inaugurada em setembro de 1927, construída na Matriz do Sagrado Coração de Jesus, onde funcionava também a companhia. Neste mesmo ano é iniciada a publicação do jornal “Bandeirantes”, editado até a década de 1990.

                              O Movimento Bandeirante, no ano de 1928, rompe barreiras sociais e comportamentais para as mulheres da época, em especial para as que compunham a elite da sociedade brasileira, classe da qual todas as bandeirantes do período pertenciam. Foi realizado o primeiro acantonamento para chefes na cidade de Itaipava, no Rio de Janeiro, que levou as moças para longe de seus cotidianos domésticos. Além disso, o campo de atuação das bandeirantes se estendeu para escolas municipais, favelas e bairros proletários, um escândalo na década de 1920. O Brasil, em 1930, torna-se membro oficial da Associação Mundial de Bandeirantes (World Association of Girl Guides and Girl Scouts), criada em 1928 em Londres, na Inglaterra.

                             O Movimento Bandeirante foi se solidificando e se expandindo, e chegou a outros Estados do Brasil, assim como a outros grupos sociais. Em 1937, por exemplo, é organizado pela Chefe Lourdes uma companhia bandeirante no Instituto Benjamin Constant, primeira e única companhia bandeirante para meninas cegas. A década de 1940 é marcada pela integração e intercâmbio entre as Regiões (hoje chamadas Estados). As bandeirantes começam a viajar pelo Brasil e criar uma unidade nacional entre as meninas. Ao mesmo tempo, o Movimento Bandeirante se organizava. A ideia de criar uma sede-central era reflexo da necessidade de oferecer uma situação mais sólida à Federação de Bandeirantes do Brasil (FBB), e de permitir o crescimento do Movimento, que ainda encontrava dificuldades para que isso acontecesse.


A existência das Bandeirantes do Brasil devem-se à dedicação, persistência e amor ao bandeirantismo dos seus personagens. Uma história que começou em 1919, com a chegada da carta de Olave Baden-Powell, e é construída todos os dias pelas crianças, adolescentes, jovens. Esse é o verdadeiro espírito bandeirante.